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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Por um processo de descentralização que consolide os princípios do Sistema Único de Saúde]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The decentralization strategy, initiated by the Federal Constitution of 1988, is one of the public organizational directives mostly focused on the process of construction of the Unified Health System (SUS) in Brazil. This decentralization process differs from the tradition of centralized health care in Brazil, and has promoted the concept that local levels (municipalities) are the best managers of public health matters, because of their close proximity to the population compared to the state or federal levels. Although the municipalization process has made substantial progress in São Paulo State in recent years, this process results in new questions about public health. These questions about SUS relate to principles such as the universality and integrality of the system, and the equity of care. In addition, other important considerations are the evolution of SUS (still precarious in some areas), regionalization and hierarchizing principles, as well as a better definition of the state role as a manager of SUS and the responsibilities shared by the state and local levels of the Brazilian federation related to public health policy.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b><a name="topo"></a>ENSAIO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Por um processo de descentraliza&ccedil;&atilde;o    que consolide os princ&iacute;pios do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de<a href="#endereco"><sup>*</sup></a></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>In search of a decentralization process    which consolidates the principles of the Unified Health System (SUS) in Brazil</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Luiz Roberto Barradas Barata<sup>I</sup>;    Oswaldo Yoshimi Tanaka<sup>II</sup>; Jos&eacute; D&iacute;nio Vaz Mendes<sup>III</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Secret&aacute;rio de Estado da Sa&uacute;de de    S&atilde;o Paulo    <br><sup>II</sup>Secret&aacute;rio Adjunto    de Estado da Sa&uacute;de de S&atilde;o Paulo. Faculdade de Sa&uacute;de P&uacute;blica    da Universidade de S&atilde;o Paulo, S&atilde;o Paulo-SP    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <sup>III</sup>Secretaria de Estado da Sa&uacute;de de S&atilde;o Paulo, S&atilde;o    Paulo-SP</font></p>     <p><a href="#endereco"><font size="2" face="verdana">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</font></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> A descentraliza&ccedil;&atilde;o, desde a Constitui&ccedil;&atilde;o    Federal de 1988, tem sido uma das diretrizes organizacionais mais enfatizadas    no processo de constru&ccedil;&atilde;o do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de    (SUS) no Brasil. A implanta&ccedil;&atilde;o da descentraliza&ccedil;&atilde;o    op&otilde;e-se &agrave; tradi&ccedil;&atilde;o centralizadora da assist&ecirc;ncia    &agrave; sa&uacute;de no Brasil e vem promovendo a no&ccedil;&atilde;o de que    o munic&iacute;pio &eacute; o melhor gestor para a quest&atilde;o da sa&uacute;de,    por estar mais pr&oacute;ximo da realidade da popula&ccedil;&atilde;o do que    as esferas estadual e federal. Embora a municipaliza&ccedil;&atilde;o tenha    avan&ccedil;ado bastante no Estado de S&atilde;o Paulo nos &uacute;ltimos anos,    o processo suscita novas quest&otilde;es acerca do sistema p&uacute;blico de    sa&uacute;de. A consecu&ccedil;&atilde;o de alguns dos princ&iacute;pios do    SUS, tais como a universalidade do sistema, a integralidade e a eq&uuml;idade    da assist&ecirc;ncia, tamb&eacute;m dependem da implementa&ccedil;&atilde;o,    hoje ainda prec&aacute;ria, dos princ&iacute;pios de regionaliza&ccedil;&atilde;o    e hierarquiza&ccedil;&atilde;o, bem como de uma melhor defini&ccedil;&atilde;o    do papel do gestor estadual e da divis&atilde;o de responsabilidades entre ele    e os gestores municipais no atendimento &agrave;s demandas do sistema de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Palavras-chave:</b> pol&iacute;tica de sa&uacute;de;    Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de; descentraliza&ccedil;&atilde;o; municipaliza&ccedil;&atilde;o;diretrizes    do SUS.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>SUMMARY</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">The decentralization strategy, initiated by the    Federal Constitution of 1988, is one of the public organizational directives    mostly focused on the process of construction of the Unified Health System (SUS)    in Brazil. This decentralization process differs from the tradition of centralized    health care in Brazil, and has promoted the concept that local levels (municipalities)    are the best managers of public health matters, because of their close proximity    to the population compared to the state or federal levels. Although the municipalization    process has made substantial progress in S&atilde;o Paulo State in recent years,    this process results in new questions about public health. These questions about    SUS relate to principles such as the universality and integrality of the system,    and the equity of care. In addition, other important considerations are the    evolution of SUS (still precarious in some areas), regionalization and hierarchizing    principles, as well as a better definition of the state role as a manager of    SUS and the responsibilities shared by the state and local levels of the Brazilian    federation related to public health policy.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Key words:</b> health policy; Brazilian Health    System; decentralization; municipalization; directives for the Unified Health    System (SUS)</font></p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>A descentraliza&ccedil;&atilde;o entre    os princ&iacute;pios do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS)</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os princ&iacute;pios do Sistema &Uacute;nico    de Sa&uacute;de (SUS), fixados na Constitui&ccedil;&atilde;o Federal (CF) de    1988 e detalhados na Lei Org&acirc;nica da Sa&uacute;de (Lei n<sup>o</sup> 8.080/90) e    na Lei n<sup>o</sup> 8.142/90, foram o resultado de um longo processo hist&oacute;rico-social    que buscava interferir nas condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de e na assist&ecirc;ncia    prestada &agrave; popula&ccedil;&atilde;o brasileira.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Suas principais diretrizes, discutidas e desenvolvidas    no movimento de reforma sanit&aacute;ria, foram consagradas pela VIII<sup>a</sup>    Confer&ecirc;ncia Nacional de Sa&uacute;de de 1986, sendo hoje consideradas    conquistas sociais definitivas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Diversos autores<sup>1-3</sup> prop&otilde;em a divis&atilde;o    dos princ&iacute;pios fundamentais do SUS em dois grandes grupos:</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&#8226; <b>doutrin&aacute;rios</b>    (ou <b>&eacute;ticos</b>), que se referem aos objetivos final&iacute;sticos    do sistema e incluiriam:</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- <b>o direito universal &agrave; sa&uacute;de</b>,    entendido n&atilde;o s&oacute; como a oferta de servi&ccedil;os e a&ccedil;&otilde;es    de sa&uacute;de, mas abrangendo tamb&eacute;m, em seu conceito, <i>&quot;pol&iacute;ticas    sociais e econ&ocirc;micas que visem &agrave; redu&ccedil;&atilde;o do risco    de doen&ccedil;a e de outros agravos&quot; </i>(CF), incluindo como <i>&quot;fatores    determinantes e condicionantes, entre outros, a alimenta&ccedil;&atilde;o, a    moradia, o saneamento b&aacute;sico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a    educa&ccedil;&atilde;o, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e servi&ccedil;os    essenciais; os n&iacute;veis de sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o expressam    a organiza&ccedil;&atilde;o social e econ&ocirc;mica do Pa&iacute;s&quot; </i>(Lei    n<sup>o</sup> 8.080/90);</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> - <b>a eq&uuml;idade</b>, compreendida como    o reconhecimento das diferen&ccedil;as existentes nas necessidades de sa&uacute;de,    quer regionais ou individuais, com o desenvolvimento de a&ccedil;&otilde;es    objetivando a justi&ccedil;a social, isto &eacute;, que reduzam a exclus&atilde;o    e beneficiem, prioritariamente, aqueles que possuem piores condi&ccedil;&otilde;es    de sa&uacute;de; e</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- <b>o atendimento integral &agrave; sa&uacute;de</b>,    mediante a articula&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es e servi&ccedil;os    preventivos e curativos, individuais e coletivos, necess&aacute;rios &agrave;    efetiva melhoria dos n&iacute;veis de sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">&#8226; <b>organizacionais</b> (ou <b>operativos</b>), referentes aos processos que permitir&atilde;o    o cumprimento das principais diretrizes do SUS:</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- a <b>descentraliza&ccedil;&atilde;o</b> de    a&ccedil;&otilde;es e servi&ccedil;os de sa&uacute;de, com dire&ccedil;&atilde;o    &uacute;nica em cada esfera de governo e &ecirc;nfase na municipaliza&ccedil;&atilde;o;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- a <b>regionaliza&ccedil;&atilde;o</b> e a <b>hierarquiza&ccedil;&atilde;o</b> da rede de servi&ccedil;os    assistenciais; e</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- a <b>participa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o</b>    na formula&ccedil;&atilde;o e acompanhamento das pol&iacute;ticas do sistema.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Entretanto, para ambos os grupos, podemos destacar    situa&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas que condicionaram a oportunidade e    a import&acirc;ncia pol&iacute;tica de implementa&ccedil;&atilde;o dessas diretrizes.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; universalidade    do direito &agrave; sa&uacute;de, sabemos que, durante grande parte do s&eacute;culo    passado, os servi&ccedil;os de assist&ecirc;ncia m&eacute;dica e odontol&oacute;gica    s&oacute; eram garantidos aos benefici&aacute;rios da previd&ecirc;ncia social    e provisionados pelo Minist&eacute;rio da Previd&ecirc;ncia Social, que gerenciava    recursos financeiros muito superiores aos da &aacute;rea de Sa&uacute;de P&uacute;blica,    privilegiando a assist&ecirc;ncia m&eacute;dica curativa e os produtores privados    de servi&ccedil;os de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Certamente, esse tipo de desenvolvimento da rede    assistencial ocasionou grandes disparidades regionais. No que se refere aos    recursos de sa&uacute;de existentes, a concentra&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os    em grandes centros urbanos, especialmente nos Estados com economias mais avan&ccedil;adas,    gerou desigualdades no acesso da popula&ccedil;&atilde;o aos servi&ccedil;os,    com car&ecirc;ncias acentuadas justamente nos locais com os piores indicadores    de sa&uacute;de, justificando amplamente a preocupa&ccedil;&atilde;o com a eq&uuml;idade    no SUS.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Da mesma forma, a separa&ccedil;&atilde;o entre    os servi&ccedil;os previdenci&aacute;rios e as demais a&ccedil;&otilde;es de    Sa&uacute;de P&uacute;blica fragmentavam o setor Sa&uacute;de e impediam avan&ccedil;os    no sentido da integralidade do sistema. O Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de    e as secretarias estaduais e municipais de sa&uacute;de n&atilde;o dispunham,    entre as suas principais atribui&ccedil;&otilde;es, a de garantir assist&ecirc;ncia    m&eacute;dica integral &agrave; popula&ccedil;&atilde;o. Ao setor p&uacute;blico    competia, t&atilde;o-somente, a realiza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os    tradicionais: vigil&acirc;ncia sanit&aacute;ria, controle de endemias, vacina&ccedil;&atilde;o,    puericultura, atendimento pr&eacute;-natal e assist&ecirc;ncia m&eacute;dica    aos doentes mentais, hansenianos e tuberculosos. E com dificuldade, &eacute;    bom lembrar, pois os or&ccedil;amentos eram sempre m&iacute;nimos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Com rela&ccedil;&atilde;o aos princ&iacute;pios    organizacionais, a descentraliza&ccedil;&atilde;o foi impulsionada na vertente    da municipaliza&ccedil;&atilde;o.<sup>4 </sup>Entre as principais raz&otilde;es que fundamentavam    essas propostas, podemos salientar:</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&#8226; A descentraliza&ccedil;&atilde;o era    uma resposta &agrave; estrutura anterior da assist&ecirc;ncia &agrave; sa&uacute;de,    extremamente concentradora e autorit&aacute;ria nas decis&otilde;es, obviamente    inadequada para um pa&iacute;s do tamanho e complexidade do Brasil.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">&#8226; Somente em um sistema descentralizado,    seria poss&iacute;vel a maior participa&ccedil;&atilde;o de todos os interessados    na formula&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica e na implanta&ccedil;&atilde;o    de servi&ccedil;os e a&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de, adaptados &agrave;s    diferentes regi&otilde;es e realidades de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&#8226; A no&ccedil;&atilde;o de que o munic&iacute;pio    &eacute; o mais adequado &acirc;mbito para tratar a quest&atilde;o da sa&uacute;de    de maneira direta, uma vez que &eacute; o ente federado mais pr&oacute;ximo    da popula&ccedil;&atilde;o, capaz, portanto, de identificar as peculiaridades    e as diversidades locais e adaptar as estrat&eacute;gias para a supera&ccedil;&atilde;o    dos problemas de sa&uacute;de, de forma integral.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&#8226; A associa&ccedil;&atilde;o dessas duas    raz&otilde;es implica e evidencia a responsabilidade do gestor municipal, mais    acess&iacute;vel &agrave; participa&ccedil;&atilde;o, avalia&ccedil;&atilde;o    e fiscaliza&ccedil;&atilde;o dos cidad&atilde;os, usu&aacute;rios diretos do sistema.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&#8226; Nesses moldes, a descentraliza&ccedil;&atilde;o    tamb&eacute;m seria uma solu&ccedil;&atilde;o para outro problema herdado do    sistema de sa&uacute;de anterior ao SUS: dire&ccedil;&otilde;es m&uacute;ltiplas    e desintegradas, cuja situa&ccedil;&atilde;o exemplar era o duplo comando decorrente    da divis&atilde;o de fun&ccedil;&otilde;es e recursos entre os servi&ccedil;os    do Minist&eacute;rio da Previd&ecirc;ncia Social, de um lado, e do Minist&eacute;rio    da Sa&uacute;de, de outro.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&#8226; Da&iacute;, a &ecirc;nfase do texto constitucional,    como na Lei n<sup>o</sup> 8.080,<sup>5</sup> sobre a <i>&quot;descentraliza&ccedil;&atilde;o,    com dire&ccedil;&atilde;o &uacute;nica em cada esfera de governo&quot;.</i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O princ&iacute;pio da participa&ccedil;&atilde;o    popular surge nesse contexto, como rea&ccedil;&atilde;o &agrave;s pr&aacute;ticas    tecnocr&aacute;ticas e excludentes do per&iacute;odo autorit&aacute;rio e ferramenta    fundamental para a adequa&ccedil;&atilde;o do SUS &agrave;s verdadeiras necessidades    coletivas de sa&uacute;de. Somente com a democratiza&ccedil;&atilde;o e maior    participa&ccedil;&atilde;o social no setor, seria poss&iacute;vel romper, gradativamente,    com o modelo anterior, cujas pol&iacute;ticas eram determinadas pelo poder econ&ocirc;mico    e pelos servi&ccedil;os existentes, n&atilde;o pelo perfil de problemas de sa&uacute;de    da popula&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os princ&iacute;pios organizacionais da regionaliza&ccedil;&atilde;o    e da hierarquiza&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os, imprescind&iacute;veis    para a racionaliza&ccedil;&atilde;o do sistema, tamb&eacute;m visam modificar    a situa&ccedil;&atilde;o anterior. At&eacute; ent&atilde;o, os servi&ccedil;os    de sa&uacute;de, p&uacute;blicos ou privados, n&atilde;o trabalhavam de maneira    integrada mas isoladamente, sem o estabelecimento de refer&ecirc;ncias formais    e exigindo da pr&oacute;pria popula&ccedil;&atilde;o o exerc&iacute;cio de descobrir    onde obter o atendimento de que necessitasse.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Um breve hist&oacute;rico do desenvolvimento    da descentraliza&ccedil;&atilde;o do SUS no Estado de S&atilde;o Paulo</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No Estado de S&atilde;o Paulo, o processo de    descentraliza&ccedil;&atilde;o e municipaliza&ccedil;&atilde;o vem de longa    data, anterior &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988. Entre as    suas primeiras realiza&ccedil;&otilde;es, podemos apontar o Programa Metropolitano    de Sa&uacute;de (PMS), cuja elabora&ccedil;&atilde;o teve in&iacute;cio em 1982.    O PMS foi um projeto de reestrutura&ccedil;&atilde;o da rede de servi&ccedil;os    de sa&uacute;de da Regi&atilde;o Metropolitana de S&atilde;o Paulo, abrangendo,    principalmente, as &aacute;reas mais carentes. O programa implementou, entre    outros pontos, a constru&ccedil;&atilde;o de unidades b&aacute;sicas de sa&uacute;de    (UBS) e de hospitais, muitos dos quais, ap&oacute;s conclu&iacute;dos, tiveram    sua gest&atilde;o transferida para os munic&iacute;pios.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Logo a seguir, em 1983, surgiu o programa AIS,    ou A&ccedil;&otilde;es Integradas de Sa&uacute;de, destinado a promover a integra&ccedil;&atilde;o    dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos acompanhada de discuss&otilde;es e movimentos    sociais, desencadeados no per&iacute;odo de redemocratiza&ccedil;&atilde;o do    pa&iacute;s, que passavam a exigir sa&uacute;de como direito do cidad&atilde;o.    Tais fatos propiciaram o surgimento de propostas mais amplas de descentraliza&ccedil;&atilde;o    das a&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de e mudan&ccedil;as na sua operacionaliza&ccedil;&atilde;o,    como foi o caso do Sistema Unificado e Descentralizado de Sa&uacute;de (SUDS), em 1987.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&Agrave;quela &eacute;poca, a Secretaria de Estado    da Sa&uacute;de de S&atilde;o Paulo passava a dirigir a superintend&ecirc;ncia    estadual do Inamps, iniciava a municipaliza&ccedil;&atilde;o de UBS estaduais    no interior e recebia a ger&ecirc;ncia &#8211; estadualiza&ccedil;&atilde;o    &#8211; dos servi&ccedil;os hospitalares e ambulatoriais pr&oacute;prios da Previd&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No per&iacute;odo de 1987 a 1994, a maioria das    unidades de sa&uacute;de estaduais que prestavam servi&ccedil;os de aten&ccedil;&atilde;o    prim&aacute;ria, como as UBS e os laborat&oacute;rios locais, foi repassada    &agrave; ger&ecirc;ncia dos munic&iacute;pios do interior do Estado e da Grande    S&atilde;o Paulo, com exce&ccedil;&atilde;o da Capital.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O Munic&iacute;pio de S&atilde;o Paulo, contrariamente    ao ocorrido durante a implementa&ccedil;&atilde;o do PMS, n&atilde;o apresentou    avan&ccedil;os no processo de municipaliza&ccedil;&atilde;o, exceto pela transfer&ecirc;ncia    de 51 UBS estaduais para a prefeitura da cidade, entre 1990 e 1992.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em 1996, o governo paulistano optou pelo desenvolvimento    do Plano de Atendimento &agrave; Sa&uacute;de (PAS), um sistema desvinculado    do SUS. Por esse motivo, a Secretaria de Estado de Sa&uacute;de manteve com    ela a ger&ecirc;ncia e gest&atilde;o das UBS, ambulat&oacute;rios e hospitais    gerais pr&oacute;prios, situados na Capital, bem como deu in&iacute;cio ao Programa    de Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia (Qualis/PSF) na suas regi&otilde;es perif&eacute;ricas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">At&eacute; ent&atilde;o, apesar dos avan&ccedil;os    institucionais, principalmente pol&iacute;ticos, alcan&ccedil;ados na &aacute;rea    da Sa&uacute;de no pa&iacute;s, os munic&iacute;pios ainda tinham um papel restrito,    limitando-se &agrave; ger&ecirc;ncia de alguns servi&ccedil;os de aten&ccedil;&atilde;o    prim&aacute;ria. A rede de servi&ccedil;os da previd&ecirc;ncia n&atilde;o havia    sofrido modifica&ccedil;&otilde;es importantes em sua organiza&ccedil;&atilde;o,    pois as Secretarias Estaduais davam continuidade aos contratos e conv&ecirc;nios    existentes, sem alterar significativamente a gest&atilde;o do sistema.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Embora o processo de municipaliza&ccedil;&atilde;o    dos servi&ccedil;os de aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria estadual j&aacute;    tivesse ocorrido na maior parte do Estado, o desenvolvimento da gest&atilde;o    municipal de sa&uacute;de chegou mais tarde e de forma mais lenta, iniciando-se    apenas em 1993, quando o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de editou a Norma Operacional B&aacute;sica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A NOB-SUS 1993<sup>6</sup> criou as formas alternativas    de gest&atilde;o: incipiente, parcial e semiplena. Apenas neste &uacute;ltimo    n&iacute;vel, os munic&iacute;pios assumiam responsabilidades e tinham maior    controle da gest&atilde;o do sistema. A norma tamb&eacute;m estabeleceu as comiss&otilde;es    intergestoras (tripartite e bipartite) e previu as transfer&ecirc;ncias de recursos    fundo a fundo, conforme o tipo de gest&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No in&iacute;cio de 1995, S&atilde;o Paulo tinha    apenas 11 munic&iacute;pios habilitados na gest&atilde;o semiplena em sa&uacute;de,    23 com gest&atilde;o parcial e 123 com gest&atilde;o incipiente, permanecendo    398 munic&iacute;pios sem nenhuma forma de habilita&ccedil;&atilde;o nas gest&otilde;es previstas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A pol&iacute;tica de descentraliza&ccedil;&atilde;o    foi refor&ccedil;ada ap&oacute;s a edi&ccedil;&atilde;o, em 1996, de uma nova    norma operacional b&aacute;sica, a NOB-SUS 1996,<sup>7</sup> que atribuia ao gestor municipal    responsabiliza&ccedil;&atilde;o pela situa&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de    de sua popula&ccedil;&atilde;o e pela organiza&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento    das a&ccedil;&otilde;es no sistema municipal de sa&uacute;de, estabelecendo    a Gest&atilde;o Plena de Sistema de Sa&uacute;de Municipal (GPSM) e a Gest&atilde;o    Plena de Aten&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica de Sa&uacute;de para os munic&iacute;pios.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">No Estado de S&atilde;o Paulo, desde 1995, foi    grande o avan&ccedil;o do processo de descentraliza&ccedil;&atilde;o coordenado    pela Secretaria de Estado da Sa&uacute;de em parceria com o Conselho de Secret&aacute;rios    Municipais de Sa&uacute;de (COSEMS). Em 2003, j&aacute; eram 161 munic&iacute;pios    gestores plenos de sa&uacute;de e 482 gestores plenos de aten&ccedil;&atilde;o    b&aacute;sica, restando apenas dois munic&iacute;pios n&atilde;o habilitados.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A Capital permaneceu sem habilita&ccedil;&atilde;o    at&eacute; o final de 2000. Em 2001, pleiteou e conseguiu a sua classifica&ccedil;&atilde;o    na Gest&atilde;o Plena de Aten&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica em Sa&uacute;de,    ap&oacute;s comprovar as condi&ccedil;&otilde;es de acesso a essa categoria,    marcando seu pleno retorno ao SUS. At&eacute; meados de 2002, todas as unidades    de aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria, inclusive as do Qualis/PSF, foram    transferidas para a gest&atilde;o municipal. Hoje, podemos afirmar que, no Estado,    a aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria &eacute; totalmente gerida pela esfera municipal.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Por uma vis&atilde;o cr&iacute;tica das    propostas de comando &uacute;nico municipal &#8211; a concilia&ccedil;&atilde;o    entre a descentraliza&ccedil;&atilde;o e os demais princ&iacute;pios do SUS</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A implementa&ccedil;&atilde;o da NOB-SUS 1996,    ao criar as categorias de gest&atilde;o municipal, permitiu ineg&aacute;veis    avan&ccedil;os no processo de descentraliza&ccedil;&atilde;o, como &eacute;    o caso do financiamento <i>per capita</i> do sistema, decorrente da implementa&ccedil;&atilde;o    do Piso da Aten&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica (PAB) para as a&ccedil;&otilde;es    de aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria desenvolvidas pelos munic&iacute;pios.    A mesma NOB ainda introduziu incentivos espec&iacute;ficos para &aacute;reas    estrat&eacute;gicas do sistema, aumentando a transfer&ecirc;ncia de recursos fundo a fundo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Por outro lado, os munic&iacute;pios que se habilitaram    na gest&atilde;o plena de sistema passaram a assumir o controle de todos os    servi&ccedil;os de sa&uacute;de que atendiam a sua popula&ccedil;&atilde;o,    recebendo, diretamente para o Fundo Municipal de Sa&uacute;de, os recursos federais    (tetos financeiros) destinados a esses servi&ccedil;os, rompendo com a l&oacute;gica    de pagamento por servi&ccedil;os prestados.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Por&eacute;m, a descentraliza&ccedil;&atilde;o    traz novos desafios, a serem levados em conta, para que o desenvolvimento do    sistema possa atingir o seu objetivo de garantir o acesso universal e eq&uuml;itativo    da popula&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">De fato, no pr&oacute;prio texto da NOB-SUS 1996,    menciona- se, ao lado das vantagens da responsabiliza&ccedil;&atilde;o dos gestores    municipais, </font><font size="2" face="verdana"><i>&quot;o elevado risco    de atomiza&ccedil;&atilde;o desordenada dessas partes do SUS, permitindo que    um sistema municipal se desenvolva em detrimento de outro, amea&ccedil;ando,    at&eacute; mesmo, a unicidade do SUS.&quot;</i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Mendes<sup>8</sup> aponta problemas reais ocorridos no processo    de municipaliza&ccedil;&atilde;o em diversas regi&otilde;es do Brasil, em que    os munic&iacute;pios expandem a aten&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica sem nenhuma    articula&ccedil;&atilde;o regional, o que gera desperd&iacute;cio de recursos    p&uacute;blicos por inefici&ecirc;ncia assistencial, com servi&ccedil;os de    sa&uacute;de (hospitais) apresentando baixa taxa de ocupa&ccedil;&atilde;o,    aparelhos de apoio laboratorial (ultra-som, por exemplo) trabalhando com ociosidade,    entre outros problemas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A descentraliza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o tem    conseguido, por si s&oacute;, determinar transforma&ccedil;&otilde;es significativas    no modelo assistencial adotado nas regi&otilde;es, repetindo, na escala municipal,    erros anteriores.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Os conflitos do gestores municipais entre si    e com o gestor estadual, muitas vezes limitados &agrave; discuss&atilde;o sobre    a divis&atilde;o de tetos financeiros do SUS(insuficientes para o Estado de    S&atilde;o Paulo), refletem, entre outros pontos, a imprecis&atilde;o na defini&ccedil;&atilde;o    do papel do gestor estadual<sup>9</sup> e a aus&ecirc;ncia de um desenho de regionaliza&ccedil;&atilde;o    do sistema. Tais fatos dificultam a atribui&ccedil;&atilde;o de responsabilidades    sobre as a&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de regionais, inclusive aquelas prestadas    por um munic&iacute;pio com gest&atilde;o plena, destinadas n&atilde;o s&oacute;    a seus mun&iacute;cipes, mas, tamb&eacute;m, aos cidad&atilde;os de munic&iacute;pios vizinhos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Assim, pode-se dizer que o avan&ccedil;o na regionaliza&ccedil;&atilde;o    e na hierarquiza&ccedil;&atilde;o da rede de servi&ccedil;os do SUS n&atilde;o    acompanhou, adequadamente, o processo de municipaliza&ccedil;&atilde;o no Estado,    tal como ocorreu no pa&iacute;s.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O problema foi reconhecido pelo Minist&eacute;rio    da Sa&uacute;de e tornou-se objeto principal da Norma Operacional da Assist&ecirc;ncia    a Sa&uacute;de, a NOAS-SUS 2001,<sup>10</sup> republicada em 2002,<sup>11</sup> que prop&ocirc;s,    para o aprimoramento do processo de descentraliza&ccedil;&atilde;o, uma estrat&eacute;gia    de regionaliza&ccedil;&atilde;o mediante a elabora&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o    de um Plano Diretor de Regionaliza&ccedil;&atilde;o. Esse plano define as &aacute;reas    geogr&aacute;ficas (m&oacute;dulos), os fluxos e pactua&ccedil;&otilde;es entre    os gestores &#8211; Programa&ccedil;&atilde;o Pactuada Integrada, ou PPI &#8211;,    para organizar, efetivamente, uma rede hierarquizada e regionalizada.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Se, por um lado, o processo de planejamento desencadeado    em 2002 pela NOAS-SUS no Estado de S&atilde;o Paulo representou um avan&ccedil;o,    ao situar o plano regional como unidade de planejamento assistencial, a efetiva&ccedil;&atilde;o    de seu desenvolvimento e o sucesso de suas premissas ainda dependem da defini&ccedil;&atilde;o    mais clara de pap&eacute;is e mecanismos para o acompanhamento e aperfei&ccedil;oamento    do novo desenho organizacional e funcional da assist&ecirc;ncia &agrave; sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Quando da edi&ccedil;&atilde;o da primeira vers&atilde;o    da NOAS, em 2001, a importante quest&atilde;o do comando &uacute;nico j&aacute;    se destacava e continua sendo objeto de mal-entendidos e interpreta&ccedil;&otilde;es    variadas entre os gestores e t&eacute;cnicos que participam do debate do planejamento da Sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Entre as estrat&eacute;gias propostas pela NOAS-SUS    2001, conforme vemos descrito em sua introdu&ccedil;&atilde;o, <i>&quot;cabe    aos munic&iacute;pios o planejamento no &acirc;mbito municipal e a rela&ccedil;&atilde;o    direta com os prestadores em seu territ&oacute;rio, visando ao comando &uacute;nico    sobre o sistema de sa&uacute;de em cada esfera.&quot; </i>Na explicita&ccedil;&atilde;o    do seu desenho, vemos que, no caso de munic&iacute;pios habilitados em gest&atilde;o    plena de sistema de sa&uacute;de municipal (GPSM), todos os servi&ccedil;os,    independentemente da complexidade, devem estar sob gest&atilde;o municipal,    <i>&quot;...exercendo o mando &uacute;nico, ressalvando as unidades estatais    de hemon&uacute;cleos/hemocentros e os laborat&oacute;rios de sa&uacute;de p&uacute;blica...&quot;</i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O pr&oacute;prio Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de    detectou problemas no desenho de regionaliza&ccedil;&atilde;o proposto pela    NOAS-SUS 2001. Tanto &eacute; que, quando da publica&ccedil;&atilde;o da NOAS-SUS    2002, essa quest&atilde;o foi revista no item referente &agrave; Pol&iacute;tica    de Aten&ccedil;&atilde;o de Alta Complexidade/Custo no SUS, possibilitando que    o comando &uacute;nico fosse municipal ou estadual.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Sem pretender aprofundar-se em interpreta&ccedil;&otilde;es    legais ou jur&iacute;dicas sobre as disposi&ccedil;&otilde;es de Comando &Uacute;nico    da NOAS, pois este n&atilde;o &eacute; o objetivo do presente trabalho, lembre-se,    entretanto, que a norma do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de n&atilde;o pode    se sobrepor &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o Federal ou &agrave; Lei n<sup>o</sup> 8.080/90,    cujo texto estabelece <i>&quot;descentraliza&ccedil;&atilde;o, com dire&ccedil;&atilde;o    &uacute;nica em cada esfera de governo&quot;</i>, n&atilde;o havendo qualquer    determina&ccedil;&atilde;o, naqueles diplomas legais, que obrigue o comando    &uacute;nico de todos os servi&ccedil;os e a&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de,    na &aacute;rea geogr&aacute;fica de um munic&iacute;pio, por uma das esferas de governo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Notamos, ainda, que a Lei n<sup>o</sup> 8.080,    diferentemente da NOAS, estabelece, como compet&ecirc;ncia da dire&ccedil;&atilde;o    estadual (art. 17<sup>o</sup>), n&atilde;o s&oacute; <i>&quot;coordenar a    rede estadual de laborat&oacute;rios de sa&uacute;de p&uacute;blica e hemocentros,    e gerir as unidades que permane&ccedil;am em sua organiza&ccedil;&atilde;o administrativa&quot;    </i>(inciso X), mas <i>&quot;identificar estabelecimentos hospitalares de    refer&ecirc;ncia e gerir sistemas p&uacute;blicos de alta complexidade, de refer&ecirc;ncia    estadual e regional&quot; </i>(inciso IX).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A princ&iacute;pio, a forma como a quest&atilde;o    foi apresentada pela NOAS-SUS 2001, com &ecirc;nfase no comando &uacute;nico    municipal, permitiu, infelizmente, o surgimento de posi&ccedil;&otilde;es que    representam uma &quot;disputa&quot; pela gest&atilde;o de servi&ccedil;os    de alta complexidade entre o gestor estadual e os munic&iacute;pios em GPSM.    Tal abordagem &eacute; inadequada, pois n&atilde;o leva em considera&ccedil;&atilde;o    a import&acirc;ncia dos diferentes pap&eacute;is dos gestores no SUS, da racionalidade    na organiza&ccedil;&atilde;o do sistema e das condi&ccedil;&otilde;es objetivas    para a defini&ccedil;&atilde;o da melhor gest&atilde;o desses servi&ccedil;os.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">V&aacute;rios aspectos devem ser ponderados,    antes de se alcan&ccedil;ar uma solu&ccedil;&atilde;o acertada para a quest&atilde;o.    Deve-se ter sempre, como horizonte, que a descentraliza&ccedil;&atilde;o &#8211;    com &ecirc;nfase na municipaliza&ccedil;&atilde;o &#8211; &eacute; uma estrat&eacute;gia    de organiza&ccedil;&atilde;o do sistema de sa&uacute;de que busca, em &uacute;ltima    an&aacute;lise, a garantia do acesso da popula&ccedil;&atilde;o aos servi&ccedil;os,    sem preju&iacute;zo para a consecu&ccedil;&atilde;o dos demais princ&iacute;pios    da universalidade, integralidade e eq&uuml;idade preconizados para o SUS.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Assim, se a gest&atilde;o municipal deve ser    respons&aacute;vel pela aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de de seus    pr&oacute;prios cidad&atilde;os, pelas raz&otilde;es j&aacute; apontadas neste    documento, outras propostas podem ser discutidas para a gest&atilde;o dos servi&ccedil;os    de abrang&ecirc;ncia regional, metropolitana ou estadual.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os munic&iacute;pios n&atilde;o s&atilde;o obrigados    a contar com equipe t&eacute;cnica para o planejamento e gest&atilde;o da aten&ccedil;&atilde;o    &agrave; sa&uacute;de de alta complexidade/custo, que transcende, geograficamente,    os limites e as necessidades municipais. Tamb&eacute;m n&atilde;o h&aacute;    garantia de que a municipaliza&ccedil;&atilde;o da gest&atilde;o de servi&ccedil;os    de sa&uacute;de mais complexos desencadeie, no poder municipal, interesse em    atender &agrave;s demandas de cidad&atilde;os de outros munic&iacute;pios e    regi&otilde;es ou mesmo facilite a sua participa&ccedil;&atilde;o na formula&ccedil;&atilde;o    ou no controle da pol&iacute;tica regional de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Essa situa&ccedil;&atilde;o &eacute; evidente    nas regi&otilde;es metropolitanas do Estado, que possuem grandes hospitais universit&aacute;rios    estaduais dotados de servi&ccedil;os de abrang&ecirc;ncia n&atilde;o apenas    regional, como estadual e, em alguns setores, at&eacute; nacional. Tamb&eacute;m    s&atilde;o dignos desse exemplo outros hospitais especializados sob gest&atilde;o    estadual, que comp&otilde;em a rede hierarquizada do Estado, para atendimento    de c&acirc;ncer, transplantes, cirurgias card&iacute;acas, etc.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&Eacute; por essas raz&otilde;es que a Secretaria    de Estado da Sa&uacute;de de S&atilde;o Paulo tem procurado desenvolver um processo    de descentraliza&ccedil;&atilde;o gradativo e consensual no Estado, com a participa&ccedil;&atilde;o    de todos os gestores municipais interessados. Em munic&iacute;pios como Campinas,    sede de uma regi&atilde;o metropolitana, o processo de descentraliza&ccedil;&atilde;o,    feito de comum acordo entre os gestores, manteve, at&eacute; o presente momento,    a gest&atilde;o estadual conjunta com a municipal, com resultados satisfat&oacute;rios    para o SUS.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O gestor estadual tamb&eacute;m j&aacute; recebeu    manifesta&ccedil;&atilde;o de in&uacute;meros representantes dos munic&iacute;pios    da regi&atilde;o metropolitana da Capital, expressando a necessidade de planejar    e discutir, com maior detalhamento e cuidado, a quest&atilde;o da poss&iacute;vel    municipaliza&ccedil;&atilde;o da gest&atilde;o de servi&ccedil;os estaduais,    decorrente da proposta de gest&atilde;o plena de sistema de sa&uacute;de municipal    da cidade de S&atilde;o Paulo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Tal como ocorrera em Campinas, a Secretaria de    Estado da Sa&uacute;de de S&atilde;o Paulo iniciou discuss&otilde;es com a Secretaria    Municipal de Sa&uacute;de de S&atilde;o Paulo em 2003, conseguindo chegar a    um consenso sobre as propostas de gest&atilde;o plena municipal, tendo, como    pano de fundo, a preocupa&ccedil;&atilde;o com a garantia de acesso aos servi&ccedil;os    para todos os cidad&atilde;os dos munic&iacute;pios da Regi&atilde;o Metropolitana.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Pactuou-se, entre o Estado e a prefeitura, que    os hospitais estaduais localizados na &aacute;rea do Munic&iacute;pio de S&atilde;o    Paulo n&atilde;o teriam a sua ger&ecirc;ncia municipalizada, tal como j&aacute;    ocorrera com as unidades b&aacute;sicas de sa&uacute;de, permanecendo sob ger&ecirc;ncia    estadual.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Entretanto, a gest&atilde;o dos hospitais (sejam    pr&oacute;prios do Estado, sejam filantr&oacute;picos) seria municipalizada    sempre que mais de 90% das interna&ccedil;&otilde;es e atendimentos fossem de    mun&iacute;cipes da Capital; assim, suas vagas passariam a ser geridas por uma    Central de Vagas Municipal, integrando-os completamente ao sistema municipal    de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Aqueles hospitais que atendessem a mun&iacute;cipes    da Capital em um percentual inferior ao citado, permaneceriam sob gest&atilde;o    estadual e com seus leitos inscritos na Central de Vagas Metropolitana da Secretaria    de Estado da Sa&uacute;de.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">A Secretaria de Estado da Sa&uacute;de extinguiu    o sistema de agendamento direto por telefone para pacientes nos ambulat&oacute;rios    de especialidade estaduais, vigente at&eacute; a habilita&ccedil;&atilde;o do    munic&iacute;pio na gest&atilde;o plena. Pactuou-se que somente os distritos    de sa&uacute;de municipais poderiam marcar consultas nos ambulat&oacute;rios    estaduais, tendo como porta de entrada as UBS municipais, que encaminhariam    os pacientes, quando necess&aacute;rio, ap&oacute;s o atendimento m&eacute;dico    na rede de aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Dessa forma, considerando a experi&ecirc;ncia    adquirida no processo de descentraliza&ccedil;&atilde;o desenvolvido no Estado    e em respeito &agrave;s necessidades de maiores estudos e discuss&otilde;es,    entendemos que o comando &uacute;nico, recomendado pela NOAS-SUS 2002, n&atilde;o    deve ser aplicado imediatamente, apenas no sentido de obedecer ao texto da norma.    Ainda h&aacute; situa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o equacionadas, do ponto de    vista da divis&atilde;o das responsabilidades assistenciais entre os gestores    estadual e municipais, que podem ocasionar preju&iacute;zo &agrave; popula&ccedil;&atilde;o    no acesso aos servi&ccedil;os de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Isso n&atilde;o significa qualquer oposi&ccedil;&atilde;o    &agrave; estrat&eacute;gia de descentraliza&ccedil;&atilde;o e municipaliza&ccedil;&atilde;o    do sistema. Entendemos que esses princ&iacute;pios eram e continuam a ser fundamentais    para garantir a amplia&ccedil;&atilde;o do acesso da popula&ccedil;&atilde;o    a servi&ccedil;os de sa&uacute;de de qualidade, a democratiza&ccedil;&atilde;o    e a participa&ccedil;&atilde;o dos usu&aacute;rios no leg&iacute;timo exerc&iacute;cio    da cidadania na &aacute;rea da Sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Antes, pretendemos sugerir que a municipaliza&ccedil;&atilde;o    somente atingir&aacute; os seus objetivos plenamente se for acompanhada da aplica&ccedil;&atilde;o    dos demais princ&iacute;pios do SUS, principalmente os doutrin&aacute;rios,    sem que dela se exija, isoladamente, a solu&ccedil;&atilde;o de todos os problemas    de sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Como &eacute; do conhecimento de todos, existem    grandes diferen&ccedil;as de desenvolvimento econ&ocirc;mico e social entre    os munic&iacute;pios e as regi&otilde;es, exigindo, ao lado da municipaliza&ccedil;&atilde;o    da gest&atilde;o, medidas que implementem os servi&ccedil;os de sa&uacute;de    nas &aacute;reas menos privilegiadas. Fazer progredir a eq&uuml;idade entre    os munic&iacute;pios &eacute; uma das fun&ccedil;&otilde;es do gestor estadual,    tal como a eq&uuml;idade entre os Estados deve ser preocupa&ccedil;&atilde;o    do gestor federal do sistema.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&Eacute; necess&aacute;rio impulsionar os princ&iacute;pios    organizacionais do SUS menos desenvolvidos at&eacute; o momento: a regionaliza&ccedil;&atilde;o    e a hierarquiza&ccedil;&atilde;o. A amplia&ccedil;&atilde;o de acesso da popula&ccedil;&atilde;o    das diferentes regi&otilde;es do Estado somente ser&aacute; poss&iacute;vel    se os servi&ccedil;os e a&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de estiverem integrados    em uma verdadeira &quot;rede de sa&uacute;de&quot;, tendo em conta, principalmente,    a estrutura municipal existente no Estado, em que a maioria dos munic&iacute;pios    contam com popula&ccedil;&atilde;o pequena e escassos recursos para a Sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Por um lado, a coordena&ccedil;&atilde;o desse    planejamento regional &eacute; papel indiscut&iacute;vel da Secretaria de Estado    da Sa&uacute;de, que n&atilde;o se encontra completamente preparada para a tarefa    e necessita reorganizar a sua estrutura, reciclar e capacitar o seu pessoal    para tanto. Por outro, n&atilde;o ser&aacute; poss&iacute;vel obter sucesso    sem a participa&ccedil;&atilde;o ativa de todos os munic&iacute;pios, que poder&atilde;o    contribuir para o planejamento e a constru&ccedil;&atilde;o do SUS em suas respectivas    regi&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Assim, a participa&ccedil;&atilde;o municipal    no SUS n&atilde;o pode se limitar &agrave; melhoria de atendimento no &acirc;mbito    local, embora tal fato seja fundamental. Tamb&eacute;m deve abranger uma &aacute;rea    mais ampla, incorporando a quest&atilde;o regional no horizonte de suas preocupa&ccedil;&otilde;es    e buscando contribuir, decididamente, para a evolu&ccedil;&atilde;o do sistema.    Afinal, o estabelecimento da rede hierarquizada e regionalizada de servi&ccedil;os    beneficiar&aacute; a totalidade dos cidad&atilde;os do Estado.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Podemos citar, como exemplo de medidas que abordaram    o problema de regionaliza&ccedil;&atilde;o e hierarquiza&ccedil;&atilde;o da    aten&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica, a experi&ecirc;ncia da regi&atilde;o de    Ribeir&atilde;o Preto na implanta&ccedil;&atilde;o, bem sucedida, de um sistema    de refer&ecirc;ncia e contra-refer&ecirc;ncia entre o hospital universit&aacute;rio    e demais servi&ccedil;os do SUS, para o atendimento &agrave;s urg&ecirc;ncias    e emerg&ecirc;ncias em &acirc;mbito regional.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Tal como ocorria &#8211; e ainda ocorre &#8211;    em outros servi&ccedil;os de sa&uacute;de universit&aacute;rios do Estado, o    Hospital das Cl&iacute;nicas da Faculdade de Medicina de Ribeir&atilde;o Preto    da Universidade de S&atilde;o Paulo (HCFMRP/USP) apresentava excessiva demanda    de pacientes da cidade e de outros munic&iacute;pios da regi&atilde;o, que buscavam    diretamente o seu pronto-socorro como porta de entrada para consultas ambulatoriais    ou interna&ccedil;&otilde;es.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Na sua maioria, esses casos n&atilde;o supunham    doen&ccedil;as de maior complexidade e poderiam ser atendidos em outras unidades    do SUS na regi&atilde;o; entretanto, provocavam filas no HCFMRP/USP, dificultando    o atendimento daqueles pacientes que realmente necessitavam do hospital terci&aacute;rio.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Com o objetivo de organizar a aten&ccedil;&atilde;o    &agrave;s urg&ecirc;ncias, em 1998, iniciaram-se entendimentos entre o HCFMRP/USP,    a Dire&ccedil;&atilde;o Regional de Sa&uacute;de de Ribeir&atilde;o Preto da    Secretaria de Estado da Sa&uacute;de de S&atilde;o Paulo, a Secretaria Municipal    de Sa&uacute;de de Ribeir&atilde;o Preto e demais entidades envolvidas com a    Sa&uacute;de. Preliminarmente, foram mapeados os recursos assistenciais de urg&ecirc;ncia,    com a defini&ccedil;&atilde;o da hierarquiza&ccedil;&atilde;o, do acesso e da    capacidade assistencial oferecida pelos prestadores de servi&ccedil;o. Ficou    pactuado entre os gestores, os prestadores e a popula&ccedil;&atilde;o, que    as unidades b&aacute;sicas e os centros de sa&uacute;de passariam a ser a porta    de entrada para o sistema de urg&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Ademais, com os recursos j&aacute; existentes,    organizou-se a Central &Uacute;nica de Regula&ccedil;&atilde;o M&eacute;dica    (CURM), que assumiu a fun&ccedil;&atilde;o de ordenar o fluxo de pacientes e    garantir o acesso &agrave; rede hospitalar. O Sistema de Atendimento M&eacute;dico    de Urg&ecirc;ncia (SAMU) foi agregado &agrave; CURM e suas viaturas dotadas    de recursos tecnol&oacute;gicos e pessoal preparado para oferecer suporte avan&ccedil;ado    de vida, bem como garantir a transfer&ecirc;ncia de pacientes graves das unidades    de sa&uacute;de e do domic&iacute;lio para os hospitais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A equipe t&eacute;cnica da CURM passou a racionalizar    a utiliza&ccedil;&atilde;o dos recursos hospitalares, preservando os espa&ccedil;os    aptos a atender a alta complexidade e garantindo o atendimento imediato &agrave;s    situa&ccedil;&otilde;es que colocam a vida em perigo iminente. Assim, pacientes    que n&atilde;o demandam investiga&ccedil;&atilde;o e procedimentos especializados,    em geral, n&atilde;o s&atilde;o mais encaminhados ao Hospital das Cl&iacute;nicas.    A Unidade de Emerg&ecirc;ncia do Hospital das Cl&iacute;nicas (UE/HC) assumiu,    perante o sistema, a refer&ecirc;ncia para os cuidados aos casos mais complexos    de uma regi&atilde;o que abrange cerca de 4 milh&otilde;es de pessoas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A redu&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de consultas    m&eacute;dicas na UE/HC foi significativa, passando de 114 mil no ano de 1999    para 50 mil em 2001.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> A percentagem de ocupa&ccedil;&atilde;o de leitos    na Unidade de Emerg&ecirc;ncia, antes do in&iacute;cio das atividades da Central    &Uacute;nica de Regula&ccedil;&atilde;o M&eacute;dica, era inaceit&aacute;vel:    em 1999, atingiu 113%. Havia pacientes mal acolhidos, subavaliados e subtratados,    ocupando macas e cadeiras de roda pelos corredores do hospital. No ano 2000,    a taxa m&eacute;dia de ocupa&ccedil;&atilde;o foi de 97,1%; e no ano de 2001,    de 88,4%. O n&uacute;mero de interna&ccedil;&otilde;es na UE/HC reduziu-se,    de 14 mil em 1999 para 11 mil em 2001.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os ajustes realizados, al&eacute;m de resgatarem    o papel do Hospital Universit&aacute;rio no atendimento de urg&ecirc;ncias/emerg&ecirc;ncias,    beneficiando toda a popula&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o, contribu&iacute;ram    para o in&iacute;cio, h&aacute; dois anos, do processo de humaniza&ccedil;&atilde;o    no atendimento de urg&ecirc;ncia da UE/HC. Com a redu&ccedil;&atilde;o da superlota&ccedil;&atilde;o    na Sala de Urg&ecirc;ncia, foi organizado um espa&ccedil;o de acolhimento social    e psicol&oacute;gico dos pacientes e familiares afetados por agravos agudos    &agrave; sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Essa experi&ecirc;ncia somente foi poss&iacute;vel    pela adequada ades&atilde;o dos demais servi&ccedil;os de sa&uacute;de locais,    municipais ou filantr&oacute;picos. J&aacute; foram iniciadas e encontram-se    em andamento discuss&otilde;es com os demais hospitais universit&aacute;rios    sob gest&atilde;o estadual, para que estudos e propostas semelhantes possam    ser aplicadas, racionalizando o uso dos escassos recursos p&uacute;blicos do SUS.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Contudo, o planejamento regional n&atilde;o pode    ser entendido como a simples reorganiza&ccedil;&atilde;o dos fluxos de refer&ecirc;ncia    e contra-refer&ecirc;ncia entre os servi&ccedil;os de sa&uacute;de, embora essa    quest&atilde;o seja importante. A regionaliza&ccedil;&atilde;o e a hierarquiza&ccedil;&atilde;o    devem avan&ccedil;ar com o estudo e a reestrutura&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio    sistema existente nas regi&otilde;es, modificando o papel e as fun&ccedil;&otilde;es    dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de, inclusive verificando a sua viabilidade    e funcionalidade. Ainda mais, quando sabemos que os servi&ccedil;os regionais    e de refer&ecirc;ncia s&atilde;o, geralmente, os de maior complexidade e custo    para o sistema: terapia renal substitutiva, quimioterapia e radioterapia, exames    especializados (tomografia, resson&acirc;ncia, etc.), atendimento de urg&ecirc;ncias    e emerg&ecirc;ncias, unidades de terapia intensiva, atendimento &agrave; gesta&ccedil;&atilde;o    e aos neonatos de alto risco, cirurgias de maior complexidade, entre outros procedimentos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As necessidades epidemiol&oacute;gicas regionais    devem ser utilizadas como par&acirc;metros de reorganiza&ccedil;&atilde;o, no    lugar da simples oferta de servi&ccedil;os que, historicamente, orientou o estabelecimento    da rede de assist&ecirc;ncia &agrave; sa&uacute;de. Somente com a utiliza&ccedil;&atilde;o    de outra l&oacute;gica organizadora para a rede, que incorpore os aspectos epidemiol&oacute;gicos,    a racionalidade e a otimiza&ccedil;&atilde;o do uso dos recursos, ser&aacute;    poss&iacute;vel aproximarmo-nos do objetivo de garantir a universalidade e a    integralidade da aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de oferecidas aos pacientes.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Atualmente, encontramo-nos na oportunidade de    conciliar a descentraliza&ccedil;&atilde;o e a municipaliza&ccedil;&atilde;o    com a universalidade, a integralidade e a eq&uuml;idade no SUS. Para isso, devemos    buscar a constru&ccedil;&atilde;o efetiva da rede regionalizada e hierarquizada,    prevista pela Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O desenvolvimento do sistema descentralizado    comporta o perigo de atingir a universalidade sem a integralidade: &eacute;    aquela situa&ccedil;&atilde;o que poderia ser denominada de &quot;SUS para    pobres&quot;, em que temos apenas o atendimento b&aacute;sico universal, sem    conseguir estruturar servi&ccedil;os de m&eacute;dia e alta complexidade que    d&ecirc;em cobertura suficiente e adequada para todos. Fen&ocirc;meno que, de    fato, ocorre na maioria das regi&otilde;es do pa&iacute;s, obrigando pessoas    a longas peregrina&ccedil;&otilde;es &#8211; at&eacute; para outros Estados    &#8211;, em busca do tratamento de que necessitam, na maioria das vezes enfrentando    filas e exagerado tempo de espera por atendimento.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Por sua vez, o desenvolvimento do sistema sem    a aplica&ccedil;&atilde;o criteriosa da eq&uuml;idade pode resultar na garantia    da integralidade sem a universalidade, como &eacute; o caso de munic&iacute;pios    e regi&otilde;es com grande concentra&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os que    beneficiam, prioritariamente, sua popula&ccedil;&atilde;o, ao lado de outros    sem acesso aos recursos mais complexos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Ou em condi&ccedil;&atilde;o ainda mais injusta:    freq&uuml;entemente, o SUS tem sido obrigado, por mandatos judiciais, a atender    necessidades terap&ecirc;uticas especiais, muitas vezes com medicamentos de    efeito duvidoso do ponto de vista cient&iacute;fico, por evidente influ&ecirc;ncia    da ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica interessada em comercializar novos e    caros produtos; e para pouqu&iacute;ssimos pacientes que t&ecirc;m facilidade    de acesso &agrave;s medidas legais, justamente por possu&iacute;rem melhores    condi&ccedil;&otilde;es socioecon&ocirc;micas. Tal pr&aacute;tica resulta em    alto custo financeiro para o sistema e prejudica a grande maioria dos cidad&atilde;os,    que n&atilde;o conseguem ou n&atilde;o podem pagar por servi&ccedil;os judiciais    equivalentes.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Entre os demais problemas que permeiam o sucesso    efetivo do processo de descentraliza&ccedil;&atilde;o e municipaliza&ccedil;&atilde;o,    destacamos aqueles relativos aos recursos humanos, indiscutivelmente, o mais    importante &quot;insumo&quot; da Sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Esse setor apresenta diversas quest&otilde;es    ainda n&atilde;o solucionadas, como a dos funcion&aacute;rios &quot;municipalizados&quot;,    que podem sofrer preju&iacute;zos salariais e na carreira p&uacute;blica. &Eacute;    o caso daqueles que n&atilde;o recebem sequer a substitui&ccedil;&atilde;o de    pr&ecirc;mios, assegurada aos demais profissionais da Secretaria de Estado da    Sa&uacute;de, como o pr&ecirc;mio de incentivo, por exemplo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Outros pontos a serem enfrentados s&atilde;o:    a exist&ecirc;ncia em um mesmo servi&ccedil;o ou fun&ccedil;&atilde;o para profissionais    com diferentes remunera&ccedil;&otilde;es e regimes de trabalho, o que dificulta,    sobremaneira, a administra&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o; a necessidade    de solu&ccedil;&otilde;es mais adequadas &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o existente    no setor p&uacute;blico, para a contrata&ccedil;&atilde;o de agentes de sa&uacute;de    do Programa Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia (PSF), bem como para os demais profissionais    da equipe; a Lei da Responsabilidade Fiscal e suas limita&ccedil;&otilde;es    para o gasto com pessoal, uma vez que a maior parte das despesas do setor Sa&uacute;de    envolve recursos humanos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Todos esses obst&aacute;culos evidenciam as dificuldades    e contradi&ccedil;&otilde;es entre os princ&iacute;pios do SUS e a realidade    vivida no pa&iacute;s. Sabemos que, mesmo com o cumprimento integral, pelos    governos municipal, estadual e federal, das determina&ccedil;&otilde;es da Emenda    Constitucional n<sup>o</sup> 29/00, os recursos financeiros do SUS ser&atilde;o    sempre insuficientes diante das demandas de sa&uacute;de. A racionaliza&ccedil;&atilde;o    no uso dos recursos do sistema tamb&eacute;m deve levar em conta a impossibilidade    de o SUS realizar tudo para todos. <b>&Eacute; necess&aacute;rio estabelecer    prioridades.</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Portanto, a conquista da universalidade, da integralidade    e da eq&uuml;idade n&atilde;o depende apenas da descentraliza&ccedil;&atilde;o    e da municipaliza&ccedil;&atilde;o, mas da integra&ccedil;&atilde;o de esfor&ccedil;os    que otimize e racionalize os recursos existentes, <b>construindo uma rede    regionalizada e hierarquizada de servi&ccedil;os</b> que atenda as quest&otilde;es    de sa&uacute;de, relevantes de um ponto de vista epidemiol&oacute;gico, em cada    regi&atilde;o. A regionaliza&ccedil;&atilde;o e hierarquiza&ccedil;&atilde;o    desses servi&ccedil;os exige a discuss&atilde;o, o esclarecimento e o fortalecimento    do papel do gestor estadual, sem o qual se torna dif&iacute;cil visualizar a    continuidade de desenvolvimento do SUS e a viabiliza&ccedil;&atilde;o integral    de suas premissas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Muito j&aacute; foi conseguido no Estado, nos    &uacute;ltimos anos, com a constru&ccedil;&atilde;o do SUS. Modifica&ccedil;&otilde;es    significativas s&atilde;o evidentes nas fun&ccedil;&otilde;es e rela&ccedil;&otilde;es    das esferas p&uacute;blicas envolvidas. Com a mesma perseveran&ccedil;a que    tem caracterizado aqueles que lutam na &aacute;rea de Sa&uacute;de P&uacute;blica,    cremos que estamos no caminho correto e que o sistema, que j&aacute; &eacute;    um dos maiores e mais complexos do mundo, conseguir&aacute; atingir os seus    objetivos &uacute;ltimos, garantindo plenamente os direitos de cidadania na Sa&uacute;de.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"> <b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">1. Almeida ES, Chioro A, Zioni F. Pol&iacute;ticas    p&uacute;blicas e organiza&ccedil;&atilde;o do Sistema de Sa&uacute;de: antecedentes,    Reforma Sanit&aacute;ria e o SUS. In: Westphal MF, Almeida ES, organizadores.    Gest&atilde;o de servi&ccedil;os de sa&uacute;de. S&atilde;o Paulo: Edusp; 2001. p.13-49.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">2. Cunha JPP, Cunha RE. Sistema &Uacute;nico    de Sa&uacute;de &#8211; Princ&iacute;pios. In: Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de.    Gest&atilde;o Municipal de Sa&uacute;de &#8211; textos b&aacute;sicos. Bras&iacute;lia:    Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de; 2001. p.285-304.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">3. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Secretaria    Executiva. SUS &#8211; Descentraliza&ccedil;&atilde;o. Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio    da Sa&uacute;de; 2000.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">4. Draibe SM. Avalia&ccedil;&atilde;o da descentraliza&ccedil;&atilde;o    das pol&iacute;ticas sociais no Brasil: sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o    fundamental. Informe Final do Projeto de Estudios de Descentralizaci&oacute;n    de Servicios Sociales de la Divisi&oacute;n de Desarrollo Econ&oacute;mico de    la CEPAL. Campinas: N&uacute;cleo de Estudos de Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas    &#8211; Universidade Estadual de Campinas; 1997. Mimeo.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">5. Brasil. Lei n.<sup>o</sup> 8.080, de 19 de    setembro de 1990. Disp&otilde;e sobre as condi&ccedil;&otilde;es para a promo&ccedil;&atilde;o,    prote&ccedil;&atilde;o e recupera&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de, a organiza&ccedil;&atilde;o    e o funcionamento dos servi&ccedil;os correspondentes e d&aacute; outras provid&ecirc;ncias.    Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o, Bras&iacute;lia, p.18055-18059, 20 set.    1990. Se&ccedil;&atilde;o 1.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">6. Brasil. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de.    Gabinete do Ministro. Portaria n.<sup>o</sup> 545, de 20 de maio de 1993. Aprova    a Norma Operacional B&aacute;sica-SUS 01/93. Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o,    Bras&iacute;lia, p.6961, 24 mai. 1993. Se&ccedil;&atilde;o 1.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">7. Brasil. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de.    Gabinete do Ministro. Portaria n.<sup>o</sup> 2.203, de 5 de novembro de 1996. Aprova    a Norma Operacional B&aacute;sica &#8211; NOB/96. Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o,    Bras&iacute;lia, p.22932, 6 nov. 1996. Se&ccedil;&atilde;o 1.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">8. Mendes EV. Os Grandes dilemas do SUS. Salvador:    Casa da Qualidade Editora; 2001.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">9. Levcovitz E, Lima LD, Machado CV. Pol&iacute;tica    de Sa&uacute;de nos anos 90: rela&ccedil;&otilde;es intergovernamentais e o    papel das Normas Operacionais B&aacute;sicas. Ci&ecirc;ncia e Sa&uacute;de Coletiva    2001;6(2):269-291.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">10. Brasil. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de.    Gabinete do Ministro. Portaria n.<sup>o</sup> 95, de 26 de janeiro de 2001. Aprova a Norma    Operacional da Assist&ecirc;ncia &agrave; Sa&uacute;de &#8211; NOAS-SUS 01/01.    Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o, Bras&iacute;lia, p.23, 29 jan. 2001.    Se&ccedil;&atilde;o 1.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">11. Brasil. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de.    Gabinete do Ministro. Portaria n.<sup>o</sup> 373, de 27 de fevereiro de 2002. Aprova a    Norma Operacional da Assist&ecirc;ncia &agrave; Sa&uacute;de &#8211; NOAS-SUS    01/2002. Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o, Bras&iacute;lia, p.52, 28 fev.    2002. Se&ccedil;&atilde;o 1.</font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><a name="endereco"></a><a href="#topo"><img src="img/revistas/ess/v13n1/seta.gif" border="0"></a><b>Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia:</b>    <br>   Av. Dr. En&eacute;as de Carvalho Aguiar, 188,    <br>   Cerqueira C&eacute;sar, S&atilde;o Paulo-SP.    <br>   CEP: 04403-000    <br>   <i>E-mail</i>:<a href="mailto:lbarradas@saude.sp.gov.br">lbarradas@saude.sp.gov.br</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><a href="#topo"><sup>*</sup></a>Texto elaborado para o XIX    Congresso Nacional de Secret&aacute;rios Municipais de Sa&uacute;de, realizado    em Belo Horizonte-MG, entre 26 e 30 de abril de 2003, sob o tema &quot;Sa&uacute;de:    Direito de Todos e Dever do Estado - 15 Anos&quot;</font></p>      ]]></body><back>
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<collab>Ministério da Saúde^dSecretaria Executiva</collab>
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