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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Avaliação da qualidade do rastreamento de HIV/aids e sífilis na assistência pré-natal]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p align="right">&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>PR&Ecirc;MIO DE INCENTIVO AO    DESENVOLVIMENTO E &Agrave; APLICA&Ccedil;&Atilde;O DA EPIDEMIOLOGIA NO SUS 1&ordm;    LUGAR DOUTORADO</b></font></p>     <p align="right">&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><b>Avalia&ccedil;&atilde;o da qualidade do rastreamento    de HIV/aids e s&iacute;filis na assist&ecirc;ncia pr&eacute;-natal</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Bruno Gil de Carvalho Lima;</b> <b>Maria da    Concei&ccedil;&atilde;o Nascimento Costa; Maria In&ecirc;s Costa Dourado</b>    <b>(Orientadoras)</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Instituto de Sa&uacute;de Coletiva, Universidade    Federal da Bahia, Salvador-BA, Brasil</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A assist&ecirc;ncia pr&eacute;-natal (APN) &eacute;    um dos pilares do cuidado &agrave; sa&uacute;de materno-infantil, cuja relev&acirc;ncia    para a   redu&ccedil;&atilde;o da morbimortalidade materna e neonatal j&aacute; se encontra    estabelecida. In&uacute;meras evid&ecirc;ncias indicam que o   adequado acompanhamento antenatal &eacute; um importante fator de diminui&ccedil;&atilde;o    da incid&ecirc;ncia de baixo peso ao nascer,   prematuridade e &oacute;bito perinatal. Para atingir seus prop&oacute;sitos,    &eacute; necess&aacute;rio que a assist&ecirc;ncia oferecida cumpra   requisitos m&iacute;nimos. Tradicionalmente, o n&uacute;mero de consultas e    a &eacute;poca de in&iacute;cio do acompanhamento t&ecirc;m sido os   indicadores mais comumente empregados na avalia&ccedil;&atilde;o da APN. Embora    seja imprescind&iacute;vel garantir a realiza&ccedil;&atilde;o   das consultas pr&eacute;-natais em n&uacute;mero e precocidade recomendados,    &eacute; tamb&eacute;m necess&aacute;rio que elas sejam de boa   qualidade no que diz respeito ao conte&uacute;do, aspecto que tem sido negligenciado.    Constatam-se oportunidades   e obst&aacute;culos diversos para o acesso aos servi&ccedil;os de sa&uacute;de,    a depender do n&iacute;vel de renda. Essas desigualdades,   que n&atilde;o se restringem aos desfechos em sa&uacute;de, influenciam o processo    de presta&ccedil;&atilde;o do cuidado, cuja qualidade   t&eacute;cnica &eacute; inferior para parcelas menos abastadas da popula&ccedil;&atilde;o.    A defini&ccedil;&atilde;o do que seja uma assist&ecirc;ncia pr&eacute;-natal   de qualidade encontra obst&aacute;culos na natureza m&uacute;ltipla da pr&oacute;pria    APN, constitu&iacute;da de diversas a&ccedil;&otilde;es a serem   oferecidas em momentos oportunos, ao longo da gesta&ccedil;&atilde;o: algumas    universalmente; outras, voltadas a grupos   identificados como de risco aumentado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&Iacute;ndices de utiliza&ccedil;&atilde;o do    pr&eacute;-natal t&ecirc;m sido propostos, embora a avalia&ccedil;&atilde;o    em sa&uacute;de possa ter uma abrang&ecirc;ncia mais ampla que a simples medida    do uso dos servi&ccedil;os. S&atilde;o pontos pass&iacute;veis de an&aacute;lise    avaliativa as conex&otilde;es entre objetivos, recursos, servi&ccedil;os-bens-atividades,    efeitos e contexto, reconhecendo-se os atores sociais atuantes no processo de    presta&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o de sa&uacute;de. No Brasil, s&atilde;o    muitas as pesquisas que caracterizam a assist&ecirc;ncia pr&eacute;-natal em    termos de precocidade de in&iacute;cio e total de visitas; menos freq&uuml;entes    s&atilde;o as investiga&ccedil;&otilde;es que consideram a realiza&ccedil;&atilde;o    de medidas semiol&oacute;gicas intra e interconsultas. Das a&ccedil;&otilde;es    a serem realizadas entre consultas, o rastreamento de infec&ccedil;&otilde;es    verticalmente transmiss&iacute;veis &eacute; uma das interven&ccedil;&otilde;es    com possibilidade de maior impacto sobre a sa&uacute;de perinatal: &agrave;    identifica&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a, pode-se seguir o tratamento eficaz    visando &agrave; cura materna ou preven&ccedil;&atilde;o da infec&ccedil;&atilde;o    fetal. A quest&atilde;o das desigualdades sociais em sa&uacute;de &eacute; um    dos temas centrais em debate no campo da sa&uacute;de coletiva. Embora, no Brasil,    o Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de, o SUS, disponibilize os testes para    o rastreamento do HIV e da s&iacute;filis entre toda a popula&ccedil;&atilde;o,    reconhece-se que o acesso aos servi&ccedil;os de sa&uacute;de envolve uma multiplicidade    de fatores: geogr&aacute;ficos, custos e adequa&ccedil;&atilde;o entre os servi&ccedil;os    e as necessidades, entre outros que caracterizam a acessibilidade, al&eacute;m    do papel do usu&aacute;rio e de seu c&iacute;rculo de rela&ccedil;&otilde;es    sociais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Objetivos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> I. Descrever aspectos relativos &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o    da APN em uma amostra de gestantes em unidades de sa&uacute;de da   rede pr&oacute;pria e credenciadas ao SUS, verificando a exist&ecirc;ncia de    rela&ccedil;&atilde;o entre a distribui&ccedil;&atilde;o das caracter&iacute;sticas   analisadas e renda.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> II. Avaliar a qualidade t&eacute;cnica da APN    prestada a uma amostra de gestantes do Munic&iacute;pio de Salvador, Estado    da Bahia (BA), elaborando crit&eacute;rios de adequa&ccedil;&atilde;o relativos    ao rastreamento da infec&ccedil;&atilde;o por HIV e <i>T. pallidum</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> III. Verificar a exist&ecirc;ncia de associa&ccedil;&atilde;o    entre o n&iacute;vel socioecon&ocirc;mico de gestantes usu&aacute;rias do SUS    e a realiza&ccedil;&atilde;o do rastreamento pr&eacute;-natal de HIV e <i>T.    pallidum</i>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana"><b>Metodologia</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Foi realizado um estudo de corte transversal    em popula&ccedil;&atilde;o constitu&iacute;da de gestantes assistidas por servi&ccedil;os    de   pr&eacute;-natal em Salvador-BA, que tiveram seu parto realizado entre outubro    de 2005 e setembro de 2006, em todos os   hospitais e maternidades do SUS no Munic&iacute;pio. O tamanho amostral de 1.138    pacientes foi definido pelo aplicativo   Epi Info. A distribui&ccedil;&atilde;o da amostra, por partilha proporcional    entre as unidades, baseou-se em informa&ccedil;&otilde;es da   Secretaria Municipal de Sa&uacute;de sobre o n&uacute;mero de partos realizados    em 2002.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A coleta de dados ocorria nos dias &uacute;teis,    consecutivamente, sendo eleg&iacute;veis todas as pu&eacute;rperas que se encontrassem    nos leitos reservados &agrave; assist&ecirc;ncia p&oacute;s-parto, independentemente    da idade gestacional. Os dados foram obtidos mediante entrevista e levantamento    no cart&atilde;o de pr&eacute;-natal, laudos de exames e outros registros, como    cart&otilde;es de vacina&ccedil;&atilde;o e de agendamento de consultas. As    informa&ccedil;&otilde;es foram anotadas em question&aacute;rios individuais,    preenchidos na presen&ccedil;a da paciente. A equipe de coleta, composta de    estudantes de enfermagem previamente treinadas, explicava a cada uma delas os    objetivos da pesquisa, garantindo o anonimato e a impessoalidade das informa&ccedil;&otilde;es    fornecidas e solicitando, em seguida, a assinatura de Termo de Consentimento    Livre e Esclarecido. O projeto desta pesquisa foi submetido ao Comit&ecirc;    de &Eacute;tica em Pesquisa do Instituto de Sa&uacute;de Coletiva da Universidade    Federal da Bahia (UFBa) e aprovado em abril de 2005. Foram estudadas vari&aacute;veis    como idade, grau de instru&ccedil;&atilde;o, estado civil, renda, posi&ccedil;&atilde;o    no domic&iacute;lio, hist&oacute;ria obst&eacute;trica, oportunidade da gesta&ccedil;&atilde;o,    uso de contraceptivo ao engravidar, local de realiza&ccedil;&atilde;o do pr&eacute;-natal,    datas da &uacute;ltima menstrua&ccedil;&atilde;o e da primeira consulta, n&uacute;mero    total de consultas, realiza&ccedil;&atilde;o de exames de rastreamento da infec&ccedil;&atilde;o    por HIV e s&iacute;filis. Foi realizado um painel Delphi com o prop&oacute;sito    de definir crit&eacute;rios para classifica&ccedil;&atilde;o da APN como 'Adequada',    'Parcialmente adequada' ou 'Inadequada' no que diz respeito &agrave;s condutas    dirigidas ao diagn&oacute;stico da infec&ccedil;&atilde;o por HIV e <i>T. pallidum</i>    com base nos protocolos do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Esses crit&eacute;rios    foram adaptados &agrave;s possibilidades das redes ambulatorial e laboratorial    de Salvador-BA, aplicados a cada um dos casos e comparados &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o    por um &iacute;ndice de utiliza&ccedil;&atilde;o e pelo Programa de Humaniza&ccedil;&atilde;o    no Pr&eacute;-Natal e Nascimento (PHPN). Para atender ao terceiro objetivo,    foram utilizados como indicadores o rastreamento pr&eacute;-natal do HIV e da    s&iacute;filis (propor&ccedil;&atilde;o de gestantes que fizeram ao menos um    teste diagn&oacute;stico), n&iacute;vel socioecon&ocirc;mico, oportunidade da    gesta&ccedil;&atilde;o, paridade, propor&ccedil;&atilde;o de gestantes que iniciaram    a APN no 1<sup>o</sup> trimestre, escolaridade, cor, financiamento do pr&eacute;-natal,    susceptibilidade percebida, severidade percebida e benef&iacute;cios percebidos.    Foram utilizados modelos de regress&atilde;o log&iacute;stica multinomial incondicional    tipo <i>backward</i>, considerando-se um grupo de poss&iacute;veis covari&aacute;veis    sociais e outro de cren&ccedil;as de sa&uacute;de. Avaliou-se presen&ccedil;a    de intera&ccedil;&atilde;o (teste da raz&atilde;o de verossimilhan&ccedil;a    com &#945;&lt;5%) e de confundimento (diferen&ccedil;a maior que 10% entre a medida    de associa&ccedil;&atilde;o bruta e a ajustada).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"> <b>Resultados</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Do total de pu&eacute;rperas, quase 1/5 eram    adolescentes, a maioria casada ou em uni&atilde;o est&aacute;vel, e 90,1% eram    pardas ou negras. Mais da metade delas completou o ensino fundamental, 50% eram    prim&iacute;paras, apenas 30% tinham programado a gesta&ccedil;&atilde;o e 1/3    estavam em uso de contraceptivo ao engravidar. A metade n&atilde;o tinha fonte    de renda e, para 2/3 delas, o chefe da fam&iacute;lia era o c&ocirc;njuge. Entre    as 490 pacientes com ganhos, a mediana da renda foi de R$350,00. Informaram    terem sido assistidas em unidade de atendimento gratuito 87% das pacientes.    Quase 36% n&atilde;o tiveram suas mamas examinadas e 34,6% n&atilde;o foram    submetidas a exame dos genitais. A maioria afirmou que tinha oportunidade para    tirar d&uacute;vidas com o profissional assistente (84,4%), que ele explicava    os resultados dos exames (85,9%) e a import&acirc;ncia do Cart&atilde;o da Gestante    (72,3%); e que foram questionadas sobre antecedentes de doen&ccedil;as sexualmente    transmiss&iacute;veis (DST), vida sexual, uso de drogas e hemotransfus&otilde;es    (67,8%). Relataram alta do pr&eacute;-natal antes do parto 39,7% das pu&eacute;rperas.    Por fim, 84,7% ficaram muito satisfeitas/satisfeitas com a assist&ecirc;ncia.    Quase 1/3 das pu&eacute;rperas havia realizado mais de seis consultas; e pouco    mais da metade iniciou a APN no 1<sup>o</sup> trimestre. A maioria n&atilde;o    conseguiu realizar os testes de rastreamento da infec&ccedil;&atilde;o pelo    HIV e s&iacute;filis at&eacute; 14 semanas. Somente 11,2% fizeram mais de um    VDRL. As pacientes de fam&iacute;lias com menor renda tenderam a realizar menor    n&uacute;mero de consultas pr&eacute;-natais, iniciar o pr&eacute;-natal mais    tardiamente, fazer os exames de rastreamento da infec&ccedil;&atilde;o por HIV    e s&iacute;filis com maior idade gestacional e realizar menor n&uacute;mero    de VDRL (Venereal Disease Research Laboratory). Mais da metade recebeu assist&ecirc;ncia    pr&eacute;-natal inadequada pelo &iacute;ndice APNCU (Adequacy of Prenatal Care    Utilization); e somente 11,3% tiveram sua APN adequada ou adequada superior.    A aplica&ccedil;&atilde;o dos crit&eacute;rios de n&uacute;mero de consultas    e precocidade de in&iacute;cio do PHPN resultou em distribui&ccedil;&atilde;o    mais favor&aacute;vel, com 44,9% tendo a assist&ecirc;ncia avaliada como adequada    e 26% como inadequada. Ao avaliar a APN pelas condutas de rastreamento das infec&ccedil;&otilde;es    estudadas, a assist&ecirc;ncia foi considerada inadequada para 72,7 e 9,2% das    pu&eacute;rperas, respectivamente, para o HIV e a s&iacute;filis; e 26,9 e 88%    das pu&eacute;rperas, nessa mesma ordem, foram triadas de forma parcialmente    adequada, para ambas as infec&ccedil;&otilde;es. O modelo saturado para o rastreamento    do HIV alcan&ccedil;ou -2LogL de 173,214. O <i>chunk test</i> dos termos de    intera&ccedil;&atilde;o entre a vari&aacute;vel independente principal e as    covari&aacute;veis indicou aus&ecirc;ncia de modifica&ccedil;&atilde;o de efeito.    A avalia&ccedil;&atilde;o de confundimento indicou que apenas escolaridade e    precocidade de in&iacute;cio da APN eram confundidoras da associa&ccedil;&atilde;o    entre renda e rastreamento do HIV. O modelo final estimou <i>odds ratio</i>    de 1,19 (0,98;1,44). Para a associa&ccedil;&atilde;o entre teste para o <i>T.    pallidum</i> e renda, o modelo saturado apresentou -2LogL de 102,0, com <i>chunk    test</i> dos termos-produto apontando n&atilde;o-intera&ccedil;&atilde;o. A    an&aacute;lise de confundimento excluiu todas as covari&aacute;veis, resultando    em modelo final reduzido com <i>odds ratio</i> de 1,25 (0,96;1,63).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Conclus&otilde;es, recomenda&ccedil;&otilde;es    e impacto potencial dos resultados em Sa&uacute;de P&uacute;blica</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A elevada cobertura da APN observada em Salvador-BA    representa um achado bastante positivo, coerente com   a tend&ecirc;ncia recente de diminui&ccedil;&atilde;o da propor&ccedil;&atilde;o    de gestantes sem qualquer consulta pr&eacute;-natal no Munic&iacute;pio, que   chegou a 9,5% em 2004. Embora a maioria das gesta&ccedil;&otilde;es tenha ocorrido    em mulheres com relacionamentos   est&aacute;veis, &eacute; digno de nota que 2/3 delas n&atilde;o foram planejadas    para aquele momento, enquanto 33% resultaram   de falha contraceptiva. Essa condi&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o-oportunidade    da gravidez pode ser um fator a contribuir para a   realiza&ccedil;&atilde;o de um pr&eacute;-natal de menor qualidade, uma vez    que a iniciativa da gestante, ao buscar o ambulat&oacute;rio e   seguir as recomenda&ccedil;&otilde;es do profissional, &eacute; necess&aacute;ria    &agrave; consecu&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de inclu&iacute;das    nos protocolos.   Constatou-se que o sistema de sa&uacute;de ainda tem uma lacuna a preencher    quanto ao volume de consultas necess&aacute;rias,   j&aacute; que 2/3 das pacientes n&atilde;o alcan&ccedil;aram mais de seis. Tampouco    quase a metade das usu&aacute;rias iniciou o 1<sup>o</sup>   acompanhamento no 1<sup>o</sup> trimestre, o que significa que come&ccedil;aram a APN quando    uma janela de oportunidades   j&aacute; se fechara, diminuindo o acesso a condutas com impacto sobre a sa&uacute;de.    Mulheres com melhor n&iacute;vel de renda   tiveram maior chance de iniciar precocemente a APN, realizar maior n&uacute;mero    de consultas e fazer os exames de   rastreamento do HIV e da s&iacute;filis ainda no 1<sup>o</sup> trimestre, conforme    recomendado. Portanto, exatamente a parcela da   popula&ccedil;&atilde;o com maior risco decorrente de fatores sociais adversos    tem acesso a uma APN de menor qualidade. Os   achados da presente investiga&ccedil;&atilde;o permitem concluir que a baixa    reprodutibilidade da avalia&ccedil;&atilde;o entre o acesso e   a qualidade t&eacute;cnica da APN referenda o fato de o in&iacute;cio precoce    e o n&uacute;mero adequado de consultas serem fatores   que possibilitam mas n&atilde;o garantem uma boa assist&ecirc;ncia. Gestantes    cujo acompanhamento foi bem classificado,   de acordo com o APNCU e o PHPN, receberam avalia&ccedil;&otilde;es ruins quanto    ao rastreamento das duas infec&ccedil;&otilde;es verticalmente   transmiss&iacute;veis. Caso outros estudos confirmem a associa&ccedil;&atilde;o    entre rastreamento deficiente do HIV e   s&iacute;filis e baixa renda, ser&aacute; necess&aacute;rio reorganizar o processo    de APN, diminuindo os obst&aacute;culos &agrave;s parcelas menos   favorecidas da popula&ccedil;&atilde;o, para que acessem os servi&ccedil;os    dispon&iacute;veis e recebam assist&ecirc;ncia de boa qualidade,   efetiva na redu&ccedil;&atilde;o da morbimortalidade materna e perinatal. As    equipes do Programa de Agentes Comunit&aacute;rios   de Sa&uacute;de (PACS) e do Programa Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia (PSF) podem    assumir o papel de atores privilegiados dessa   remodela&ccedil;&atilde;o. A estrutura b&aacute;sica da APN vem sendo discutida    pela Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de, embora tamb&eacute;m   seja preciso atualizar as t&eacute;cnicas de abordagem avaliativa dirigidas    a essa a&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de, municiando os gestores   dos sistemas de sa&uacute;de com informa&ccedil;&otilde;es que lhes permitam    organizar melhor a rede. Objetivos assumidos pelo   Brasil quanto &agrave; redu&ccedil;&atilde;o da mortalidade materna ou &agrave;    erradica&ccedil;&atilde;o da s&iacute;filis cong&ecirc;nita poder&atilde;o ser    beneficiados   por interven&ccedil;&otilde;es voltadas &agrave; inclus&atilde;o de grupos sociais    e seu acesso aos benef&iacute;cios e vantagens de uma assist&ecirc;ncia   &agrave; sa&uacute;de de boa qualidade.</font></p>      ]]></body>
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