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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>EDITORIAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><b>Eq&uuml;idade e sa&uacute;de</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Marilisa Berti de Azevedo Barros<sup>I</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup>I</sup>Membro do Comit&ecirc; Editorial</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">A profunda desigualdade social e de renda existente    no Brasil expressa-se, quase inevitavelmente, no padr&atilde;o de sa&uacute;de-doen&ccedil;a    da popula&ccedil;&atilde;o, que se diferencia, mais ou menos intensamente, entre    os segmentos sociais e conforme a quest&atilde;o de sa&uacute;de analisada.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A presen&ccedil;a do Sistema &Uacute;nico de    Sa&uacute;de (SUS), ao ampliar o acesso aos servi&ccedil;os de sa&uacute;de,    em especial das camadas da popula&ccedil;&atilde;o mais carentes socialmente,    atua no sentido de reduzir a magnitude das disparidades presentes na Sa&uacute;de,    a&ccedil;&atilde;o que &eacute; mais efetiva &agrave; medida que os servi&ccedil;os    oferecidos tenham maior cobertura e qualidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para o atendimento a alguns problemas de sa&uacute;de,    a cobertura ainda &eacute; insatisfat&oacute;ria, de forma que o acesso aos    servi&ccedil;os fica, em grande parte, na depend&ecirc;ncia estrita do poder    aquisitivo das fam&iacute;lias. &Eacute; o que aponta o artigo de Lisb&ocirc;a    e Abegg,<sup>1</sup> o qual analisa os h&aacute;bitos de higiene bucal e a utiliza&ccedil;&atilde;o    de servi&ccedil;os de sa&uacute;de bucal pela popula&ccedil;&atilde;o de adolescentes    e adultos do Munic&iacute;pio de Canoas, no Estado do Rio Grande do Sul. O estudo    verifica que a freq&uuml;&ecirc;ncia de visitas ao dentista, bem como as pr&aacute;ticas    de higiene bucal, &eacute; muito maior nos segmentos de melhor escolaridade    e renda. Na verdade, o estudo aponta que 70,7% dos habitantes de Canoas utilizam    servi&ccedil;os privados, percentual semelhante ao verificado na popula&ccedil;&atilde;o    brasileira (69%), de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic&iacute;lios    (Barros e Bertoldi, 2003).<sup>2</sup> Um aspecto interessante observado pelos    autores &eacute; que, relativamente a alguns pa&iacute;ses europeus, como Dinamarca    e Litu&acirc;nia, as pr&aacute;ticas de escova&ccedil;&atilde;o e o uso de fio    dental s&atilde;o mais freq&uuml;entes no Brasil.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Embora respons&aacute;vel por um percentual ainda    pequeno do atendimento odontol&oacute;gico da popula&ccedil;&atilde;o brasileira,    o SUS vem ampliando a organiza&ccedil;&atilde;o e oferta dessa modalidade de    servi&ccedil;os. O artigo de Junqueira e colaboradores<sup>3</sup> apresenta    a distribui&ccedil;&atilde;o de recursos odontol&oacute;gicos nos Munic&iacute;pios    do Estado de S&atilde;o Paulo. Os autores analisam a correla&ccedil;&atilde;o    dessa distribui&ccedil;&atilde;o com um conjunto de indicadores socioecon&ocirc;micos.    Os achados do estudo apontam que, enquanto a distribui&ccedil;&atilde;o de cirurgi&otilde;es-dentistas    registrados no Conselho Regional de Odontologia de S&atilde;o Paulo correlaciona-se,    positivamente, com a renda m&eacute;dia, com o &Iacute;ndice de Condi&ccedil;&atilde;o    de Vida e com o &Iacute;ndice de Gini, seguindo a l&oacute;gica do setor privado,    a distribui&ccedil;&atilde;o dos profissionais do setor p&uacute;blico correlaciona-se,    positivamente, com o analfabetismo e, inversamente, com a renda, apontando a    dire&ccedil;&atilde;o correta dos investimentos do SUS ao aumentar os recursos    nas regi&otilde;es com as popula&ccedil;&otilde;es mais carentes, buscando a    promo&ccedil;&atilde;o da eq&uuml;idade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os projetos de aten&ccedil;&atilde;o &agrave;    sa&uacute;de bucal que v&ecirc;m sendo organizados necessitariam, por sua vez,    ter sua efic&aacute;cia, efetividade e efici&ecirc;ncia estudada e avaliada.    Nesse sentido, o artigo de Ferreira e Loureiro<sup>4</sup> chama a aten&ccedil;&atilde;o    para a escassa realiza&ccedil;&atilde;o de estudos econ&ocirc;micos na &aacute;rea    da Sa&uacute;de, particularmente quanto aos servi&ccedil;os e interven&ccedil;&otilde;es    em sa&uacute;de bucal. Os autores apontam a qualidade insuficiente, em v&aacute;rios    aspectos metodol&oacute;gicos, dos estudos que revisaram, realizados em diferentes    pa&iacute;ses.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Al&eacute;m dos artigos que analisam temas relacionados    &agrave; sa&uacute;de bucal, o presente n&uacute;mero traz, ainda, um estudo    de Pereira e colaboradores <sup>5</sup> sobre o perfil da mortalidade neonatal    de uma coorte de 13.878 nascidos vivos. Os membros da coorte nascidos em hospital    que atende segmento da popula&ccedil;&atilde;o socialmente carente de Recife,    capital do estado de Pernambuco, e da regi&atilde;o apresentaram elevado risco    de &oacute;bito neonatal (49,4/1000 nascidos vivos). A an&aacute;lise baseou-se    em dados do Sistema de Informa&ccedil;&otilde;es de Mortalidade (SIM) e do Sistema    de Informa&ccedil;&otilde;es sobre Nascidos Vivos (Sinasc) e seus resultados    ressaltam, uma vez mais, a relev&acirc;ncia desses bancos de dados nacionais    ao gerar informa&ccedil;&otilde;es para gestores municipais e de outros n&iacute;veis    do sistema, bem como para colegiados dirigentes de institui&ccedil;&otilde;es    hospitalares.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Outra fonte de dado relevante do Pa&iacute;s    &eacute; constitu&iacute;da pelos Registros de C&acirc;ncer de Base Populacional    (RCBP). Hoje, contando com 22 RCBP, o Brasil pode conhecer com mais profundidade    e detalhes o padr&atilde;o de incid&ecirc;ncia e mortalidade das mais diversas    localiza&ccedil;&otilde;es de neoplasias. Esses registros ainda podem prover    estimativas de sobrevida e avaliar o impacto de medidas terap&ecirc;uticas,    fornecendo subs&iacute;dios relevantes para o planejamento de programas e a&ccedil;&otilde;es.    O bom desempenho dos registros &eacute; fundamental para que informa&ccedil;&otilde;es    de qualidade &#8211; e oportunas &#8211; estejam dispon&iacute;veis aos gestores    e pesquisadores. Nesse sentido, o artigo de Moura e colaboradores<sup>6</sup> traz contribui&ccedil;&atilde;o    significativa ao apresentar uma proposta de avalia&ccedil;&atilde;o de desempenho    dos RCBP, exemplificando a aplica&ccedil;&atilde;o do m&eacute;todo em um estudo    de caso constitu&iacute;do pelo RCBP de Goi&acirc;nia, Estado de Goi&aacute;s.    Seus achados apontam para o bom desempenho do Registro estudado e a potencialidade    da aplica&ccedil;&atilde;o dos conceitos e m&eacute;todo utilizados.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="Verdana">Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</font></b></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">1. Lisb&ocirc;a IC, Abegg C. H&aacute;bitos de    higiene bucal e uso de servi&ccedil;os odontol&oacute;gicos por adolescentes    e adultos do Munic&iacute;pio de Canoas, Estado do Rio Grande do Sul, Brasil.    Epidemiologia e Servi&ccedil;os de Sa&uacute;de 2006;15(4):29-39.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">2. Barros AJD, Bertoldi AD. Desigualdades na    utiliza&ccedil;&atilde;o e no acesso a servi&ccedil;os odontol&oacute;gicos:    uma avalia&ccedil;&atilde;o em n&iacute;vel nacional. Ci&ecirc;ncia e Sa&uacute;de    Coletiva 2002;7(4):709-717.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">3. Junqueira SR, Ara&uacute;jo ME, Antunes JLF,    Narvai PC. Indicadores socioecon&ocirc;micos e recursos odontol&oacute;gicos    em Munic&iacute;pios do Estado de S&atilde;o Paulo, Brasil, no final do s&eacute;culo    XX. Epidemiologia e Servi&ccedil;os de Sa&uacute;de 2006;15(4):41- 53.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">4. Ferreira CA, Loureiro CA. Economia em sa&uacute;de    com foco em sa&uacute;de bucal: revis&atilde;o de literatura. Epidemiologia    e Servi&ccedil;os de Sa&uacute;de 2006;15(4):55-65.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">5. Pereira PMH, Frias PG, Carvalho PI, Vidal    SA, Figueiroa JN. Mortalidade neonatal hospitalar na coorte de nascidos vivos    em maternidade-escola na Regi&atilde;o Nordeste do Brasil, 2001-2003. Epidemiologia    e Servi&ccedil;os de Sa&uacute;de 2006;15(4):19-28.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">6. Moura L, Curado MP, Sim&otilde;es EJ, Cez&aacute;rio    AC, Urdaneta M. Avalia&ccedil;&atilde;o do Registro de C&acirc;ncer de Base    Populacional do Munic&iacute;pio de Goi&acirc;nia, Estado de Goi&aacute;s, Brasil.    Epidemiologia e Servi&ccedil;os de Sa&uacute;de 2006;15(4):7-17.</font><p>&nbsp;</p>      ]]></body><back>
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