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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Promoção da saúde e intersetorialidade: a experiência da vigilância em saúde do trabalhador na construção de redes]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Health promotion and intersectoriality: experience of occupational health surveillance in the construction of networks]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Fiocruz Ecologia Humana da Escola Nacional de Saúde Pública Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article aims to systematize the experience in the area of occupational health in Brazil in connection with the discussions about health promotion and intersectoriality. It introduces the limits, possibilities and progress related to the concept of surveillance as the organizer of health actions, and the possibility of the construction of institutional networks starting from the definition of a subject - in this case, a relation between work and health with a focus in occupational health. This field is characterized by a vast array of institutions, government sectors and social actors involved in occupational health. The surveillance strategies developed in this field can be used to demonstrate the possibilities and difficulties in implementing health promotion practices through intersectorial and preventive actions. The path of the Brazilian collective health - and in particular the occupational health field - possesses historical and conceptual origins which are not exactly the same as health promotion. We consider a larger critical reflection necessary resulting in conceptual discussions and practices of health praxis in the context of the National Unified Health System (SUS). The field of worker's health can certainly contribute to this debate, mainly related to intersectorial and collective actions of health promotion which aim to transform the processes environment at work by the construction of social and institutional networks supportive of occupational health surveillance]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[promoção da saúde]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><a name="topo"></a><font size="2" face="verdana"><b>ENSAIO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de    e intersetorialidade: a experi&ecirc;ncia da vigil&acirc;ncia em sa&uacute;de    do trabalhador na constru&ccedil;&atilde;o de redes</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Health promotion and intersectoriality:    experience of occupational health surveillance in the construction of networks</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Jorge Mesquita Huet Machado<sup>I</sup>; Marcelo    Firpo de Souza Porto<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Coordena&ccedil;&atilde;o    de Sa&uacute;de do Trabalhador/Fiocruz, Rio de Janeiro-RJ    <br> <sup>II</sup>Centro de Estudos da Sa&uacute;de    do Trabalhador e Ecologia Humana da Escola Nacional de Sa&uacute;de P&uacute;blica/Fiocruz,    Rio de Janeiro-RJ</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o para    correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O objetivo deste trabalho    &eacute; sistematizar a experi&ecirc;ncia do campo da Sa&uacute;de do Trabalhador    diante das tem&aacute;ticas da promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de e da intersetorialidade.    S&atilde;o apresentados os limites, possibilidades e avan&ccedil;os da introdu&ccedil;&atilde;o    do conceito de vigil&acirc;ncia como organizadora das a&ccedil;&otilde;es de    sa&uacute;de, e a possibilidade de constru&ccedil;&atilde;o de redes institucionais    a partir da defini&ccedil;&atilde;o de um objeto &#8211; no caso, a rela&ccedil;&atilde;o    entre processo de trabalho e sa&uacute;de, objeto da sa&uacute;de do trabalhador.    Essa possibilidade &eacute; caracterizada por uma vasta gama de institui&ccedil;&otilde;es,    setores governamentais e atores sociais envolvidos no campo da sa&uacute;de    do trabalhador. As estrat&eacute;gias de vigil&acirc;ncia em sa&uacute;de do    trabalhador (VST) desenvolvidas t&ecirc;m servido para demonstrar as possibilidades    e dificuldades de a&ccedil;&otilde;es intersetoriais de promo&ccedil;&atilde;o    e preven&ccedil;&atilde;o. A trajet&oacute;ria da sa&uacute;de coletiva no pa&iacute;s    &#8211; e da sa&uacute;de do trabalhador em particular &#8211; possui origens    hist&oacute;ricas e conceituais paralelas &agrave;s da promo&ccedil;&atilde;o    da sa&uacute;de, sendo ainda necess&aacute;rias uma maior reflex&atilde;o cr&iacute;tica    e capacidade de s&iacute;ntese resultantes das discuss&otilde;es conceituais    e pr&aacute;ticas de sa&uacute;de no &acirc;mbito do SUS. O campo da Sa&uacute;de    do Trabalhador, certamente, pode contribuir nesse debate, principalmente no    que tange &agrave;s a&ccedil;&otilde;es intersetoriais e coletivas de promo&ccedil;&atilde;o    da sa&uacute;de voltadas &agrave;s estrat&eacute;gias de transforma&ccedil;&atilde;o    dos processos e ambientes de trabalho, por meio da constru&ccedil;&atilde;o    de redes sociais e institucionais que d&ecirc;em suporte &agrave;s a&ccedil;&otilde;es    de VST.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Palavras-chave:</b> promo&ccedil;&atilde;o    da sa&uacute;de; intersetorialidade; vigil&acirc;ncia em sa&uacute;de do trabalhador.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>SUMMARY</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">This article aims to systematize the experience    in the area of occupational health in Brazil in connection with the discussions    about health promotion and intersectoriality. It introduces the limits, possibilities    and progress related to the concept of surveillance as the organizer of health    actions, and the possibility of the construction of institutional networks starting    from the definition of a subject &#8211; in this case, a relation between work    and health with a focus in occupational health. This field is characterized    by a vast array of institutions, government sectors and social actors involved    in occupational health. The surveillance strategies developed in this field    can be used to demonstrate the possibilities and difficulties in implementing    health promotion practices through intersectorial and preventive actions. The    path of the Brazilian collective health &#8211; and in particular the occupational    health field &#8211; possesses historical and conceptual origins which are not    exactly the same as health promotion. We consider a larger critical reflection    necessary resulting in conceptual discussions and practices of health praxis    in the context of the National Unified Health System (SUS). The field of worker's    health can certainly contribute to this debate, mainly related to intersectorial    and collective actions of health promotion which aim to transform the processes    environment at work by the construction of social and institutional networks    supportive of occupational health surveillance.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Key words:</b> health promotion;    intersectoriality; occupational health surveillance.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O objetivo deste trabalho &eacute; sistematizar    a experi&ecirc;ncia do campo da Sa&uacute;de do Trabalhador diante da tem&aacute;tica    da promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de e da intersetorialidade. Esse campo,    assim como o campo da Sa&uacute;de Ambiental, &eacute; caracterizado por uma    vasta gama de institui&ccedil;&otilde;es, setores governamentais e atores sociais    envolvidos. As estrat&eacute;gias de promo&ccedil;&atilde;o e vigil&acirc;ncia    em sa&uacute;de do trabalhador, desenvolvidas nos &uacute;ltimos 15 anos de    pr&aacute;ticas do SUS, t&ecirc;m servido para demonstrar as possibilidades    e dificuldades de a&ccedil;&otilde;es intersetoriais de promo&ccedil;&atilde;o    e preven&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m das institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas    envolvidas &#8211; como o SUS, os Minist&eacute;rios do Trabalho e da Previd&ecirc;ncia    Social, os Minist&eacute;rios P&uacute;blicos, o &oacute;rg&atilde;o ambiental    regional e o poder legislativo &#8211; o conceito de intersetorialidade inclui    a participa&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores e suas representa&ccedil;&otilde;es    como elemento fundamental para a garantia de qualidade t&eacute;cnica e pol&iacute;tica    das a&ccedil;&otilde;es em sa&uacute;de do trabalhador. Uma das estrat&eacute;gias    desenvolvidas pela &aacute;rea consiste na constru&ccedil;&atilde;o de redes    de coopera&ccedil;&atilde;o entre diversas institui&ccedil;&otilde;es, sindicatos    e organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais (ONG) visando garantir    a continuidade e qualidade das a&ccedil;&otilde;es, bem como potencializ&aacute;-las    diante de problemas concretos de sa&uacute;de do trabalhador. Algumas experi&ecirc;ncias    de vigil&acirc;ncia envolvendo a constru&ccedil;&atilde;o de redes interinstitucionais    s&atilde;o analisadas neste trabalho.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Limites e possibilidades    de avan&ccedil;o da(s) vigil&acirc;ncia(s)</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Uma quest&atilde;o fundamental    para a promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de refere-se &agrave; mudan&ccedil;a    dos modelos m&eacute;dico-assistencialista e assistencial-sanitarista, ainda    hegem&ocirc;nicos na Sa&uacute;de P&uacute;blica.<sup>1</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em conson&acirc;ncia com    esses modelos, a vigil&acirc;ncia est&aacute; baseada no modelo ecol&oacute;gico    da doen&ccedil;a e na epidemiologia cl&aacute;ssica, tendo por objeto o controle    dos modos de transmiss&atilde;o das doen&ccedil;as e dos fatores de risco, o    qual possibilita uma certa governabilidade e efic&aacute;cia de suas a&ccedil;&otilde;es    no &acirc;mbito intra-setorial da Sa&uacute;de, principalmente para as doen&ccedil;as    infectocontagiosas cl&aacute;ssicas. Nessa concep&ccedil;&atilde;o, a vigil&acirc;ncia    inclui o monitoramento do ambiente (como vetores, alimentos e &aacute;gua para    consumo humano) e de poss&iacute;veis casos de doen&ccedil;as, que passam a    servir como eventos sentinelas, em articula&ccedil;&atilde;o com an&aacute;lises    epidemiol&oacute;gicas. Uma s&eacute;rie de estrat&eacute;gias pode ser utilizada    para o controle e preven&ccedil;&atilde;o das doen&ccedil;as, como vacina&ccedil;&atilde;o,    controle de vetores, de alimentos e de &aacute;gua para consumo humano; ou ainda,    a cria&ccedil;&atilde;o de barreiras de isolamento de regi&otilde;es ou pessoas    contaminadas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A efic&aacute;cia desse modelo restrito    &agrave;s a&ccedil;&otilde;es intra-setoriais do setor Sa&uacute;de foi questionada    pela medicina social, base da sa&uacute;de coletiva brasileira, que coloca como    paradigma uma outra vis&atilde;o de processo sa&uacute;de-doen&ccedil;a, centrada    nos processos sociais que promovem ou agravam a sa&uacute;de das popula&ccedil;&otilde;es    de uma dada sociedade. Novos focos de an&aacute;lise passaram a fazer parte    da Sa&uacute;de P&uacute;blica, reorientada pela incorpora&ccedil;&atilde;o    das ci&ecirc;ncias sociais e humanas. Nessa perspectiva, os limites das a&ccedil;&otilde;es    de vigil&acirc;ncia esbarram em caracter&iacute;sticas da pr&oacute;pria sociedade,    como o n&iacute;vel de eq&uuml;idade, de distribui&ccedil;&atilde;o de renda    e de participa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o na constru&ccedil;&atilde;o    das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e no controle das a&ccedil;&otilde;es de    governo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os princ&iacute;pios de    constru&ccedil;&atilde;o do SUS desenvolveram-se &agrave; luz dessa vis&atilde;o:    a melhora da qualidade de vida e sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o    se limita apenas ao sistema de sa&uacute;de em si, mas depende de como a sociedade    se organiza e prioriza suas necessidades. &Eacute; preciso universalizar a Sa&uacute;de,    descentralizar suas a&ccedil;&otilde;es e abrir a gest&atilde;o do sistema &agrave;    participa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o. Muitos avan&ccedil;os    t&ecirc;m ocorrido desde ent&atilde;o, em especial com a cria&ccedil;&atilde;o    dos conselhos de sa&uacute;de, nos tr&ecirc;s n&iacute;veis de gest&atilde;o,    e com o processo de prepara&ccedil;&atilde;o e realiza&ccedil;&atilde;o das    Confer&ecirc;ncias Nacionais de Sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Contudo, tais avan&ccedil;os    n&atilde;o s&atilde;o, em si, suficientes para redirecionar os paradigmas m&eacute;dico-assistencialista    e sanitarista que comp&otilde;em as a&ccedil;&otilde;es cl&aacute;ssicas do    setor Sa&uacute;de. De um lado, o contexto pol&iacute;tico internacional e nacional    da d&eacute;cada de 90 n&atilde;o chegou a ser favor&aacute;vel a mudan&ccedil;as    sociais mais radicais, com um quadro socioecon&ocirc;mico que vem mantendo &#8211;    ou mesmo ampliando &#8211; a exclus&atilde;o social. O sistema de sa&uacute;de    continua pressionado pela demanda assistencial das popula&ccedil;&otilde;es    mais carentes e por uma crise financeira agravada pelo d&eacute;ficit p&uacute;blico    e pela pol&iacute;tica econ&ocirc;mica em curso.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">De outro lado, as pr&aacute;ticas    cl&aacute;ssicas de vigil&acirc;ncia ainda n&atilde;o sofreram mudan&ccedil;as    estruturais, embora tenham ocorrido avan&ccedil;os localizados, como, por exemplo,    na forma&ccedil;&atilde;o de recursos humanos e na infra-estrutura institucional.    Essas pr&aacute;ticas ainda se mant&ecirc;m isoladas entre os pr&oacute;prios    setores cl&aacute;ssicos da vigil&acirc;ncia, com recortes espec&iacute;ficos    de objeto de controle e interven&ccedil;&atilde;o. Na vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica,    pelo controle das doen&ccedil;as, defini&ccedil;&atilde;o de eventos sentinelas,    implementa&ccedil;&atilde;o de medidas emergenciais de tratamento e isolamento    dos pacientes, bem como pelo direcionamento das a&ccedil;&otilde;es de vigil&acirc;ncia    sanit&aacute;ria e ambiental. Na vigil&acirc;ncia sanit&aacute;ria, enfoca-se    o controle dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de, dos f&aacute;rmacos e dos produtos    gerais de consumo humano, como alimentos e produtos de uso dom&eacute;stico.    Por fim, na vigil&acirc;ncia ambiental, privilegia-se o controle de fatores    ambientais biol&oacute;gicos e n&atilde;o biol&oacute;gicos como vetores, animais    transmissores da raiva, &aacute;gua de consumo humano e, mais recentemente,    fatores f&iacute;sicos e qu&iacute;micos relacionados &agrave; contamina&ccedil;&atilde;o    ambiental.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Essa setorializa&ccedil;&atilde;o    da vigil&acirc;ncia refere alguns problemas centrais para o desenvolvimento    das a&ccedil;&otilde;es de promo&ccedil;&atilde;o e preven&ccedil;&atilde;o.    N&atilde;o ficam claros o papel e os limites das a&ccedil;&otilde;es intra-setoriais    da Sa&uacute;de, como, quando e de que forma devem ser desenvolvidas a&ccedil;&otilde;es    intersetoriais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A l&oacute;gica cl&aacute;ssica    de interven&ccedil;&atilde;o sanit&aacute;ria, simplesmente, n&atilde;o d&aacute;    conta de uma s&eacute;rie de problemas de sa&uacute;de que n&atilde;o cabem    nos &#8220;compartimentos setoriais&#8221; das vigil&acirc;ncias, como as causas    externas e as doen&ccedil;as cr&ocirc;nico-degenerativas, os campos da Sa&uacute;de    do Trabalhador e da Sa&uacute;de Mental.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Obviamente, quanto mais    distantes da l&oacute;gica do modelo assistencial-sanitarista s&atilde;o os    processos sa&uacute;de-doen&ccedil;a, maior ser&aacute; a necessidade de serem    constru&iacute;das pr&aacute;ticas alternativas que superem seus limites intr&iacute;nsecos.    N&atilde;o existem &#8220;vacinas&#8221; contra acidentes de tr&acirc;nsito,    tampouco subst&acirc;ncias que possam &#8220;higienizar&#8221; ambientes gerais    ou de trabalho contaminados que, mais tarde, podem levar ao c&acirc;ncer as    pessoas expostas. Nesses casos, quanto mais s&atilde;o analisadas as g&ecirc;neses    desses riscos e seus efeitos, mais se encaminha para um emanharado de pol&iacute;ticas    p&uacute;blicas, pr&aacute;ticas sociais e processos decis&oacute;rios que se    encontram fora do &acirc;mbito do setor Sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Epistemologicamente, trata-se    de verificar os atuais reducionismos e possibilidades de avan&ccedil;os conceituais    e metodol&oacute;gicos perante os processos sa&uacute;de-doen&ccedil;a mais    complexos. Em termos pol&iacute;ticos e institucionais, significa avan&ccedil;ar    nas pr&aacute;ticas intersetoriais e de rela&ccedil;&atilde;o com a sociedade,    para que os crit&eacute;rios de sa&uacute;de estejam cada vez mais presentes    no conjunto dos processos decis&oacute;rios e nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas    que acabam por afetar a sa&uacute;de das comunidades. Em outras palavras, a    sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o encontra-se menos na rede assistencial    e mais no modelo de desenvolvimento de um pa&iacute;s e regi&atilde;o, que propicia    ou n&atilde;o condi&ccedil;&otilde;es e recursos para que as pessoas vivam mais    e bem.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O entendimento dos processos    mais importantes, em termos de determinantes e condicionantes da sa&uacute;de,    &eacute; a principal base para a constru&ccedil;&atilde;o de novas pr&aacute;ticas    de promo&ccedil;&atilde;o. Esse conhecimento deve incluir a compreens&atilde;o    tanto das caracter&iacute;sticas do modelo de desenvolvimento quanto da g&ecirc;nese    dos riscos e respectivas popula&ccedil;&otilde;es expostas, em um determinado    per&iacute;odo e regi&atilde;o, a partir dos processos sociopol&iacute;ticos,    socioecon&ocirc;micos, culturais, tecnol&oacute;gicos, produtivos, legais, institucionais,    entre outros.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A discuss&atilde;o sobre    Vigil&acirc;ncia da Sa&uacute;de<sup>1</sup> segue nessa dire&ccedil;&atilde;o, ao propor    as bases de um novo modelo de vigil&acirc;ncia que busque superar os paradigmas    m&eacute;dico-assistencialistas e sanit&aacute;rios, em conson&acirc;ncia com    a propostas de promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de. Nessa nova concep&ccedil;&atilde;o,    o objeto das a&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de caminharia no sentido do dano    para os riscos, necessidades e determinantes dos modos de vida e sa&uacute;de.    A forma de organiza&ccedil;&atilde;o desse modelo privilegiaria a constru&ccedil;&atilde;o    de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, atua&ccedil;&atilde;o intersetorial e interven&ccedil;&otilde;es    particulares e integradas de promo&ccedil;&atilde;o, preven&ccedil;&atilde;o    e recupera&ccedil;&atilde;o em torno a problemas e grupos populacionais espec&iacute;ficos,    tendo por base do planejamento das a&ccedil;&otilde;es as an&aacute;lises de    situa&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de nos territ&oacute;rios.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Entretanto, essa proposta ainda necessita    de uma maior reflex&atilde;o conceitual e metodol&oacute;gica, pois n&atilde;o    discute o significado e a operacionaliza&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es    intersetoriais, restringindo-se &agrave;s a&ccedil;&otilde;es intra-setoriais    do setor Sa&uacute;de, muitas vezes n&atilde;o articuladas entre si. Um exemplo    pode ser observado na implanta&ccedil;&atilde;o dos programas de Sa&uacute;de    da Fam&iacute;lia (PSF) e dos Agentes Comunit&aacute;rios de Sa&uacute;de (PACS),    ainda voltados para uma perspectiva que enfatiza as a&ccedil;&otilde;es assistenciais    e intra-setoriais. Por sua vez, o atual est&aacute;gio de implementa&ccedil;&atilde;o    da vigil&acirc;ncia ambiental pelos Estados e munic&iacute;pios, bem como as    mudan&ccedil;as organizacionais que acontecem em diversas Secretarias de Estado    de Sa&uacute;de, que visam integrar as distintas vigil&acirc;ncias em fun&ccedil;&atilde;o    das concep&ccedil;&otilde;es mais abrangentes de promo&ccedil;&atilde;o e de    vigil&acirc;ncia &agrave; sa&uacute;de, dever&atilde;o fornecer subs&iacute;dios    permanentes para a reorienta&ccedil;&atilde;o do modelo assistencial-sanitarista,    ainda hegem&ocirc;nico em nosso sistema de sa&uacute;de.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Vigil&acirc;ncia em sa&uacute;de    do trabalhador e a constru&ccedil;&atilde;o de redes</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">O conceito de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de    apresenta distintas formula&ccedil;&otilde;es e entendimentos. Pode ser visto    de forma restrita, como monitoramento de doen&ccedil;as resultante da conjuga&ccedil;&atilde;o    do atendimento cl&iacute;nico e do acompanhamento de popula&ccedil;&otilde;es    expostas por meio de indicadores biol&oacute;gicos de exposi&ccedil;&atilde;o    e de efeitos subcl&iacute;nicos &#8211; como induz a tradu&ccedil;&atilde;o    da express&atilde;o inglesa <i>medical surveillance</i>.<sup>2</sup> Esse entendimento,    a nosso ver, refere-se exclusivamente &agrave; vigil&acirc;ncia m&eacute;dica<sup>3</sup>    ou vigil&acirc;ncia da sa&uacute;de.<sup>4</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Por outro lado, o conceito    de Vigil&acirc;ncia tamb&eacute;m est&aacute; associado &agrave;s a&ccedil;&otilde;es    sistem&aacute;ticas de coleta, an&aacute;lise e dissemina&ccedil;&atilde;o de    dados, de acordo com a XXI Assembl&eacute;ia Mundial de Sa&uacute;de de 1968    e, mais genericamente, &agrave;s recomenda&ccedil;&otilde;es de articula&ccedil;&atilde;o    com servi&ccedil;os, programas de sa&uacute;de e pesquisas epidemiol&oacute;gicas    enunciadas pelo conceito de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de P&uacute;blica    proposto por Thacker e Berkelman<sup>5</sup> &#8211; e adotado pelos Centros de Controle    e Preven&ccedil;&atilde;o de Doen&ccedil;as nos EUA (CDC). Essas concep&ccedil;&otilde;es    podem ser sintetizadas no entendimento de que &#8220;vigil&acirc;ncia &eacute;    informa&ccedil;&atilde;o para a&ccedil;&atilde;o&#8221;, conforme apresentado    por Wunsch Filho e colaboradores,<sup>6</sup> tendo como refer&ecirc;ncia a vigil&acirc;ncia    epidemiol&oacute;gica restrita &agrave; coleta, an&aacute;lise e programa&ccedil;&atilde;o    de a&ccedil;&otilde;es de detec&ccedil;&atilde;o de situa&ccedil;&otilde;es    de risco. Essa refer&ecirc;ncia pode servir de ponto de partida para a&ccedil;&otilde;es    de interven&ccedil;&atilde;o, que, teoricamente, encontram-se no campo de a&ccedil;&atilde;o    da vigil&acirc;ncia; sua pr&aacute;tica, por&eacute;m, ao requerer outros m&eacute;todos    e t&eacute;cnicas, n&atilde;o se adequa ao modelo de organiza&ccedil;&atilde;o    de servi&ccedil;os existentes nos sistemas de sa&uacute;de. Vigil&acirc;ncia    &eacute; informa&ccedil;&atilde;o para a&ccedil;&atilde;o, pressupondo que as    a&ccedil;&otilde;es perten&ccedil;am ao campo da vigil&acirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Deve ser destacado o fato    de que equiparar a vigil&acirc;ncia em sa&uacute;de &#8211; e, em conseq&uuml;&ecirc;ncia,    a vigil&acirc;ncia em sa&uacute;de do trabalhador (VST) &#8211; &agrave;s concep&ccedil;&otilde;es    restritas de vigil&acirc;ncia da sa&uacute;de (ou vigil&acirc;ncia m&eacute;dica)    e vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica, mais do que configurar quest&otilde;es    sem&acirc;nticas, tem conseq&uuml;&ecirc;ncias importantes na defini&ccedil;&atilde;o    de compet&ecirc;ncias institucionais relativas &agrave; possibilidade de incorpora&ccedil;&atilde;o    de a&ccedil;&otilde;es de interven&ccedil;&atilde;o nos ambientes de trabalho,    limitando as possibilidades de a&ccedil;&atilde;o e seu impacto na sa&uacute;de    dos trabalhadores.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Essas defini&ccedil;&otilde;es    est&atilde;o em conson&acirc;ncia com o conceito de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de    definido por Mendes,<sup>7</sup> que situa as a&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de no &acirc;mbito    de um dado territ&oacute;rio, o distrito sanit&aacute;rio, propondo uma mudan&ccedil;a    de refer&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o ao modelo assistencial tradicionalmente    adotado. A nova perspectiva inclui promo&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de, atua&ccedil;&atilde;o    nos determinantes sanit&aacute;rios, coleta, an&aacute;lise e dissemina&ccedil;&atilde;o    de informa&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias e aten&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica.    De acordo com esse modelo, estabelecer o territ&oacute;rio como elemento integrador    das a&ccedil;&otilde;es de registro e an&aacute;lise da informa&ccedil;&atilde;o,    de promo&ccedil;&atilde;o, de preven&ccedil;&atilde;o e de assist&ecirc;ncia    &agrave; sa&uacute;de dos trabalhadores &eacute; essencial na concep&ccedil;&atilde;o    de VST aqui apresentada.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As a&ccedil;&otilde;es em    sa&uacute;de do trabalhador no Brasil iniciaram-se em meados dos anos 80, influenciadas    pelas contribui&ccedil;&otilde;es da medicina social latino-americana e da reforma    sanit&aacute;ria italiana.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">De acordo com v&aacute;rios    autores,<sup>8-10</sup> as caracter&iacute;sticas b&aacute;sicas do campo de pr&aacute;ticas    e saberes denominado Sa&uacute;de do Trabalhador s&atilde;o:</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&#8226; a busca da compreens&atilde;o    das rela&ccedil;&otilde;es entre o trabalho, a sa&uacute;de e a doen&ccedil;a    dos trabalhadores, para fins de promo&ccedil;&atilde;o e prote&ccedil;&atilde;o    &#8211; nesta, inclu&iacute;da a preven&ccedil;&atilde;o de agravos, al&eacute;m    da assist&ecirc;ncia mediante o diagn&oacute;stico, o tratamento e a reabilita&ccedil;&atilde;o;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&#8226; a &ecirc;nfase na    necessidade de transforma&ccedil;&otilde;es dos processos e ambientes de trabalho,    com vistas &agrave; sua humaniza&ccedil;&atilde;o;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&#8226; a abordagem multiprofissional,    interdisciplinar e intersetorial, para que a rela&ccedil;&atilde;o sa&uacute;de-trabalho    seja entendida em toda a sua complexidade;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&#8226; a participa&ccedil;&atilde;o    fundamental dos trabalhadores como sujeitos no planejamento e implementa&ccedil;&atilde;o    das a&ccedil;&otilde;es; e</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">&#8226; a articula&ccedil;&atilde;o    com as quest&otilde;es ambientais, j&aacute; que os riscos dos processos produtivos    tamb&eacute;m afetam o meio ambiente e a popula&ccedil;&atilde;o geral.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No SUS, a vigil&acirc;ncia    em sa&uacute;de do trabalhador vem sendo constru&iacute;da com esse esp&iacute;rito,    conforme prev&ecirc; a Lei N<u><sup>o</sup></u> 8.080/90, nas diversas experi&ecirc;ncias desenvolvidas    por programas, centros de refer&ecirc;ncia, servi&ccedil;os, n&uacute;cleos    ou coordena&ccedil;&otilde;es em Estados e munic&iacute;pios. Essas experi&ecirc;ncias    possuem diferentes graus de organiza&ccedil;&atilde;o, compet&ecirc;ncias, atribui&ccedil;&otilde;es,    recursos e pr&aacute;ticas de atua&ccedil;&atilde;o. O processo &eacute; desencadeado    por grupos institucionais localizados em v&aacute;rios pontos do Brasil e as    diferen&ccedil;as observadas est&atilde;o relacionadas &agrave;s potencialidades    regionais, que giram em torno da for&ccedil;a e qualidade da organiza&ccedil;&atilde;o    dos trabalhadores diante das quest&otilde;es de sa&uacute;de. Em termos institucionais,    essas potencialidades dependem das pol&iacute;ticas regionais e da estrutura    organizacional, da capacidade instalada, da qualifica&ccedil;&atilde;o dos profissionais    envolvidos e de influ&ecirc;ncias advindas das institui&ccedil;&otilde;es acad&ecirc;micas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Essas experi&ecirc;ncias    deram-se paralelamente aos modelos assistencial e sanitarista vigentes, gerando    desconfortos para a inser&ccedil;&atilde;o dessas atividades dentro das estruturas    cl&aacute;ssicas do SUS e da vigil&acirc;ncia, com atua&ccedil;&otilde;es freq&uuml;entemente    perif&eacute;ricas &agrave;s a&ccedil;&otilde;es das vigil&acirc;ncias epidemiol&oacute;gica    e sanit&aacute;ria. Al&eacute;m disso, houve muitas dificuldades de inser&ccedil;&atilde;o    na estrutura assistencial, com falhas na cobertura do conjunto dos trabalhadores    pela rede regionalizada, hierarquizada e integral proposta para o SUS.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Entretanto, a sa&uacute;de dos trabalhadores    constitui um dos objetos integradores das a&ccedil;&otilde;es de Sa&uacute;de    P&uacute;blica, por seu potencial articulador das a&ccedil;&otilde;es de vigil&acirc;ncia    sanit&aacute;ria, de vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica e de servi&ccedil;os    de sa&uacute;de, as tr&ecirc;s grandes &aacute;reas de atua&ccedil;&atilde;o    do setor Sa&uacute;de, segundo Cordoni.<sup>11</sup> Essa rede interna, de car&aacute;ter    intra-setorial, &eacute; estabelecida pelo desenvolvimento sistem&aacute;tico    das a&ccedil;&otilde;es de VST e amplia-se para um conjunto de institui&ccedil;&otilde;es    e atores sociais, configurando uma s&eacute;rie de pontes intersetoriais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Esquematicamente, a <a href="#fig1">Figura 1</a>    apresenta uma rede de vigil&acirc;ncia em sa&uacute;de do trabalhador a partir    do foco das a&ccedil;&otilde;es em sa&uacute;de do trabalhador, ou seja, a rela&ccedil;&atilde;o    entre o processo de trabalho e a sa&uacute;de, e as esferas que condicionam    a qualidade do trabalho nas empresas.</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v12n3/3a02f1.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">No centro dessa rede, como objeto em torno do    qual ela &eacute; tecida, est&atilde;o os trabalhadores e o ambiente de trabalho.    Essa estrutura apresenta dois p&oacute;los din&acirc;micos e fundamentais: o    dos representantes dos trabalhadores e o das empresas. As institui&ccedil;&otilde;es    constituem pontos de encontro e de desencadeamento de liga&ccedil;&otilde;es    em v&aacute;rias camadas conc&ecirc;ntricas e polares, que correspondem ao tipo    de poder de interven&ccedil;&atilde;o no n&uacute;cleo em quest&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Freq&uuml;entemente, as redes de VST s&atilde;o    constitu&iacute;das, a partir de seus n&uacute;cleos, por den&uacute;ncias dos    trabalhadores envolvidos diretamente em situa&ccedil;&otilde;es de risco ou    que se tornaram casos de doen&ccedil;as relacionadas com o trabalho. Essas den&uacute;ncias    chegam &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es via representantes e comiss&otilde;es    dos trabalhadores, Comiss&otilde;es Internas de Preven&ccedil;&atilde;o de Acidentes    (CIPA), associa&ccedil;&otilde;es, sindicatos, centrais sindicais, ONG e m&iacute;dia    em geral.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As inst&acirc;ncias executivas da rede de VST    representam a primeira camada ou n&iacute;vel de contato direto com o n&uacute;cleo    &#8211; trabalhador e ambiente de trabalho &#8211;, sendo as duas institui&ccedil;&otilde;es    principais o SUS e o Minist&eacute;rio do Trabalho.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O SUS exerce fun&ccedil;&atilde;o m&uacute;ltipla,    configurando um espa&ccedil;o estruturador de conex&otilde;es das redes. Em    sua estrutura encontram-se, basicamente, os servi&ccedil;os assistenciais, de    vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica e sanit&aacute;ria e os programas de    sa&uacute;de do trabalhador. Esses programas representam os focos de articula&ccedil;&atilde;o    de a&ccedil;&otilde;es do pr&oacute;prio SUS, e deste com outras institui&ccedil;&otilde;es.    Eles executam, diretamente, as fun&ccedil;&otilde;es de refer&ecirc;ncia cl&iacute;nica,    vigil&acirc;ncia sanit&aacute;ria e epidemiol&oacute;gica dos agravos relacionados    ao trabalho, constituem um subsistema de vigil&acirc;ncia em sa&uacute;de do    trabalhador e desencadeiam um processo de vigil&acirc;ncia por meio da integra&ccedil;&atilde;o    das a&ccedil;&otilde;es em torno de casos espec&iacute;ficos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O Minist&eacute;rio do Trabalho e Emprego (MTE)    comp&otilde;e com as Delegacias Regionais de Trabalho (DRT), na qualidade de    ator, a rede que gravita entre o p&oacute;lo empresarial e o dos trabalhadores,    em contato direto com seu n&uacute;cleo. Desenvolve a&ccedil;&otilde;es de inspe&ccedil;&atilde;o    aos locais de trabalho; de articula&ccedil;&atilde;o, por meio da coordena&ccedil;&atilde;o    de f&oacute;runs; e de media&ccedil;&atilde;o de acordos entre trabalhadores    e empresas. Sua caracter&iacute;stica institucional mais relevante &eacute;    o amplo reconhecimento do seu poder de policiamento e normatiza&ccedil;&atilde;o    no campo das rela&ccedil;&otilde;es entre trabalho e sa&uacute;de &#8211; embora    suas a&ccedil;&otilde;es de inspe&ccedil;&atilde;o ainda sejam criticadas por    se restringirem &agrave;s normas, em um processo fiscalizador pontual e pouco    participativo.<sup>9</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As a&ccedil;&otilde;es desenvolvidas pela pr&oacute;pria    empresa correspondem ao segundo p&oacute;lo do n&uacute;cleo da rede de vigil&acirc;ncia.    S&atilde;o exercidas, nas grandes empresas, pelos Servi&ccedil;os Especializados    em Engenharia de Seguran&ccedil;a e Medicina do Trabalho (SESMT); ou, nas pequenas    empresas, pela pr&oacute;pria ger&ecirc;ncia. Essas a&ccedil;&otilde;es de cuidados    imediatos com o ambiente e com os trabalhadores s&atilde;o as primeiras a serem    analisadas e modificadas em um processo de vigil&acirc;ncia. Os processos de    vigil&acirc;ncia t&ecirc;m ocasionado mudan&ccedil;as significativas nas pr&aacute;ticas    gerenciais e nos servi&ccedil;os especializados em engenharia de seguran&ccedil;a    e em medicina do trabalho das empresas, particularmente daquelas de maior porte    e com alto risco.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Institui&ccedil;&otilde;es que comp&otilde;em    uma rede de vigil&acirc;ncia em sa&uacute;de do trabalhador, como os &oacute;rg&atilde;os    ambientais, as Secretarias de Estado de Trabalho, as inst&acirc;ncias ligadas    &agrave; previd&ecirc;ncia social &#8211; como a per&iacute;cia m&eacute;dica    e a reabilita&ccedil;&atilde;o &#8211; e os &oacute;rg&atilde;os de planejamento    e de desenvolvimento econ&ocirc;mico e social, entre outros, situam-se, pelo    aspecto executivo e complementar de suas a&ccedil;&otilde;es, no interst&iacute;cio    entre a primeira e a segunda camada.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Ainda nesse n&iacute;vel, destacam-se as articula&ccedil;&otilde;es    com o Minist&eacute;rio P&uacute;blico Estadual e o Minist&eacute;rio P&uacute;blico    do Trabalho. S&atilde;o atores com maior poder de investiga&ccedil;&atilde;o    e persuas&atilde;o, que impulsionam processos de negocia&ccedil;&atilde;o com    as empresas e de conscientiza&ccedil;&atilde;o do empresariado, utilizando como    instrumento de compromisso os chamados termos de ajustamento de conduta. As    a&ccedil;&otilde;es do Minist&eacute;rio P&uacute;blico ocorrem, principalmente,    em situa&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas de maior conflito e resist&ecirc;ncia,    e funcionam como elemento desestabilizador de pr&aacute;ticas gerenciais atrasadas    e ainda freq&uuml;entes em v&aacute;rios setores econ&ocirc;micos e regi&otilde;es    do pa&iacute;s.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em uma segunda camada de apoio, destacam-se as    a&ccedil;&otilde;es desencadeadas por projetos acad&ecirc;micos e de ensino,    desenvolvidas principalmente por institui&ccedil;&otilde;es da sa&uacute;de    coletiva. Elas t&ecirc;m colaborado na estabiliza&ccedil;&atilde;o de experi&ecirc;ncias    mediante suporte t&eacute;cnico-cient&iacute;fico, divulga&ccedil;&atilde;o    e apoio interdisciplinar em casos de maior complexidade. S&atilde;o, ainda,    fundamentais na forma&ccedil;&atilde;o de novos profissionais e na legitima&ccedil;&atilde;o    t&eacute;cnica, possibilitando uma contraposi&ccedil;&atilde;o ao saber empresarial.    A relativa estabilidade de algumas a&ccedil;&otilde;es regionais do SUS constitui,    na coopera&ccedil;&atilde;o com institui&ccedil;&otilde;es acad&ecirc;micas,    um importante componente contra a vulnerabilidade institucional.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em uma terceira camada, encontra-se a esfera    estrat&eacute;gica de negocia&ccedil;&atilde;o e defini&ccedil;&atilde;o de    pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, de leis e acordos desenvolvidos por a&ccedil;&otilde;es    intersetoriais em diferentes n&iacute;veis de agrega&ccedil;&atilde;o, do local    ao global, como o geogr&aacute;fico (distrito/munic&iacute;pio/Estado/pa&iacute;s/&acirc;mbito    internacional), institucional (sa&uacute;de, trabalho, meio ambiente, previd&ecirc;ncia    social, Minist&eacute;rios P&uacute;blicos, representa&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas    no Congresso Federal/assembl&eacute;ias estaduais/c&acirc;maras de vereadores)    e econ&ocirc;mico (empresa/ramo econ&ocirc;mico ou grupo de empresas por tipo    de risco).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As inst&acirc;ncias interinstitucionais de integra&ccedil;&atilde;o    &#8211; conv&ecirc;nios, comiss&otilde;es, grupos gestores, c&acirc;maras t&eacute;cnicas    e conselhos &#8211; s&atilde;o elementos de condu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica    do processo de vigil&acirc;ncia que desenvolvem a&ccedil;&otilde;es de planejamento    e avalia&ccedil;&atilde;o das atividades, representando espa&ccedil;os formais    de fortalecimento das liga&ccedil;&otilde;es entre os pontos da rede de vigil&acirc;ncia    e compondo o seu tecido. Elas estabelecem uma ponte entre a VST e a sociedade    organizada, como sindicatos e ONG. Uma das raz&otilde;es da for&ccedil;a de    algumas a&ccedil;&otilde;es de VST em certos Estados e munic&iacute;pios encontra-se    na exist&ecirc;ncia e continuidade dessas inst&acirc;ncias &#8211; como conselhos    estaduais e municipais de sa&uacute;de do trabalhador &#8211;, viabilizando    tais articula&ccedil;&otilde;es.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">A m&iacute;dia, &uacute;ltima camada no esquema    proposto, desempenha fun&ccedil;&atilde;o de contato com a sociedade em que    est&atilde;o inseridos os processos de vigil&acirc;ncia, sendo, portanto, estrategicamente    importante para a visibilidade e a legitimiza&ccedil;&atilde;o social das a&ccedil;&otilde;es.    A m&iacute;dia contribui para a forma&ccedil;&atilde;o de consensos sociais    em torno de certas situa&ccedil;&otilde;es de risco, apresentando-as como inaceit&aacute;veis    e transformando-as em prioridades. Aqui, o setor Sa&uacute;de possui um importante    papel, fornecendo &agrave; sociedade informa&ccedil;&otilde;es sobre o sofrimento    de trabalhadores e seus familiares em fun&ccedil;&atilde;o de mortes e doen&ccedil;as    decorrentes dos riscos existentes &#8211; e mal gerenciados &#8211; nos processos    de trabalho.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A colabora&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia tem    sido, freq&uuml;entemente, restrita e contradit&oacute;ria, com a publica&ccedil;&atilde;o    de hist&oacute;rias e dados descontextualizados e descont&iacute;nuos que banalizam    a morte de trabalhadores &#8220;subcidad&atilde;os&#8221; e n&atilde;o enfrentam    empresas de grande poder econ&ocirc;mico. Mas, quando esse bloqueio &eacute;    furado e esc&acirc;ndalos s&atilde;o divulgados por &oacute;rg&atilde;os de    imprensa e jornalistas com maior independ&ecirc;ncia, a imagem de confiabilidade    da empresa &eacute; questionada pela revela&ccedil;&atilde;o dos perigos e efeitos,    colocando em xeque o gerenciamento empresarial artificial adotado, que nega    a exist&ecirc;ncia dos riscos e tenta responsabilizar os pr&oacute;prios trabalhadores    por suas mortes e doen&ccedil;as.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As estrat&eacute;gias de vigil&acirc;ncia e constru&ccedil;&atilde;o    de redes devem passar a levar em considera&ccedil;&atilde;o a opini&atilde;o    p&uacute;blica, em especial nas regi&otilde;es de maior concentra&ccedil;&atilde;o    de riscos, como os p&oacute;los industriais, onde as popula&ccedil;&otilde;es    de seus entornos sejam alvo de programas educacionais espec&iacute;ficos, gerando    uma consci&ecirc;ncia ecol&oacute;gica e uma prepara&ccedil;&atilde;o para situa&ccedil;&otilde;es    de emerg&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As redes constru&iacute;das a partir das a&ccedil;&otilde;es    de VST devem ser compreendidas como extremamente din&acirc;micas, de estabilidade    provis&oacute;ria, traduzindo a conjun&ccedil;&atilde;o e integra&ccedil;&atilde;o    de diferentes protagonistas e interesses nas a&ccedil;&otilde;es frente a determinados    problemas espec&iacute;ficos, bem como a for&ccedil;a dos trabalhadores e do    setor Sa&uacute;de na sociedade. A constru&ccedil;&atilde;o de redes, nesses    casos, surge como estrat&eacute;gia de fortalecimento de um ator &#8211; o SUS    &#8211; incapaz, isoladamente, de dar conta de problemas freq&uuml;entemente    complexos, tanto na sua origem quanto na sua solu&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Essa articula&ccedil;&atilde;o em redes associando,    de diferentes formas, in&uacute;meros e heterog&ecirc;neos atores, n&atilde;o    significa a dilui&ccedil;&atilde;o da import&acirc;ncia do papel do SUS. O setor    Sa&uacute;de, nesse modelo, funciona mais propriamente como um catalisador do    que um executor das v&aacute;rias a&ccedil;&otilde;es de promo&ccedil;&atilde;o,    dependentes de outros setores.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Ao construir determinadas redes, tamb&eacute;m    podem ser desarticuladas outras, dado que o comportamento vigente dos v&aacute;rios    atores reflete estruturas de poder e pr&aacute;ticas culturais que precisam    ser superadas, para que outras, mais efetivas, tomem o seu lugar.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Nesse processo, inevitavelmente, ocorrem transforma&ccedil;&otilde;es    dos objetivos iniciais, pois a constru&ccedil;&atilde;o de uma rede de protagonistas    heterog&ecirc;neos, a partir de diferentes rela&ccedil;&otilde;es (formais e    informais), implica um processo simult&acirc;neo de negocia&ccedil;&atilde;o.    Como resultado desse processo por excel&ecirc;ncia, transformam-se os objetivos    iniciais de um ator em objetivos definidos coletivamente, a partir das diversas    possibilidades e necessidades dos diferentes atores. A base &eacute;tica de    defesa da Sa&uacute;de &eacute; a mola propulsora dessas a&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Varias a&ccedil;&otilde;es e redes constru&iacute;das    em refer&ecirc;ncia a casos com caracter&iacute;sticas comuns, ou o aprofundamento    das rela&ccedil;&otilde;es interinstitucionais, podem e devem gerar inst&acirc;ncias    mais estruturadas, como n&uacute;cleos institucionais permanentes em torno de    problemas espec&iacute;ficos de sa&uacute;de. Esses n&uacute;cleos, por sua    vez, passam a ser p&oacute;los de constru&ccedil;&atilde;o de novas redes e    de formula&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica interdisciplinar e interinstitucional.    Esse processo ainda se encontra bastante incipiente e a fun&ccedil;&atilde;o    de formula&ccedil;&atilde;o tem-se concentrado, freq&uuml;entemente, em inst&acirc;ncias    acad&ecirc;micas com pr&aacute;ticas de apoio &agrave;s a&ccedil;&otilde;es    de VST.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Entretanto, o modelo de Rede de Vigil&acirc;ncia    em Sa&uacute;de do Trabalhador, aqui apresentado, tem um desafio maior do que    esse, de integra&ccedil;&atilde;o institucional, que &eacute; o de permear as    pr&aacute;ticas das empresas tornando-se refer&ecirc;ncia para a transforma&ccedil;&atilde;o    das pol&iacute;ticas e culturas empresariais no sentido da defesa da sa&uacute;de    dos trabalhadores nos locais de trabalho.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>Conclus&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">S&atilde;o muitos os exemplos, em todo o pa&iacute;s,    de experi&ecirc;ncias de a&ccedil;&otilde;es intersetoriais de sa&uacute;de    do trabalhador. O poder legislativo tem sido cen&aacute;rio importante para    discutir problemas, indicar pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e definir leis,    gerando diretrizes a serem seguidas pelos &oacute;rg&atilde;os executivos e    empresas. Os espa&ccedil;os interinstitucionais de negocia&ccedil;&atilde;o    e estabelecimento de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas no poder executivo, como    o Grupo Executivo Interministerial de Sa&uacute;de do Trabalhador (GEISAT),    que re&uacute;ne os Minist&eacute;rios da Sa&uacute;de, Trabalho e Previd&ecirc;ncia    Social, t&ecirc;m sido, sistematicamente, inviabilizados pela falta de pol&iacute;ticas    integradas para essa &aacute;rea na esfera federal.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os limites constatados nas a&ccedil;&otilde;es    regionais de VST refletem a fragmenta&ccedil;&atilde;o e descontinuidade pol&iacute;ticas,    com institui&ccedil;&otilde;es que possuem culturas e pr&aacute;ticas diferenciadas.    Outra limita&ccedil;&atilde;o refere-se ao n&iacute;vel local da Sa&uacute;de,    seus programas e unidades, que deveriam ampliar as concep&ccedil;&otilde;es    de territ&oacute;rio e an&aacute;lises de situa&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de    visando incluir, al&eacute;m dos moradores e usu&aacute;rios dos servi&ccedil;os    locais, os trabalhadores e ambientes de trabalho como objetos de investiga&ccedil;&atilde;o    e interven&ccedil;&atilde;o no conjunto das quest&otilde;es locais de sa&uacute;de,    integrando-os em uma concep&ccedil;&atilde;o ampliada de desenvolvimento regional    e local sustent&aacute;vel.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Nesse sentido, os modelos emergentes no interior    do SUS, como os programas de Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia e de Agentes Comunit&aacute;rios    de Sa&uacute;de, tendem a excluir importantes problemas de sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o    por n&atilde;o corresponderem ao modelo baseado na moradia como foco da clientela    do servi&ccedil;o. Consideramos de grande import&acirc;ncia a articula&ccedil;&atilde;o    desses programas a um sistema de vigil&acirc;ncia &agrave; sa&uacute;de mais    abrangente, que leve em considera&ccedil;&atilde;o o territ&oacute;rio como    base operacional e de planejamento, incorporando problemas como, por exemplo,    os traumas por atropelamento, a polui&ccedil;&atilde;o ambiental e as condi&ccedil;&otilde;es    de vida nos canteiros de obras.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As cidades produzem distintas din&acirc;micas    de exposi&ccedil;&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es a diferentes situa&ccedil;&otilde;es    de risco e as pessoas passam grande parte de suas vidas nos seus locais de trabalho.    Portanto, esses ambientes devem ser encarados como espa&ccedil;os privilegiados    para a a&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Na situa&ccedil;&atilde;o atual, em termos gerais,    poder&iacute;amos afirmar que o modelo de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de do    Trabalhador brasileiro possui um car&aacute;ter h&iacute;brido, calcado em experi&ecirc;ncias    institucionalizadas e generalizadas de m&uacute;ltiplas facetas, repletas de    a&ccedil;&otilde;es voluntaristas e de personalismos, em contexto institucional    desestabilizado. No &acirc;mbito das empresas, essa influ&ecirc;ncia tem sido    limitada e focal, constitu&iacute;da de a&ccedil;&otilde;es setoriais e em grandes    empresas, na sua rela&ccedil;&atilde;o com os chamados Programas de Sa&uacute;de    do Trabalhador ou Centros de Refer&ecirc;ncia em Sa&uacute;de do Trabalhador.    As a&ccedil;&otilde;es interinstitucionais, freq&uuml;entemente, decorrem de    parcerias do SUS com o MTE, os Minist&eacute;rios P&uacute;blicos e o poder    legislativo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Como exemplos positivos dessas pr&aacute;ticas    nos anos 90, podemos destacar a interven&ccedil;&atilde;o interinstitucional    regional comandada pelo SUS, a partir da lei de substitui&ccedil;&atilde;o de    jateamento de areia no setor naval no Rio de Janeiro; e a abordagem da quest&atilde;o    do benzeno, subst&acirc;ncia reconhecidamente carcinog&ecirc;nica, tendo sido    criada a Comiss&atilde;o Nacional Permanente de Acompanhamento do Acordo do    Benzeno (CNP-Benzeno), comiss&atilde;o tripartite coordenada pelo Minist&eacute;rio    do Trabalho e com a participa&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de,    a qual tem procurado eliminar e restringir ao m&aacute;ximo o uso do benzeno,    hoje limitado aos setores sider&uacute;rgico, qu&iacute;mico e petroqu&iacute;mico.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O problema da intersetorialidade &eacute; semelhante    ao da interdisciplinaridade e envolve as diferentes perspectivas e espa&ccedil;os    de poder de corpora&ccedil;&otilde;es e institui&ccedil;&otilde;es. Al&eacute;m    disso, a forma&ccedil;&atilde;o de redes p&otilde;e em xeque tais concep&ccedil;&otilde;es,    exigindo novos conceitos que contribuam &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de    um di&aacute;logo mais amplo e &agrave; transforma&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas    sociais e institucionais. Em outras palavras, a constru&ccedil;&atilde;o de    redes e de a&ccedil;&otilde;es interinstitucionais implica, tamb&eacute;m, a    constru&ccedil;&atilde;o de uma nova linguagem integradora entre os campos profissionais    e institucionais envolvidos. Uma dificuldade adicional para esse processo refere-se    &agrave;s disputas de poder nos diferentes n&iacute;veis de governo, que, em    fun&ccedil;&atilde;o de mudan&ccedil;as na sua condu&ccedil;&atilde;o, vulnerabilizam    as institui&ccedil;&otilde;es pela descontinuidade das pol&iacute;ticas setoriais/institucionais    em curso e tendem a tra&ccedil;ar a&ccedil;&otilde;es identificadas com o gestor    de plant&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A melhor sa&iacute;da para tais conflitos e descontinuidade    de a&ccedil;&otilde;es que caracterizam essas vulnerabilidades &eacute; a constru&ccedil;&atilde;o    de inst&acirc;ncias estrat&eacute;gicas articuladoras das redes de vigil&acirc;ncia    em sa&uacute;de do trabalhador. Formadas com uma ampla participa&ccedil;&atilde;o    institucional e popular, elas permitir&atilde;o uma flexibilidade e durabilidade    das redes constitu&iacute;das em torno de problemas concretos de sa&uacute;de.    Tais f&oacute;runs n&atilde;o se encontram apenas nos conselhos de sa&uacute;de    (ou subconselhos ou comit&ecirc;s de sa&uacute;de do trabalhador, por exemplo),    mas tamb&eacute;m em outras inst&acirc;ncias articuladoras, como os conselhos    estaduais e municipais de meio ambiente e desenvolvimento sustent&aacute;vel.    &Eacute; a busca pela efetiva&ccedil;&atilde;o desses espa&ccedil;os de organiza&ccedil;&atilde;o    da sociedade que permite a elabora&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o    de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas saud&aacute;veis, em conson&acirc;ncia com    a constru&ccedil;&atilde;o da democracia, da cidadania e da justi&ccedil;a social    em nosso pa&iacute;s.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">1. Teixeira CF, Paim JS, Vilasboas AL. SUS, modelos    assistenciais e vigil&acirc;ncia da sa&uacute;de. Informe Epidemiol&oacute;gico    do SUS 1998;2:7-28.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">2. Health &amp; Safety Executive. Surveillance    of people exposed to health risks at work. London; 1990. HS(G) series.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">3. Matte TD, Fine L, Meinhardt TJ, Baker EL.    Guidelines for medical surveillance in the workplace. Occupational Medicine    1990;3:439-56.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">4. Salgado P, Fern&iacute;cula N. No&ccedil;&otilde;es    gerais de toxicologia ocupacional. S&atilde;o Paulo: Unesp; 1988.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">5. Thacker SB, Berkelman RL. Public health surveillance    in the United States. Epidemiologic Review 1988;10:164-90.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">6. Wunsch Filho V, Setimi MM, Carmo JC. Vigil&acirc;ncia    em Sa&uacute;de do Trabalhador. In: Anais do III Congresso Brasileiro de Sa&uacute;de    Coletiva; 1992; Porto Alegre, Brasil. Rio de Janeiro: Abrasco; 1992.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">7. Mendes EV. O distrito sanit&aacute;rio. S&atilde;o    Paulo: Hucitec; 1994.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">8. Lacaz FAC. Sa&uacute;de do trabalhador: um    estudo sobre as forma&ccedil;&otilde;es discursivas da Academia, dos Servi&ccedil;os    e do Movimento Sindical &#91;Tese de Doutorado&#93;. Campinas (SP): Unicamp;    1996.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">9. Machado JHM. Alternativa e processos de vigil&acirc;ncia    em sa&uacute;de do trabalhador: a heterogeneidade da interven&ccedil;&atilde;o    &#91;Tese de Doutorado&#93;. Rio de Janeiro (RJ): ENSP/Fiocruz; 1996.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">10. Minayo-Gomez C, Thedim-Costa S. A constru&ccedil;&atilde;o    do campo da sa&uacute;de do trabalhador: percurso e dilemas. Cadernos de Sa&uacute;de    P&uacute;blica 1997;(supl.2):95-109.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">11. Cordoni J&uacute;nior L. Sobre a organiza&ccedil;&atilde;o    do n&iacute;vel central dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos de sa&uacute;de.    Sa&uacute;de em Debate 1988;22:38-44.</font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="endereco"></a><a href="#topo"><img src="/img/revistas/ess/v12n3/seta.gif" border="0"></a><font size="2" face="verdana"><b>Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia:</b>    <br>   Av. Brasil, 4365,    <br>   Manguinhos, Rio de Janeiro-RJ.    <br>   CEP: 21045-900    <br>   <i>E-mail:</i><a href="mailto:jorgemhm@malaria.procc.fiocruz.br">jorgemhm@malaria.procc.fiocruz.br</a></font></p>      ]]></body><back>
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