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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Investigação da sífilis congênita na microrregião de Sumaré, Estado de São Paulo, Brasil - desvelando a fragilidade do cuidado à mulher gestante e ao recém-nascido]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Investigation of Congenital Syphilis in Sumaré Micro-region, State of São Paulo, Brazil - Unveiling the Fragile Points in Pregnant Women and Newborn Care]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The objective of this study was to analyze notified cases of congenital syphilis, and to identify the vulnerable points in the obstetric and postnatal attending related to disease incidence in Sumaré micro-region, State of São Paulo, Brazil. A retrospective descriptive study was made of 45 syphilis cases in newborns and abortions, from 2003 to 2005, including medical and epidemiological records review. It were identified problems with delaying in diagnosing to make the serological testing [Veneral Disease Research Laboratory (VDRL)] to detect syphilis during pregnancy; and a delay in exam and result flow, as well as inadequate or non-existent treatment for pregnant women and their partners. Newborn hospital investigation was fast (less than five days). There was no evidence of infected women and children follow up after birth. Data reflect difficulties, and inadequate obstetric services in Sumaré micro-region. The reference hospital has a role as regional sentinel unit for identifying syphilis cases not detected or even neglected in prenatal care.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[sífilis congênita]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b><a name="topo"></a>ARTIGO ORIGINAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><b>Investiga&ccedil;&atilde;o da s&iacute;filis    cong&ecirc;nita na microrregi&atilde;o de Sumar&eacute;, Estado de S&atilde;o    Paulo, Brasil &#8211; desvelando a fragilidade do cuidado &agrave; mulher gestante    e ao rec&eacute;m-nascido<sup><a href="#nota">*</a></sup></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Investigation of Congenital Syphilis in Sumar&eacute;    Micro-region, State of S&atilde;o Paulo, Brazil &#8211; Unveiling the Fragile    Points in Pregnant Women and Newborn Care</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Maria Rita Donal&iacute;sio<sup>I</sup>; June Barreiros    Freire<sup>II</sup>; Elisa Teixeira Mendes<sup>III</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup>I</sup>Departamento de Medicina Preventiva e Social,    Faculdade de Ci&ecirc;ncias M&eacute;dicas, Universidade Estadual de Campinas,    Campinas-SP,Brasil    <br>   <sup>II</sup>N&uacute;cleo de Sa&uacute;de P&uacute;blica, Hospital Estadual Sumar&eacute;,    Sumar&eacute;-SP, Brasil, Departamento    de Medicina Preventiva e Social, Faculdade de Ci&ecirc;ncias M&eacute;dicas,    Universidade Estadual de Campinas, Campinas-SP, Brasil    ]]></body>
<body><![CDATA[<br><sup>III</sup>Faculdade    de Medicina, Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de Campinas, Campinas-SP,    Brasil</font></p>     <p><a href="#endereco"><font size="2" face="verdana">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</font></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Resumo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O objetivo deste estudo foi investigar os casos    de s&iacute;filis cong&ecirc;nita notificados na microrregi&atilde;o de Sumar&eacute;,    Estado de S&atilde;o Paulo, Brasil, e identificar pontos vulner&aacute;veis    da assist&ecirc;ncia obst&eacute;trica e neonatal. Foi realizado estudo descritivo    retrospectivo dos 45 casos de s&iacute;filis cong&ecirc;nita no per&iacute;odo    de 2003 a 2005, mediante revis&atilde;o das fichas de notifica&ccedil;&atilde;o    epidemiol&oacute;gica e dos prontu&aacute;rios m&eacute;dicos. Identificou-se    atraso no diagn&oacute;stico sorol&oacute;gico n&atilde;o trepon&ecirc;mico    &#91;teste: Veneral Disease Research Laboratory (VDRL)&#93; durante o pr&eacute;-natal,    falhas no tratamento das gestantes infectadas e seus parceiros. A investiga&ccedil;&atilde;o    dos rec&eacute;m-nascidos no &acirc;mbito hospitalar foi &aacute;gil (primeiros    cinco dias). Faz refer&ecirc;ncia &agrave; falta de informa&ccedil;&otilde;es    sobre o seguimento da mulher e da crian&ccedil;a infectadas. O acesso aos servi&ccedil;os    parece n&atilde;o ser limitante, ao contr&aacute;rio da qualidade da aten&ccedil;&atilde;o.    Esses dados refletem dificuldades e inadequa&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os    de obstetr&iacute;cia na microrregi&atilde;o de Sumar&eacute;. Ressalta-se o    papel do hospital como unidade sentinela regional no diagn&oacute;stico de s&iacute;filis    n&atilde;o detectada ou, at&eacute; mesmo, negligenciada no pr&eacute;-natal.</font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana"><b>Palavras-chave</b>: s&iacute;filis cong&ecirc;nita;    vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica; doen&ccedil;as sexualmente transmiss&iacute;veis;    cuidado pr&eacute;-natal.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Summary</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> The objective of this study was to analyze notified    cases of congenital syphilis, and to identify the vulnerable points in the obstetric    and postnatal attending related to disease incidence in Sumar&eacute; micro-region,    State of S&atilde;o Paulo, Brazil. A retrospective descriptive study was made    of 45 syphilis cases in newborns and abortions, from 2003 to 2005, including    medical and epidemiological records review. It were identified problems with    delaying in diagnosing to make the serological testing &#91;Veneral Disease    Research Laboratory (VDRL)&#93; to detect syphilis during pregnancy; and a delay    in exam and result flow, as well as inadequate or non-existent treatment for    pregnant women and their partners. Newborn hospital investigation was fast (less    than five days). There was no evidence of infected women and children follow    up after birth. Data reflect difficulties, and inadequate obstetric services    in Sumar&eacute; micro-region. The reference hospital has a role as regional    sentinel unit for identifying syphilis cases not detected or even neglected    in prenatal care.</font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana"><b>Key words</b>: congenital syphilis; epidemiological    surveillance; sexually transmitted diseases; prenatal care.</font></p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A s&iacute;filis cong&ecirc;nita &eacute; causa    freq&uuml;ente de morbimortalidade perinatal. Trata-se de uma doen&ccedil;a    pass&iacute;vel de preven&ccedil;&atilde;o, de agente etiol&oacute;gico e modo    de transmiss&atilde;o conhecidos, cuja elimina&ccedil;&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel    desde que a mulher infectada pelo <i>Treponema pallidum</i> seja identificada    e tratada antes e durante a gesta&ccedil;&atilde;o; por&eacute;m o controle    da infec&ccedil;&atilde;o permanece como um grande desafio para os servi&ccedil;os    assistenciais e de vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica. Embora seja uma doen&ccedil;a    de notifica&ccedil;&atilde;o compuls&oacute;ria, informa&ccedil;&otilde;es sobre    sua incid&ecirc;ncia ainda s&atilde;o prec&aacute;rias e pouco confi&aacute;veis,    em raz&atilde;o da subnotifica&ccedil;&atilde;o de casos por ocasi&atilde;o    do parto, ademais da perda de seguimento do rec&eacute;m-nascido.<sup>1-3</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A partir de 1993, o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de    prop&ocirc;s a elimina&ccedil;&atilde;o da s&iacute;filis cong&ecirc;nita at&eacute;    o ano 2000. Para tanto, passou a indicar o rastreamento da doen&ccedil;a na    gravidez mediante o diagn&oacute;stico sorol&oacute;gico n&atilde;o trepon&ecirc;mico    &#91;teste: Veneral Disease Research Laboratory (VDRL)&#93;, como estrat&eacute;gia a    ser privilegiada.<sup>1,4</sup> As metas n&atilde;o foram atingidas. Estima-se que a preval&ecirc;ncia    m&eacute;dia da infec&ccedil;&atilde;o em gestantes no Pa&iacute;s esteja pr&oacute;xima    dos 3 a 4%, variando segundo regi&otilde;es.<sup>2,5</sup> Rodrigues e colaboradores (2004)    registraram 1,7% de preval&ecirc;ncia da doen&ccedil;a em pu&eacute;rperas de    maternidades de refer&ecirc;ncia, em 1999 e 2000.<sup>5</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Estima-se em 1,5 a 2,0 casos de s&iacute;filis    cong&ecirc;nita por   1.000 nascidos vivos no Brasil, entre 2000 e 2003.<sup>2</sup> Estat&iacute;sticas   oficiais de mortalidade, entretanto, sugerem   subnotifica&ccedil;&atilde;o de casos.<sup>5,6</sup> Saraceni e colaboradores   (2005) identificaram taxa de mortalidade perinatal   espec&iacute;fica para s&iacute;filis cong&ecirc;nita est&aacute;vel, de 0,76    por   1.000 nascimentos, no Rio de Janeiro, entre 1999 e   2002.<sup>3</sup> No per&iacute;odo de 1997 at&eacute; 2000, no Estado de S&atilde;o   Paulo, o Sistema de Informa&ccedil;&otilde;es sobre Mortalidade,   co-administrado no n&iacute;vel federal pela Secretaria de   Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de (SVS/MS) e pelo Departamento   de Inform&aacute;tica do SUS (Datasus/MS), do Minist&eacute;rio da   Sa&uacute;de (MS), notificou 21 &oacute;bitos por s&iacute;filis cong&ecirc;nita   em menores de um ano, m&eacute;dia de 5,3 &oacute;bitos/ano.   S&atilde;o Paulo, apesar de ser um dos Estados com maior   registro de casos de mortes por s&iacute;filis cong&ecirc;nita, onde   a investiga&ccedil;&atilde;o e notifica&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m s&atilde;o    mais freq&uuml;entes, <sup>7</sup> ainda apresenta sub-registro de morte por s&iacute;filis   cong&ecirc;nita em menores de um ano.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O sistema de vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica    da Regi&atilde;o   de Campinas (dois milh&otilde;es habitantes, distribu&iacute;dos em 42 Munic&iacute;pios)    registrou, em m&eacute;dia, 30 casos de   s&iacute;filis cong&ecirc;nita/ano, no per&iacute;odo de 1998 a 2003, constituindo   3,2% do total de casos notificados no Estado   de S&atilde;o Paulo. A despeito da grande subnotifica&ccedil;&atilde;o de   doen&ccedil;as sexualmente transmiss&iacute;veis (DST) na regi&atilde;o   e da precariedade das informa&ccedil;&otilde;es sobre s&iacute;filis cong&ecirc;nita,   registrou-se aumento do n&uacute;mero de casos em   rec&eacute;m-nascidos na microrregi&atilde;o de Sumar&eacute;, a partir   do segundo semestre de 2003.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A s&iacute;filis cong&ecirc;nita &eacute; poss&iacute;vel    de ser considerada   como um &quot;evento sentinela&quot;: sua ocorr&ecirc;ncia pode   revelar falhas na aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de da gestante relacionadas   ao diagn&oacute;stico, tratamento, investiga&ccedil;&atilde;o e/ou   notifica&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de ser um marcador da transmiss&atilde;o   entre adultos na comunidade.<sup>8,9</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O objetivo deste estudo foi analisar os casos    de   s&iacute;filis cong&ecirc;nita notificados em cinco Munic&iacute;pios da   microrregi&atilde;o de Sumar&eacute;, Estado de S&atilde;o Paulo, de 2003   a 2005, identificando pontos vulner&aacute;veis do programa   de atendimento pr&eacute;-natal, da assist&ecirc;ncia ao parto e ao   puerp&eacute;rio e da aten&ccedil;&atilde;o &agrave; crian&ccedil;a.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana"><b>Metodologia</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Foi realizado estudo retrospectivo descritivo    do perfil epidemiol&oacute;gico da s&iacute;filis cong&ecirc;nita em cinco Munic&iacute;pios    (Hortol&acirc;ndia, Monte-Mor, Nova Odessa, Santa B&aacute;rbara D'Oeste e Sumar&eacute;)    que perfazem um total de 630.000 habitantes, para a microrregi&atilde;o de Sumar&eacute;-SP,    aproximadamente. As informa&ccedil;&otilde;es foram obtidas a partir das fichas    de notifica&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica de s&iacute;filis cong&ecirc;nita    dispon&iacute;veis no Sistema Nacional de Agravos de Notifica&ccedil;&atilde;o    (Sinan) dos Munic&iacute;pios, bem como da Dire&ccedil;&atilde;o Regional de    Sa&uacute;de de Campinas DIRXII. <sup>10</sup> Tamb&eacute;m foram realizadas    visitas aos hospitais desses Munic&iacute;pios e busca ativa dos prontu&aacute;rios    de parturientes e rec&eacute;m-nascidos referentes &agrave;s notifica&ccedil;&otilde;es    do sistema de vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica local e regional. Foram    avaliadas informa&ccedil;&otilde;es de tr&ecirc;s hospitais gerais de pequeno    porte (menos de 70 leitos), entre os quatro existentes nos Munic&iacute;pios.    Para inclus&atilde;o no estudo, considerou-se caso de s&iacute;filis cong&ecirc;nita    aquele notificado segundo os novos crit&eacute;rios do Minist&eacute;rio da    Sa&uacute;de, estabelecidos em 2004. Ademais, os casos descartados de 2003 e    2004 foram revistos e inclu&iacute;dos quando satisfizessem o novo crit&eacute;rio:    &quot;<i>Este crit&eacute;rio considera caso de s&iacute;filis cong&ecirc;nita:    toda crian&ccedil;a, aborto ou natimorto de m&atilde;e com evid&ecirc;ncia cl&iacute;nica    de s&iacute;filis e/ou sorologia n&atilde;o trepon&ecirc;mica reagente para    s&iacute;filis, com qualquer titula&ccedil;&atilde;o, na aus&ecirc;ncia de teste    confirmat&oacute;rio trepon&ecirc;mico realizado durante o pr&eacute;-natal    ou no momento do parto ou curetagem, que n&atilde;o tenha sido tratado ou recebido    tratamento adequado.</i>&quot;<sup>11</sup> A principal modifica&ccedil;&atilde;o    proposta pelo novo crit&eacute;rio foi a de que dever-se-ia notificar todo caso    de s&iacute;filis cong&ecirc;nita; dessa forma, fora extinta a classifica&ccedil;&atilde;o    de caso presum&iacute;vel ou confirmado, ampliando- se a sensibilidade dos crit&eacute;rios    de defini&ccedil;&atilde;o de caso<sup>11</sup> e dispensando-se a notifica&ccedil;&atilde;o    de caso descartado. S&atilde;o considerados casos de s&iacute;filis cong&ecirc;nita,    para fins de vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica, &quot;<i>...todas as crian&ccedil;as    nascidas de m&atilde;e com s&iacute;filis (evid&ecirc;ncia cl&iacute;nica e/ou    laboratorial) diagnosticadas durante a gesta&ccedil;&atilde;o, parto ou puerp&eacute;rio,    e todo indiv&iacute;duo menor de 13 anos com suspeita cl&iacute;nica ou epidemiol&oacute;gica    de s&iacute;filis.</i>&quot;<sup>11</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A s&iacute;filis cong&ecirc;nita foi analisada    como um &quot;evento   sentinela&quot;, ou seja, que serve &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o de    pontos   fr&aacute;geis no atendimento e encaminhamento dos   pacientes.<sup>3,5,12</sup> Trata-se de uma pr&aacute;tica de avalia&ccedil;&atilde;o de   servi&ccedil;os de sa&uacute;de capaz de orientar novas interven&ccedil;&otilde;es   de impacto na qualidade da assist&ecirc;ncia.<sup>12,13</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Considerou-se como investiga&ccedil;&atilde;o    cl&iacute;nica e tratamento   adequado aqueles preconizados pelo Minist&eacute;rio   da Sa&uacute;de.<sup>6</sup> Para a gestante, recomenda-se a realiza&ccedil;&atilde;o   de VDRL no primeiro, no terceiro trimestre e no parto.   Quanto ao tratamento, indica-se: uso de penicilina   G benzatina 2.400.000 UI IM em s&iacute;filis prim&aacute;ria; na   s&iacute;filis secund&aacute;ria e latente, repeti&ccedil;&atilde;o da dose ap&oacute;s   uma semana; e na s&iacute;filis terci&aacute;ria e ignorada, repeti&ccedil;&atilde;o   da mesma dose ap&oacute;s uma e duas semanas. Para   o per&iacute;odo neonatal, considerou-se como investiga&ccedil;&atilde;o   adequada, al&eacute;m da sorologia n&atilde;o trepon&ecirc;mica de   sangue perif&eacute;rico, a realiza&ccedil;&atilde;o de radiografia de ossos   longos e a pun&ccedil;&atilde;o lombar de liquor. Para o tratamento   da crian&ccedil;a com altera&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas e/ou sorol&oacute;gicas   e/ou radiol&oacute;gicas, considerou-se adequado o uso de   penicilina cristalina 100.000 UI/Kg/dia EV por dez   dias; em casos com altera&ccedil;&otilde;es liqu&oacute;ricas, 150.000   UI/Kg/dia por 14 dias; e em crian&ccedil;as sem altera&ccedil;&otilde;es   radiol&oacute;gicas ou liqu&oacute;ricas e com sorologia negativa,   50.000 UI/Kg dose &uacute;nica IM.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As vari&aacute;veis estudadas foram idade materna,    escolaridade   e data da notifica&ccedil;&atilde;o; quanto ao pr&eacute;-natal,   verificou-se o n&uacute;mero de consultas, o trimestre de   in&iacute;cio, a associa&ccedil;&atilde;o com infec&ccedil;&atilde;o pelo v&iacute;rus    da imunodefici&ecirc;ncia humana (HIV), a ocasi&atilde;o da solicita&ccedil;&atilde;o   e os resultados das sorologias, a investiga&ccedil;&atilde;o e o   tratamento da gestante e dos parceiros; e sobre o   rec&eacute;m-nascido, peso ao nascer, sintomas, investiga&ccedil;&atilde;o   e seguimento cl&iacute;nico-sorol&oacute;gico pela rede b&aacute;sica de   sa&uacute;de dos Munic&iacute;pios.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A infec&ccedil;&atilde;o transplacent&aacute;ria    pelo <i>Treponema pallidum</i> foi identificada pelo teste VDRL, confirmada    pelo teste trepon&ecirc;mico Fluorescent Treponemal Antibody-absorption IgM    (FTA-abs) ou pelo ensaio imunoenzim&aacute;tico (Elisa-IgG) ou, ainda, pelo    teste de hemoaglutina&ccedil;&atilde;o indireta &#91;<i>Treponema pallidum</i>    Haemagglutination Test (TPHA)&#93; na gestante, por ocasi&atilde;o do parto.    A realiza&ccedil;&atilde;o de diferentes tipos de exames condicionou-se a sua    disponibilidade no laborat&oacute;rio de refer&ecirc;ncia. Os rec&eacute;m-nascidos    foram testados com o VDRL de sangue perif&eacute;rico e de liquor, segundo recomenda&ccedil;&otilde;es    do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, al&eacute;m de investiga&ccedil;&atilde;o    de ossos longos.<sup>6,11</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A partir da descri&ccedil;&atilde;o do perfil    dos casos, foi poss&iacute;vel   levantar algumas hip&oacute;teses de an&aacute;lise e iniciar um conjunto   de a&ccedil;&otilde;es de interven&ccedil;&atilde;o frente a essa situa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Considera&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Esta pesquisa foi submetida e aprovada pelo    Comit&ecirc;   de &Eacute;tica em Pesquisa da Faculdade de Ci&ecirc;ncias M&eacute;dicas   da Universidade Estadual de Campinas &#8211; processo   No 192/2005.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Resultados</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Foram registrados 45 casos de s&iacute;filis    cong&ecirc;nita na microrregi&atilde;o de Sumar&eacute;-SP, de janeiro de 2003    a dezembro de 2005 &#8211; entre eles, um caso de aborto relacionado &agrave;    infec&ccedil;&atilde;o pelo <i>Treponema pallidum</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A <a href="#fig1">Figura 1</a> apresenta um aumento    progressivo do diagn&oacute;stico de s&iacute;filis cong&ecirc;nita a partir    de 2003, na microrregi&atilde;o. Vale destacar que, em raz&atilde;o do pequeno    n&uacute;mero absoluto de casos, h&aacute; dificuldade na avalia&ccedil;&atilde;o    da tend&ecirc;ncia desse indicador.</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v16n3/3a03f1.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">A maioria das notifica&ccedil;&otilde;es, 41 (91,1%),    ocorreu   nos primeiros cinco dias ap&oacute;s o nascimento &#8211; mediana   de dois dias &#8211;, o que mostra um sistema alerta e &aacute;gil   na investiga&ccedil;&atilde;o dos casos em &acirc;mbito hospitalar. Ap&oacute;s   o in&iacute;cio de busca ativa, retrospectiva, de exames de   VDRL alterados, nos laborat&oacute;rios de patologia cl&iacute;nica   dos hospitais, realizou-se a notifica&ccedil;&atilde;o retroativa de   quatro casos: um ap&oacute;s 90 dias; dois ap&oacute;s 60; e um   aborto nos &uacute;ltimos 30 dias.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A idade m&eacute;dia de todas as gestantes foi    de 27,7   anos &#8211; mediana de 25; desvio-padr&atilde;o de 8,2 anos.   Informa&ccedil;&otilde;es sobre escolaridade materna coletadas de   prontu&aacute;rios e fichas de notifica&ccedil;&atilde;o indicam seis m&atilde;es   (13,4%) com at&eacute; tr&ecirc;s anos e 19 (42,2%) com quatro   a sete anos de escolaridade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Entre as 45 m&atilde;es estudadas, de 44 crian&ccedil;as    nascidas vivas e um aborto sucedido, identificou-se que 39 (86,7%) delas referiram    seguimento de pr&eacute;-natal; destas, 23 (59,0%) gestantes tiveram menos de    cinco consultas de pr&eacute;-natal registradas. Os dados do pr&eacute;-natal    das gestantes infectadas pelo <i>Treponema pallidum</i> mostraram-se prec&aacute;rios,    tanto nas fichas de notifica&ccedil;&atilde;o como nos prontu&aacute;rios m&eacute;dicos    dos hospitais: faltam informa&ccedil;&otilde;es sobre o in&iacute;cio e n&uacute;mero    de consultas no pr&eacute;-natal (mais de 50% sem informa&ccedil;&atilde;o),    n&atilde;o h&aacute; anota&ccedil;&atilde;o clara sobre o tratamento materno    ap&oacute;s sorologia positiva ou sobre tratamento do parceiro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A ocasi&atilde;o de pedido de exame VDRL &agrave;s    gestantes &eacute; apresentada na <a href="#tab1">Tabela 1</a>. H&aacute; registro    de 27 (60%) mulheres cujo exame de VDRL foi solicitado no primeiro trimestre    de gesta&ccedil;&atilde;o. Apenas nove gestantes (20%) realizaram teste n&atilde;o    trepon&ecirc;mico no primeiro e no terceiro trimestres de gesta&ccedil;&atilde;o    e no parto, conforme recomenda o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de.6 Em 37 gestantes    (82,2%), realizou-se pelo menos um teste trepon&ecirc;mico (FTA-abs ou Elisa-IgG    ou TPHA) para confirma&ccedil;&atilde;o sorol&oacute;gica.</font></p>     <p><a name="tab1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v16n3/3a03t1.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Sobre o tratamento das gestantes, nota-se imprecis&atilde;o    das anota&ccedil;&otilde;es das fichas epidemiol&oacute;gicas. Elas n&atilde;o    esclarecem se a notifica&ccedil;&atilde;o &eacute; referente a tratamento pr&eacute;vio,    durante a gesta&ccedil;&atilde;o ou durante a interna&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o    foi notificado qualquer caso de s&iacute;filis associado a infec&ccedil;&atilde;o    pelo HIV. A <a href="#tab2">Tabela 2</a> mostra que, em menos de 50% dos casos,    o tratamento da m&atilde;e, antes e ap&oacute;s o parto, foi registrado como    adequado. H&aacute; notifica&ccedil;&atilde;o de &quot;tratamento do parceiro&quot;,    supostamente adequado, em apenas duas fichas epidemiol&oacute;gicas (4,4%).</font></p>     <p><a name="tab2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v16n3/3a03t2.gif"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">As informa&ccedil;&otilde;es sobre a investiga&ccedil;&atilde;o,    sinais e sintomas cl&iacute;nicos, tratamento e seguimento dos rec&eacute;m-nascidos    encontram-se na <a href="#tab3">Tabela 3</a>.</font></p>     <p><a name="tab3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v16n3/3a03t3.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Entre as 44 fichas epidemiol&oacute;gicas e    prontu&aacute;rios analisados de nascidos vivos, constatou-se que 34 (77,3%)    rec&eacute;m-nascidos n&atilde;o apresentaram sintomas sugestivos de infec&ccedil;&atilde;o    trepon&ecirc;mica ao nascer, tampouco qualquer altera&ccedil;&atilde;o liqu&oacute;rica.    Os principais sintomas encontrados s&atilde;o apresentados na <a href="#tab4">Tabela    4</a>. A maioria das crian&ccedil;as (88,6%) recebeu o tratamento indicado pelo    Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. N&atilde;o h&aacute; fluxo estabelecido para    garantia e avalia&ccedil;&atilde;o de seguimento das gestantes ap&oacute;s o    parto, ou das crian&ccedil;as com sorologia positiva para s&iacute;filis ap&oacute;s    o nascimento.</font></p>     <p><a name="tab4"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v16n3/3a03t4.gif"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">O peso m&eacute;dio ao nascer foi de 3.016g;    seis nascidos   vivos apresentaram menos de 2.500g (13,6%) e quatro   eram prematuros &#8211; nascidos antes de 37 semanas de   gesta&ccedil;&atilde;o. Analisando-se apenas os 29 casos atendidos   pelo Servi&ccedil;o de Neonatologia do hospital de refer&ecirc;ncia   de Sumar&eacute; (Hospital Estadual Sumar&eacute;, &uacute;nico com disponibilidade   de dados) em 2004, identificou-se, entre   os casos de s&iacute;filis cong&ecirc;nita, 12,5% de sobre-risco para   baixo peso, percentual superior ao percentual m&eacute;dio de baixo peso registrado    naquele servi&ccedil;o hospitalar,   de 10,6%, para o mesmo ano.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Realizou-se sorologia n&atilde;o trepon&ecirc;mica    em 41   (93,2%) das crian&ccedil;as nascidas vivas de m&atilde;es com   VDRL positivo. Nos outros quatro casos, esse dado n&atilde;o   estava dispon&iacute;vel. Em 18 (40,9%) rec&eacute;m-nascidos,   o resultado do VDRL apresentava titula&ccedil;&atilde;o maior ou   igual a 1/4; em cinco casos (11,4%), esse resultado   era negativo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A elimina&ccedil;&atilde;o da s&iacute;filis    cong&ecirc;nita ainda n&atilde;o foi alcan&ccedil;ada   na regi&atilde;o de estudo, apesar da meta nacional   assumida em 1993, de aus&ecirc;ncia de registro de casos   novos a partir de 2000.<sup>1,6</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">N&atilde;o obstante a amplia&ccedil;&atilde;o    dos crit&eacute;rios de defini&ccedil;&atilde;o   de caso de s&iacute;filis cong&ecirc;nita para fins de vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica   a partir de 2004, identificou-se aumento de   casos nos &uacute;ltimos anos, na microrregi&atilde;o de Sumar&eacute;-SP,   sugerindo tratar-se de doen&ccedil;a n&atilde;o controlada, com   possibilidade de transmiss&atilde;o cong&ecirc;nita.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Vale lembrar que a melhora do sistema de busca   e de notifica&ccedil;&atilde;o de casos implica um &quot;aumento&quot; da   preval&ecirc;ncia/incid&ecirc;ncia, com base na subnotifica&ccedil;&atilde;o   anterior. A maior sensibilidade do crit&eacute;rio atual tamb&eacute;m   pode ter provocado o aumento das notifica&ccedil;&otilde;es,   embora a retrospectiva dos casos deste estudo tenha   incorporado o crit&eacute;rio atual para todo o per&iacute;odo   analisado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Entre os principais pontos fr&aacute;geis da    assist&ecirc;ncia e   preven&ccedil;&atilde;o da s&iacute;filis que foram identificados, cabe destacar:   atraso das sorologias solicitadas &agrave;s gestantes no   pr&eacute;-natal; investiga&ccedil;&atilde;o inadequada dos casos de s&iacute;filis   na gravidez; tratamento inadequado &#8211; ou inexistente   &#8211; das gestantes e seus parceiros; e falta de informa&ccedil;&otilde;es   sobre o seguimento de pu&eacute;rperas e crian&ccedil;as infectadas   ap&oacute;s o parto. Tamb&eacute;m se observaram dados incompletos   sobre pr&eacute;-natal e parto nos prontu&aacute;rios m&eacute;dicos e   fichas epidemiol&oacute;gicas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em muitos prontu&aacute;rios dos hospitais (exce&ccedil;&atilde;o    do   Hospital Estadual Sumar&eacute;), embora n&atilde;o tenham sido   encontrados exames subsidi&aacute;rios (liquor, RX, sorologias),   tampouco men&ccedil;&atilde;o de tratamento expl&iacute;cita nos   prontu&aacute;rios, h&aacute; que se considerar a possibilidade de que esses    procedimentos foram realizados mas n&atilde;o   foram registrados. A utiliza&ccedil;&atilde;o de dados secund&aacute;rios   em investiga&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica, particularmente de   prontu&aacute;rios m&eacute;dicos, traz limita&ccedil;&otilde;es &agrave;s conclus&otilde;es   do estudo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"> Muitos problemas dessa fonte de dados j&aacute;    foram suficientemente demonstrados: falta de registro de informa&ccedil;&otilde;es    cl&iacute;nicas e de exames subsidi&aacute;rios; subnotifica&ccedil;&atilde;o    de casos; falta de preenchimento de vari&aacute;veis; e discord&acirc;ncias    nas informa&ccedil;&otilde;es de fichas de notifica&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as.<sup>13,15</sup>    &Eacute; importante ressaltar, entretanto, a necessidade de investimentos no    aprimoramento da qualidade dos registros rotineiros dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de,    conferindo maior credibilidade &#8211; e poder de utiliza&ccedil;&atilde;o &#8211;    aos sistemas de informa&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Sobre a vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica,    ap&oacute;s a busca retrospectiva dos casos, tornou-se evidente a subnotifica&ccedil;&atilde;o    por parte dos servi&ccedil;os hospitalares e pela rede b&aacute;sica. Notaram-se,    tamb&eacute;m, incongru&ecirc;ncias entre os dados captados nos hospitais e    os notificados pelo sistema de vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica. A prop&oacute;sito,    o problema da subnotifica&ccedil;&atilde;o tem sido apontado por pesquisadores,    sobre v&aacute;rias regi&otilde;es do Brasil.<sup>1,2,13,15</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A despeito da gravidade da transmiss&atilde;o    cong&ecirc;nita,   observa-se uma precariedade de informa&ccedil;&otilde;es sobre   o pr&eacute;-natal na ficha de notifica&ccedil;&atilde;o e no prontu&aacute;rio   obst&eacute;trico, especialmente sobre detalhes que podem   revelar o diagn&oacute;stico tardio da s&iacute;filis e o tratamento   inexistente ou inadequado oferecido &agrave; gestante.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Entre as a&ccedil;&otilde;es desencadeadas por    esta investiga&ccedil;&atilde;o,   encontra-se a revis&atilde;o dos casos de s&iacute;filis em adultos e   de s&iacute;filis cong&ecirc;nita nos hospitais, em conjunto com a   equipe de vigil&acirc;ncia municipal, a&ccedil;&atilde;o que pode reduzir   a subnotifica&ccedil;&atilde;o de casos de aborto e s&iacute;filis cong&ecirc;nita   no &acirc;mbito regional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Entre as pacientes estudadas, o diagn&oacute;stico    foi   feito tardiamente. Mesmo em seguimento pr&eacute;-natal,   a maioria das gestantes n&atilde;o teve o VDRL realizado   conforme preconizado, ou seja, no primeiro trimestre   e in&iacute;cio do terceiro trimestre.<sup>6,14</sup> Das mulheres que   tiveram pelo menos um exame solicitado, a maioria   n&atilde;o foi tratada adequadamente. Esses dados indicam   a freq&uuml;ente perda de oportunidade de diagn&oacute;stico   e tratamento dessa doen&ccedil;a, de grave repercuss&atilde;o,   durante o atendimento pr&eacute;-natal.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A falta de tratamento oportuno das gestantes    sugere   o despreparo das equipes de sa&uacute;de diante de um   resultado positivo; ou deve-se a dificuldades para a   pronta informa&ccedil;&atilde;o do resultado do exame, apenas   dispon&iacute;vel nos meses subseq&uuml;entes ao pedido. Este   fato foi confirmado em reuni&atilde;o de gestores municipais,   cujo tema de pauta foi o atendimento obst&eacute;trico na rede   de servi&ccedil;os da microrregi&atilde;o de Sumar&eacute;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> As informa&ccedil;&otilde;es aqui relatadas    sugerem baixa qualidade   do atendimento &agrave; gestante no pr&eacute;-natal. Se o   acesso ao servi&ccedil;o &#8211; assim parece &#8211; n&atilde;o &eacute; limitado,    o   mesmo n&atilde;o se pode dizer da garantia de seguimento   cl&iacute;nico segundo o protocolo definido pelo Minist&eacute;rio   da Sa&uacute;de.<sup>14</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A partir de 2005, nos cinco Munic&iacute;pios    da microrregi&atilde;o,   o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de investiu no treinamento   das equipes obst&eacute;tricas, pedi&aacute;tricas e de vigil&acirc;ncia   epidemiol&oacute;gica. A aus&ecirc;ncia de tratamento para a quase   totalidade dos parceiros das gestantes com sorologia   positiva revela os riscos de reinfec&ccedil;&atilde;o dessas mulheres,   ainda que seu tratamento, durante o pr&eacute;-natal, fosse   adequado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Alguns autores t&ecirc;m constatado a aus&ecirc;ncia    dos homens nas unidades b&aacute;sicas de sa&uacute;de, explicada pelas caracter&iacute;sticas    de um atendimento pautado no enfoque materno-infantil. Ademais, homens procuram    por servi&ccedil;os que respondam com maior rapidez a suas demandas de sa&uacute;de,    como farm&aacute;cias e prontos-socorros.<sup>16</sup> Por isso, recomenda-se a abordagem    interdisciplinar das fam&iacute;lias, para garantir o seguimento dos casos,    ades&atilde;o ao tratamento e controle da circula&ccedil;&atilde;o do <i>Treponema    pallidum</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Embora haja refer&ecirc;ncia de tratamento adequado   dos beb&ecirc;s nos prontu&aacute;rios hospitalares, n&atilde;o h&aacute; registro,   nem garantia de seguimento cl&iacute;nico e sorol&oacute;gico   na rede. Na perspectiva da vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica,   especialmente, n&atilde;o h&aacute; informa&ccedil;&atilde;o sobre o seguimento   da m&atilde;e e da crian&ccedil;a para monitoriza&ccedil;&atilde;o de poss&iacute;vel   reinfe&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o-resposta &agrave; terap&ecirc;utica ou transmiss&atilde;o   vertical em futura gravidez.<sup>17,18</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Os casos investigados, embora em pequeno n&uacute;mero,   sugerem dificuldades no atendimento obst&eacute;trico   semelhantes &agrave;s encontradas nos servi&ccedil;os ambulatoriais   e hospitalares e em maternidades de outras regi&otilde;es   do Pa&iacute;s.<sup>2,3,8</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os hospitais podem ser considerados pelo sistema   de vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica como &quot;unidades de sa&uacute;de   sentinelas&quot;, cujo papel &eacute; estrat&eacute;gico para o diagn&oacute;stico   da s&iacute;filis n&atilde;o detectada ou mesmo negligenciada no pr&eacute;-natal.   A partir do hospital, pode se identificar e investigar   casos suspeitos e detectar, precocemente, falhas no   sistema de atendimento a quaisquer doen&ccedil;as que, por   sua gravidade, exigiram cuidados hospitalares.<sup>19</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Mais de 95% dos partos no Brasil ocorrem no   ambiente hospitalar. Se a rede de cuidados n&atilde;o for   capaz de detectar e tratar a s&iacute;filis na mulher gestante,   ter&aacute; mais uma oportunidade de o fazer no momento do   parto; e, o que &eacute; mais importante nesta etapa, poder&aacute;   constatar a transmiss&atilde;o vertical da s&iacute;filis e tratar os   rec&eacute;m-nascidos infectados para evitar a manifesta&ccedil;&atilde;o   da doen&ccedil;a ou reduzir suas seq&uuml;elas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Eis a situa&ccedil;&atilde;o da s&iacute;filis    cong&ecirc;nita, inicialmente   identificada no hospital, que possibilitou desencadear   a&ccedil;&otilde;es conjuntas entre as institui&ccedil;&otilde;es (rede b&aacute;sica,   vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica, os pr&oacute;prios hospitais) para   uma melhor capta&ccedil;&atilde;o e investiga&ccedil;&atilde;o dos casos de   s&iacute;filis cong&ecirc;nita e, principalmente, enfrentamento do   grande desafio de melhorar o atendimento obst&eacute;trico   na microrregi&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A maior interlocu&ccedil;&atilde;o dos hospitais    com a rede b&aacute;sica   dos Munic&iacute;pios pode auxiliar a atua&ccedil;&atilde;o da vigil&acirc;ncia   na identifica&ccedil;&atilde;o de situa&ccedil;&otilde;es de risco epidemiol&oacute;gico,   facilitando o seguimento, pela rede ambulatorial, dos pacientes atendidos no    hospital. Al&eacute;m disso, pode   permitir a avalia&ccedil;&atilde;o integrada das a&ccedil;&otilde;es de controle   de doen&ccedil;as na comunidade, sob responsabilidade de   diferentes inst&acirc;ncias do sistema p&uacute;blico de sa&uacute;de.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 1. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Secretaria    de Pol&iacute;ticas de Sa&uacute;de.   Bases t&eacute;cnicas para elimina&ccedil;&atilde;o da s&iacute;filis cong&ecirc;nita:   Bras&iacute;lia: MS; 1993.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 2. Valderrama J, Zacarias F, Mazin R. S&iacute;filis    materna y   s&iacute;filis cong&eacute;nita en Am&eacute;rica: un problema grave de   soluci&oacute;n sencilla. Revista Panamericana de la Salud   P&uacute;blica 2004;16:211-217.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 3. Saraceni V, Guimar&atilde;es MHF, Theme MM,    Leal MC.   Mortalidade perinatal por s&iacute;filis cong&ecirc;nita: indicador   da qualidade da aten&ccedil;&atilde;o &agrave; mulher e &agrave; crian&ccedil;a.   Cadernos de Sa&uacute;de P&uacute;blica 2005;21:1244-1250.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 4. Centers for Disease Control and Prevention.   Guidelines for Treatment of Sexually Transmitted   Diseases. MMWR 1998;47:RR-1.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 5. Rodrigues CS, Guimar&atilde;es MDC e Grupo    Nacional de   Estudo sobre S&iacute;filis Cong&ecirc;nita. Positividade para s&iacute;filis   em pu&eacute;rperas: ainda um desafio para o Brasil. Revista   Panamericana de Salud P&uacute;blica 2004;16:168-175.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 6. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Coordena&ccedil;&atilde;o    Nacional de DST   e AIDS. Projeto de elimina&ccedil;&atilde;o da s&iacute;filis cong&ecirc;nita.   Manual de assist&ecirc;ncia e vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica.   Bras&iacute;lia: MS; 1998.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 7. Secretaria Estadual de Sa&uacute;de de S&atilde;o    Paulo. Centro   de Refer&ecirc;ncia DST-Aids. A vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica   da s&iacute;filis cong&ecirc;nita no Estado de S&atilde;o Paulo. Boletim   Epidemiol&oacute;gico DST/AIDS 2004;6:2-19.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 8. Lorenzi DRS, Madi JM. S&iacute;filis cong&ecirc;nita    como   indicador de assist&ecirc;ncia pr&eacute;-natal. Revista Brasileira   de Ginecologia e Obstetr&iacute;cia 2001;23:647-652.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 9. Duarte G, Gir E, Almeida AM, Hayashida M,    Zanetti   ML. Morte fetal por s&iacute;filis: avalia&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica   realizada em Ribeir&atilde;o Preto, Brasil. Boletim da   Oficina Sanit&aacute;ria Panamericana 1994;116:290-297.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 10. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Sistema    Nacional de Notifica&ccedil;&atilde;o   de Agravos. Dire&ccedil;&atilde;o Regional de Sa&uacute;de -12. S&atilde;o   Paulo: Secretaria Estadual de Sa&uacute;de; 2006.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">11. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Vigil&acirc;ncia    epidemiol&oacute;gica   da s&iacute;filis cong&ecirc;nita no Brasil: defini&ccedil;&atilde;o de   casos 2004. Boletim Epidemiol&oacute;gico AIDST   2004; 1:12-17.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 12. Hartz ZMA, Contandriopoulus AP. Integralidade   da aten&ccedil;&atilde;o e integra&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os de sa&uacute;de:   desafios para avaliar a implanta&ccedil;&atilde;o de   um sistema sem muros. Cadernos de Sa&uacute;de   P&uacute;blica 2004;20(supl 2): S331-S336.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 13. Saraceni V, Leal MC. Avalia&ccedil;&atilde;o    da efetividade   das campanhas para elimina&ccedil;&atilde;o da s&iacute;filis cong&ecirc;nita   na redu&ccedil;&atilde;o da morbimortalidade perinatal -   1999-2000. Cadernos de Sa&uacute;de P&uacute;blica   2003;19: 1341-1349.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 14. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Secretaria    de Pol&iacute;ticas de Sa&uacute;de.   S&iacute;filis cong&ecirc;nita: diretrizes para o controle.   Bras&iacute;lia: MS; 2005.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 15. Schramm JMA, Szwarcwald CL. Sistema   hospitalar como fonte de informa&ccedil;&otilde;es para   estimar a mortalidade neonatal e a natimortalidade.   Revista de Sa&uacute;de P&uacute;blica 2000;   34:272-279.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 16. Figueiredo W. 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Epidemiologia e Servi&ccedil;os de Sa&uacute;de   2003; 12:21-28.</font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b><a name="endereco"></a><a href="#topo"><img src="/img/revistas/ess/v16n3/seta.gif" border="0"></a>Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia:</b>    <br>   Hospital Estadual Sumar&eacute;,    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   N&uacute;cleo de Sa&uacute;de P&uacute;blica,    <br>   Av. da Amizade, 2400,    <br>   Sumar&eacute;-SP, Brasil.    <br>   CEP: 13175-490    <br>   <i>E-mail</i>:<a href="mailto:donalisi@fcm.unicamp.br">donalisi@fcm.unicamp.br</a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Recebido em 31/03/2006    <br>   Aprovado em 23/02/2007</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup><a name="nota"></a><a href="#topo">*</a></sup>Estudo    financiado com recursos da Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa    do Estado de S&atilde;o Paulo &#8211; Bolsa de Inicia&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica    &#8211;, </font><font size="2" face="Verdana">Processo 05/53811-0</font></p>     ]]></body>
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