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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Prêmio de incentivo ao desenvolvimento e à aplicação da epidemiologia no sus 1º lugar doutorado Infarto agudo do miocárdio no Município do Rio de Janeiro: qualidade dos dados, sobrevida e distribuição espacial]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="3" face="verdana"><strong>Pr&ecirc;mio de incentivo    ao desenvolvimento e &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o da epidemiologia no sus    <br>   1&ordm; lugar doutorado</strong>    <br>   </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Infarto agudo do mioc&aacute;rdio no Munic&iacute;pio    do Rio de Janeiro: qualidade dos dados, sobrevida e distribui&ccedil;&atilde;o    espacial</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Enirtes Caetano Prates Melo<sup>I</sup>; Cl&aacute;udia    Maria de Rezende Travassos &#40Orientadora&#41<sup>II</sup>; Mar&iacute;lia    de S&aacute; Carvalho &#40Co-orientadora&#41<sup>I</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Funda&ccedil;&atilde;o Instituto    Oswaldo Cruz, Escola Nacional de Sa&uacute;de P&uacute;blica, Rio de Janeiro-RJ    <BR>   <sup>II</sup>Funda&ccedil;&atilde;o Instituto Oswaldo Cruz, Centro de Informa&ccedil;&atilde;o    Cient&iacute;fica e Tecnol&oacute;gica, Departamento de Informa&ccedil;&otilde;es    em Sa&uacute;de, Rio de Janeiro-RJ</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O infarto agudo do mioc&aacute;rdio &#40IAM&#41    &eacute; um evento agudo que sempre requer interna&ccedil;&atilde;o hospitalar    e, por sua magnitude, a despeito da exist&ecirc;ncia de procedimentos terap&ecirc;uticos    capazes de melhorar o progn&oacute;stico do paciente, tem sido apontado como    um agravo importante no desenvolvimento de indicadores para o monitoramento    da qualidade da assist&ecirc;ncia. Aspectos como utiliza&ccedil;&atilde;o de    novas tecnologias de reconhecida efic&aacute;cia, admiss&atilde;o em uma unidade    de terapia intensiva, tempo decorrido entre o in&iacute;cio dos sintomas e o    primeiro atendimento t&ecirc;m mostrado importante impacto na redu&ccedil;&atilde;o    da letalidade por IAM.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A discuss&atilde;o do tempo tem papel de destaque    na assist&ecirc;ncia ao paciente infartado, geralmente exposto a um maior risco    de morte na primeira hora ap&oacute;s o in&iacute;cio dos sintomas, portanto,    antes da chegada ao hospital. O intervalo de tempo decorrido entre o in&iacute;cio    dos sintomas e o atendimento &eacute; extremamente relevante para a sobrevida.    Mais de 50% dos &oacute;bitos ocorrem na primeira hora de evolu&ccedil;&atilde;o.    Considerando-se que o benef&iacute;cio do uso da terapia com trombol&iacute;ticos    &eacute; tempo-dependente, o retardo no tratamento de pacientes com suspeita    de IAM &eacute; um fator cr&iacute;tico de redu&ccedil;&atilde;o na sobrevida.    Problemas de acesso tendem a aumentar o tempo decorrido at&eacute; a admiss&atilde;o,    diminuindo a letalidade hospitalar esperada e aumentando a extra-hospitalar.    &Eacute; indiscut&iacute;vel, nesse caso, o impacto da distribui&ccedil;&atilde;o    espacial eficiente de servi&ccedil;os de emerg&ecirc;ncia na sobrevida de pacientes    infartados.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A incorpora&ccedil;&atilde;o do elemento geogr&aacute;fico    na an&aacute;lise de eventos ligados &agrave; sa&uacute;de permite detectar    contrastes entre grupos populacionais, tend&ecirc;ncias e padr&otilde;es espaciais    definidos, que contribuem para a compreens&atilde;o do problema a ser investigado,    orientando e direcionando a&ccedil;&otilde;es concretas dos servi&ccedil;os    de sa&uacute;de. Estudos realizados no Rio de Janeiro evidenciam a exist&ecirc;ncia    de contrastes nos padr&otilde;es de mortalidade observados na cidade, acentuados    pelo crescimento da desigualdade de renda. A deteriora&ccedil;&atilde;o das    condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de nas &aacute;reas que agregam alta propor&ccedil;&atilde;o    de residentes em favela sugere uma pior condi&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de    e um risco acrescido para o &oacute;bito naqueles que vivem em situa&ccedil;&otilde;es    caracterizadas por desorganiza&ccedil;&atilde;o social e pobreza. O Munic&iacute;pio    do Rio de Janeiro apresenta uma das mais elevadas taxas de mortalidade por IAM    do Pa&iacute;s, t&atilde;o-somente atr&aacute;s de Porto Alegre, Estado do Rio    Grande do Sul. Localizar eventos de sa&uacute;de nos bairros da cidade do Rio    de Janeiro pode permitir a identifica&ccedil;&atilde;o de associa&ccedil;&otilde;es    entre diversidade geogr&aacute;fica, padr&otilde;es de mortalidade e acesso    aos servi&ccedil;os de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A tese foi apresentada sob a forma de tr&ecirc;s    artigos. O primeiro artigo aborda a qualidade das informa&ccedil;&otilde;es    sobre &oacute;bitos hospitalares por IAM em dois hospitais da cidade do Rio    de Janeiro. O segundo aborda a sobrevida de pacientes com diagn&oacute;stico    de IAM internados em hospitais p&uacute;blicos contratados pelo Sistema &Uacute;nico    de Sa&uacute;de &#40SUS&#41. O terceiro artigo, finalmente, estuda a distribui&ccedil;&atilde;o    espacial do IAM, tendo os bairros do Rio de Janeiro como unidades de an&aacute;lise.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>Objetivos</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">I. Investigar a qualidade da informa&ccedil;&atilde;o    sobre &oacute;bito por infarto agudo do mioc&aacute;rdio nos sistemas de informa&ccedil;&otilde;es,    hospitalar e de mortalidade, e identificar as poss&iacute;veis causas dos problemas    de qualidade identificados.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">II. Estimar o efeito das caracter&iacute;sticas    individuais e dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de no tempo de sobrevida de pacientes    com infarto agudo do mioc&aacute;rdio, a partir de bases de dados secund&aacute;rios.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">III. Analisar a distribui&ccedil;&atilde;o espacial    da mortalidade por infarto agudo do mioc&aacute;rdio nos bairros da cidade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Metodologia</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O estudo abrangeu tr&ecirc;s etapas. Na primeira    etapa, analisaram-se dados sobre mortalidade hospitalar em dois hospitais da    Secretaria Municipal de Sa&uacute;de do Rio de Janeiro, mediante compara&ccedil;&atilde;o    das informa&ccedil;&otilde;es contidas em prontu&aacute;rios, declara&ccedil;&otilde;es    de &oacute;bito &#40DO&#41 e formul&aacute;rios de autoriza&ccedil;&otilde;es    de interna&ccedil;&atilde;o hospitalar &#40AIH&#41. Foram estudados todos os    &oacute;bitos hospitalares com causa b&aacute;sica no Sistema de Informa&ccedil;&otilde;es    sobre Mortalidade &#40SIM&#41 do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, relacionada    &agrave; doen&ccedil;a isqu&ecirc;mica do cora&ccedil;&atilde;o. Os hospitais    estudados foram selecionados a partir dos seguintes crit&eacute;rios: maior    volume de &oacute;bitos no SIM e de interna&ccedil;&otilde;es no Sistema de    Informa&ccedil;&otilde;es Hospitalares dos SUS &#40SIH&#47SUS&#41 durante o    per&iacute;odo estudado; e presen&ccedil;a de atendimento de emerg&ecirc;ncia,    visando &agrave; inclus&atilde;o de &oacute;bitos ocorridos na admiss&atilde;o    do paciente ou logo nas primeiras horas ap&oacute;s essa inclus&atilde;o. A    concord&acirc;ncia entre os dados presentes na DO e na AIH, com base nos dados    dos prontu&aacute;rios, foi verificada utilizando-se a estat&iacute;stica Kappa    de Cohen e o coeficiente de correla&ccedil;&atilde;o intraclasse.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Na segunda etapa, estudou-se a sobrevida de pacientes    com diagn&oacute;stico de IAM internados em hospitais p&uacute;blicos e contratados    pelo SUS, no per&iacute;odo de janeiro de 2000 a junho de 2001, no Munic&iacute;pio    do Rio de Janeiro. Para estimar o tempo de sobrevida, adotou-se um per&iacute;odo    de seguimento que abrangeu seis meses de observa&ccedil;&atilde;o, procedimento    que exigiu a linkage do SIH&#47SUS e do SIM mediante relacionamento probabil&iacute;stico    dos registros. Os pacientes com diagn&oacute;stico de IAM foram tratados como    uma coorte aberta, constitu&iacute;da a partir da data da primeira interna&ccedil;&atilde;o    no per&iacute;odo sob estudo. Na modelagem multivariada, utilizou-se uma extens&atilde;o    do modelo de regress&atilde;o semi-param&eacute;trico de riscos proporcionais    de Cox, que permite corrigir as vari&acirc;ncias dos coeficientes que s&atilde;o    calculados sem levar em considera&ccedil;&atilde;o a correla&ccedil;&atilde;o    existente, em raz&atilde;o das repeti&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A terceira etapa envolveu um estudo ecol&oacute;gico    em que serviram como unidades de an&aacute;lise os 158 bairros do Rio de Janeiro.    Na constru&ccedil;&atilde;o dos mapas da distribui&ccedil;&atilde;o espacial    dos &oacute;bitos por IAM, adotou-se a taxa espec&iacute;fica de mortalidade    e a raz&atilde;o de mortalidade padronizada &#40RMP&#41 por idade e sexo, na    compara&ccedil;&atilde;o entre os bairros. Os coeficientes de mortalidade foram    ajustados pelo m&eacute;todo indireto, com a popula&ccedil;&atilde;o geral do    Munic&iacute;pio como padr&atilde;o. Utilizou-se, ainda, o modelo bayesiano    emp&iacute;rico de suaviza&ccedil;&atilde;o, para minimizar a variabilidade    aleat&oacute;ria dos coeficientes de mortalidade associada ao tamanho das unidades    geogr&aacute;ficas de an&aacute;lise. Os bairros tiveram suas taxas re-estimadas    aplicando-se a m&eacute;dia ponderada entre o valor medido e a taxa m&eacute;dia    global, em que o peso da m&eacute;dia &eacute; inversamente proporcional &agrave;    popula&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Toda a an&aacute;lise estat&iacute;stica foi    feita pelo programa R, pacote estat&iacute;stico de dom&iacute;nio p&uacute;blico;    e os mapas tem&aacute;ticos, realizados pelo programa MapInfo&#174.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b>Considera&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O estudo relatado foi realizado com a aprova&ccedil;&atilde;o    pr&eacute;via do Comit&ecirc; de &Eacute;tica em Pesquisa da Funda&ccedil;&atilde;o    Instituto Oswaldo Cruz &#40Fiocruz&#41.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Resultados</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O total de &oacute;bitos hospitalares por infarto    agudo do mioc&aacute;rdio registrados no SIM &eacute; expressivamente maior    que no SIH&#47SUS. Identificaram-se tr&ecirc;s fontes que explicam, em grande    parte, a discrep&acirc;ncia observada: aus&ecirc;ncia de emiss&atilde;o de autoriza&ccedil;&atilde;o    de interna&ccedil;&atilde;o hospitalar (32,9%) notifica&ccedil;&atilde;o    de outro diagn&oacute;stico principal no SIH&#47SUS (19,2%) e subnotifica&ccedil;&atilde;o    do &oacute;bito na autoriza&ccedil;&atilde;o de interna&ccedil;&atilde;o hospitalar    (3,3%). O diagn&oacute;stico de infarto foi confirmado em 67,1% dos casos    de notificados na declara&ccedil;&atilde;o de &oacute;bito. A sensibilidade    da informa&ccedil;&atilde;o sobre &oacute;bito por infarto do mioc&aacute;rdio    foi de, aproximadamente, 90%, nos sistemas de informa&ccedil;&otilde;es observados.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Foram analisadas 3.379 interna&ccedil;&otilde;es,    das quais 1% correspondeu a reinterna&ccedil;&otilde;es. Verificou-se um pior    progn&oacute;stico p&oacute;s-infarto entre mulheres e nas faixas et&aacute;rias    mais avan&ccedil;adas. Observou-se uma importante varia&ccedil;&atilde;o do    risco de morrer em rela&ccedil;&atilde;o ao tempo de perman&ecirc;ncia na unidade    de tratamento intensivo &#40UTI&#41. Pacientes com perman&ecirc;ncia muito curta    &#40inferior a tr&ecirc;s dias&#41 e muito alta &#40superior a nove dias&#41    apresentaram um risco mais elevado de morte. Em todos os modelos utilizados    para estimar o efeito da associa&ccedil;&atilde;o entre as caracter&iacute;sticas    individuais e dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de com o tempo de sobrevida de    pacientes infartados, verifica-se um importante sobre-risco para as mulheres,    </font><font size="2" face="verdana">comparativamente aos homens &#40acima de    33%&#41. Hospitais com baixo volume de interna&ccedil;&otilde;es por IAM &#40inferior    a 25 interna&ccedil;&otilde;es&#47ano&#41 apresentaram um alto risco de &oacute;bito    em rela&ccedil;&atilde;o aos com volume superior &#40sobre-risco acima de 80%&#41.    Hospitais estaduais e contratados apresentaram um sobre-risco em rela&ccedil;&atilde;o    aos municipais, 56% e 18% respectivamente. A vari&acirc;ncia do efeito aleat&oacute;rio    foi baixa em todos os modelos testados &#8211; entre 0,0333 e 0,114 &#8211;,    indicando pequena variabilidade entre unidades.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A distribui&ccedil;&atilde;o dos &oacute;bitos    por IAM na cidade &eacute; heterog&ecirc;nea e obedece a um padr&atilde;o espacial    associado a um forte gradiente social. O padr&atilde;o de sub-risco de mortalidade    por IAM observado na Zona Oeste n&atilde;o condiz com o perfil de desigualdade    social e de acesso aos servi&ccedil;os de sa&uacute;de observado na &aacute;rea,    acredita-se, porque o risco de morrer por IAM foi subestimado em fun&ccedil;&atilde;o    da alta propor&ccedil;&atilde;o de &oacute;bitos por causa mal-definida na &aacute;rea.    Este estudo evidencia que os infartados tendem a ser atendidos pr&oacute;ximo    ao local de resid&ecirc;ncia, o que pode ser explicado pelo fato de o infarto    ocorrer, mais freq&uuml;entemente, nas primeiras horas da manh&atilde; e durante    a noite. Deve-se considerar, ainda, a alta concentra&ccedil;&atilde;o de &oacute;bitos    acima de 70 anos (52,6%), idade em que muitos j&aacute; est&atilde;o aposentados.    Se os hospitais mostraram exercer uma atratividade em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; popula&ccedil;&atilde;o de sua cercania, o local de resid&ecirc;ncia    &eacute; uma informa&ccedil;&atilde;o relevante para identifica&ccedil;&atilde;o    da popula&ccedil;&atilde;o de refer&ecirc;ncia. O padr&atilde;o espacial de    mortalidade apresentou uma concentra&ccedil;&atilde;o do risco de morrer de    infarto nas &aacute;reas mais pobres da cidade. As diversas unidades de sa&uacute;de    apresentam &aacute;reas de influ&ecirc;ncia para o atendimento ao IAM.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Conclus&otilde;es, recomenda&ccedil;&otilde;es    e impacto potencial dos resultados em Sa&uacute;de P&uacute;blica</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A partir dos achados das an&aacute;lises que    comp&otilde;em este trabalho, &eacute; poss&iacute;vel concluir que os padr&otilde;es    de mortalidade por IAM s&atilde;o marcados por contrastes geogr&aacute;ficos,    que reproduzem as desigualdades sociais observadas entre as diferentes &aacute;reas    do Munic&iacute;pio do Rio de Janeiro. A pesquisa sugere v&aacute;rias indica&ccedil;&otilde;es    de como o contexto pode afetar o &oacute;bito por IAM. &Eacute; necess&aacute;rio,    entretanto, compreender melhor o papel das caracter&iacute;sticas sociais e    de organiza&ccedil;&atilde;o do local de resid&ecirc;ncia sobre o IAM em uma    cidade marcada por uma organiza&ccedil;&atilde;o espacial, social e econ&ocirc;mica    muito peculiar. O mapeamento das &aacute;reas de atendimento, por si s&oacute;,    j&aacute; forneceu informa&ccedil;&otilde;es &uacute;teis ao planejamento e    distribui&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica dos servi&ccedil;os. O padr&atilde;o    espacial de mortalidade apresentou uma concentra&ccedil;&atilde;o do risco de    morrer de infarto nas &aacute;reas mais pobres da cidade, o que destaca a import&acirc;ncia    de investimento espec&iacute;fico para atender &agrave;s necessidades de sa&uacute;de    identificadas nesses locais.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Esse estudo sugere que as diversas unidades de    sa&uacute;de apresentam &aacute;reas de influ&ecirc;ncia para o atendimento    ao IAM. A configura&ccedil;&atilde;o dessas &aacute;reas revela que o local    de resid&ecirc;ncia &eacute; um importante referencial para o planejamento da    localiza&ccedil;&atilde;o de unidades prestadoras desse atendimento. Ainda assim,    a despeito do Munic&iacute;pio contar com uma das maiores redes hospitalares    do Brasil, seus hospitais que prestam atendimento ao infartado concentram-se,    principalmente, em duas &aacute;reas da cidade, que correspondem &agrave;s &aacute;reas    de planejamento 1 e 2. Nesse aspecto, a adequa&ccedil;&atilde;o do acesso aos    cuidados de sa&uacute;de requer uma distribui&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os    orientada pelo perfil de necessidades das popula&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em rela&ccedil;&atilde;o aos aspectos metodol&oacute;gicos,    algumas das an&aacute;lises aqui apresentadas foram inovadoras, pois utilizaram    certas t&eacute;cnicas espec&iacute;ficas, raramente empregadas nos estudos    epidemiol&oacute;gicos, como: relacionamento probabil&iacute;stico das bases    de dados; suaviza&ccedil;&atilde;o bayesiana; e os modelos de Cox, extendido    e de fragilidade. Tamb&eacute;m foi poss&iacute;vel mostrar o valor potencial    da utiliza&ccedil;&atilde;o de bancos de dados administrativos no contexto da    an&aacute;lise de sobrevida; persistem, contudo, algumas restri&ccedil;&otilde;es,    como a reduzida disponibilidade de dados cl&iacute;nicos dos pacientes, necess&aacute;rios    &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o da gravidade, um problema a ser solucionado.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Apesar dos ineg&aacute;veis avan&ccedil;os verificados    na qualidade dos dados secund&aacute;rios, especialmente observados na &uacute;ltima    d&eacute;cada, ainda s&atilde;o necess&aacute;rios esfor&ccedil;os no sentido    de aperfei&ccedil;oar os sistemas de informa&ccedil;&otilde;es em sa&uacute;de    de abrang&ecirc;ncia nacional. No caso espec&iacute;fico do SIH&#47SUS, este    trabalho mostrou que, nos hospitais estudados, a qualidade dos dados relacionados    ao IAM no Munic&iacute;pio ainda n&atilde;o &eacute; satisfat&oacute;ria, em    alguns aspectos: aus&ecirc;ncia de crit&eacute;rios para emiss&atilde;o da AIH    nas emerg&ecirc;ncias, inclusive entre hospitais vinculados ao um mesmo tipo    de prestador; subnotifica&ccedil;&atilde;o da ocorr&ecirc;ncia de &oacute;bito    na AIH; alto sub-registro do diagn&oacute;stico secund&aacute;rio; e problemas    relacionados &agrave; confiabilidade dos dados para algumas das vari&aacute;veis    da AIH.</font></p>      ]]></body>
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