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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Vigilância ambiental em saúde de acidentes químicos ampliados no transporte rodoviário de cargas perigosas]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Environmental health surveillance of major chemical a ccidents in highway transport of hazardous materials]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro Departamento de Ciências Administrativas e Contábeis ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Major chemical accidents in highway transport of hazardous materials have the potential of a multiplicity of damages to health and to the environment and are of Public Health concern. In Brazil the absence of basic information to evaluate the impact of these events on health is one of the limitations of the available data about highway transport of hazardous materials. As consequence, formulation of adequate and efficient public policies to prevent and control these types of accidents, involving health and environment sectors is limited. The objective of this article is to contribute to the building of the environmental health surveillance of these accidents. Based on the available information and on the characterization of these accidents referred in studies done in the United States, the problematic in Brazil is discussed. Basic elements for the urgent implementation of an environmental health surveillance of these accidents are pointed considering the Brazilian reality]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Acidente Rodoviário]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p>&nbsp;</p>     <p><a name="topo"></a><b><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Vigil&acirc;ncia    ambiental em sa&uacute;de de acidentes qu&iacute;micos ampliados no transporte    rodovi&aacute;rio de cargas perigosas </font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Environmental health    surveillance of major chemical a ccidents in highway transport of hazardous    materials</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Carlos Machado    de Freitas<sup>I</sup>; Andr&eacute;a Estevam Amorim<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Centro de Estudos    da Sa&uacute;de do Trabalhador e Ecologia Humana/ENSP/FIOCRUZ    <br>   <sup>II</sup>Departamento de Ci&ecirc;ncias Administrativas e Cont&aacute;beis/Universidade Federal Rural    do Rio de Janeiro</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1">     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Acidentes qu&iacute;micos    ampliados no transporte rodovi&aacute;rio de cargas perigosas possuem o potencial    de causar simultaneamente m&uacute;ltiplos danos ao meio ambiente e &agrave;    sa&uacute;de dos seres humanos expostos, constituindo uma preocupa&ccedil;&atilde;o    para a Sa&uacute;de P&uacute;blica. Entretanto, no Brasil, a aus&ecirc;ncia    de algumas informa&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas que permitam avaliar os    impactos desses eventos sobre a sa&uacute;de humana constitui uma das limita&ccedil;&otilde;es    dos dados existentes, atualmente, sobre o transporte de cargas perigosas, reduzindo    a capacidade de formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas    de controle e preven&ccedil;&atilde;o amplas, adequadas e efetivas, particularmente    envolvendo os setores sa&uacute;de e meio ambiente. O objetivo deste artigo    &eacute;, no &acirc;mbito da Vigil&acirc;ncia Ambiental em Sa&uacute;de, contribuir    para a estrutura&ccedil;&atilde;o do sistema de vigil&acirc;ncia desse tipo    de acidente. A partir do hist&oacute;rico e da caracteriza&ccedil;&atilde;o    desses acidentes, coloca-se a problem&aacute;tica para o Brasil, tendo como    refer&ecirc;ncia estudos realizados nos EUA. A partir da&iacute;, s&atilde;o    propostos os elementos b&aacute;sicos e iniciais que devem constituir a vigil&acirc;ncia    em sa&uacute;de ambiental em rela&ccedil;&atilde;o a esses eventos. Ao final,    aponta-se para a urg&ecirc;ncia da estrutura&ccedil;&atilde;o dessa vigil&acirc;ncia,    considerando as peculiaridades da realidade brasileira e o grande n&uacute;mero    de eventos j&aacute; registrados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-Chave:</b>    Acidente Rodovi&aacute;rio; Transporte de Carga Perigosa; Vigil&acirc;ncia Ambiental    em Sa&uacute;de; Acidente Qu&iacute;mico.</font></p> <hr size="1">     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>SUMMARY</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Major chemical    accidents in highway transport of hazardous materials have the potential of    a multiplicity of damages to health and to the environment and are of Public    Health concern. In Brazil the absence of basic information to evaluate the impact    of these events on health is one of the limitations of the available data about    highway transport of hazardous materials. As consequence, formulation of adequate    and efficient public policies to prevent and control these types of accidents,    involving health and environment sectors is limited. The objective of this article    is to contribute to the building of the environmental health surveillance of    these accidents. Based on the available information and on the characterization    of these accidents referred in studies done in the United States, the problematic    in Brazil is discussed. Basic elements for the urgent implementation of an environmental    health surveillance of these accidents are pointed considering the Brazilian    reality.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Key Words:</b> Highway    Accident; Hazardous Materials Transportation; Environmental Health Surveillance;    Chemical Accident.</font></p> <hr size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Os acidentes qu&iacute;micos    ampliados, eventos agudos, tais como explos&otilde;es, inc&ecirc;ndios e emiss&otilde;es,    individualmente ou combinados, envolvendo uma ou mais subst&acirc;ncias perigosas    com potencial para causar simultaneamente m&uacute;ltiplos danos ao meio ambiente    e &agrave; sa&uacute;de dos seres humanos expostos, constituem uma preocupa&ccedil;&atilde;o    para a Sa&uacute;de P&uacute;blica. Esses acidentes podem ocorrer em instala&ccedil;&otilde;es    fixas (unidades de produ&ccedil;&atilde;o industrial ou de armazenamento) ou    durante o transporte de subst&acirc;ncias qu&iacute;micas (rodovi&aacute;rio,    ferrovi&aacute;rio, hidrovi&aacute;rio, aerovi&aacute;rio e dutovi&aacute;rio),    possuindo a capacidade de a gravidade e a extens&atilde;o dos seus efeitos ultrapassarem    os seus limites <i>espaciais</i> - de bairros, cidades e pa&iacute;ses - e <i>temporais</i>    - como a teratog&ecirc;nese, carcinog&ecirc;nese, mutag&ecirc;nese e danos a    &oacute;rg&atilde;os alvos espec&iacute;ficos.<sup>1</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> No Brasil, a aus&ecirc;ncia    de algumas informa&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas que permitam avaliar os    impactos desses eventos sobre a sa&uacute;de humana<sup>2-5</sup> - expostos, lesionados    e &oacute;bitos - e o meio ambiente<sup>6</sup> - contamina&ccedil;&atilde;o de solos,    &aacute;guas superficiais e subterr&acirc;neas, ar e cadeia alimentar, constitui    uma das limita&ccedil;&otilde;es dos dados atualmente existentes sobre o transporte    de cargas perigosas. As conseq&uuml;&ecirc;ncias da aus&ecirc;ncia de dados    se refletem diretamente na possibilidade de estimar os custos humanos, ambientais    e financeiros desses acidentes e, por conseguinte, na capacidade de formula&ccedil;&atilde;o    de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de controle e preven&ccedil;&atilde;o amplas,    adequadas e efetivas, particularmente envolvendo os setores sa&uacute;de e meio    ambiente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Os acidentes qu&iacute;micos    ampliados no transporte rodovi&aacute;rio de cargas perigosas (AQATRCP) s&atilde;o    hoje um dos temas de preocupa&ccedil;&atilde;o da vigil&acirc;ncia ambiental    em sa&uacute;de (VAS) que vem se desenvolvendo no &acirc;mbito do Minist&eacute;rio    da Sa&uacute;de, dentro da Funda&ccedil;&atilde;o Nacional de Sa&uacute;de<sup>7</sup>,    com reflexo tamb&eacute;m em algumas Secretarias Estaduais de Sa&uacute;de.    O objetivo deste artigo, resultado de pesquisas j&aacute; conclu&iacute;das,    &eacute; contribuir para a estrutura&ccedil;&atilde;o do sistema de VAS dos    AQATRCPs considerando sua especificidade, pois, al&eacute;m de o pa&iacute;s    ainda n&atilde;o ter nada estruturado sobre este tema no setor sa&uacute;de,    deve-se considerar ainda que, pelos seus efeitos, possa ser comparado aos acidentes    em instala&ccedil;&otilde;es fixas, dadas as suas caracter&iacute;sticas de    mobilidade e seus aspectos espec&iacute;ficos, que devem ser abordados de modo    diferenciado.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Breve hist&oacute;rico    e caracter&iacute;sticas dos acidentes qu&iacute;micos ampliados</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A import&acirc;ncia    dos acidentes envolvendo subst&acirc;ncias qu&iacute;micas est&aacute; diretamente    relacionada &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica da produ&ccedil;&atilde;o    e consumo dessas subst&acirc;ncias em n&iacute;vel internacional e nacional.    Nos anos 60, uma planta industrial de grande porte para refino de petr&oacute;leo    possu&iacute;a capacidade de produzir 50 mil toneladas de etileno por ano. Nos    anos 80, a capacidade ultrapassava a escala de 1 milh&atilde;o de toneladas    por ano. O transporte e o armazenamento seguiram o mesmo ritmo. A capacidade    dos petroleiros no p&oacute;s-guerra cresceu de 40 mil toneladas para 500 mil    toneladas e a de armazenamento de g&aacute;s de 10 mil metros c&uacute;bicos    para 120.000/150.000 metros c&uacute;bicos.<sup>8,9</sup> A comercializa&ccedil;&atilde;o    mundial de produtos qu&iacute;micos org&acirc;nicos exemplifica este crescimento,    passando de 7 milh&otilde;es de toneladas em 1950 para 63 milh&otilde;es em    1970, 250 milh&otilde;es em 1985 e 300 milh&otilde;es em 1990.<sup>10</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O crescimento    das atividades de produ&ccedil;&atilde;o, armazenamento e transporte de subst&acirc;ncias    qu&iacute;micas no mundo provocou um aumento no n&uacute;mero de indiv&iacute;duos    expostos aos seus riscos - trabalhadores e comunidades. Paralelamente, observa-se    um aumento na freq&uuml;&ecirc;ncia e gravidade dos acidentes qu&iacute;micos.    Os acidentes nessas atividades com cinco &oacute;bitos ou mais, os quais s&atilde;o    considerados muito severos pela Uni&atilde;o Europ&eacute;ia,<sup>11</sup> passaram    de 20 (m&eacute;dia de 70 &oacute;bitos por acidente) entre 1945 e 1951, para    66 (m&eacute;dia de 142 &oacute;bitos por acidente) entre 1980 e 1986<sup>12</sup>    (<a href="#tab1">Tabela 1</a>).</font></p>     <p><a name="tab1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="../img/revistas/iesus/v10n1/1a04t1.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Al&eacute;m de    serem acidentes de tr&acirc;nsito e de trabalho, esses eventos caracterizam-se    por envolver o potencial de explos&otilde;es, inc&ecirc;ndios e vazamentos,    individualmente ou combinados, com uma ou mais subst&acirc;ncias perigosas.    Possuem, portanto, o potencial de causar simultaneamente m&uacute;ltiplos danos    ao meio ambiente e &agrave; sa&uacute;de dos indiv&iacute;duos expostos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Nas explos&otilde;es,    a s&uacute;bita libera&ccedil;&atilde;o de energia pode tomar diversas formas    e seus efeitos tendem a ser locais. Por&eacute;m, as explos&otilde;es qu&iacute;micas    podem ter amplas repercuss&otilde;es sobre a sa&uacute;de, uma vez que podem    resultar em inc&ecirc;ndios e emiss&otilde;es de subst&acirc;ncias t&oacute;xicas    perigosas. Em ambas as formas, h&aacute; ainda a possibilidade de lan&ccedil;amento    de fragmentos. Seus impactos sobre a sa&uacute;de se manifestam na forma de    queimaduras, traumatismos e sufoca&ccedil;&atilde;o pelos gases liberados ap&oacute;s    as explos&otilde;es.<sup>1</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> No caso dos inc&ecirc;ndios,    al&eacute;m da radia&ccedil;&atilde;o de calor e dos poss&iacute;veis inc&ecirc;ndios    e explos&otilde;es adicionais, existem ainda os riscos associados &agrave; pr&oacute;pria    combust&atilde;o dos qu&iacute;micos envolvidos, resultando na emiss&atilde;o    de m&uacute;ltiplos gases e fuma&ccedil;as t&oacute;xicas, atingindo &aacute;reas    distantes. Al&eacute;m disso, dependendo de v&aacute;rios fatores, entre eles    temperatura, a combust&atilde;o incompleta de subst&acirc;ncias qu&iacute;micas    pode gerar in&uacute;meros outros poluentes indiretos. Esta caracter&iacute;stica    dos inc&ecirc;ndios qu&iacute;micos torna dif&iacute;cil estabelecer infer&ecirc;ncias    causais entre a poss&iacute;vel exposi&ccedil;&atilde;o e os sintomas espec&iacute;ficos    registrados, tal como evidenciam os estudos sobre bombeiros e popula&ccedil;&otilde;es    expostas a esses tipos de eventos. As &aacute;guas residuais contaminadas dos    combates aos inc&ecirc;ndios qu&iacute;micos s&atilde;o outra fonte de riscos,    tanto para as equipes de emerg&ecirc;ncias que entram em contato com elas durante    o combate, como para as popula&ccedil;&otilde;es que obt&ecirc;m &aacute;gua    e peixes para consumo nos rios atingidos.<sup>1</sup> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> As freq&uuml;entes    emiss&otilde;es l&iacute;quidas acidentais, que ocorrem diretamente por vazamento    ou derramamento, t&ecirc;m sua extens&atilde;o determinada, entre outros fatores,    pela exist&ecirc;ncia de cursos de &aacute;gua e barreiras naturais ou artificiais.    As emiss&otilde;es de gases e vapores t&oacute;xicos na atmosfera apresentam    maiores possibilidades de dispers&atilde;o. A gravidade e a extens&atilde;o    dessas emiss&otilde;es dependem das propriedades f&iacute;sico-qu&iacute;micas,    toxicol&oacute;gicas e ecotoxicol&oacute;gicas das subst&acirc;ncias envolvidas,    bem como das condi&ccedil;&otilde;es atmosf&eacute;ricas, geol&oacute;gicas    e geogr&aacute;ficas. Assim como os inc&ecirc;ndios, podem provocar efeitos    tanto agudos quanto cr&ocirc;nicos, como carcinogenicidade, teratogenicidade,    mutagenicidade e danos a &oacute;rg&atilde;os alvos espec&iacute;ficos.<sup>1</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Em s&iacute;ntese,    o que caracteriza esses acidentes, denominados de <i>acidentes qu&iacute;micos    ampliados</i>, n&atilde;o &eacute; somente sua capacidade de causarem conseq&uuml;&ecirc;ncias    imediatas e grande n&uacute;mero de &oacute;bitos em um &uacute;nico evento,    embora sejam freq&uuml;entemente conhecidos exatamente por isto. &Eacute; tamb&eacute;m    o potencial da gravidade e extens&atilde;o dos seus efeitos ultrapassarem os    seus limites espaciais - de bairros, cidades e pa&iacute;ses - e <i>temporais</i> -    como a teratog&ecirc;nese, carcinog&ecirc;nese, mutag&ecirc;nese e danos a &oacute;rg&atilde;os    alvos espec&iacute;ficos, ampliando-se no tempo e no espa&ccedil;o<sup>1</sup>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Os AQATRCPs e seus    impactos sobre a sa&uacute;de</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Em termos globais,    os estudos de Glickman e colaboradores,<sup>12,13</sup> utilizando-se de diferentes    fontes de informa&ccedil;&otilde;es (registros oficiais e bases de dados internacionais,    al&eacute;m de jornais, revistas e publica&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas    sobre o tema) demonstram a import&acirc;ncia do tema para os setores sa&uacute;de    e meio ambiente. Em um primeiro estudo,<sup>12</sup> sobre acidentes qu&iacute;micos    ampliados ocorridos no mundo entre 1945 e 1986 e com mais de cinco &oacute;bitos,    demonstrou que os percentuais para o transporte (incluindo o hidrovi&aacute;rio,    o ferrovi&aacute;rio e o rodovi&aacute;rio) foi de 46% (n=135) do total de eventos    (o que inclui dutos e instala&ccedil;&otilde;es fixas) e de 45% (n=6.808) do    total de &oacute;bitos. Em um segundo estudo,<sup>13</sup> limitando-se aos    acidentes ocorridos nos EUA, envolvendo pelo menos um &oacute;bito, no per&iacute;odo    de 1947 a 1991, permitiu desagregar os dados para os AQATRCPs e demonstrar que    esses eventos corresponderam a 35% do total de eventos e a 71% dos acidentes    envolvendo o transporte de cargas perigosas. Em rela&ccedil;&atilde;o as v&iacute;timas    fatais, os AQATRCPs corresponderam a 15% do total de v&iacute;timas em todos    eventos e a 28% dos que envolveram todos os tipos de transporte de cargas perigosas,    apresentando o menor indicador de gravidade (1,9 &oacute;bitos/acidente) se    comparado com os outros (<a href="#tab2">Tabela 2</a>). O transporte mar&iacute;timo,    por exemplo, embora respons&aacute;vel por apenas 8% (n=30) dos eventos, resultou    em 55% (n=963) dos &oacute;bitos e apresentou o maior indicador de gravidade    (32,1 &oacute;bitos por acidente).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="tab2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/iesus/v10n1/1a04t2.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Embora haja poucos    estudos espec&iacute;ficos sobre o tema, avalia&ccedil;&otilde;es de impactos    sobre a sa&uacute;de provocados pelos acidentes envolvendo o transporte rodovi&aacute;rio    de cargas perigosas, todos realizados nos EUA, podem fornecer alguns par&acirc;metros    para pensarmos acerca da necessidade de estrutura&ccedil;&atilde;o de um sistema    de vigil&acirc;ncia ambiental em sa&uacute;de que incorpore esses tipos de eventos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Em um estudo realizado    por Shaw e colaboradores<sup>2</sup> sobre AQATRCPs ocorridos na Calif&oacute;rnia entre    janeiro de 1982 e setembro de 1983, registrados na pol&iacute;cia rodovi&aacute;ria    (n=485) e no departamento nacional de transportes (n=474), foi encontrada uma    m&eacute;dia de aproximadamente tr&ecirc;s v&iacute;timas por acidente para    os 62 eventos (aproximadamente 13% nos dois sistemas de registros) em que havia    informa&ccedil;&otilde;es sobre pessoas expostas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Binder<sup>3</sup> levantou    587 eventos com emiss&otilde;es qu&iacute;micas perigosas em tr&ecirc;s sistemas    de registros no ano de 1986: o Centro Nacional de Respostas &agrave; Emerg&ecirc;ncias    (n=288), o Sistema de Informa&ccedil;&otilde;es Sobre Materiais Perigosos (n=208)    e a Base de Dados de Eventos Agudos Perigosos (n=168). Incluiu o transporte    em movimento e tamb&eacute;m estacion&aacute;rio (opera&ccedil;&otilde;es de    carregamento e descarregamento). Alguns eventos eram comuns aos dois sistemas    de registros, e apenas 1% era comum aos tr&ecirc;s sistemas. O autor constatou    que os 587 AQATRCPs registrados resultaram em, no m&iacute;nimo, 115 &oacute;bitos,    2.254 lesionados e 111 evacua&ccedil;&otilde;es emergenciais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Hall e colaboradores,<sup>4</sup>    em um estudo para dar in&iacute;cio a um sistema ativo de vigil&acirc;ncia de    emerg&ecirc;ncias envolvendo materiais perigosos (Hazardous Substances Emergency    Events Surveillance System - HSEES) na Agency for Toxic Substances and Disease    Registry (ATSDR), envolveram institui&ccedil;&otilde;es similares &agrave;s    secretarias estaduais de sa&uacute;de, em cinco estados diferentes, na coleta    de registros de acidentes qu&iacute;micos ampliados entre 1<sup>o</sup> de janeiro    de 1990 e 31 de dezembro de 1991, utilizando-se de fontes de dados como &oacute;rg&atilde;os    ambientais do estado, pol&iacute;cia e bombeiros. Foram encontrados 1.234 eventos,    em que apenas 28% (n=349) do total envolveram AQATRCPs. Embora n&atilde;o haja    dados espec&iacute;ficos para os AQATRCPs no que se refere as outras vari&aacute;veis,    elas servir&atilde;o como indicadores. Do total de eventos, 16% (n=204) resultaram    em 846 pessoas afetadas, predominando irrita&ccedil;&otilde;es do trato respirat&oacute;rio    e dos olhos, seguidas de n&aacute;useas. Nos AQATRCPs, as conseq&uuml;&ecirc;ncias    envolveram tamb&eacute;m, de modo geral, les&otilde;es traum&aacute;ticas e    queimaduras qu&iacute;micas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Dos sete &oacute;bitos    registrados, nenhum ocorreu em AQATRCPs. Em rela&ccedil;&atilde;o ao g&ecirc;nero,    76% eram homens. O grupo mais afetado foi o de trabalhadores das pr&oacute;prias    empresas (64%), sendo seguidos por aqueles trabalhadores envolvidos nas a&ccedil;&otilde;es    de resposta a este tipo de emerg&ecirc;ncia (14%). Para a popula&ccedil;&atilde;o    geral o percentual foi de 22%, e especificamente para os AQATRCPs este percentual    baixou para 10%. A maioria das v&iacute;timas teve entrada e tratamento nos    servi&ccedil;os de sa&uacute;de (70,5%), sendo outras transportadas para observa&ccedil;&atilde;o    sem tratamento (18,6%). Em outros casos, 9,9% foram transportadas e tratadas    sem registros de entrada nos servi&ccedil;os de sa&uacute;de e 1% recebeu tratamento    na cena do acidente. Evacua&ccedil;&otilde;es foram registradas em 14% (n=177)    dos eventos, com uma m&eacute;dia de 210 pessoas - variando de duas a 4.150    pessoas - e com uma m&eacute;dia de duas horas de evacua&ccedil;&atilde;o por    evento - variando de uma a 202 horas. Em 92% das evacua&ccedil;&otilde;es a    ordem partiu de um profissional envolvido na resposta (policial ou bombeiro).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Embora os resultados    dos estudos citados utilizem diferentes bases em diferentes per&iacute;odos,    ressaltam alguns aspectos relacionados aos AQATRCPs, entendidos como um problema    de Sa&uacute;de P&uacute;blica. Em m&eacute;dia, podemos considerar que esses    eventos constituem cerca de um ter&ccedil;o dos acidentes qu&iacute;micos ampliados.    N&atilde;o s&atilde;o respons&aacute;veis pela maioria das v&iacute;timas fatais    e n&atilde;o fatais, mas apresentam a caracter&iacute;stica de afetar mais de    uma pessoa, particularmente trabalhadores das empresas envolvidas e das equipes    que atuam nestas emerg&ecirc;ncias (pol&iacute;cia rodovi&aacute;ria, bombeiros    e t&eacute;cnicos de &oacute;rg&atilde;os ambientais). Em termos de impacto    global sobre a sa&uacute;de das popula&ccedil;&otilde;es, afetam menos o p&uacute;blico    geral do que os que ocorrem em instala&ccedil;&otilde;es fixas. Tanto os registros    desses eventos, como das suas conseq&uuml;&ecirc;ncias, particularmente sobre    a sa&uacute;de, podem ser encontrados em diferentes sistemas de registros, como    pol&iacute;cia rodovi&aacute;ria, corpo de bombeiros, &oacute;rg&atilde;os ambientais    e servi&ccedil;os de sa&uacute;de, al&eacute;m de jornais, revistas e publica&ccedil;&otilde;es    espec&iacute;ficas sobre o tema.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Os AQATRCPs na    realidade brasileira</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Brasil, assim    como outros pa&iacute;ses que j&aacute; registraram os mais graves acidentes    qu&iacute;micos ampliados ocorridos no mundo (M&eacute;xico e &Iacute;ndia),    sofreu um processo de intensifica&ccedil;&atilde;o de seu crescimento econ&ocirc;mico    entre os anos 60 e 80, resultando em r&aacute;pida e desordenada industrializa&ccedil;&atilde;o    ao lado de intenso e incontrolado processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o. Para    possibilitar a amplia&ccedil;&atilde;o e a intensifica&ccedil;&atilde;o da necess&aacute;ria    circula&ccedil;&atilde;o de mat&eacute;rias-primas e produtos associados ao    desenvolvimento industrial, o pa&iacute;s investiu bastante no desenvolvimento    de diferentes meios de transporte, privilegiando o rodovi&aacute;rio. Em raro    estudo sobre o tema na Sa&uacute;de P&uacute;blica, Amorim<sup>14</sup> demonstra que,    de meados dos anos 60 a meados dos anos 70, o Brasil chegou a investir no transporte    rodovi&aacute;rio quase 90% dos recursos alocados para o desenvolvimento dos    meios de transporte, ocorrendo isto em detrimento dos transportes ferrovi&aacute;rios,    hidrovi&aacute;rios e dutovi&aacute;rios comumente utilizados para o transporte    de mat&eacute;rias-primas e produtos qu&iacute;micos. Neste per&iacute;odo,    os EUA, pa&iacute;s do qual deriva a maior parte dos estudos utilizados aqui,    os investimentos em transporte privilegiaram o ferrovi&aacute;rio, com aproximadamente    40%, vindo em seguida os dutovi&aacute;rios e os rodovi&aacute;rios, com aproximadamente    20% cada um.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Considerando-se    os estudos realizados em bases de dados sobre esses tipos de acidentes nos EUA,    onde foram registrados expostos, evacuados e v&iacute;timas (fatais e n&atilde;o-fatais),    e a aus&ecirc;ncia dos mesmos tipos de registros no Brasil, que investiu no    transporte rodovi&aacute;rio mais do que muitos outros pa&iacute;ses, podemos    considerar que o quadro atual em nosso pa&iacute;s possa ser bastante grave.    Em levantamento do hist&oacute;rico de acidentes e incidentes do sistema Anhang&uuml;era-Bandeirantes,    Estado de S&atilde;o Paulo, no per&iacute;odo entre 1<sup>o</sup> de maio de 1998 e 3 de    maio de 2000, para um total de 10.296 acidentes rodovi&aacute;rios, 3.641 (35,36%)    envolveram o transporte de cargas, em que apenas 56 (1,54% do total) se relacionaram    a AQATRCPs.<sup>15</sup> Dos 56 acidentes, 23 (41%) resultaram em derramamento do produto    e em conseq&uuml;&ecirc;ncias ao meio ambiente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Neste artigo,    utilizamos como refer&ecirc;ncia para a realidade brasileira o estudo de Amorim.<sup>14</sup>    A metodologia utilizada pela autora envolveu basicamente as seguintes duas etapas.    Na primeira etapa os passos foram os seguintes: 1) cria&ccedil;&atilde;o de    um banco de dados para os AQATRCPs registrados pela Funda&ccedil;&atilde;o Estadual    de Engenharia de Meio Ambiente (FEEMA), no Rio de Janeiro, no per&iacute;odo    de 1985 a 1994; 2) solicita&ccedil;&atilde;o para a Companhia de Tecnologia    de Saneamento Ambiental (CETESB) dos AQATRCPs registrados no banco de dados    denominado Cadastro de Acidentes Ambientais no Estado de S&atilde;o Paulo (CADAC),    no per&iacute;odo de 1985 a 1993; 3) compara&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise    dos dados, buscando-se identificar diferen&ccedil;as e similaridades entre elas,    a presen&ccedil;a ou n&atilde;o do registro de expostos, evacuados e/ou v&iacute;timas.    Este levantamento dos dados revelou ser inexistente o registro de expostos,    evacuados e v&iacute;timas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Assim, tendo como    refer&ecirc;ncias os dados citados e os estudos internacionais, que sugerem    que h&aacute; um grande n&uacute;mero de v&iacute;timas imediatas diretas e    indiretas que n&atilde;o t&ecirc;m sido registradas, al&eacute;m dos impactos    ambientais (fauna, flora e cadeia alimentar) e das conseq&uuml;&ecirc;ncias    humanas (carcinog&ecirc;nese, teratog&ecirc;nese e mutag&ecirc;nese) de longo    prazo (que poder&atilde;o se manifestar somente dias, semanas, meses ou anos    ap&oacute;s o evento), foi realizada a segunda etapa, que envolveu um exerc&iacute;cio    te&oacute;rico para a extrapola&ccedil;&atilde;o do potencial do n&uacute;mero    de expostos, evacuados e v&iacute;timas nos 760 acidentes registrados (<a href="#fig1">Figura    1</a>) nos Estados do Rio de Janeiro e S&atilde;o Paulo (soma dos dados registrados    pela FEEMA e CETESB).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/iesus/v10n1/1a04f1.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> No estudo de Shaw    e colaboradores<sup>2</sup> realizado entre o per&iacute;odo de janeiro de 1982 a setembro    de 1983, na Calif&oacute;rnia (EUA), constatou-se uma m&eacute;dia de tr&ecirc;s    v&iacute;timas por acidente (fatais ou n&atilde;o) em que havia informa&ccedil;&otilde;es    sobre pessoas expostas. Neste estudo, devemos ressaltar que n&atilde;o h&aacute;    distin&ccedil;&atilde;o entre as v&iacute;timas, tanto em n&iacute;vel de gravidade    (fatal ou lesionado) como identifica&ccedil;&atilde;o (equipes de emerg&ecirc;ncia,    pol&iacute;cia, comunidade, motorista). Tendo como refer&ecirc;ncia essa m&eacute;dia,    tr&ecirc;s v&iacute;timas por acidente, podemos estimar que os 760 acidentes    registrados nos Estados do Rio de Janeiro e S&atilde;o Paulo resultaram em 2.280    v&iacute;timas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Outro estudo que    serve como base para mais uma extrapola&ccedil;&atilde;o &eacute; o de Binder,<sup>3</sup>    que levantou em tr&ecirc;s sistemas de informa&ccedil;&otilde;es de vigil&acirc;ncia    nos Estados Unidos, 587 eventos com emiss&otilde;es qu&iacute;micas registradas,    que resultaram em 115 &oacute;bitos, 2.254 lesionados e 111 evacua&ccedil;&otilde;es    de &aacute;rea. Para cada cinco acidentes ocorridos houve uma m&eacute;dia de    um &oacute;bito, 20 lesionados e uma evacua&ccedil;&atilde;o. Tentando extrapolar    esses dados para os 760 registros dos Estados do Rio de Janeiro e de S&atilde;o    Paulo, podemos estimar um potencial m&eacute;dio de 149 &oacute;bitos, 2.918    lesionados/intoxicados e 144 evacua&ccedil;&otilde;es. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Certamente que    estas extrapola&ccedil;&otilde;es tratam de um exerc&iacute;cio te&oacute;rico,    em que ao primeiro olhar trabalhamos com o pior cen&aacute;rio poss&iacute;vel.    Por&eacute;m, estudos realizados sobre acidentes ocorridos especificamente nos    pa&iacute;ses em industrializa&ccedil;&atilde;o como o Brasil, demonstram o    agravamento de suas conseq&uuml;&ecirc;ncias, o que pode tamb&eacute;m sugerir    que essas extrapola&ccedil;&otilde;es sejam, por outro lado, conservadoras.<sup>1,16</sup>    De acordo com esses estudos, at&eacute; os anos 70, os acidentes qu&iacute;micos    ampliados ocorreram predominantemente nos pa&iacute;ses que concentram maior    n&uacute;mero de ind&uacute;strias e hoje ocupam papel central na economia mundial.    A partir dos anos 70, ainda que a maioria das ind&uacute;strias se concentre    basicamente em pa&iacute;ses da Europa e nos EUA, o n&uacute;mero de acidentes    nos pa&iacute;ses perif&eacute;ricos come&ccedil;ou a aumentar em freq&uuml;&ecirc;ncia    e a apresentar maior gravidade do que nos pa&iacute;ses centrais, apesar de    sua recente industrializa&ccedil;&atilde;o no setor qu&iacute;mico. Assim, embora    a maioria dos acidentes tenha ocorrido nos pa&iacute;ses industrializados, os    que ocorreram nos pa&iacute;ses perif&eacute;ricos, principalmente na &Aacute;sia    e Am&eacute;rica Latina nos anos 80, foram os mais graves em termos de &oacute;bitos.    Considerando relevante o fato de haver muito sub-registro de acidentes e suas    conseq&uuml;&ecirc;ncias nesses pa&iacute;ses, a situa&ccedil;&atilde;o pode    ser ainda pior.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Na <a href="#tab3">Tabela    3</a>, elaborado por Glickman e colaboradores,<sup>13</sup> pode-se observar    que pa&iacute;ses, como &Iacute;ndia, Brasil e M&eacute;xico, que registraram    os acidentes mais graves em termos de &oacute;bitos imediatos, s&atilde;o os    l&iacute;deres mundiais em acidentes qu&iacute;micos ampliados com cinco ou    mais &oacute;bitos por acidente entre 1945 e 1991. Do total de 295 acidentes    registrados, 79% ocorreram nos pa&iacute;ses centrais, e 21% nos pa&iacute;ses    perif&eacute;ricos. Por&eacute;m, quando se analisam os &oacute;bitos, a situa&ccedil;&atilde;o    muda bastante, registrando 65% nos pa&iacute;ses perif&eacute;ricos e 35% nos    pa&iacute;ses centrais. A import&acirc;ncia desses dados prende-se sobretudo    ao fato de eles cobrirem um longo per&iacute;odo (entre 1945 e 1991), considerando-se    que os acidentes qu&iacute;micos ampliados come&ccedil;aram a se tornar mais    freq&uuml;entes ap&oacute;s os anos 70.</font></p>     <p><a name="tab3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/iesus/v10n1/1a04t3.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Nos estudos realizados    por Freitas e colaboradores;<sup>1</sup> e Porto e Freitas,<sup>16</sup> s&atilde;o    comparados os acidentes qu&iacute;micos ampliados ocorridos nos pa&iacute;ses    industrializados e em industrializa&ccedil;&atilde;o, entre os anos de 1974    e 1987, com mais de 50 &oacute;bitos ou mais de 100 lesionados. Esse estudo,    cobrindo um per&iacute;odo mais recente do que o anterior, fornece melhor um    quadro do aumento na freq&uuml;&ecirc;ncia e gravidade desses acidentes durante    os anos 70 e 80, sendo este &uacute;ltimo per&iacute;odo conhecido na Am&eacute;rica    Latina como a d&eacute;cada perdida, dada a crise social e econ&ocirc;mica que    passaram a sofrer os pa&iacute;ses desse continente. Na <a href="#fig2">Figura    2</a>, pode-se observar que 62% dos acidentes ocorreram nos pa&iacute;ses industrializados    e 38% nos pa&iacute;ses em industrializa&ccedil;&atilde;o, demonstrando n&iacute;tido    crescimento nos per&iacute;odos mais recentes. Dos &oacute;bitos, 92% ocorreram    neste grupo de pa&iacute;ses. Observando os acidentes com mais de 100 lesionados,    96% encontravam-se nesses pa&iacute;ses.</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/iesus/v10n1/1a04f2.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Proposta de um    sistema de vigil&acirc;ncia ambiental em s&aacute;ude para os AQATRCPs</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Tomando como exemplo    situa&ccedil;&otilde;es dos Estados do Rio de Janeiro e S&atilde;o Paulo, cujos    dados utilizamos como refer&ecirc;ncia, podemos considerar que j&aacute; existem    experi&ecirc;ncias acumuladas que possibilitariam a montagem de um sistema de    Vigil&acirc;ncia Ambiental em Sa&uacute;de dos AQATRCPs, faltando para tanto    uma presen&ccedil;a mais ativa do setor sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> No Rio de Janeiro,    por exemplo, foi assinado, em setembro de 1989, o protocolo de inten&ccedil;&otilde;es    do Plano de Atendimento no Transporte de Produtos Qu&iacute;micos Perigosos    (PARE), envolvendo o Governo do Estado do Rio de Janeiro, tendo como representante    a FEEMA e a Federa&ccedil;&atilde;o das Industrias do Estado do Rio de Janeiro    como representante das sete ind&uacute;strias participantes localizadas ao longo    da BR-116, onde ocorriam grande parte dos AQATRCPs. Posteriormente, a Defesa    Civil Estadual e a Pol&iacute;cia Rodovi&aacute;ria Federal foram convidadas    a fazer parte do Plano. Cada ind&uacute;stria ficou respons&aacute;vel pelo    atendimento num trecho da rodovia e, para tanto, investiram na forma&ccedil;&atilde;o    de t&eacute;cnicos especializados no atendimento a emerg&ecirc;ncias envolvendo    cargas perigosas, bem como na aquisi&ccedil;&atilde;o de equipamentos.<sup>14</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Em S&atilde;o    Paulo, foi criada, em 28 de abril de 1999, a Comiss&atilde;o de Estudos e Preven&ccedil;&atilde;o    de Acidentes no Transporte Rodovi&aacute;rio de Produtos Perigosos, tendo como    atribui&ccedil;&otilde;es analisar as causas e conseq&uuml;&ecirc;ncias desses    eventos, participando a Coordena&ccedil;&atilde;o Estadual de Defesa Civil;    o Departamento de Estrada de Rodagem; o Comando de Policiamento Rodovi&aacute;rio;    o Comando do Corpo de Bombeiros; o Instituto de Pesos e Medidas; a Associa&ccedil;&atilde;o    Brasileira dos Transportadores de Cargas L&iacute;quidas e Produtos Perigosos;    a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Concession&aacute;rios de Rodovias;    a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira da Ind&uacute;stria Qu&iacute;mica; a    Companhia de Engenharia de Tr&aacute;fego; e o Comando de Policiamento de Tr&acirc;nsito.<sup>17</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Ambos exemplos    apontam para a participa&ccedil;&atilde;o ativa dos &oacute;rg&atilde;os ambientais    tanto em melhorar a amplitude e a rapidez do atendimento de emerg&ecirc;ncia,    como tamb&eacute;m a capacidade de avaliar as causas e conseq&uuml;&ecirc;ncias    para melhor formular estrat&eacute;gias de preven&ccedil;&atilde;o. Entretanto,    &eacute; preocupante que em ambas experi&ecirc;ncias haja uma aus&ecirc;ncia    do envolvimento do setor sa&uacute;de, tanto para a atua&ccedil;&atilde;o na    resposta, como na investiga&ccedil;&atilde;o das causas e das conseq&uuml;&ecirc;ncias    sobre a sa&uacute;de humana.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Sendo assim, a    montagem de um sistema de Vigil&acirc;ncia Ambiental em Sa&uacute;de para os    AQATRCPs envolveria, como primeiro passo a aproxima&ccedil;&atilde;o do setor    sa&uacute;de com as principais institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas que    participam do atendimento de resposta a esses eventos, destacando-se os &oacute;rg&atilde;o    ambientais, a pol&iacute;cia rodovi&aacute;ria, a defesa civil e o corpo de    bombeiros. S&atilde;o institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas que constituem    a base para qualquer sistema de Vigil&acirc;ncia Ambiental em Sa&uacute;de para    esses eventos, de modo que sem este passo, tal tipo de vigil&acirc;ncia simplesmente    n&atilde;o poder&aacute; existir.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O passo seguinte    seria, por meio da identifica&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas em que mais    ocorrem estes eventos, preparar os servi&ccedil;os de sa&uacute;de n&atilde;o    s&oacute; para o necess&aacute;rio atendimento,<sup>18</sup> mas tamb&eacute;m para o registro.    Nesta etapa, deve-se observar que a rede de mais de 31 Centros de Controle de    Intoxica&ccedil;&otilde;es espalhados pelo pa&iacute;s e que fazem parte do    Sistema Nacional de Informa&ccedil;&otilde;es Toxico-Farmacol&oacute;gicas pode    oferecer um grande suporte inicial.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Os registros dos    servi&ccedil;os de sa&uacute;de, dos &oacute;rg&atilde;o ambientais, da pol&iacute;cia    rodovi&aacute;ria, da defesa civil e do corpo de bombeiros constituiriam a espinha    dorsal da VAS para os AQATRCPs (<a href="#fig3">Figura 3</a>). Para tanto, deveria    em cada estado, particularmente aqueles em que ocorrem grande n&uacute;mero    desses acidentes, ser desenvolvido um protocolo b&aacute;sico de registros contendo    no m&iacute;nimo as seguintes informa&ccedil;&otilde;es:</font></p>     <p><a name="fig3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/iesus/v10n1/1a04f3.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Localiza&ccedil;&atilde;o    do Acidente (Estado/munic&iacute;pio/rua ou avenida/n<sup>o</sup>);</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Data de Ocorr&ecirc;ncia    (hora/dia/m&ecirc;s/ano);</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 3. Nome das Empresas    Envolvidas (transportadora/contratante);</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 4. Tipo de Acidente    (exemplos: abalroamento; capotamento; choque com objeto fixo; colis&atilde;o    traseira; engavetamento; queda de carga; queda de talude; tombamento);</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 5. Tipo de Transporte    (simples, caminh&atilde;o tanque, caminh&atilde;o ba&uacute;, etc);</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 6. Subst&acirc;ncias    Envolvidas (especificar a(s) subst&acirc;ncia(s) com toda(s) as informa&ccedil;&otilde;es    dispon&iacute;veis sobre as mesmas, incluindo nome comercial e n&uacute;mero    de classifica&ccedil;&atilde;o da ONU e ou guia da ABIQUIM);</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 7. Conseq&uuml;&ecirc;ncias:    A identifica&ccedil;&atilde;o das conseq&uuml;&ecirc;ncias deve conter as seguintes    informa&ccedil;&otilde;es:</font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#8226; &oacute;bitos    de trabalhadores diretamente envolvidos no transporte (motorista e ajudantes),</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#8226; &oacute;bitos    de trabalhadores das equipes de emerg&ecirc;ncia (exemplo: &oacute;rg&atilde;os    ambientais e corpo de bombeiros),</font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#8226; &oacute;bitos    entre os membros da comunidade afetada,</font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#8226; hospitalizados,    lesionados e intoxicados entre os de trabalhadores diretamente envolvidos no    transporte,</font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#8226; hospitalizados,    lesionados e intoxicados entre os trabalhadores das equipes de emerg&ecirc;ncia,</font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#8226; hospitalizados,    lesionados e intoxicados entre os membros da comunidade afetada (n&uacute;mero    aproximado quando n&atilde;o for poss&iacute;vel especificar ou estimativa de    expostos),</font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#8226; danos    ambientais (especificando qual tipo de dano ambiental, se a fauna e/ou a flora,    sua extens&atilde;o e, no caso de polui&ccedil;&atilde;o/contamina&ccedil;&atilde;o,    que tipos de preju&iacute;zos foram identificados; quando a polui&ccedil;&atilde;o/contamina&ccedil;&atilde;o    ambiental envolver a priva&ccedil;&atilde;o do consumo de um determinado tipo    de alimento ou &aacute;gua, se poss&iacute;vel especificar, ainda que por aproxima&ccedil;&atilde;o,    o n&uacute;mero de pessoas atingidas),</font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#8226; evacua&ccedil;&atilde;o    (estabelecendo o total de membros da comunidade, quando for poss&iacute;vel    especificar, e o tempo que tiveram de passar fora de casa ou do trabalho),</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#8226; interrup&ccedil;&atilde;o    do tr&aacute;fego de ve&iacute;culos automotores (especificando onde, por quanto    tempo e, se poss&iacute;vel, n&uacute;mero aproximado de ve&iacute;culos retidos    e extens&atilde;o em quil&ocirc;metros, visto que em tais circunst&acirc;ncias    n&atilde;o s&oacute; pode aumentar o n&uacute;mero de potenciais expostos, como    dificultar o acesso das equipes de emerg&ecirc;ncias).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 8. Descri&ccedil;&atilde;o    do Acidente (a descri&ccedil;&atilde;o do acidente deve ser breve contendo as    informa&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias e b&aacute;sicas sobre o que aconteceu    e como aconteceu);</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 9. Causas do Acidente    (&eacute; importante observar que um acidente dificilmente &eacute; o resultado    de uma causa apenas, imediata ou subjacente, tornando-se necess&aacute;rio identificar    a rede de causas).</font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; importante    observar que mesmo um aparentemente simples protocolo de registros b&aacute;sicos,    constantes de um registro comum, envolver&aacute;, necessariamente, uma a&ccedil;&atilde;o    integrada e intersetorial com institui&ccedil;&otilde;es que possuem objetivos    e formas de organiza&ccedil;&atilde;o diferenciadas, podendo parecer inicialmente    um obst&aacute;culo. Entretanto, os obst&aacute;culos devem ainda ser superados    e, para tanto, devem ser realizados estudos multic&ecirc;ntricos envolvendo    pelo menos os Estados que concentram a maior parte da produ&ccedil;&atilde;o    qu&iacute;mica do pa&iacute;s (S&atilde;o Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Rio    Grande do Sul), possibilitando a montagem de um primeiro Sistema Nacional de    VAS de AQATRCPs.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Conclus&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De acordo com o    Boletim Desastres,<sup>19</sup> da Organiza&ccedil;&atilde;o Pan-Americana da Sa&uacute;de,    considera-se que 40% do com&eacute;rcio de produtos qu&iacute;micos de todos    os pa&iacute;ses em desenvolvimento ocorre na Am&eacute;rica Latina. Deste total,    estima-se que cerca de 70% da ind&uacute;stria qu&iacute;mica do continente    est&aacute; concentrada no Brasil, Argentina e M&eacute;xico, em que aproximadamente    50% est&atilde;o localizadas em &aacute;reas densamente povoadas. Este quadro    &eacute; bastante preocupante quando se considera que para a maioria dos pa&iacute;ses    latino-americanos inexistem ou s&atilde;o incipientes as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas    referentes as estrat&eacute;gias de controle e preven&ccedil;&atilde;o desses    acidentes.<sup>19,20</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Assim, n&atilde;o    &eacute; casual o fato de o Brasil j&aacute; ter sido cen&aacute;rio de alguns    acidentes ampliados considerados graves em termos de &oacute;bitos imediatos,    como o de Vila Soc&oacute; em 1984, que podemos encontrar em alguns estudos    nacionais e internacionais. No Rio de Janeiro, em 1951, um acidente com transporte    de inflam&aacute;veis causou 54 &oacute;bitos. Em Pojuca, na Bahia, em 1983,    o descarrilhamento de um comboio ferrovi&aacute;rio transportando combust&iacute;veis    resultou em explos&atilde;o e inc&ecirc;ndio, provocando o &oacute;bito de 43    pessoas, al&eacute;m de grande n&uacute;mero de lesionados e desabrigados.<sup>20</sup>    Em julho de 1997, no Par&aacute;, uma carreta transportando 14 toneladas de    nitrato de am&ocirc;nio, vinha de Cubat&atilde;o (SP) com destino a Caraj&aacute;s    (PA), explodiu e resultou em aproximadamente 18 v&iacute;timas fatais e nove    lesionados (entre eles o ajudante da carreta que foi pedir auxilio e um homem    de bicicleta que passava pelo local no momento da explos&atilde;o).<sup>14</sup> De acordo    com Amorim,<sup>14</sup> das 18 v&iacute;timas fatais, dois estavam diretamente envolvidos    com o transporte de cargas perigosas: os motoristas (carreta e o caminh&atilde;o    tanque que explodiram). O restante, 16 pessoas, eram da comunidade e motoristas    de outros ve&iacute;culos que passavam ou pararam para prestar aux&iacute;lio,    em solidariedade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O denominador    comum entre esses acidentes se encontra no fato de eles terem ocorrido em uma    realidade social em que ainda predominam an&aacute;lises de acidentes que na    grande maioria dos casos responsabilizam as v&iacute;timas, no caso os pr&oacute;prios    trabalhadores, e de inexistirem planos de emerg&ecirc;ncias. Estes, se acionados,    contribuiriam para diminuir o n&uacute;mero de v&iacute;timas e de danos ambientais.    S&atilde;o bastante limitadas as informa&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas para    uma avalia&ccedil;&atilde;o preliminar dos impactos ao meio ambiente e &agrave;    sa&uacute;de que podem estar sendo causados tanto para v&iacute;timas fatais,    como, principalmente, para lesionados e expostos. No Brasil, al&eacute;m de    a infra-estrutura institucional dos diversos &oacute;rg&atilde;os nos n&iacute;veis    municipal, estadual e federal ser ainda bastante prec&aacute;ria para possibilitar    o desenvolvimento de estrat&eacute;gias adequadas para a VAS, de modo a fornecer    subs&iacute;dios para o controle e preven&ccedil;&atilde;o, existe ainda uma    aus&ecirc;ncia completa de integra&ccedil;&atilde;o entre eles, tornando-se    necess&aacute;rio reverter j&aacute; esse quadro. Parte dessa integra&ccedil;&atilde;o    j&aacute; vem ocorrendo, mas ainda com a aus&ecirc;ncia do setor sa&uacute;de,    da qual se exige um papel mais ativo. A montagem de um sistema de VAS dos AQATRCPs    pode ser o primeiro passo desta integra&ccedil;&atilde;o, possibilitando o setor    sa&uacute;de preparar-se n&atilde;o somente para o atendimento, o que &eacute;    necess&aacute;rio e urgente, bem como para a formula&ccedil;&atilde;o conjunta    de estrat&eacute;gias de controle e preven&ccedil;&atilde;o, tendo por base    a VAS dos AQATRCPs.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias    bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 1. Freitas CM,    Porto MFS, Gomez CM. Acidentes qu&iacute;micos ampliados - um desafio para a    sa&uacute;de p&uacute;blica. Revista de Sa&uacute;de P&uacute;blica 1995; 29:503-514.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 2. Shaw GM, Windham    GC, Leonard A, Neutra RR. Characteristics of hazardous materials spills from    reporting systems in California. American Journal of Public Health 1986; 76:540-543.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 3. Binder S. Deaths,    injuries and evacuations from acute hazardous materials releases. American Journal    of Public Health 1989; 79:1042-1044.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 4. 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Acidentes de transporte rodovi&aacute;rio de cargas perigosas em tr&acirc;nsito    - em busca de um sistema de informa&ccedil;&atilde;o integrados dos setores    sa&uacute;de e meio ambiente &#91;disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado&#93;. Rio de Janeiro:    Escola Nacional de Sa&uacute;de P&uacute;blica, Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo    Cruz; 1997.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 15. Cabral FA.    Hist&oacute;rico dos acidentes e incidentes &#91;comunica&ccedil;&atilde;o oral&#93;.    II Workshop - transporte e produtos perigosos. Paul&iacute;nea; 2000.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 16. Porto MFS,    Freitas, CM. Major chemical accidentes in industrializing countries: the socio-political    amplification of risk. Risk Analysis 1996; 16:19-29.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 17. Lainha MA.    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In: Freitas CM, Porto MFS, Machado JMH (organizadores    ). Acidentes industriais ampliados - desafios e perspectivas para o c ontrole    e a preven&ccedil;&atilde;o. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ; 2000. p.25-45.</font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="endereco"></a><a href="#topo"><img src="../img/revistas/iesus/v10n1/seta.gif" border="0"></a><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia:</b>    <br>   Centro de Estudos da Sa&uacute;de do Trabalhador e Ecologia Humana - ENSP -    FIOCRUZ    <br>   Av. Leopoldo Bulh&otilde;es, 1480    <br>   Manguinhos    <br>   CEP: 21041-210    <br>   Rio de Janeiro    <br>   Telefone: (21) 5982826.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   E-mail: <a href="mailto:carlosmf@ensp.fiocruz.br">carlosmf@ensp.fiocruz.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body><back>
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