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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Mortalidade em internações de longa duração como indicador da qualidade da assistência hospitalar ao idoso]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Fundação Oswaldo Cruz e da Universidade Federal de Minas Gerais Núcleo de Estudos em Saúde Pública e Envelhecimento ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This study proposes a model of monitoring the mortality in hospitalized older adults as an indicator of the quality of hospital care services. This study used the database of the national system for hospital information from the Brazil´s Unified Health System (SIH-SUS) in 17 hospitals, using the hospitalization authorization form (AIH) of elderly inpatients which the main procedure listed was "Patient under long term care" during the period 1999 to 2002. The mortality rates from each hospital were compared with those of the hospital with the lowest mortality rate. The ratios of monthly mortality rates [relative risk (RR)] were adjusted for sex, age and diagnosis. The rates varied from 18 to 194 deaths per 1,000 AIH-month; several hospitals had persistently higher mortality during the study period. The mortality rates are a starting point to evaluate the quality of hospital care services, using information readily available to all managers.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[idosos]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><a name="topo"></a><font size="2" face="verdana"><b>ARTIGO    ORIGINAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Mortalidade em interna&ccedil;&otilde;es    de longa dura&ccedil;&atilde;o como indicador da qualidade da assist&ecirc;ncia    hospitalar ao idoso<a href="#endereco"><sup>*</sup></a></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Mortality during long term hospitalizations    as a indicator of the quality of assistence to the elderly</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Henrique L. Guerra; Luana Giatti; Maria Fernanda    Lima-Costa</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">N&uacute;cleo de Estudos em Sa&uacute;de P&uacute;blica    e Envelhecimento da Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz e da Universidade Federal    de Minas Gerais, Belo Horizonte-MG</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Este estudo prop&otilde;e um modelo de monitoramento    da mortalidade hospitalar em interna&ccedil;&otilde;es de idosos como forma    de avaliar a qualidade da assist&ecirc;ncia. Utilizando o banco de dados do    Sistema de Informa&ccedil;&otilde;es de Interna&ccedil;&otilde;es Hospitalares    do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SIH-SUS), foram estudados 17 hospitais,    onde foram consideradas as autoriza&ccedil;&otilde;es de interna&ccedil;&otilde;es    hospitalares (AIH) de pacientes idosos classificadas como &quot;Atendimento    a pacientes sob cuidados prolongados&quot;, entre 1999 e 2002. As taxas de    mortalidade de cada hospital foram comparadas &agrave;s do hospital com menor    taxa de mortalidade. As raz&otilde;es das taxas mensais de mortalidade &#91;risco    relativo(RR)&#93; foram ajustadas por sexo, idade e diagn&oacute;stico &agrave;    interna&ccedil;&atilde;o. As taxas variaram de 18 a 194 &oacute;bitos por 1.000    AIH-m&ecirc;s, sendo identificados hospitais com taxas de mortalidade altas    e persistentes, no per&iacute;odo estudado. Essas taxas s&atilde;o o ponto de    partida para a avalia&ccedil;&atilde;o da qualidade da assist&ecirc;ncia, usando    dados facilmente acess&iacute;veis por todos os gestores.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Palavras-chave:</b> idosos; mortalidade    hospitalar; monitora&ccedil;&atilde;o; vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>SUMMARY</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">This study proposes a model of monitoring the    mortality in hospitalized older adults as an indicator of the quality of hospital    care services. This study used the database of the national system for hospital    information from the Brazil&acute;s Unified Health System (<i>SIH-SUS</i>) in    17 hospitals, using the hospitalization authorization form (<i>AIH</i>) of elderly    inpatients which the main procedure listed was &quot;Patient under long term    care&quot; during the period 1999 to 2002. The mortality rates from each hospital    were compared with those of the hospital with the lowest mortality rate. The    ratios of monthly mortality rates &#91;relative risk (RR)&#93; were adjusted    for sex, age and diagnosis. The rates varied from 18 to 194 deaths per 1,000    <i>AIH</i>-month; several hospitals had persistently higher mortality during    the study period. The mortality rates are a starting point to evaluate the quality    of hospital care services, using information readily available to all managers.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Key-words:</b> older adults; hospital    mortality; monitoring; epidemic surveillance.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Al&eacute;m de outras formas de viol&ecirc;ncia    &agrave;s quais os idosos est&atilde;o expostos na fam&iacute;lia e na comunidade,    eles tamb&eacute;m s&atilde;o atingidos pela viol&ecirc;ncia institucional.    Segundo Minayo,<sup>1</sup> os asilos para idosos s&atilde;o a maior express&atilde;o    desse tipo de viol&ecirc;ncia. Nessas institui&ccedil;&otilde;es, s&atilde;o    freq&uuml;entes os processos de maus tratos, de despersonaliza&ccedil;&atilde;o    e omiss&atilde;o de cuidados m&eacute;dicos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Nos servi&ccedil;os de sa&uacute;de, tamb&eacute;m    h&aacute; ocorr&ecirc;ncias de neglig&ecirc;ncia contra os idosos. O epis&oacute;dio    da Cl&iacute;nica Santa Genoveva, no Rio de Janeiro-RJ, que veio a p&uacute;blico    e alcan&ccedil;ou notoriedade nacional, &eacute; um exemplo desses fatos. No    epis&oacute;dio, a morte de um grande n&uacute;mero de idosos hospitalizados,    entre os meses de abril e junho de 1996, foi amplamente denunciada pela imprensa    e resultou na interven&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de,    com subseq&uuml;ente descredenciamento do estabelecimento pelo Sistema &Uacute;nico    de Sa&uacute;de (SUS).<sup>2</sup> Fatos como esse chamam a aten&ccedil;&atilde;o para    a vulnerabilidade dessa popula&ccedil;&atilde;o e a necessidade de o SUS monitorar    a qualidade da assist&ecirc;ncia hospitalar prestada ao idoso.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A taxa de mortalidade hospitalar tem sido utilizada    como indicador da qualidade da assist&ecirc;ncia hospitalar em pa&iacute;ses    desenvolvidos.<sup>3-5</sup> No Brasil, apesar da exist&ecirc;ncia de uma grande base de    dados p&uacute;blica sobre interna&ccedil;&otilde;es hospitalares &#91;Sistema de    Informa&ccedil;&otilde;es Hospitalares do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de    (SIH-SUS)&#93;, sua utiliza&ccedil;&atilde;o para estudos epidemiol&oacute;gicos    ainda &eacute; pequena. Esse fato &eacute; surpreendente, uma vez que, a partir    de 1993, as informa&ccedil;&otilde;es sobre interna&ccedil;&otilde;es hospitalares    ocorridas no &acirc;mbito do SUS est&atilde;o dispon&iacute;veis em CD ROM,    n&atilde;o havendo restri&ccedil;&otilde;es quanto ao seu uso.<sup>6</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Utilizando dados do SIH-SUS, investigou-se a    possibilidade de os &oacute;bitos ocorridos na Cl&iacute;nica Santa Genoveva,    em 1996, representarem uma exce&ccedil;&atilde;o ou refletirem condi&ccedil;&otilde;es    j&aacute; existentes na cl&iacute;nica. O per&iacute;odo estudado foi o de janeiro    de 1993 a maio de 1996. A metodologia da investiga&ccedil;&atilde;o incluiu    a an&aacute;lise do n&uacute;mero e das taxas mensais brutas de mortalidade    e, no momento seguinte, as compara&ccedil;&otilde;es das taxas mensais de mortalidade    observadas na Cl&iacute;nica Santa Genoveva com aquelas de 15 hospitais definidos    como refer&ecirc;ncia para o trabalho. O risco de morrer na referida cl&iacute;nica    foi superior ao dos hospitais de refer&ecirc;ncia em 28 dos 41 meses considerados.    Os resultados desse trabalho mostraram que a alta mortalidade na Cl&iacute;nica    Santa Genoveva j&aacute; vinha ocorrendo desde 1993; e que a utiliza&ccedil;&atilde;o    adequada dos dados do SIH-SUS poderia ter antecipado as investiga&ccedil;&otilde;es    dos &oacute;rg&atilde;os competentes, evitando o excesso de mortalidade s&oacute;    identificado em meados de 1996.<sup>7</sup> Al&eacute;m da neglig&ecirc;ncia sofrida pelos    idosos na Clinica Santa Genoveva, foi observada outra forma de viol&ecirc;ncia    institucional: a falta de verifica&ccedil;&atilde;o da qualidade da assist&ecirc;ncia    m&eacute;dica prestada pelo Estado brasileiro aos idosos, pois, como ficou demonstrado,    havia meios e possibilidade de monitorar tal assist&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O presente trabalho, que tem por objetivo monitorar    as taxas de mortalidade entre idosos hospitalizados para cuidados prolongados    em algumas capitais brasileiras, pretende contribuir para a cria&ccedil;&atilde;o    de um modelo que permita a avalia&ccedil;&atilde;o da qualidade da assist&ecirc;ncia    ao idoso nesses hospitais e que seja um instrumento de orienta&ccedil;&atilde;o    das a&ccedil;&otilde;es dos gestores.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Metodologia</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Este estudo incluiu todos os hospitais localizados    em capitais brasileiras, que realizaram pelo menos 200 interna&ccedil;&otilde;es,    pelo SUS, de pacientes com 60 ou mais anos de idade e em cujas AIH (autoriza&ccedil;&otilde;es    de interna&ccedil;&atilde;o hospitalar) constava, como grupo de procedimento    principal, o &quot;Atendimento a pacientes sob cuidados prolongados I, II,    III, IV, V, VI e VII&quot;.<sup>6,8</sup> O per&iacute;odo considerado pelo estudo foi    o dos anos de 1999, 2000, 2001 e 2002. Os dados foram obtidos por meio do Sistema    de Informa&ccedil;&otilde;es Hospitalares do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de    SIH-SUS).<sup>6,8</sup> Cada AIH foi identificada pelo seu n&uacute;mero correspondente,    e os estabelecimentos hospitalares pelo seu n&uacute;mero de registro no Cadastro    Geral de Contribuintes (CGC), constante da base de dados do SIH-SUS.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As interna&ccedil;&otilde;es de pacientes com    diagn&oacute;stico de neoplasias malignas, conforme constava no campo DIAG_PRIN    (diagn&oacute;stico principal) da AIH, foram exclu&iacute;das do estudo. Tamb&eacute;m    foram exclu&iacute;das as interna&ccedil;&otilde;es ocorridas nas antigas col&ocirc;nias    de tratamento de hansen&iacute;ase da Funda&ccedil;&atilde;o Hospitalar do Estado    de Minas Gerais (CGC: 19843929000704, 19843929000887, 19843929000968).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">O n&uacute;mero da AIH &eacute; &uacute;nico    para cada paciente durante a mesma interna&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o sendo    reutilizado ap&oacute;s alta desse paciente. O pagamento da AIH de tipo 1 para    os procedimentos estudados &eacute; de no m&aacute;ximo 45 dias. Nas interna&ccedil;&otilde;es    que ultrapassam 45 dias, &eacute; solicitada a emiss&atilde;o da AIH de tipo    5, que permite a cobran&ccedil;a de at&eacute; 31 di&aacute;rias. Ap&oacute;s    107 dias de interna&ccedil;&atilde;o, se h&aacute; necessidade de o paciente    permanecer internado, o hospital solicita nova AIH. No presente trabalho, para    evitar que a mesma AIH fosse computada mais de uma vez no mesmo m&ecirc;s, foi    feita verifica&ccedil;&atilde;o em todo o banco de dados. Dessa forma, ocorreu    dupla contagem do paciente, no mesmo m&ecirc;s e ano, apenas naqueles casos    em que o paciente permaneceu internado por mais de 107 dias e nova AIH foi emitida    dentro do mesmo m&ecirc;s.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As vari&aacute;veis consideradas neste estudo    foram: identifica&ccedil;&atilde;o do hospital; idade (60-69, 70-79 e 80 ou    mais anos); sexo (masculino ou feminino); morte (sim ou n&atilde;o); data do    &oacute;bito (m&ecirc;s e ano); e diagn&oacute;stico principal da interna&ccedil;&atilde;o    (CID 10 &#8211; 3 d&iacute;gitos). O diagn&oacute;stico principal da interna&ccedil;&atilde;o    foi consolidado em oito grupos, assim constitu&iacute;dos:</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> - <b>Grupo1</b> (dem&ecirc;ncia) &#8211;    F00 a F03, G09 e G10 </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- <b>Grupo 2</b> (doen&ccedil;as neurol&oacute;gicas)    &#8211; B91, G11 a G13, G20 a G23, G30 a G32, G35, G37, G40, G45, G46, G70 a    G72, G80 a G83, G90 a G97</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- <b>Grupo 3</b> (seq&uuml;ela de acidente    vascular cerebral e hemiplegia) &#8211; G81 e I69 </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- <b>Grupo 4</b> (outras doen&ccedil;as do aparelho    circulat&oacute;rio) &#8211; I05, I10, I11, I23, I25, I33, I42, I49, I50 e I51</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- <b>Grupo 5</b> (vasculopatias) &#8211;    I70 a I74, I77, I83 e M31</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- <b>Grupo 6</b> (doen&ccedil;as do    aparelho respirat&oacute;rio) &#8211; J12, J15, J18, J40 a J45, J70, J80, J84,    J96, J99 e B90</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- <b>Grupo 7</b> (doen&ccedil;as do    sistema osteomuscular) &#8211; M06, M15, M16, M19, M30, M32, M33 a M36, M43,    M48, M49, M72, M80, M81, M86 a M88, M90 a M93 e M96</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- <b>Grupo 8</b> (causas externas e    traumatismos) &#8211; S06, S31, S72, T01, T90 a T98, Y85 a Y89.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Foram calculadas as taxas de mortalidade para    todos os hospitais selecionados. Para o c&aacute;lculo dessas taxas, o numerador    foi o n&uacute;mero de &oacute;bitos e o denominador, a soma do n&uacute;mero    de AIH (exclu&iacute;dos os pacientes repetidos) identificadas a cada m&ecirc;s    em cada hospital. As taxas de mortalidade foram calculadas para o conjunto de    quatro anos e para cada um desses anos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As raz&otilde;es das taxas mensais de mortalidade    &#91;risco relativo e intervalo de confian&ccedil;a (IC) de 95%&#93;, ajustadas    por sexo, idade e diagn&oacute;stico &agrave; interna&ccedil;&atilde;o, foram    estimadas, utilizando-se a Regress&atilde;o de Poisson. As taxas de mortalidade    de cada hospital foram comparadas com a do hospital que apresentou a menor taxa    de mortalidade, considerando-se, em conjunto, os quatro anos estudados. Por    se tratar de uma an&aacute;lise preliminar, os nomes dos hospitais foram omitidos    neste relat&oacute;rio, mas foram comunicados ao Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A an&aacute;lise dos dados foi feita mediante    aplica&ccedil;&atilde;o dos programas Tabwin 2.2 <sup>8</sup> e Stata.<sup>9</sup> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Resultados</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Dezessete hospitais preenchiam os crit&eacute;rios    para inclus&atilde;o neste estudo: 11 situavam-se no Rio de Janeiro-RJ, 3 em    S&atilde;o Paulo-SP, 2 em Salvador-BA e 1 em Belo Horizonte-MG. Nesses hospitais,    foram identificadas 15.027 AIH mensais no ano de 1999, 15.315 no ano de 2000,    14.101 em 2001 e 14.222 em 2002, verificando-se o predom&iacute;nio do sexo    feminino entre essas interna&ccedil;&otilde;es nos quatro anos estudados; e    pequenas varia&ccedil;&otilde;es na faixa et&aacute;ria, com maior propor&ccedil;&atilde;o    de interna&ccedil;&otilde;es entre idosos com 70 a 79 anos. No per&iacute;odo    de 1999 a 2001, as interna&ccedil;&otilde;es por seq&uuml;ela de acidente vascular    cerebral e hemiplegia foram as mais freq&uuml;entes, seguidas pelas doen&ccedil;as    neurol&oacute;gicas e pelas dem&ecirc;ncias. Em 2002, destacaram-se as doen&ccedil;as    neurol&oacute;gicas e seq&uuml;elas de acidente vascular cerebral e hemiplegia,    seguidas pelas vasculopatias, que apresentaram um grande aumento nesse ano.    Al&eacute;m disso, no mesmo per&iacute;odo de 2002, ocorreram interna&ccedil;&otilde;es    por outras doen&ccedil;as do aparelho circulat&oacute;rio que n&atilde;o foram    observadas nos anos anteriores (<a href="#tab1">Tabela 1</a>).</font></p>     <p><a name="tab1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v13n4/4a07t1.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Na <a href="#tab2">Tabela 2</a>, est&atilde;o    apresentadas as taxas de mortalidade globais para quatro anos entre pacientes    idosos, sob cuidados prolongados no &acirc;mbito do SUS, em 17 hospitais. As    taxas de mortalidade variaram entre 17,98 &oacute;bitos e 193,83 &oacute;bitos    por 1.000 AIH-m&ecirc;s. A mediana da taxa de mortalidade foi igual a 49,34    &oacute;bitos por 1.000 AIH-m&ecirc;s. A menor taxa de mortalidade foi observada    na Santa Casa de Miseric&oacute;rdia da Faculdade de Ci&ecirc;ncias M&eacute;dicas,    no Munic&iacute;pio de S&atilde;o Paulo, considerada unidade hospitalar de refer&ecirc;ncia    no presente trabalho.</font></p>     <p><a name="tab2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v13n4/4a07t2.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Na <a href="#tab3">Tabela 3</a>, est&atilde;o    apresentadas as taxas de mortalidade anuais entre os idosos nos 17 hospitais    investigados. Os hospitais 9, 12 e 14 apresentaram taxas de mortalidade crescentes    no per&iacute;odo considerado. O hospital 13 foi o &uacute;nico que apresentou    taxas decrescentes &#8211; de 211,8 em 1999 para 120,6 em 2002 &#8211; mantidas,    entretanto, em n&iacute;veis muito altos.</font></p>     <p><a name="tab3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v13n4/4a07t3.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Na <a href="#tab4">Tabela 4</a>, s&atilde;o mostrados    os riscos relativos (ajustados) para a mortalidade nos 17 hospitais investigados,    tendo como refer&ecirc;ncia a Santa Casa de Miseric&oacute;rdia Faculdade de    Ci&ecirc;ncias M&eacute;dicas, em S&atilde;o Paulo-SP. Em 2002, 12 hospitais    apresentaram riscos de mortalidade significativamente mais altos que o observado    no hospital refer&ecirc;ncia. Os riscos relativos correspondentes para 1999,    2000 e 2001 s&atilde;o 9, 19 e 13, respectivamente. Durante o per&iacute;odo    estudado, sete hospitais apresentaram riscos de mortalidade significativamente    mais altos que o observado no hospital de refer&ecirc;ncia. Desses, dois apresentaram    os riscos mais altos por, pelo menos, tr&ecirc;s anos consecutivos: hospitais    14 e 12.</font></p>     <p><a name="tab4"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v13n4/4a07t4.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os resultados desse trabalho mostram que existem    diferen&ccedil;as marcantes nas taxas de mortalidade nos hospitais investigados,    as quais, no decorrer de quatro anos, variaram entre 18 a 194 por 1.000 AIH-m&ecirc;s.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As taxas de mortalidade hospitalar v&ecirc;m    sendo empregadas, j&aacute; h&aacute; algum tempo, para monitorar a qualidade    da assist&ecirc;ncia hospitalar. A utiliza&ccedil;&atilde;o da taxa de mortalidade    hospitalar para fins de compara&ccedil;&atilde;o e monitoramento da qualidade,    pressup&otilde;e a comparabilidade entre os diferentes estabelecimentos estudados.<sup>3,4,7</sup>    Essa comparabilidade deve ser baseada nas caracter&iacute;sticas do pr&oacute;prio    paciente (idade, sexo e diagn&oacute;stico &agrave; interna&ccedil;&atilde;o,    por exemplo), nas caracter&iacute;sticas da assist&ecirc;ncia (tipo de interven&ccedil;&atilde;o    realizada, cuidados cl&iacute;nicos e cirurgias, entre outros) e nas caracter&iacute;sticas    do estabelecimento (p&uacute;blico ou privado, porte do estabelecimento).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Neste trabalho, a possibilidade de garantir a    comparabilidade entre os hospitais esteve limitada &agrave;s informa&ccedil;&otilde;es    dispon&iacute;veis no SIH-SUS. Essas informa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o incluem,    por exemplo, o estado nutricional do paciente, que tamb&eacute;m pode influenciar    a sa&uacute;de dos idosos.<sup>10</sup> Mas o SIH-SUS inclui informa&ccedil;&otilde;es    muito &uacute;teis para a busca dessa comparabilidade. O estudo, por exemplo,    restringiu-se a um mesmo grupo de procedimentos realizados, &quot;Atendimento    a pacientes sob cuidados prolongados I, II, III, IV, V, VI e VII&quot;,<sup>6,8</sup>    e a compara&ccedil;&atilde;o entre as taxas de mortalidade foi feita com ajustamentos    pela idade, sexo e diagn&oacute;stico &agrave; interna&ccedil;&atilde;o. Assim,    foram cumpridas muitas das premissas de comparabilidade entre os estabelecimentos    estudados. Ademais, os resultados obtidos em quatro anos consecutivos s&atilde;o    consistentes e enfraquecem a possibilidade das diferen&ccedil;as encontradas    serem devidas a vari&aacute;veis de confus&atilde;o e vieses n&atilde;o identificados    pelos investigadores.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Ao trabalhar com dados secund&aacute;rios (SIH-SUS),    que n&atilde;o foram gerados com o intuito de subsidiar uma avalia&ccedil;&atilde;o    da qualidade dos servi&ccedil;os, imp&otilde;em-se ao investigador limites quanto    &agrave; an&aacute;lise desses dados. Por outro lado, a utiliza&ccedil;&atilde;o    de dados secund&aacute;rios, como &eacute; o caso deste trabalho, permitiu investigar    a mortalidade ocorrida dentro das circunst&acirc;ncias rotineiras dos hospitais    selecionados.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No modelo adotado, utilizam-se informa&ccedil;&otilde;es    geradas pelo Sistema de Informa&ccedil;&otilde;es Hospitalares (SIH-SUS), acess&iacute;veis    a todos os gestores do sistema. Outros estudos brasileiros t&ecirc;m demonstrado    que a avalia&ccedil;&atilde;o da qualidade da aten&ccedil;&atilde;o hospitalar,    baseada nas informa&ccedil;&otilde;es do SIH-SUS, &eacute; poss&iacute;vel e    de grande utilidade.<sup>7,11,12</sup> Nosso modelo poder&aacute; ser reproduzido    para diferentes situa&ccedil;&otilde;es em que se queira estudar a taxa de mortalidade    associada a diagn&oacute;sticos e ou a procedimentos espec&iacute;ficos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os resultados do presente trabalho mostram que    os diferenciais de risco, entre os hospitais investigados, podem servir como    sinal de alerta e ponto de partida para investiga&ccedil;&otilde;es mais profundas    sobre a qualidade da assist&ecirc;ncia oferecida ao idoso nos estabelecimentos    com maiores e persistentes taxas de mortalidade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">1. Minayo MCS. Viol&ecirc;ncia contra idosos:    relev&acirc;ncia para um velho problema. Cadernos de Sa&uacute;de P&uacute;blica    2003;19:783-791.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">2. Folha de S&atilde;o Paulo. O Caos na sa&uacute;de    p&uacute;blica. S&atilde;o Paulo 1996; 22 nov. Caderno 3, p.1.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">3. Roemer MI, Moustafa AT, Hopkins CE. A Proposed    hospital quality index: hospital death rates adjusted for case severity. Health    Services Research 1968;3:96-118.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">4. DesHamais SI, Chesney JD, Wrosblewski RT,    Fleming ST, McMahon Jr., LF. The Risk-adjust mortality index. A new measureof    hospital perfomace. Medical Care 1998;26:1129-1148.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">5. Hoefer TP, Hayward RA. Identifying poor quality    hospital. Can hospital mortality rates detect quality problems for medical diagnoses?    Medical Care 1996;34:737-753.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">6. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Secretaria    de Inform&aacute;tica. Departamento de Inform&aacute;tica do Sistema &Uacute;nico    de Sa&uacute;de. Movimento de Autoriza&ccedil;&otilde;es de Interna&ccedil;&otilde;es    Hospitalares, 1995-1997 &#91;CD ROM&#93;. Bras&iacute;lia: MS; 2000.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">7. Guerra HL, Barreto SM, Uch&ocirc;a E, Firmo    JOA, Lima-Costa MF. A Morte de idosos na Cl&iacute;nica Santa Genoveva, Rio    de Janeiro: um excesso de mortalidade que o sistema p&uacute;blico de sa&uacute;de    poderia ter evitado. Cadernos de Sa&uacute;de P&uacute;blica 2000;16:545-551.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">8. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Informa&ccedil;&otilde;es    de Sa&uacute;de &#91;homepage na Internet&#93; &#91;acessado 2 nov. 2003&#93;. Dispon&iacute;vel    em: <a href="http://www.datasus.gov.br/tabwin/tabwin.htm">http://www.datasus.gov.br/tabwin/tabwin.htm</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">9. Stata Statistical Software &#91;computer program&#93;    Release 8.1. Texas: College Stations, Stata Corporation; 2003.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">10. Otero UB, Rozenfeld S, Gadelha AMJ, Carvalho    MS. Malnutrition mortality in the elderly, Southeast Brazil, 1980-1997. Revista    de Sa&uacute;de P&uacute;blica 2002;36:141-148.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">11. Escosteguy CC, Portela MC, Medronho RA, Vasconcelos    MT. O Sistema de Informa&ccedil;&otilde;es Hospitalares e a assist&ecirc;ncia    ao infarto agudo do mioc&aacute;rdio. Revista de Sa&uacute;de P&uacute;blica    2002;36:491-499. </font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">12. Couvea CSD, Travassos C, Fernandes C. Produ&ccedil;&atilde;o    de servi&ccedil;os e qualidade da assist&ecirc;ncia hospitalar no Estado do    Rio de Janeiro, Brasil - 1992 a 1995. Revista de Sa&uacute;de P&uacute;blica    1997;31:601-617.</font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="endereco"></a><a href="#topo"><img src="/img/revistas/ess/v13n4/seta.gif" border="0" ></a><font size="2" face="verdana"><b>Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia:</b>    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Av. Augusto de Lima, 1715,    <br>   Belo Horizonte-MG.    <br>   CEP: 30190-002    <br>   <i>E-mail</i>:<a href="mailto:lima-costa@cpqrr.fiocruz.br">lima-costa@cpqrr.fiocruz.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><a href="#topo"><sup>*</sup></a>Artigo desenvolvido    pelo N&uacute;cleo de Estudos em Sa&uacute;de P&uacute;blica e Envelhecimento    (Nespe), da Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz e da Universidade Federal de    Minas Gerais, na qualidade de centro colaborador em sa&uacute;de do idoso junto    &agrave; Secretaria de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de do Minist&eacute;rio    da Sa&uacute;de. O estudo contou com o apoio de recursos do Projeto Vigisus.</font></p>      ]]></body><back>
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