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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Ensaio comunitário para avaliação da efetividade de estratégias de prevenção e controle da leishmaniose visceral humana no Município de Feira de Santana, Estado da Bahia, Brasil]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The purpose of this study was to evaluate strategies of prevention and control of human visceral leishmaniasis in a cohort of infants between 0 and 12 years of age in an endemic area in The Municipality of Feira de Santana, State of Bahia, Brazil. The incidence of infection was evaluated through seroepidemiologic surveys in three areas identified as: a) control area; b) area submitted to insecticide spraying; and c) area submitted to the combination of insecticide spraying with screening and elimination of seropositive dogs. Overall, 2,362 infants were evaluated: 688 in the first area, 782 in the second one and 892 in the third area. The density incidence rate of the infection was of 2.74, 2.51 and 1.94 cases/100 child-year, in the controls areas, in the areas submitted to insecticide spraying, and in the areas where both insecticide spraying and screening and elimination of dogs were performed, respectively. Using the controls areas as reference, the relative risk for infection in the areas with one intervention was 0.99 (CI95%: 0.46-2.10); and with the combination of two interventions, of 0.74 (CI95%: 0.34-1.62). Although the data suggest a reduction of the incidence of infection in the intervention areas, this difference was not statistically significant.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[epidemiologia]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></font></p>     <p align="right">&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><b><a name="topo"></a>Ensaio comunit&aacute;rio    para avalia&ccedil;&atilde;o da efetividade de estrat&eacute;gias de preven&ccedil;&atilde;o    e controle da leishmaniose visceral humana no Munic&iacute;pio de Feira de Santana,    Estado da Bahia, Brasil<a href="#nota"><sup>*</sup></a></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b><font size="3">Communitary assay for assessment    of effectiveness of strategies for prevention and control of human visceral    leishmaniasis in the Municipality of Feira de Santana, State of Bahia, Brazil</font></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Verena Maria Mendes de Souza; Fred da Silva    Juli&atilde;o; Raimundo Celestino Silva Neves; Pricila Brito Magalh&atilde;es;    Tiago Villaronga Bisinotto; Andr&eacute; de Souza Lima; Simone Souza de Oliveira;    Edson Duarte Moreira J&uacute;nior</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Centro de Pesquisa Gon&ccedil;alo Moniz, Funda&ccedil;&atilde;o    Oswaldo Cruz, Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, Salvador-BA, Brasil</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Este trabalho teve como objetivo avaliar estrat&eacute;gias    de preven&ccedil;&atilde;o e controle da leishmaniose visceral humana em coorte    de crian&ccedil;as entre zero e 12 anos de idade em uma &aacute;rea end&ecirc;mica    do Munic&iacute;pio de Feira de Santana, Estado da Bahia, Brasil. A incid&ecirc;ncia    de infec&ccedil;&atilde;o foi avaliada mediante inqu&eacute;ritos soroepidemiol&oacute;gicos    em tr&ecirc;s &aacute;reas identificadas como: a) &aacute;rea-controle; b) &aacute;rea    submetida a borrifa&ccedil;&atilde;o com inseticida; e c) &aacute;rea submetida    &agrave; combina&ccedil;&atilde;o de borrifa&ccedil;&atilde;o com inseticida    e triagem com elimina&ccedil;&atilde;o de c&atilde;es soropositivos. Ao todo,    foram avaliadas 2.362 crian&ccedil;as: 688 na primeira &aacute;rea, 782 na segunda    e 892 na terceira &aacute;rea. A densidade de incid&ecirc;ncia da infec&ccedil;&atilde;o    foi de 2,74, 2,51 e 1,94 casos/100 crian&ccedil;as-ano, nas &aacute;reas-controle,    &aacute;reas submetidas &agrave; borrifa&ccedil;&atilde;o e &aacute;reas submetidas    &agrave; borrifa&ccedil;&atilde;o e triagem com elimina&ccedil;&atilde;o de    c&atilde;es, respectivamente. Considerando-se como refer&ecirc;ncia as &aacute;reas-controle,    o risco relativo para infec&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas com uma interven&ccedil;&atilde;o    foi de 0,99 (IC<sub>95%</sub> 0,46-2,10); e com a combina&ccedil;&atilde;o de duas interven&ccedil;&otilde;es,    de 0,74 (IC<sub>95%</sub>: 0,34-1,62). Embora os dados sugiram uma redu&ccedil;&atilde;o    da incid&ecirc;ncia de infec&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas de interven&ccedil;&atilde;o,    essa diferen&ccedil;a n&atilde;o foi significativa, estatisticamente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> <b>Palavras-chave:</b> epidemiologia; estudo    de coorte; leishmaniose visceral; incid&ecirc;ncia.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>SUMMARY</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> The purpose of this study was to evaluate strategies    of prevention and control of human visceral leishmaniasis in   a cohort of infants between 0 and 12 years of age in an endemic area in The    Municipality of Feira de Santana, State   of Bahia, Brazil. The incidence of infection was evaluated through seroepidemiologic    surveys in three areas identified   as: a) control area; b) area submitted to insecticide spraying; and c) area    submitted to the combination of insecticide   spraying with screening and elimination of seropositive dogs. Overall, 2,362    infants were evaluated: 688 in the first   area, 782 in the second one and 892 in the third area. The density incidence    rate of the infection was of 2.74, 2.51 and   1.94 cases/100 child-year, in the controls areas, in the areas submitted to    insecticide spraying, and in the areas where   both insecticide spraying and screening and elimination of dogs were performed,    respectively. Using the controls areas   as reference, the relative risk for infection in the areas with one intervention    was 0.99 (CI<sub>95%</sub>: 0.46-2.10); and with the   combination of two interventions, of 0.74 (CI<sub>95%</sub>: 0.34-1.62). Although the data    suggest a reduction of the incidence of   infection in the intervention areas, this difference was not statistically significant.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> <b>Key words</b>: epidemiology; cohort study;    visceral leishmaniasis; incidence.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A leishmaniose visceral americana (LVA) &eacute;    causada pelo protozo&aacute;rio <i>Leishmania chagasi</i>, sendo os flebotom&iacute;neos    do complexo <i>Lutzomyia longipalpis</i> os vetores da infec&ccedil;&atilde;o    no Brasil. Embora esses vetores se alimentem em distintos animais, raposas e    c&atilde;es dom&eacute;sticos s&atilde;o os reservat&oacute;rios mais importantes    do parasito.<SUP>1-4</SUP> A doen&ccedil;a &eacute; end&ecirc;mica em v&aacute;rias    regi&otilde;es do chamado Novo Mundo e mais de 90% dos casos de LVA s&atilde;o    registrados no Brasil. No per&iacute;odo de 2001 a 2006, foram notificados 20.635    casos no pa&iacute;s: 4.526 em 2006, dos quais 52,9% (2.393) no Nordeste brasileiro.    J&aacute; a Regi&atilde;o Sudeste, onde 18,5% (835) dos casos foram registrados,    vem apresentando um acr&eacute;scimo nas notifica&ccedil;&otilde;es.<SUP>5-7</SUP>    Outra macrorregi&atilde;o que tamb&eacute;m vem se destacando no cen&aacute;rio    nacional &eacute; a Centro-Oeste, onde foram notificados 15,0% (680) dos casos    de leishmaniose visceral (LV) no Brasil.<SUP>7</SUP></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> H&aacute; v&aacute;rios fatores envolvidos na    emerg&ecirc;ncia de LVA como problema de Sa&uacute;de P&uacute;blica. Entre    eles, registram-se as constantes altera&ccedil;&otilde;es ecol&oacute;gicas    e demogr&aacute;ficas manifestas na regi&atilde;o neotropical. A destrui&ccedil;&atilde;o    maci&ccedil;a de florestas prim&aacute;rias, o r&aacute;pido crescimento populacional    e o estabelecimento de novos povoados rurais t&ecirc;m alterado o ciclo natural    silvestre da <i>L. chagasi</i>. Essas condi&ccedil;&otilde;es aumentam as popula&ccedil;&otilde;es    de insetos vetores e os reservat&oacute;rios do parasito.<SUP>8</SUP> Como os    <i>Lu. longipalpis</i> se adaptam facilmente a diferentes ambientes, a epidemiologia    da LVA tem se modificado no decurso do tempo. A constante migra&ccedil;&atilde;o    interna dos habitantes de &aacute;reas rurais para os centros urbanos tem provocado    um aumento desordenado das grandes cidades, com aglomerados subnormais densamente    povoados e de prec&aacute;rias condi&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias. O    fato de os migrantes trazerem consigo seus animais dom&eacute;sticos (c&atilde;es,    porcos, galinhas, etc.) e os manterem no peridomic&iacute;lio tem aumentado,    significativamente, a densidade populacional de <i>Lu. longipalpis</i> em &aacute;rea    urbana.<SUP>9-11</SUP></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Em teoria, &eacute; poss&iacute;vel erradicar    a LVA interrompendo-se o ciclo de transmiss&atilde;o do parasito. Os m&eacute;todos    convencionais de controle da doen&ccedil;a at&eacute; agora empregados, entretanto,    n&atilde;o se mostraram efetivos para deter sua expans&atilde;o.<SUP>12-14</SUP>    O n&uacute;mero crescente de casos de LVA e a ocorr&ecirc;ncia de casos novos    em &aacute;reas n&atilde;o end&ecirc;micas da periferia de grandes metr&oacute;poles    brasileiras apontam para a necessidade do estabelecimento de programas de a&ccedil;&atilde;o    e controle dessa endemia mais efetivos, para os quais o conhecimento da hist&oacute;ria    natural da infec&ccedil;&atilde;o por <i>L. chagasi</i> &eacute; essencial.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O objetivo deste trabalho foi testar duas interven&ccedil;&otilde;es    para controle da LVA, uma baseada no uso de inseticidas para combater o vetor,    e a outra, na combina&ccedil;&atilde;o dessa medida com a triagem e elimina&ccedil;&atilde;o    de c&atilde;es infectados.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Metodologia</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A &aacute;rea de estudo escolhida foi o Munic&iacute;pio    de Feira de Santana, situado a 109km do Munic&iacute;pio de Salvador, capital    do Estado da Bahia. Considerada &aacute;rea end&ecirc;mica para leishmaniose    visceral, Feira de Santana-BA foi respons&aacute;vel, no per&iacute;odo de 2000    a 2003, pela notifica&ccedil;&atilde;o de 343 casos.<SUP>15</SUP> Dados preliminares    da an&aacute;lise desses casos indicaram que, embora a doen&ccedil;a ocorra    em toda a &aacute;rea urbana do Munic&iacute;pio, sua maior concentra&ccedil;&atilde;o    encontra-se nos bairros de baixa renda e de ocupa&ccedil;&atilde;o recente.<SUP>15,16</SUP></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O estudo foi realizado em dois bairros do Munic&iacute;pio,   Cara&iacute;bas/Campo do Gado Novo e Gabriela, ambos   com caracter&iacute;sticas sociodemogr&aacute;ficas semelhantes   e, aproximadamente, a mesma preval&ecirc;ncia de LV   humana e canina.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Foram convidadas a participar do estudo as crian&ccedil;as   residentes com idade entre nove meses e 12 anos, de   ambos os sexos, sem evid&ecirc;ncia de infec&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via    e   cujos respons&aacute;veis autorizassem sua participa&ccedil;&atilde;o. Nos   domic&iacute;lios onde se constatou a presen&ccedil;a de mais de   uma crian&ccedil;a que preenchesse os pr&eacute;-requisitos citados,   apenas uma foi escolhida. O crit&eacute;rio de sele&ccedil;&atilde;o   usado foi a data de nascimento mais pr&oacute;xima &agrave; data   de entrevista dos inqu&eacute;ritos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"> Antes de iniciar a pesquisa propriamente dita,   promoveu-se um estudo-piloto nas &aacute;reas candidatas   &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o do projeto visando avaliar aspectos cr&iacute;ticos   para a condu&ccedil;&atilde;o do estudo e tornar poss&iacute;vel a   preven&ccedil;&atilde;o e/ou minimiza&ccedil;&atilde;o dos potenciais problemas   log&iacute;sticos e operacionais. Os resultados desse estudo   preliminar foram &uacute;teis para a tomada de decis&otilde;es na   condu&ccedil;&atilde;o do estudo principal.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O estudo principal constituiu-se de um ensaio    comunit&aacute;rio em que cada um dos dois bairros escolhidos foi dividido em    tr&ecirc;s &aacute;reas, cada uma delas alocada, aleatoriamente, para um dos    tipos de interven&ccedil;&atilde;o: borrifa&ccedil;&atilde;o de inseticida piretr&oacute;ide    (&aacute;rea de interven&ccedil;&atilde;o I); borrifa&ccedil;&atilde;o de inseticida    associada a triagem e elimina&ccedil;&atilde;o de c&atilde;es (&aacute;rea de    interven&ccedil;&atilde;o II); ou apenas para acompanhamento da popula&ccedil;&atilde;o    (&aacute;rea-controle). O evento de interesse (ou desfecho principal) do estudo    foi a soroconvers&atilde;o detectada no teste imunoenzim&aacute;tico (ELISA:    <i>enzyme-linked immunosorbent assay</i>) realizado a cada inqu&eacute;rito.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Inicialmente, conduziu-se um inqu&eacute;rito    de corte transversal para levantamento da preval&ecirc;ncia de infec&ccedil;&atilde;o    por <i>Leishmania</i> nas crian&ccedil;as, mediante a intradermorrea&ccedil;&atilde;o    de Montenegro (IDRM) e/ou o teste ELISA. As crian&ccedil;as negativas para infec&ccedil;&atilde;o    por essa primeira avalia&ccedil;&atilde;o foram agrupadas em uma coorte e acompanhadas,    prospectivamente, por dois inqu&eacute;ritos soroepidemiol&oacute;gicos realizados    em todas as &aacute;reas do estudo, a intervalos aproximados de 12 meses. No    segundo inqu&eacute;rito, crian&ccedil;as que haviam imigrado para a &aacute;rea    do estudo ou nascido durante esse intervalo de tempo entre os dois inqu&eacute;ritos,    desde que atendessem os pr&eacute;-requisitos do estudo, puderam ser inclu&iacute;das    nele. Assim, da mesma forma como novas crian&ccedil;as vieram a participar da    coorte, eventualmente, algumas j&aacute; acompanhadas foram perdidas ao longo    do estudo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Para o inqu&eacute;rito, utilizou-se um question&aacute;rio    estruturado,   desenvolvido e validado pela mesma equipe   respons&aacute;vel, em projeto anterior desenvolvido na   mesma &aacute;rea tem&aacute;tica. Ele serviu &agrave; coleta de informa&ccedil;&otilde;es   demogr&aacute;ficas, socioecon&ocirc;micas, antecedentes   m&eacute;dicos, h&aacute;bitos de vida e outros fatores de risco   para leishmaniose. Os entrevistadores foram treinados,   supervisionados e reavaliados periodicamente, no   decorrer do trabalho de coleta dos dados, pela mesma   equipe que desenvolveu o question&aacute;rio. Algumas   vari&aacute;veis contidas nos question&aacute;rio foram avaliadas   mediante inspe&ccedil;&atilde;o do entrevistador.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O sangue das crian&ccedil;as participantes do    estudo foi   coletado por enfermeiros ou auxiliares de enfermagem   devidamente capacitados. Em cada indiv&iacute;duo,   fez-se assepsia do local com &aacute;lcool e, em seguida,   foram colhidos, aproximadamente, cinco mililitros   (5ml) de sangue para a sorologia. Esse material foi   processado e armazenado no Laborat&oacute;rio de Sa&uacute;de   P&uacute;blica da II Diretoria Regional de Sa&uacute;de do Estado   (II Dires). O teste ELISA foi realizado no Centro de   Pesquisa Gon&ccedil;alo Moniz, da Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz   em sua unidade da Bahia, e os resultados repassados &agrave;   Secretaria Municipal de Sa&uacute;de de Feira de Santana-BA,   para um acompanhamento diferenciado das crian&ccedil;as   sororreagentes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Avalia&ccedil;&atilde;o da infec&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> <b>Ensaio imunoenzim&aacute;tico (ELISA)</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para determinar a presen&ccedil;a de anticorpos    anti-<i>leishmania</i> nos inqu&eacute;ritos, os autores adotaram o ensaio imunoenzim&aacute;tico    &#8211; ELISA &#8211; de acordo com o protocolo utilizado e padronizado pelo    Centro de Pesquisa Gon&ccedil;alo Moniz/Fiocruz/BA,<SUP>17</SUP> usando como    ant&iacute;geno um lisado de <i>Leishmania chagasi</i> para sensibiliza&ccedil;&atilde;o    da placa. Em cada placa, foram realizados controles positivo e negativo, todos    em duplicata, assim como as amostras. Os resultados positivos eram retestados    ao menos uma vez.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Resumidamente, a placa foi sensibilizada com    100&micro;l do ant&iacute;geno espec&iacute;fico para cada esp&eacute;cie. Ap&oacute;s    a sensibiliza&ccedil;&atilde;o, a placa era lavada por tr&ecirc;s vezes, com    PBS-Tween 0,05%. Depois das lavagens, a placa era bloqueada com BSA 2,5%, depositando-se    150 &micro;l por cavidade e incubando-se durante uma hora, a 37<SUP>o</SUP>C.    Ap&oacute;s a incuba&ccedil;&atilde;o, a placa era lavada novamente e, logo,    colocados 100&micro;l dos soros dilu&iacute;dos em tamp&atilde;o, para incuba&ccedil;&atilde;o    por uma hora, a 37<SUP>o</SUP>C. Em seguida, realizavam-se novas lavagens. Ent&atilde;o,    colocava-se o conjugado nos po&ccedil;os da placa, incubando-se por mais uma    hora, a 37<SUP>o</SUP>C. Repetiam-se novas lavagens ap&oacute;s incubar. Aplicava-se    100&micro;l do substrato deixando incubar ao abrigo da luz por 30 a 45 minutos,    interrompendo-se a rea&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s este &uacute;ltimo procedimento.    A leitura foi feita em espectrofot&ocirc;metro com filtro de 490nm. Considerou-se    resultado sororreativo para o soro que apresentou densidade &oacute;tica superior    ou igual &agrave; m&eacute;dia mais tr&ecirc;s desvios-padr&atilde;o do resultado    de um painel de pacientes negativos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Intradermorrea&ccedil;&atilde;o de Montenegro    (IDRM)</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"> Constitui uma resposta de hipersensibilidade    celular   tardia. Em &aacute;reas end&ecirc;micas, deve-se considerar   leishmaniose anterior ou exposi&ccedil;&atilde;o ao parasito (infec&ccedil;&atilde;o)   sem doen&ccedil;a. Para realizar o teste, 0,2ml de   ant&iacute;geno de promastigotas (fornecidos pelo Instituto   Osvaldo Cruz de Biomanguinhos, Rio de Janeiro-RJ)   foram introduzidos na derme (aplica&ccedil;&atilde;o intrad&eacute;rmica)   da face anterior medial proximal do antebra&ccedil;o,   atrav&eacute;s de seringa e agulhas descart&aacute;veis de insulina.   No local da aplica&ccedil;&atilde;o, foi feita assepsia com &aacute;lcool e   injetado o ant&iacute;geno at&eacute; que se formasse uma pequena   rea&ccedil;&atilde;o na pele (casca de laranja). Recomendou-se   aos respons&aacute;veis das crian&ccedil;as n&atilde;o permitir que elas   co&ccedil;assem o local, nem o lavassem com sab&atilde;o ou   produto similar. Passadas 48 horas da aplica&ccedil;&atilde;o,   realizou-se a leitura conforme o m&eacute;todo alternativo   preconizado pela Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de   (OMS),<SUP>18</SUP> que consiste em correr com ponta de caneta   esferogr&aacute;fica azul ou preta da periferia em dire&ccedil;&atilde;o &agrave;   &aacute;rea endurada e ent&atilde;o parar, isso nas quatro dire&ccedil;&otilde;es.   Em seguida, o di&acirc;metro foi medido: as crian&ccedil;as que   possu&iacute;am uma endura&ccedil;&atilde;o igual ou superior a 5mm   foram consideradas reativas e, portanto, n&atilde;o fizeram   parte do estudo de coorte. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Inqu&eacute;rito entomol&oacute;gico</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A investiga&ccedil;&atilde;o entomol&oacute;gica    teve por objetivos (I) verificar a presen&ccedil;a do <i>Lutzomyia longipalpis</i>,    inseto respons&aacute;vel pela transmiss&atilde;o da LV, e (II) confirmar a    &aacute;rea como de transmiss&atilde;o aut&oacute;ctone. A presen&ccedil;a de    vetores foi aferida anualmente, mediante inqu&eacute;ritos entomol&oacute;gicos,    usando-se armadilhas luminosas do tipo indicado pelos Centers for Disease Control    and Prevention dos Estados Unidos da Am&eacute;rica (CDC/ Atlanta-GA/EUA), colocadas    em m&uacute;ltiplos pontos de captura estrategicamente dispersos na &aacute;rea    de estudo &#8211; no intra e peridomic&iacute;lio &#8211;, conforme preconizado    pelo Manual de Vigil&acirc;ncia e Controle da Leishmaniose Visceral.<sup>19</sup> As armadilhas    foram instaladas por volta das 16h00min, mantidas at&eacute; o in&iacute;cio    da manh&atilde; seguinte e retiradas, preferencialmente, antes das 07h00min    da manh&atilde;, por tr&ecirc;s noites consecutivas. Esse inqu&eacute;rito coube    aos t&eacute;cnicos respons&aacute;veis do setor de entomologia da Secretaria    Municipal de Sa&uacute;de de Salvador-BA. A identifica&ccedil;&atilde;o dos    esp&eacute;cimes encontrados foi feita no laborat&oacute;rio do Centro de Pesquisa    Gon&ccedil;alo Moniz/Fiocruz/BA.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Interven&ccedil;&otilde;es</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Borrifa&ccedil;&atilde;o de inseticidas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A borrifa&ccedil;&atilde;o de inseticida com    efeito residual foi realizada pela equipe da vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica    do Munic&iacute;pio (II Dires), a cada seis meses, em todos os domic&iacute;lios    das &aacute;reas de interven&ccedil;&atilde;o I e II. Os piretr&oacute;ides    mais utilizados foram cipermetrina, na formula&ccedil;&atilde;o de p&oacute;    molh&aacute;vel, e deltametrina, em suspens&otilde;es concentradas, ambos usados    nas doses respectivas de 125mg/m<SUP>2</SUP> e 25mg/m<sup>2</sup>. Essa solu&ccedil;&atilde;o    foi colocada em equipamento de compress&atilde;o constante ('bomba costal');    e a borrifa&ccedil;&atilde;o, realizada nas paredes internas e externas do domic&iacute;lio    &#8211; incluindo o teto &#8211; e no peridomic&iacute;lio, principalmente nos    abrigos de animais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Triagem dos c&atilde;es</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Os c&atilde;es foram selecionados mediante quatro    inqu&eacute;ritos   soroepidemiol&oacute;gicos, a intervalos aproximados de   seis meses. Em cada inqu&eacute;rito, foi coletado o sangue de   aproximadamente 300 c&atilde;es das &aacute;reas de interven&ccedil;&atilde;o    II,   para realiza&ccedil;&atilde;o do teste ELISA. Essa coleta foi realizada   em parceria com os agentes de sa&uacute;de da prefeitura local.   Para os inqu&eacute;ritos, as equipes de campo receberam   todo material necess&aacute;rio &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o do trabalho.    Para   a coleta do sangue, inicialmente, os c&atilde;es eram contidos   com focinheiras pelos propriet&aacute;rios ou pelos t&eacute;cnicos e,   ap&oacute;s assepsia do pesco&ccedil;o ou pata com &aacute;lcool, colhia-se,   aproximadamente, 10ml do sangue da veia jugular ou   radial, para sorologia. O material colhido era processado   e armazenado no Laborat&oacute;rio de Sa&uacute;de P&uacute;blica   da II Dires, para posterior utiliza&ccedil;&atilde;o. A sorologia foi   feita no Centro de Pesquisa Gon&ccedil;alo Moniz/Fiocruz/BA,   usando-se o teste ELISA, semelhante ao das crian&ccedil;as,   para detec&ccedil;&atilde;o de anticorpos. O resultado dos c&atilde;es sororreagentes   era repassado &agrave; vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica,   para que esses animais fossem recolhidos e levados a   local apropriado para eutan&aacute;sia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Elimina&ccedil;&atilde;o dos c&atilde;es</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Entre a coleta, a sorologia e a retirada dos    animais   da &aacute;rea, passavam-se, no m&aacute;ximo, 15 dias. A elimina&ccedil;&atilde;o   dos c&atilde;es foi feita por m&eacute;dicos veterin&aacute;rios, em   local tranq&uuml;ilo e afastado de outros animais, utilizando-   se anestesia geral pr&eacute;via e introdu&ccedil;&atilde;o, por via   endovenosa ou intracard&iacute;aca, de cloreto de pot&aacute;ssio   (KCl) hipersaturado. Quando da necropsia, realizou-se   pun&ccedil;&atilde;o espl&ecirc;nica e foram colhidos fragmentos de pele (orelha    e focinho) e linfonodos, para isolamento do   parasito mediante cultura e exames histopatol&oacute;gicos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><b>An&aacute;lise estat&iacute;stica</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> As informa&ccedil;&otilde;es, coletadas mediante    question&aacute;rios   pr&eacute;-codificados, e os resultados dos testes de laborat&oacute;rio   foram compilados em banco de dados, pelo   programa Epi Info vers&atilde;o 6.04, utilizando-se sistema de   verifica&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica de erros. Em seguida, o banco   de informa&ccedil;&otilde;es foi editado. Essa etapa compreendeu   a aferi&ccedil;&atilde;o da qualidade do processo de entrada de   dados e a corre&ccedil;&atilde;o dos erros detectados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> As freq&uuml;&ecirc;ncias das vari&aacute;veis    foram computadas com as respectivas distribui&ccedil;&otilde;es estratificadas    por cada &aacute;rea de estudo (controle e interven&ccedil;&otilde;es). A preval&ecirc;ncia    no inqu&eacute;rito inicial foi calculada dividindo o n&uacute;mero de crian&ccedil;as    positivas pelo total da amostra avaliada. A densidade de incid&ecirc;ncia foi    calculada dividindo o n&uacute;mero de novas infec&ccedil;&otilde;es (definidas    como soro convers&otilde;es durante o seguimento) pelo n&uacute;mero total de    crian&ccedil;as-ano de seguimento em cada uma das tr&ecirc;s &aacute;reas do    estudo. As taxas de incid&ecirc;ncia foram comparadas pelo c&aacute;lculo de    risco relativo (RR), com os respectivos intervalos de confian&ccedil;a de 95%    calculados pelo programa RATES II.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Considera&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O estudo foi elaborado e executado segundo as    diretrizes e normas que regem as pesquisas envolvendo seres humanos, uma vez    aprovado pelo comit&ecirc; de &Eacute;tica em Pesquisa do Centro de Pesquisa    Gon&ccedil;alo Moniz, da unidade da Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz no Estado    da Bahia. Todos os respons&aacute;veis pelos participantes do estudo assinaram    Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, explicativo da natureza e dos objetivos    da pesquisa, em linguagem apropriada ao n&iacute;vel educacional da popula&ccedil;&atilde;o-alvo.    Os potenciais riscos associados ao &uacute;nico procedimento invasivo do protocolo    (coleta de sangue por venopun&ccedil;&atilde;o) foram minimizados pelo uso de    material est&eacute;ril, descart&aacute;vel, por pessoal capacitado. Os participantes    foram beneficiados com o diagn&oacute;stico e encaminhamento precoce dos casos    de LV para acompanhamento espec&iacute;fico pelo centro de refer&ecirc;ncia    do Munic&iacute;pio. No banco de dados, com informa&ccedil;&otilde;es demogr&aacute;ficas    e cl&iacute;nicas da pesquisa, de acesso limitado, os nomes dos participantes    foram substitu&iacute;dos por c&oacute;digos, para evitar quebra do sigilo das    informa&ccedil;&otilde;es armazenadas e garantir a privacidade dos entrevistados.    Segundo os princ&iacute;pios &eacute;ticos internacionais, todo c&atilde;o que    participou do estudo foi tratado de maneira &quot;humanit&aacute;ria&quot;,    por t&eacute;cnicos e por pessoal qualificado, principalmente nos momentos de    captura e eutan&aacute;sia, sob supervis&atilde;o de m&eacute;dicos veterin&aacute;rios.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Resultados</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No inqu&eacute;rito inicial de corte transversal,    estes autores encontraram uma preval&ecirc;ncia de 14,9% de infec&ccedil;&atilde;o    pr&eacute;via por <i>Leishmania</i>, sendo 0,4% detectada tanto pelo teste de    ELISA quanto pela intradermorrea&ccedil;&atilde;o de Montenegro, 2,4% apenas    pelo teste ELISA e 12,1% apenas pela IDRM.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> No ensaio comunit&aacute;rio, ao todo, foram    avaliadas 2.362 crian&ccedil;as: 688 nas &aacute;reas-controle; 782 nas &aacute;reas    de interven&ccedil;&atilde;o I; e 892 nas &aacute;reas de interven&ccedil;&atilde;o    II. Um sum&aacute;rio do fluxo de participantes da coorte &eacute; apresentado    na <a href="#fig1">Figura 1</a>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="fig1"></a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v17n2/2a03f1.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"> As principais caracter&iacute;sticas sociodemogr&aacute;ficas    da popula&ccedil;&atilde;o do estudo em cada &aacute;rea est&atilde;o compiladas    na <a href="#tab1">Tabela 1</a>. No momento da inclus&atilde;o na coorte, a    m&eacute;dia de idade das crian&ccedil;as foi de seis anos, variando de nove    meses a 12 anos &#8211; desvio-padr&atilde;o de 3,6. Nas &aacute;reas, aproximadamente    50% das crian&ccedil;as eram do sexo masculino. Em 36% dos domic&iacute;lios    das &aacute;reas-controle, havia tr&ecirc;s ou mais crian&ccedil;as, bem como    em 35% das &aacute;reas I e em 44% das &aacute;reas II. Cerca de 80% das fam&iacute;lias    moravam em domic&iacute;lio pr&oacute;prio, cujos chefes possu&iacute;am escolaridade    equivalente ao 1<sup>o</sup> Grau e renda aproximada de um sal&aacute;rio m&iacute;nimo.    O uso de mosquiteiro &agrave; noite foi relatado por 53,2%, 58,4% e 45,5% das    crian&ccedil;as das &aacute;reas-controle, de interven&ccedil;&atilde;o I e    de interven&ccedil;&atilde;o II, respectivamente. Observou-se maior freq&uuml;&ecirc;ncia    de domic&iacute;lios com tr&ecirc;s ou mais crian&ccedil;as, chefes de fam&iacute;lia    analfabetos e n&atilde;o-utiliza&ccedil;&atilde;o de mosquiteiros nas &aacute;reas    submetidas &agrave; interven&ccedil;&atilde;o II, quando comparadas &agrave;s    &aacute;reas-controle e de interven&ccedil;&atilde;o I. Em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de animais dom&eacute;sticos, c&atilde;es foram    os mais comuns, presentes em 45,5%, 33%, e 39% dos domic&iacute;lios, seguidos    de galinhas, com aproximadamente metade da freq&uuml;&ecirc;ncia: 20,5%, 11,6    e 16,3%, respectivamente nas &aacute;reas-controles, de interven&ccedil;&atilde;o    I e de interven&ccedil;&atilde;o II. De maneira geral, as &aacute;reas-controle    apresentaram maior percentual de resid&ecirc;ncias com presen&ccedil;a desses    animais, comparativamente &agrave;s &aacute;reas de interven&ccedil;&atilde;o    I e II.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="tab1"></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v17n2/2a03t1.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">As densidades de incid&ecirc;ncia da infec&ccedil;&atilde;o    por <i>Leishmania</i>, com os respectivos riscos relativos encontrados, tanto    nas an&aacute;lises ajustadas mediante an&aacute;lises multivariadas (Regress&atilde;o    de COX) quanto nas n&atilde;o ajustadas, por tipo-&aacute;rea de interven&ccedil;&atilde;o,    por per&iacute;odo do estudo, s&atilde;o mostradas na <a href="#tab2">Tabela    2</a>. Durante o primeiro ano do estudo, a densidade de incid&ecirc;ncia entre    as &aacute;reas-controle (3,76), de interven&ccedil;&atilde;o I (3,52) e de    interven&ccedil;&atilde;o II (3,17) apresentou pouca diferen&ccedil;a. Considerando-se    as &aacute;reas-controle como refer&ecirc;ncia, houve uma redu&ccedil;&atilde;o    de 6% na incid&ecirc;ncia de infec&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas I (RR:    0,94/IC<sub>95%</sub>: 0,34-2,58) e de 16% nas &aacute;reas II (RR: 0,84/IC<sub>95%</sub>:    0,31-2,33). J&aacute; no segundo ano de estudo, as densidades de incid&ecirc;ncia    encontradas entre as &aacute;reas apresentaram maior diferen&ccedil;a, principalmente    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s &aacute;reas de interven&ccedil;&atilde;o    II, nas quais houve uma redu&ccedil;&atilde;o de 45% (RR: 0,55/IC<sub>95%</sub>:    0,15-1,94) na incid&ecirc;ncia de infec&ccedil;&atilde;o, enquanto nas &aacute;reas    I, essa redu&ccedil;&atilde;o foi de apenas 5% (RR: 0,95/IC<sub>95%</sub>95%:    0,31-2,94). No per&iacute;odo total, observou-se, assim como no primeiro ano,    densidade de incid&ecirc;ncia semelhante nas &aacute;reas-controle e de interven&ccedil;&atilde;o    I; e menor nas &aacute;reas de interven&ccedil;&atilde;o II. Comparando-se com    as &aacute;reas-controle, houve uma redu&ccedil;&atilde;o de 8% na incid&ecirc;ncia    de infec&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas de interven&ccedil;&atilde;o I (RR:    0,92/IC<sub>95%</sub>: 0,43-1,95), enquanto nas &aacute;reas de interven&ccedil;&atilde;o    II, essa redu&ccedil;&atilde;o foi mais acentuada, de 29% (RR: 0,71/IC<sub>95%</sub>:    0,32-1,55). As diferen&ccedil;as observadas, entretanto, n&atilde;o foram significantes    estatisticamente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="tab2"></a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v17n2/2a03t2.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nas an&aacute;lises multivariadas, outrossim,    os dados permaneceram n&atilde;o significativos estatisticamente: n&atilde;o    houve diferen&ccedil;as not&aacute;veis, quando comparadas com as an&aacute;lises    n&atilde;o ajustadas. Nas &aacute;reas de interven&ccedil;&atilde;o I, tanto    no primeiro ano quanto no per&iacute;odo total do estudo, n&atilde;o se observou    associa&ccedil;&atilde;o. J&aacute; as &aacute;reas de interven&ccedil;&atilde;o    II mantiveram uma associa&ccedil;&atilde;o protetora em todos os per&iacute;odos    do estudo, apresentando um menor risco no segundo ano, com uma redu&ccedil;&atilde;o    da incid&ecirc;ncia de infec&ccedil;&atilde;o de 44%.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na avalia&ccedil;&atilde;o inicial, a evid&ecirc;ncia    de infec&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via por <i>Leishmania</i> (14,9%) foi semelhante    &agrave; preval&ecirc;ncia reportada por Caldas e colaboradores (2001)<sup>20</sup> em    estudo realizado no Munic&iacute;pio de S&atilde;o Lu&iacute;s, capital do Estado    do Maranh&atilde;o: 18,6% e 13,5% segundo o teste de Montenegro e o ELISA, respectivamente.    Em outro estudo, tamb&eacute;m realizado no Maranh&atilde;o, por Nascimento    e colaboradores (2005),<sup>21</sup> a preval&ecirc;ncia encontrada, contudo, foi de 61,7%    pelo teste de Montenegro, 19,4% pelo teste RK39 e 19,7% pelo ELISA.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A densidade de incid&ecirc;ncia global de infec&ccedil;&atilde;o    na   popula&ccedil;&atilde;o estudada (2,47/100 crian&ccedil;as-ano) foi menor   que a incid&ecirc;ncia anual encontrada por Badar&oacute; e   colaboradores (1986)<sup>22</sup> (4.3/1.000 crian&ccedil;as-ano) em   &aacute;rea end&ecirc;mica do Estado da Bahia, onde a popula&ccedil;&atilde;o   tamb&eacute;m inclu&iacute;a crian&ccedil;as com menos de 15 anos de   idade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As taxas de incid&ecirc;ncia nas &aacute;reas    submetidas a interven&ccedil;&atilde;o   de borrifa&ccedil;&atilde;o de inseticidas, seja isoladamente   ou em combina&ccedil;&atilde;o com a triagem e elimina&ccedil;&atilde;o de   c&atilde;es soropositivos, foram menores do que a incid&ecirc;ncia   observada nas &aacute;reas-controle. Apesar de os dados   deste estudo indicarem uma redu&ccedil;&atilde;o em torno de 30%   na incid&ecirc;ncia de novos casos de infec&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas   de interven&ccedil;&atilde;o, essa diminui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foi significativa   estatisticamente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O efeito protetor da triagem e elimina&ccedil;&atilde;o    de c&atilde;es   encontra fundamento no conhecimento atual sobre a   transmiss&atilde;o dessa infec&ccedil;&atilde;o. Ao retirar c&atilde;es infectados,    reduz-se a quantidade de fontes de infec&ccedil;&atilde;o para os   fleb&oacute;tomos. Estudos referem, entretanto, n&atilde;o haver   correla&ccedil;&atilde;o entre a preval&ecirc;ncia de infec&ccedil;&atilde;o    canina e a   incid&ecirc;ncia de casos humanos, sugerindo a exist&ecirc;ncia   de outros poss&iacute;veis fatores de interfer&ecirc;ncia na efetividade   dessa medida.<sup>15,23-26</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"> Quanto &agrave; borrifa&ccedil;&atilde;o, apesar    de ser um m&eacute;todo   custoso e &#8211; muitas vezes &#8211; dificultado pela pr&oacute;pria popula&ccedil;&atilde;o   quando se recusa a colaborar com os agentes   de sa&uacute;de, pesquisas demonstram que se trata de um   m&eacute;todo capaz de produzir bons resultados no controle   da leishmaniose visceral, sendo, a partir de 2002,   considerado como principal prioridade do Programa   Nacional de Controle de Leishmanioses, da Secretaria   de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de.<sup>27</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; importante destacar que, apesar dos    esfor&ccedil;os para escolher &aacute;reas dos bairros end&ecirc;micos com caracter&iacute;sticas    sociodemogr&aacute;ficas e ambientais semelhantes, foram identificadas algumas    diferen&ccedil;as entre elas. Essas diferen&ccedil;as, por estarem associadas    a um maior risco de infec&ccedil;&atilde;o por <i>Leishmania</i>, podem ter    operado como vari&aacute;veis de confus&atilde;o, embora houvessem sido controladas    nas an&aacute;lises ajustadas. Ademais, durante o per&iacute;odo do estudo,    houve redu&ccedil;&atilde;o importante do n&uacute;mero de casos de leishmaniose    visceral americana em rela&ccedil;&atilde;o ao n&uacute;mero historicamente    observado nessa &aacute;rea end&ecirc;mica. &Eacute; natural, portanto, que    se espere um n&uacute;mero menor de soroconvers&otilde;es no mesmo per&iacute;odo,    como tamb&eacute;m &eacute; poss&iacute;vel que o pequeno n&uacute;mero de casos    novos identificados ao longo da avalia&ccedil;&atilde;o tenha diminu&iacute;do    o poder estat&iacute;stico do estudo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Apesar de os dados apresentados n&atilde;o terem    signific&acirc;ncia estat&iacute;stica, sugerem que as medidas de borrifa&ccedil;&atilde;o    de inseticidas, t&atilde;o-somente, ou &#8211; principalmente &#8211; quando    associadas &agrave; triagem e elimina&ccedil;&atilde;o de c&atilde;es em &aacute;rea    end&ecirc;mica, s&atilde;o capazes de reduzir a incid&ecirc;ncia de infec&ccedil;&atilde;o    em crian&ccedil;as. Novos estudos, por&eacute;m, devem ser realizados, com amostra    maior, para confirmar a efetividade dessas medidas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Agradecimentos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Agradecemos &agrave; Prefeitura Municipal de    Feira de Santana-BA, especialmente &agrave; Sra. Denise Mascarenhas, Secret&aacute;ria    de Sa&uacute;de do Munic&iacute;pio, pelo apoio ao projeto. E a todos os t&eacute;cnicos    de enfermagem que colaboraram nos inqu&eacute;ritos e captura dos animais, principalmente    aos Srs. Carlos Fernando Lisboa Lobo, Jailton Batista e Jo&atilde;o B. de Oliveira,    pela ajuda imprescind&iacute;vel ao desenvolvimento deste trabalho.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">1. Deane LM, Deane MP. Sobre a biologia do <i>Phlebotomus    longipalpis</i> transmissor de leishmaniose visceral, em &aacute;rea end&ecirc;mica    do Cear&aacute;. I. Distribui&ccedil;&atilde;o, predomin&acirc;ncia e varia&ccedil;&atilde;o    estacional. Revista Brasileira de Biologia 1955a;15:83-95.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 2. Deane LM, Deane MP. Observa&ccedil;&otilde;es    preliminares sobre a import&acirc;ncia comparativa do homem, c&atilde;o e da    raposa (<i>Lycalopex vetulus</i>) como reservat&oacute;rio de <i>Leishmania    donovani</i> em &aacute;rea end&ecirc;mica do calazar, no Cear&aacute;. O Hospital    1955b;48:61-76.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 3. Deane LM, Deane MP. Visceral leishmaniasis    in Brazil:   geographical distribution and transmission. Revista   do Instituto de Medicina Tropical de S&atilde;o Paulo   1962;4:198-212.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 4. Lainson R, Shaw JJ. 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Mudan&ccedil;as no controle    da   leishmaniose visceral no Brasil. Revista da Sociedade   Brasileira de Medicina Tropical 2001;34(2):223-228.</font><p>&nbsp; </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b><a name="endereco"></a><a href="#topo"><img src="/img/revistas/ess/v17n2/seta.gif" border="0"></a>Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia:</b>    <br>   Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz,    <br>   Centro de Pesquisa Gon&ccedil;alo Moniz,    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Rua Waldemar Falc&atilde;o, 121,    <br>   Candeal, Salvador-BA, Brasil.    <br>   CEP:40295-001    <br>   E-mail:<a href="mailto:verena.vet@ig.com.br">verena.vet@ig.com.br</a> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Recebido em 16/04/2007    <br>   Aprovado em 31/12/2007</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup><a name="nota"></a><a href="#topo">*</a></sup>Pesquisa    financiada com recursos do Centro Nacional de Epidemiologia da Funda&ccedil;&atilde;o    Nacional de Sa&uacute;de, atual Secretaria de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de    do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. </font></p>      ]]></body><back>
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