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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p align="left">&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>PR&Ecirc;MIO DE INCENTIVO AO    DESENVOLVIMENTO E &Agrave; APLICA&Ccedil;&Atilde;O DA EPIDEMIOLOGIA NO SUS MEN&Ccedil;&Atilde;O    HONROSA MESTRADO</b></font></p>     <p align="right">&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><b>Citopatol&oacute;gico e exame de mama: desigualdade    de acesso para mulheres negras no sul do Brasil</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Fernanda Souza de Bairros; Stela Nazareth    Meneghel; Maria Teresa Anselmo Olinto (Orientadoras) </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Universidade do Vale do Rio dos Sinos, S&atilde;o    Leopoldo-RS, Brasil </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><b><font size="3" face="Verdana">Introdu&ccedil;&atilde;o</font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A preocupa&ccedil;&atilde;o com as desigualdades    e as iniq&uuml;idades raciais em sa&uacute;de tem aumentado nos &uacute;ltimos    anos. Iniq&uuml;idades   em sa&uacute;de s&atilde;o expressas pelos diferenciais nos riscos de adoecer    e de morrer, originados de condi&ccedil;&otilde;es   heterog&ecirc;neas de exist&ecirc;ncia e de acesso a bens e servi&ccedil;os.    As diferen&ccedil;as s&atilde;o consideradas in&iacute;quas se ocorrem   porque as pessoas disp&otilde;em de escolhas limitadas, acesso restrito a recursos    de sa&uacute;de e exposi&ccedil;&atilde;o a fatores   prejudiciais por conta de injusti&ccedil;as. Diversos estudos j&aacute; v&ecirc;m    documentando disparidades na sa&uacute;de de grupos   raciais distintos, em termos de morbimortalidade, e em rela&ccedil;&atilde;o    ao acesso dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de para preven&ccedil;&atilde;o,   diagn&oacute;stico e tratamento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> No Brasil, a discuss&atilde;o sobre diferen&ccedil;as    raciais na sa&uacute;de ainda &eacute; incipiente. A necessidade de evidenciar    o   impacto do racismo no processo sa&uacute;de-doen&ccedil;a-cuidado e morte fizeram    com que pesquisadores da &aacute;rea da   Sa&uacute;de buscassem, tamb&eacute;m, o conhecimento da sociologia na no&ccedil;&atilde;o    de ra&ccedil;a/cor. Por meio da vari&aacute;vel ra&ccedil;a/cor, &eacute;   poss&iacute;vel identificar, pelo menos, parte da desigualdade e injusti&ccedil;as    sociais provocadas pelo racismo, que estudos   centrados somente na determina&ccedil;&atilde;o socioecon&ocirc;mica n&atilde;o    d&atilde;o conta de apontar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ra&ccedil;a/cor &eacute; uma categoria importante    para definir as popula&ccedil;&otilde;es. As diferen&ccedil;as fenot&iacute;picas,    de fato, muitas   vezes atuam como indicadores para a distribui&ccedil;&atilde;o diferencial dos    direitos. Para Krieger, o termo ra&ccedil;a/cor &eacute; uma   categoria social, mais do que biol&oacute;gica, referente a grupos que t&ecirc;m    em comum uma heran&ccedil;a cultural. Dessa   maneira, a cor da pele pode ser considerada uma express&atilde;o biol&oacute;gica    da ra&ccedil;a ou uma express&atilde;o racializada da   biologia, quando exposta ao racismo. O ponto em comum entre a maioria dos autores    &eacute; que os significados e as   categorias raciais s&atilde;o constru&iacute;dos em termos sociais e n&atilde;o    biol&oacute;gicos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> No campo da Sa&uacute;de, h&aacute; evid&ecirc;ncias    de vulnerabilidades que fragilizam mulheres negras em termos de diferenciais   de morbidade, acesso e aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de &#8211; principalmente,    quanto ao acesso e qualidade dos atendimentos   ginecol&oacute;gicos e obst&eacute;tricos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A sa&uacute;de reprodutiva deve ser vista dentro    dos marcos da aten&ccedil;&atilde;o integral &agrave; sa&uacute;de da mulher,    onde a consulta   ginecol&oacute;gica em padr&otilde;es adequados &eacute; um procedimento indispens&aacute;vel    &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de, relevante n&atilde;o s&oacute;   em termos de contracep&ccedil;&atilde;o e sexualidade como tamb&eacute;m para    a preven&ccedil;&atilde;o das doen&ccedil;as sexualmente transmiss&iacute;veis   e das neoplasias do aparelho reprodutor feminino. No Brasil, as neoplasias de    mama e de colo do &uacute;tero constituem   as de maior preval&ecirc;ncia na popula&ccedil;&atilde;o feminina. As maiores    incid&ecirc;ncias desses tipos de c&acirc;ncer encontram-se nas   Regi&otilde;es Sudeste e Sul, onde o Estado do Rio Grande do Sul apresenta as    maiores taxas de c&acirc;ncer de mama e de   colo do &uacute;tero, com coeficientes de incid&ecirc;ncia de 88 e 30/100.000    mulheres, respectivamente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Condutas preventivas, como exame cl&iacute;nico    de mama e citopatol&oacute;gico, simples e de baixo custo, podem reduzir   em cerca de 80% a mortalidade por c&acirc;ncer de mama e de colo do &uacute;tero.    Tem-se observado que os coeficientes   de mortalidade continuam elevados no Brasil, provavelmente porque a doen&ccedil;a    &eacute; diagnosticada em est&aacute;gio avan&ccedil;ado.   Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s mulheres negras, pesquisas apontam que o    diagn&oacute;stico &eacute; feito mais tardiamente, todavia, em   compara&ccedil;&atilde;o com o das mulheres brancas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Esta pesquisa foi realizada tendo em vista a    necessidade de estudos sobre a sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o negra.    Seu objetivo &eacute; verificar o acesso aos exames de detec&ccedil;&atilde;o    precoce dessas doen&ccedil;as, por exame cl&iacute;nico de mama e citopatol&oacute;gico,    em mulheres negras e brancas residentes em duas cidades do sul do Brasil.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana"><b>Objetivos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Verificar o acesso aos exames de detec&ccedil;&atilde;o    precoce de c&acirc;ncer de mama e de c&acirc;ncer de colo do &uacute;tero em    mulheres negras e brancas residentes em duas cidades do sul do Brasil.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Metodologia</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Trata-se de um estudo transversal de base populacional    que utilizou informa&ccedil;&otilde;es procedentes de amostras de   duas pesquisas realizadas com mulheres adultas nos Munic&iacute;pios de S&atilde;o    Leopoldo, em 2003, e Pelotas, em 2001,   ambos no Estado do Rio Grande do Sul (RS).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> S&atilde;o Leopoldo-RS &eacute; um Munic&iacute;pio    localizado na Regi&atilde;o Metropolitana de Porto Alegre-RS, capital do Estado.   Conta com uma popula&ccedil;&atilde;o de 206.942 habitantes, enquanto Pelotas-RS    se localiza na regi&atilde;o Sudeste do Rio Grande   do Sul e possui uma popula&ccedil;&atilde;o de 338.544 habitantes. Dados da    Funda&ccedil;&atilde;o Instituto Brasileiro de Geografia e   Estat&iacute;stica (IBGE) (2000) indicam que a popula&ccedil;&atilde;o negra    representava, respectivamente, 9% e 16% da popula&ccedil;&atilde;o   geral de S&atilde;o Leopoldo-RS e Pelotas-RS.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A amostra do estudo foi definida em conglomerados,    correspondendo a 36 setores censit&aacute;rios sorteados em   S&atilde;o Leopoldo-RS e 40 em Pelotas-RS. Constitui-se de 2.030 mulheres adultas,    correspondendo &agrave; jun&ccedil;&atilde;o de 1.026   mulheres de S&atilde;o Leopoldo-RS e 1.004 mulheres de Pelotas-RS &#8211; todas    entre 20 e 60 anos de idade. O tamanho   de cada uma das amostras foi estabelecido de acordo com crit&eacute;rios que    permitissem identificar uma raz&atilde;o de   2,0 para classe social, um n&iacute;vel de confian&ccedil;a de 95% e um poder    estat&iacute;stico de 80%. A raz&atilde;o de n&atilde;o expostos foi   de 1,3 em S&atilde;o Leopoldo-RS e de 1,6 em Pelotas-RS. Acrescentou-se ao tamanho    da amostra 10% para poss&iacute;veis   perdas e recusas e 15% para controle de fatores de confus&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A classifica&ccedil;&atilde;o de ra&ccedil;a/cor    utilizada em ambos os estudos foi a de heteroatribui&ccedil;&atilde;o, em que    o entrevistador   classifica a pessoa entrevistada. Essa classifica&ccedil;&atilde;o leva em considera&ccedil;&atilde;o,    basicamente, tra&ccedil;os fen&oacute;tipos externos,   como a cor da pele. Inicialmente, as entrevistadas foram agrupadas em quatro    categorias: branca; negra; parda;   e mista (ind&iacute;gena e orientais). Para an&aacute;lise estat&iacute;stica,    foram classificadas como negras as mulheres categorizadas   como negras ou pardas; e como brancas, aquelas classificadas como brancas e    mistas. As &uacute;ltimas representam   apenas 0,5% da amostra.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> As vari&aacute;veis explanat&oacute;rias investigadas    foram: idade; estado civil; classe econ&ocirc;mica segundo classifica&ccedil;&atilde;o    da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Empresas de Pesquisa &#8211; ANEP &#8211;,    que enfatiza a estimativa do poder de compra; renda familiar <i>per capita</i>,    em sal&aacute;rios m&iacute;nimos; e escolaridade, em anos de estudo, informada    pela entrevistada. Os desfechos investigados foram a realiza&ccedil;&atilde;o    de exame de mama no &uacute;ltimo ano e a realiza&ccedil;&atilde;o de exame    citopatol&oacute;gico em dia, categorizados em 'Sim', 'N&atilde;o' (mulheres    que realizaram o exame h&aacute; mais de tr&ecirc;s anos) e 'Nunca fez'.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Foi realizado controle de qualidade dos dados    e dupla digita&ccedil;&atilde;o pelo programa Epi Info 6.0, para diminuir os    erros de consist&ecirc;ncia; e as freq&uuml;&ecirc;ncias univariadas e bivariadas,    calculadas pelo programa estat&iacute;stico Statistical Package for the Social    Sciences 13.0 (SPSS). Calcularam-se as raz&otilde;es de preval&ecirc;ncia e    os intervalos de confian&ccedil;a de 95% para cada categoria das vari&aacute;veis    explorat&oacute;rias, considerando-se como expostas as mulheres negras. Com    a finalidade de identificar o efeito da ra&ccedil;a/cor sobre a realiza&ccedil;&atilde;o    de exames de mama e citopatol&oacute;gicos, procedeu-se a estratifica&ccedil;&atilde;o    por idade, renda, escolaridade e classe econ&ocirc;mica.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><b>Considera&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os dois estudos, realizados adotando-se os mesmos    procedimentos metodol&oacute;gicos, foram aprovados pelo Comit&ecirc; de &Eacute;tica    da Universidade Federal de Pelotas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Resultados</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Foram estudadas 2.030 mulheres: 327 (16,1%)    negras e 1.703 (83,9%) brancas. Entre as mulheres amostradas, mais da metade    encontrava-se na faixa et&aacute;ria de 20 a 39 anos (51,4%), era casada ou    encontrava-se em uni&atilde;o est&aacute;vel (61,5%), pertencia &agrave; classe    econ&ocirc;mica C e D (64,5%) e possu&iacute;a uma renda <i>per capita</i> menor    de tr&ecirc;s sal&aacute;rios m&iacute;nimos (76,3%).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s caracter&iacute;sticas    demogr&aacute;ficas da popula&ccedil;&atilde;o amostrada, segundo ra&ccedil;a/cor,    n&atilde;o houve diferen&ccedil;a estatisticamente significativa entre as idades    das mulheres negras e brancas (p=0,102). Quanto ao estado civil, verificou-se    que a probabilidade de as mulheres negras serem vi&uacute;vas foi 95% maior    que a das mulheres brancas. Quanto &agrave;s caracter&iacute;sticas socioecon&ocirc;micas,    56% das mulheres negras apresentaram menos do que oito anos de escolaridade,    45% pertenciam &agrave;s classes D e E e 89% viviam com renda familiar <i>per    capita</i> menor ou igual a tr&ecirc;s sal&aacute;rios m&iacute;nimos. Com as    medidas de efeito, observa-se que houve um aumento de 264% na probabilidade    de as mulheres negras pertencerem &agrave; classe econ&ocirc;mica E, quando    comparada &agrave; mesma probabilidade para as mulheres brancas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Nas associa&ccedil;&otilde;es de ra&ccedil;a/cor    com acesso aos exames de detec&ccedil;&atilde;o precoce para a sa&uacute;de    da mulher, observou-se   que, embora 53,4% e 77,0% de todas as mulheres da amostra tenham realizado exame    de mama e citopatol&oacute;gico   no &uacute;ltimo ano, apenas 43,4% e 68,6% das mulheres negras realizaram esses    exames no mesmo per&iacute;odo. Chama   a aten&ccedil;&atilde;o que 17,2% das mulheres negras nunca fizeram exame citopatol&oacute;gico,    apresentando risco 100% maior   que as mulheres brancas (9,7%).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Nas an&aacute;lises que mostram a rela&ccedil;&atilde;o    entre ra&ccedil;a/cor e a realiza&ccedil;&atilde;o dos exames de mama ajustados    por idade, escolaridade, classe econ&ocirc;mica e renda <i>per capita</i> em    sal&aacute;rios m&iacute;nimos, verifica-se que, independentemente da idade    e da escolaridade, as mulheres negras apresentaram um risco maior de n&atilde;o-realiza&ccedil;&atilde;o    de exame de mama no &uacute;ltimo ano, comparativamente &agrave;s mulheres brancas.    Salienta-se que o maior risco de as mulheres negras n&atilde;o realizarem exame    de mama desaparece entre as de renda mais elevada (p&gt;0,05). Entre as de menor    renda, a desvantagem das mulheres negras persiste (RP 1,18; IC<sub>95%</sub> 1,06-1,32).    Em contraponto, observando-se a classe econ&ocirc;mica, os diferenciais raciais    s&atilde;o expl&iacute;citos para as mulheres das classes A, B e C; e desaparecem    quando se comparam as mulheres das classes D e E.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> J&aacute; nas an&aacute;lises que mostram a    rela&ccedil;&atilde;o entre ra&ccedil;a/cor e realiza&ccedil;&atilde;o do exame    citopatol&oacute;gico ajustada por idade e vari&aacute;veis socioecon&ocirc;micas,    evidencia-se que as vari&aacute;veis socioecon&ocirc;micas e a idade modificam    o efeito de ra&ccedil;a/cor sobre a realiza&ccedil;&atilde;o do exame citopatol&oacute;gico.    Nas mulheres jovens, n&atilde;o houve diferen&ccedil;a estatisticamente significante    entre negras e brancas (p=0,356). Para as mulheres de 40 a 60 anos de idade,    entretanto, manteve-se o risco elevado das mulheres negras nunca terem realizado    citopatol&oacute;gico (RP 3,63; IC<sub>95%</sub> 2,09-5,39). Similarmente, nas melhores    categorias socioecon&ocirc;micas (elevada escolaridade, classe econ&ocirc;mica    e renda), n&atilde;o houve diferen&ccedil;a da realiza&ccedil;&atilde;o de exame    citopatol&oacute;gico em rela&ccedil;&atilde;o a ra&ccedil;a/cor (p=0,635, 0,212    e 0,415 respectivamente). N&atilde;o obstante, mulheres negras com baixa escolaridade,    pertencentes &agrave;s classes D e E e de menor renda mantiveram risco elevado    de nunca terem se submetido a exame citopatol&oacute;gico. As raz&otilde;es    de preval&ecirc;ncia e intervalos de confian&ccedil;a foram, respectivamente,    RP=2,62 (IC<sub>95%</sub> 1,80-3,81), RP=1,59 (IC<sub>95%</sub> 1,12-2,26) e RP=2,90 (IC<sub>95%</sub> 2,40-3,49).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana"><b>Conclus&otilde;es, recomenda&ccedil;&otilde;es    e impacto potencial dos resultados em Sa&uacute;de P&uacute;blica</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Esta pesquisa utilizou dados epidemiol&oacute;gicos    representativos de duas cidades de porte m&eacute;dio do Estado do Rio   Grande do Sul para descrever a aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de de    mulheres segundo ra&ccedil;a/cor. O crit&eacute;rio adotado para definir   ra&ccedil;a/cor foi o da heteroatribui&ccedil;&atilde;o, que mostra a forma    como os indiv&iacute;duos s&atilde;o vistos pela sociedade. Embora   essa classifica&ccedil;&atilde;o apresente limita&ccedil;&otilde;es, ou seja,    exclua a autopercep&ccedil;&atilde;o do entrevistado, foi poss&iacute;vel mostrar   desigualdades raciais no acesso a servi&ccedil;os, entre as mulheres amostradas</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O perfil das mulheres negras neste estudo n&atilde;o    diferiu do das brancas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; idade. Por&eacute;m,    diante dos indicadores sociais, as negras encontram-se em desvantagem e situa&ccedil;&atilde;o    de precariedade social. Os dados socioecon&ocirc;micos refor&ccedil;am os achados    de diversos trabalhos, que identificam a desvantajosa situa&ccedil;&atilde;o    das mulheres negras neste pa&iacute;s. Elas se concentram no segmento de menor    renda <i>per capita</i> em sal&aacute;rios m&iacute;nimos e t&ecirc;m menos    anos de estudo; al&eacute;m disso, h&aacute; cerca de quatro vezes mais mulheres    negras na classe E. Chama a aten&ccedil;&atilde;o o elevado percentual de mulheres    negras vi&uacute;vas, podendo-se inferir a maior mortalidade masculina e o aumento    na vulnerabilidade dessas mulheres quando, dessa forma, tornam-se chefes de    fam&iacute;lia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Neste estudo, as mulheres negras apresentaram    risco maior de n&atilde;o terem sido examinadas para detec&ccedil;&atilde;o   precoce de c&acirc;ncer de mama no &uacute;ltimo ano. Ademais, as mulheres negras    que nunca realizaram exame citopatol&oacute;gico   constitu&iacute;ram o dobro das mulheres brancas. A maioria das associa&ccedil;&otilde;es    entre ra&ccedil;a/cor e realiza&ccedil;&atilde;o de   exames de detec&ccedil;&atilde;o precoce se manteve ap&oacute;s a estratifica&ccedil;&atilde;o    dos dados de acordo com vari&aacute;veis econ&ocirc;micas e   demogr&aacute;ficas, indicando a desigualdade na aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s    mulheres negras, todavia acentuada nas idades mais tardias.   Assim, mulheres negras mais velhas tornam-se ainda mais vulner&aacute;veis socialmente.    Observou-se que mulheres   negras acima de 40 anos de idade t&ecirc;m maior probabilidade de n&atilde;o    haverem realizado exame citopatol&oacute;gico ou   estarem com o exame atrasado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Ressalta-se que a vari&aacute;vel ra&ccedil;a/cor    pode ser considerada um marcador demogr&aacute;fico de desigualdade na   medida em que as mulheres negras encontram-se em situa&ccedil;&atilde;o de maior    vulnerabilidade econ&ocirc;mica, social e de   atendimento &agrave; sa&uacute;de. As mulheres negras que nunca realizaram exame    citopatol&oacute;gico foram as mais velhas, com   menor escolaridade, de classe social inferior e baixa renda. Os dados evidenciaram,    entretanto, que mulheres   negras com melhor escolaridade, classe social e renda n&atilde;o apresentam    diferenciais na realiza&ccedil;&atilde;o de citopatol&oacute;gico,   quando comparadas com as brancas. Efeito similar foi observado quanto &agrave;    realiza&ccedil;&atilde;o de exame de mama em   mulheres negras de maior renda. Por&eacute;m, a desigualdade no acesso ao exame    de mama manteve-se em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s   mulheres negras de melhor situa&ccedil;&atilde;o social &#8211; escolaridade    e classe econ&ocirc;mica &#8211;, mostrando que, ao contr&aacute;rio   do que afirmam os cr&iacute;ticos da vari&aacute;vel ra&ccedil;a/cor, as iniq&uuml;idades    em sa&uacute;de persistem, a despeito da supera&ccedil;&atilde;o da   estratifica&ccedil;&atilde;o socioecon&ocirc;mica. </font></p>      ]]></body>
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