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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A construção da vigilância e prevenção das doenças crônicas não transmissíveis no contexto do Sistema Único de Saúde]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Brazil, following the world's trend, has been going through processes of demographic, epidemiological and nutritional transitions since the sixties, causing changes in the patterns of pathologic emergences, as a meaningful increase in the prevalence of chronic non-transmitted diseases (DCNT). Aiming to give a response to this challenge scene, the Brazilian Ministry of Health organized the DCNT surveillance. This article accomplishes a revision of the main actions implanting the national system of surveillance and prevention of DCNT. The main strategies put on action were: organizing an specific area in the Ministry of Health's Surveillance Secretariat, the Non-Transmitted Diseases and Agravations General Coordination (DANT); DANT surveillance induction in State and Municipality Health Secretariats, definition of monitoring indicators of these actions for the Integrated Programmed Pactuation (PPI) of health surveillance; human resource training; realization of inquiry to know the prevalence of risk factors in 15 State Capitals, and the Federal Capital, in 2003; establishing a base line to monitoring; definition of standard indicators to monitoring diseases and risk factors; advocacy along health management, showing the DCNT like a priority subject for the National Unified Health System (SUS); support for researchs to broaden the knowledge of the problem, and define strategies to conduce them; and realization of a national seminar for pactuation of the agenda of priorities in this area.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[vigilância de doenças crônicas não transmissíveis]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b><a name="topo"></a>RELAT&Oacute;RIO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><b>A constru&ccedil;&atilde;o da vigil&acirc;ncia    e preven&ccedil;&atilde;o das doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas n&atilde;o transmiss&iacute;veis    no contexto do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Building surveillance and prevention for chronic    non communicable diseases in the national Unified Health System</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Deborah Carvalho Malta<sup>I</sup>; Ant&ocirc;nio Carlos    Cez&aacute;rio<sup>II</sup>; Lenildo de Moura<sup>II</sup>; Otaliba Lib&acirc;nio de Morais Neto<sup>III</sup>; Jarbas    Barbosa da Silva Junior<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup>I</sup>Secretaria de Vigil&acirc;ncia em    Sa&uacute;de, Minist&eacute;rio de Sa&uacute;de, Bras&iacute;lia-DF. Universidade    Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte-MG    <br>   <sup>II</sup>Secretaria de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de, Minist&eacute;rio    de Sa&uacute;de, Bras&iacute;lia-DF    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <sup>III</sup>Secretaria de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de, Minist&eacute;rio    de Sa&uacute;de, Bras&iacute;lia-DF. Universidade Federal de Goi&aacute;s, Goi&acirc;nia-GO</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Resumo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O Brasil, ao seguir a tend&ecirc;ncia mundial,    tem passado por processos de transi&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica, epidemiol&oacute;gica    e nutricional desde a d&eacute;cada de 60, resultando em altera&ccedil;&otilde;es    nos padr&otilde;es de ocorr&ecirc;ncia de patologias, como um aumento significativo    da preval&ecirc;ncia das doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas n&atilde;o transmiss&iacute;veis    (DCNT). Visando responder a esse quadro desafiador, o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de    organizou a vigil&acirc;ncia de DCNT. O presente artigo realiza uma revis&atilde;o    e descri&ccedil;&atilde;o das principais a&ccedil;&otilde;es na implanta&ccedil;&atilde;o    do sistema nacional de vigil&acirc;ncia e preven&ccedil;&atilde;o de DCNT. As    principais a&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gicas colocadas em pr&aacute;tica    foram: organiza&ccedil;&atilde;o de &aacute;rea espec&iacute;fica na Secretaria    de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, a    Coordena&ccedil;&atilde;o-Geral de Doen&ccedil;as e Agravos N&atilde;o Transmiss&iacute;veis    (DANT); indu&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es de vigil&acirc;ncia de    DANT em Secretarias de Estado e Municipais de Sa&uacute;de; defini&ccedil;&atilde;o    de indicadores de monitoramento dessas a&ccedil;&otilde;es na Programa&ccedil;&atilde;o    Pactuada Integrada (PPI) de vigil&acirc;ncia em sa&uacute;de; capacita&ccedil;&atilde;o    de recursos humanos; realiza&ccedil;&atilde;o de inqu&eacute;rito para conhecer    a preval&ecirc;ncia de fatores de risco em 15 capitais e no Distrito Federal    em 2003, estabelecendo uma linha de base para o monitoramento; defini&ccedil;&atilde;o    de indicadores padronizados para monitoramento das doen&ccedil;as e fatores    de risco e prote&ccedil;&atilde;o; <i>advocacy</i> junto a gestores de sa&uacute;de    com o prop&oacute;sito de recomendar as a&ccedil;&otilde;es para DANT como uma    prioridade do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS); apoio a pesquisas    para ampliar o conhecimento do problema e definir estrat&eacute;gias para sua    condu&ccedil;&atilde;o; e realiza&ccedil;&atilde;o de semin&aacute;rio nacional    para a pactua&ccedil;&atilde;o da agenda de prioridades da &aacute;rea.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Palavras-chave</b>: vigil&acirc;ncia de doen&ccedil;as    cr&ocirc;nicas n&atilde;o transmiss&iacute;veis; doen&ccedil;as transmiss&iacute;veis;    fatores de risco e prote&ccedil;&atilde;o.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Summary</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Brazil, following the world's trend, has been    going through processes of demographic, epidemiological and nutritional transitions    since the sixties, causing changes in the patterns of pathologic emergences,    as a meaningful increase in the prevalence of chronic non-transmitted diseases    (<i>DCNT</i>). Aiming to give a response to this challenge scene, the Brazilian    Ministry of Health organized the <i>DCNT</i> surveillance. This article accomplishes    a revision of the main actions implanting the national system of surveillance    and prevention of <i>DCNT</i>. The main strategies put on action were: organizing    an specific area in the Ministry of Health's Surveillance Secretariat, the Non-Transmitted    Diseases and Agravations General Coordination (<i>DANT</i>); <i>DANT</i> surveillance    induction in State and Municipality Health Secretariats, definition of monitoring    indicators of these actions for the Integrated Programmed Pactuation (<i>PPI</i>)    of health surveillance; human resource training; realization of inquiry to know    the prevalence of risk factors in 15 State Capitals, and the Federal Capital,    in 2003; establishing a base line to monitoring; definition of standard indicators    to monitoring diseases and risk factors; advocacy along health management, showing    the <i>DCNT</i> like a priority subject for the National Unified Health System    (<i>SUS</i>); support for researchs to broaden the knowledge of the problem,    and define strategies to conduce them; and realization of a national seminar    for pactuation of the agenda of priorities in this area.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Key Words</b>: chronic non-transmitted diseases    surveillance; non-transmitted diseases; risk factors.</font></p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A partir das &uacute;ltimas quatro d&eacute;cadas    do s&eacute;culo passado, seguindo tend&ecirc;ncia mundial, t&ecirc;m-se observado,    no Brasil, processos de transi&ccedil;&atilde;o que produziram, e ainda produzem,    importantes mudan&ccedil;as no perfil das doen&ccedil;as ocorrentes na popula&ccedil;&atilde;o.    A chamada Transi&ccedil;&atilde;o Demogr&aacute;fica, um desses processos, resultou    em significativa diminui&ccedil;&atilde;o das taxas de fecundidade e natalidade,    no aumento progressivo da expectativa de vida e da propor&ccedil;&atilde;o de    idosos em rela&ccedil;&atilde;o aos demais grupos et&aacute;rios. A Transi&ccedil;&atilde;o    Epidemiol&oacute;gica, um segundo processo verificado, redundou em novo perfil    de morbimortalidade, condicionado &agrave; diversidade regional quanto &agrave;s    caracter&iacute;sticas socioecon&ocirc;micas e de acesso aos servi&ccedil;os    de sa&uacute;de, um &quot;modelo polarizado de transi&ccedil;&atilde;o.&quot;<sup>1</sup>    Tal modelo de transi&ccedil;&atilde;o apresenta, para distintas regi&otilde;es,    o crescimento da morbimortalidade por DCNT e a ocorr&ecirc;ncia, todavia alta,    de doen&ccedil;as infecciosas. A Transi&ccedil;&atilde;o Epidemiol&oacute;gica,    por sua vez, decorre da urbaniza&ccedil;&atilde;o acelerada, do acesso a servi&ccedil;os    de sa&uacute;de, dos meios de diagn&oacute;stico e das mudan&ccedil;as culturais,    expressivos nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, entre outros fatores. A Transi&ccedil;&atilde;o    Nutricional, por fim, adv&eacute;m do aumento progressivo de sobrepeso e obesidade    em fun&ccedil;&atilde;o das mudan&ccedil;as do padr&atilde;o alimentar e do    sedentarismo da vida moderna.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As mudan&ccedil;as nos padr&otilde;es de ocorr&ecirc;ncia    das doen&ccedil;as t&ecirc;m imposto, constantemente, novos desafios, n&atilde;o    s&oacute; para os gestores e tomadores de decis&atilde;o do setor da Sa&uacute;de    como tamb&eacute;m para outros setores governamentais, cujas a&ccedil;&otilde;es    repercutem na ocorr&ecirc;ncia dessas doen&ccedil;as. O desafio do financiamento    das a&ccedil;&otilde;es &eacute; um deles. Doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas custam    caro para o Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS). Se n&atilde;o prevenidas    e gerenciadas adequadamente, demandam uma assist&ecirc;ncia m&eacute;dica de    custos sempre crescentes, em raz&atilde;o da permanente e necess&aacute;ria    incorpora&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica. Para toda a sociedade, o n&uacute;mero    de mortes prematuras e de incapacidades faz com que o enfretamento das &quot;novas    epidemias&quot;, causadas por doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas n&atilde;o transmiss&iacute;veis    (DCNT), demandem significativos investimentos em pesquisa, vigil&acirc;ncia,    preven&ccedil;&atilde;o, promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de e defesa de    uma vida saud&aacute;vel. O presente artigo realiza o diagn&oacute;stico epidemiol&oacute;gico    das DCNT e apresenta as principais a&ccedil;&otilde;es que o SUS est&aacute;    a p&ocirc;r em pr&aacute;tica, para enfrentar esses novos problemas de Sa&uacute;de    P&uacute;blica. N&atilde;o abordaremos, neste artigo, a situa&ccedil;&atilde;o    epidemiol&oacute;gica dos acidentes e viol&ecirc;ncias, embora tamb&eacute;m    seja objeto de compet&ecirc;ncia da Secretaria de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de    do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>O cen&aacute;rio epidemiol&oacute;gico brasileiro</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O cen&aacute;rio epidemiol&oacute;gico brasileiro    &eacute; complexo. Em 1930, as doen&ccedil;as infecciosas respondiam por cerca    de 46% das mortes em capitais brasileiras. A partir de ent&atilde;o, verificou-se    redu&ccedil;&atilde;o progressiva; em 2003, essas doen&ccedil;as j&aacute; responderam    por apenas 5% dessas mortes, aproximadamente.<sup>2</sup> As doen&ccedil;as    cardiovasculares, contudo, se representavam somente 12% das mortes na d&eacute;cada    de 30, s&atilde;o, atualmente, suas principais causas em todas as regi&otilde;es    brasileiras, respondendo por quase um ter&ccedil;o de nossos &oacute;bitos.    Em segundo lugar, est&atilde;o os c&acirc;nceres e, em terceiro, as mortes ocasionadas    por acidentes e viol&ecirc;ncias (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v15n3/3a06f1.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Diversos fatores impulsionaram essa mudan&ccedil;a    no padr&atilde;o de mortalidade, inclusive a pr&oacute;pria mudan&ccedil;a demogr&aacute;fica    do Pa&iacute;s. Houve redu&ccedil;&atilde;o da mortalidade precoce e aumento    da expectativa de vida ao nascer. A pir&acirc;mide populacional brasileira em    1980, t&iacute;pica de pa&iacute;ses em desenvolvimento, tem sua base alargada    (<a href="#fig2">Figura 2</a>) e representa uma popula&ccedil;&atilde;o jovem    com queda bastante r&aacute;pida na fecundidade, de 4,4 para 2,3 filhos por    mulher. A pir&acirc;mide populacional do ano 2000 possui um achatamento da base    e um alargamento dos estratos intermedi&aacute;rios, devidos &agrave; redu&ccedil;&atilde;o    proporcional da mortalidade infantil e ao crescimento da popula&ccedil;&atilde;o    de idosos.</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v15n3/3a06f2.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Cada ano que passa acrescenta 200 mil pessoas    maiores de 60 anos &agrave; popula&ccedil;&atilde;o brasileira, respons&aacute;veis    por uma demanda importante para o sistema de sa&uacute;de. Em um pa&iacute;s    como o Brasil, de diferen&ccedil;as de n&iacute;vel macrorregional importantes,    a Regi&atilde;o Norte ainda preserva as caracter&iacute;sticas de uma popula&ccedil;&atilde;o    jovem, enquanto a Regi&atilde;o Sul &eacute; marcada por um processo t&iacute;pico    de transi&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A esperan&ccedil;a de vida ao nascer tem aumentado,    de forma progressiva. Em 1980, encontrava-se no patamar de 62,6 anos e, para    o ano de 2003, estima-se que ser&aacute; de 71,3 anos &#8211; com diferenciais    entre classes sociais, macrorregi&otilde;es e Estados.<sup>3</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O Brasil apresenta, em suas cinco macrorregi&otilde;es    &#8211; Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste &#8211;, uma heterogeneidade    demogr&aacute;fica e socioecon&ocirc;mica bastante grande, que se reflete em    distintos padr&otilde;es de mortalidade e de morbidade por DCNT. Seu enfrentamento,    tanto na preven&ccedil;&atilde;o quanto na aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s pessoas    j&aacute; acometidas, exige respostas diferenciadas por parte dos gestores estaduais    e municipais, adequadas &agrave; realidade encontrada em cada caso.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A magnitude de parte das DCNT pode ser avaliada    pelas doen&ccedil;as cardiovasculares, respons&aacute;veis por 31% do total    de &oacute;bitos por causas conhecidas (<a href="#fig3">Figura 3</a>). As neoplasias    representam a segunda causa de &oacute;bitos, cerca de 15% desses registros    em 2003. As estimativas para o ano de 2005 indicam que ocorrer&atilde;o 467.440    casos novos de c&acirc;ncer ao ano.<sup>4</sup> Segundo proje&ccedil;&otilde;es    do Instituto Nacional do C&acirc;ncer do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de (Inca/MS),    os tipos de c&acirc;ncer com maior incid&ecirc;ncia, &agrave; exce&ccedil;&atilde;o    de pele n&atilde;o melanoma, ser&atilde;o os de pr&oacute;stata e de pulm&atilde;o,    no sexo masculino, e de mama e de colo do &uacute;tero, no sexo feminino, o    que coincide com a tend&ecirc;ncia observada no mundo.<sup>4</sup></font></p>     <p><a name="fig3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v15n3/3a06f3.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">As <a href="#fig4">figuras 4</a>, <a href="#fig5">5</a>    e <a href="#fig6">6</a> apresentam a evolu&ccedil;&atilde;o das taxas de mortalidade    padronizadas (a partir da popula&ccedil;&atilde;o do Pa&iacute;s em 2000) por    acidente vascular cerebral (AVC), infarto agudo do mioc&aacute;rdio (IAM) e    diabetes, respectivamente, no per&iacute;odo de 1996 a 2003. No caso de AVC,    observa-se decl&iacute;nio lento e gradual das taxas do Brasil e Regi&otilde;es    Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Na Regi&atilde;o Nordeste, observa-se tend&ecirc;ncia    discreta de aumento dessas taxas. Sobre IAM, a taxa geral para o Pa&iacute;s    manteve-se est&aacute;vel, com diminui&ccedil;&atilde;o nas Regi&otilde;es Sul    e Sudeste e aumento nas Regi&otilde;es Centro-Oeste e Nordeste. E para diabetes,    as taxas de mortalidade encontram-se em movimento ascendente, em todas as macrorregi&otilde;es    e, por conseguinte, no Brasil.</font></p>     <p><a name="fig4"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v15n3/3a06f4.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig5"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v15n3/3a06f5.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="fig6"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v15n3/3a06f6.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>A carga de DCNT no Brasil</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">No ano de 2002, o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de    financiou a elabora&ccedil;&atilde;o do primeiro estudo de carga de doen&ccedil;a,    com o prop&oacute;sito de desenhar um retrato mais preciso do peso decorrente    das doen&ccedil;as mais prevalentes no Pa&iacute;s. A <a href="#tab1">Tabela    1</a> mostra os resultados gerais desse estudo: as doen&ccedil;as n&atilde;o    transmiss&iacute;veis s&atilde;o respons&aacute;veis pelas maiores propor&ccedil;&otilde;es    de anos de vida perdidos por morte prematura (59,0%) &#91;<i>years of life lost</i>    (YLL)&#93;, por anos de vida vividos com incapacidade (74,7%) &#91;<i>years    lived with disabiity</i> (YLD)&#93; e por anos de vida perdidos ajustados por    incapacidade (66,3%) &#91;<i>disability adjusted life of years</i> (DALY)&#93;.<sup>5</sup></font></p>     <p><a name="tab1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v15n3/3a06t1.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Os gastos com DCNT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Por serem doen&ccedil;as, geralmente, de longa    dura&ccedil;&atilde;o, as DCNT s&atilde;o as que mais demandam a&ccedil;&otilde;es,    procedimentos e servi&ccedil;os de sa&uacute;de. Os gastos decorrentes dessa    demanda s&atilde;o denominados Custos Diretos, contabilizados mediante a realiza&ccedil;&atilde;o    de estimativas das interna&ccedil;&otilde;es e atendimentos ambulatoriais. A    <a href="#tab2">Tabela 2</a> apresenta estimativas desses gastos pelo Minist&eacute;rio    da Sa&uacute;de &#8211; cerca de R$3,8 bilh&otilde;es em gastos ambulatoriais    e R$3,7 bilh&otilde;es em gastos com interna&ccedil;&atilde;o &#8211; que totalizam    aproximados R$7,5 bilh&otilde;es/ano em gastos com DCNT.<sup>6</sup> Ressalte-se    que, ademais desses custos, os gestores estaduais e municipais dever&atilde;o    aportar recursos de sua responsabilidade e contraparte na preven&ccedil;&atilde;o    e controle dessas doen&ccedil;as, aqui n&atilde;o contabilizados. Dos chamados    Custos Indiretos, decorrentes do absente&iacute;smo, das aposentadorias precoces    e da perda de produtividade, o Brasil ainda n&atilde;o disp&otilde;e de estudos    que possam quantific&aacute;-los.</font></p>     <p><a name="tab2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v15n3/3a06t2.gif"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Preval&ecirc;ncia dos fatores de risco</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O monitoramento da preval&ecirc;ncia dos fatores    de risco para DCNT, principalmente os de natureza comportamental &#91;dieta,    sedentarismo, depend&ecirc;ncia qu&iacute;mica (de tabaco, &aacute;lcool e outras    drogas)&#93;, cujas evid&ecirc;ncias cient&iacute;ficas de associa&ccedil;&atilde;o    com doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas estejam comprovadas, &eacute; uma das a&ccedil;&otilde;es    mais importantes da vigil&acirc;ncia; sobre essas evid&ecirc;ncias observadas,    podem-se implementar a&ccedil;&otilde;es preventivas de maior poder custo-efetivo.    No ano 2000, o Centro Nacional de Epidemiologia da Funda&ccedil;&atilde;o Nacional    de Sa&uacute;de (Cenepi/Funasa), sucedido pela atual Secretaria de Vigil&acirc;ncia    em Sa&uacute;de do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de (SVS/MS), iniciou, em parceria    com o Inca/MS, o planejamento do primeiro inqu&eacute;rito nacional para fatores    de risco de DCNT. Conclu&iacute;do em 2004, esse inqu&eacute;rito teve seus    resultados publicados e, como conseq&uuml;&ecirc;ncia, o estabelecimento de    uma linha de base para monitoramento dos fatores de risco em n&iacute;vel nacional.<sup>7</sup>    A necessidade de adequa&ccedil;&atilde;o or&ccedil;ament&aacute;ria limitou    a abrang&ecirc;ncia do inqu&eacute;rito a 16 das 27 capitais de Estados, escolhidas    em todas as macrorregi&otilde;es do Pa&iacute;s: Regi&atilde;o Norte &#8211;    Manaus e Bel&eacute;m; Regi&atilde;o Nordeste &#8211; Fortaleza, Natal, Jo&atilde;o    Pessoa, Recife e Aracaju; Regi&atilde;o Sudeste &#8211; Vit&oacute;ria, Rio    de Janeiro, Belo Horizonte e S&atilde;o Paulo; Regi&atilde;o Sul &#8211; Curitiba,    Florian&oacute;polis e Porto Alegre; e Regi&atilde;o Centro-Oeste &#8211; Campo    Grande e Bras&iacute;lia. Foram entrevistadas 23.457 pessoas de 15 e mais anos    de idade. O processo de mobiliza&ccedil;&atilde;o e participa&ccedil;&atilde;o    em sua execu&ccedil;&atilde;o motivou equipes a se engajarem na estrutura&ccedil;&atilde;o    da vigil&acirc;ncia das doen&ccedil;as e agravos n&atilde;o transmiss&iacute;veis    em seus Estados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A seguir, s&atilde;o apresentadas preval&ecirc;ncias    percentuais encontradas para alguns dos fatores de risco pesquisados. Os resultados    est&atilde;o dispon&iacute;veis por cidade, segundo o n&iacute;vel de escolaridade,    divididos em duas categorias: ensino fundamental (at&eacute; oito anos de estudo)    incompleto; e ensino fundamental completo ou mais anos de escolaridade. Optou-se    pela vari&aacute;vel escolaridade porque, al&eacute;m de espelhar o n&iacute;vel    educacional, associa-se &agrave; renda,<sup>7</sup> de forma indireta; trata-se,    portanto, de uma medida indireta da preval&ecirc;ncia de DCNT nos estratos sociais    de menor renda.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Excesso de peso</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A <a href="#fig7">Figura 7</a> mostra a preval&ecirc;ncia    de excesso de peso &#91;&iacute;ndice de massa corporal (IMC)&gt;25kg/m<sup>2</sup>)&#93;,    a partir das medidas de peso e altura relatadas pelos entrevistados. Nas capitais    das Regi&otilde;es Sudeste (Belo Horizonte, Vit&oacute;ria, Rio de Janeiro e    S&atilde;o Paulo), Sul (Curitiba, Florian&oacute;polis e Porto Alegre), Centro-Oeste    (Campo Grande e Distrito Federal), Nordeste (Recife e Aracaju) e Norte (Manaus),    observou-se maior preval&ecirc;ncia no grupo de menor escolaridade. Em Bel&eacute;m    (Norte), Natal e Jo&atilde;o Pessoa (Nordeste), contrariamente, a maior preval&ecirc;ncia    de excesso de peso foi encontrada na popula&ccedil;&atilde;o de maior escolaridade.    Apenas em Fortaleza, Regi&atilde;o Nordeste, as preval&ecirc;ncias foram iguais    entre os dois grupos.</font></p>     <p><a name="fig7"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v15n3/3a06f7.gif"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Consumo de tabaco</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O tabagismo &eacute; mais freq&uuml;ente entre    homens de todas as capitais. A menor propor&ccedil;&atilde;o desse consumo por    homens foi encontrada em Aracaju (16,9%), Regi&atilde;o Nordeste; e a maior,    em Porto Alegre (28,1%), Regi&atilde;o Sul. Para as mulheres, a menor e a maior    preval&ecirc;ncia de fumantes foram identificadas, tamb&eacute;m, nessas mesmas    capitais: Aracaju (10,0%) e Porto Alegre (22,9%) (dados n&atilde;o apresentados).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A <a href="#fig8">Figura 8</a> distribui as preval&ecirc;ncias    de tabagismo por n&iacute;vel de escolaridade. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;    escolaridade, a propor&ccedil;&atilde;o de fumantes sempre foi maior entre os    grupos com menor escolaridade (ensino fundamental incompleto), em todas as capitais.    A raz&atilde;o de preval&ecirc;ncias entre indiv&iacute;duos com menor e maior    escolaridade &eacute; da ordem de 2: ou seja, h&aacute; cerca de dois fumantes    com baixa escolaridade para um fumante com maior escolaridade.</font></p>     <p><a name="fig8"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v15n3/3a06f8.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Preval&ecirc;ncia auto-referida de hipertens&atilde;o    arterial e de diabetes</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As <a href="#fig9">Figuras 9</a> e <a href="#fig10">10</a>    apresentam, respectivamente, os resultados encontrados para a preval&ecirc;ncia    de hipertens&atilde;o arterial e de diabetes, a partir de informa&ccedil;&atilde;o    auto-relatada pelos entrevistados. Em todas as cidades, a propor&ccedil;&atilde;o    de indiv&iacute;duos que declararam serem portadores de hipertens&atilde;o &eacute;    maior entre aqueles de menor escolaridade, variando de 25% em Bel&eacute;m a    45,8% em Porto Alegre.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig9"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v15n3/3a06f9.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="fig10"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v15n3/3a06f10.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">No caso de diabetes, a situa&ccedil;&atilde;o    repete-se; &eacute; maior, significativamente, o percentual de indiv&iacute;duos    que relataram serem portadores de diabetes entre aqueles de menor escolaridade,    variando de 7 a 17%, enquanto aqueles de maior escolaridade auto-referiram essa    preval&ecirc;ncia entre 3 e 6% (<a href="#fig10">Figura 10</a>).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Sedentarismo</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">O instrumento utilizado para determinar a preval&ecirc;ncia    de inatividade f&iacute;sica leva em considera&ccedil;&atilde;o as atividades    f&iacute;sicas realizadas no momento de lazer, na ocupa&ccedil;&atilde;o, no    meio de locomo&ccedil;&atilde;o e no trabalho dom&eacute;stico. O presente estudo    considerou a preval&ecirc;ncia de inatividade f&iacute;sica segundo grau de    escolaridade, apresentada na <a href="#fig11">Figura 11</a>. Os percentuais    referem-se a indiv&iacute;duos <b>irregularmente ativos</b> (A &#8211; os que    atingem ao menos um dos crit&eacute;rios da recomenda&ccedil;&atilde;o, quais    sejam, freq&uuml;&ecirc;ncia de atividade f&iacute;sica de cinco dias na semana    ou dura&ccedil;&atilde;o de atividade f&iacute;sica de 150 minutos por semana;    e B &#8211; aqueles que n&atilde;o atingiram um desses crit&eacute;rios da recomenda&ccedil;&atilde;o,    seja de freq&uuml;&ecirc;ncia ou de dura&ccedil;&atilde;o) e a indiv&iacute;duos    <b>sedent&aacute;rios</b> (aqueles que n&atilde;o realizam atividade f&iacute;sica    ao menos dez minutos cont&iacute;nuos por semana). Segundo a metodologia adotada    por esta pesquisa, ambos, irregularmente ativos e sedent&aacute;rios, constituem    o grupo dos <b>insuficientemente ativos</b>. N&atilde;o se observa um padr&atilde;o    uniforme para a pr&aacute;tica de atividade f&iacute;sica nas capitais estudadas,    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; escolaridade. A capital com maior preval&ecirc;ncia    de inatividade f&iacute;sica foi Jo&atilde;o Pessoa 58% (indiv&iacute;duos de    maior escolaridade), seguida do Rio de Janeiro 52% (indiv&iacute;duos de menor    escolaridade).</font></p>     <p><a name="fig11"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v15n3/3a06f11.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Dieta</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; dieta, o inqu&eacute;rito    pesquisou os tipos de alimentos consumidos. Utilizou-se de perguntas validadas    em outros inqu&eacute;ritos j&aacute; realizados no Brasil, por institui&ccedil;&otilde;es    acad&ecirc;micas; ou por outros pa&iacute;ses, adaptadas &agrave; realidade    brasileira. As perguntas tratavam de consumo de frutas, legumes e verduras (FL&amp;V)    e gorduras animais. Em todas as Regi&otilde;es, observou-se um consumo de frutas,    legumes e verduras sempre inferior entre pessoas de menor escolaridade, ainda    que se apresentasse baixo, de maneira geral, para todos os n&iacute;veis de    escolaridade. O consumo de FL&amp;V recomendado pela Organiza&ccedil;&atilde;o    Mundial da Sa&uacute;de (OMS), de cinco por&ccedil;&otilde;es ao dia (equivalente    a 400 gramas/dia), foi identificado em menos de 3% da popula&ccedil;&atilde;o    das capitais pesquisadas; cerca de 50% dessa popula&ccedil;&atilde;o ingere    apenas uma a tr&ecirc;s por&ccedil;&otilde;es ao dia. As capitais com menor    consumo de FL&amp;V foram as da Regi&atilde;o Norte (Manaus e Bel&eacute;m).    Os alimentos de origem animal ricos em gorduras (gordura vis&iacute;vel da carne;    frango com pele; e leite integral) s&atilde;o mais consumidos pela popula&ccedil;&atilde;o    de menor escolaridade (dados n&atilde;o apresentados).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>A&ccedil;&otilde;es realizadas pelo Minist&eacute;rio    da Sa&uacute;de para estrutura&ccedil;&atilde;o da vigil&acirc;ncia de DCNT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Diante desse quadro epidemiol&oacute;gico, o    Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de assumiu, como prioridade, a estrutura&ccedil;&atilde;o    de um sistema de vigil&acirc;ncia espec&iacute;fico para essas doen&ccedil;as    em fun&ccedil;&atilde;o de suas peculiaridades e possibilidades existentes de    preven&ccedil;&atilde;o e controle. A partir de 2000, no antigo Cenepi/Funasa,    iniciaram-se a&ccedil;&otilde;es pela estrutura&ccedil;&atilde;o dessa &aacute;rea,    consolidadas na cria&ccedil;&atilde;o da Coordena&ccedil;&atilde;o-Geral de    Doen&ccedil;as e Agravos N&atilde;o Transmiss&iacute;veis (CGDANT)/SVS/MS, em    2003. Sua principal miss&atilde;o consistia na cria&ccedil;&atilde;o e implanta&ccedil;&atilde;o    da vigil&acirc;ncia de DANT em todas as esferas do sistema de sa&uacute;de.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Iniciativas semelhantes de vigil&acirc;ncia dessas    doen&ccedil;as j&aacute; ocorriam em alguns Estados, como Goi&aacute;s e S&atilde;o    Paulo. No Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, outrossim, o Inca executava a&ccedil;&otilde;es    de vigil&acirc;ncia, controle e preven&ccedil;&atilde;o do c&acirc;ncer, centradas,    principalmente, em sistemas de registros para estimativas de morbidade da doen&ccedil;a;    e em programas espec&iacute;ficos, entre os quais destaca-se o Programa de Controle    do Tabagismo e programas para abordagem de neoplasias passiveis de preven&ccedil;&atilde;o    por diagn&oacute;stico precoce &#8211; c&acirc;ncer de colo uterino e de mama.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A realiza&ccedil;&atilde;o do III F&oacute;rum    Global da OMS para Preven&ccedil;&atilde;o e Controle de DCNT na cidade do Rio    de Janeiro, em novembro de 2003, potencializou o processo de constru&ccedil;&atilde;o    dessa vigil&acirc;ncia. O evento foi importante n&atilde;o s&oacute; para sensibilizar    quanto &agrave; oportunidade, como tamb&eacute;m para promover a capacita&ccedil;&atilde;o    t&eacute;cnica dos gestores das Secretarias de Estado da Sa&uacute;de na vigil&acirc;ncia    de DCNT.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No Plano Nacional da Sa&uacute;de &#8211; Um    Pacto pela Sa&uacute;de no Brasil, da atual gest&atilde;o do Minist&eacute;rio    da Sa&uacute;de, foi definido que: &quot;<i>O incremento das iniciativas intersetoriais    de preven&ccedil;&atilde;o e controle das principais DCNT constitui uma prioridade.    Um dos alicerces da atua&ccedil;&atilde;o nesse contexto consistir&aacute; na    vigil&acirc;ncia integrada dos principais fatores de risco modific&aacute;veis    e comuns &agrave; maioria das doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas, quais sejam, o    tabagismo, a alimenta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o saud&aacute;vel e a inatividade    f&iacute;sica</i>.&quot;<sup>8</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em 2004, outros marcos foram estabelecidos: em    novembro daquele ano, a integra&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea de preven&ccedil;&atilde;o    de viol&ecirc;ncias da SAS &agrave; CGDANT; e em dezembro, igual integra&ccedil;&atilde;o,    agora das a&ccedil;&otilde;es de promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de, de    compet&ecirc;ncia da Secretaria Executiva do Minist&eacute;rio.<sup>9</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No ano de 2004, foram realizados tr&ecirc;s f&oacute;runs    regionais de vigil&acirc;ncia de DANT, nas Regi&otilde;es Norte e Centro-Oeste,    Nordeste, Sudeste e Sul, respectivamente, aos quais acudiram t&eacute;cnicos    de vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica de todas as Secretarias de Estado    e de Secretarias Municipais de Sa&uacute;de de Capitais. Esses f&oacute;runs    serviram ao debate dos principais temas da &aacute;rea, dos avan&ccedil;os obtidos,    das dificuldades e desafios para implementa&ccedil;&atilde;o dessa vigil&acirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em setembro de 2005, realizou-se o I Semin&aacute;rio    Nacional de DANT e Promo&ccedil;&atilde;o da Sa&uacute;de, com a participa&ccedil;&atilde;o    de gestores estaduais e municipais, quando foi pactuada a Agenda Nacional de    DCNT, pautada em quatro eixos de a&ccedil;&atilde;o. O tr&ecirc;s primeiros,    focados na diminui&ccedil;&atilde;o do h&aacute;bito de fumar, no fomento &agrave;    alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel e em pr&aacute;ticas de atividade    f&iacute;sica, foram (a) a consolida&ccedil;&atilde;o da estrutura do sistema    de vigil&acirc;ncia, no aperfei&ccedil;oamento e na amplia&ccedil;&atilde;o    das atividades de monitoramento das doen&ccedil;as e de seus fatores de risco    e prote&ccedil;&atilde;o, tanto para a popula&ccedil;&atilde;o geral quanto    para grupos populacionais mais vulner&aacute;veis, (b) o fortalecimento da gest&atilde;o    do sistema de vigil&acirc;ncia, na sensibiliza&ccedil;&atilde;o dos gestores    de sa&uacute;de e na capacita&ccedil;&atilde;o de pessoas na vigil&acirc;ncia    de DANT, e (c) o desencadeamento de interven&ccedil;&otilde;es e fortalecimento    de parcerias intersetoriais para preven&ccedil;&atilde;o de DANT e promo&ccedil;&atilde;o    da sa&uacute;de. O quarto eixo da agenda (d) constitu&iacute;a o desenvolvimento    de estudos, pesquisas e an&aacute;lise de DANT, mediante parcerias com universidades    (enquanto centros colaboradores) e avalia&ccedil;&atilde;o de efetividade das    interven&ccedil;&otilde;es propostas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Vigil&acirc;ncia de DANT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A vigil&acirc;ncia das DANT re&uacute;ne um conjunto    de a&ccedil;&otilde;es que possibilita conhecer a distribui&ccedil;&atilde;o,    a magnitude e a tend&ecirc;ncia dessas doen&ccedil;as. Fontes secund&aacute;rias    de informa&ccedil;&otilde;es e um monitoramento cont&iacute;nuo dos fatores    de risco, ao identificar seus condicionantes sociais, econ&ocirc;micos e ambientais,    devem subsidiar o planejamento, a execu&ccedil;&atilde;o e a avalia&ccedil;&atilde;o    da preven&ccedil;&atilde;o e controle dessas doen&ccedil;as.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O monitoramento das DANT pressup&otilde;e o fluxo    sistem&aacute;tico de dados secund&aacute;rios e prim&aacute;rios. As principais    fontes de dados s&atilde;o os sistemas de informa&ccedil;&atilde;o de morbimortalidade    do SUS e inqu&eacute;ritos de sa&uacute;de peri&oacute;dicos e especiais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O processo de estrutura&ccedil;&atilde;o de um    sistema de vigil&acirc;ncia, controle e preven&ccedil;&atilde;o de DCNT no Brasil,    al&eacute;m de sua indu&ccedil;&atilde;o em Estados e Munic&iacute;pios, implica    investimentos na capacita&ccedil;&atilde;o de recursos humanos, estrutura&ccedil;&atilde;o    de bases de dados para o monitoramento das a&ccedil;&otilde;es e avalia&ccedil;&atilde;o    dessas a&ccedil;&otilde;es, pesquisas e parcerias com centros colaboradores,    dedicados ao ensino e &agrave; pesquisa. Assim, cursos de curta ou longa dura&ccedil;&atilde;o,    especializados na forma&ccedil;&atilde;o e capacita&ccedil;&atilde;o de recursos    humanos em DANT destinados a atender a demanda da clientela de t&eacute;cnicos    de Estados e Munic&iacute;pios, j&aacute; foram aprovados e se encontram em    fase de contrata&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es de ensino e    pesquisa respons&aacute;veis por sua organiza&ccedil;&atilde;o e realiza&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A CGDANT/SVS/MS procurou estabelecer, em n&iacute;vel    nacional, uma estrat&eacute;gia sustent&aacute;vel, centrada nas seguintes a&ccedil;&otilde;es:    a) monitoramento das doen&ccedil;as; b) vigil&acirc;ncia integrada dos fatores    de risco e prote&ccedil;&atilde;o; c) indu&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es    de preven&ccedil;&atilde;o e controle e de promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de;    e d) monitoramento e avalia&ccedil;&atilde;o das interven&ccedil;&otilde;es.    A <a href="#fig12">Figura 12</a> sintetiza a estrat&eacute;gia para a vigil&acirc;ncia    de DANT no Brasil.</font></p>     <p><a name="fig12"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v15n3/3a06f12.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">A estrutura&ccedil;&atilde;o da vigil&acirc;ncia    de DANT implica: a) equipe t&eacute;cnica m&iacute;nima composta de pessoas    capacitadas em vigil&acirc;ncia de DANT, est&aacute;vel, porque vigil&acirc;ncia    de DANT pressup&otilde;e acompanhamentos por tempo prolongado; b) acesso garantido    aos bancos de dados de mortalidade e morbidade e a outros dispon&iacute;veis,    que subsidiem a vigil&acirc;ncia; c) monitoramento das principais DANT, com    indicadores definidos; d) vigil&acirc;ncia de fatores de risco estruturada;    d) vigil&acirc;ncia da utiliza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de,    que aponte os impactos nos custos diretos &#8211; ao sistema de sa&uacute;de    &#8211; e indiretos &#8211; sociais e econ&ocirc;micos &#8211; da epidemia de    DANT para a sociedade; e e) agenda de trabalho estrat&eacute;gica para as atividades    de sensibiliza&ccedil;&atilde;o e defesa (<i>advocacy</i>) intra e extra-setorial,    que atenda a necessidade de prioriza&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es    de preven&ccedil;&atilde;o de DANT e de promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de,    demonstrando que esse investimento &eacute; essencial.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Monitorar, de forma cont&iacute;nua, a morbimortalidade    das DANT &eacute; uma atividade fundamental do sistema de vigil&acirc;ncia.    Ela deve ser executada em todos os n&iacute;veis gestores do sistema, do municipal    ao nacional. A partir dos indicadores pactuados nos f&oacute;runs regionais    de 2004, Estados e capitais produziram um primeiro relat&oacute;rio com a descri&ccedil;&atilde;o    das respectivas taxas de mortalidade e de morbidade para DANT, um avan&ccedil;o    no sentido do diagn&oacute;stico local.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Como fontes de dados para vigil&acirc;ncia da    mortalidade, o Pa&iacute;s disp&otilde;e do Sistema de Informa&ccedil;&otilde;es    sobre Mortalidade (SIM) consolidado e descentralizado, que permite a todos os    Munic&iacute;pios o acesso aos bancos de dados e ao c&aacute;lculo das taxas    de mortalidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para estudos da morbidade, o SUS disp&otilde;e    de sistemas administrativos que gerenciam diversas modalidades assistenciais,    em que &eacute; poss&iacute;vel obter informa&ccedil;&otilde;es sobre as doen&ccedil;as    que motivaram procura pelo servi&ccedil;o. O mais importante deles, o Sistema    de Informa&ccedil;&otilde;es Hospitalares (SIH/SUS), &eacute; respons&aacute;vel    pelo gerenciamento das interna&ccedil;&otilde;es realizadas no conjunto da rede    hospitalar conveniada ao SUS, ou seja, 70% do movimento hospitalar do Pa&iacute;s,    aproximadamente.<sup>10</sup> Mesmo que n&atilde;o abranjam a totalidade das interna&ccedil;&otilde;es,    os dados do SIH/SUS permitem, de forma indireta, conhecer o comportamento temporal    da ocorr&ecirc;ncia das DANT em n&iacute;vel nacional. O sistema de Autoriza&ccedil;&atilde;o    de Procedimentos de Alta Complexidade (APAC) registra a realiza&ccedil;&atilde;o    de procedimentos ambulatoriais de diagn&oacute;stico e terapias de alta complexidade.    O Pa&iacute;s disp&otilde;e, ainda, dos Registros de C&acirc;ncer de Base Populacional    (RCBP), implantados em 19 cidades; e dos Registros Hospitalares de C&acirc;ncer,    coordenados pelo Instituto Nacional do C&acirc;ncer/MS, que n&atilde;o s&oacute;    disp&otilde;em de informa&ccedil;&otilde;es sobre a ocorr&ecirc;ncia de casos    de c&acirc;ncer como subsidiam a produ&ccedil;&atilde;o de estimativas futuras    de incid&ecirc;ncia das diferentes formas de manifesta&ccedil;&otilde;es da    doen&ccedil;a.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Al&eacute;m do Inqu&eacute;rito Nacional de Fatores    de Risco, realizado em 16 capitais no ano de 2003, gra&ccedil;as &agrave; parceria    da SVS/MS com o Inca/MS, encontra-se em fase de implanta&ccedil;&atilde;o o    sistema de vigil&acirc;ncia e monitoramento dos fatores de risco e protetores    entre escolares, abordado neste artigo. Em 2006, iniciar-se-&aacute; coleta    de dados de fatores de risco utilizando-se linhas telef&ocirc;nicas, que possibilitar&aacute;    o monitoramento cont&iacute;nuo e r&aacute;pido dos fatores de risco para DCNT    em todas as capitais brasileiras. Al&eacute;m desses inqu&eacute;ritos, pesquisas    de natureza populacional, como a Pesquisa Nacional por Amostra de Domic&iacute;lios,    realizada pela Funda&ccedil;&atilde;o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica    (PNAD/IBGE), possibilitam a obten&ccedil;&atilde;o de outras informa&ccedil;&otilde;es    importantes para a vigil&acirc;ncia, como as de doen&ccedil;as auto-referidas,    acesso a servi&ccedil;os, satisfa&ccedil;&atilde;o quanto ao uso dos servi&ccedil;os,    planos de sa&uacute;de, entre outros. A <a href="#fig13">Figura 13</a> resume    as principais fontes de informa&ccedil;&otilde;es para vigil&acirc;ncia de DCNT    dispon&iacute;veis no Pa&iacute;s.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig13"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v15n3/3a06f13.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Tamb&eacute;m foram pactuados diversos indicadores    e metodologias de monitoramento para Estados e Munic&iacute;pios de capitais.    Os indicadores de mortalidade referem-se a: mortalidade proporcional por DCNT;    taxa de mortalidade por DCNT; e taxa de mortalidade por causas espec&iacute;ficas    &#91;AVC, IAM, diabetes, doen&ccedil;a pulmonar obstrutiva cr&ocirc;nica (DPOC)&#93;.    Os indicadores de morbidade, por sua vez, referem-se a: propor&ccedil;&atilde;o    de interna&ccedil;&otilde;es por DCNT; taxa de interna&ccedil;&otilde;es SUS/habitante    (10.000) por DCNT; propor&ccedil;&atilde;o de interna&ccedil;&otilde;es por    causas espec&iacute;ficas (AVC, IAM, diabetes, DPOC); taxas de interna&ccedil;&otilde;es    por eventos espec&iacute;ficos; indicadores de preval&ecirc;ncia de fatores    de risco nas capitais (tabagismo, sedentarismo, consumo de FL&amp;V); e outros.    Tamb&eacute;m foram pactuados indicadores de acidentes e viol&ecirc;ncias, n&atilde;o    detalhados neste trabalho.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Essas fontes de informa&ccedil;&otilde;es possibilitam    o monitoramento continuado da ocorr&ecirc;ncia da DCNT, de tal forma que os    respons&aacute;veis pela vigil&acirc;ncia podem prover os tomadores de decis&atilde;o    de subs&iacute;dios para elabora&ccedil;&atilde;o de programas de preven&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Vigil&acirc;ncia dos fatores de risco e prote&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Essa &eacute; a atividade principal a ser implementada    e sustentada pelo sistema de vigil&acirc;ncia. Por meio de inqu&eacute;ritos    de sa&uacute;de de diversos formatos, o Brasil vem constituindo bases de dados    que permitir&atilde;o o monitoramento cont&iacute;nuo dos fatores de risco e    prote&ccedil;&atilde;o para DCNT. A proposta que o Pa&iacute;s implementa combina    grandes inqu&eacute;ritos de fatores de risco de abrang&ecirc;ncia nacional    com inqu&eacute;ritos locais que possam apreender a diversidade de realidades    dos Munic&iacute;pios.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Tamb&eacute;m s&atilde;o realizados inqu&eacute;ritos    com metodologias mais simples e r&aacute;pidas, aplicados em grupos particularmente    vulner&aacute;veis, como escolares e idosos, para orientar ou reorientar pol&iacute;ticas    espec&iacute;ficas de redu&ccedil;&atilde;o de fatores de risco nesses grupos.    O inqu&eacute;rito para fatores de risco realizado entre 2002 e 2003 constituiu    a linha de base estabelecida para o monitoramento dos fatores de risco. Prev&ecirc;-se    que ele seja realizado a cada cinco anos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Atualmente, encontra-se em fase de implementa&ccedil;&atilde;o    o sistema de vigil&acirc;ncia e monitoramento dos fatores de risco e protetores    entre escolares. Para o primeiro semestre de 2006, est&aacute; programada a    realiza&ccedil;&atilde;o da I Pesquisa Nacional de Sa&uacute;de Escolar (PENSE),    que investigar&aacute; escolares de 13 a 15 anos, matriculados na 7<sup>a</sup> s&eacute;rie    do ensino fundamental, sobre os fatores de risco e de prote&ccedil;&atilde;o    &agrave; sa&uacute;de na popula&ccedil;&atilde;o adolescente. A amostra abranger&aacute;    escolas p&uacute;blicas e privadas das 27 capitais e uma popula&ccedil;&atilde;o-alvo    estimada de 72.000 alunos. Um question&aacute;rio auto-aplicado contemplar&aacute;    os seguintes m&oacute;dulos tem&aacute;ticos: caracter&iacute;sticas sociodemogr&aacute;ficas;    alimenta&ccedil;&atilde;o; atividade f&iacute;sica; tabagismo; consumo de &aacute;lcool    e outras drogas; imagem corporal; sa&uacute;de bucal; comportamento sexual;    viol&ecirc;ncias e rede de prote&ccedil;&atilde;o; e medidas antropom&eacute;tricas.    Paralelamente, ser&atilde;o avaliadas as cantinas escolares das unidades amostradas.    Essa pesquisa ser&aacute; o primeiro produto de uma parceria entre o Minist&eacute;rio    da Sa&uacute;de e o Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o para o estabelecimento    de programas para preven&ccedil;&atilde;o de DCNT e promo&ccedil;&atilde;o da    sa&uacute;de no ambiente escolar. Por se tratar de um grupo populacional reconhecido    pela sua vulnerabilidade, em que as a&ccedil;&otilde;es de preven&ccedil;&atilde;o    de doen&ccedil;as e promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de representam um investimento    vital, prop&otilde;e-se que essa pesquisa se repita a cada dois anos, para avaliar    o impacto dessas a&ccedil;&otilde;es ami&uacute;de.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Ainda no campo da investiga&ccedil;&atilde;o    de fatores de risco no Brasil, est&aacute; em andamento uma experi&ecirc;ncia    de pesquisa das preval&ecirc;ncias de fatores de risco por entrevistas telef&ocirc;nicas.    Essa iniciativa foi elaborada e conduzida por uma institui&ccedil;&atilde;o    de pesquisa acad&ecirc;mica &#91;N&uacute;cleo de Pesquisas em Nutri&ccedil;&atilde;o    e Sa&uacute;de da Universidade de S&atilde;o Paulo (Nupens/USP)&#93;.<sup>11</sup> Sua metodologia    de pesquisa est&aacute; sendo avaliada com vistas &agrave; sua implementa&ccedil;&atilde;o    no &acirc;mbito do SUS. Tamb&eacute;m s&atilde;o objeto de apoio do Governo    Federal as iniciativas e inqu&eacute;ritos locais para monitoramento de fatores    de risco e protetores, como os inqu&eacute;ritos em capitais, a exemplo de S&atilde;o    Lu&iacute;s e Palmas em 2005.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Al&eacute;m desses inqu&eacute;ritos espec&iacute;ficos,    o Pa&iacute;s tem ampliado sobremaneira as pesquisas epidemiol&oacute;gicas    nos ambientes acad&ecirc;micos. O Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, por meio    da Secretaria de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de, tem financiado os chamados    Centros Colaboradores &#8211; institui&ccedil;&otilde;es de ensino e pesquisa    &#8211; no desenvolvimento de estudos e tecnologias de suporte &agrave; vigil&acirc;ncia    e preven&ccedil;&atilde;o de DCNT.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Indu&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es    de promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de, preven&ccedil;&atilde;o e controle    de DANT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A indu&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es    de preven&ccedil;&atilde;o de DANT e de promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de    constitui uma das principais atividades da &aacute;rea de vigil&acirc;ncia.    A partir do monitoramento cont&iacute;nuo da preval&ecirc;ncia dos fatores de    risco, da ocorr&ecirc;ncia dessas doen&ccedil;as na popula&ccedil;&atilde;o    e do impacto econ&ocirc;mico e social que elas provocam, &eacute; poss&iacute;vel    construir uma forte argumenta&ccedil;&atilde;o sobre a necessidade de se prevenir    DANT. Dispor informa&ccedil;&otilde;es, argumentar e persuadir os legisladores    e tomadores de decis&atilde;o sobre a relev&acirc;ncia da preven&ccedil;&atilde;o    de DANT representa um investimento, indiscutivelmente, custo-efetivo. Ademais,    &eacute; preciso convencer outros setores, especialmente aqueles &quot;produtores&quot;    de fatores de risco com os quais as DANT est&atilde;o relacionadas, sobre a    possibilidade de desenvolvimento e aplica&ccedil;&atilde;o de tecnologias produtivas    mais saud&aacute;veis, principalmente na produ&ccedil;&atilde;o de alimentos.    O desenvolvimento de parcerias intersetoriais &eacute; outra tarefa de fundamental    import&acirc;ncia para o manejo dos fatores de risco. No Brasil, para potencializar    as a&ccedil;&otilde;es do sistema de vigil&acirc;ncia de DANT, o Minist&eacute;rio    da Sa&uacute;de, recentemente, integrou a esse sistema a coordena&ccedil;&atilde;o    nacional das a&ccedil;&otilde;es de promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de.    Desde a ades&atilde;o do Brasil &agrave;s diretrizes da Estrat&eacute;gia Global    para Alimenta&ccedil;&atilde;o Saud&aacute;vel e Atividade F&iacute;sica, proposta    pela OMS, a pol&iacute;tica ministerial tem articulado objetos de a&ccedil;&atilde;o    comuns &agrave; vigil&acirc;ncia de DANT e &agrave; promo&ccedil;&atilde;o da    sa&uacute;de.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Monitoramento e avalia&ccedil;&atilde;o das    interven&ccedil;&otilde;es</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O acompanhamento, o desenvolvimento e a avalia&ccedil;&atilde;o    das interven&ccedil;&otilde;es propostas constituem componente principal das    atividades da vigil&acirc;ncia de DCNT. Eles permitem a retroalimenta&ccedil;&atilde;o    dos programas e projetos e a readequa&ccedil;&atilde;o de suas atividades de    preven&ccedil;&atilde;o e promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A partir de proposi&ccedil;&atilde;o da Organiza&ccedil;&atilde;o    Pan-Americana da Sa&uacute;de (OPAS), o Minist&eacute;rio de Sa&uacute;de do    Canad&aacute; coordena o Observat&oacute;rio de Pol&iacute;ticas de Preven&ccedil;&atilde;o    e Controle de Doen&ccedil;as N&atilde;o Transmiss&iacute;veis (DCNT), juntamente    com o Brasil e a Costa Rica. Esse projeto tem por objetivo inicial a realiza&ccedil;&atilde;o    de um estudo de caso para avaliar e comparar formula&ccedil;&otilde;es de pol&iacute;ticas    e processos de implementa&ccedil;&atilde;o em tr&ecirc;s pa&iacute;ses participantes    da rede CARMEN, ou Conjunto de A&ccedil;&otilde;es para Redu&ccedil;&atilde;o    Multifatorial das Enfermidades N&atilde;o Transmiss&iacute;veis, iniciativa    da OPAS/OMS.<sup>12</sup> No Brasil, o foco da investiga&ccedil;&atilde;o consistir&aacute;    de um estudo da implementa&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;tica de Alimenta&ccedil;&atilde;o    e Nutri&ccedil;&atilde;o (PNAN) e das pol&iacute;ticas para enfrentamento do    tabagismo, hipertens&atilde;o/diabetes, atividade f&iacute;sica e vigil&acirc;ncia    de DCNT. Os estudos desse observat&oacute;rio j&aacute; est&atilde;o em desenvolvimento    e seus primeiros resultados dever&atilde;o ser divulgados ainda em 2006.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Como integrante da rede CARMEN, o Brasil &eacute;    respons&aacute;vel pela elabora&ccedil;&atilde;o de um guia metodol&oacute;gico    para avalia&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es de vigil&acirc;ncia, preven&ccedil;&atilde;o    e controle das DCNT, bem como da iniciativa CARMEN nas Am&eacute;ricas, tarefas    em andamento.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Projetos demonstrativos de vigil&acirc;ncia    e condu&ccedil;&atilde;o de DCNT &#8211; O Projeto Mega-Country e a iniciativa    CARMEN</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Desde o in&iacute;cio da estrutura&ccedil;&atilde;o    do sistema de vigil&acirc;ncia de DCNT, o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de    tem estimulado a implementa&ccedil;&atilde;o de modelos demonstrativos de preven&ccedil;&atilde;o    das DCNT, propostos pelos organismos internacionais de sa&uacute;de. Em 2002,    foi iniciada a implementa&ccedil;&atilde;o de um projeto de vigil&acirc;ncia    epidemiol&oacute;gica em um Munic&iacute;pio de pequeno porte, Quirin&oacute;polis,    localizado no Estado de Goi&aacute;s. Financiado com recursos da OMS, o projeto    Mega-Country, assim denominado, tem como base metodol&oacute;gica a abordagem    Stepwise Approach, adaptada &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es locais. Sua implementa&ccedil;&atilde;o    cumpriu os tr&ecirc;s passos preconizados &#8211; aplica&ccedil;&atilde;o de    question&aacute;rio, tomada de medidas f&iacute;sicas e exames laboratoriais    para fatores de risco em DCNT &#8211; e, para tanto, contou com ampla mobiliza&ccedil;&atilde;o    e participa&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria, sob coordena&ccedil;&atilde;o    do gestor local de sa&uacute;de. Outra caracter&iacute;stica desse projeto &eacute;    sua integra&ccedil;&atilde;o com o Programa Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia,    esta importante estrat&eacute;gia de organiza&ccedil;&atilde;o da aten&ccedil;&atilde;o    b&aacute;sica &agrave; sa&uacute;de no SUS.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A rede CARMEN, apoiada pela OPAS, baseia-se na    implementa&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas de demonstra&ccedil;&atilde;o onde    s&atilde;o desenvolvidos projetos de preven&ccedil;&atilde;o integrada de fatores    de risco para doen&ccedil;as n&atilde;o transmiss&iacute;veis, com &ecirc;nfase    na participa&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria e nas parcerias intersetoriais.    A partir de um diagn&oacute;stico inicial da preval&ecirc;ncia dos fatores de    riscos, s&atilde;o desenvolvidos projetos de preven&ccedil;&atilde;o e controle    de DCNT e de promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de.<sup>12</sup> A iniciativa &eacute;    conduzida em Munic&iacute;pios brasileiros desde 1998, com destaque para Goi&acirc;nia,    capital do Estado de Goi&aacute;s, e a regi&atilde;o de Mar&iacute;lia, no interior    do Estado de S&atilde;o Paulo, ambos Munic&iacute;pios dedicados &agrave; execu&ccedil;&atilde;o    de a&ccedil;&otilde;es de vigil&acirc;ncia e interven&ccedil;&otilde;es com    o objetivo de reduzir a morbidade e a exposi&ccedil;&atilde;o aos fatores de    risco.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de e vigil&acirc;ncia    de DANT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O surgimento no cen&aacute;rio mundial dos primeiros    ensaios de Lalonde, apresentando as bases conceituais que subsidiariam as discuss&otilde;es    da 1<sup>a</sup> Conferencia Mundial pela Promo&ccedil;&atilde;o da Sa&uacute;de,    coincidiu com o reconhecimento de que as enfermidade n&atilde;o transmiss&iacute;veis    representavam o principal problema de Sa&uacute;de P&uacute;blica para a maioria    dos pa&iacute;ses, com tend&ecirc;ncia crescente; e de que os modelos de enfrentamento    adotados pelos sistemas de sa&uacute;de, centrados na aten&ccedil;&atilde;o    m&eacute;dica quase que exclusiva, n&atilde;o tinham perspectivas de equacion&aacute;-lo    de forma custo-efetiva.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A Carta de Ottawa (1986) sintetizou o resultado    das discuss&otilde;es da citada confer&ecirc;ncia. A promo&ccedil;&atilde;o    da sa&uacute;de, ent&atilde;o, foi definida como vinculada ao bem-estar f&iacute;sico,    mental e social dos sujeitos e coletividades. As a&ccedil;&otilde;es de promo&ccedil;&atilde;o    da sa&uacute;de envolvem atua&ccedil;&atilde;o intersetorial pactuada e visam    ao desencadeamento de a&ccedil;&otilde;es articuladas, em comunidades e grupos    populacionais espec&iacute;ficos, com o objetivo de promover comportamentos    e estilos de vida saud&aacute;veis. A <a href="#fig14">Figura 14</a> mostra    a articula&ccedil;&atilde;o entre a promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de e    a vigil&acirc;ncia de DANT, suas interfaces, articula&ccedil;&otilde;es e parcerias.<sup>13</sup>    A vigil&acirc;ncia em DANT dever&aacute;, portanto, agir no &acirc;mbito interno    do setor Sa&uacute;de, na articula&ccedil;&atilde;o da preven&ccedil;&atilde;o    de DANT e na promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de; no &acirc;mbito externo,    estabelecer&aacute; parcerias com demais setores da administra&ccedil;&atilde;o    p&uacute;blica (Educa&ccedil;&atilde;o, Meio Ambiente, Agricultura, Trabalho,    Ind&uacute;stria e Com&eacute;rcio, entre outros), empresas e organiza&ccedil;&otilde;es    n&atilde;o governamentais, para induzir mudan&ccedil;as sociais, econ&ocirc;micas    e ambientais que favore&ccedil;am a redu&ccedil;&atilde;o na ocorr&ecirc;ncia    dessas doen&ccedil;as.</font></p>     <p><a name="fig14"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v15n3/3a06f14.gif"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">O conjunto das a&ccedil;&otilde;es propostas    tem como princ&iacute;pios norteadores: a redu&ccedil;&atilde;o das desigualdades    regionais e locais, que dificultam o acesso a ambientes, pr&aacute;ticas e oportunidades    de viver saud&aacute;veis; e a promo&ccedil;&atilde;o da autonomia de sujeitos    e coletividades na conquista do direito &agrave; sa&uacute;de e &agrave; qualidade    de vida.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A aprova&ccedil;&atilde;o da Estrat&eacute;gia    Global para Alimenta&ccedil;&atilde;o, Atividade F&iacute;sica e Sa&uacute;de,    na 57<sup>a</sup> Assembl&eacute;ia Mundial da Sa&uacute;de, foi extremamente oportuna    no sentido de potencializar o trabalho de vigil&acirc;ncia de DANT e promo&ccedil;&atilde;o    da sa&uacute;de no Brasil.<sup>14</sup> Os argumentos de defesa e as recomenda&ccedil;&otilde;es    da Estrat&eacute;gia Global para o enfrentamento da epidemia de DCNT ampliaram    a capacidade do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de defender junto ao Governo    Brasileiro a necessidade da implementar a&ccedil;&otilde;es para cont&ecirc;-la.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Diante da complexidade e emerg&ecirc;ncia do    problema, o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de estabeleceu, como uma de suas    prioridades para o ano de 2005, a implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas    de a&ccedil;&atilde;o promotoras de modos de viver saud&aacute;veis, enfatizando    as diretrizes da Estrat&eacute;gia Global e a preven&ccedil;&atilde;o do tabagismo.    Como resultado desse movimento, aprovaram-se recursos, junto &agrave; Comiss&atilde;o    Intergestora Tripartite, para apoio a Estados e Munic&iacute;pios na implementa&ccedil;&atilde;o    dessas a&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Conclus&otilde;es e desafios</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As doen&ccedil;as e os agravos n&atilde;o transmiss&iacute;veis    (DANT) s&atilde;o respons&aacute;veis por uma parcela significativa &#8211; e    crescente &#8211; na carga de doen&ccedil;as no Brasil. Cerca de dois ter&ccedil;os    da carga de doen&ccedil;as no Pa&iacute;s n&atilde;o s&atilde;o transmiss&iacute;veis    (doen&ccedil;as do aparelho circulat&oacute;rio, neoplasias, diabetes e outras)    ou s&atilde;o provocadas por fatores externos (acidente e viol&ecirc;ncias).<sup>15</sup>    A mudan&ccedil;a do perfil epidemiol&oacute;gico brasileiro, com maior carga    de doen&ccedil;as e agravos n&atilde;o transmiss&iacute;veis, &eacute; conseq&uuml;&ecirc;ncia    da urbaniza&ccedil;&atilde;o, de melhorias nos cuidados com a sa&uacute;de,    de mudan&ccedil;as de estilo de vida e da globaliza&ccedil;&atilde;o. A maior    parte dessa carga de doen&ccedil;as n&atilde;o &eacute; (conforme j&aacute;    se apregoou) o &quot;resultado inevit&aacute;vel&quot; do modelo de sociedade    contempor&acirc;neo; trata-se de um mal a ser prevenido, geralmente a baixo    custo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As DANT s&atilde;o de etiologia multifatorial    e compartilham v&aacute;rios fatores de riscos, os quais podem ser modificados.    A urg&ecirc;ncia em deter o crescimento das DANT no Pa&iacute;s justifica a    ado&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias integradas e sustent&aacute;veis    de preven&ccedil;&atilde;o e controle dessas doen&ccedil;as, assentadas sobre    seus principais fatores de risco modific&aacute;veis, quais sejam: tabagismo;    inatividade f&iacute;sica; alimenta&ccedil;&atilde;o inadequada; obesidade;    dislipidemia; e consumo de &aacute;lcool.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A aprova&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o    da Estrat&eacute;gia Global para Alimenta&ccedil;&atilde;o, e Atividade F&iacute;sica    e Sa&uacute;de e a ratifica&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o da    Conven&ccedil;&atilde;o-Quadro para Controle do Tabagismo, da OMS, refor&ccedil;am    a decis&atilde;o, j&aacute; tomada, de preven&ccedil;&atilde;o integrada das    DANT.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Experi&ecirc;ncias exitosas de interven&ccedil;&otilde;es    de Sa&uacute;de P&uacute;blica na revers&atilde;o e/ou mudan&ccedil;as positivas    nas tend&ecirc;ncias de morbimortalidade por doen&ccedil;as cardiovasculares    em diversos pa&iacute;ses mostram que a vigil&acirc;ncia de DANT e a&ccedil;&otilde;es    integradas s&atilde;o fundamentais para o desenvolvimento de estrat&eacute;gias    efetivas de promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A Coordena&ccedil;&atilde;o-Geral de Vigil&acirc;ncia    de Doen&ccedil;as e Agravos N&atilde;o Transmiss&iacute;veis, da Secretaria    de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, tem    a responsabilidade de coordenar e formular, em n&iacute;vel nacional, as atividades    de vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica das DANT e promo&ccedil;&atilde;o    da sa&uacute;de, fomentando sua implementa&ccedil;&atilde;o nos n&iacute;veis    estaduais e municipais do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de, SUS.<sup>9</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Segundo a OMS, ainda que respons&aacute;veis    pela maioria das mortes, as doen&ccedil;as e agravos n&atilde;o transmiss&iacute;veis    permanecem negligenciados, n&atilde;o contemplados na agenda das prioridades    dos governos em todo o mundo. Por exemplo, as Metas de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio    n&atilde;o as inclu&iacute;ram, diferentemente da considera&ccedil;&atilde;o    reservada pelo documento a outras doen&ccedil;as transmiss&iacute;veis, que    respondem por menor n&uacute;mero de fatalidades, como a mal&aacute;ria e a    infec&ccedil;&atilde;o pelo HIV/aids.<sup>16</sup> No Brasil, a realidade &eacute; igual.    &Eacute; mister ampliar a divulga&ccedil;&atilde;o, a advocacia e a sensibiliza&ccedil;&atilde;o    dos gestores do SUS sobre o problema, de tal forma que a vigil&acirc;ncia e    controle de DANT adquira car&aacute;ter de prioridade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O estabelecimento de parcerias entre os v&aacute;rios    &oacute;rg&atilde;os do governo, n&atilde;o s&oacute; internas &agrave; &aacute;rea    da Sa&uacute;de como, principalmente, entre diversos setores governamentais    e n&atilde;o governamentais, tamb&eacute;m &eacute; imprescind&iacute;vel. In&uacute;meras    a&ccedil;&otilde;es de promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de, que dependem    de decis&otilde;es externas a cada setor, j&aacute; motivaram diversas a&ccedil;&otilde;es    e parcerias em curso, com &oacute;rg&atilde;os formadores e institui&ccedil;&otilde;es    de pesquisa, cuja miss&atilde;o &eacute; institucionalizar a vigil&acirc;ncia    de DANT, investir na capacita&ccedil;&atilde;o continuada dos t&eacute;cnicos    encarregados e aprofundar a avalia&ccedil;&atilde;o da efetividade dessas a&ccedil;&otilde;es    no &acirc;mbito do SUS. Estudos j&aacute; demonstraram a efic&aacute;cia de    a&ccedil;&otilde;es preventivas e de promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de    na redu&ccedil;&atilde;o dos fatores de risco e da mortalidade por DANT.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; poss&iacute;vel retroalimentar o sistema,    corrigir e adotar novas a&ccedil;&otilde;es e ajudar a derrubar o mito de que    as DANT n&atilde;o s&atilde;o pass&iacute;veis de preven&ccedil;&atilde;o. Grandes    desafios se apresentam aos respons&aacute;veis pela condu&ccedil;&atilde;o da    preven&ccedil;&atilde;o de DANT no Brasil. Em resposta a eles, primeiramente,    est&aacute; a decis&atilde;o pol&iacute;tica do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de    de priorizar a vigil&acirc;ncia e a preven&ccedil;&atilde;o; em segundo lugar,    a disposi&ccedil;&atilde;o e determina&ccedil;&atilde;o de conhecer o modo de    manifesta&ccedil;&atilde;o dessa epidemia na popula&ccedil;&atilde;o; para tanto,    a ferramenta epidemiol&oacute;gica &eacute; de extrema necessidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os primeiros passos j&aacute; foram dados. Por&eacute;m,    muito investimento h&aacute; que ser feito para obter o melhor retrato poss&iacute;vel    da epidemia de doen&ccedil;as e agravos n&atilde;o transmiss&iacute;veis no    Brasil.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Agradecimentos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A Sandhi Maria Barreto, Elisabeth Carmen Duarte    e Adriana Miranda Castro.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">1. Ara&uacute;jo JD. Polariza&ccedil;&atilde;o    epidemiol&oacute;gica no Brasil. Informe Epidemiol&oacute;gico do SUS 1992;1:5-16.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">2. Barbosa JB, et al. Doen&ccedil;as e agravos    n&atilde;o transmiss&iacute;veis: bases epidemiol&oacute;gicas. In: Rouquayrol    MZ. Epidemiologia &amp; Sa&uacute;de. 6<sup>a</sup> ed. Rio de Janeiro: Medsi; 2003. p.    289-311.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">3. Funda&ccedil;&atilde;o Instituto Brasileiro    de Geografia e Estat&iacute;stica. T&aacute;buas completas de mortalidade 2003    &#91;dados na Internet&#93;. Rio de Janeiro: IBGE &#91;acessado em 2005, para    informa&ccedil;&otilde;es de 2003&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/tabuadevida/2003/default.shtm" target="_blank">http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">4. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Instituto    Nacional do C&acirc;ncer. Incid&ecirc;ncia de c&acirc;ncer no Brasil &#91;monografia    na Internet&#93;. Rio de Janeiro: Inca &#91;acessado em 2005, para informa&ccedil;&otilde;es    de 2005&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.inca.gov.br/" target="_blank">http://www.inca.gov.br/estimativa/2005/</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">5. Schramm JMA, et al. Transi&ccedil;&atilde;o    epidemiol&oacute;gica e o estudo da carga de doen&ccedil;a no Brasil. Ci&ecirc;ncia    &amp; Sa&uacute;de Coletiva 2004;9(4):897-908.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">6. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. A vigil&acirc;ncia,    o controle e a preven&ccedil;&atilde;o das doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas n&atilde;o    transmiss&iacute;veis &#8211; DCNT &#8211; no contexto do Sistema &Uacute;nico    de Sa&uacute;de brasileiro. Bras&iacute;lia: Organiza&ccedil;&atilde;o Pan-Americana    da Sa&uacute;de; 2005.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">7. Instituto Nacional do C&acirc;ncer. Secretaria    de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de. Inqu&eacute;rito domiciliar sobre comportamento    de risco e morbidade referida de doen&ccedil;as e agravos n&atilde;o transmiss&iacute;veis:    Brasil, 15 capitais e Distrito Federal, 2002-2003. Rio de Janeiro: Minist&eacute;rio    da Sa&uacute;de; 2004.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">8. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Secretaria    Executiva. Plano Nacional de Sa&uacute;de &#8211; 2004-2007. Bras&iacute;lia:    MS; 2004b.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">9. Brasil. Decreto n<sup>o</sup> 4.726, de 9 de junho de    2003. Aprova a estrutura regimental e o quadro demonstrativo dos cargos em comiss&atilde;o    e das fun&ccedil;&otilde;es gratificadas do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de    e d&aacute; outras provid&ecirc;ncias. Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o,    Bras&iacute;lia (DF), 10 jun. 2003. Se&ccedil;&atilde;o 1.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">10. Organiza&ccedil;&atilde;o Pan-Americana da    Sa&uacute;de. RIPSA. Fontes de Informa&ccedil;&atilde;o: indicadores b&aacute;sicos    para a sa&uacute;de no Brasil &#8211; conceitos e aplica&ccedil;&otilde;es.    Bras&iacute;lia: OPAS; 2002.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">11. Monteiro CA, Moura EC, Jaime PC, Lucca A,    Florindo AA, Figueiredo ICR, Bernal R, Silva NN. Monitoramento de fatores de    risco para doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas por meio de entrevistas telef&ocirc;nicas:    m&eacute;todos e resultados no Munic&iacute;pio de S&atilde;o Paulo. Revista    de Sa&uacute;de P&uacute;blica 39. No prelo 2005.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">12. Organiza&ccedil;&atilde;o Pan-Americana da    Sa&uacute;de. CARMEN &#8211; Iniciativa para Conjunto de A&ccedil;&otilde;es    para Redu&ccedil;&atilde;o Multifatorial de Enfermidades N&atilde;o Transmiss&iacute;veis.    Bras&iacute;lia: OPAS; 2003.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">13. Secretaria de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de.    Articula&ccedil;&atilde;o da promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de e vigil&acirc;ncia    de DANT. Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de; 2005.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">14. Secretaria de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de.    Vigil&acirc;ncia de doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas n&atilde;o transmiss&iacute;veis    no Brasil. Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de; 2004.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">15. Secretaria de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de.    Sa&uacute;de Brasil 2004: uma an&aacute;lise da situa&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de.    Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de; 2004.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">16. Organiza&ccedil;&atilde;o Pan-Americana da    Sa&uacute;de. Preven&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas: um investimento    vital. Bras&iacute;lia: Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de; 2005.</font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b><a name="endereco"></a><a href="#topo"><img src="/img/revistas/ess/v15n3/seta.gif" border="0"></a>Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia:</b>    <br>   Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, Secretaria de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de,    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Coordena&ccedil;&atilde;o-Geral de Doen&ccedil;as e Agravos N&atilde;o Transmiss&iacute;veis,    <br>   Esplanada dos Minist&eacute;rios,    <br>   Bloco G, Edif&iacute;cio-sede, 1<sup>o</sup> Andar, Sala 142,    <br>   Bras&iacute;lia-DF.    <br>   CEP:70058-900    <br>   <i>Email:</i><a href="mailto:deborah.malta@saude.gov.br">deborah.malta@saude.gov.br</a></font></p>      ]]></body><back>
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