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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Mudanças nos padrões de morbimortalidade da população brasileira: os desafios para um novo século]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In this paper, the morbidity and mortality trends of the Brazilian population are analyzed prioritizing the intense transformations that occurred during the 20th century. Data from the national information systems for mortality, hospitalization, notifiable infectious diseases surveillance and, from specific control programs of the Ministry of Health was used. A decrease in the mortality for infectious and parasitic diseases and, an increase of chronic-degenerative diseases, accidents and violence-related health events were among the most important observed trends. Despite these changes infectious disease continue to be a relevant health problem for the Brazilian population. The morbidity trends analysis for this group of diseases depicts three distinct patterns: transmissible diseases with a decreasing trend, represented by those with effective prevention and control tools, such as vaccination; transmissible diseases with a persistent pattern, such as hepatitis B and C, tuberculosis, leishmaniosis, schistosomiasis and malaria, among others; and, emerging and reemerging diseases, such as aids, dengue and hantavirus. These trends are present in the context of extreme complexity and social inequality. Appropriate analytical approaches for a better understaing need to be developed making possible the proposition and adoption of health politicies that aim to maintain the conquests of previous years, to extend the effectiveness of health actions towards promotion, prevention and care. It must include efforts to reduce social and health inequalities responsible for the production pattern of morbidity and mortality. In this way the health system will be prepared to confront the new challenges of the country's public health agenda.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[padrões de morbi-mortalidade]]></kwd>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[tendências históricas]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><a name="topo"></a><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REPUBLICA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Mudan&ccedil;as    nos padr&otilde;es de morbimortalidade da popula&ccedil;&atilde;o brasileira:    os desafios para um novo s&eacute;culo<sup><a href="#endereco">*</a></sup> </font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Changes in the    pattern of morbidity and mortality of the brazilian population: challenges for    a new century</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Eduardo Hage Carmo<sup>I</sup>;    Maur&iacute;cio Lima Barreto<sup>II</sup>; Jarbas Barbosa da Silva Jr.<sup>I</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Secretaria de Vigilância em Saúde/Ministério da Saúde    <br>   <sup>II</sup>IInstituto de Saúde Coletiva/Universidade Federal da Bahia </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1">     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Neste artigo,    s&atilde;o analisadas as tend&ecirc;ncias na morbidade e na mortalidade da popula&ccedil;&atilde;o    brasileira priorizando-se as intensas transforma&ccedil;&otilde;es ocorridas    no s&eacute;culo XX. Foram utilizados dados dos sistemas nacionais de informa&ccedil;&atilde;o    sobre mortalidade e interna&ccedil;&otilde;es hospitalares, de notifica&ccedil;&atilde;o    de doen&ccedil;as transmiss&iacute;veis e de diversos programas de controle    do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Dentre as tend&ecirc;ncias observadas,    destacam-se a redu&ccedil;&atilde;o da mortalidade por doen&ccedil;as infecciosas    e parasit&aacute;rias e o aumento das causas cr&ocirc;nico-degenerativas e agravos    relacionados aos acidentes e viol&ecirc;ncia. Essas modifica&ccedil;&otilde;es    n&atilde;o significaram a supera&ccedil;&atilde;o das doen&ccedil;as transmiss&iacute;veis    enquanto problema relevante na popula&ccedil;&atilde;o brasileira. A an&aacute;lise    das tend&ecirc;ncias na morbidade por esse grupo de doen&ccedil;as, evidencia    tr&ecirc;s padr&otilde;es distintos e que podem ser bem caracterizados: doen&ccedil;as    transmiss&iacute;veis com tend&ecirc;ncia declinante, representadas pelas doen&ccedil;as    para as quais se disp&otilde;e de instrumentos eficazes de preven&ccedil;&atilde;o    e controle, como as imunopreven&iacute;veis; doen&ccedil;as transmiss&iacute;veis    com quadro de persist&ecirc;ncia, destacando-se as hepatites B e C, a tuberculose,    as leishmanioses, a esquistossomose, a mal&aacute;ria, entre outras; e doen&ccedil;as    transmiss&iacute;veis emergentes e reemergentes, com destaque para aids, dengue    e hantavirose. Essas tend&ecirc;ncias apresentam-se em um contexto de extrema    complexidade e desigualdade social, requerendo abordagens anal&iacute;ticas    apropriadas para que possamos melhor entend&ecirc;-lo &#8211; abordagens que    levem &agrave; proposi&ccedil;&atilde;o e ado&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas    de sa&uacute;de que mantenham as conquistas alcan&ccedil;adas nos &uacute;ltimos    anos, &agrave; amplia&ccedil;&atilde;o na efetividade das a&ccedil;&otilde;es    de promo&ccedil;&atilde;o, preven&ccedil;&atilde;o e recupera&ccedil;&atilde;o,    e que ajudem a superar as desigualdades na produ&ccedil;&atilde;o do atual padr&atilde;o    de morbidade e mortalidade. Dessa forma, estaremos prontos para enfrentar os    novos desafios que se colocam na agenda da sa&uacute;de p&uacute;blica do pa&iacute;s.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b>    padr&otilde;es de morbi-mortalidade; transi&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica;    tend&ecirc;ncias hist&oacute;ricas.</font></p> <hr size="1">     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>SUMMARY</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">In this paper,    the morbidity and mortality trends of the Brazilian population are analyzed    prioritizing the intense transformations that occurred during the 20<sup>th</sup>    century. Data from the national information systems for mortality, hospitalization,    notifiable infectious diseases surveillance and, from specific control programs    of the Ministry of Health was used. A decrease in the mortality for infectious    and parasitic diseases and, an increase of chronic-degenerative diseases, accidents    and violence-related health events were among the most important observed trends.    Despite these changes infectious disease continue to be a relevant health problem    for the Brazilian population. The morbidity trends analysis for this group of    diseases depicts three distinct patterns: transmissible diseases with a decreasing    trend, represented by those with effective prevention and control tools, such    as vaccination; transmissible diseases with a persistent pattern, such as hepatitis    B and C, tuberculosis, leishmaniosis, schistosomiasis and malaria, among others;    and, emerging and reemerging diseases, such as aids, dengue and hantavirus.    These trends are present in the context of extreme complexity and social inequality.    Appropriate analytical approaches for a better understaing need to be developed    making possible the proposition and adoption of health politicies that aim to    maintain the conquests of previous years, to extend the effectiveness of health    actions towards promotion, prevention and care. It must include efforts to reduce    social and health inequalities responsible for the production pattern of morbidity    and mortality. In this way the health system will be prepared to confront the    new challenges of the country's public health agenda.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Key Words:</b> morbidity    and mortality patterns; epidemiological transition; historical trends.</font></p> <hr size="1">     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No s&eacute;culo    XX, o Brasil experimentou intensas transforma&ccedil;&otilde;es na sua estrutura    populacional e padr&atilde;o de morbi-mortalidade. A partir da segunda metade    do s&eacute;culo, a constante queda da taxa de natalidade, mais acentuada que    a verificada nas taxas de mortalidade, tem provocado uma diminui&ccedil;&atilde;o    nas taxas de crescimento populacional.<sup>1</sup> Paralelamente, tem-se verificado um    aumento da expectativa de vida ao nascer, que passa de 45,9 anos em 1950 para    68,5 anos em 2000, refletindo o processo de envelhecimento da popula&ccedil;&atilde;o,    com aumentos cont&iacute;nuos e significativos na propor&ccedil;&atilde;o de    indiv&iacute;duos com idade superior a 60 anos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Para entendermos    as modifica&ccedil;&otilde;es na estrutura demogr&aacute;fica, faz-se necess&aacute;ria    uma an&aacute;lise das recentes tend&ecirc;ncias no padr&atilde;o de morbimortalidade.    Uma das mais importantes tend&ecirc;ncias diz respeito &agrave; redu&ccedil;&atilde;o    nas taxas de mortalidade infantil (TMI), intensificada a partir da d&eacute;cada    de 60, quando apresentava uma m&eacute;dia nacional de 117,0/1.000 nascidos    vivos, decrescendo para 50,2/1.000 nascidos vivos na d&eacute;cada de 80 (<a href="#fig1">Figura    1</a>). Na an&aacute;lise das informa&ccedil;&otilde;es para a d&eacute;cada    de 90, verifica-se que houve uma redu&ccedil;&atilde;o nacional m&eacute;dia    de 40,1% (de 49,4/1.000 nascidos vivos em 1990, para 29,6/1.000 nascidos vivos    em 2000), tendo essa redu&ccedil;&atilde;o ocorrido em diferentes intensidades,    nas diversas macrorregi&otilde;es (<a href="#fig2">Figura 2</a>). As tend&ecirc;ncias    para os dois componentes da taxa de mortalidade infantil (neonatal e p&oacute;s-neonatal)    evidenciam que essa redu&ccedil;&atilde;o foi mais acentuada para a mortalidade    infantil p&oacute;s-neonatal. Esse componente associa-se, mais fortemente, com    fatores relacionados ao ambiente, concentrando maior propor&ccedil;&atilde;o    de &oacute;bitos por doen&ccedil;as infecciosas, particularmente as infec&ccedil;&otilde;es    intestinais. Entretanto, a mortalidade neonatal relaciona-se, principalmente,    com fatores ligados &agrave; assist&ecirc;ncia pr&eacute; e p&oacute;s-natal.</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/ess/v12n2/2a02f1.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="../img/revistas/ess/v12n2/2a02f2.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Tend&ecirc;ncias    na mortalidade por grupos de causas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra importante    caracter&iacute;stica nos padr&otilde;es epidemiol&oacute;gicos do pa&iacute;s,    com evidentes reflexos na estrutura demogr&aacute;fica, diz respeito &agrave;s    modifica&ccedil;&otilde;es na composi&ccedil;&atilde;o da mortalidade por grupos    de causas. Assim, as doen&ccedil;as infecciosas e parasit&aacute;rias (DIP),    que representavam 45,7% do total de &oacute;bitos ocorridos no pa&iacute;s em    1930, representaram apenas 5,9% dos &oacute;bitos com causas definidas, no ano    de 1999, compara&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel a partir da an&aacute;lise    dos registros de &oacute;bitos para as capitais do pa&iacute;s. Enquanto isto,    as Doen&ccedil;as Cardiovasculares (DCV), seguindo uma tend&ecirc;ncia inversa,    aumentaram sua participa&ccedil;&atilde;o de 11,8% para 31,3% do total dos &oacute;bitos    ocorridos no mesmo per&iacute;odo (<a href="#fig3">Figura 3</a>). Analisando    a evolu&ccedil;&atilde;o recente das taxas padronizadas de mortalidade (/100.000    habitantes) para os principais grupos de causas definidas (<a href="#fig4">Figura    4</a>), observa-se que as DCV apresentavam uma taxa de 146,4 em 1999, seguidas    pelas causas externas e pelas neoplasias, de 70,2 e 66,4, respectivamente. Ao    analisarmos as tend&ecirc;ncias nas taxas de mortalidade, cabe ressaltar o fato    de que, para o ano de 1991, observa-se uma redu&ccedil;&atilde;o importante    em todos os grupos de causas, os quais, nos anos seguintes, retornam aos n&iacute;veis    esperados de acordo com a tend&ecirc;ncia observada para toda a s&eacute;rie    hist&oacute;rica. Essa distor&ccedil;&atilde;o, provavelmente, deve-se a poss&iacute;veis    problemas operacionais no Sistema de Informa&ccedil;&atilde;o sobre Mortalidade    (SIM/CENEPI/FUNASA/MS)para o ano em quest&atilde;o. Contudo, trata-se de uma    explica&ccedil;&atilde;o que ainda carece de confirma&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><a name="fig3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/ess/v12n2/2a02f3.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="fig4"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="../img/revistas/ess/v12n2/2a02f4.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Enquanto as DCV    apresentam uma tend&ecirc;ncia de redu&ccedil;&atilde;o nas taxas padronizadas    de mortalidade, as neoplasias e as causas externas, interrompem, a partir do    final da d&eacute;cada de 80, o seu movimento ascendente, tendendo &agrave;    estabilidade. As doen&ccedil;as respirat&oacute;rias, que, em d&eacute;cadas    anteriores, n&atilde;o tinham uma participa&ccedil;&atilde;o expressiva na composi&ccedil;&atilde;o    da mortalidade, apresentaram tend&ecirc;ncia &agrave; estabilidade na &uacute;ltima    d&eacute;cada, figurando como a quarta causa de &oacute;bito na popula&ccedil;&atilde;o    total. A mortalidade pelas doen&ccedil;as infecciosas e parasit&aacute;rias    persiste na tend&ecirc;ncia descendente iniciada em d&eacute;cadas anteriores,    tendo apresentado taxa de 28,0 &oacute;bitos por 100.000 habitantes, em 1999.    Por fim, cabe ressaltar que, ao se analisarem os indicadores de mortalidade,    verificam-se alguns problemas relacionados &agrave; sua qualidade, destacando-se    a elevada propor&ccedil;&atilde;o de &oacute;bitos por causas mal definidas    que, como visto na <a href="#fig4">Figura 4</a>, colocou-se como segundo &quot;grupo    de causa&quot; no conjunto da mortalidade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Tend&ecirc;ncias    na morbidade por grupos de causas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Existe maior disponibilidade    de dados referentes &agrave; morbidade hospitalar, que refletem, em parte, a    ocorr&ecirc;ncia das formas cl&iacute;nicas mais severas das doen&ccedil;as.    Quanto aos dados de morbidade de base n&atilde;o hospitalar, existe uma maior    disponibilidade para as Doen&ccedil;as Infecciosas e Parasit&aacute;rias (DIP),    em especial para as doen&ccedil;as de notifica&ccedil;&atilde;o obrigat&oacute;ria.    Como veremos a seguir, as tend&ecirc;ncias nos indicadores de morbidade apresentam    semelhan&ccedil;as &#8211; mas tamb&eacute;m importantes diferen&ccedil;as &#8211;,    quando comparadas com as tend&ecirc;ncias observadas nos indicadores de mortalidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Utilizando-se    a base de dados do Sistema de Informa&ccedil;&atilde;o Hospitalar (SIH) do SUS,    analisaram-se as tend&ecirc;ncias da participa&ccedil;&atilde;o relativa das    hospitaliza&ccedil;&otilde;es por grupos de doen&ccedil;as que tiveram destaque    como causa de mortalidade, em rela&ccedil;&atilde;o ao total de hospitaliza&ccedil;&otilde;es    no pa&iacute;s. As doen&ccedil;as cardiovasculares, a primeira causa de mortalidade,    representaram a segunda causa de interna&ccedil;&otilde;es. &Eacute; interessante    notar que as doen&ccedil;as cardiovasculares t&ecirc;m apresentado uma tend&ecirc;ncia    lenta, por&eacute;m constante, de redu&ccedil;&atilde;o da sua participa&ccedil;&atilde;o    proporcional no total de interna&ccedil;&otilde;es (<a href="#fig5">Figura 5</a>),    com um pequeno incremento nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos. As neoplasias,    com uma participa&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia anual de 3% do total das interna&ccedil;&otilde;es,    apresentaram tend&ecirc;ncia est&aacute;vel no per&iacute;odo.</font></p>     <p><a name="fig5"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/ess/v12n2/2a02f5.gif"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Quanto &agrave;    propor&ccedil;&atilde;o de interna&ccedil;&otilde;es por doen&ccedil;as infecciosas    em rela&ccedil;&atilde;o ao total de interna&ccedil;&otilde;es no pa&iacute;s,    n&atilde;o se observa uma tend&ecirc;ncia de redu&ccedil;&atilde;o na mesma    intensidade que a verificada para a mortalidade. Nos &uacute;ltimos 15 anos,    para o pa&iacute;s como um todo, as doen&ccedil;as classificadas no cap&iacute;tulo    das DIPs t&ecirc;m apresentado valores pr&oacute;ximos a 10% do total de interna&ccedil;&otilde;es,    sendo estes valores superiores nas Regi&otilde;es Norte e Nordeste. Na composi&ccedil;&atilde;o    das causas de interna&ccedil;&otilde;es por DIP, para o ano de 2001, destacam-se    as doen&ccedil;as infecciosas intestinais, que representaram 59,6% do total    de interna&ccedil;&otilde;es, no pa&iacute;s; e 69,5%, na Regi&atilde;o Nordeste.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Para as doen&ccedil;as    respirat&oacute;rias e as causas externas, tamb&eacute;m &eacute; observada    tend&ecirc;ncia &agrave; estabilidade, com poucas oscila&ccedil;&otilde;es em    toda a s&eacute;rie analisada. Enquanto as doen&ccedil;as respirat&oacute;rias    s&atilde;o respons&aacute;veis por aproximadamente 16% das interna&ccedil;&otilde;es    &#8211; metade das quais s&atilde;o representadas pelas pneumonias &#8211;,    as causas externas contribuem com uma participa&ccedil;&atilde;o pr&oacute;xima    a 5,5% do total de interna&ccedil;&otilde;es. Vale ressaltar que, ao considerar    todos os grupos de causas de interna&ccedil;&otilde;es, incluindo aqueles que    n&atilde;o foram analisados na discuss&atilde;o sobre mortalidade, verificamos    que os motivos relacionados &agrave; gravidez, parto e puerp&eacute;rio respondem    pela maior propor&ccedil;&atilde;o das interna&ccedil;&otilde;es (23,9% em 2001).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Alguns contrastes    emergem na compatibiliza&ccedil;&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es nas    categorias de morbidade ou mortalidade, com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; ordem    de freq&uuml;&ecirc;ncia na participa&ccedil;&atilde;o dos diversos grupos de    causas. Tal quadro justifica-se pelo fato de que a ocorr&ecirc;ncia do &oacute;bito    &eacute; uma express&atilde;o bem definida da gravidade da doen&ccedil;a, enquanto    a hospitaliza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o segue, necessariamente, essa ordem    de determina&ccedil;&atilde;o. Como exemplo, tem-se a grande propor&ccedil;&atilde;o    de interna&ccedil;&otilde;es pelo grupo de causas relacionado &agrave; gravidez,    parto e puerp&eacute;rio que, com raras exce&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o configuram,    no seu conjunto, qualquer situa&ccedil;&atilde;o de gravidade. Mas, aqui, devemos    chamar a aten&ccedil;&atilde;o para a quest&atilde;o da mortalidade materna,    a qual, apesar da aparente baixa magnitude, apresenta, no Brasil, taxas muito    altas quando comparadas &agrave;s de outros pa&iacute;ses, refletindo defici&ecirc;ncias    na assist&ecirc;ncia pr&eacute; e p&oacute;s-natal.<sup>2</sup> Por outro lado, alguns    agravos podem evoluir com quadros severos; contudo, na medida em que tenham    baixa letalidade ou sejam potencialmente revers&iacute;veis mediante a&ccedil;&otilde;es    por parte dos servi&ccedil;os de assist&ecirc;ncia &agrave; sa&uacute;de, apresentam    baixa mortalidade. Esse fen&ocirc;meno acontece, por exemplo, com refer&ecirc;ncia    &agrave;s doen&ccedil;as respirat&oacute;rias, explicando as diferen&ccedil;as    observadas, na ordem de freq&uuml;&ecirc;ncia, entre os indicadores de morbidade    e de mortalidade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Tend&ecirc;ncias    das doen&ccedil;as infecciosas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar da redu&ccedil;&atilde;o    significativa da participa&ccedil;&atilde;o desse grupo de doen&ccedil;as no    perfil da mortalidade do nosso pa&iacute;s, ainda h&aacute; um impacto importante    sobre a morbidade, como visto nos indicadores de morbidade hospitalar, principalmente    por aquelas doen&ccedil;as para as quais n&atilde;o se disp&otilde;e de mecanismos    eficazes de preven&ccedil;&atilde;o e controle. Ainda assim, as altera&ccedil;&otilde;es    no quadro de morbimortalidade, com a perda de import&acirc;ncia relativa das    doen&ccedil;as transmiss&iacute;veis, principalmente no &uacute;ltimo quarto    do s&eacute;culo XX, criaram, na opini&atilde;o p&uacute;blica, uma falsa expectativa    de que todo esse grupo de doen&ccedil;as estaria pr&oacute;ximo &agrave; extin&ccedil;&atilde;o.    Esse quadro n&atilde;o &eacute; verdadeiro para o Brasil, nem mesmo para os    pa&iacute;ses desenvolvidos, como demonstrado pelos movimentos de emerg&ecirc;ncia    de novas doen&ccedil;as transmiss&iacute;veis, como a aids; de ressurgimento,    em novas condi&ccedil;&otilde;es, de doen&ccedil;as &quot;antigas&quot;, como    a c&oacute;lera ou a dengue; de persist&ecirc;ncia de endemias importantes como    a tuberculose; e de ocorr&ecirc;ncia de surtos inusitados de doen&ccedil;as    como a Febre do Oeste do Nilo nos Estados Unidos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No tocante &agrave;    sua ocorr&ecirc;ncia no per&iacute;odo compreendido entre as duas &uacute;ltimas    d&eacute;cadas, a situa&ccedil;&atilde;o das doen&ccedil;as transmiss&iacute;veis    no Brasil apresenta um quadro complexo, que pode ser resumido em tr&ecirc;s    grandes tend&ecirc;ncias: doen&ccedil;as transmiss&iacute;veis com tend&ecirc;ncia    declinante; doen&ccedil;as transmiss&iacute;veis com quadro de persist&ecirc;ncia;    e doen&ccedil;as transmiss&iacute;veis emergentes e reemergentes.<sup>3</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Doen&ccedil;as    transmiss&iacute;veis com tend&ecirc;ncia declinante</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em um grande n&uacute;mero    de doen&ccedil;as transmiss&iacute;veis, para as quais disp&otilde;e-se de instrumentos    eficazes de preven&ccedil;&atilde;o e controle, o Brasil tem colecionado &ecirc;xitos    importantes. Esse grupo de doen&ccedil;as encontra-se em franco decl&iacute;nio,    com redu&ccedil;&otilde;es dr&aacute;sticas nas taxas de incid&ecirc;ncia. A    var&iacute;ola foi erradicada em 1973 e a poliomielite em 1989. O sarampo encontra-se    com a transmiss&atilde;o interrompida desde o final de 2000. O t&eacute;tano    neonatal apresenta taxa de incid&ecirc;ncia muito abaixo do patamar estabelecido    para consider&aacute;-lo eliminado enquanto problema de Sa&uacute;de P&uacute;blica    (1/1.000 nascidos vivos). A redu&ccedil;&atilde;o na incid&ecirc;ncia e concentra&ccedil;&atilde;o    dos casos tamb&eacute;m permite prever uma pr&oacute;xima elimina&ccedil;&atilde;o    da raiva humana transmitida por animais dom&eacute;sticos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Ainda dentro do    grupo de doen&ccedil;as transmiss&iacute;veis com tend&ecirc;ncia declinante,    est&atilde;o: a) a difteria, a coqueluche e o t&eacute;tano acidental, que t&ecirc;m    em comum o fato de serem imunopreven&iacute;veis; b) a doen&ccedil;a de Chagas    e a hansen&iacute;ase, ambas end&ecirc;micas h&aacute; v&aacute;rias d&eacute;cadas    em nosso pa&iacute;s; c) a febre tif&oacute;ide, associada a condi&ccedil;&otilde;es    sanit&aacute;rias prec&aacute;rias; d) e a oncocercose, a filariose e a peste,    todas com &aacute;reas de ocorr&ecirc;ncia restritas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Exemplificando    o impacto da redu&ccedil;&atilde;o produzida na incid&ecirc;ncia de doen&ccedil;as imunopreven&iacute;veis, principalmente    para aquele grupo em que as medidas de controle implicaram um maior impacto    (sarampo, p&oacute;lio, t&eacute;tano acidental e neonatal, coqueluche, difteria),    em 1980, foram registrados 153.128 casos para o conjunto dessas doen&ccedil;as,    n&uacute;mero que se reduziu para apenas 3.124 casos, 20 anos depois. Ainda    mais relevante foi o impacto sobre o n&uacute;mero de &oacute;bitos por essas    mesmas doen&ccedil;as, tendo-se observado a redu&ccedil;&atilde;o de 5.495 para    277 &oacute;bitos, no mesmo per&iacute;odo. An&aacute;lise similar poderia ser    feita para as demais doen&ccedil;as desse grupo, que tamb&eacute;m apresentaram    redu&ccedil;&otilde;es na incid&ecirc;ncia, na mortalidade e na ocorr&ecirc;ncia    de seq&uuml;elas, com impactos significativos na qualidade de vida.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Doen&ccedil;as    transmiss&iacute;veis com quadro de persist&ecirc;ncia</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Algumas doen&ccedil;as    transmiss&iacute;veis apresentam quadro de persist&ecirc;ncia, ou de redu&ccedil;&atilde;o,    em per&iacute;odo ainda recente, configurando uma agenda inconclusa nessa &aacute;rea.    Para essas doen&ccedil;as, &eacute; necess&aacute;rio o fortalecimento de novas    estrat&eacute;gias, recentemente adotadas, que prop&otilde;em uma maior integra&ccedil;&atilde;o    entre as &aacute;reas de preven&ccedil;&atilde;o e controle e a rede assistencial,    j&aacute; que um importante foco da a&ccedil;&atilde;o nesse conjunto de doen&ccedil;as    est&aacute; voltado para o diagn&oacute;stico e tratamento das pessoas doentes,    visando &agrave; interrup&ccedil;&atilde;o da cadeia de transmiss&atilde;o.</font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; importante,    tamb&eacute;m, enfatizar a necessidade de a&ccedil;&otilde;es multissetoriais    para a preven&ccedil;&atilde;o e controle desse grupo de doen&ccedil;as, j&aacute;    que grande parte das raz&otilde;es para a manuten&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o    de endemicidade residem na persist&ecirc;ncia dos seus fatores determinantes,    externos &agrave;s a&ccedil;&otilde;es t&iacute;picas do setor Sa&uacute;de:    urbaniza&ccedil;&atilde;o acelerada sem adequada infra-estrutura urbana, altera&ccedil;&otilde;es    do meio ambiente, desmatamento, amplia&ccedil;&atilde;o de fronteiras agr&iacute;colas,    processos migrat&oacute;rios, grandes obras de infra-estrutura (rodovias e hidroel&eacute;tricas)    etc.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Nesse grupo de    doen&ccedil;as, destacam-se as hepatites virais &#8211; especialmente as hepatites    B e C &#8211; e a tuberculose, em fun&ccedil;&atilde;o das altas preval&ecirc;ncias    alcan&ccedil;adas, da ampla distribui&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica e do    potencial evolutivo para formas graves que podem levar ao &oacute;bito. Devem-se    destacar, no entanto, os resultados favor&aacute;veis que t&ecirc;m sido alcan&ccedil;ados    na redu&ccedil;&atilde;o da mortalidade pela tuberculose, com a disponibilidade    de tratamento espec&iacute;fico de alta efic&aacute;cia. A implanta&ccedil;&atilde;o    universal da vacina&ccedil;&atilde;o contra a hepatite B, inclusive para adolescentes,    no final dos anos 90, tamb&eacute;m deve produzir, a m&eacute;dio prazo, impactos    positivos na preven&ccedil;&atilde;o das formas cr&ocirc;nicas da doen&ccedil;a.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Ainda que apresente    uma distribui&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica mais restrita &agrave;s &aacute;reas    que oferecem condi&ccedil;&otilde;es ambientais adequadas para a transmiss&atilde;o,    a leptospirose tamb&eacute;m assume relev&acirc;ncia para a Sa&uacute;de P&uacute;blica,    em fun&ccedil;&atilde;o do grande n&uacute;mero de casos que ocorrem nos meses    mais chuvosos, bem como pela sua alta letalidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> As meningites    tamb&eacute;m se inserem nesse grupo de doen&ccedil;as, destacando-se as infec&ccedil;&otilde;es    causadas pelos meningococos B e C, que apresentam n&iacute;veis importantes    de transmiss&atilde;o e taxas m&eacute;dias de letalidade acima de 10%. Por    outro lado, tem-se observado significativa redu&ccedil;&atilde;o na ocorr&ecirc;ncia    da meningite causada por <i>H. influenzae</i> tipo B, possivelmente em conseq&uuml;&ecirc;ncia    da vacina&ccedil;&atilde;o de menores de um ano, a partir de 1999, com um produto    de comprovada efic&aacute;cia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Ainda nesse grupo,    al&eacute;m da manuten&ccedil;&atilde;o de elevadas preval&ecirc;ncias, tem    sido observada expans&atilde;o na &aacute;rea de ocorr&ecirc;ncia para as leishmanioses    (visceral e tegumentar) e a esquistossomose, em geral associada &agrave;s modifica&ccedil;&otilde;es    ambientais provocadas pelo homem, aos deslocamentos populacionais originados    de &aacute;reas end&ecirc;micas e &agrave; insuficiente infra-estrutura na rede    de &aacute;gua e esgoto &#8211; ou na disponibilidade de outras formas de acesso    a esses servi&ccedil;os.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A mal&aacute;ria,    que, at&eacute; recentemente, apresentava n&iacute;veis de incid&ecirc;ncia    persistentemente elevados na Regi&atilde;o Amaz&ocirc;nica &#8211; onde se concentram    mais de 99% dos casos registrados no pa&iacute;s &#8211;, passou a apresentar,    a partir de 1999, redu&ccedil;&otilde;es acentuadas nessas taxas (acima de 40%,    em m&eacute;dia), estimando-se que, em 2002, sejam detectados menos de 300 mil    casos, patamar que n&atilde;o era atingido desde o in&iacute;cio dos anos 80.    O Plano de Intensifica&ccedil;&atilde;o das A&ccedil;&otilde;es de Controle    da Mal&aacute;ria, lan&ccedil;ado em julho de 2000, al&eacute;m de garantir    a amplia&ccedil;&atilde;o do acesso ao diagn&oacute;stico e tratamento &#8211;    por interm&eacute;dio da descentraliza&ccedil;&atilde;o e da integra&ccedil;&atilde;o    com as a&ccedil;&otilde;es de aten&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica &#8211;, e    um melhor equaciona-mento das a&ccedil;&otilde;es seletivas de controle vetorial,    possibilitou a implementa&ccedil;&atilde;o de importantes a&ccedil;&otilde;es    extra-setoriais, a partir de estabelecimento de normas espec&iacute;ficas voltadas    para a instala&ccedil;&atilde;o de assentamentos rurais e de projetos de desenvolvimento.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A febre amarela,    ap&oacute;s a elimina&ccedil;&atilde;o do ciclo urbano, em 1942, vem apresentando    ciclos epid&ecirc;micos de transmiss&atilde;o silvestre, como ocorrido em 2000    (Goi&aacute;s) e 2001 (Minas Gerais). Entretanto, apesar da amplia&ccedil;&atilde;o    da &aacute;rea de transmiss&atilde;o para Estados e Munic&iacute;pios situados    fora da &aacute;rea end&ecirc;mica (Regi&atilde;o Amaz&ocirc;nica), tem sido    observada redu&ccedil;&atilde;o na incid&ecirc;ncia a partir do ano 2000 e at&eacute;    o presente momento. A possibilidade de reintrodu&ccedil;&atilde;o do v&iacute;rus    amar&iacute;lico no ambiente urbano, pela ampla dispers&atilde;o do <i>Aedes aegypti</i>,    tem motivado uma intensa atividade de vacina&ccedil;&atilde;o, que resultou    em mais de 60 milh&otilde;es de doses aplicadas entre 1998 e 2002. Na medida    em que foram identificados eventos adversos graves associados a essa vacina,<sup>4</sup>    a estrat&eacute;gia inicial, de vacina&ccedil;&atilde;o universal, teve que    ser ajustada para uma cobertura mais focalizada, em toda a &aacute;rea de circula&ccedil;&atilde;o    natural do v&iacute;rus amar&iacute;lico e tamb&eacute;m na &aacute;rea de transi&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Doen&ccedil;as    transmiss&iacute;veis emergentes e reemergentes</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um terceiro grupo    de doen&ccedil;as expressa, em nosso pa&iacute;s, o fen&ocirc;meno mundial de    <i>emerg&ecirc;ncia</i> e <i>reemerg&ecirc;ncia</i> de doen&ccedil;as transmiss&iacute;veis.    Doen&ccedil;as emergentes s&atilde;o as que surgiram, ou foram identificadas,    nas &uacute;ltimas duas d&eacute;cadas; ou, ainda, as que assumiram uma nova    situa&ccedil;&atilde;o, passando de doen&ccedil;as raras e restritas para constitu&iacute;rem    problemas de Sa&uacute;de P&uacute;blica. Reemergentes, por sua vez, s&atilde;o    aquelas que ressurgiram, enquanto problema de Sa&uacute;de P&uacute;blica, ap&oacute;s    terem sido controladas no passado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desde o in&iacute;cio    da d&eacute;cada de 80, algumas doen&ccedil;as infecciosas passaram a ser registradas    ou foram reintroduzidas no pa&iacute;s, destacando-se a aids (1980), o dengue    (1982), a c&oacute;lera (1991) e a hantavirose (1993), e, dentre estas, somente    a c&oacute;lera apresentou redu&ccedil;&atilde;o significativa na &uacute;ltima    d&eacute;cada. A r&aacute;pida dissemina&ccedil;&atilde;o da aids no pa&iacute;s,    por sua vez, tem-se refletido na ocorr&ecirc;ncia de uma s&eacute;rie de outras    doen&ccedil;as infecciosas, particularmente a tuberculose.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A partir da detec&ccedil;&atilde;o    da aids no Brasil, observou-se um crescimento acelerado da doen&ccedil;a at&eacute;    1997, ano em que foram registrados 23.545 casos novos, com um coeficiente de    incid&ecirc;ncia de 14,8 casos/100.000 hab. A partir de ent&atilde;o, seguiu-se    uma diminui&ccedil;&atilde;o na velocidade de crescimento da epidemia, com uma    redu&ccedil;&atilde;o da incid&ecirc;ncia. No per&iacute;odo de 1995 a 1999,    observou-se redu&ccedil;&atilde;o de 50% na taxa de letalidade em rela&ccedil;&atilde;o    aos primeiros anos do in&iacute;cio da epidemia, quando esta taxa era de 100%.    A disponibilidade de novas drogas tem propiciado o aumento na sobrevida para    os portadores da infec&ccedil;&atilde;o pelo HIV.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A c&oacute;lera    experimentou seu pico epid&ecirc;mico em 1993, com 60.340 casos. Apesar do ambiente    favor&aacute;vel para a dissemina&ccedil;&atilde;o e persist&ecirc;ncia dessa    doen&ccedil;a, dada a insatisfat&oacute;ria condi&ccedil;&atilde;o sanit&aacute;ria    de parte da popula&ccedil;&atilde;o, os esfor&ccedil;os do sistema de sa&uacute;de    conseguiram reduzir drasticamente sua incid&ecirc;ncia. Em 1998 e 1999, a seca    que ocorreu na Regi&atilde;o Nordeste, onde se instalou uma severa crise de    abastecimento de &aacute;gua, inclusive nas capitais, favoreceu a possibilidade    de recrudescimento da doen&ccedil;a, o que exigiu uma intensifica&ccedil;&atilde;o    das a&ccedil;&otilde;es de preven&ccedil;&atilde;o e de vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica    nessa regi&atilde;o. A c&oacute;lera passou a manifestar-se sob a forma de surtos,    principalmente nas pequenas localidades do Nordeste, com maior dificuldade de    acesso &agrave; &aacute;gua tratada e defici&ecirc;ncia de esgotamento sanit&aacute;rio.    Eventualmente, podem outras formas de transmiss&atilde;o ser associadas com    surtos, como o ocorrido no porto de Paranagu&aacute;-PR, relacionado com o consumo    de marisco.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> No ano 2000, a    c&oacute;lera apresentou redu&ccedil;&atilde;o importante, tanto no n&uacute;mero    de casos como na &aacute;rea geogr&aacute;fica em que se manifestava. Foram    registrados 734 casos, ocorridos na sua quase totalidade em apenas dois Estados    da Regi&atilde;o Nordeste (Pernambuco e Alagoas). J&aacute; no ano de 2001,    ocorreram, em todo o pa&iacute;s, apenas sete casos da doen&ccedil;a, igualmente    concentrados na Regi&atilde;o Nordeste. Os dados dos &uacute;ltimos dois anos    asseguram a situa&ccedil;&atilde;o de controle da c&oacute;lera e, mantida essa    tend&ecirc;ncia, a doen&ccedil;a passar&aacute; a integrar o grupo das enfermidades    transmiss&iacute;veis com tend&ecirc;ncia declinante ou mesmo, brevemente, eliminadas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A dengue tem sido    objeto de uma das maiores campanhas de Sa&uacute;de P&uacute;blica realizadas    no pa&iacute;s. O mosquito transmissor da doen&ccedil;a, o <i>Aedes aegypti</i>, que    havia sido erradicado em v&aacute;rios pa&iacute;ses do continente americano    nas d&eacute;cadas de 50 e 60, retorna na d&eacute;cada de 70, por falhas na    vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica e pelas mudan&ccedil;as sociais e ambientais    propiciadas pela urbaniza&ccedil;&atilde;o acelerada dessa &eacute;poca.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Atualmente, o    mosquito transmissor &eacute; encontrado numa larga faixa do continente americano,    que se estende desde o Uruguai at&eacute; o sul dos Estados Unidos, com registro    de surtos importantes de dengue em v&aacute;rios pa&iacute;ses como Venezuela,    Cuba, Brasil, El Salvador e, recentemente, Paraguai.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> As dificuldades    para a elimina&ccedil;&atilde;o de um mosquito domiciliado, que se multiplica    nos v&aacute;rios recipientes que podem armazenar &aacute;gua, particularmente    aqueles encontrados nos lixos das cidades, como em garrafas, latas e pneus,    ou no interior dos domic&iacute;lios, como nos pratinhos dos vasos de plantas,    t&ecirc;m exigido um esfor&ccedil;o substancial do setor Sa&uacute;de. Entretanto,    esse trabalho necessita ser articulado com outras pol&iacute;ticas p&uacute;blicas,    como a limpeza urbana, al&eacute;m de uma maior conscientiza&ccedil;&atilde;o    e mobiliza&ccedil;&atilde;o social sobre a necessidade das comunidades manterem    seu ambiente livre do mosquito. Esse &uacute;ltimo elemento, a mudan&ccedil;a    de h&aacute;bitos, tem sido apontado, mais recentemente, como um dos mais efetivos    na preven&ccedil;&atilde;o da infesta&ccedil;&atilde;o do mosquito.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Nos &uacute;ltimos    tr&ecirc;s anos, vem sendo registrado um aumento no n&uacute;mero de casos,    alcan&ccedil;ando cerca de 700 mil ocorr&ecirc;ncias em 2002. Entre outros fatores    que pressionam a incid&ecirc;ncia da dengue, destaca-se a introdu&ccedil;&atilde;o    recente de um novo sorotipo, o DEN 3, para o qual a susceptibilidade &eacute;    praticamente universal. A circula&ccedil;&atilde;o seq&uuml;encial de mais de    um sorotipo propiciou um aumento na incid&ecirc;ncia de febre hemorr&aacute;gica    da dengue, com conseq&uuml;ente incremento na mortalidade por essa doen&ccedil;a.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Os primeiros casos    de hantaviroses, no Brasil foram detectados em 1993, em S&atilde;o Paulo, e    a doen&ccedil;a tem sido registrada com maior frequ&ecirc;ncia nas Regi&otilde;es    Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A implanta&ccedil;&atilde;o da sua vigil&acirc;ncia    epidemiol&oacute;gica, o desenvolvimento da capacidade laboratorial para realizar    diagn&oacute;stico, a divulga&ccedil;&atilde;o das medidas adequadas de tratamento    para reduzir a letalidade e o conhecimento da situa&ccedil;&atilde;o de circula&ccedil;&atilde;o    dos hantav&iacute;rus nos roedores silvestres brasileiros possibilitaram o aumento    na capacidade da sua detec&ccedil;&atilde;o, gerando um quadro mais n&iacute;tido    da realidade epidemiol&oacute;gica das hantaviroses em nosso pa&iacute;s, assim    como permitiram a ado&ccedil;&atilde;o de medidas adequadas de preven&ccedil;&atilde;o    e controle.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O desafio da desigualdade</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os indicadores    de morbimortalidade da popula&ccedil;&atilde;o brasileira apresentados acima    permitem uma compara&ccedil;&atilde;o com outros pa&iacute;ses de n&iacute;veis    socioecon&ocirc;micos semelhantes. Tem sido fartamente documentada a situa&ccedil;&atilde;o    paradoxal do Brasil, que apresenta indicadores econ&ocirc;micos em n&iacute;veis    incompat&iacute;veis aos dos seus indicadores sociais, incluindo-se os de sa&uacute;de,    como, por exemplo, taxa de mortalidade infantil e expectativa de vida ao nascer.<sup>5,6</sup>    Ainda que se observe tend&ecirc;ncia de melhoria para alguns indicadores de    sa&uacute;de no pa&iacute;s, a reduzida velocidade dessas tend&ecirc;ncias propicia    a persist&ecirc;ncia &#8211; ou mesmo amplia&ccedil;&atilde;o &#8211; das desigualdades.<sup>7</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A insuficiente    melhoria em alguns indicadores globais de sa&uacute;de no Brasil pode ser melhor    visualizada na compara&ccedil;&atilde;o com alguns pa&iacute;ses da Am&eacute;rica    Latina. Assim, segundo as estimativas do Banco Mundial, para 2000 (<a href="http://www.worldbank.org">www.worldbank.og</a>),    o M&eacute;xico apresentou uma expectativa de vida ao nascer 4,5 anos superior    &agrave; do Brasil, a Argentina 5,4 anos, o Uruguai 5,9 anos e o Chile 7,1 anos.    No per&iacute;odo de 1970 a 2000, houve redu&ccedil;&atilde;o das Taxas de Mortalidade    Infantil (TMI) para todos esses pa&iacute;ses, bem como na grande maioria dos    pa&iacute;ses do globo. Entretanto, enquanto essa taxa, para o Brasil, era de    29,6 &oacute;bitos por 1.000 nascidos vivos em 2000, Argentina (17,4), Uruguai    (13,8) e Chile (10,1) apresentavam taxas inferiores. Somente o M&eacute;xico,    entre os pa&iacute;ses analisados nessa compara&ccedil;&atilde;o, apresentou    taxa semelhante (29,2). Estudos tamb&eacute;m mostram que a expectativa de vida    no Brasil &eacute; menor do que em pa&iacute;ses com rendas <i>per capita</i> menores    ou similares ao nosso pa&iacute;s. China e Sri Lanka, por exemplo, com renda    <i>per capita</i> em torno de 1/5 da renda <i>per capita</i> brasileira, apresentam expectativas    de vida ao nascer significativamente maiores.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> No contexto nacional,    a exist&ecirc;ncia de desigualdades inter-regionais pode ser melhor apreendida    pelas diferen&ccedil;as entre os indicadores de mortalidade. Enquanto nas Regi&otilde;es    Sul e Sudeste, em 1980, as DIPs j&aacute; representavam a quinta causa de &oacute;bito,    esse grupo representava, na Regi&atilde;o Nordeste a segunda causa de &oacute;bito    naquele ano e, somente em anos recentes, assume a mesma posi&ccedil;&atilde;o    j&aacute; verificada para as demais regi&otilde;es (excluindo-se os sinais e    sintomas mal definidos). As doen&ccedil;as cardiovasculares, por sua vez, representavam    a primeira causa de &oacute;bito para todas as regi&otilde;es, j&aacute; em    1980. Entretanto, em 1999, esse grupo de causas era respons&aacute;vel por taxa    de mortalidade padronizada na Regi&atilde;o Sudeste, 83,2% e 77,0% superior    &agrave;s taxas registradas nas Regi&otilde;es Nordeste e Norte, respectivamente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> As desigualdades    entre as regi&otilde;es tamb&eacute;m podem ser visualizadas nos indicadores    relacionados &agrave; composi&ccedil;&atilde;o da morbidade. Assim, considerando-se    a composi&ccedil;&atilde;o de grupos de causas da morbidade hospitalar, entre    os mesmos grupos analisados para a mortalidade, verifica-se que as doen&ccedil;as    cardiovasculares representaram a segunda causa de interna&ccedil;&otilde;es    nas Regi&otilde;es Sul e Sudeste em 2001, em seguida &agrave;s doen&ccedil;as    respirat&oacute;rias. Nessas duas regi&otilde;es, naquele mesmo ano, as DIPs    representaram a terceira e quarta causas de interna&ccedil;&otilde;es, respectivamente.    Na Regi&atilde;o Nordeste, as DIPs ainda representaram a segunda causa de interna&ccedil;&otilde;es    em 2001, enquanto as doen&ccedil;as cardiovasculares representaram a terceira    causa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A an&aacute;lise    hist&oacute;rica dos indicadores globais de sa&uacute;de tamb&eacute;m evidencia    o quadro de desigualdades entre as regi&otilde;es do pa&iacute;s. Na d&eacute;cada    de 30, a Regi&atilde;o Sudeste apresentava TMI de 153, a Regi&atilde;o Sul de    127 e a Regi&atilde;o Nordeste de 168. Portanto, a Regi&atilde;o Nordeste apresentava    taxas 10% superiores &agrave; Regi&atilde;o Sudeste e 32% superiores &agrave;    Regi&atilde;o Sul. Para o ano de 99, o Nordeste apresentava TMI 154% maior do    que a registrada na Regi&atilde;o Sudeste e 205% maior do que a taxa da Regi&atilde;o    Sul. Apesar de uma melhoria absoluta ter sido observada em todas as regi&otilde;es,    o agravamento das diferen&ccedil;as relativas mostra que as solu&ccedil;&otilde;es    em busca do cumprimento das potencialidades biol&oacute;gicas est&aacute;-se    dando com diferentes intensidades, provocando uma amplia&ccedil;&atilde;o das    desigualdades.<sup>8</sup> Deve-se destacar que, na &uacute;ltima d&eacute;cada,    ocorreu uma maior redu&ccedil;&atilde;o relativa na taxa de mortalidade infantil    para a Regi&atilde;o Nordeste, que apresentava o valor mais elevado. Quanto    &agrave; expectativa de vida ao nascer, verificou-se tend&ecirc;ncia de maiores    ganhos, entre 1991 e 1999, nos Estados que apresentavam os menores valores no    in&iacute;cio do per&iacute;odo.<sup>9</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Outros indicadores    de morbidade, de base n&atilde;o hospitalar, tamb&eacute;m revelam as desigualdades    interregionais. Assim, as maiores taxas de incid&ecirc;ncia ou preval&ecirc;ncia    para c&oacute;lera (at&eacute; o ano de 2001, quando foram registrados os &uacute;ltimos    casos), esquistossomose, doen&ccedil;a de Chagas e leishmanioses t&ecirc;m sido    registradas nas regi&otilde;es Norte, Nordeste e Centro-Oeste.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> H&aacute;, em    todo o mundo, evid&ecirc;ncias de que a estratifica&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o    de acordo com seus n&iacute;veis socioecon&ocirc;micos define, tamb&eacute;m,    estratos diferenciados nos n&iacute;veis de sa&uacute;de. Pa&iacute;ses desenvolvidos    ou em desenvolvimento, com diferentes patamares nos n&iacute;veis de sa&uacute;de    das suas popula&ccedil;&otilde;es e com diferentes padr&otilde;es epidemiol&oacute;gicos,    assemelham-se no tocante &agrave; exist&ecirc;ncia desses gradientes. A freq&uuml;&ecirc;ncia    de qualquer doen&ccedil;a, com raras exce&ccedil;&otilde;es, aumenta com a redu&ccedil;&atilde;o    do n&iacute;vel social e econ&ocirc;mico dos grupos sociais. &Eacute; consistente    o fato de que, entre pa&iacute;ses com n&iacute;veis econ&ocirc;micos similares,    aqueles com maiores n&iacute;veis de desigualdade social apresentam n&iacute;veis    mais baixos de sa&uacute;de. Por exemplo, entre o grupo de pa&iacute;ses desenvolvidos,    os Estados Unidos, apesar de ser o mais rico desse restrito grupo, &eacute;    o que apresenta maiores desigualdades sociais, gerando diferenciais nos indicadores    de sa&uacute;de entre distintos grupos populacionais.<sup>10</sup> Organismos    internacionais (Banco Mundial, Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de)    v&ecirc;m reconhecendo que, sem redu&ccedil;&otilde;es significativas nas iniq&uuml;idades    sociais, ser&aacute; imposs&iacute;vel alcan&ccedil;ar melhoras mais substanciais    no quadro global de sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o, pois observa-se    que melhorias modestas no padr&atilde;o das desigualdades t&ecirc;m fortes efeitos    nos n&iacute;veis de sa&uacute;de. No Brasil, essa quest&atilde;o assume grande    import&acirc;ncia e ganha nuances especiais. Por exemplo, em 1999, 50% dos &oacute;bitos    infantis concentraram-se nos 30% dos nascidos vivos que residem nos estados    com as maiores taxas de pobreza,<sup>9</sup> bem como a TMI estimada em 1996 para os 20%    dos brasileiros mais pobres foi tr&ecirc;s vezes maior que a estimada para os    20% de maior poder aquisitivo (<a href="http://www.worldbank.org">www.worldbank.org</a>).    A concentra&ccedil;&atilde;o da riqueza e dos bens gera imensas dist&acirc;ncias    tamb&eacute;m entre as suas regi&otilde;es ou entre seus espa&ccedil;os intra-urbanos.    No interior das cidades brasileiras, s&atilde;o igualmente observados diferenciais    nas taxas de mortalidade infantil, bem como na mortalidade pela maioria das    doen&ccedil;as, entre as zonas mais pobres relacionadas com as zonas mais ricas    das cidades. Iniq&uuml;idades quanto aos g&ecirc;neros e aos grupos &eacute;tnicos    agravam tal situa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O desafio da complexidade</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vimos que entre    as principais causas de &oacute;bito e internamentos em nossa popula&ccedil;&atilde;o    est&atilde;o as doen&ccedil;as cr&ocirc;nico-degenerativas, os acidentes e as    diversas formas de viol&ecirc;ncia. Entretanto, j&aacute; se observam tend&ecirc;ncias    recentes de redu&ccedil;&atilde;o da mortalidade por algumas causas espec&iacute;ficas    de doen&ccedil;as cardiovasculares, suficiente para redu&ccedil;&atilde;o das    taxas nesse grupo de causa. No grupo das doen&ccedil;as infecciosas, al&eacute;m    da redu&ccedil;&atilde;o na mortalidade, observa-se tamb&eacute;m diminui&ccedil;&atilde;o    significativa na morbidade por um conjunto importante de doen&ccedil;as.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Em outra dire&ccedil;&atilde;o,    temos visto que o reaparecimento, nas duas d&eacute;cadas passadas, de problemas    como a c&oacute;lera e a dengue, al&eacute;m de expor as fr&aacute;geis estruturas    ambientais urbanas em nosso pa&iacute;s, as quais tornam as popula&ccedil;&otilde;es    vulner&aacute;veis a doen&ccedil;as que pareciam superadas, amplia a j&aacute;    alta carga de doen&ccedil;as da popula&ccedil;&atilde;o. Esses fatores agregam-se    ao surgimento de novas doen&ccedil;as ou de novas formas de manifesta&ccedil;&atilde;o    das doen&ccedil;as na popula&ccedil;&atilde;o &#8211; aumento na severidade    por surgimento de novas cepas patog&ecirc;nicas, amplia&ccedil;&atilde;o da    resist&ecirc;ncia aos antimicrobianos &#8211;, bem como &agrave; persist&ecirc;ncia    de problemas como a desnutri&ccedil;&atilde;o e doen&ccedil;as end&ecirc;micas    como a tuberculose. Essa situa&ccedil;&atilde;o implica a manuten&ccedil;&atilde;o    de estruturas de cuidado dispendiosas que competem por recursos escassos, os    quais poderiam, em caso da n&atilde;o-exist&ecirc;ncia desses problemas, vir    a ser utilizados na solu&ccedil;&atilde;o de problemas de sa&uacute;de de maior    magnitude, para os quais existem menores possibilidades de preven&ccedil;&atilde;o    a curto prazo, como as doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas n&atilde;o transmiss&iacute;veis.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Um quadro bem    paradigm&aacute;tico dessa superposi&ccedil;&atilde;o de padr&otilde;es ocorre    com rela&ccedil;&atilde;o aos problemas nutricionais &#8211; redu&ccedil;&otilde;es    na preval&ecirc;ncia da desnutri&ccedil;&atilde;o proteico-cal&oacute;rica est&atilde;o    sendo acompanhadas pelo crescimento da obesidade e da anemia.<sup>11</sup> Tamb&eacute;m    deve-se destacar que, em geral, o tratamento das 'doen&ccedil;as da modernidade'    requer mais recursos tecnol&oacute;gicos e, como conseq&uuml;&ecirc;ncia, implica    maiores custos para o sistema de sa&uacute;de. A viol&ecirc;ncia, por exemplo,    ao lado das mortes e incapacidades que causa &agrave; nossa popula&ccedil;&atilde;o    produtiva, imp&otilde;e pesadas sobrecargas aos sistemas de sa&uacute;de e previdenci&aacute;rio.<sup>12</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A falta de solu&ccedil;&atilde;o    para alguns problemas estruturais e b&aacute;sicos, a manuten&ccedil;&atilde;o    de condi&ccedil;&otilde;es e modo de vida inadequados, a insufici&ecirc;ncia    nos mecanismos que regulam os danos ao meio ambiente, ocasionam que os riscos    aos quais est&aacute; exposta a nossa popula&ccedil;&atilde;o se superponham,    ao inv&eacute;s de se sucederem. Assim, se de um lado temos a manuten&ccedil;&atilde;o    dos problemas urbanos caracterizados por marcantes defici&ecirc;ncias em &aacute;reas    como saneamento ambiental, habita&ccedil;&atilde;o e transporte, temos tamb&eacute;m    o surgimento da polui&ccedil;&atilde;o ambiental de origem qu&iacute;mica (industrial,    inseticidas etc.), os riscos ocupacionais, o aumento dos fatores estressores    gerados pela &#8216;moderniza&ccedil;&atilde;o&#8217; das rela&ccedil;&otilde;es    sociais, as mudan&ccedil;as comportamentais, o desemprego estrutural e crescente    e a amplia&ccedil;&atilde;o das desigualdades intraurbanas. Ademais, o fato    de o envelhecimento da popula&ccedil;&atilde;o ocorrer em condi&ccedil;&otilde;es    que associam m&uacute;ltiplos riscos, amplifica as chances de ocorr&ecirc;ncia    de v&aacute;rias doen&ccedil;as, aumentando a carga m&oacute;rbida e reduzindo    a qualidade de vida de um grupo populacional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Existem, cada    vez mais, relatos sobre fatores que se d&atilde;o no plano internacional e seus    efeitos delet&eacute;rios sobre a Sa&uacute;de. A chamada globaliza&ccedil;&atilde;o    est&aacute; relacionada com quest&otilde;es t&atilde;o aparentemente diversas    como o aumento das desigualdades entre as na&ccedil;&otilde;es, a intensifica&ccedil;&atilde;o    do com&eacute;rcio internacional &#8211; especialmente de produtos aliment&iacute;cios    &#8211;, o narcotr&aacute;fico e o contrabando de armas e cigarros, ou o aumento    da temperatura global ocasionado pela crescente polui&ccedil;&atilde;o atmosf&eacute;rica,    exemplos de &#8216;novos riscos globais&#8217; com efeito na deteriora&ccedil;&atilde;o    das condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de. Essa superposi&ccedil;&atilde;o    de fatores ambientais e sociais &#8216;velhos&#8217; e &#8216;novos&#8217; &eacute;    que torna poss&iacute;vel algumas doen&ccedil;as infecciosas tradicionais serem    mantidas e propicia a emerg&ecirc;ncia ou a reemerg&ecirc;ncia de outras tantas,    em paralelo ao aumento das doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas e das viol&ecirc;ncias.    Tomemos o exemplo do desemprego: al&eacute;m da priva&ccedil;&atilde;o a que    sujeita os indiv&iacute;duos e suas fam&iacute;lias, gerando efeitos no estado    nutricional de adultos e crian&ccedil;as e aumento do risco de exposi&ccedil;&atilde;o    a doen&ccedil;as infecciosas, provoca aumento na ocorr&ecirc;ncia das doen&ccedil;as    psiqui&aacute;tricas e cardiovasculares.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Tendo em vista    a impossibilidade de uma atua&ccedil;&atilde;o, a curto prazo, em alguns riscos    gerados pelos processos globais, faz-se urgente a supera&ccedil;&atilde;o de    algumas categorias de risco tradicionalmente vinculadas &agrave; ocorr&ecirc;ncia    de doen&ccedil;as, cuja supera&ccedil;&atilde;o pode ser alcan&ccedil;ada em    fun&ccedil;&atilde;o de decis&otilde;es pol&iacute;ticas mais limitadas. Por    exemplo, a completa resolu&ccedil;&atilde;o das desigualdades no acesso aos    servi&ccedil;os de sa&uacute;de e do <i>d&eacute;ficit</i> no suprimento de &aacute;gua    e no esgotamento sanit&aacute;rio em muitos centros urbanos. J&aacute; &eacute;    amplamente conhecido o efeito positivo da melhoria das condi&ccedil;&otilde;es    de saneamento, n&atilde;o somente na diminui&ccedil;&atilde;o de uma s&eacute;rie    de doen&ccedil;as infecciosas respons&aacute;veis por importantes demandas no    sistema de sa&uacute;de, como tamb&eacute;m na prote&ccedil;&atilde;o diante    do ressurgimento de outros problemas. N&atilde;o por acaso, em locais com alto    padr&atilde;o de saneamento, n&atilde;o houve o ressurgimento da c&oacute;lera    na d&eacute;cada de 90.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Os desafios para    as pol&iacute;ticas de sa&uacute;de</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A superposi&ccedil;&atilde;o    de problemas de sa&uacute;de implica a manuten&ccedil;&atilde;o de uma carga    de magnitude semelhante, de morbidade e mortalidade na popula&ccedil;&atilde;o,    ao longo dos anos. A redu&ccedil;&atilde;o dessa carga, dentro dos limites biol&oacute;gicos    estabelecidos, representa um desafio para a defini&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas    de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os benef&iacute;cios    alcan&ccedil;ados para a popula&ccedil;&atilde;o, em conseq&uuml;&ecirc;ncia    de redu&ccedil;&atilde;o da mortalidade para as doen&ccedil;as infecciosas,    da morbidade por algumas patologias desse grupo de causa, como tamb&eacute;m    da mortalidade para as doen&ccedil;as cardiovasculares, n&atilde;o somente devem    ser mantidos como necessitam ser ampliados para outras causas de adoecimento    e morte da popula&ccedil;&atilde;o. Esses resultados positivos indicam que existe    tecnologia suficiente para melhoria dos padr&otilde;es de morbidade e mortalidade,    cujos efeitos s&atilde;o muito mais intensos e duradouros em contextos socioecon&ocirc;mico    e ambiental favor&aacute;veis.<sup>13</sup> A constata&ccedil;&atilde;o supera a proposi&ccedil;&atilde;o    inicial no contexto da aplica&ccedil;&atilde;o do termo &#8220;transi&ccedil;&atilde;o    epidemiol&oacute;gica&#8221;, para explica&ccedil;&atilde;o das grandes mudan&ccedil;as    nos padr&otilde;es epidemiol&oacute;gicos dos pa&iacute;ses desenvolvidos e    dos demais pa&iacute;ses da America Latina.<sup>14,15</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Por outro lado,    mais do que representar uma utopia, n&atilde;o se deve refor&ccedil;ar a ilus&atilde;o,    disseminada subliminarmente, de que &eacute; poss&iacute;vel viver em um mundo    sem doen&ccedil;as &#8211; incluindo as transmiss&iacute;veis &#8211;, o que    implicaria, em &uacute;ltima an&aacute;lise, um mundo com seres humanos imortais.    Ao menos com o conhecimento atual que se disp&otilde;e sobre as potencialidades    biol&oacute;gicas e as tecnologias dispon&iacute;veis, este n&atilde;o constitui    o cen&aacute;rio das presentes gera&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> As modifica&ccedil;&otilde;es    internas na composi&ccedil;&atilde;o das causas de morbidade e de mortalidade    t&ecirc;m gerado melhorias significativas dos indicadores de sa&uacute;de do    pa&iacute;s. O processo de envelhecimento da popula&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m    representa um avan&ccedil;o na plena utiliza&ccedil;&atilde;o do potencial biol&oacute;gico.    Entretanto, na medida em que a ocorr&ecirc;ncia de doen&ccedil;as tem-se caracterizado    por superposi&ccedil;&atilde;o de suas causas e riscos, um efeito que pode ser    observado &eacute; a manuten&ccedil;&atilde;o ou mesmo incremento nas causas    de incapacidades. Nesse aspecto, o desafio para as pol&iacute;ticas de sa&uacute;de,    integradas &agrave;s demais pol&iacute;ticas sociais, &eacute; agregar ao aumento    da longevidade humana a qualidade de vida.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Vimos, tamb&eacute;m,    que os benef&iacute;cios na melhoria de indicadores de sa&uacute;de n&atilde;o    s&atilde;o alcan&ccedil;ados de forma homog&ecirc;nea, por todos os grupos populacionais,    o que contribui para a manuten&ccedil;&atilde;o de carga persistente de morbidade,    mesmo referindo-se a problemas em que redu&ccedil;&otilde;es sejam observadas,    fazendo com que essa mesma carga n&atilde;o se reduza abaixo de determinados    patamares. Ainda que as pol&iacute;ticas de sa&uacute;de tenham possibilidade    de amplia&ccedil;&atilde;o dos benef&iacute;cios para grupos populacionais exclu&iacute;dos    desse processo, a articula&ccedil;&atilde;o com outras pol&iacute;ticas p&uacute;blicas    adquire relev&acirc;ncia impar na redu&ccedil;&atilde;o das causas e riscos.    Sem essa articula&ccedil;&atilde;o, ser&atilde;o mantidas as desigualdades nos    padr&otilde;es epidemiol&oacute;gicos atuais. Tais pol&iacute;ticas e a&ccedil;&otilde;es,    devem ser, necessariamente, dirigidas para os determinantes das doen&ccedil;as,    visando ao enfrentamento da complexidade da sua produ&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Agradecimentos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os autores agradecem    a Carlos Antonio de S. T. Santos (ISC/UFBA e UEFS) pelos c&aacute;lculos das    taxas padronizadas de mortalidade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias    bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 1. Bayer GF, Rotberg    LC, Tavares R, Paula SG. Popula&ccedil;&atilde;o brasileira no s&eacute;culo    XX: alguns dados. Radis Fiocruz Dados 1982;2:1-8.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 2. Laurenti R.    O Perfil da mortalidade materna. In: Minayo MCS, organizador. Os Muitos Brasis:    sa&uacute;de e popula&ccedil;&atilde;o na d&eacute;cada de 80. S&atilde;o Paulo:    Hucitec, Rio de Janeiro: Abrasco; 1995.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 3. Funda&ccedil;&atilde;o    Nacional de Sa&uacute;de. Situa&ccedil;&atilde;o da preven&ccedil;&atilde;o    e controle das doen&ccedil;as transmiss&iacute;veis no Brasil setembro/2002    &#91;online&#93; (s.d.) &#91;capturado em 2002 out&#93;. Dispon&iacute;vel em:    <a href="http://www.funasa.gov.br/epi/pdfs/situacao_doencas.pdf">http://www.funasa.gov.br/epi/pdfs/situacao_doencas.pdf</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 4. Vasconcelos    PFC, Luna EJ, Galler R, Jacinto Silva L, Coimbra TL, Barros VLRS, Monath TP,    Rodrigues SG, Laval C, Costa ZG, Vilela MFG, Santos CLS, Papalordanau CMO, Alves    VAF, Andrade LD, Sato HK, Rosa EST, Frogoas GB, Lacava E, Almeida LMR, Cruz    ACR, Rocco IM, Santos RTM, Oliva OFP. Brazilian Yellow Fever Vaccine Evaluation    Group. Serious adverse events associated with yellow fever 17DD vaccine in Brazil:    a report of two cases. Lancet 2001;358:91-97.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 5. Fleury S. Iniquidades    nas pol&iacute;ticas de sa&uacute;de p&uacute;blica: o caso da Am&eacute;rica    Latina. Revista de Sa&uacute;de P&uacute;blica 1995;29(3)243-250.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 6. Ometto AMH,    Furtuoso MCO, Silva MV. Economia brasileira na d&eacute;cada de oitenta e seus    reflexos nas condi&ccedil;&otilde;es de vida da popula&ccedil;&atilde;o. Revista    de Sa&uacute;de P&uacute;blica 1995;29(5):403-415.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Barreto ML,    Carmo EH, Santos CAST, Ferreira LDA. Sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o    brasileira: mudan&ccedil;as, superposi&ccedil;&atilde;o de padr&otilde;es e    desigualdades. In: Fleury S, organizador. Sa&uacute;de e democracia &#8211;    a luta do Cebes. S&atilde;o Paulo: Lemos Editora; 1997.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 8. Victora CG,    Vaughan JP, Barros FC, Silva AC, Elaine T. Explaining trends in inequities:    evidence from Brazilian child health studies. Lancet 2000;356:1093-1098.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 9. Duarte EC,    Schneider MC, Sousa-Paes R, Ramalho WM, Sardinha LMV, Barbosa da Silva J, Castillo-Salgado    C. Epidemiologia das desigualdades em sa&uacute;de no Brasil: um estudo explorat&oacute;rio.    Bras&iacute;lia: OPAS;2002.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 10. Omran AR.    The Epidemiologic transition in the Americas. Washington DC: Pan-American Health    Organization; 1996.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 11. Monteiro CA,    CondeWL. Tend&ecirc;ncia secular da desnutri&ccedil;&atilde;o e da obesidade na    cidade de S&atilde;o Paulo (1974-1996). Revista de Sa&uacute;de P&uacute;blica    2000;34:52-61.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 12. Barreto ML,    Carmo EH. Tend&ecirc;ncias recentes das doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas no Brasil.    In: Lessa I, organizador. O Adulto brasileiro e as doen&ccedil;as da modernidade:    epidemiologia das doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas n&atilde;o transmiss&iacute;veis.    S&atilde;o Paulo: Hucitec, Rio de Janeiro: Abrasco; 1998.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 13. Frederiksen    H. Feedbacks in economic and demographic transition. Science 1969;166:837-847.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 14. McKeown T.    The Role of medicine: dream, mirage or nemesis? Oxford: Basil Blakwell; 1979.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 15. Omran AR.    The epidemiologic transition of the epidemiology of population change. Milbank    Memorial Fund Quartely 1971; 49:509-583.</font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="endereco"></a><a href="#topo"><img src="/img/revistas/ess/v12n2/seta.gif" border="0"></a><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia:</b>    <br>   Esplanada dos Minist&eacute;rios, Bloco G,    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Edif&iacute;cio-Sede do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, 1<sup><u>o</u></sup>    andar,    <br>   Bras&iacute;lia-DF.    <br>   CEP: 70058-900.    <br>   <i>E-mail:</i><a href="mailto:jarbas.barbosa@saude.gov.br">jarbas.barbosa@saude.gov.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup><a href="#topo">*</a></sup>Publicado    anteriormente em: Finkelman, J, organizador. Caminhos da Sa&uacute;de P&uacute;blica    no Brasil. Rio de Janeiro: Fiocruz; Organiza&ccedil;&atilde;o Pan-Americana    de Sa&uacute;de; 2002.    <br>   Reprodu&ccedil;&atilde;o autorizada pelos editores.</font></p>      ]]></body><back>
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