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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Saúde e vigilância ambiental: um tema em construção]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Health and environmental surveillance: building the theme]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Fiocruz Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães Departamento de Estudos em Saúde Coletiva]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The evolution of the epidemiological patterns in Brazil, with increasing incorporation of new diseases resulting from industrialization and urbanization, demands a new model of monitoring with emphasis on health promotion and prevention. This article discusses some basic concepts related to Environmental Health Surveillance in the field of Collective Health, and offers support to build actions in the scope of the Brazilian National Unified Health System (SUS). The importance of the distinct disciplines to the process of global understanding of the problematic social environment relationship in the way of interdisciplinarity is emphasized. The subject was developed in landmark accomplishments of Collective Health, mainly when relating the social, environment and productive elements in the systems of study of causality in health in relation to a complex system. A recent bibliography served to introduce critical elements to the usually accepted concepts, such as Environment, Sustainable Development, Risk, Cause, Context and Interdisciplinarity. The construction of an Environmental Health Surveillance system requires another capable model to organize the actions of health promotion and prevention, to improve the quality of health services as a whole and to offer subsidies for sustainable development policies.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[vigilância ambiental]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b><a name="topo"></a>ENSAIO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><b>Sa&uacute;de e vigil&acirc;ncia ambiental:    um tema em constru&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Health and environmental surveillance: building    the theme</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Lia Giraldo da Silva Augusto</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Departamento de Estudos em Sa&uacute;de Coletiva,    Centro de Pesquisas Aggeu Magalh&atilde;es/Fiocruz, Recife-PE</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#end">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A evolu&ccedil;&atilde;o do perfil epidemiol&oacute;gico    brasileiro, com a incorpora&ccedil;&atilde;o crescente de novos agravos &agrave;    sa&uacute;de decorrentes da industrializa&ccedil;&atilde;o e urbaniza&ccedil;&atilde;o    tardia e acelerada, exige um novo modelo de vigil&acirc;ncia &agrave; sa&uacute;de    com &ecirc;nfase nos aspectos de promo&ccedil;&atilde;o e preven&ccedil;&atilde;o.    O presente artigo procura abordar alguns conceitos fundamentais para o entendimento    da Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de Ambiental como um campo da Sa&uacute;de    Coletiva, e oferecer subs&iacute;dios &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es    para o Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS). Nesse sentido, foi destacada    a import&acirc;ncia da integra&ccedil;&atilde;o disciplinar ao processo de compreens&atilde;o    global das problem&aacute;ticas socioambientais, na perspectiva da interdisciplinaridade.    O tema foi desenvolvido nos marcos da Sa&uacute;de Coletiva que, para a compreens&atilde;o    do processo sa&uacute;de-doen&ccedil;a, relaciona os elementos sociais, ambientais    e produtivos no estudo da causalidade em sa&uacute;de, na perspectiva da complexidade.    Uma bibliografia recente serviu para introduzir elementos cr&iacute;ticos aos    conceitos usualmente adotados, tais como Ambiente, Desenvolvimento Sustent&aacute;vel,    Risco, Causa, Contexto e Interdisciplinariedade. A constru&ccedil;&atilde;o    de um sistema de Vigil&acirc;ncia Ambiental para a Sa&uacute;de P&uacute;blica    requer um modelo de compreens&atilde;o da realidade que seja capaz de organizar    as a&ccedil;&otilde;es de promo&ccedil;&atilde;o e preven&ccedil;&atilde;o,    para melhorar a qualidade dos servi&ccedil;os como um todo e, ainda, oferecer    subs&iacute;dios &agrave;s pol&iacute;ticas de desenvolvimento sustent&aacute;vel.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Palavras-chave:</b> vigil&acirc;ncia ambiental;    risco; interdisciplinariedade; desenvolvimento sustent&aacute;vel.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>SUMMARY</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> The evolution of the epidemiological patterns    in Brazil, with increasing incorporation of new diseases resulting from industrialization    and urbanization, demands a new model of monitoring with emphasis on health    promotion and prevention. This article discusses some basic concepts related    to Environmental Health Surveillance in the field of Collective Health, and    offers support to build actions in the scope of the Brazilian National Unified    Health System (<i>SUS</i>). The importance of the distinct disciplines to the    process of global understanding of the problematic social environment relationship    in the way of interdisciplinarity is emphasized. The subject was developed in    landmark accomplishments of Collective Health, mainly when relating the social,    environment and productive elements in the systems of study of causality in    health in relation to a complex system. A recent bibliography served to introduce    critical elements to the usually accepted concepts, such as Environment, Sustainable    Development, Risk, Cause, Context and Interdisciplinarity. The construction    of an Environmental Health Surveillance system requires another capable model    to organize the actions of health promotion and prevention, to improve the quality    of health services as a whole and to offer subsidies for sustainable development    policies.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Key words:</b> environmental surveillance;    risk; interdisciplinarity; sustainable development.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana"><b>Natureza, sociedade e desenvolvimento</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O pensamento hegem&ocirc;nico de que a natureza &eacute;    infinitamente pr&oacute;diga de recursos materiais e energ&eacute;ticos, com    capacidade reparadora ilimitada, fez com que as sociedades humanas utilizassem    e abandonassem o pr&oacute;prio habitat <i>(echo)</i>. Esse processo afetou profundamente    a qualidade do ambiente e de vida de suas popula&ccedil;&otilde;es. O particular    modo de apropria&ccedil;&atilde;o e de domina&ccedil;&atilde;o dos recursos    naturais das sociedades industriais evidencia-se, hoje, nos conflitos ou problemas    relacionais emergentes, comuns a toda a humanidade. S&atilde;o problemas que    afetam fortemente as rela&ccedil;&otilde;es entre os seres humanos (diferen&ccedil;as    culturais, econ&ocirc;micas, &eacute;tnicas, religiosas), das sociedades entre    si (pa&iacute;ses do Norte sobre os do Sul) e das sociedades com a natureza    (explora&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais).<sup>1</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os conflitos gerados no processo de produ&ccedil;&atilde;o,    historicamente relacionado aos sistemas de cada sociedade, aos quais est&atilde;o    ligados, s&atilde;o decorrentes da explora&ccedil;&atilde;o e da domina&ccedil;&atilde;o    e revelam que <i>&#8220;tanto se explora a natureza como tamb&eacute;m o homem    que trabalha; contamina-se o ar como tamb&eacute;m o trabalhador da ind&uacute;stria    contaminante; contamina-se o solo com agrot&oacute;xicos como tamb&eacute;m    o trabalhador rural que os aplica&#8221;</i>.<sup>1</sup> O modelo cient&iacute;fico    positivista, unificador do conhecimento e homogeneizador do mundo, deu sustenta&ccedil;&atilde;o    a uma racionalidade economicista e instrumental, impregnando a pr&aacute;tica    das institui&ccedil;&otilde;es com seus crit&eacute;rios de domina&ccedil;&atilde;o    e explora&ccedil;&atilde;o.<sup>1</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A mesma racionalidade observa-se na estrutura&ccedil;&atilde;o    burocr&aacute;tica dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos, sua forma vertical e    compartimentada, estanque e com poucas rela&ccedil;&otilde;es horizontais, que    apenas serve para obedecer, funcionalmente, ao poder institu&iacute;do que reproduz    sua hist&oacute;ria oficial e sua unidirecionalidade. O projeto de transforma&ccedil;&atilde;o    que se caracteriza pela diversidade, complexidade da realidade, constru&ccedil;&atilde;o    coletiva e participativa, ainda tem pouco lugar na forma tradicional &#8211;    autorit&aacute;ria e centralizada &#8211; de exerc&iacute;cio das pol&iacute;ticas    p&uacute;blicas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A vis&atilde;o simplificada dos processos socioambientais,    efetivamente complexos, torna imposs&iacute;vel o reconhecimento dos fatos de    maneira global e uma vis&atilde;o mais ampla dos fen&ocirc;menos e dos conflitos    em jogo, que permitiriam abordar o problema na sua integralidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O reconhecimento das multicausas e da import&acirc;ncia    dos contextos socioambientais e culturais, em que os problemas da vida humana    s&atilde;o conformados, &eacute; fundamental para, efetivamente, transformar    as nocividades geradas pela a&ccedil;&atilde;o do homem no ambiente e, assim,    melhorar a qualidade de vida.<sup>2</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; uma quest&atilde;o-chave: o entendimento de que    a complexidade &eacute; dada pelas rela&ccedil;&otilde;es entre as partes e    o todo, que, por sua vez, &eacute; diferente da simples soma delas.<sup>3</sup> Esse novo    modo de compreens&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es do homem com a natureza    permite construir estrat&eacute;gias para a Sustentabilidade &#8211; tamb&eacute;m    uma tese constru&iacute;da no campo da Sa&uacute;de Coletiva enquanto pensamento    contra-hegem&ocirc;nico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A Ecologia &eacute; um conceito e deve ser entendida como    uma ci&ecirc;ncia de rela&ccedil;&otilde;es e n&atilde;o apenas centrada nos    aspectos biol&oacute;gicos, em detrimento dos socioculturais.<sup>4</sup> Assim como a    Sa&uacute;de, ela atravessa diversos campos disciplinares e &eacute; fundamental    para fortalecer o conceito mais amplo (de Sa&uacute;de) cunhado na Reforma Sanit&aacute;ria    Brasileira.<sup>5</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A Sustentabilidade, por sua vez, &eacute; um conceito    novo e que serve para traduzir um tipo de desenvolvimento sob um real Estado    de Direito, sem iniq&uuml;idades, baseado na concep&ccedil;&atilde;o de mundo    como um conjunto de <i>&#8220;sistemas inter-relacionados (complexos), do qual    fazemos parte como seres culturais por natureza e naturais por cultura&#8221;</i>;<sup>3</sup>    e que precisa ser interna-lizado, mediante pol&iacute;ticas p&uacute;blicas    setoriais, para n&atilde;o ser reduzido &agrave; ret&oacute;rica macroecon&ocirc;mica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O conceito de Sustentabilidade tem sido utilizado para    caracterizar o tipo de desenvolvimento <i>&#8220;que n&atilde;o esgota mas conserva    e realimenta sua fonte de recursos naturais, que n&atilde;o inviabiliza a sociedade    mas promove a reparti&ccedil;&atilde;o justa dos benef&iacute;cios alcan&ccedil;ados,    que n&atilde;o &eacute; movido apenas por interesses imediatistas mas sim baseado    no planejamento de sua trajet&oacute;ria e que, por estas raz&otilde;es, &eacute;    capaz de manter-se no espa&ccedil;o e no tempo&#8221;</i>.<sup>4</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">O discurso do Desenvolvimento Sustent&aacute;vel    n&atilde;o &eacute; homog&ecirc;neo, est&aacute; marcado e &eacute; diferenciado    em fun&ccedil;&atilde;o dos interesses ambientais de diversos setores sociais,    pol&iacute;ticos e econ&ocirc;micos envolvidos no processo de desenvolvimento.    Esse processo n&atilde;o se pode traduzir apenas em um conjunto de metas, como,    por exemplo, a Agenda 21. Na realidade, implica modifica&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas    e sociais profundas.<sup>2</sup></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Implica&ccedil;&otilde;es para a Sa&uacute;de P&uacute;blica</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Se, ent&atilde;o, o novo paradigma &eacute; o desenvolvimento    sustent&aacute;vel, a busca da sa&uacute;de e de melhor qualidade de vida tem,    para ele, um valor estrat&eacute;gico. As pol&iacute;ticas p&uacute;blicas em    sa&uacute;de podem servir de eixo estruturador para esse objetivo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">H&aacute; certo consenso de que uma importante estrat&eacute;gia    para promover a sustentabilidade &eacute; dada pela import&acirc;ncia da participa&ccedil;&atilde;o    local e pela revis&atilde;o da forma como as pessoas vivem e trabalham.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A busca da sustentabilidade alicer&ccedil;a-se em dois    princ&iacute;pios ou diretrizes gerais. O primeiro, de que o desenvolvimento    seja orientado para a transforma&ccedil;&atilde;o das realidades e fundamentado    no equil&iacute;brio entre a natureza e a cultura, superando a ruptura entre    o sujeito e o objeto.<sup>1</sup> As problem&aacute;ticas reais locais, regionais, nacionais    e internacionais, incluindo a&iacute; os conflitos cotidianos, devem ser tratadas    sob uma &oacute;tica global. O segundo &eacute; o de privilegiar as interven&ccedil;&otilde;es    ou as pesquisas que utilizem pr&aacute;ticas ou m&eacute;todos participativos    e interdisciplinares.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Traduzindo esses dois princ&iacute;pios ou diretrizes    para a Sa&uacute;de P&uacute;blica, prop&otilde;e-se que, na constru&ccedil;&atilde;o    coletiva, promovida e desenvolvida entre as equipes de sa&uacute;de, colaboradores    e membros das comunidades mobilizados, sejam valorizados os aportes, as interpreta&ccedil;&otilde;es    e os saberes de todos. Assim, os caminhos da coopera&ccedil;&atilde;o ser&atilde;o    buscados com uma atitude essencialmente participativa, cr&iacute;tica e solid&aacute;ria.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A apropria&ccedil;&atilde;o efetiva da realidade,    reconhecendo situa&ccedil;&otilde;es problem&aacute;ticas vivenciadas, refletidas    e objeto de interven&ccedil;&atilde;o, permite que todos os participantes transformem-se    em sujeitos e promotores da compreens&atilde;o da realidade e das mudan&ccedil;as    necess&aacute;rias ao desenvolvimento sustent&aacute;vel. Os profissionais de    sa&uacute;de s&atilde;o, igualmente, educadores; como tais, &#8220;confirmam    o mundo que vivem ao serem educados no educar&#8221;.<sup>1</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As a&ccedil;&otilde;es de educa&ccedil;&atilde;o e pedagogia    para o desenvolvimento sustent&aacute;vel s&atilde;o aquelas que t&ecirc;m como    miss&atilde;o desenvolver v&iacute;nculos, animar a reflex&atilde;o cr&iacute;tica    conjunta, valorizar as diferen&ccedil;as, a forma&ccedil;&atilde;o e a defesa    de id&eacute;ias. S&atilde;o a&ccedil;&otilde;es cuja express&atilde;o deve    refor&ccedil;ar a autoestima, a busca de identidade, o fortalecimento da luta    pela sustenta&ccedil;&atilde;o da dignidade e a solu&ccedil;&atilde;o pac&iacute;fica    e democr&aacute;tica dos conflitos humanos.<sup>5</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O processo de evolu&ccedil;&atilde;o do quadro    epidemiol&oacute;gico, com a incorpora&ccedil;&atilde;o crescente de novos agravos    &agrave; sa&uacute;de decorrentes da industrializa&ccedil;&atilde;o e urbaniza&ccedil;&atilde;o    tardia e acelerada, exige um novo modelo de vigil&acirc;ncia em sa&uacute;de    com &ecirc;nfase na promo&ccedil;&atilde;o e na preven&ccedil;&atilde;o de riscos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Evolu&ccedil;&atilde;o conceitual do ambiente   na perspectiva da sa&uacute;de humana</b>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os sinais da crise ambiental no &acirc;mbito global (efeito    estufa; aquecimento dos mares; comprometimento da camada de oz&ocirc;nio) e    na sa&uacute;de individual (intoxica&ccedil;&otilde;es qu&iacute;micas; c&acirc;ncer;    malforma&ccedil;&atilde;o cong&ecirc;nita; doen&ccedil;as neurol&oacute;gicas,    imunol&oacute;gicas e respirat&oacute;rias; estresse; depend&ecirc;ncia de drogas;    viol&ecirc;ncia) s&atilde;o evidentes e reconhecidos amplamente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A sa&uacute;de das popula&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m    sofre os efeitos desses desequil&iacute;brios e desigualdades, refletidos nos    perfis epidemiol&oacute;gicos. Por exemplo: o aumento da viol&ecirc;ncia urbana    e rural; a fome; a inf&acirc;ncia desamparada; o trabalho infantil; os acidentes    de tr&acirc;nsito e de trabalho; e a polui&ccedil;&atilde;o ambiental e a degrada&ccedil;&atilde;o    dos espa&ccedil;os urbanos e solos cultiv&aacute;veis, bem como a contamina&ccedil;&atilde;o    dos mananciais utilizados para abastecimento de &aacute;gua.<sup>5</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Todas essas condi&ccedil;&otilde;es fazem com    que a qualidade de vida diminua e coloque em risco a pr&oacute;pria sobreviv&ecirc;ncia    no planeta, tirando das futuras gera&ccedil;&otilde;es a oportunidade de acessar    os recursos naturais que a Terra nos oferta.<sup>6</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nos &uacute;ltimos 20 anos, dado o quadro de    riscos ambientais para a sa&uacute;de em n&iacute;vel mundial, vem-se desenvolvendo,    no campo das Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de, a denominada Sa&uacute;de Ambiental    (<i>Environmental Health</i>), de car&aacute;ter multidisciplinar.<sup>4</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> At&eacute; pouco tempo atr&aacute;s, no setor    Sa&uacute;de, a dimens&atilde;o de ambiente era compreendida pelo homem como    externa a ele, traduzida pelas express&otilde;es &#8220;ambiente f&iacute;sico&#8221;,    &#8220;ecossistema&#8221; ou &#8220;espa&ccedil;o geogr&aacute;fico&#8221;.    Mais recentemente, o tema foi ganhando relev&acirc;ncia no Sistema &Uacute;nico    de Sa&uacute;de (SUS), que incorporou a Vigil&acirc;ncia Ambiental ao Sistema    Nacional de Vigil&acirc;ncia Epidemiol&oacute;gica e Ambiental em Sa&uacute;de    (SNVA).<sup>6</sup> Hoje, no &acirc;mbito do SUS, amplia-se a compreens&atilde;o de que    h&aacute; um ambiente maior e relacional, em que as a&ccedil;&otilde;es de promo&ccedil;&atilde;o    da sa&uacute;de devem ser implementadas levando- se em considera&ccedil;&atilde;o    o ambiente onde as pessoas residem e trabalham.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A teoria dos sistemas tem sido proposta como uma   alternativa de maior for&ccedil;a explicativa para a compreens&atilde;o   do processo sa&uacute;de-doen&ccedil;a, concebido como   um complexo heterog&ecirc;neo de elementos que se relacionam,   s&atilde;o interdependentes e historicamente determinados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Esse processo din&acirc;mico de interdepend&ecirc;ncia    cria uma estrutura e define o que &eacute; interno (o que est&aacute; ordenado    e &eacute; pass&iacute;vel de controle) e o que &eacute; externo ao sistema    (n&atilde;o ordenado, fora de controle). Assim, pode-se compreender o ambiente    enquanto algo externo e consider&aacute;-lo como tudo aquilo que importa, mas    n&atilde;o se pode controlar.<sup>2</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Resumindo: para que os riscos ambientais sejam   tratados como um problema para a Sa&uacute;de, isto &eacute;, pass&iacute;vel   de solu&ccedil;&atilde;o ou controle, o ambiente deve ser internalizado   &agrave; pol&iacute;tica, ao diagn&oacute;stico, ao planejamento e   &agrave;s a&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">O sistema, por sua vez, tem que deixar de ser    visto como fechado (ou mec&acirc;nico) e sim aberto, interagindo com o meio    que dele faz parte e que &eacute; conformado pelo contexto. Para atender a essa    nova abordagem, os modelos explicativos tradicionais de tipo causa-efeito n&atilde;o    s&atilde;o suficientes.<sup>2</sup> Segundo Garcia,<sup>4</sup> o sistema tem    suas regras l&oacute;gicas. Destacamos as seguintes: &#8220;<i>o todo (sistema)    &eacute; diferente da soma de suas partes&#8221;; &#8220;o car&aacute;ter de    um sistema &eacute; dado pelas rela&ccedil;&otilde;es de suas partes&#8221;;    </i>e<i> &#8220;o ambiente &eacute; uma entidade centrada em um sistema</i>&#8221;.    Essa compreens&atilde;o de sistema pode responder a uma vis&atilde;o cient&iacute;fica    e hol&iacute;stica &#8211; n&atilde;o cartesiana &#8211; dos problemas ambientais,    fundamental para a compreens&atilde;o da Sa&uacute;de Coletiva.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de Ambiental</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O termo Vigil&acirc;ncia, nas quest&otilde;es    de sa&uacute;de, tem sua origem nas a&ccedil;&otilde;es de isolamento e quarentena.<sup>5</sup>    Ap&oacute;s a II Guerra Mundial, especialmente nos Estados Unidos da Am&eacute;rica    (EUA) do per&iacute;odo da Guerra Fria, o conceito de Vigil&acirc;ncia esteve    associado &agrave; id&eacute;ia de &#8220;intelig&ecirc;ncia&#8221;, em raz&atilde;o    dos riscos de guerra qu&iacute;mica e ou biol&oacute;gica.<sup>7</sup> Hoje,    assistimos &agrave; retomada desse discurso, principalmente diante das amea&ccedil;as    do chamado bioterrorismo.<sup>5</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nos EUA, a vigil&acirc;ncia evoluiu, passando    a significar a a&ccedil;&atilde;o coordenada para controle de doen&ccedil;as    na popula&ccedil;&atilde;o, constitu&iacute;da de monitoramento, avalia&ccedil;&atilde;o,    pesquisa e interven&ccedil;&atilde;o.<sup>8</sup> No Brasil, at&eacute; a d&eacute;cada    de 50 do s&eacute;culo passado, o conceito de Vigil&acirc;ncia era compreendido    como o conjunto de a&ccedil;&otilde;es de observa&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica    sobre as doen&ccedil;as na comunidade, voltadas para medidas de controle. Somente    a partir da d&eacute;cada de 60, essas a&ccedil;&otilde;es ganham uma estrutura&ccedil;&atilde;o    de programa, incorporando as medidas de interven&ccedil;&atilde;o.<sup>7</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Desde ent&atilde;o, essas a&ccedil;&otilde;es    foram estendidas ao controle da produ&ccedil;&atilde;o, do consumo de produtos    e da fiscaliza&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os de sa&uacute;de, sob a denomina&ccedil;&atilde;o    de Vigil&acirc;ncia Sanit&aacute;ria. Posteriormente, evoluiu-se para um sistema    de vigil&acirc;ncia capaz de identificar os dados epidemiol&oacute;gicos e os    fatores que os condicionam.<sup>8</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Por recomenda&ccedil;&atilde;o da 5<sup>a</sup>;    Confer&ecirc;ncia Nacional de Sa&uacute;de de 1975, a Lei N<sup>o</sup> 6.259/75    e o Decreto N<sup>o</sup> 78.231 de 1976 institu&iacute;ram o Sistema Nacional    de Vigil&acirc;ncia Epidemiol&oacute;gica (SNVE),<sup>6</sup> com atribui&ccedil;&atilde;o    de controle e fiscaliza&ccedil;&atilde;o dos padr&otilde;es de interesse sanit&aacute;rio    de portos, aeroportos e fronteiras, medicamentos, cosm&eacute;ticos, alimentos,    saneantes e bens.<sup>8</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As a&ccedil;&otilde;es de controle sobre o meio    ambiente relacionadas &agrave; sa&uacute;de &#8211; como a vigil&acirc;ncia    da qualidade da &aacute;gua para o consumo humano<sup>5</sup> &#8211; embora    restritas, estiveram, at&eacute; o final da d&eacute;cada de 90, subordinadas    &agrave; Vigil&acirc;ncia Sanit&aacute;ria.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As a&ccedil;&otilde;es de vigil&acirc;ncia foram agrupadas    em Vigil&acirc;ncia   Epidemiol&oacute;gica e Vigil&acirc;ncia Sanit&aacute;ria, ambas   com praticamente os mesmos objetivos: prevenir e   controlar os riscos e agravos &agrave; sa&uacute;de.<sup>6</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A Vigil&acirc;ncia Epidemiol&oacute;gica, segundo    a Lei Org&acirc;nica de Sa&uacute;de &#8211; Lei N<sup>o</sup> 8.080, de 1990    &#8211;<sup>9</sup>, &eacute; &#8220;<i>o conjunto de a&ccedil;&otilde;es que    proporcionam o conhecimento, a detec&ccedil;&atilde;o e a preven&ccedil;&atilde;o    de qualquer mudan&ccedil;a nos fatores determinantes e condicionantes da sa&uacute;de    individual ou coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de    preven&ccedil;&atilde;o e controle das doen&ccedil;as ou agravos</i>&#8221;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A Vigil&acirc;ncia Sanit&aacute;ria, segundo    a mesma Lei, refere-se &#8220;<i>ao conjunto de a&ccedil;&otilde;es capaz de    eliminar, diminuir ou prevenir riscos &agrave; sa&uacute;de e de intervir nos    problemas sanit&aacute;rios decorrentes do meio ambiente, da produ&ccedil;&atilde;o    e circula&ccedil;&atilde;o de bens e da presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os    de interesse da sa&uacute;de</i>&#8221;. As a&ccedil;&otilde;es dessas duas    vigil&acirc;ncias t&ecirc;m car&aacute;ter complementar e devem ser praticadas    em conjunto.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Foi apenas na d&eacute;cada de 80 que &#8220;<i>a    vigil&acirc;ncia passou a ser apresentada mais claramente sob o ponto de vista    de articula&ccedil;&atilde;o com outras a&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de</i>&#8221;.<sup>7</sup>    Os Centros de Controle e Preven&ccedil;&atilde;o de Doen&ccedil;as dos Estados    Unidos (CDC),<sup>7</sup> por exemplo, definiram esse novo sistema onde &#8220;<i>as    a&ccedil;&otilde;es referentes aos dados coletados (coleta, an&aacute;lise e    interpreta&ccedil;&atilde;o) se articulam &agrave; informa&ccedil;&atilde;o    peri&oacute;dica como instrumento da preven&ccedil;&atilde;o</i>&#8221;, o que    implica uma a&ccedil;&atilde;o de controle sobre os riscos ambientais para a    sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Tamb&eacute;m no Brasil, somente em meados da    d&eacute;cada de 80 &eacute; que s&atilde;o promovidas iniciativas para se instituir,    no &acirc;mbito do setor Sa&uacute;de, a&ccedil;&otilde;es de Vigil&acirc;ncia    da Sa&uacute;de do Trabalhador e do Meio Ambiente, de acordo com a Constitui&ccedil;&atilde;o    de 1988 e a Lei Org&acirc;nica de Sa&uacute;de de 1990. Mas &eacute; a partir    do ano 2000 que o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de formula a denominada Vigil&acirc;ncia    Ambiental,<sup>10</sup> onde &#8220;<i>a vigil&acirc;ncia ambiental em sa&uacute;de se configura    como um conjunto de a&ccedil;&otilde;es que proporcionam o conhecimento e a    detec&ccedil;&atilde;o de qualquer mudan&ccedil;a nos fatores determinantes    e condicionantes do meio ambiente que interferem na sa&uacute;de humana, com    a finalidade de recomendar e adotar as medidas de preven&ccedil;&atilde;o e    controle dos fatores de riscos e das doen&ccedil;as ou agravos relacionados    &agrave; vari&aacute;vel ambiental</i>&#8221;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Atualmente, encontra-se constitu&iacute;do o    Sistema Nacional de Vigil&acirc;ncia Ambiental em Sa&uacute;de, SNVA, que &#8220;<i>prioriza    a informa&ccedil;&atilde;o no campo da vigil&acirc;ncia ambiental, de fatores    biol&oacute;gicos (vetores, hospedeiros, reservat&oacute;rios, animais pe&ccedil;onhentos),    qualidade da &aacute;gua para consumo humano, contaminantes ambientais qu&iacute;micos    e f&iacute;sicos que possam interferir na qualidade da &aacute;gua, ar e solo,    e os riscos decorrentes de desastres naturais e de acidentes com produtos perigosos</i>&#8221;    (Decreto n<sup>o</sup> 3.450, de 10 de maio de 2000).<sup>10</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O processo de transi&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica    em curso exigiu de todos os pa&iacute;ses uma atua&ccedil;&atilde;o sobre os    riscos de acontecer um evento n&atilde;o desej&aacute;vel e n&atilde;o apenas    atuar sobre ele &#8211; o que se denomina Preven&ccedil;&atilde;o e implica,    necessariamente, deslocamento do foco da doen&ccedil;a para o da sa&uacute;de.    A abordagem inicial, centrada no n&iacute;vel individual, passa, conseq&uuml;entemente,    a dar maior import&acirc;ncia ao coletivo, onde se encontram os desafios de    um novo tempo para a Sa&uacute;de.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>O novo enfoque</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A necessidade de monitorar o ambiente &eacute; decorrente   do reconhecimento de que ele n&atilde;o &eacute; dado,   mas est&aacute; em permanente constru&ccedil;&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o   pela a&ccedil;&atilde;o do homem e da pr&oacute;pria natureza. Nos   setores ambientais e do trabalho, adota-se o termo   Monitorar, para o qual s&atilde;o utilizados indicadores   quantitativos, geralmente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Entretanto, para a Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de,    sob a &oacute;tica da Sa&uacute;de Coletiva, monitorar &eacute; mais do que    um ato de medi&ccedil;&atilde;o instrumental. Aqui, a monitora&ccedil;&atilde;o    tem por objetivo qualificar as condi&ccedil;&otilde;es de contexto e elementos    diretamente envolvidos no processo de causalidade, para atuar de forma permanente    na sucess&atilde;o de estados que conformam o processo sa&uacute;de-doen&ccedil;a.    Nesse sentido, tamb&eacute;m &eacute; necess&aacute;rio incorporar dados qualitativos    e utilizar a triangula&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica para se alcan&ccedil;ar    maior aproxima&ccedil;&atilde;o com a realidade.<sup>11</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em Vigil&acirc;ncia Ambiental, a preven&ccedil;&atilde;o    &eacute; a preocupa&ccedil;&atilde;o central. Preven&ccedil;&atilde;o, aqui,    &eacute; utilizada com o significado de a&ccedil;&atilde;o antecedente, algo    ligado ao curso do tempo.<sup>7</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">O conceito de Hist&oacute;ria Natural das Doen&ccedil;as,    que se propunha a criticar a teoria monocausal oriunda da bacteriologia, introduziu    a no&ccedil;&atilde;o de multicausalidade. Levell e Clark<sup>12</sup> foram    os autores desse modelo, conceituando a Hist&oacute;ria Natural da Doen&ccedil;a    como o &#8220;<i>conjunto de processos interativos que cria o est&iacute;mulo    patol&oacute;gico no meio ambiente, ou em qualquer outro lugar, passando pela    resposta do homem ao est&iacute;mulo, at&eacute; &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es    que levam a um defeito, invalidez, recupera&ccedil;&atilde;o ou morte</i>&#8221;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nesse modelo, s&atilde;o evidentes dois campos    independentes de determina&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a: o meio externo    ou meio ambiente, onde est&atilde;o os fatores causais; e o meio interno, onde    se desenvolve a doen&ccedil;a &#8211; o homem.<sup>7</sup> Os fatores externos    s&atilde;o classificados como de natureza biol&oacute;gica, f&iacute;sica, qu&iacute;mica,    social, cultural e pol&iacute;tica. Esse modelo prop&otilde;e uma evolu&ccedil;&atilde;o    do processo da doen&ccedil;a, que vai do per&iacute;odo pr&eacute;-patog&ecirc;nico    ao patog&ecirc;nico. Baseando-se nessa evolu&ccedil;&atilde;o, os autores propuseram    medidas de preven&ccedil;&atilde;o em tr&ecirc;s n&iacute;veis: prim&aacute;rio    (pr&eacute;-patog&ecirc;nico), secund&aacute;rio e terci&aacute;rio. Os dois    &uacute;ltimos correspondem ao per&iacute;odo patog&ecirc;nico, cujo enfoque    est&aacute; no indiv&iacute;duo, enquanto, no primeiro, o enfoque &eacute; tanto    individual como coletivo. Foi essa constru&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica que    consagrou o termo Preven&ccedil;&atilde;o.<sup>7</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O modelo da Hist&oacute;ria Natural da Doen&ccedil;a    significou um avan&ccedil;o sobre o modelo <i>monocausal</i>, mas n&atilde;o    permitiu uma compreens&atilde;o da complexidade do processo sa&uacute;de-doen&ccedil;a,    com as inter-rela&ccedil;&otilde;es e interdepend&ecirc;ncias dos elementos    que o comp&otilde;em. Ao contr&aacute;rio, seu foco &eacute; a causa imediata.    Os elementos do processo s&atilde;o colocados em um mesmo n&iacute;vel hier&aacute;rquico,    onde o ambiente &eacute; colocado como algo externo, portanto, fora de controle.    Como conseq&uuml;&ecirc;ncia, a atitude para com o ambiente passa a ser fatalista,    o que imobiliza as a&ccedil;&otilde;es de controle dos riscos ambientais para    a sa&uacute;de.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Uma nova compreens&atilde;o da causalidade</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Com a crescente import&acirc;ncia de eventos    e doen&ccedil;as n&atilde;o relacionadas com agentes biol&oacute;gicos transmiss&iacute;veis,    houve a exig&ecirc;ncia de agregar-se mais um n&iacute;vel de preven&ccedil;&atilde;o,    ditado pelas condi&ccedil;&otilde;es social, econ&ocirc;mica e cultural das    popula&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o podem mais ser reduzidas a um &uacute;nico    agente causal. Para o qual, ali&aacute;s, n&atilde;o haveria uma vacina ou antibi&oacute;tico    capaz de prevenir ou curar. Ent&atilde;o, o foco das a&ccedil;&otilde;es passou,    obrigatoriamente, para as condi&ccedil;&otilde;es determinantes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Fica evidente a import&acirc;ncia de se distinguir    a diferen&ccedil;a entre Risco e Causa, e desta com o Contexto:<sup>7 </sup>&#8220;<i>Causa    &eacute; o que produz. Contexto s&atilde;o as condi&ccedil;&otilde;es que, por    si, n&atilde;o levam ao acontecido (evento, efeito), mas que sem ele o evento    n&atilde;o ocorre. A causa pode ser removida, pode desaparecer pela ado&ccedil;&atilde;o,    por exemplo, de medidas t&eacute;cnicas, enquanto o contexto &eacute; mais perene,    para modific&aacute;-lo &eacute; necess&aacute;ria a interven&ccedil;&atilde;o    de processos sociais e culturais mais complexos, e n&atilde;o meramente pontuais</i>&#8221;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para ilustrar essa importante diferen&ccedil;a conceitual,   podemos dar os seguintes exemplos:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&#8226; Na investiga&ccedil;&atilde;o de um acidente    de trabalho, o <b>contexto</b> &eacute; conformado pelas caracter&iacute;sticas    do processo produtivo, pol&iacute;tica de recursos humanos, condi&ccedil;&otilde;es    de vida do trabalhador; a <b>causa</b>, dependendo do tipo de acidente, pode    ser uma prensa sem mecanismo protetor, a falta de manuten&ccedil;&atilde;o de    uma m&aacute;quina, o vazamento de uma tubula&ccedil;&atilde;o, um curto circuito,    o piso irregular, o rompimento de um cabo etc.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&#8226; Se investig&aacute;ssemos um determinado    inc&ecirc;ndio, o <b>contexto</b> poderia ser a &aacute;rea inadequada para    armazenamento de produtos inflam&aacute;veis ou a falta de treinamento contra    inc&ecirc;ndio; e a <b>causa</b>, um curto circuito ou uma fa&iacute;sca, possivelmente.<sup>7</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">O conceito de Risco Ambiental &eacute; fundamental    e goza de uma polissemia. A compreens&atilde;o comum associa risco a eventos    negativos, embora, na sua conota&ccedil;&atilde;o primitiva, tenha uma origem    ligada a um conceito de Seguro.<sup>7 </sup>O uso da palavra Risco tem conota&ccedil;&atilde;o    de incerteza, azar, probabilidade; o que implica, originalmente, na possibilidade    de se optar. Risco, portanto, &#8220;<i>n&atilde;o &eacute; apenas um conceito    t&eacute;cnico, mas um conceito social e cultural</i>&#8221;, e, por isso, &#8220;<i>n&atilde;o    &eacute; um conceito neutro</i>&#8221; na &#8220;<i>constru&ccedil;&atilde;o    de uma parte da realidade</i>&#8221;.<sup>7</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A perspectiva de um evento ou situa&ccedil;&atilde;o &eacute;    relativa,   est&aacute; ligada &agrave; probabilidade de ocorr&ecirc;ncia do risco. Quando   damos aos eventos uma perspectiva sociocultural,   estamos considerando valores sociais e estilos de vida   na an&aacute;lise de sua determina&ccedil;&atilde;o ou de seu condicionamento,   cuja dimens&atilde;o subjetiva impede sua redu&ccedil;&atilde;o a   simples valores num&eacute;ricos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A utiliza&ccedil;&atilde;o do conceito de Risco,    por si, j&aacute; &eacute; uma recusa ao determinismo causal, posto que implica    no acaso, aleat&oacute;rio.<sup>2</sup> Assim, risco &eacute; a probabilidade de ocorr&ecirc;ncia    de um evento e est&aacute; ligado &agrave; causa e ao contexto.<sup>7</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os fatores de risco podem ter pesos diferentes,    mas, para que o evento ocorra, h&aacute; necessidade de uma intera&ccedil;&atilde;o    entre eles. Isoladamente, nenhum fator de risco promove o fen&ocirc;meno.<sup>2</sup>    &#8220;<i>Assim entendido, a causa (o porqu&ecirc;?) &eacute; pouco relevante    para as medidas de preven&ccedil;&atilde;o, o mais importante &eacute; a interven&ccedil;&atilde;o    no contexto (o como). A compreens&atilde;o da distin&ccedil;&atilde;o entre    causa e contexto &eacute; importante, pois. O cotidiano, as quest&otilde;es    de fundo, s&atilde;o parte do fen&ocirc;meno deflagrado pelo acidental ou excepcional.    Por outro lado, limitar-se ao contexto sem pesquisar a causa (o desconhecido,    o inusitado, o acidental) &eacute; impossibilitar a amplia&ccedil;&atilde;o    do conhecimento sobre o fen&ocirc;meno</i>.&#8221;<sup>2</sup></font></p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>O campo da Sa&uacute;de Coletiva e a Vigil&acirc;ncia    em Sa&uacute;de Ambiental</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A Sa&uacute;de Coletiva &#8220;<i>... &eacute;    como um campo de pr&aacute;ticas te&oacute;ricas e de interven&ccedil;&otilde;es    concretas na realidade que tem como objeto o processo sa&uacute;de-doen&ccedil;a    nas coletividades</i>&#8221; Assim, h&aacute; duas fun&ccedil;&otilde;es principais    da Sa&uacute;de Coletiva.<sup>13</sup> A primeira, para o entendimento de que    &#8220;<i>a produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento e de tecnologias sobre a    sa&uacute;de e a doen&ccedil;a e seus determinantes em termos das popula&ccedil;&otilde;es</i>&#8221;    deve ser compreendida &#8220;<i>com base na sua natureza complexa, pois integra    as dimens&otilde;es ecol&oacute;gica, biol&oacute;gica, social, ps&iacute;quica,    as quais s&atilde;o interdependentes e interdefin&iacute;veis</i>&#8221;, que    n&atilde;o podem, por isso, ser desmembradas, e &#8220;<i>articulam as viv&ecirc;ncias    e as experi&ecirc;ncias coletivas do acontecimento</i>&#8221; (a doen&ccedil;a).    E a segunda, para compreender que &#8220;<i>a interven&ccedil;&atilde;o concreta    na coletividade, no indiv&iacute;duo ou em qualquer elemento do contexto</i>&#8221;    (complexo de determinantes e condicionantes dos processos de sa&uacute;de-doen&ccedil;a)    &#8220;<i>tem por base um dado fen&ocirc;meno em particular</i>&#8221;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Conforme Tambelline e C&acirc;mara,<sup>13</sup>    a &#8220;<i>compreens&atilde;o da sa&uacute;de a partir da Sa&uacute;de Coletiva    &eacute; mais ampla</i>&#8221;, pois leva em considera&ccedil;&atilde;o &#8220;<i>as    dimens&otilde;es biol&oacute;gicas, sociais, ps&iacute;quicas e ecol&oacute;gicas,    articulando assim o individual</i>&#8221; (a doen&ccedil;a) &#8220;<i>com o    coletivo</i>&#8221; (o processo sa&uacute;de-doen&ccedil;a).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O processo sa&uacute;de-doen&ccedil;a deve ser,    portanto, categorizado e analisado em seus determinantes e condicionantes hist&oacute;ricos,    gen&eacute;ticos e estruturais (biops&iacute;quicos, sociais e ecol&oacute;gicos/ambientais).    A intera&ccedil;&atilde;o desses elementos &eacute; que determina a sua particulariza&ccedil;&atilde;o,    isto &eacute;, a ocorr&ecirc;ncia do dano ou da doen&ccedil;a no indiv&iacute;duo    ou na coletividade.<sup>2</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Tambeline e C&acirc;mara<sup>13</sup> referem    a sa&uacute;de como um bem em si, como um valor humano desejado, que est&aacute;    al&eacute;m das conting&ecirc;ncias do ambiente ou do sistema social. &#8220;<i>Trata-se    de um ideal a ser alcan&ccedil;ado sempre</i>&#8221;. Isso faz com que n&atilde;o    sucumbamos ao conformismo. Se a hist&oacute;ria &eacute; constru&iacute;da pelos    homens, ent&atilde;o, pode ser mudada, como tamb&eacute;m podem ser mudados    os contextos socioambientais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A quest&atilde;o da sa&uacute;de tem rela&ccedil;&otilde;es    com a produ&ccedil;&atilde;o e o ambiente. O ambiente &#8220;<i>est&aacute;    dado em fun&ccedil;&atilde;o da articula&ccedil;&atilde;o entre duas l&oacute;gicas:    a l&oacute;gica da natureza e a l&oacute;gica da sociedade</i>&#8221;. Por meio    da t&eacute;cnica (processos produtivos), d&aacute;-se a &#8220;<i>desnaturaliza&ccedil;&atilde;o    da natureza</i>&#8221; conformando o ambiente como um espa&ccedil;o social onde    se d&aacute; o desenvolvimento humano.<sup>13</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A Sa&uacute;de Coletiva trouxe um novo enfoque    para o entendimento do processo sa&uacute;de-doen&ccedil;a, visto como &#8220;<i>algo    em permanente transforma&ccedil;&atilde;o e que a (</i>cuja<i>) a&ccedil;&atilde;o    se d&aacute; num meio que n&atilde;o &eacute; s&oacute; reativo, mas sobretudo    transform&aacute;vel</i>.&#8221;<sup>13</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A constru&ccedil;&atilde;o de um sistema de vigil&acirc;ncia    ambiental   de interesse para a sa&uacute;de requer que o contexto seja   devidamente valorizado. Para tanto, n&atilde;o s&oacute; as bases de   dados oriundas de monitoramentos quantitativos s&atilde;o   necess&aacute;rias, como tamb&eacute;m devem ser integradas t&eacute;cnicas   de avalia&ccedil;&atilde;o de risco que incluam dados qualitativos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A dimens&atilde;o territorial passa a ser uma estrat&eacute;gia   interessante para a Vigil&acirc;ncia Ambiental, bem como a   proposta de se utilizar o s&iacute;tio sentinela como unidade   de an&aacute;lise.<sup>14</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O Princ&iacute;pio da Precau&ccedil;&atilde;o<sup>15</sup> &eacute;    outro conceito que   deve servir de guia para a a&ccedil;&atilde;o em vigil&acirc;ncia ambiental,   isto &eacute;, n&atilde;o se deve priorizar a a&ccedil;&atilde;o apenas pela    ocorr&ecirc;ncia   de doen&ccedil;as e desastres ou acidentes, mas antecipar   esses eventos pelo reconhecimento, anterior, dos   riscos e dos contextos nocivos &agrave; sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O Princ&iacute;pio da Precau&ccedil;&atilde;o foi desenvolvido    na Alemanha,   para justificar a interven&ccedil;&atilde;o regulamentadora   e de restri&ccedil;&atilde;o das descargas de polui&ccedil;&atilde;o marinha    &#8211;   na aus&ecirc;ncia de provas consensuais quanto aos seus   efeitos e danos ambientais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Esse princ&iacute;pio tem sido tomado como refer&ecirc;ncia   em outras &aacute;reas e caracteriza-se por requerer que as   decis&otilde;es acerca de processos industriais e produtos   perigosos sejam deslocadas da ponta final do processo   para a ponta inicial.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Por essa raz&atilde;o, a promo&ccedil;&atilde;o e a preven&ccedil;&atilde;o    ter&atilde;o,   necessariamente, que prevalecer no enfoque da vigil&acirc;ncia   ambiental.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A proposi&ccedil;&atilde;o de um novo modelo    gerencial de risco e tamb&eacute;m de explica&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica    do processo de adoecer, que vem sendo divulgado pela Organiza&ccedil;&atilde;o    Mundial da Sa&uacute;de (OMS) e tem origem em uma proposta da <i>Organization    for Economic Co-operation and Development</i> (OECD), &eacute; uma tentativa    de atuar na globalidade dos fen&ocirc;menos, incluindo toda a cadeia de causalidade.<sup>16</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Esse modelo apresenta a vantagem de possibilitar a   identifica&ccedil;&atilde;o, em cada n&iacute;vel, das condi&ccedil;&otilde;es    e dos fatores   de risco envolvidos no problema de sa&uacute;de ambiental.   E indicar a&ccedil;&otilde;es para cada n&iacute;vel. Assim, o problema n&atilde;o   ser&aacute; visto apenas no n&iacute;vel do efeito, mas na sua totalidade,   permitindo n&atilde;o s&oacute; efetivar a&ccedil;&otilde;es na causa imediata   (exposi&ccedil;&atilde;o), conforme a tradi&ccedil;&atilde;o da Sa&uacute;de    P&uacute;blica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nesse sentido, categorias de an&aacute;lise conformadas   em uma &#8220;matriz de dados&#8221;<sup>17</sup> devem comportar n&iacute;veis   hier&aacute;rquicos que possibilitem a compreens&atilde;o da   globalidade do problema e interven&ccedil;&otilde;es nos seus diferentes   n&iacute;veis.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">O modelo da OMS coloca em evid&ecirc;ncia toda a causalidade   e possibilita o gerenciamento em todos os n&iacute;veis   de interven&ccedil;&atilde;o. Mesmo quando a a&ccedil;&atilde;o est&aacute;    fora do   alcance do gestor municipal, reconhecer a sua necessidade   representa um fator auxiliar na organiza&ccedil;&atilde;o das   demandas, na abertura de possibilidade de negocia&ccedil;&otilde;es   e de condi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas para a resolu&ccedil;&atilde;o    dos problemas   em outras esferas de governo. O que fica de fora   deve ser explicitado, para que a consci&ecirc;ncia coletiva   compreenda a globalidade das quest&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nesse modelo, h&aacute; um conjunto de indicadores    hierarquizados que conformam uma matriz de indicadores.<sup>18</sup> Os principais    indicadores s&atilde;o: <b>de</b> <b>For&ccedil;as Motrizes</b>, que representam    atividades humanas coletivas e organizadas na sociedade, que imprimem processos    e padr&otilde;es ao desenvolvimento; <b>de Press&atilde;o</b>, que apontam diretamente    para as causas dos problemas; <b>de Situa&ccedil;&atilde;o</b>, que indicam    a condi&ccedil;&atilde;o atual do ambiente e podem servir a um primeiro diagn&oacute;stico    de situa&ccedil;&atilde;o; <b>de Exposi&ccedil;&atilde;o</b>, considerados apenas    para situa&ccedil;&otilde;es nas quais as popula&ccedil;&otilde;es est&atilde;o    envolvidas em alguma condi&ccedil;&atilde;o de risco; <b>de Efeito</b>, para    demonstrar os efeitos resultantes da exposi&ccedil;&atilde;o aos riscos ambientais.    Esses indicadores podem variar segundo o tipo, a intensidade e a magnitude.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Por fim, h&aacute; os indicadores <b>de A&ccedil;&atilde;o</b>    para cada um dos n&iacute;veis hier&aacute;rquicos acima propostos. Eles servem    &agrave; monitora&ccedil;&atilde;o das medidas tomadas para cada estrato da    matriz e deixam evidentes as possibilidades da gest&atilde;o intervir no processo,    segundo o arcabou&ccedil;o institucional, e criar novas possibilidades de resposta    e de alian&ccedil;as.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O modelo difundido pela OMS permite a contextualiza&ccedil;&atilde;o    dos problemas, sendo particularmente &uacute;til &agrave; hierarquiza&ccedil;&atilde;o    dos fen&ocirc;menos e das possibilidades de interven&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Complexidade dos problemas socioambientais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As situa&ccedil;&otilde;es &agrave;s quais aplicamos a    express&atilde;o problemas   ambientais, sendo um amplo espectro de elementos,   t&ecirc;m, em um de seus extremos, os problemas   pontuais circunscritos; e, em outro, as situa&ccedil;&otilde;es que   envolvem desafios como as condi&ccedil;&otilde;es da deteriora&ccedil;&atilde;o   do meio f&iacute;sico e da qualidade de vida de extensas   regi&otilde;es e popula&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As problem&aacute;ticas em que est&atilde;o envolvidos    &#8220;<i>o meio biof&iacute;sico, a produ&ccedil;&atilde;o, a tecnologia, a    organiza&ccedil;&atilde;o social, a economia, a cultura, s&atilde;o consideradas    complexas</i>&#8221;.<sup>3</sup> Os elementos socioambientais, que conformam os sistemas    de estudo e de interven&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea da Sa&uacute;de Ambiental,    caracterizam-se como um sistema complexo apenas quando se deseja conhecer a    globalidade de uma dada situa&ccedil;&atilde;o que seja a mais pr&oacute;xima    da realidade, e sobre ela intervir. O modelo cartesiano-positivista de ci&ecirc;ncia,    por seu car&aacute;ter compartimentado, monocausal, controlado e autorit&aacute;rio,    n&atilde;o permite a an&aacute;lise global da realidade, mas apenas atua em    fragmentos dela.<sup>19</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ao inserir a Sa&uacute;de Ambiental no campo    da Sa&uacute;de Coletiva, est&aacute;-se partindo de um referencial te&oacute;rico-conceitual    que incorpora ao m&eacute;todo, al&eacute;m daqueles tradicionais estudos quantitativos,    os aspectos qualitativos emanados das rela&ccedil;&otilde;es psicossociais e    ambientais.<sup>20</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A Sa&uacute;de Ambiental, assim proposta, integra as dimens&otilde;es   hist&oacute;rica, espacial e coletiva das situa&ccedil;&otilde;es, a   partir de um compromisso &eacute;tico com a qualidade de   vida das popula&ccedil;&otilde;es e dos ecossistemas em jogo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">O estudo de um sistema complexo busca compreender    o funcionamento da sua totalidade e s&oacute; pode ser executado por uma equipe    que compartilhe os marcos te&oacute;ricos, conceituais e metodol&oacute;gicos.    Essa asser&ccedil;&atilde;o &eacute; um princ&iacute;pio b&aacute;sico da abordagem    interdisciplinar.<sup>3</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">H&aacute; consenso de que, para abordar os problemas   ambientais, &eacute; necess&aacute;rio alcan&ccedil;ar uma verdadeira articula&ccedil;&atilde;o   das diversas disciplinas e obter um estudo integrado.   Por&eacute;m, o consenso n&atilde;o &eacute; suficiente se n&atilde;o forem   alcan&ccedil;adas as bases conceituais e metodol&oacute;gicas   que orientam as a&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de Ambiental, como vimos,    &eacute; um   campo relativamente novo do conhecimento, que trata   da compreens&atilde;o e da an&aacute;lise dos condicionantes   ambientais que afetam a sa&uacute;de humana.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">H&aacute; que se ter claro, outrossim, que nem    todos os problemas ambientais ou de sa&uacute;de requerem a interdisciplinaridade    na sua abordagem. Por exemplo, se fosse necess&aacute;rio caracterizar, apenas    do ponto de vista f&iacute;sico-qu&iacute;mico, a polui&ccedil;&atilde;o atmosf&eacute;rica    gerada em uma determinada f&aacute;brica de fertilizantes, bastaria que se monitorassem    as fontes de emiss&atilde;o de particulados e de outras subst&acirc;ncias. Nesse    caso, interessa apenas saber o resultado das an&aacute;lises laboratoriais,    realizadas com a maior compet&ecirc;ncia profissional poss&iacute;vel e utilizando    procedimentos t&eacute;cnico-anal&iacute;ticos apropriados, para garantir a    boa sensibilidade e especificidade dos resultados constatados por um bom especialista    em qu&iacute;mica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Entretanto, simples medi&ccedil;&otilde;es n&atilde;o    bastam, por melhor   que sejam feitas, quando desejamos saber se determinados   agravos &agrave; sa&uacute;de, observados na popula&ccedil;&atilde;o   do entorno da f&aacute;brica poluidora ou nos trabalhadores,   est&atilde;o relacionados com a polui&ccedil;&atilde;o oriunda de   um determinado processo produtivo; ou, ainda, quando   a quest&atilde;o &eacute;: Como introduzir mudan&ccedil;as nos processos   geradores de nocividade?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Aqui, estar&atilde;o envolvidos m&uacute;ltiplos    elementos relacionados entre si, interdependentes, constituindo um sistema complexo.    Para os objetivos definidos, dever-se-&aacute; responder &agrave;s seguintes    quest&otilde;es:<sup>18</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&#8226; Como se d&aacute; o processo produtivo    dessa f&aacute;brica?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> &#8226; Qual &eacute; o modo de exposi&ccedil;&atilde;o    e os efeitos na sa&uacute;de? </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&#8226; Por que se emprega este ou aquele padr&atilde;o    tecnol&oacute;gico? </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&#8226; Que fatores econ&ocirc;micos est&atilde;o    em jogo? Como o trabalho se organiza? </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">&#8226; Quais s&atilde;o os m&eacute;todos dispon&iacute;veis    para estudar os poluentes? </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&#8226; Quais s&atilde;o os limites desses m&eacute;todos?    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&#8226; Como s&atilde;o gerados, processados    e atualizados os dados dispon&iacute;veis em bancos de dados e qual a sua representatividade?    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&#8226; Quais s&atilde;o os poss&iacute;veis    erros de diagn&oacute;stico e an&aacute;lise efetuados? </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&#8226; Como o sistema de sa&uacute;de est&aacute;    organizado? </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&#8226; Qual &eacute; a percep&ccedil;&atilde;o    e o conhecimento que os sujeitos expostos t&ecirc;m sobre esses problemas? </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&#8226; Quais s&atilde;o as condi&ccedil;&otilde;es    pol&iacute;ticas, econ&ocirc;micas e tecnol&oacute;gicas existentes para se    proceder a mudan&ccedil;as de curto, m&eacute;dio e longo prazos no sentido    de implementar medidas de preven&ccedil;&atilde;o?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Esse sistema complexo, portanto, vai necessitar de   diversas disciplinas a serem requisitadas para o estudo.   Mas n&atilde;o basta que cada uma forne&ccedil;a os seus dados   isoladamente. Para que sejam integrados, esses   dados dever&atilde;o ser gerados e analisados &agrave; luz de um   marco conceitual e de uma hip&oacute;tese (ou pressuposto)   comuns; e, ainda, responder a uma ou mais perguntas   condutoras, igualmente comuns.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; esse compartilhamento te&oacute;rico-metodol&oacute;gico    que   permite o processo de integra&ccedil;&atilde;o do conhecimento,   originalmente diferenciado por distintas disciplinas, dando   como resultado uma caracter&iacute;stica interdisciplinar   e permitindo a compreens&atilde;o da totalidade da situa&ccedil;&atilde;o   e a escolha das melhores estrat&eacute;gias de interven&ccedil;&atilde;o.   T&atilde;o-somente com essa pr&aacute;tica &eacute; que se pode falar, efetivamente,   em uma a&ccedil;&atilde;o interdisciplinar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Resumindo: a interdisciplinaridade s&oacute; acontece    em   um processo de estudo e interven&ccedil;&atilde;o que objetiva o   conhecimento e a a&ccedil;&atilde;o na globalidade do sistema,   complexo por defini&ccedil;&atilde;o. No mundo real, as quest&otilde;es   s&atilde;o transdisciplinares, isto &eacute;, existem independentemente   das disciplinas, do conhecimento te&oacute;rico e   metodol&oacute;gico que historicamente acumularam.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Com esse entendimento, fica claro que a interven&ccedil;&atilde;o   em sa&uacute;de ambiental exige uma articula&ccedil;&atilde;o   intersetorial, pois o arcabou&ccedil;o institucional respons&aacute;vel   pelas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e privadas est&aacute; organizado   por setores mais ou menos especializados, que t&ecirc;m   objetivos distintos mas complementares entre si.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A intersetorialidade &#8211; como a interdisciplinaridade    &#8211;   exige uma rela&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o &eacute; de subordina&ccedil;&atilde;o    entre as   partes, mas sim de coopera&ccedil;&atilde;o entre os especialistas das   diferentes institui&ccedil;&otilde;es requeridas no processo de a&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O importante &eacute; definir o objetivo comum para enfrentar   um problema que deve ser visto com pressupostos   e perguntas condutoras consensuais. O que requer,   obviamente, uma permanente negocia&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O processo de diferencia&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es    por setores   ou do conhecimento especializado por disciplinas deve-se   transformar em um processo de integra&ccedil;&atilde;o, para apresentar   os resultados e a compreens&atilde;o do fen&ocirc;meno na   sua totalidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O ponto de partida deve ser o entendimento (a vis&atilde;o)   e a defini&ccedil;&atilde;o de objetivos (perguntas) comuns.   &Eacute; no processo de interven&ccedil;&atilde;o ou de investiga&ccedil;&atilde;o    que se   constr&oacute;i o modelo explicativo, que n&atilde;o levar&aacute; &agrave;    verdade   mas aproximar-se-&aacute;, o quanto poss&iacute;vel, da realidade. Finalmente,   ensejar&aacute; novas perguntas (para velhos problemas),   dentro de um processo aberto, din&acirc;mico e democr&aacute;tico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Como vimos, a intersetorialidade &eacute; importante    requisito para as a&ccedil;&otilde;es integradas em vigil&acirc;ncia ambiental.    Devemos considerar tanto os setores governamentais como as denominadas organiza&ccedil;&otilde;es    n&atilde;o-governamentais (ONG), redes ou movimentos sociais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Reconhecemos que h&aacute; um descompasso entre    as pol&iacute;ticas de sa&uacute;de, meio ambiente, saneamento, recursos h&iacute;dricos,    agricultura, desenvolvimento urbano, habita&ccedil;&atilde;o e trabalho. Cabe    aos t&eacute;cnicos de cada um desses setores a sua parcela de responsabilidade    para a supera&ccedil;&atilde;o desse quadro.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&Agrave; guisa de conclus&atilde;o, pode-se dizer    que o efeito da nocividade ambiental depende n&atilde;o s&oacute; da natureza    de seus elementos (tipo), do tempo de exposi&ccedil;&atilde;o, da concentra&ccedil;&atilde;o,    da dispers&atilde;o, das caracter&iacute;sticas individuais dos expostos (susceptibilidade,    idade, sexo), do biorritmo, da quantidade de esfor&ccedil;o f&iacute;sico despendida    e das condi&ccedil;&otilde;es gerais do ambiente (ventila&ccedil;&atilde;o,    exaust&atilde;o, ilumina&ccedil;&atilde;o, etc.). Mas, tamb&eacute;m &#8211;    e fundamentalmente &#8211;, depende dos contextos em que esses processos ocorrem.    A determina&ccedil;&atilde;o da exposi&ccedil;&atilde;o e do efeito sobre o    indiv&iacute;duo e as popula&ccedil;&otilde;es expostas n&atilde;o &eacute;    um tema simples. Nele, est&atilde;o envolvidos m&uacute;ltiplos fatores que    interagem e s&atilde;o interdependentes. A complexidade dessa situa&ccedil;&atilde;o    deve ser levada em considera&ccedil;&atilde;o, sempre, para que se tenha uma    leitura mais apropriada da realidade. As abordagens simplistas, ainda dominantes,    de rela&ccedil;&otilde;es monocausais entre exposi&ccedil;&atilde;o-efeito,    devem ser substitu&iacute;das por uma compreens&atilde;o-explica&ccedil;&atilde;o    que reporte o problema &agrave; globalidade dos processos de sa&uacute;de. E    isso tem que ser ensinado, da&iacute; a import&acirc;ncia de uma nova educa&ccedil;&atilde;o.<sup>20</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Devemos nos manter conscientes de que a sa&uacute;de &eacute;   condi&ccedil;&atilde;o humana, din&acirc;mica e complexa, n&atilde;o podendo   estar subordinada a n&iacute;veis de complexidade inferior,   como vemos ocorrer, com freq&uuml;&ecirc;ncia, quando se   adotam limites de toler&acirc;ncia para determinados agentes   qu&iacute;micos aqu&eacute;m das garantias de total seguran&ccedil;a   de exposi&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os limites de seguran&ccedil;a s&atilde;o indicadores    quantitativos oriundos da qu&iacute;mica inorg&acirc;nica (concentra&ccedil;&atilde;o=    massa/volume) e est&atilde;o no n&iacute;vel mais elementar do sistema, enquanto    a sa&uacute;de &eacute; um indicador biops&iacute;quico e socioambiental, no    topo da hierarquia do sistema.<sup>21</sup> Assim, subordinar a sa&uacute;de aos indicadores    de exposi&ccedil;&atilde;o e efeito de maneira isolada, mecanicamente, constitui    um erro freq&uuml;ente nas pr&aacute;ticas de sa&uacute;de, principalmente quando    se trata de estabelecer limites de exposi&ccedil;&atilde;o humana para ambientes    polu&iacute;dos por processos antr&oacute;picos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A constru&ccedil;&atilde;o de um Sistema de Vigil&acirc;ncia    em Sa&uacute;de Ambiental requer um modelo de compreens&atilde;o hol&iacute;stica,    capaz de organizar as a&ccedil;&otilde;es de preven&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de,    melhorar a qualidade dos servi&ccedil;os como um todo e colaborar com as pol&iacute;ticas    de desenvolvimento sustent&aacute;vel.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">1. Leff E. La pedagogia del ambiente. In: Leff E,   organizador. Educaci&oacute;n en ambiente para el desarrollo   sustentable. M&eacute;xico: Ed. Escuela Pedag&oacute;gica y Sindical   Marina Vilte de CTERA; 1998.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">2. Lieber RR. Teoria e metateoria na investiga&ccedil;&atilde;o    da causalidade &#91;Tese de Doutorado&#93;. S&atilde;o Paulo (SP): USP; 1998.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">3. Garcia R. Interdisciplinaridad y sistemas complejos.    In:   Leff E, organizador. Ciencias Sociales y Formaci&oacute;n   Ambiental. Barcelona: Gedisa, Unam; 1994. p.32-48.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">4. Minist&eacute;rio do Meio Ambiente. Agenda 21 Brasileira.   Bases para Discuss&atilde;o. Bras&iacute;lia: MMA; 2000.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">5. Augusto LGS, Flor&ecirc;ncio L, Carneiro RM. Pesquisa   (a&ccedil;&atilde;o) em Sa&uacute;de Ambiental: contexto, complexidade,   compromisso social. Recife: Ed. Universit&aacute;ria da UFPE;   2001.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">6. Funda&ccedil;&atilde;o Nacional de Sa&uacute;de. Curso    b&aacute;sico de vigil&acirc;ncia   ambiental. M&oacute;dulo I. Bras&iacute;lia: Funasa; 2000.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">7. Lieber RR, Lieber N, Augusto LGS. Avalia&ccedil;&atilde;o,   monitoramento e preven&ccedil;&atilde;o de risco ambiental para a   sa&uacute;de. Texto elaborado para debate em grupo de   trabalho do I Semin&aacute;rio Nacional de Sa&uacute;de e Ambiente   da Fiocruz. Rio de Janeiro; 2000. Digitado.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">8. Waldman EA. Vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica    como pr&aacute;tica de sa&uacute;de p&uacute;blica &#91;Tese de Doutorado&#93;. S&atilde;o    Paulo (SP): USP; 1991.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">9. Brasil. Lei n. 8080, de 19 de setembro de 1990. Disp&otilde;e   sobre as condi&ccedil;&otilde;es para promo&ccedil;&atilde;o, prote&ccedil;&atilde;o    e   recupera&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de, a organiza&ccedil;&atilde;o e o   funcionamento dos servi&ccedil;os correspondentes e d&aacute;   outras provid&ecirc;ncias. Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o, Bras&iacute;lia,   v.128, n.182, p.18054, 20 set 1990. Se&ccedil;&atilde;o 1.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">10. Funda&ccedil;&atilde;o Nacional de Sa&uacute;de. Vigil&acirc;ncia    ambiental em   sa&uacute;de. Bras&iacute;lia: Funasa; 2000.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">11. Augusto LGS. A constru&ccedil;&atilde;o de indicadores    em sa&uacute;de   ambiental: desafios conceituais. In: Minayo MCS,   Miranda AC. Sa&uacute;de e ambiente sustent&aacute;vel: estreitando   n&oacute;s. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2002. p.291-312.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">12. Levell H, Clark EG. Medicina preventiva. S&atilde;o    Paulo:   McGraw-Hill; 1976.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">13. Tambellini AT, C&acirc;mara V. A tem&aacute;tica    sa&uacute;de e ambiente no processo de desenvolvimento do campo da sa&uacute;de    coletiva: aspectos hist&oacute;ricos, conceituais e metodol&oacute;gicos. Ci&ecirc;ncia    &amp; Sa&uacute;de Coletiva 1998;3(2):47-59.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">14. Samaja J. Muestras y representatividad en vigilancia   epidemiologica mediante sitios sentinelas. Cadernos de   Sa&uacute;de P&uacute;blica 1996;12(3):309-312.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">15. Augusto LGS, Freitas CM. O princ&iacute;pio da precau&ccedil;&atilde;o    no   uso de indicadores de riscos qu&iacute;micos ambientais em   sa&uacute;de do trabalhador. Ci&ecirc;ncia &amp; Sa&uacute;de Coletiva   1998;3(2):85-95.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">16. World Health Organization. Linkage methods for   environment and health analysis. Geneva: WHO; 1997.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">17. Samaja J. La sem&aacute;ntica del discurso cient&iacute;fico    y el   an&aacute;lisis de matrices de datos. Buenos Aires. Texto   preparado para a disciplina Sa&uacute;de, Ambiente e   Trabalho do Curso de Mestrado em Sa&uacute;de P&uacute;blica do   Centro de Pesquisas Aggeu Magalh&atilde;es/Fiocruz. Recife,   25-29/10/1999. Digitado.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">18. Funda&ccedil;&atilde;o Nacional de Sa&uacute;de. Curso    b&aacute;sico de vigil&acirc;ncia   ambiental. M&oacute;dulo III. Bras&iacute;lia: Funasa; 2000.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">19. Morin E. Introdu&ccedil;&atilde;o ao pensamento    complexo. 3<sup>a</sup> ed. Lisboa: Ed. Instituto Piaget; 2001.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">20. Morin E. Os sete saberes para a educa&ccedil;&atilde;o    do futuro.   Lisboa: Ed. Instituto Piaget; 2002.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">21. Novaes TCP. Bases metodol&oacute;gicas para    abordagem da exposi&ccedil;&atilde;o ao benzeno &#91;Disserta&ccedil;&atilde;o    de Mestrado&#93;. S&atilde;o Paulo (SP): USP; 1992.</font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="end"></a><b><a href="#topo"><img src="/img/revistas/ess/v12n4/seta.gif" border="0"></a>Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia:</b>    <br>   Rua Ministro Nelson Hungria, 266, apto. 201,    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Boa Viagem, Recife-PE.    <br>   CEP: 51021-100    <br>   <i>E-mail</i>:<a href="mailto:giraldo@cpqam.fiocruz.br">giraldo@cpqam.fiocruz.br</a></font></p>      ]]></body><back>
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