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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Encefalite do Nilo Ocidental, nossa próxima epidemia?]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Instituto Adolfo Lutz Seção de Vírus Transmitidos por Artrópodos ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This work reviews the clinical and epidemiological aspects of West Nile Virus (WN) infections, including modes of transmission, reservoirs and vectors, as well as the geographical distribution of bird species serving as potential reservoirs and their migratory routes in the American Continent to permit a discussion of the possibility of WN virus being introduced into Brazil and propose reality-based strategies for surveillance. A review was undertaken using the MEDLINE database, for the period from 1991 to 2002, and by a search mechanism of the Centers for Disease Control and Prevention (CDC) website (home page at the Internet: cdc.gov ) .Internationally recognized textbooks on the disciplines related to the study were also consulted. The WN virus is an arbovirus transmitted by the bite of an infected mosquito. The virus infects mainly birds, humans and equines. In humans it may cause mild to serious illness, including death due to encephalitis. The first outbreak of WN infection in the Americas occurred in 1999 in New York City, United States of America (USA). Previously, the virus was found only in the Old World with migratory birds playing a major role in virus dissemination. South America receives hundreds of migratory bird species.from the Northern Hemisphere, many from areas where the virus has been detected. Those migrations could allow the dissemination of WN throughout the Americas. Therefore, the goal of a surveillance system would be the detection of the introduction of this virus in Brazil. The primary area of action of this surveillance system would be the environmental survey of reservoirs and vectors.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Vírus do Nilo Ocidental]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b><a name="topo"></a>ARTIGO    DE REVIS&Atilde;O</b></font></p>     <p align="right">&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Encefalite do    Nilo Ocidental, nossa pr&oacute;xima epidemia?</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>West Nile Encephalitis,    our next epidemic? </b></font></p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Expedito J.    A. Luna<sup>I</sup>; Luis Eloy Pereira<sup>II</sup>; Renato Pereira de Souza<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> <sup>I</sup>Faculdade de Ci&ecirc;ncias    M&eacute;dicas da Santa Casa de S&atilde;o Paulo     <br>   <sup>II</sup>Se&ccedil;&atilde;o de V&iacute;rus Transmitidos por Artr&oacute;podos-Instituto    Adolfo Lutz </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1">     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Neste trabalho,    foram revistas as caracter&iacute;sticas cl&iacute;nicas e epidemiol&oacute;gicas    das infec&ccedil;&otilde;es pelo V&iacute;rus do Nilo cidental (VNO), destacando    modo de transmiss&atilde;o, reservat&oacute;rios e vetores, bem como a distribui&ccedil;&atilde;o    geogr&aacute;fica de aves reservat&oacute;rias e suas rotas de migra&ccedil;&atilde;o    no continente americano, de forma a embasar a discuss&atilde;o das possibilidades    de introdu&ccedil;&atilde;o do v&iacute;rus no Brasil e a proposi&ccedil;&atilde;o    de estrat&eacute;gias de vigil&acirc;ncia adequadas &agrave; nossa realidade.    A revis&atilde;o foi realizada pela consulta &agrave; base de dados MEDLINE,    no per&iacute;odo 1991-2002, complementada pela utiliza&ccedil;&atilde;o dos    textos encontrados atrav&eacute;s do mecanismo de busca da p&aacute;gina dos    <I>Centers for Disease Control and Prevention</I> (CDC) (home page na internet:    cdc.gov). Foram tamb&eacute;m consultados livros-texto de reconhecimento internacional,    nas disciplinas pertinentes ao desenvolvimento do estudo. O VNO &eacute; um    arbov&iacute;rus transmitido pela picada de mosquitos infectados. O v&iacute;rus    infecta principalmente aves, homens e eq&uuml;inos. No homem, pode produzir    desde quadros oligossintom&aacute;ticos at&eacute; casos graves e fatais de    encefalite. A primeira epidemia de VNO nas Am&eacute;ricas ocorreu em 1999,    em Nova Iorque, Estados Unidos da Am&eacute;rica (EUA). Anteriormente, o v&iacute;rus    ocorria apenas no Velho Mundo, onde aves migrat&oacute;rias desempenham papel    importante na dissemina&ccedil;&atilde;o. A Am&eacute;rica do Sul, por sua vez,    recebe centenas de esp&eacute;cies de aves migrat&oacute;rias provenientes do    hemisf&eacute;rio norte, inclusive de &aacute;reas onde o v&iacute;rus foi detectado.    O conjunto desses deslocamentos migrat&oacute;rios permitiria a dissemina&ccedil;&atilde;o    do VNO em todo o continente americano. Dessa forma, o prop&oacute;sito do sistema    de vigil&acirc;ncia seria o de detectar a introdu&ccedil;&atilde;o do v&iacute;rus    no pa&iacute;s. A principal &aacute;rea de atua&ccedil;&atilde;o do sistema    seria a vigil&acirc;ncia ambiental de reservat&oacute;rios e vetores.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b>    V&iacute;rus do Nilo Ocidental; epidemiologia; aves migrat&oacute;rias; vigil&acirc;ncia    epidemiol&oacute;gica.</font></p> <hr size="1">     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>SUMMARY</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> This work reviews    the clinical and epidemiological aspects of West Nile Virus (WN) infections,    including modes of transmission, reservoirs and vectors, as well as the geographical    distribution of bird species serving as potential reservoirs and their migratory    routes in the American Continent to permit a discussion of the possibility of    WN virus being introduced into Brazil and propose reality-based strategies for    surveillance. A review was undertaken using the MEDLINE database, for the period    from 1991 to 2002, and by a search mechanism of the Centers for Disease Control    and Prevention (CDC) website (home page at the Internet: cdc.gov ) .Internationally    recognized textbooks on the disciplines related to the study were also consulted.    The WN virus is an arbovirus transmitted by the bite of an infected mosquito.    The virus infects mainly birds, humans and equines. In humans it may cause mild    to serious illness, including death due to encephalitis. The first outbreak    of WN infection in the Americas occurred in 1999 in New York City, United States    of America (USA). Previously, the virus was found only in the Old World with    migratory birds playing a major role in virus dissemination. South America receives    hundreds of migratory bird species.from the Northern Hemisphere, many from areas    where the virus has been detected. Those migrations could allow the dissemination    of WN throughout the Americas. Therefore, the goal of a surveillance system    would be the detection of the introduction of this virus in Brazil. The primary    area of action of this surveillance system would be the environmental survey    of reservoirs and vectors. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Key words:</b>    West Nile Virus; epidemiology; migratory birds; epidemiological surveillance.    </font></p> <hr size="1">     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> <b>Introdu&ccedil;&atilde;o    </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> No ver&atilde;o    do hemisf&eacute;rio norte de 1999, a cidade de Nova Iorque foi surpreendida    pela epidemia de uma doen&ccedil;a infecciosa que cursava com febre e sinais    de meningite ass&eacute;ptica ou encefalite, acometendo com maior severidade    os mais idosos e tendo, inclusive, levado a alguns &oacute;bitos.<sup>1</sup>    Apesar de toda a infra-estrutura de assist&ecirc;ncia &agrave; sa&uacute;de    e de vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica dos Estados Unidos da Am&eacute;rica    (EUA), a identifica&ccedil;&atilde;o do agente etiol&oacute;gico n&atilde;o    foi imediata. De in&iacute;cio, outras etiologias virais, principalmente arboviroses,    foram investigadas, tais como o v&iacute;rus Saint Louis e o Kunjin.<sup>2</sup>    A desarticula&ccedil;&atilde;o entre os servi&ccedil;os de sa&uacute;de humana    e os servi&ccedil;os de veterin&aacute;ria ficou evidente, pois a ocorr&ecirc;ncia    de uma epizootia de uma aparente encefalite viral havia sido entre as aves de    um dos parques zool&oacute;gicos da cidade detectada meses antes. Al&eacute;m    disso, em meados de julho de 1999, observou- se alta mortalidade de corvos no    bairro onde se detectaram, posteriormente, no in&iacute;cio do m&ecirc;s de    agosto, os primeiros casos humanos de uma encefalite viral.<sup>3</sup> Estudos    revelaram que o V&iacute;rus do Nilo Ocidental (VNO) era o agente respons&aacute;vel    pelos casos humanos,<sup>4</sup> caracterizando-se a primeira epidemia de encefalite    associada a este v&iacute;rus no hemisf&eacute;rio ocidental.<sup>5</sup> Completando    esse quadro, foi isolado, em meados de setembro, a partir de aves mortas, um    v&iacute;rus id&ecirc;ntico ao associado aos casos humanos.<sup>3</sup> As aves    s&atilde;o os hospedeiros e reservat&oacute;rios naturais do VNO. Seu papel    como hospedeiras prim&aacute;rias desse agente na natureza tem sido confirmado    pelos v&aacute;rios isolamentos obtidos. O VNO infecta predominantemente as    aves e foi isolado em mais de 70 esp&eacute;cies.<sup>4</sup> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> No epis&oacute;dio    de emerg&ecirc;ncia do VNO nas Am&eacute;ricas, a sua not&aacute;vel velocidade    de dissemina&ccedil;&atilde;o. Em apenas dois anos, desde a introdu&ccedil;&atilde;o    do VNO na regi&atilde;o de Nova Iorque, o v&iacute;rus foi detectado, ao norte,    no Canad&aacute;, e ao sul, nas Ilhas Cayman, regi&atilde;o do Caribe, provavelmente    levado por aves migrat&oacute;rias nas rotas que passam por essas ilhas, sendo    possivel que se distribua rapidamente por todo o continente americano.<sup>6</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O Brasil, por    suas condi&ccedil;&otilde;es ecol&oacute;gicas, apresenta a segunda maior avifauna    do globo terrestre, al&eacute;m de receber centenas de esp&eacute;cies de aves    migratorias<sup>7-9</sup> do hemisf&eacute;rio norte e de possuir uma grande    diversidade de esp&eacute;cies de vetores que favorecem a manuten&ccedil;&atilde;o    do v&iacute;rus, se este for introduzido.<sup>10,11</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Por essas raz&otilde;es,    diante do atual cen&aacute;rio de expans&atilde;o   geogr&aacute;fica da &aacute;rea de transmiss&atilde;o do VNO, o   presente artigo tem como prop&oacute;sito apresentar aos   profissionais de sa&uacute;de do pa&iacute;s as principais caracter&iacute;sticas   dessa zoonose emergente nas Am&eacute;ricas, bem   como, &agrave; luz dos conhecimentos acumulados sobre a   sua epidemiologia, modo de transmiss&atilde;o, reservat&oacute;rios   e vetores, discutir alguns aspectos relacionados &agrave;s   possibilidades de sua introdu&ccedil;&atilde;o no Brasil, al&eacute;m de   apontar alternativas para a monitoriza&ccedil;&atilde;o e vigil&acirc;ncia   epidemiol&oacute;gica da emerg&ecirc;ncia das infec&ccedil;&otilde;es VNO.   </font></p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> </font></p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> <b>Metodologia</b>    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A revis&atilde;o    bibliogr&aacute;fica foi realizada pela consulta   &agrave; base de dados MEDLINE, no per&iacute;odo 1991-2002.   Como fonte subsidi&aacute;ria, utilizou-se a pesquisa pelo mecanismo   de busca da p&aacute;gina dos Centros de Controle e   Preven&ccedil;&atilde;o de Doen&ccedil;as dos EUA (CDC) (cdc. gov).   Al&eacute;m dessas fontes, tamb&eacute;m foram consultados alguns   livros-texto, internacionalmente reconhecidos, das disciplinas   pertinentes ao escopo deste estudo.   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Trata-se de um    estudo de revis&atilde;o bibliogr&aacute;fica, cujo foco dirigiu-se &agrave;    epidemiologia, modo de transmiss&atilde;o, reservat&oacute;rios e vetores, do    VNO. Al&eacute;m de procurar descrever as principais caracter&iacute;sticas    das infec&ccedil;&otilde;es pelo VNO, buscou-se tamb&eacute;m identificar as    esp&eacute;cies de aves nas quais o v&iacute;rus foi detectado e os principais    vetores, e confrontar essas informa&ccedil;&otilde;es com a ocorr&ecirc;ncia    desses vetores no Brasil, com as esp&eacute;cies de aves migrat&oacute;rias    que fazem a rota Am&eacute;rica do Norte-Am&eacute;rica do Sul e seus principais    destinos no nosso pa&iacute;s.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Com esse procedimento,    buscou-se responder &agrave;s quest&otilde;es de qual &eacute; a real possibilidade    de emerg&ecirc;ncia do Nilo Ocidental no Brasil e quais as alternativas poss&iacute;veis    para a monitoriza&ccedil;&atilde;o e vigil&acirc;ncia dessa zoonose, incluindo-se    as poss&iacute;veis metodologias de diagn&oacute;stico para a detec&ccedil;&atilde;o    desse agente nas popula&ccedil;&otilde;es humanas, mosquitos e aves.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Resultados    </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> <b>A doen&ccedil;a    pelo V&iacute;rus do Nilo Ocidental </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A infec&ccedil;&atilde;o    pelo VNO pode produzir desde quadros oligossintom&aacute;ticos at&eacute; casos    graves e fatais de encefalite. A maioria das infec&ccedil;&otilde;es cursa com    sintomatologia semelhante &agrave; gripe, incluindo febre, cefal&eacute;ia e    dores no corpo, ocasionalmente com <i>rash</i> cut&acirc;neo e linfadenopatia. O seu    per&iacute;odo de incuba&ccedil;&atilde;o dura de tr&ecirc;s a seis dias. Os    casos mais severos podem apresentar febre alta, cefal&eacute;ia, astenia intensa,    rigidez de nuca, torpor, desorienta&ccedil;&atilde;o, tremores, convuls&otilde;es,    paralisia, coma e, mais raramente, o &oacute;bito. Os idosos apresentam maior    risco de desenvolvimento de quadros mais graves. <sup>12-14</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Uma das caracter&iacute;sticas    da doen&ccedil;a pelo VNO que emergiu na Am&eacute;rica do Norte, bem como dos    surtos recentes na Rom&ecirc;nia, R&uacute;ssia e Israel, &eacute; uma maior    gravidade dos quadros cl&iacute;nicos, com letalidade elevada (entre 5 e 14%),    maior frequ&ecirc;ncia de quadros neurol&oacute;gicos, fraqueza muscular intensa    e menor freq&uuml;&ecirc;ncia de <i>rash</i> cut&acirc;neo e de linfadenopatia. Informa&ccedil;&otilde;es    obtidas por inqu&eacute;ritos soroepidemiol&oacute;gicos realizados na Rom&ecirc;nia    e nos EUA indicam que cerca de 20% dos infectados desenvolveram quadro febril,    e uma propor&ccedil;&atilde;o menor que 1% desenvolveu doen&ccedil;a neurol&oacute;gica.<sup>5</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Inqu&eacute;rito    realizado no distrito de Queens, Nova <span style="font-size:10.0pt;font-family:Verdana">Iorque</span>, ap&oacute;s o surto de 2000, estimou    uma soropreval&ecirc;ncia de 2,6%. Dos indiv&iacute;duos soropositivos, 32%    referiram um quadro febril recente (comparado a 11% dos soronegativos). Esses    dados permitiram estimar o n&uacute;mero de infectados em Nova lorque, naquele    ano, em 8.200 pessoas, incluindo 1.700 infec&ccedil;&otilde;es acompanhadas    de s&iacute;ndrome febril.<sup>15</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Durante o surto    de 2000, em Israel, 417 casos foram confirmados e 78% deles demandaram interna&ccedil;&atilde;o    hospitalar. Dos casos confirmados, 57,9% apresentaram sinais de encefalite    e 15,9% de meningite. Entre os pacientes internados, a letalidade foi de 14,1%.    Os fatores preditivos associados de forma independente ao &oacute;bito foram    a idade (maior de 70 anos), altera&ccedil;&otilde;es no n&iacute;vel de consci&ecirc;ncia    e anemia.<sup>16</sup> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Dos 19 casos hospitalizados    em Nova Iorque, em 2000, todos apresentaram sinais de meningoence-falite ou    meningite. Os sintomas e sinais cl&iacute;nicos mais frequentes foram febre    (90% ) , fadiga (63 % ) , cefal&eacute;ia (58%), altera&ccedil;&otilde;es da    consci&ecirc;ncia (58%), fraqueza (42%), n&aacute;useas (42%) e v&ocirc;mitos    (42%). Os pacientes idosos apresentaram quadros cl&iacute;nicos mais graves.    A letalidade foi de 11% . Os dois &oacute;bitos ocorreram em pacientes com mais    de 80 anos de idade.<sup>17</sup> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O diagn&oacute;stico    &eacute; feito pelo isolamento do v&iacute;rus em   culturas de c&eacute;lulas provenientes de mosquitos ou mam&iacute;feros   ou em camundongos rec&eacute;m-nascidos, a partir   do sangue ou amostra do sistema nervoso central   de humanos e cavalos; e de sangue e amostras de rim,   c&eacute;rebro e cora&ccedil;&atilde;o de aves. O v&iacute;rus tamb&eacute;m    pode ser   isolado a partir de macerado de <i>pool</i> de mosquitos   evidenciado pela t&eacute;cnica de imunofluoresc&ecirc;ncia, haja   vista a aus&ecirc;ncia de efeito citop&aacute;tico quando inoculados   em cultura de c&eacute;lulas de mosquitos.<sup>18</sup>   </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; poss&iacute;vel    a detec&ccedil;&atilde;o dos ant&iacute;genos virais em tecido   cerebral pela t&eacute;cnica de imunoistoqu&iacute;mica, tanto   em aves como em humanos. O material gen&eacute;tico do   v&iacute;rus pode ser detectado em tecido cerebral de aves,   humanos e cavalos e em <i>pools</i> de mosquitos por t&eacute;cnicas   de significado da sigla RT-nested-PCR (<i>Reverse   Transcriptase nested Polymerase Chain Reacti&ocirc;n</i>).<sup>18</sup>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A sorologia pode    ser realizada com a detec&ccedil;&atilde;o de anticorpos neutralizantes contra    o VNO em testes de neutraliza&ccedil;&atilde;o em camundongos ou em c&eacute;lulas    a partir de soro de humanos, aves e cavalos. Pode-se ainda utilizar teste de    inibi&ccedil;&atilde;o de hemaglutina&ccedil;&atilde;o ou teste imunoenzim&aacute;tico    (ELISA) para detec&ccedil;&atilde;o de imunoglobulinas M ou G (IgM ou    IgG).<sup>18</sup> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Recentemente,    Komar e colaboradores<sup>19</sup> realizaram estudos demonstrando que, <i>swabs</i>    orais e da cloaca das aves podem ser utilizado alternativamente ao tecido nervoso    central, para obter isolamento do v&iacute;rus, tamb&eacute;m com a utiliza&ccedil;&atilde;o    do RT-<i>nested</i>-PCR.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> <b>Agente    etiol&oacute;gico </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O agente etiol&oacute;gico,    o VNO &eacute; um arbov&iacute;rus do g&ecirc;nero flaviv&iacute;rus, pertencente    ao complexo antig&ecirc;nico da encefalite japonesa (<a href="#t1">Tabela 1</a>).    O primeiro isolamento deste v&iacute;rus foi feito em 1937, a partir de material    de uma paciente febril do distrito do Nilo Ocidental, em Uganda. A caracteriza&ccedil;&atilde;o    de sua ecoepidemiologia foi feita no Egito, na d&eacute;cada de 50.A identifica&ccedil;&atilde;o    do v&iacute;rus enquanto agente etiol&oacute;gico de meningoencefalites graves    em pacientes idosos ocorreu em 1957, durante uma epidemia em Israel. A doen&ccedil;a    eq&uuml;ina foi detectada no Egito na d&eacute;cada de 60. Geneticamente, o    VNO pode ser classificado em duas variantes: o VNO 1, associado &agrave; encefalite    humana, isolado na &Aacute;frica, &Iacute;ndia, Europa, &Aacute;sia e Am&eacute;rica    do Norte; e o VNO 2, isolado de focos enzo&oacute;ticos na &Aacute;frica, que    nunca foi isolado de casos humanos.<sup>5,13</sup></font></p>     <p><a name="t1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/ess/v12n1/1a02t1.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Os surtos humanos    recentes, principalmente os de Israel e EUA, v&ecirc;m acompanhados de uma aparente    evolu&ccedil;&atilde;o de uma nova variante do v&iacute;rus, que apresenta maior    virul&ecirc;ncia, levando a quadros cl&iacute;nicos humanos de maior gravidade    e a uma mortalidade maior de aves, notadamente corvos.<sup>17,21</sup> A proximidade gen&eacute;tica    entre as variantes israelense (IRS 98) e americana (NY 99) sugere que o v&iacute;rus    americano foi importado do Oriente M&eacute;dio.<sup>5,22</sup></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Distribui&ccedil;&atilde;o    </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De in&iacute;cio,    a distribui&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica do VNO parecia   restrita ao vale do Nilo, na &Aacute;frica, e ao Oriente M&eacute;dio.   Posteriormente, observou-se a ocorr&ecirc;ncia da infec&ccedil;&atilde;o   no oeste da R&uacute;ssia, &Aacute;sia Central, Europa e &Aacute;frica   do Sul.<sup>5,23</sup>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A infec&ccedil;&atilde;o    &eacute; end&ecirc;mica no delta do Nilo, Egito, e ocorre de forma epid&ecirc;mica    entre popula&ccedil;&otilde;es onde a preval&ecirc;ncia &eacute; menor. At&eacute;    a d&eacute;cada de 80, os surtos humanos e eq&uuml;inos eram raros. Os maiores    haviam sido observados em Israel (1951-1954 e 1957) e na Prov&iacute;ncia do    Cabo, &Aacute;frica do Sul (1974), este com mais de 3 mil casos humanos confirmados.    Inqu&eacute;rito sorol&oacute;gico realizado na regi&atilde;o afetada indicou    que 55% da popula&ccedil;&atilde;o havia se infectado pelo VNO. O VNO foi isolado    do homem, de outros mam&iacute;feros e de artr&oacute;podes na &Aacute;frica    (Egito, Uganda, Congo, Mo&ccedil;ambique, Rep&uacute;blica Centro-Africana,    Nig&eacute;ria e &Aacute;frica do Sul) , &Aacute;sia (Israel, &Iacute;ndia,    Paquist&atilde;o, ilha de Born&eacute;u e nos pa&iacute;ses da antiga Uni&atilde;o    Sovi&eacute;tica). Al&eacute;m disso, evid&ecirc;ncias soro epidemiol&oacute;gicas    demonstram sua ocorr&ecirc;ncia em outros pa&iacute;ses da &Aacute;sia (Tail&acirc;ndia,    Filipinas, Mal&aacute;sia e Turquia).<sup>24</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Na Europa, a primeira    evid&ecirc;ncia da circula&ccedil;&atilde;o do   VNO foi obtida ainda na d&eacute;cada de 50, quando dois   pacientes albaneses apresentaram sorologia reagente   para o VNO em 1958. Os primeiros isolamentos do   v&iacute;rus ocorreram em 1963, de pacientes e mosquitos   do delta do Reno, no sul da Fran&ccedil;a; e de pacientes e   carrapatos do delta do Volga, na R&uacute;ssia. Posteriormente,   o VNO foi isolado no sul de Portugal (1967-1970),   Eslov&aacute;quia (1970-1973), Mold&aacute;via (1970); Ucr&acirc;nia   (d&eacute;cada de 70), Hungria (d&eacute;cada de 70), Rom&ecirc;nia   (1966-1970), Espanha (d&eacute;cada de 70), It&aacute;lia (1965-   1969), Gr&eacute;cia (d&eacute;cada de 70), Bulg&aacute;ria (d&eacute;cadas    de   60 e 70), &Aacute;ustria (d&eacute;cadas de 60 e 70), Iugosl&aacute;via   (d&eacute;cadas de 60 e 70) e na Rep&uacute;blica Tcheca (d&eacute;cada   de 70).<sup>23</sup>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Na d&eacute;cada    de 90, observou-se a expans&atilde;o geogr&aacute;fica da ocorr&ecirc;ncia de    casos humanos e entre cavalos, com a detec&ccedil;&atilde;o de uma maior freq&uuml;&ecirc;ncia    de epidemias na Europa (Rom&ecirc;nia, Rep&uacute;blica Tcheca e R&uacute;ssia),    &Aacute;frica central (Congo); e norte da &Aacute;frica (Arg&eacute;lia).<sup>23</sup>    Epizootias em eq&uuml;inos foram observadas no Marrocos, em 1996, na It&aacute;lia,    em 1998, e na Fran&ccedil;a, em 2000. Neste &uacute;ltimo pa&iacute;s, a epizootia    ocorreu no sul, pr&oacute;ximo ao local onde havia ocorrido a epizootia e os    casos humanos na d&eacute;cada de 60, uma regi&atilde;o denominada de &quot;la    petite Camargue&quot;, caracterizada pela exist&ecirc;ncia de &aacute;reas alagadas,    grandes col&ocirc;nias de aves migrat&oacute;rias e alta concentra&ccedil;&atilde;o    de mosquitos.<sup>25</sup> O VNO foi ainda isolado de pardais, pr&oacute;ximo    a Vars&oacute;via, Pol&ocirc;nia, em 1996.<sup>23</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> At&eacute; 1999,    a circula&ccedil;&atilde;o do VNO nunca havia sido detectada no hemisf&eacute;rio    ocidental. No ver&atilde;o de 1999, foi detectado o primeiro surto da infec&ccedil;&atilde;o    pelo VNO no continente americano, especificamente na cidade de Nova Iorque.<sup>1</sup>    Desde ent&atilde;o, apesar da intensifica&ccedil;&atilde;o das medidas de controle    vetorial e vigil&acirc;ncia, a &aacute;rea de transmiss&atilde;o vem se expandindo    no continente, tendo sido detectada a circula&ccedil;&atilde;o do VNO em mais    da metade dos estados norte-americanos (<a href="#t2">Tabela 2</a>).<sup>13,26-31    </sup>O v&iacute;rus disseminou-se no sentido norte, at&eacute; o Canad&aacute;;    e tamb&eacute;m ao sul, na Fl&oacute;rida e Caribe (um caso humano aut&oacute;ctone    confirmado nas Ilhas Cayman, em agosto de 2001).<sup>6</sup></font></p>     <p><a name="t2"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/ess/v12n1/1a02t2.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Em 2002, verificou-se    grande expans&atilde;o da &aacute;rea de transmiss&atilde;o na Am&eacute;rica    do Norte e importante aumento no n&uacute;mero de casos humanos, especialmente    nos estados do sul dos Estados Unidos.<sup>26</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Reservat&oacute;rios    e modo de transmiss&atilde;o</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O VNO infecta    predominantemente as aves, tendo sido isolado de mais de 70 esp&eacute;cies    <sup>4 </sup>Homens e eq&uuml;inos tamb&eacute;m podem infectar-se. H&aacute;    relatos do isolamento do v&iacute;rus em outras esp&eacute;cies, como bovinos,    c&atilde;es, gatos, camelos e morcegos.<sup>24</sup> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A transmiss&atilde;o    do v&iacute;rus se d&aacute; pela picada de mosquitos do g&ecirc;nero <i>Culex</i>    infectados. Esse g&ecirc;nero, em particular, apresenta uma distribui&ccedil;&atilde;o    cosmopolita e de diversas esp&eacute;cies, muitas das quais s&atilde;o antropof&iacute;licas    e adaptadas ao conv&iacute;vio humano.<sup>32-34</sup> Al&eacute;m disso, algumas    esp&eacute;cies s&atilde;o conhecidas por apresentarem uma intensa ornitofilia,    procurando preferencialmente aves para se alimentarem.<sup>32-34</sup> Essas    caracter&iacute;sticas permitiriam a manuten&ccedil;&atilde;o do VNO em praticamente    todo o mundo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O primeiro isolamento    do VNO de aves no continente americano deu-se em setembro de 1999, em Nova Iorque,    Estados Unidos. Chamou a aten&ccedil;&atilde;o a importante mortandade do corvo    americano (<i>Corvus brachyrhynchus</i>) pela infec&ccedil;&atilde;o provocada    por VNO, diferente do comportamento da infec&ccedil;&atilde;o em aves do Velho    Mundo. Isso pode indicar uma n&atilde;o-adapta&ccedil;&atilde;o do v&iacute;rus,    favorecendo a hip&oacute;tese da introdu&ccedil;&atilde;o recente do VNO entre    as popula&ccedil;&otilde;es de aves da Am&eacute;rica do Norte. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Rappole e colaboradores<sup>4</sup>    discutiram as diferentes   hip&oacute;teses explicativas para a introdu&ccedil;&atilde;o do VNO   no continente americano. Para esses autores, a hip&oacute;tese   da introdu&ccedil;&atilde;o do VNO no continente pela   migra&ccedil;&atilde;o natural de aves do &Aacute;rtico seria improv&aacute;vel,   pois, se essa rota fosse a respons&aacute;vel, a introdu&ccedil;&atilde;o   do v&iacute;rus teria, provavelmente, ocorrido h&aacute; mais tempo.   Pela mesma raz&atilde;o, uma outra hip&oacute;tese, de aves   africanas trazidas &agrave;s Am&eacute;ricas pelas tempestades,   igualmente seria improv&aacute;vel. Assim, considerando   tamb&eacute;m a semelhan&ccedil;a gen&eacute;tica entre os isolados   americanos e israelenses e a emerg&ecirc;ncia do v&iacute;rus   em Nova Iorque, nas proximidades do aeroporto, os   autores indicam como hip&oacute;tese mais prov&aacute;vel para   a introdu&ccedil;&atilde;o do VNO a via da importa&ccedil;&atilde;o legal e    ilegal   de aves ex&oacute;ticas.<sup>4</sup>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Nos EUA, os mosquitos    do g&ecirc;nero <i>Culex</i> t&ecirc;m sido os principais implicados na transmiss&atilde;o    do VNO. As esp&eacute;cies <i>Culex pipens e Culex restuans</i>, ornit&oacute;filas    e bastante disseminadas, t&ecirc;m sido as mais identificadas enquanto vetores.    Em Staten Island, um dos distritos da cidade de Nova Iorque, isolou-se o VNO    da esp&eacute;cie <i>Culex salinaris</i>, que se alimenta indiscriminadamente    de aves, mam&iacute;feros e humanos.<sup>5</sup> Na Europa, Oriente M&eacute;dio    &eacute; &Aacute;sia, o VNO foi isolado de 43 esp&eacute;cies de mosquitos,    predominantemente do g&ecirc;nero <i>Culex</i>, mas tamb&eacute;m do g&ecirc;nero    <i>Aedes</i> e outros.<sup>23</sup> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Em 2000, foram    confirmados 60 casos de doen&ccedil;a cl&iacute;nica pelo VNO em eq&uuml;inos    nos estados do nordeste dos EUA. A letalidade foi de 38%. O pico de ocorr&ecirc;ncia    dos casos foi no m&ecirc;s de setembro. Estudo de caso-controle demonstrou que    a ocorr&ecirc;ncia de casos cl&iacute;nicos demonstra aglomera&ccedil;&atilde;o    geogr&aacute;fica (<i>cluster</i>); e que, nesses locais onde ocorre a atividade    viral, a exposi&ccedil;&atilde;o de animais individuais acontece ao acaso.<sup>35</sup>    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Nos EUA, em 2002,    foi confirmada a transmiss&atilde;o do VNO de um doador de &oacute;rg&atilde;os,    em per&iacute;odo vir&ecirc;mico, para quatro receptores de transplantes. Al&eacute;m    disso, o VNO foi isolado de uma unidade de produto hemoderivado, colocando-se    a possibilidade de transmiss&atilde;o atrav&eacute;s de transfus&atilde;o sangu&iacute;nea.<sup>36</sup>    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> <b>Discuss&atilde;o</b>    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Aves migrat&oacute;rias    e a dissemina&ccedil;&atilde;o do V&iacute;rus do Nilo Ocidental-potencial de    introdu&ccedil;&atilde;o do v&iacute;rus na Am&eacute;rica do Sul </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Ao analisar a    emerg&ecirc;ncia do VNO nos EUA, Rappole e colaboradores<sup>4</sup> demonstraram    que, em um intervalo de tr&ecirc;s meses, no ver&atilde;o de 1999, houve um    aumento da mortandade de aves no zool&oacute;gico do Queens e um aumento da    mortandade de corvos imediatamente ap&oacute;s a ocorr&ecirc;ncia de casos humanos.    Para os autores, a &quot;justaposi&ccedil;&atilde;o da <span style="font-size:10.0pt;font-family:Verdana">infec&ccedil;&atilde;o</span>  de aves e humanos sugere que as aves s&atilde;o hospedeiros introdut&oacute;rios,    que infectam mosquitos ornit&oacute;filos, estes; hospedeiros amplificadores,    e finalmente os humanos&quot;<sup>4</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> As aves migrat&oacute;rias    teriam tido um papel importante na dissemina&ccedil;&atilde;o do VNO no Velho    Mundo, tanto no eixo norte-sul (VNO identificado da &Aacute;frica do Sul &agrave;    R&uacute;ssia), quanto no leste-oeste (VNO identificado do Marrocos e Portugal,    a oeste, at&eacute; a Indon&eacute;sia e Filipinas, ao leste).<sup>4</sup> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A Am&eacute;rica    do Sul recebe durante o inverno boreal, que vai de outubro a mar&ccedil;o, centenas    de esp&eacute;cies de aves migrat&oacute;rias provenientes do hemisf&eacute;rio    norte, principalmente da regi&atilde;o Ne&aacute;rtica, &aacute;rea onde o v&iacute;rus    tem sido detectado recentemente.<sup>8,9</sup> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Uma das mais prov&aacute;veis    rotas migrat&oacute;rias das aves   provenientes do hemisf&eacute;rio norte em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; Am&eacute;rica   do Sul seria por meio das &aacute;reas de baixa eleva&ccedil;&atilde;o   do leste americano, at&eacute; atingirem e atravessarem   o Golfo do M&eacute;xico, cruzando as ilhas do Mar das   Antilhas e chegando &agrave; Am&eacute;rica do Sul pela costa   da Venezuela e Col&ocirc;mbia. Ao atingir a Venezuela e   Col&ocirc;mbia, as aves utilizam-se de quatro rotas   distintas.<sup>37-39</sup>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A primeira rota    percorrida pelas aves, chamada Cisandina, aproxima-se da regi&atilde;o do Acre    e subdivide-se em uma rota que atinge a regi&atilde;o patag&ocirc;nica e outra    que adentra a regi&atilde;o oeste do Brasil, onde se encontra com as rotas migrat&oacute;rias    que se aproveitam dos vales dos rios da bacia amaz&ocirc;nica e Pantanal (Rota    do Rio Negro Pantanal e Rota dos Rios Xingu e Tapaj&oacute;s, esta &uacute;ltima    conhecida tamb&eacute;m como Rota do Brasil Central) .Essas rotas representam    um caminho para as aves, desviando da Cordilheira dos Andes e da Serra do Pacaraima,    na Venezuela. Por fim, parte das aves contorna a Serra do Pacaraima e segue    a chamada Rota Atl&acirc;ntica, pelas &aacute;reas baixas do leste da Am&eacute;rica    do Sul, acompanhando a faixa litor&acirc;nea atl&acirc;ntica e seguindo ao longo    da Serra do Mar, at&eacute; atingir a Patag&ocirc;nia (<a href="#f1">Figura    1</a>) .<sup>38,39</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="f1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/ess/v12n1/1a02f1.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Al&eacute;m disso,    motivada pelo inverno austral dos meses de maio a setembro, dentro do continente,    ocorrem diversas migra&ccedil;&otilde;es, desde o extremo sul da Am&eacute;rica    do Sul em dire&ccedil;&atilde;o ao norte, podendo alcan&ccedil;ar regi&otilde;es    das Antilhas e da Am&eacute;rica do Norte,<sup>37.38,40</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A    extens&atilde;o das migra&ccedil;&otilde;es, ou deslocamentos, &eacute; muito    vari&aacute;vel e caracter&iacute;stica para as diversas esp&eacute;cies. Enquanto    muitas aves desviam um pouco para o norte, outras atravessam todo o continente,    indo al&eacute;m da linha do equador. Essas migra&ccedil;&otilde;es em dire&ccedil;&atilde;o    norte, vindas desde o sul, extinguem-se no M&eacute;xico,<sup>38</sup> no &acirc;mbito    da isoterma de 25<sup>o</sup>C, a qual tamb&eacute;m abrange o norte da Am&eacute;rica    do Sul e as Antilhas, onde foi detectado o VNO.<sup>6</sup> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma outra importante    forma de comportamento   migrat&oacute;rio de aves silvestres na Am&eacute;rica do Sul s&atilde;o os   deslocamentos altitudinais ou verticais, que ocorrem   no sentido leste-oeste na Cordilheira dos Andes, mas   que, tamb&eacute;m, podem ser observados nas montanhas   relativamente baixas do sudeste brasileiro. Esses movimentos   acontecem quando as aves, buscando calor   e alimento, descem &agrave;s baixadas na &eacute;poca do inverno,   levando certas esp&eacute;cies andinas a atingir o interior, ou   at&eacute; mesmo o litoral brasileiro. Outro exemplo a ser   citado &eacute; o deslocamento de aves da Serra do Mar, tanto   no sentido do litoral como para o interior de v&aacute;rios   Estados brasileiros.<sup>8,38,41</sup>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A flora&ccedil;&atilde;o    e a frutifica&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m s&atilde;o fatores que promovem    deslocamento de diversas esp&eacute;cies de aves. Assim, essas esp&eacute;cies,    seguindo a flora&ccedil;&atilde;o e frutifica&ccedil;&atilde;o de plantas, acabam    promovendo grandes deslocamentos em dire&ccedil;&atilde;o e extens&atilde;o    vari&aacute;veis.<sup>8.38,41</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Alguns fatores    clim&aacute;ticos, como enchentes e secas, podem provocar movimentos de sa&iacute;da    de certas esp&eacute;cies de aves e de entrada de outras, com dire&ccedil;&atilde;o    e extens&atilde;o vari&aacute;veis.<sup>8.38</sup> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Fatores absolutamente    imprevis&iacute;veis, como   terremotos e queimadas, podem promover deslocamento   de certas esp&eacute;cies de aves em dire&ccedil;&atilde;o e extens&atilde;o   vari&aacute;vel, como foi o exemplo do grande terremoto   do Chile, em 1960, onde a periferia da regi&atilde;o de   Vald&iacute;via abaixou dois metros e encheu de &aacute;gua, uma   grande vantagem para as aves locais como para as aves   passantes.<sup>38</sup>   </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> No Brasil, s&atilde;o    conhecidas 97 esp&eacute;cies de aves provenientes do hemisf&eacute;rio norte    e 73 esp&eacute;cies que realizam deslocamentos em dire&ccedil;&atilde;o ao    norte da Am&eacute;rica do Sul. Sabe-se, tamb&eacute;m, de 18 esp&eacute;cies    de aves associadas aos deslocamentos verticais nos Andes e nas montanhas do    sudeste brasileiro bem como aos movimentos motivados por flora&ccedil;&otilde;es,    frutifica&ccedil;&otilde;es e fatores clim&aacute;ticos.<sup>7-9,38,41,42</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Entre as diversas    ordens de aves, seu comportamento migrat&oacute;rio varia a ponto de influenciar    a escolha das rotas. Aves da ordem passeriforme preferem-se deslocar por ambientes    terrestres como matas, campos e o cerrado. Outras aves, englobadas pelo grupo    dos n&atilde;o passeriformes, apresentam h&aacute;bitos aqu&aacute;ticos, da&iacute;    seguirem rotas que sigam o mar ou grandes cole&ccedil;&otilde;es de &aacute;gua.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Destaca-se que    os passeriformes, justamente por estar associados a ambientes terrestres, aproximam-se    mais das &aacute;reas urbanizadas, podendo ser respons&aacute;veis pela introdu&ccedil;&atilde;o    do VNO em cidades que percorram durante sua migra&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Nas <a href="#t3">Tabelas    3</a> e <a href="#t4">4</a>, nas p&aacute;ginas seguintes, encontram- se listadas    as principais esp&eacute;cies de aves migrat&oacute;rias, relacionadas a seus    locais de origem, chegada e respectivas rotas utilizadas na Am&eacute;rica do    Sul. O conjunto desses deslocamentos migrat&oacute;rios realizados pelas aves    permitiria a dissemina&ccedil;&atilde;o do VNO em todo o continente americano.    </font></p>     <p><a name="t3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/ess/v12n1/1a02t3.gif"></p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p align="left"><a name="t4"></a></p>     <p align="left">&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="../img/revistas/ess/v12n1/1a02t4.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Propostas    para a monitoriza&ccedil;&atilde;o da emerg&ecirc;ncia do Nilo Ocidental no    Brasil </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Considerando que    ainda n&atilde;o existem evid&ecirc;ncias da circula&ccedil;&atilde;o do VNO    no Brasil, o prop&oacute;sito do sistema de vigil&acirc;ncia seria o de detectar    a introdu&ccedil;&atilde;o do v&iacute;rus no pa&iacute;s. Assim, considerando    a hip&oacute;tese da sua introdu&ccedil;&atilde;o dar-se pela migra&ccedil;&atilde;o    de aves, a principal &aacute;rea de atua&ccedil;&atilde;o do sistema, consistiria,    neste primeiro momento, na vigil&acirc;ncia ambiental de reservat&oacute;rios    e vetores. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Um primeiro passo    seria a identifica&ccedil;&atilde;o das esp&eacute;cies de aves que realizam    movimentos migrat&oacute;rios no continente americano. O segundo passo, em fun&ccedil;&atilde;o    das rotas migrat&oacute;rias conhecidas no Brasil, seria a identifica&ccedil;&atilde;o    dos ambientes prop&iacute;cios da passagem e perman&ecirc;ncia dessas aves durante    o per&iacute;odo de migra&ccedil;&atilde;o, conhecidos como locais de invernadas.    A parada dessas aves nesses locais, que podem apresentar altas densidades de    mosquitos, favoreceria o estabelecimento de um ciclo enzo&oacute;tico do VNO    nessas &aacute;reas, podendo infectar aves residentes. Em paralelo ao estudo    das aves, deve-se realizar, tamb&eacute;m, a pesquisa entomol&oacute;gica desses    locais, identificando as poss&iacute;veis esp&eacute;cies vetoras do VNO.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Uma vez identificados    os locais e grupos de aves,   devem ser definidas as estrat&eacute;gias de vigil&acirc;ncia adequadas   a cada situa&ccedil;&atilde;o. Aparentemente, uma das estrat&eacute;gias   mais sens&iacute;veis para a detec&ccedil;&atilde;o precoce da   circula&ccedil;&atilde;o do VNO &eacute; a vigil&acirc;ncia da mortandade das   aves em centros de recep&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o de aves   silvestres, como zool&oacute;gicos e parques. Essa vigil&acirc;ncia   deve incluir dois componentes: a notifica&ccedil;&atilde;o da morte   de aves e a coleta de material de amostras do sistema   nervoso central, cora&ccedil;&atilde;o e rins das aves mortas   para diagn&oacute;stico do VNO. Para os Centros de Preven&ccedil;&atilde;o   e Controle de Doen&ccedil;as dos EUA ( CDC) , a detec&ccedil;&atilde;o   do VNO em aves mortas &eacute; a indica&ccedil;&atilde;o mais precoce   da atividade viral em uma determinada &aacute;rea.   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Outra alternativa    poss&iacute;vel &eacute; a vigil&acirc;ncia das aves vivas, que pode ser feita    por aves sentinela em cativeiro no ambiente silvestre, ou pela captura de animais    livres, incluindo-se no estudo tanto aves migrat&oacute;rias como residentes.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> As aves dever&atilde;o    ser capturadas nos locais definidos ao longo das rotas migrat&oacute;rias no    Brasil. As capturas devem ser realizadas mensalmente, empregando redes de espera    tipo <i>mist-nets</i> ou redes tipo canh&atilde;o, preferencialmente armadas    em pontos lim&iacute;trofes entre campos de cultura e matas prim&aacute;rias    ou secund&aacute;rias, capoeiras, banhados, praias e peridomic&iacute;lios.    As aves capturadas devem ser anilhadas e identificadas para estudos da din&acirc;mica    populacional. Amostras de sangue devem ser coletadas por via jugular dessas    aves, para diagn&oacute;stico sorol&oacute;gico e tentativa de isolamento do    VNO. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A vigil&acirc;ncia    de eq&uuml;inos tamb&eacute;m ser&aacute; uma estrat&eacute;gia para detec&ccedil;&atilde;o    do VNO no Brasil. Nesse caso, recomendar-se-ia a coleta de amostras de sangue    de cavalos mantidos em haras, s&iacute;tios, fazendas e j&oacute;quei-clubes.    Em situa&ccedil;&otilde;es de cavalos mortos com suspeita de encefalite, tamb&eacute;m    dever&atilde;o ser colhidos fragmentos do sistema nervoso central para isolamento    do v&iacute;rus.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Com rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; vigil&acirc;ncia entomol&oacute;gica, devem-se considerar dois fatores:    o primeiro, uma alta densidade e diversidade de mosquitos; o segundo, a exist&ecirc;ncia    de esp&eacute;cies de mosquitos altamente ornitof&iacute;licos e com grande    capacidade de domicilia&ccedil;&atilde;o em todo o territ&oacute;rio brasileiro,    como os mosquitos do g&ecirc;nero <i>Culex</i>, considerados vetores potenciais    do VNO. Dessa forma, a captura de mosquitos dever&aacute; ser estendida tanto    para &aacute;reas urbanas como para as silvestres. Al&eacute;m disso, para se    obter uma amostragem adequada da diversidade de esp&eacute;cies existentes,    devem ser utilizadas diversas metodologias de captura, tais como: armadilhas    Shannon; armadilhas luminosas tipo CDC, armadas nos v&aacute;rios estratos da    mata; e captura fixa ou m&oacute;vel por meio de pu&ccedil;&aacute;s, no solo    ou na copa das &aacute;rvores. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Por fim, em caso    suspeito de encefalite humana   viral, devem ser colhidas amostras de sangue para diagn&oacute;stico   sorol&oacute;gico. e tentativa de isolamento do VNO .   No caso de &oacute;bitos humanos com suspeita de encefalite   viral, tamb&eacute;m devem ser colhidos fragmentos do sistema   nervoso central para serem utilizados em testes   de imunoistoqu&iacute;mica espec&iacute;ficos na tentativa de isolamento   do VNO.   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Diante da atual    situa&ccedil;&atilde;o, postula-se que a vigil&acirc;ncia   do VNO no Brasil se inicie com a primeira estrat&eacute;gia: a   monitoriza&ccedil;&atilde;o de aves e mosquitos para o diagn&oacute;stico   do VNO. Na eventualidade de detec&ccedil;&atilde;o de aves ou mosquitos   positivos, outros componentes devem ser agregados   ao sistema.   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Pelos argumentos    expostos, considera-se grande a probabilidade de emerg&ecirc;ncia do VNO no    Brasil, em futuro pr&oacute;ximo. As sugest&otilde;es ora elencadas podem, se    executadas, possibilitar a detec&ccedil;&atilde;o precoce da introdu&ccedil;&atilde;o    desse agente infecioso no pa&iacute;s; e apoiar o desencadeamento de medidas    para a sua preven&ccedil;&atilde;o e controle de forma mais direcionada e efetiva.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Agradecimentos</b>    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Agradecemos ao    Dr. Cristiano Correa de Azevedo Marques, Diretor Geral do Instituto Adolfo Lutz;    e &agrave; Dra. Luiza Terezinha Madia de Souza, Diretora do Servi&ccedil;o de    Virologia, pelo apoio irrestrito e constante &agrave;s atividades que possibilitaram    esta publica&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m estendemos nossos agradecimentos    a todos os que colaboraram na constitui&ccedil;&atilde;o do Banco de Dados de    Aves Migrat&oacute;rias da Se&ccedil;&atilde;o de V&iacute;rus Transmitidos    por Artr&oacute;podos do Instituto Adolfo Lutz, que serviu como fonte de informa&ccedil;&otilde;es    para o levantamento de aves migrat&oacute;rias, apresentado neste trabalho.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias    bibliogr&aacute;ficas</b></b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 1. Layton M. Epidemic    of West Nile Virus in New York. In: The Intemational Conference on Emerging    Infectious Diseases; 2000 ]uly; Atlanta, USA. Atlanta; 2000.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 2. Jemigan DB,    Strausbaugh LJ, Liedtke LA, Craven RB. Diagnostic testing and detection of arboviral    encephalitis during an outbreak of West Nile Encephalitis in the U.S. Annais    of the International Conference on Emerging Infectious Diseases; 2000 July;    Atlanta, USA. Atlanta; 2000. p. 105. </font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 3. Eidson M, Kramer    L, Stone W, Hagiwara Y, Schmit K. Dead bird surveillance as an early warning    system for West Nile Virus. Emerging Infectious Diseases 2001;7(4):631-635.    </font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 4. Rappole JH,    Derrickson SR, Hubalek Z. Migratory birds and spread of West Nile Virus in the    Western Hemisphere. Ernerging Infectious Diseases 2000 Jul/Aug; 6(4):319-328.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Petersen LR,    Roehrig JT. West Nile Virus: a reemerging global pathogen. Emerging Infectious    Diseases 2001 Jul/Aug; 7(4):611-614.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 6. Caribean Epidemiology    Centre. West Nile Virus in Cayrnan Islands - Fax Alert, October 17, 2001; CEREC.    Disposable <a href="http://www.carec.org/data/alerts%20">http://www.carec.org/data/alerts    </a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 7. Ferreira IB,    Pereira LE, Rocco IM, Marti AT, Souza LTM, Iversson LB. Surveillance of arbovirus    infection in the Adantic Forest region, State of S&atilde;o Paulo, Brazil-I.    Detection of hemagglutination-inhibiting antibodies in wild birds between 1978-1990.    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