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<journal-title><![CDATA[Informe Epidemiológico do Sus]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Condições de trabalho em oficinas de reparação de veículos automotores de Botucatu (São Paulo): nota prévia]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Working conditions in the automobile repair shops in Botucatu, São Paulo, Brazil: preliminary report]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This study qualitatively evaluates occupational exposure to noise and chemicals, heavy load handling conditions, and observance of work regulations. Sixty-eight shops were identified from the telephone directory and other sources. Information was collected by observation and by questionnaire. Thirteen shops were not registered. Of a total of 418 workers, 13 had ages between 15 and 17 years. Noise: moderate in 41% and marked in 16% of the locations. Heavy load handling conditions were moderate in 35% and marked in 15% of the shops evaluated. Work regulations: The Accident Prevention Committee (CIPA) was established in one of the four shops requiring them; Medical Control and Occupational Health Programs was organized in only one location. Conditions of sanitation and comfort were unsuitable in 78% of the shops; 96% of the locations had at least one type of personal protection. Use of chemical products: 26 products were used in automotive bodywork and painting; routine cleaning of parts with gasoline, thinners and kerosene in all shops; workers&#8217; hygiene was unsuitable in 75% of the locations (hands, arms and clothes were oily and greasy). These results indicate the need for the development of intervention/prevention strategies for these small businesses]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Saúde Ocupacional]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p>&nbsp;</p>     <p><a name="topo"></a><b><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Condi&ccedil;&otilde;es    de trabalho em oficinas de repara&ccedil;&atilde;o de ve&iacute;culos automotores    de Botucatu (S&atilde;o Paulo): nota pr&eacute;via </font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Working conditions    in the automobile repair shops in Botucatu, S&atilde;o Paulo, Brazil: preliminary    report</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Maria Cec&iacute;lia    Pereira Binder<sup>I</sup>; Renate Wernick<sup>II</sup>; Eduardo Rommel Penaloza<sup>III</sup>; Ildeberto Muniz de    Almeida<sup>I</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Departamento de    Sa&uacute;de P&uacute;blica / Faculdade de Medicina de Botucatu/UNESP    <br> <sup>II</sup>Departamento de    Medicina Preventiva / Faculdade de Medicina / UFBA    <br> <sup>III</sup>P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o    em Sa&uacute;de Coletiva / Departamento de Sa&uacute;de Coletiva / Faculdade    de Medicina de Botucatu / UNESP</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1">     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Este estudo avalia    qualitativamente as exposi&ccedil;&otilde;es ocupacionais a ru&iacute;do e a    subst&acirc;ncias qu&iacute;micas, condi&ccedil;&otilde;es de movimenta&ccedil;&atilde;o    de cargas e o cumprimento de algumas normas regulamentadoras, em 1997. Identificaram-se    68 empresas (cat&aacute;logo telef&ocirc;nico e outras indica&ccedil;&otilde;es),    coletando-se informa&ccedil;&otilde;es atrav&eacute;s de observa&ccedil;&atilde;o    e aplica&ccedil;&atilde;o de question&aacute;rio. Treze empresas n&atilde;o    estavam inscritas no Cadastro Geral de Contribuintes nem na Prefeitura Municipal.    O efetivo total encontrado foi de 418 trabalhadores, 13 com idades entre 15    e 17 anos. Ru&iacute;do: moderado em 41% das empresas e intenso em 16%. Movimenta&ccedil;&atilde;o    manual de cargas: moderada em 35% das empresas e intensa em 15%. Normas Regulamentadoras:    Comiss&atilde;o Interna de Preven&ccedil;&atilde;o de Acidentes (CIPA) - existente    em uma das quatro empresas que deveriam possu&iacute;-la; Programa de Controle    M&eacute;dico de Sa&uacute;de Ocupacional (PCMSO) e Programa de Preven&ccedil;&atilde;o    de Riscos Ambientais (PPRA) - realizados numa &uacute;nica empresa; condi&ccedil;&otilde;es    sanit&aacute;rias e de conforto prec&aacute;rias em 78% das empresas; 96% das    empresas possu&iacute;am pelo menos um tipo de equipamento de prote&ccedil;&atilde;o    (EPI). Uso de produtos qu&iacute;micos: relacionados 26 diferentes produtos    majoritariamente utilizados em funilaria e pintura; h&aacute;bito de limpeza    de pe&ccedil;as com gasolina, thinners e querosene; higiene corporal prec&aacute;ria    em 75% das empresas (m&atilde;os, bra&ccedil;os e vestu&aacute;rio sujos de    &oacute;leo e ou graxa). Tais resultados revelam necessidade de desenvolvimento    de estrat&eacute;gias de interven&ccedil;&atilde;o/preven&ccedil;&atilde;o para    esse grupo de micro e pequenas empresas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-Chave:</b>    Sa&uacute;de Ocupacional; Acidentes do Trabalho; Ve&iacute;culos Automotores.</font></p> <hr size="1">     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>SUMMARY</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> This study qualitatively    evaluates occupational exposure to noise and chemicals, heavy load handling    conditions, and observance of work regulations. Sixty-eight shops were identified    from the telephone directory and other sources. Information was collected by    observation and by questionnaire. Thirteen shops were not registered. Of a total    of 418 workers, 13 had ages between 15 and 17 years. Noise: moderate in 41%    and marked in 16% of the locations. Heavy load handling conditions were moderate    in 35% and marked in 15% of the shops evaluated. Work regulations: The Accident    Prevention Committee (CIPA) was established in one of the four shops requiring    them; Medical Control and Occupational Health Programs was organized in only    one location. Conditions of sanitation and comfort were unsuitable in 78% of    the shops; 96% of the locations had at least one type of personal protection.    Use of chemical products: 26 products were used in automotive bodywork and painting;    routine cleaning of parts with gasoline, thinners and kerosene in all shops;    workers&#8217; hygiene was unsuitable in 75% of the locations (hands, arms and    clothes were oily and greasy). These results indicate the need for the development    of intervention/prevention strategies for these small businesses.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Key Words:</b> Occupational    Health; Work Accidents; Motor Vehicles.</font></p> <hr size="1">     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Importantes do    ponto de vista de gera&ccedil;&atilde;o de emprego e ocupa&ccedil;&atilde;o    de m&atilde;o-de-obra, no Brasil, as micro e pequenas empresas raramente t&ecirc;m    sido investigadas quanto &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de e    seguran&ccedil;a de seus trabalhadores. Inexist&ecirc;ncia de cadastros atualizados,    dispers&atilde;o territorial e grande sensibilidade &agrave;s varia&ccedil;&otilde;es    do mercado fazem com que, anualmente, muitas sejam fechadas, dificultando o    desenvolvimento de programas de sa&uacute;de e seguran&ccedil;a do trabalho    voltados a essas empresas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Na maioria das    pequenas empresas, o propriet&aacute;rio &eacute; figura chave, devendo assumir    inclusive as responsabilidades pela sa&uacute;de e seguran&ccedil;a - sua e    de seus empregados.<sup>1,2</sup> Por essa raz&atilde;o, seus conhecimentos a respeito    dos riscos associados ao tipo de atividade s&atilde;o de import&acirc;ncia fundamental    para ado&ccedil;&atilde;o de medidas capazes de neutraliz&aacute;-los.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Oficinas de repara&ccedil;&atilde;o    de ve&iacute;culos automotores constituem ramo de atividade caracterizado por    organizar-se sob forma de numerosas pequenas empresas. Na Fran&ccedil;a, em    1989, das 64 mil empresas desse tipo, 80% possu&iacute;am at&eacute; cinco trabalhadores,    empregando um total de 300 mil pessoas.<sup>3</sup> Embora constitua atividade cujos trabalhadores    s&atilde;o expostos a numerosos agentes agressores &agrave; sa&uacute;de, trata-se    de ramo ainda muito pouco estudado. A escassez de publica&ccedil;&otilde;es    provavelmente relaciona-se &agrave; dificuldade de acesso a essas empresas,    como acontece com micro e pequenas empresas de uma maneira geral.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> As estat&iacute;sticas    oficiais francesas revelam que a incid&ecirc;ncia de acidentes do trabalho nas    empresas de repara&ccedil;&atilde;o de ve&iacute;culos automotores &eacute;    mais elevada do que a m&eacute;dia nacional, o que indica necessidade de desenvolvimento    de estrat&eacute;gias de preven&ccedil;&atilde;o que levem em conta as especificidades    dessas empresas.<sup>3</sup> Na Inglaterra, estimativas recentes revelam registro de mais    3.000 acidentes por ano em oficinas de reparos de ve&iacute;culos. A rela&ccedil;&atilde;o    de riscos de acidentes nesse ramo de atividade &eacute; extensa,<sup>3-5</sup> incluindo    desde cortes com ferramentas at&eacute; acidentes de tr&acirc;nsito durante    teste de ve&iacute;culos, bem como quedas relacionadas a condi&ccedil;&otilde;es    de pisos, acidentes com m&aacute;quinas manuais motorizadas, queda de materiais    sobre o corpo, acidentes com equipamentos para eleva&ccedil;&atilde;o de ve&iacute;culos,    queimaduras por contacto com superf&iacute;cies aquecidas ou por inc&ecirc;ndios    ou explos&otilde;es associados ao manuseio de gasolina, ferimentos causados    por ar ou &aacute;gua sob press&atilde;o, les&otilde;es oculares por corpo estranho,    eletrocuss&atilde;o, dentre outros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Em rela&ccedil;&atilde;o    aos agentes f&iacute;sicos, o ru&iacute;do constitui a exposi&ccedil;&atilde;o    mais freq&uuml;ente, com efeitos indesej&aacute;veis, tanto auditivos, estreitamente    relacionados &agrave; dose-equivalente, como extra-auditivos, menos influenciados    pela dose. Em algumas circunst&acirc;ncias, os n&iacute;veis de ru&iacute;do    podem atingir valores em torno de 110 dB(A), cabendo lembrar que, na depend&ecirc;ncia    do tempo de exposi&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria, n&iacute;veis acima de 85    dB(A) podem implicar dose potencialmente capaz de les iona r o aparelho auditivo.    Al&eacute;m do ru&iacute;do, cabe citar as exposi&ccedil;&otilde;es a vibra&ccedil;&otilde;es    por manuseio de ferramentas manuais motorizadas e a radia&ccedil;&otilde;es    ultravioleta e infravermelha em opera&ccedil;&otilde;es de corte e solda.<sup>3-5</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Tamb&eacute;m    constituem importante risco de intoxica&ccedil;&atilde;o cr&ocirc;nica, as exposi&ccedil;&otilde;es    a subst&acirc;ncias qu&iacute;micas<sup>3-6</sup> provenientes de emiss&otilde;es da combust&atilde;o    incompleta de gasolina e de &oacute;leo diesel. Segundo a <i>Internacional Agency    for Research on C&acirc;ncer</i> (IARC),<sup>6</sup> a emiss&atilde;o de motores a diesel &eacute;    <i>provavelmente</i> carcinog&ecirc;nica para seres humanos, sendo classificada no    grupo 2A e, como <i>possivelmente</i> carcinog&ecirc;nica, a de motores a gasolina,    classificada no grupo 2B. Cabe destacar ainda as emiss&otilde;es de mon&oacute;xido    de carbono, di&oacute;xido de enxofre, &oacute;xidos de nitrog&ecirc;nio e hidrocarbonetos    polic&iacute;clicos arom&aacute;ticos. Segundo a IARC,<sup>6</sup> a combust&atilde;o incompleta,    tanto do diesel, como da gasolina, gera exposi&ccedil;&otilde;es a milhares    de subst&acirc;ncias qu&iacute;micas sob a forma gasosa e particulada. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entre os agravos    &agrave; sa&uacute;de mais citados pelos trabalhadores dessas empresas, encontram-se    as doen&ccedil;as de pele, as rea&ccedil;&otilde;es al&eacute;rgicas, a irrita&ccedil;&atilde;o    ocular e os problemas respirat&oacute;rios; al&eacute;m de asma ocupacional    e neoplasia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Nos Estados Unidos,    constatou-se a presen&ccedil;a de isocianatos em endurecedores usados em tintas    para ve&iacute;culos e a exist&ecirc;ncia de risco de ocorr&ecirc;ncia de asma    ocupacional,<sup>7</sup> tendo sido proposta metodologia<sup>8</sup> para controle    de riscos decorrentes de exposi&ccedil;&otilde;es a produtos qu&iacute;micos    em oficinas de pintura de ve&iacute;culos. No Reino Unido, a exposi&ccedil;&atilde;o    a tintas contendo isocianatos &eacute; apontada como uma das mais importantes    causas de asma ocupacional.<sup>9</sup> Les&otilde;es m&uacute;sculo-esquel&eacute;ticas    relacionadas a esfor&ccedil;os f&iacute;sicos e posi&ccedil;&otilde;es inc&ocirc;modas    de trabalho constituem outro importante grupo de doen&ccedil;as.<sup>3,4</sup>    Devido &agrave; gravidade potencial das exposi&ccedil;&otilde;es a subst&acirc;ncias    qu&iacute;micas, recomenda-se que a ventila&ccedil;&atilde;o nas oficinas renove    pelo menos 60 m<sup>3</sup> de ar/hora/trabalhador.<sup>3</sup> Medidas visando    prevenir a ocorr&ecirc;ncia de acidentes do trabalho e surdez ocupacional tamb&eacute;m    s&atilde;o recomendadas.<sup>3,4</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Os objetivos deste    estudo foram:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> a) cadastrar micro    e pequenas empresas reparadoras de ve&iacute;culos do munic&iacute;pio de Botucatu    - S&atilde;o Paulo;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> b) identificar    e caracterizar qualitativamente exposi&ccedil;&otilde;es ocupacionais de seus    trabalhadores, particularmente as relacionadas ao ru&iacute;do, subst&acirc;ncias    qu&iacute;micas, movimenta&ccedil;&atilde;o manual de cargas;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> c) averiguar os    conhecimentos e o cumprimento de exig&ecirc;ncias legais<sup>10</sup> quanto &agrave; exist&ecirc;ncia    de Comiss&atilde;o Interna de Preven&ccedil;&atilde;o de Acidentes (CIPA), Programa    de Controle M&eacute;dico de Sa&uacute;de Ocupacional (PCMSO), Programa de Preven&ccedil;&atilde;o    de Riscos Ambientais (PPRA);</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> d) averiguar a    exist&ecirc;ncia de equipamentos de prote&ccedil;&atilde;o coletiva;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> e) averiguar a    exist&ecirc;ncia de equipamentos de prote&ccedil;&atilde;o individual; e</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> f) verificar a    condi&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias e de conforto nos locais de trabalho.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Metodologia</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Trata-se de estudo    descritivo do universo de micro e pequenas empresas - oficinas de repara&ccedil;&atilde;o    de ve&iacute;culos automotores - localizadas no munic&iacute;pio de Botucatu,    S&atilde;o Paulo, e identificadas por meio do cadastro municipal de Imposto    sobre Servi&ccedil;os (ISS), de cat&aacute;logo telef&ocirc;nico e por informa&ccedil;&otilde;es    obtidas nas pr&oacute;prias oficinas, &agrave; medida que iam sendo visitadas.    Para classifica&ccedil;&atilde;o das empresas em termos de porte, adotaram-se    os crit&eacute;rios utilizados na Fran&ccedil;a<sup>2</sup> e na Uni&atilde;o Europ&eacute;ia.<sup>1</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Uma vez identificadas    e localizadas, foram realizados contatos telef&ocirc;nicos para confirma&ccedil;&atilde;o    de endere&ccedil;o das empresas que, a seguir, foram visitadas para coleta de    informa&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> As visitas foram    realizadas por dois m&eacute;dicos residentes do Programa de Medicina Preventiva,    com op&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de Ocupacional, previamente treinados.    Utilizou-se roteiro composto por duas partes, uma delas relativa &agrave; observa&ccedil;&atilde;o    dos ambientes e das condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e outra, &agrave; entrevista    com propriet&aacute;rios ou respons&aacute;veis.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O roteiro utilizado    foi elaborado nos moldes de inqu&eacute;rito preliminar e continha quest&otilde;es    relativas a:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> a) nome e endere&ccedil;o    da empresa, inscri&ccedil;&atilde;o no Cadastro Geral de Contribuintes (CGC)    e no cadastro municipal de Imposto sobre Servi&ccedil;os (ISS);</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> b) n&uacute;mero    de trabalhadores, idade e sexo;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> c) tipo de repara&ccedil;&atilde;o    efetuada;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> d) tipos e quantidade    de equipamentos dispon&iacute;veis;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> e) conhecimento    do respons&aacute;vel pela empresa no tocante &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o    de sa&uacute;de e seguran&ccedil;a do trabalho;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> f) subst&acirc;ncias    qu&iacute;micas utilizadas;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> g) avalia&ccedil;&atilde;o    semiquantitativa (leve, moderada ou intensa) da presen&ccedil;a de ru&iacute;do,    poeiras e movimenta&ccedil;&atilde;o manual de cargas;</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">h) condi&ccedil;&otilde;es    de ventila&ccedil;&atilde;o dos ambientes de trabalho (boa, regular ou ruim);</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> i) condi&ccedil;&otilde;es    para pr&aacute;tica de h&aacute;bitos de higiene;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> j) condi&ccedil;&otilde;es    de higiene (limpeza) dos trabalhadores (boa, regular ou ruim);</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> l) disponibilidade    de equipamentos de prote&ccedil;&atilde;o coletiva e individual; e</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> m) realiza&ccedil;&atilde;o    de controle m&eacute;dico dos trabalhadores e de controle de riscos ambientais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O crit&eacute;rio    utilizado para estimar a intensidade de ru&iacute;do baseou-se na interfer&ecirc;ncia    na comunica&ccedil;&atilde;o verbal entre os trabalhadores em dist&acirc;ncia    de at&eacute; um metro (leve: n&atilde;o interfer&ecirc;ncia; moderada: interfer&ecirc;ncia,    tornando necess&aacute;rio aumentar o volume da voz, sem gritar; intensa: necessidade    de gritar ou desligar equipamentos para se fazer ouvir).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O crit&eacute;rio    para estimar intensidade do esfor&ccedil;o f&iacute;sico em manuseio de cargas    baseou-se: at&eacute; 15 quilos por trabalhador, independentemente da freq&uuml;&ecirc;ncia    das movimenta&ccedil;&otilde;es - esfor&ccedil;o f&iacute;sico leve; manuseio    de cargas entre 15 e 30 quilos - esfor&ccedil;o moderado (se eventual) e intenso    (se realizada v&aacute;rias vezes ao dia); cargas iguais e maiores do que 30    quilos por trabalhador, como esfor&ccedil;o intenso.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> As condi&ccedil;&otilde;es    de ventila&ccedil;&atilde;o foram estimadas com base na exist&ecirc;ncia de    aberturas, com localiza&ccedil;&otilde;es facilitando ou n&atilde;o a circula&ccedil;&atilde;o    de ar no ambiente de trabalho. Portas e janelas ou abertura no teto; portas    e janelas estreitas ou que se abriam apenas parcialmente; e apenas porta, respectivamente,    levavam &agrave; classifica&ccedil;&atilde;o como condi&ccedil;&otilde;es de    ventila&ccedil;&atilde;o boas, regulares ou ruins.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> As informa&ccedil;&otilde;es    obtidas foram codificadas, utilizando-se o programa Epi-info vers&atilde;o 6.0    para constru&ccedil;&atilde;o e gerenciamento do banco de dados.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Resultados e discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este estudo, de    car&aacute;ter explorat&oacute;rio, teve como objetivos realizar cadastramento    de oficinas de repara&ccedil;&atilde;o de ve&iacute;culos e avaliar qualitativamente    as exposi&ccedil;&otilde;es ocupacionais potencialmente danosas &agrave; sa&uacute;de    dos trabalhadores. O papel chave atribu&iacute;do ao propriet&aacute;rio ou    respons&aacute;vel pelas micro e pequenas empresas,<sup>1,2</sup> aliado &agrave; nossa    experi&ecirc;ncia referente &agrave; inibi&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores    dessas empresas, sobretudo na presen&ccedil;a do patr&atilde;o ou do respons&aacute;vel,    levou &agrave; op&ccedil;&atilde;o de realiza&ccedil;&atilde;o de <i>inqu&eacute;rito    preliminar</i>, obtendo-se informa&ccedil;&otilde;es em visitas <i>in loco</i> e com os    respons&aacute;veis pelas empresas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A partir das fontes    de informa&ccedil;&otilde;es utilizadas foram listadas 90 empresas que, a seguir,    foram visitadas. Constatou-se que, do total, 11 eram estabelecimentos comerciais    de venda de pe&ccedil;as, sete haviam sido fechadas, tr&ecirc;s apresentavam    duas raz&otilde;es sociais embora se tratasse de uma &uacute;nica empresa e    uma n&atilde;o foi localizada. Sessenta e oito oficinas de repara&ccedil;&atilde;o    de ve&iacute;culos automotores do munic&iacute;pio de Botucatu foram, pois,    identificadas e, nos meses de abril a novembro de 1997, visitadas para coleta    de informa&ccedil;&otilde;es que permitissem avaliar qualitativamente suas condi&ccedil;&otilde;es    de trabalho. Constatou-se que, das 68 empresas, 13 n&atilde;o estavam inscritas    no Cadastro Geral de Contribuintes (CGC) nem na Prefeitura Municipal.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O efetivo total    das 68 empresas era de 418 trabalhadores, 80% executando atividades de repara&ccedil;&atilde;o    de ve&iacute;culos e 20%, servi&ccedil;os de escrit&oacute;rio ou venda de pe&ccedil;as.    Do total de trabalhadores, 52 eram do sexo feminino e 366, do masculino e que,    entre estes, 13 possu&iacute;am idades de 14 a 17 anos e trabalhavam nas oficinas    como &quot;aprendizes&quot;. Todos os trabalhadores do sexo feminino executavam    servi&ccedil;os de escrit&oacute;rio ou venda de pe&ccedil;as. A maioria das    empresas (72%) possu&iacute;a efetivo de at&eacute; cinco trabalhadores e apenas    6% tinham efetivo de 20 ou mais trabalhadores.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A <a href="#tab1">Tabela    1</a> mostra a distribui&ccedil;&atilde;o das empresas segundo o tipo de servi&ccedil;os    prestados e o n&uacute;mero de trabalhadores, observando-se que as empresas    que faziam apenas repara&ccedil;&atilde;o mec&acirc;nica (oficinas mec&acirc;nicas)    foram largamente majorit&aacute;rias em termos de n&uacute;mero de estabelecimentos,    possuindo a m&eacute;dia de 3,7 trabalhadores/empresa, enquanto as quatro oficinas    que realizavam v&aacute;rios tipos de repara&ccedil;&atilde;o (&quot;todas as    mencionadas&quot;) possu&iacute;am a m&eacute;dia de 39,3 trabalhadores, sendo    respons&aacute;veis por 38% do efetivo total (157/418). As quatro empresas eram    concession&aacute;rias autorizadas de ve&iacute;culos.</font></p>     <p><a name="tab1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/iesus/v10n2/2a02t1.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Esse resultado    permite afirmar que a repara&ccedil;&atilde;o de ve&iacute;culos no munic&iacute;pio    de Botucatu, no ano de 1997, constitu&iacute;a ramo de atividade composto majoritariamente    por microempresas, a maioria delas oficinas mec&acirc;nicas que, de acordo com    o Quadro I - Classifica&ccedil;&atilde;o Nacional de Atividades Econ&ocirc;micas    (CNAE), s&atilde;o classificadas como c&oacute;digo de atividade 50.20-2 e,    ainda de acordo com a mesma <a href="#tab1">tabela</a>, s&atilde;o descritas    como de grau de risco 3, numa escala de risco crescente de 1 a 4 (Norma Regulamentadora    n<sup>o</sup> 4 - NR-4).<sup>10</sup> Constatou-se a exist&ecirc;ncia de trabalhadores    com idades abaixo de 18 anos expostos a atividades consideradas insalubres segundo    a legisla&ccedil;&atilde;o vigente (Norma Regulamentadora n<sup>o</sup> 15 -    NR-15).<sup>10</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Na literatura    encontra-se refer&ecirc;ncia a importante exposi&ccedil;&atilde;o de trabalhadores    desse ramo de atividade ao ru&iacute;do.<sup>3,4</sup> Neste estudo, estimativa semiquantitativa    preliminar da presen&ccedil;a de ru&iacute;do nos ambientes analisados revelou    n&iacute;veis moderados em 41% dos estabelecimentos e intenso em 16%.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Oficinas de repara&ccedil;&atilde;o    mec&acirc;nica, mec&acirc;nica e el&eacute;trica, e el&eacute;trica</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Esse grupo de    51 empresas era composto de 38 oficinas mec&acirc;nicas, sete mec&acirc;nicas    e el&eacute;tricas e seis el&eacute;tricas. Em rela&ccedil;&atilde;o a v&aacute;rios    aspectos investigados neste estudo, o grupo apresentou condi&ccedil;&otilde;es    semelhantes entre si, e a descri&ccedil;&atilde;o a seguir procurar&aacute;    distingui-los.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Na <a href="#tab1">Tabela    1</a>, observa-se que as oficinas mec&acirc;nicas s&atilde;o de cinco a seis    vezes mais numerosas que as mec&acirc;nicas e el&eacute;tricas, e el&eacute;tricas.    Em rela&ccedil;&atilde;o ao n&uacute;mero de trabalhadores, essa <a href="#tab1">tabela</a>    revela que as empresas que executavam servi&ccedil;os de repara&ccedil;&atilde;o    mec&acirc;nica, e de repara&ccedil;&atilde;o el&eacute;trica e mec&acirc;nica,    possu&iacute;am efetivo m&eacute;dio de 3,7 trabalhadores e as empresas que    efetuavam repara&ccedil;&atilde;o el&eacute;trica, 6,2. Entretanto, excluindo-se    desse &uacute;ltimo grupo uma empresa de maior porte (18 trabalhadores) e possuidora    de setor de venda de pe&ccedil;as, as restantes apresentavam efetivo m&eacute;dio    de 3,8 trabalhadores. Esses dados permitem classificar essas empresas como microempresas.    Constatou-se que, dos 13 trabalhadores menores de 18 anos encontrados nesse    estudo, 11 eram empregados desse grupo de empresas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Quanto &agrave;s    instala&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas dessas oficinas, a <a href="#tab2">Tabela    2</a> mostra que 43 estavam instaladas em pr&eacute;dios de alvenaria com paredes    rebocadas e piso de cimento e oito em galp&otilde;es abertos, sem paredes laterais.    Essa <a href="#tab2">tabela</a> mostra tamb&eacute;m os tipos de instala&ccedil;&atilde;o    segundo a repara&ccedil;&atilde;o efetuada.</font></p>     <p><a name="tab2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/iesus/v10n2/2a02t2.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> As condi&ccedil;&otilde;es    de ventila&ccedil;&atilde;o foram consideradas boas em 13 empresas (uma empresa    possuidora de exaustor e lanternins, duas portas e mais de uma janela; uma empresa    possuidora de lanternins, duas portas e mais de uma janela; tr&ecirc;s empresas    possuidoras de duas portas e v&aacute;rias janelas; oito empresas que funcionavam    em galp&otilde;es sem paredes laterais). Em 13 empresas as condi&ccedil;&otilde;es    de ventila&ccedil;&atilde;o foram consideradas regulares (uma porta e janelas    pequenas ou com abertura limitada) e em 25 empresas as condi&ccedil;&otilde;es    de ventila&ccedil;&atilde;o foram consideradas ruins (apenas porta, sem janelas    ou com janelas que n&atilde;o abriam).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Em todas as empresas,    eram realizados habitualmente testes no interior das oficinas, pr&aacute;tica    que exp&otilde;e os trabalhadores &agrave;s subst&acirc;ncias qu&iacute;micas    t&oacute;xicas, tais como mon&oacute;xido de carbono, di&oacute;xido de enxofre,    &oacute;xidos de nitrog&ecirc;nio e hidrocarbonetos polic&iacute;clicos arom&aacute;ticos,    resultantes da combust&atilde;o de gasolina e de &oacute;leo diesel. Levando-se    em conta que, em apenas 13 empresas as condi&ccedil;&otilde;es de ventila&ccedil;&atilde;o    foram consideradas boas, a inala&ccedil;&atilde;o de gases emitidos pela combust&atilde;o    de ve&iacute;culos constitui problema s&eacute;rio nesse tipo de empresa.<sup>4-6</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Como se pode observar    na <a href="#tab3">Tabela 3</a>, as 51 empresas possu&iacute;am, no total, 176    equipamentos, 80 deles destinados a deslocamentos de cargas. Em m&eacute;dia,    havia 3,5 equipamentos/oficina (176/51). Entretanto, particularmente no que    se refere &agrave;queles destinados &agrave; movimenta&ccedil;&atilde;o de cargas,    constatou-se que tr&ecirc;s oficinas mec&acirc;nicas, tr&ecirc;s oficinas mec&acirc;nicas    e el&eacute;tricas e duas oficinas el&eacute;tricas n&atilde;o possu&iacute;am    nenhum com essa finalidade, utilizavam, quando necess&aacute;rio, 'macacos&quot;    dos pr&oacute;prios ve&iacute;culos em conserto.</font></p>     <p><a name="tab3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/iesus/v10n2/2a02t3.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Com base nos crit&eacute;rios    estabelecidos para estimar a intensidade do esfor&ccedil;o f&iacute;sico no    manuseio de cargas, observaram-se situa&ccedil;&otilde;es potencialmente danosas    &agrave; sa&uacute;de dos trabalhadores. Na <a href="#tab2">Tabela 2</a>, verifica-se    que, em nove empresas, o esfor&ccedil;o f&iacute;sico exigido na movimenta&ccedil;&atilde;o    de cargas foi considerado leve, em 25, moderado e em 17, intenso. Esse resultado    relaciona-se com a quantidade e os tipos de equipamentos para movimenta&ccedil;&atilde;o    de cargas dispon&iacute;veis nas empresas. Comparando-se os crit&eacute;rios    deste estudo com os sugeridos por Reed,<sup>11</sup> observa-se que, neste estudo, o n&uacute;mero    de empresas demandando esfor&ccedil;o f&iacute;sico considerado leve foi superestimado,    pois, para o autor americano,<sup>11</sup> esfor&ccedil;o f&iacute;sico leve consiste no    manuseio ocasional de carga at&eacute; 9 quilos ou, freq&uuml;ente, de at&eacute;    4,5 quilos. Esse autor considera esfor&ccedil;o f&iacute;sico intenso o manuseio    ocasional de carga de at&eacute; 45,3 quilos ou, freq&uuml;ente, de at&eacute;    22,6 quilos. Este estudo classifica o manuseio manual de cargas de 22,6 a 30    quilos como esfor&ccedil;o f&iacute;sico moderado quando, para Reed,<sup>11</sup>    consiste em esfor&ccedil;o f&iacute;sico intenso. Em compara&ccedil;&atilde;o    com os propostos por esse autor, os crit&eacute;rios utilizados neste estudo    acarretaram subestimativa do n&uacute;mero de empresas com demanda de esfor&ccedil;o    f&iacute;sico intenso.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Outro aspecto    observado relaciona-se &agrave; manipula&ccedil;&atilde;o de subst&acirc;ncias    qu&iacute;micas, particularmente para a limpeza de pe&ccedil;as, realizada por    sua imers&atilde;o em recipientes contendo a subst&acirc;ncia utilizada e a    seguir esfregadas com pincel ou peda&ccedil;os de pano, implicando contato direto    das m&atilde;os dos trabalhadores com os produtos utilizados. A <a href="#tab2">Tabela    2</a> mostra a distribui&ccedil;&atilde;o das empresas segundo as subst&acirc;ncias    utilizadas, cabendo salientar que algumas oficinas utilizavam mais de uma subst&acirc;ncia.    A gasolina era a subst&acirc;ncia mais utilizada pelas tr&ecirc;s categorias    de oficinas (mec&acirc;nicas, el&eacute;tricas e mec&acirc;nicas, e el&eacute;tricas),    seguida pelo &oacute;leo diesel, <i>thinners</i> e querosene. Apenas seis empresas    faziam utiliza&ccedil;&atilde;o de detergentes em associa&ccedil;&atilde;o com    as demais subst&acirc;ncias. Em m&eacute;dia, eram utilizadas 2,2 subst&acirc;ncias    por empresa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> As graxas foram    outras subst&acirc;ncias qu&iacute;micas utilizadas por quase todas as empresas,    com exposi&ccedil;&atilde;o direta da pele das m&atilde;os dos trabalhadores.    As subst&acirc;ncias do grupo de solventes org&acirc;nicos usadas, al&eacute;m    de poder ocasionar altera&ccedil;&otilde;es hep&aacute;ticas, renais, hematol&oacute;gicas,    e no sistema nervoso,<sup>4-6</sup> por serem irritantes relativos, podem provocar dermatites    de contato.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Quanto &agrave;s    condi&ccedil;&otilde;es de higiene corporal, observou-se que, em seis empresas,    os trabalhadores apresentavam roupas limpas e apenas m&atilde;os pouco sujas    (&oacute;leo ou graxa), condi&ccedil;&atilde;o de higiene corporal considerada    boa; em 19 empresas, os trabalhadores apresentavam roupas e m&atilde;os sujas,    condi&ccedil;&atilde;o de higiene corporal considerada regular; e, em 26 empresas,    as condi&ccedil;&otilde;es de higiene corporal foram consideradas ruins (trabalhadores    com roupas, m&atilde;os e outras partes do corpo sujas).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A avalia&ccedil;&atilde;o    da obedi&ecirc;ncia &agrave; Norma Reguladora n<sup>o</sup> 24 (NR-24),<sup>10</sup> referente &agrave;s    condi&ccedil;&otilde;es de conforto e sanit&aacute;rias no local de trabalho,    revelou que todas as empresas descumpriam essa Norma Regulamentadora. Embora    todas as empresas possu&iacute;ssem instala&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias    (WC), 80% apresentavam prec&aacute;rias condi&ccedil;&otilde;es de higiene,    em apenas nove empresas havia arm&aacute;rios individuais simples para os trabalhadores    e, em sete delas, havia chuveiros. Apenas uma empresa possu&iacute;a local destinado    &agrave;s refei&ccedil;&otilde;es dos trabalhadores. Com base nesses dados,    considerou-se que, em sete empresas, todas elas oficinas mec&acirc;nicas, as    condi&ccedil;&otilde;es de conforto e sanit&aacute;rias poderiam ser consideradas    razo&aacute;veis, apesar do descumprimento da NR-24.<sup>10</sup> Cooper e colaboradores<sup>7</sup>    e Fo&aacute; e Colombi<sup>12</sup> destacam a possibilidade de aumento de exposi&ccedil;&otilde;es    ocupacionais em decorr&ecirc;ncia de h&aacute;bitos pessoais dos trabalhadores    - como os citados no par&aacute;grafo precedente - que resultam no somat&oacute;rio    de absor&ccedil;&atilde;o por inala&ccedil;&atilde;o com absor&ccedil;&atilde;o    cut&acirc;nea.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> No tocante aos    aspectos da organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho, constatou-se jornada semanal    de trabalho de 44 horas em 34 empresas, de 48 horas em 12 empresas e de 50 em    cinco empresas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Quanto &agrave;    divis&atilde;o de tarefas, excetuando-se as atividades de escrit&oacute;rio,    a <a href="#tab2">Tabela 2</a> revela que, no trabalho de execu&ccedil;&atilde;o    de reparos dos ve&iacute;culos, em 45 empresas n&atilde;o havia nenhuma divis&atilde;o    de tarefas (todos os trabalhadores executavam todas as tarefas), em cinco empresas    havia divis&atilde;o parcial de tarefas e, em uma empresa, havia completa divis&atilde;o    de tarefas, de modo que cada trabalhador ou dupla de trabalhadores, conforme    o caso, era respons&aacute;vel por determinado tipo de conserto.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Todos os propriet&aacute;rios    ou respons&aacute;veis, figuras chave no tocante a decis&otilde;es que envolvem    a sa&uacute;de e seguran&ccedil;a dos trabalhadores,<sup>1,2</sup> desconheciam as exig&ecirc;ncias    legais<sup>10</sup> relativas &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o do Programa de Controle    M&eacute;dico de Sa&uacute;de Ocupacional (PCMSO), e do Programa de Preven&ccedil;&atilde;o    de Riscos Ambientais (PPRA), n&atilde;o executados em nenhuma das empresas.    Apenas um estabelecimento providenciava a realiza&ccedil;&atilde;o de exame    m&eacute;dico admissional e demissional de seus trabalhadores.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Nenhuma empresa    enquadrava-se nas exig&ecirc;ncias legais<sup>10</sup> de constitui&ccedil;&atilde;o de    Comiss&atilde;o Interna de Preven&ccedil;&atilde;o de Acidentes (CIPA). Constatou-se    que os propriet&aacute;rios de 22 empresas sabiam o que significava a sigla    CIPA, bem como qual seu papel. Esses propriet&aacute;rios referiram ter adquirido    tais conhecimentos quando trabalharam como empregados de grandes empresas possuidoras    dessa comiss&atilde;o. Todos os propriet&aacute;rios e respons&aacute;veis negaram    a ocorr&ecirc;ncia de acidentes do trabalho nos 12 meses precedentes &agrave;    visita e entrevista.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Oficinas de escapamentos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Das 68 empresas    reparadoras de ve&iacute;culos automotores, quatro eram especializadas em troca    e conserto de escapamentos (<a href="#tab1">Tabela 1</a>). O efetivo m&eacute;dio    encontrado nessas empresas foi de tr&ecirc;s trabalhadores. Do total de 12 trabalhadores,    11 eram homens, todos com idade superior a 18 anos. A &uacute;nica mulher executava    apenas tarefas de escrit&oacute;rio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Todas as empresas    estavam instaladas em pr&eacute;dios de alvenaria e as condi&ccedil;&otilde;es    de ventila&ccedil;&atilde;o foram consideradas boas em tr&ecirc;s empresas e    regulares em uma.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Em termos de equipamentos,    foram listadas oito ferramentas manuais com motor (m&eacute;dia de duas por    empresa) e seis equipamentos para deslocamento de cargas (m&eacute;dia de 1,5    por empresa): dois elevadores hidr&aacute;ulicos e seis macacos hidr&aacute;ulicos.    Foram encontrados quatro aparelhos de soldagem el&eacute;trica e cinco de soldagem    oxi-acetil&ecirc;nica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O esfor&ccedil;o    f&iacute;sico necess&aacute;rio ao deslocamento de cargas foi considerado leve    em tr&ecirc;s empresas e moderado em uma, achado relacionado com a disponibilidade    de equipamentos existentes para movimenta&ccedil;&atilde;o de cargas e que existiam    nas quatro empresas do grupo, aplicando-se aqui as mesmas considera&ccedil;&otilde;es    realizadas para o grupo precedente de oficinas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o espor&aacute;dica de subst&acirc;ncias qu&iacute;micas,    em duas empresas houve refer&ecirc;ncia ao uso de &oacute;leos minerais, em    uma, de <i>thinners</i> e, em outra, de &aacute;cido clor&iacute;drico. Nas quatro    empresas, foi negada a pr&aacute;tica de fazer funcionar o ve&iacute;culo no    interior das oficinas para testes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Quanto aos aspectos    da organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho, cabe referir que em tr&ecirc;s empresas    a jornada era de 44 horas e, em uma, de 48 horas semanais. Constatou-se que,    no tocante &agrave;s tarefas de conserto e de troca de escapamentos, n&atilde;o    havia divis&atilde;o de tarefas em nenhuma das empresas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> No tocante &agrave;s    normas regulamentadoras,<sup>10</sup> constatou-se que nenhuma empresa conhecia    as exig&ecirc;ncias das NR-7, 9 e 24, todas elas descumpridas. Nenhuma empresa    estava enquadrada na exig&ecirc;ncia de constituir CIPA, cujas finalidades eram    conhecidas por tr&ecirc;s dos respons&aacute;veis. Constatou-se descumprimento    da NR-24 que rege as condi&ccedil;&otilde;es de conforto e sanit&aacute;rias    no local de trabalho,<sup>10</sup> consideradas ruins em todas as empresas (exist&ecirc;ncia    apenas de instala&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias ou WC, em m&aacute;s condi&ccedil;&otilde;es    de higiene).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Oficinas especializadas    em freios</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Das 68 oficinas    de repara&ccedil;&atilde;o de ve&iacute;culos automotores, tr&ecirc;s eram especializadas    em freios (<a href="#tab1">Tabela 1</a>). Uma dessas oficinas, de maior porte    e mais equipada, possu&iacute;a nove trabalhadores e as outras duas, tr&ecirc;s    trabalhadores cada uma.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Em termos de instala&ccedil;&otilde;es    e equipamentos dispon&iacute;veis, a oficina de maior porte estava instalada    em galp&atilde;o industrial de alvenaria, com lanternins no teto, boas condi&ccedil;&otilde;es    de ventila&ccedil;&atilde;o, instala&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias, chuveiros,    vesti&aacute;rio, arm&aacute;rios, tendo-se constatado respeito &agrave; NR-24.<sup>10</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> As duas empresas    menores, instaladas em galp&otilde;es de alvenaria (garagens adaptadas) apresentavam    condi&ccedil;&otilde;es de ventila&ccedil;&atilde;o consideradas ruins. Havia    desrespeito &agrave; NR-24,<sup>10</sup> uma vez que as empresas possu&iacute;am apenas    instala&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias cujas condi&ccedil;&otilde;es de    higiene foram consideradas prec&aacute;rias.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Nenhuma das tr&ecirc;s    empresas se enquadrava nas exig&ecirc;ncias de constituir CIPA e apenas o respons&aacute;vel    pela empresa de maior porte conhecia o significado dessa sigla.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> As tr&ecirc;s    empresas desconheciam as exig&ecirc;ncias das NR-7 e NR-9,<sup>10</sup> n&atilde;o realizando    PCMSO nem PPRA.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Em rela&ccedil;&atilde;o    ao uso de subst&acirc;ncias qu&iacute;micas para limpeza de pe&ccedil;as, as    empresas referiram fazer uso de querosene, nos moldes j&aacute; descritos para    outras oficinas e implicando contato da subst&acirc;ncia com a pele. Apesar    das refer&ecirc;ncias a opera&ccedil;&otilde;es de lixar pastilhas e lonas de    freios, desconhecia-se a exposi&ccedil;&atilde;o ocupacional ao asbesto, bem    como seus efeitos e os trabalhadores expostos n&atilde;o eram submetidos a exames    m&eacute;dicos (PCMSO n&atilde;o realizado).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Oficinas de funilaria    e pintura</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Foram cadastradas    quatro empresas (<a href="#tab1">Tabela 1</a>) que executavam apenas servi&ccedil;os    de funilaria e pintura que, no conjunto, possu&iacute;am 11 trabalhadores (m&eacute;dia    de 2,8 trabalhador / empresa), todos com idade superior a 18 anos. Apenas uma    empresa possu&iacute;a um trabalhador do sexo feminino, realizando exclusivamente    tarefas de escrit&oacute;rio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Todas as empresas    estavam instaladas em pr&eacute;dios de alvenaria, e as atividades de funilaria    eram realizadas ou em local diferente da pintura (duas empresas) ou em momentos    diferentes (duas empresas). As condi&ccedil;&otilde;es de ventila&ccedil;&atilde;o    foram consideradas boas em uma empresa que, al&eacute;m de porta, possu&iacute;a    lanternins no teto e janelas laterais. Nas demais empresas as condi&ccedil;&otilde;es    de ventila&ccedil;&atilde;o foram consideradas ruins. Nenhuma empresa possu&iacute;a    cabina de pintura ou sistema de exaust&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Quanto aos equipamentos,    constatou-se m&eacute;dia de sete por empresa, tendo sido listados cinco equipamentos    de soldagem (um de soldagem el&eacute;trica e quatro de soldagem oxi-acetil&ecirc;nica),    18 ferramentas manuais com motor (in - cluindo-se os equipamentos de pintura)    e quatro equipamentos de movimenta&ccedil;&atilde;o de cargas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Observou-se ser    necess&aacute;rio realizar esfor&ccedil;os f&iacute;sicos de moderada intensidade    para movimenta&ccedil;&atilde;o de cargas em tr&ecirc;s oficinas e leve, em    uma.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Quanto &agrave;    higiene corporal, observou- se que era regular em duas empresas e ruim nas outras    duas, tendo-se constatado que todas as empresas desrespeitavam a NR-24 que estabelece    os par&acirc;metros a serem seguidos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es    de conforto e sanit&aacute;rias no local de trabalho.<sup>10</sup> Uma empresa fornecia    arm&aacute;rio para seus trabalhadores e apenas essa empresa apresentava instala&ccedil;&otilde;es    sanit&aacute;rias (WC) em boas condi&ccedil;&otilde;es de higiene.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Como j&aacute;    era esperado, observou-se utiliza&ccedil;&atilde;o de numerosas subst&acirc;ncias    qu&iacute;micas nessas empresas. Todas elas utilizavam catalisadores, resina    poliuretana, resina poli&eacute;ster, massa para polir, massa pl&aacute;stica,    <i>thinners</i>, colas, desengraxantes, ceras e tintas. O uso de gasolina para limpeza    foi referido por duas empresas. Uso de xilol, nitroderivados, querosene e verniz    foi referido por apenas uma empresa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Em tr&ecirc;s    empresas constatou-se jornada de trabalho de 44 horas semanais e, em uma, de    48 horas. Em apenas uma empresa n&atilde;o havia divis&atilde;o de tarefas e    nas demais, constatou-se exist&ecirc;ncia de divis&atilde;o parcial (alguns    trabalhadores realizando predominantemente tarefas de funilaria e outros, de    pintura).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Oficinas de servi&ccedil;os    mec&acirc;nicos e de funilaria e pintura</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Duas oficinas    realizavam esses tr&ecirc;s tipos de servi&ccedil;os (<a href="#tab1">Tabela    1</a>), tendo-se observado que suas caracter&iacute;sticas, particularmente    em termos de efetivo e de equipamentos dispon&iacute;veis apresentavam situa&ccedil;&atilde;o    intermedi&aacute;ria entre as oficinas do primeiro grupo analisado - mec&acirc;nicas,    mec&acirc;nicas e el&eacute;tricas e el&eacute;tricas -, cujo efetivo m&eacute;dio    era de quatro trabalhadores e o n&uacute;mero de equipamentos dispon&iacute;veis,    em m&eacute;dia, de 3,5 por empresa e as oficinas de empresas concession&aacute;rias    de ve&iacute;culos, maiores e melhor equipadas e que ser&atilde;o descritas    &agrave; frente.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> As duas oficinas    estavam instaladas em pr&eacute;dio de alvenaria, em boas condi&ccedil;&otilde;es.    Uma das oficinas possu&iacute;a efetivo de 12 trabalhadores e a outra, de sete,    todos eles executando servi&ccedil;os de oficina. Uma das empresas possu&iacute;a    um trabalhador com idade entre 15 e 17 anos. Em termos de equipamentos dispon&iacute;veis,    as duas empresas juntas possu&iacute;am 50 equipamentos: 14 ferramentas manuais    com motor, oito equipamentos para deslocamento de cargas (quatro macacos hidr&aacute;ulicos,    dois elevadores, dois guinchos), al&eacute;m de equipamentos para pintura e    equipamentos de soldagem (el&eacute;trica e oxi-acetil&ecirc;nica).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em rela&ccedil;&atilde;o    a subst&acirc;ncias qu&iacute;micas, <i>thinners</i>, gasolina e querosene eram    utilizados para a limpeza de pe&ccedil;as, como parte de repara&ccedil;&otilde;es    mec&acirc;nicas e nas atividades de funilaria e pintura, eram utilizadas tintas,    esmaltes, vernizes, massa pl&aacute;stica, massa para polimento, resinas (poli&eacute;ster    e poliuretana), catalisadores, colas e agentes antioxidantes. Constatou-se que    os produtos possu&iacute;am denomina&ccedil;&otilde;es gen&eacute;ricas das    subst&acirc;ncias qu&iacute;micas que faziam parte de sua composi&ccedil;&atilde;o,    impedindo sua identifica&ccedil;&atilde;o. Por exemplo, nos r&oacute;tulos de    <i>sprays</i> de tintas usados na pintura de ve&iacute;culos n&atilde;o havia    men&ccedil;&atilde;o de isocianatos, quando se sabe que tais subst&acirc;ncias    s&atilde;o adicionadas para que se forme pel&iacute;cula de poliuretano.<sup>9</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> De acordo com    Heitbrink,<sup>8</sup> compostos contendo poli-isocianatos, com baixos teores de mon&ocirc;meros    de isocianatos, est&atilde;o presentes em diversas tintas de uso na pintura    de ve&iacute;culos. Os isocianatos contidos nesses produtos s&atilde;o respons&aacute;veis    pela freq&uuml;&ecirc;ncia elevada de asma ocupacional.<sup>9</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Em pa&iacute;ses    da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia e nos Estados Unidos e Canad&aacute;, al&eacute;m    dos r&oacute;tulos conterem a composi&ccedil;&atilde;o dos produtos, estes s&atilde;o    acompanhados de fichas de informa&ccedil;&otilde;es toxicol&oacute;gicas. &Agrave;    solicita&ccedil;&atilde;o de r&oacute;tulos e de folhetos informativos sobre    a composi&ccedil;&atilde;o dos produtos utilizados, os respons&aacute;veis pelas    empresas informaram desconhec&ecirc;-los.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Uma das empresas    possu&iacute;a cabina de pintura. As condi&ccedil;&otilde;es de ventila&ccedil;&atilde;o    foram consideradas regulares em uma das empresas e boas na outra.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Havia divis&atilde;o    parcial de tarefas nas duas empresas e a jornada de trabalho era de 44 horas    semanais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Os respons&aacute;veis    pelas empresas desconheciam as exig&ecirc;ncias legais<sup>10</sup> de realiza&ccedil;&atilde;o    de PCMSO e de PPRA, bem como as relativas &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es    de conforto e sanit&aacute;rias nos locais de trabalho. Nas duas empresas havia    apenas instala&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias, tendo-se constatado que    em uma das empresas estavam em boas condi&ccedil;&otilde;es de higiene e na    outra, em condi&ccedil;&otilde;es regulares. Embora as empresas n&atilde;o se    enquadrassem nas exig&ecirc;ncias de constituir CIPA, seus respons&aacute;veis    conheciam o significado dessa sigla.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Os respons&aacute;veis    pelas empresas negaram a ocorr&ecirc;ncia de acidentes do trabalho nos 12 meses    que precederam a realiza&ccedil;&atilde;o da visita e da entrevista.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Oficinas de empresas    concession&aacute;rias autorizadas de ve&iacute;culos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Em 1997, existiam    em Botucatu quatro empresas concession&aacute;rias autorizadas de ve&iacute;culos    (<a href="#tab1">Tabela 1</a>) em cujas oficinas, segundo os respons&aacute;veis,    eram executados todos os tipos de repara&ccedil;&atilde;o. Na verdade, em uma    das empresas encontrou-se ind&iacute;cio de que os servi&ccedil;os de funilaria    e pintura, pelo menos na &eacute;poca da aplica&ccedil;&atilde;o do question&aacute;rio    e da realiza&ccedil;&atilde;o da visita, estavam sendo executados por terceiros.    Tais ind&iacute;cios consistiam na n&atilde;o inclus&atilde;o de subst&acirc;ncias    sabidamente utilizadas na execu&ccedil;&atilde;o desse tipo de servi&ccedil;o    (tintas, resinas, catalisadores, massa pl&aacute;stica, massa para polimento,    entre outras) na rela&ccedil;&atilde;o de produtos utilizados por essa empresa.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> As instala&ccedil;&otilde;es    f&iacute;sicas das quatro empresas foram consideradas boas (pr&eacute;dios de    alvenaria, espa&ccedil;osos, p&eacute; direito alto, pisos regulares), com boas    condi&ccedil;&otilde;es de ventila&ccedil;&atilde;o. Duas empresas possu&iacute;am    lanternins no teto e duas, exaustores.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O efetivo total    das empresas variou entre 32 e 65 trabalhadores. Entretanto, o n&uacute;mero    de empregados lotado nas oficinas, todos homens, variou de 15 a 45 trabalhadores.    Todos os trabalhadores tinham idade igual ou superior a 18 anos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Todas as empresas    apresentavam n&uacute;mero de equipamentos nitidamente superior ao dos demais    grupos de oficinas que comp&otilde;em o material desta investiga&ccedil;&atilde;o,    podendo-se comparar as informa&ccedil;&otilde;es apresentadas a seguir com os    resultados apresentados na <a href="#tab3">Tabela 3</a>, relativos &agrave;s    oficinas mec&acirc;nicas, mec&acirc;nicas e el&eacute;tricas e el&eacute;tricas.    O n&uacute;mero total de equipamentos dispon&iacute;veis variou de 20 a 47 (m&eacute;dia    de 27,8), incluindo numerosas ferramentas manuais com motor, aparelhos de soldagem    el&eacute;tricos, oxi-acetil&ecirc;nicos e dois aparelhos MIG (metal inerte-g&aacute;s).    Em rela&ccedil;&atilde;o a equipamentos para movimenta&ccedil;&atilde;o de cargas,    todas as empresas possu&iacute;am elevador hidr&aacute;ulico, guinchos e macacos    hidr&aacute;ulicos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Observou-se que,    gra&ccedil;as &agrave; disponibilidade de equipamentos apropriados, havia, nas    quatro empresas, necessidade de realiza&ccedil;&atilde;o de esfor&ccedil;os    f&iacute;sicos de intensidade considerada leve para movimenta&ccedil;&atilde;o    de cargas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Em rela&ccedil;&atilde;o    ao conhecimento das Normas Regulamentadoras,<sup>10</sup> os respons&aacute;veis por duas    das empresas referiram possuir conhecimentos acerca das Comiss&otilde;es Internas    de Preven&ccedil;&atilde;o de Acidentes (CIPA), e um dos quais estava devidamente    informado acerca das exig&ecirc;ncias das NR-7 e 9, ambas obedecidas pela empresa    sob sua ger&ecirc;ncia. Os respons&aacute;veis pelas outras tr&ecirc;s empresas    referiram desconhecer as exig&ecirc;ncias dessas duas normas regulamentadoras    e, conseq&uuml;entemente, as empresas sob sua responsabilidade n&atilde;o realizavam    os programas respectivos (PCMSO e PPRA).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> No tocante &agrave;    NR-24,<sup>10</sup> as quatro empresas atendiam &agrave; maioria de suas exig&ecirc;ncias,    isto &eacute;, possu&iacute;am instala&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias,    vesti&aacute;rios com chuveiros e arm&aacute;rios e duas delas, refeit&oacute;rio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Em rela&ccedil;&atilde;o    ao emprego de subst&acirc;ncias qu&iacute;micas, observou-se que uma das empresas    n&atilde;o referiu utiliza&ccedil;&atilde;o de produtos comumente empregados    em servi&ccedil;os de funilaria e pintura. As quatro empresas referiram utilizar    graxas, <i>thinners</i> e detergentes. Tr&ecirc;s empresas referiram utilizar gasolina,    querosene. <i>Thinners</i>, gasolina, detergentes e querosene eram utilizados para    limpeza de pe&ccedil;as, com utiliza&ccedil;&atilde;o de processos semelhantes    aos empregados pelas demais oficinas, isto &eacute;, imers&atilde;o em recipiente    contendo a subst&acirc;ncia que estivesse sendo utilizada, seguido de esfrega&ccedil;&atilde;o    manual com escova ou pincel, opera&ccedil;&atilde;o que expunha a pele dos trabalhadores    ao contato com a subst&acirc;ncia. Em tr&ecirc;s empresas, eram utilizadas resinas    (poli&eacute;ster e poliuretana), catalisadores, massa pl&aacute;stica, massa    para polimento, agentes antioxidantes, colas e tintas. Uma empresa referiu uso    de esmaltes e outra, de vernizes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Em todas as oficinas,    os motores eram postos em funcionamento nos galp&otilde;es, expondo os trabalhadores    aos gases oriundos da combust&atilde;o de gasolina, &aacute;lcool ou diesel,    conforme o caso.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Quanto &agrave;    distribui&ccedil;&atilde;o de tarefas, constatou-se que existia divis&atilde;o    parcial de tarefas entre os trabalhadores das oficinas e a jornada semanal de    trabalho era de 44 horas nas quatro oficinas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O conjunto de    informa&ccedil;&otilde;es obtidas por meio de entrevista e de observa&ccedil;&atilde;o    direta revelou que as oficinas de repara&ccedil;&atilde;o de ve&iacute;culos    das quatro concession&aacute;rias autorizadas eram melhores do que as constatadas    nas demais empresas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Conclus&otilde;es</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Este estudo indica    que, nas oficinas de repara&ccedil;&atilde;o de ve&iacute;culos automotores    de Botucatu - S&atilde;o Paulo:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> a) trabalhadores    est&atilde;o expostos a numerosos agressores &agrave; sa&uacute;de, destacando-se    movimenta&ccedil;&otilde;es manuais de cargas, exposi&ccedil;&otilde;es a ru&iacute;do    e a produtos qu&iacute;micos;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> b) a legisla&ccedil;&atilde;o    de seguran&ccedil;a e de medicina do trabalho n&atilde;o &eacute; obedecida;    c) h&aacute; prov&aacute;vel sub-registro de acidentes do trabalho e de doen&ccedil;as    ocupacionais; e</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> d) propriet&aacute;rios    e trabalhadores s&atilde;o desinformados quanto a exposi&ccedil;&otilde;es ocupacionais    a que est&atilde;o submetidos e suas poss&iacute;veis conseq&uuml;&ecirc;ncias    para a sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Deve-se atentar    que se trata de estudo realizado em munic&iacute;pio de m&eacute;dio porte do    Estado de S&atilde;o Paulo, de sorte que a generaliza&ccedil;&atilde;o dos resultados    obtidos n&atilde;o deve ser efetuada desconsiderando-se esta peculiaridade.    O fato de a maioria das empresas estudadas ter apresentado v&aacute;rias caracter&iacute;sticas    semelhantes no tocante &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es ambientais e de trabalho    permite supor que, no Brasil, provavelmente existam localidades e ou realidades    semelhantes &agrave;s descritas neste estudo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Finalmente, este    estudo leva &agrave; conclus&atilde;o de que as oficinas de repara&ccedil;&atilde;o    de ve&iacute;culos automotores constituem ramo de atividade que requer estrat&eacute;gias    de interven&ccedil;&atilde;o voltadas &agrave; preven&ccedil;&atilde;o de acidentes    e de doen&ccedil;as. Essas estrat&eacute;gias precisam considerar suas peculiaridades,    em virtude, particularmente, do n&uacute;mero elevado de empresas e da sua dispers&atilde;o    territorial.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias    bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Associaci&oacute;n    Internacional de la Seguridade Social. Comit&eacute; International para la Prevention    de Riesgos Profesionales. Seguridad e Salud en el Trabajo. Peque&ntilde;as e    Medianas Empresas. Viena: AISS; (s.d.).</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Favaro M. La    pr&eacute;vention dans les PME. Les notes scientifiques et techniques de l'INRS    n. 134. Paris: Institut National de Recherche et de S&eacute;curit&eacute;;    1996.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 3. Guillemin G.    R&eacute;paration et entretien des v&eacute;hicules automobiles. Paris: Institut    National de Recherche et de S&eacute;curit&eacute;; 1992.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 4. Automobile    Mechanic Encyclopaedia of Occupational Health and Safety. 4<sup>a</sup> ed. G&eacute;n&egrave;ve:    International Labour Office; 1998. p.103.1-103-34.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 5. Cliquennois    J, Delbey J, Mascioni E, Ponsich M, Queval C, Boieau M. Les garages: &eacute;tude    de quesques risques dans les enterprises de r&eacute;paration et d'entretien    automobile. Roubaix-Tourcoing, 1995. Association de Gestion de Services Medicaux    et Sociaux de l'Industrie et du Commerce de Roubaix-Tourcoing.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 6. IARC. IARC    Monographs on the evaluation of carcinogenic risks to Humans. Vol 46. Diesel    and gasoline engine exhausts and some nitroarenes. Lyon: IARC; 1989. p.41-185.    Diesel and gasoline engine exhausts.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 7. Cooper TC,    Heitbrink WA, Edmonds MA, Bryant CJ, Ruch WE. Control technology for autobody    repair and painting shops. Cincinnati, Ohio: CDC/NIOSH; 1993. Report no ECTB    179-15a. &#91;Capturado em 2001 Aug 21&#93;. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.osha-slc.gov/SLTC/autobody/docs/nioshctm/nioshctm.html">http//www.osha-slc.gov/SLTC/autobody/docs/nioshctm/nioshctm.html</a>.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 8. Heitbrink WA.    A control matrix for spray painting at autobody repair shops. Cincinnati, Ohio:    CDC/ NIOSH; 1998. &#91;Capturado em 2001 Aug 21&#93;. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.osha-slc.gov/SLTC/autobody/docs/nioshctm/nioshctm.html">http://www.osha-slc.gov/SLTC/autobody/docs/nioshctm/nioshctm.html</a>.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 9. Health and    Safety Executive Petrol fire risks at motor vehicle repair garages. &#91;Capturado    em 2001 Aug 20&#93;. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.hse.gov.uk/press/e00163.htm">http://www.hse.gov.uk/press/e00163.htm</a>.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 10. Minist&eacute;rio    do Trabalho e Emprego. Portaria n. 3.214. In: Equipe ATLAS (coord.). Seguran&ccedil;a    e Medicina do Trabalho. 48<sup>a</sup> ed. S&atilde;o Paulo: Atlas; 2001. p.20-412.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 11. Reed P. The    medical disability advisor: workplace guidelines for disability duration. Horsham    Pennsylvania: LRP; 1991. p.xliv-xlv.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 12. Fo&aacute;    V, Colombi A. Tossicologia professionale. In: Ambrosi L, Fo&aacute; V. Trattato    di medicina del lavoro. Torino: UTET; 1996. p.149-170. </font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="endereco"></a><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="#topo"><img src="../img/revistas/iesus/v10n2/seta.gif" border="0"></a><b>Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia:</b>    <br>   Departamento de Sa&uacute;de P&uacute;blica    <br>   Faculdade de Medicina de Botucatu    <br>   Universidade Estadual Paulista (UNESP).    <br>   Rubi&atilde;o J&uacute;nior Botucatu/SP.    <br>   CEP: 18.608-970.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Tel./Fax.: (14) 6822- 3372.    <br>   E-mail: <a href="mailto:binder@laser.com.br">binder@laser.com.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body><back>
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