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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p align="right">&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>PR&Ecirc;MIO DE INCENTIVO AO    DESENVOLVIMENTO E &Agrave; APLICA&Ccedil;&Atilde;O DA EPIDEMIOLOGIA NO SUS MEN&Ccedil;&Atilde;O    HONROSA ESPECIALIZA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p align="right">&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><b>C&aacute;rie dent&aacute;ria em crian&ccedil;as    ind&iacute;genas Xakriab&aacute;</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Adyler Duarte Diab; Simone Dutra Lucas (Orientadora)</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Faculdade de Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de,    Universidade de Bras&iacute;lia, Bras&iacute;lia-DF, Brasil</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O presente estudo foi desenvolvido em escolas    ind&iacute;genas da reserva Xakriab&aacute;, localizada no Munic&iacute;pio    de   S&atilde;o Jo&atilde;o das Miss&otilde;es, norte do Estado de Minas Gerais (MG).    Com uma &aacute;rea aproximada de 54.000 ha., o Munic&iacute;pio   possui um dos menores &iacute;ndices de desenvolvimento humano (IDH) do Estado.    A etnia conta com 6.498   indiv&iacute;duos, dos quais 5.498 encontram-se distribu&iacute;dos em 42 aldeias    localizadas na reserva ind&iacute;gena; o restante   dessa popula&ccedil;&atilde;o reside em quatro aldeias situadas fora da reserva    (Funasa, 2006). Essa &eacute; a maior etnia ind&iacute;gena   presente em Minas Gerais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O servi&ccedil;o de sa&uacute;de bucal destinado    &agrave; popula&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena iniciou-se sob a responsabilidade    da Funda&ccedil;&atilde;o Nacional   do &Iacute;ndio (Funai), com atendimentos espor&aacute;dicos. Por volta de 1999,    essa responsabilidade era da prefeitura   municipal; posteriormente, foi transferida para a Funda&ccedil;&atilde;o Nacional    de Sa&uacute;de (Funasa). No in&iacute;cio, os trabalhos   eram realizados em dois consult&oacute;rios instalados no P&oacute;lo-base de    Brejo Mata Fome, para atender todo o povo   Xakriab&aacute;, onde trabalhavam dois cirurgi&otilde;es-dentistas, tr&ecirc;s    m&eacute;dicos, tr&ecirc;s enfermeiros e tr&ecirc;s auxiliares. Posteriormente,   com a cria&ccedil;&atilde;o do P&oacute;lo-base de Sumar&eacute;, este recebeu    um dos consult&oacute;rios do P&oacute;lo-base de Brejo Mata   Fome e conta, atualmente com um cirurgi&atilde;o-dentista, um atendente de consult&oacute;rio    dent&aacute;rio e diversos agentes   ind&iacute;genas de sa&uacute;de &#8211; AIS (Mota, 2006). Na atualidade, as    a&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de dirigidas a essa popula&ccedil;&atilde;o    ind&iacute;gena s&atilde;o   encarregadas &agrave; Funasa e realizadas por interm&eacute;dio do Distrito    Sanit&aacute;rio Especial Ind&iacute;gena &#8211; DSEI MG/ES &#8211; e da   Secretaria Municipal de Sa&uacute;de de S&atilde;o Jo&atilde;o das Miss&otilde;es-MG.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O ponto de partida deste estudo &eacute; a afirma&ccedil;&atilde;o    de que os levantamentos ou inqu&eacute;ritos epidemiol&oacute;gicos em sa&uacute;de   bucal s&atilde;o considerados estudos transversais, que possibilitam um retrato    da situa&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de de uma popula&ccedil;&atilde;o.   Pela situa&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es das doen&ccedil;as bucais,    &eacute; poss&iacute;vel realizar um planejamento ou modifica&ccedil;&atilde;o    dos servi&ccedil;os   de sa&uacute;de bucal, al&eacute;m de monitorar sua efic&aacute;cia (OMS, 1999).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> No Brasil, &eacute; muito pouco conhecida a    epidemiologia da sa&uacute;de bucal entre povos ind&iacute;genas, constata&ccedil;&atilde;o    que   reflete um quadro geral de desconhecimento sobre as condi&ccedil;&otilde;es    de sa&uacute;de dessas popula&ccedil;&otilde;es (Coimbra Jr. &amp; Santos,   2000). Estudos epidemiol&oacute;gicos de sa&uacute;de bucal nas popula&ccedil;&otilde;es    ind&iacute;genas brasileiras abordam, principalmente,   a ocorr&ecirc;ncia de les&otilde;es de adornos labiais e as v&aacute;rias rela&ccedil;&otilde;es    entre h&aacute;bitos alimentares e culturais e sa&uacute;de bucal   (Blanco Pose, 1993). Neste levantamento epidemiol&oacute;gico de crian&ccedil;as    escolares ind&iacute;genas Xakriab&aacute;, obteve-se o   &iacute;ndice de c&aacute;rie para a denti&ccedil;&atilde;o dec&iacute;dua (ceo-d)    aos seis anos e o &iacute;ndice de dentes cariados, perdidos e obturados   (CPO-D) aos 12 anos de idade. Esses &iacute;ndices, originalmente formulados    por Klein e Palmer em 1937 e os mais   utilizados em todo o mundo, permitem medir o ataque de c&aacute;rie por dente    e s&atilde;o refer&ecirc;ncia para diagn&oacute;stico das   condi&ccedil;&otilde;es dentais e para formula&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o    de programas de sa&uacute;de bucal. Tamb&eacute;m foi medido o percentual   de crian&ccedil;as livres de c&aacute;rie aos seis anos de idade. A op&ccedil;&atilde;o    pela an&aacute;lise do percentual de crian&ccedil;as livres de c&aacute;rie   aos seis anos &#8211; ceo-d &#8211; e do CPO-D aos 12 anos (OMS, 1978; FDI,    1982) deve-se ao fato de a pol&iacute;tica nacional   priorizar crian&ccedil;as na escola e &agrave; significativa preval&ecirc;ncia    da doen&ccedil;a c&aacute;rie nessas faixas et&aacute;rias. Pretendeu-se avaliar    a   pol&iacute;tica de sa&uacute;de desenvolvida, orientar o planejamento futuro    e melhorar a qualidade de vida dessa popula&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Esta pesquisa, cuja hip&oacute;tese central    &eacute; a exist&ecirc;ncia de desigualdades no n&iacute;vel de sa&uacute;de    bucal da popula&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena,   visa contribuir para o entendimento de fatores associados a varia&ccedil;&otilde;es    nos n&iacute;veis de CPO-D m&eacute;dio aos 12 anos de idade, no sentido de    cumprir a meta da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS) &#8211;    CPO-D igual ou inferior   a tr&ecirc;s, aos 12 anos, e propor&ccedil;&otilde;es definidas de crian&ccedil;as    livres de c&aacute;rie aos seis anos de idade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O trabalho baseia-se em observa&ccedil;&otilde;es    individuais sobre crian&ccedil;as ind&iacute;genas escolares de seis e de 12    anos de idade. Vale ressaltar que a economia-base dessa popula&ccedil;&atilde;o    ind&iacute;gena &eacute; agr&aacute;ria e a &aacute;gua que ela bebe n&atilde;o    &eacute; fluoretada. Teria esse povo cumprido as metas da OMS para os 12 e para    os seis anos de idade, para efeito de compara&ccedil;&otilde;es internacionais    em localidades onde crian&ccedil;as ingressam nas escolas nessa idade (OMS,    1999)?</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Objetivos</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"> <b>Objetivo geral</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Obter informa&ccedil;&otilde;es sobre as condi&ccedil;&otilde;es    de sa&uacute;de bucal (c&aacute;rie dental) em crian&ccedil;as escolares ind&iacute;genas    Xakriab&aacute;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Objetivos espec&iacute;ficos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> I. Identificar o acesso de crian&ccedil;as escolares    ind&iacute;genas Xakriab&aacute; de seis e de 12 anos de idade ao servi&ccedil;o    de   sa&uacute;de bucal mediante a an&aacute;lise dos dentes obturados e extra&iacute;dos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> II. Compreender a situa&ccedil;&atilde;o da    c&aacute;rie dental nessa popula&ccedil;&atilde;o mediante a an&aacute;lise    da composi&ccedil;&atilde;o interna do   &iacute;ndice CPO-D, ceo-d e do percentual de crian&ccedil;as livres de c&aacute;rie    aos seis anos de idade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> III. Determinar a gravidade da c&aacute;rie    dental na popula&ccedil;&atilde;o estudada.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Metodologia</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Conforme j&aacute; apresentado, este trabalho    contempla a compreens&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o de c&aacute;rie dental    em escolares   ind&iacute;genas Xakriab&aacute; nas idades de seis e 12 anos, mediante a an&aacute;lise    da composi&ccedil;&atilde;o interna dos &iacute;ndices CPO-D e   ceo-d e do percentual de crian&ccedil;as livres de c&aacute;rie aos seis anos    de idade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O estudo, de base individual e do tipo transversal,    baseia-se em dados prim&aacute;rios.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"> Para o estudo de base individual, foi analisada    uma popula&ccedil;&atilde;o escolar ind&iacute;gena, localizada em um Munic&iacute;pio   de baixo &iacute;ndice de desenvolvimento humano &#8211; IDH &#8211;, sem &aacute;gua    fluoretada e com pouco investimento no modelo   assistencial em sa&uacute;de bucal.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Na etnia ind&iacute;gena selecionada, a amostra    foi de conveni&ecirc;ncia, considerando crian&ccedil;as das maiores escolas   localizadas nas &aacute;reas de Brejo Mata-Fome e de Sumar&eacute;, que possuem    unidades de atendimento odontol&oacute;gico; e   na aldeia Rancharia, que n&atilde;o possui assist&ecirc;ncia odontol&oacute;gica    para efeitos de compara&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> No caso de uma crian&ccedil;a selecionada n&atilde;o    ter comparecido ao exame, foi sorteada outra e enviado o Termo de   Consentimento Livre e Esclarecido aos respectivos pais, para formaliza&ccedil;&atilde;o    de sua autoriza&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Como n&atilde;o h&aacute; estudos preliminares    confi&aacute;veis, a amostra &eacute; composta de 50% de escolares ind&iacute;genas    matriculados   nas idades de seis e 12 anos. Foram examinadas 102 crian&ccedil;as de seis anos    e 56 crian&ccedil;as de 12 anos de idade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O processo de recrutamento das crian&ccedil;as    escolares ind&iacute;genas envolveu algumas etapas:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> - contato com o Conselho Local Ind&iacute;gena;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> - contato com a Secretaria Municipal de Sa&uacute;de;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> - contato com a Funasa;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> - levantamento das escolas com crian&ccedil;as    de seis e 12 anos de idade, localizadas nas aldeias assistidas pelos P&oacute;los-base    de Brejo Mata Fome e de Sumar&eacute; e na aldeia Rancharia;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> - contato com os diretores das escolas;</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"> - obten&ccedil;&atilde;o da lista das crian&ccedil;as    por escola e sorteio das crian&ccedil;as;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> - contato com os pais e/ou respons&aacute;veis,    para obten&ccedil;&atilde;o de seu consentimento livre e esclarecido.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Participaram deste estudo as seguintes escolas    destinadas &agrave;s crian&ccedil;as de seis e 12 anos de idade: Escola   Estadual Ind&iacute;gena Xukurank; Escola Estadual Ind&iacute;gena Bukinuk;    Escola Estadual Ind&iacute;gena Bukimuju; e Escola   Estadual Ind&iacute;gena Kuhin&atilde;n. Elas est&atilde;o localizadas nas aldeias    Barreiro e Sumar&eacute;, que pertencem &agrave; &aacute;rea atendida pelo P&oacute;lo-base    de Sumar&eacute;, e &agrave;s de Brejo Mata-Fome e Imba&uacute;bas, pertencentes    &agrave; &aacute;rea do P&oacute;lo-base de Brejo Mata   Fome, al&eacute;m da aldeia Rancharia, que n&atilde;o possui unidade de sa&uacute;de    espec&iacute;fica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A coleta de dados do estudo de base individual    envolveu a realiza&ccedil;&atilde;o do exame cl&iacute;nico das crian&ccedil;as.    Seria   dif&iacute;cil contar com um &uacute;nico examinador para a popula&ccedil;&atilde;o    ind&iacute;gena envolvida na pesquisa. Diante disso, o autor   do projeto foi calibrado juntamente com duas acad&ecirc;micas do Curso de Gradua&ccedil;&atilde;o    da Faculdade de Odontologia   da Universidade Federal de Minas Gerais (FOUFMG).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Para calibra&ccedil;&atilde;o interexaminadores,    na Escola Municipal Teodomiro Corr&ecirc;a, S&atilde;o Jo&atilde;o das Miss&otilde;es-MG,    foram   examinadas dez crian&ccedil;as com seis anos e seis crian&ccedil;as com 12 anos    de idade, totalizando 16 exames de crian&ccedil;as   que receberam escova&ccedil;&atilde;o dent&aacute;ria supervisionada anteriormente    aos exames cl&iacute;nicos. Ap&oacute;s cada exame, os diagn&oacute;sticos   eram comparados: em caso de discord&acirc;ncia, o exame era refeito com o objetivo    de obter a concord&acirc;ncia   entre os examinadores.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A estat&iacute;stica Kappa, que mede a concord&acirc;ncia,    foi de 95%, obtendo-se um conceito &oacute;timo. (Pereira, 2000). Os exames    foram realizados &agrave; luz natural, sem o uso de sonda exploradora, de maneira    a preservar a privacidade dos examinados. As normas de biosseguran&ccedil;a    foram devidamente obedecidas. Os seguintes instrumentos e suprimentos foram    utilizados: espelhos cl&iacute;nicos; pin&ccedil;as cl&iacute;nicas; recipientes    para instrumentos est&eacute;reis contaminados; toalhas de papel; luvas; gorros;    e m&aacute;scaras descart&aacute;veis.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A equipe de trabalho foi composta pelo cirurgi&atilde;o-dentista    da equipe de sa&uacute;de do P&oacute;lo-base de Sumar&eacute;, acad&ecirc;micas   da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Minas Gerais, alunas    ind&iacute;genas Xakriab&aacute; do Curso   T&eacute;cnico em Higiene Dental e motoristas da Funasa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Os resultados e compara&ccedil;&otilde;es, feitas    com ferramentas estat&iacute;sticas, est&atilde;o apresentadas no apartado Resultados    deste relato. Os <i>softwares</i> estat&iacute;sticos utilizados para realiza&ccedil;&atilde;o    desta an&aacute;lise foram o MINITAB e o SPSS, al&eacute;m do Microsoft Excel    para montagem do banco de dados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Considera&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Inicialmente, a pesquisa foi submetida &agrave;    aprecia&ccedil;&atilde;o do Conselho Local Ind&iacute;gena das comunidades envolvidas,    recebendo sua aprova&ccedil;&atilde;o. O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido,    com explica&ccedil;&otilde;es sobre o plano de trabalho e a viabilidade do estudo,    foi enviado para: Conselho Distrital Ind&iacute;gena MG/ES; Funda&ccedil;&atilde;o    Nacional de Sa&uacute;de; Secretaria Municipal de Sa&uacute;de de S&atilde;o    Jo&atilde;o das Miss&otilde;es-MG; Diretores das Escolas Ind&iacute;genas envolvidas;    e pais e/ou respons&aacute;veis pelas crian&ccedil;as escolares participantes.    Ap&oacute;s esses procedimentos e as autoriza&ccedil;&otilde;es devidamente    assinadas, o estudo foi avaliado pelo Comit&ecirc; de &Eacute;tica da Faculdade    de Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de, da Universidade de Bras&iacute;lia, obtendo    sua aprova&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Resultados</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A &aacute;rea com o menor &iacute;ndice ceo-d    aos seis anos de idade &eacute; a do P&oacute;lo-base de Brejo Mata Fome, onde    as crian&ccedil;as   possuem, em m&eacute;dia, tr&ecirc;s dentes comprometidos. A crian&ccedil;a    que possui o menor e o maior n&uacute;mero de dentes   comprometidos possui zero e 12 dentes, respectivamente. Ademais, para esse P&oacute;lo-base,    o desvio-padr&atilde;o tamb&eacute;m   &eacute; o menor (aproximadamente tr&ecirc;s dentes), indicando a menor variabilidade    entre os dados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Segundo a an&aacute;lise descritiva para o CPO-D    aos seis anos de idade, observou-se m&eacute;dia de zero dentes comprometidos.   Por&eacute;m, a &aacute;rea que apresenta a maior m&eacute;dia e desvio-padr&atilde;o    &eacute; a de Brejo Mata Fome, onde a crian&ccedil;a   que possui o menor e o maior n&uacute;mero de dentes comprometidos possui zero    e quatro dentes, respectivamente.   O P&oacute;lo-base que possui o menor &iacute;ndice ceo-d, o de Brejo Mata Fome,    tamb&eacute;m possui o maior &iacute;ndice CPO-D. As   &aacute;reas do P&oacute;lo-base de Sumar&eacute; e da aldeia Rancharia apresentam,    aproximadamente, os mesmos &iacute;ndices ceo-d   e CPO-D.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O P&oacute;lo-base que apresenta o maior percentual    de crian&ccedil;as livres de c&aacute;rie aos seis anos de idade &eacute; o    de Brejo   Mata Fome (35% das crian&ccedil;as livres de c&aacute;rie), seguido da aldeia    Rancharia (aproximadamente 11% das crian&ccedil;as   livres de c&aacute;rie). O P&oacute;lo-base de Sumar&eacute; apresenta percentual    de crian&ccedil;as livres de c&aacute;rie aos seis anos de 4%, aproximadamente.    Se analisarmos todo o conjunto estudado, independentemente da aldeia, apenas    cerca de 24%   das crian&ccedil;as est&atilde;o livres de c&aacute;rie aos seis anos de idade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O P&oacute;lo-base que soma o menor &iacute;ndice    CPO-D aos 12 anos de idade &eacute; o de Brejo Mata Fome. Por&eacute;m, ao arredondar   os valores das m&eacute;dias, conclui-se que os P&oacute;los-base e a aldeia    Rancharia apresentam, em m&eacute;dia, o mesmo   n&uacute;mero de dentes comprometidos: aproximadamente tr&ecirc;s. A crian&ccedil;a    que possui o menor e o maior n&uacute;mero   de dentes comprometidos na &aacute;rea coberta pelo P&oacute;lo-base de Sumar&eacute;,    como tamb&eacute;m na do P&oacute;lo-base de Brejo   Mata Fome, possui zero e nove dentes comprometidos, respectivamente. Para a    aldeia Rancharia, a crian&ccedil;a que   possui o menor e o maior n&uacute;mero de dentes comprometidos possui zero e    oito dentes, respectivamente. Aqui,   tamb&eacute;m parece n&atilde;o existir diferen&ccedil;a estatisticamente significante    entre os dois P&oacute;los-base e a aldeia, quanto ao   desvio-padr&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Quanto ao percentual de dentes h&iacute;gidos,    cariados, perdidos e obturados registrados por cada um dos P&oacute;los-base    e da aldeia Rancharia aos seis anos de idade, nota-se que o maior percentual    de dentes dec&iacute;duos cariados &eacute; o apresentado pelo P&oacute;lo-base    de Sumar&eacute; (aproximadamente 92% das crian&ccedil;as), seguido da aldeia    Rancharia (cerca de 90% das crian&ccedil;as) e do P&oacute;lo-base de Brejo    Mata Fome (cerca de 65% das crian&ccedil;as). Ao se observar os dentes permanentes    cariados, nota-se que a localidade que apresenta o maior percentual &eacute;    Rancharia &#8211; aproximadamente 17% das crian&ccedil;as &#8211;, seguida de    Sumar&eacute; e de Brejo Mata Fome, ambas com cerca de 13% de suas crian&ccedil;as    nessa condi&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Quanto ao percentual de dentes h&iacute;gidos,    cariados, perdidos e obturados aos 12 anos de idade registrado nos P&oacute;los-base    e em Rancharia, esta aldeia &eacute; a que apresenta o maior percentual de dentes    dec&iacute;duos cariados (aproximadamente 25% das crian&ccedil;as), seguida    do P&oacute;lo-base de Sumar&eacute; (cerca de 14% das crian&ccedil;as) e do    P&oacute;lo-base de Brejo Mata Fome (cerca de 13% das crian&ccedil;as). Ao se    observar os dentes permanentes cariados, o P&oacute;lo-base que apresenta o    maior percentual &eacute; o de Sumar&eacute; (aproximadamente 93% das crian&ccedil;as),    seguido da aldeia Rancharia e do P&oacute;lo-base de Brejo Mata Fome (cerca    de 83% e 80% das crian&ccedil;as, respectivamente).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"> <b>Conclus&otilde;es, recomenda&ccedil;&otilde;es    e impacto potencial dos resultados em Sa&uacute;de P&uacute;blica</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"> Neste estudo de c&aacute;ries em crian&ccedil;as    atendidas pelos P&oacute;los-base de Sumar&eacute; e de Brejo Mata Fome e da    aldeia   Rancharia, somente o P&oacute;lo-base de Brejo Mata Fome e Rancharia cumpriram    a meta da OMS referente &agrave; idade   dos 12 anos. Na observ&acirc;ncia do &iacute;ndice CPO-D para crian&ccedil;as    de 12 anos de idade, n&atilde;o se apresentou diferen&ccedil;a   significativa, estatisticamente, entre as tr&ecirc;s aldeias estudadas, cujo    comportamento foi similar para esse &iacute;ndice e   faixa et&aacute;ria.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O fato de haver ou n&atilde;o atendimento odontol&oacute;gico    n&atilde;o interferiu no CPO-D, haja vista os P&oacute;los-base e a aldeia   apresentaram, em m&eacute;dia, os mesmos valores para esse &iacute;ndice.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Ao analisar o &iacute;ndice ceo-d para crian&ccedil;as    de seis anos de idade, o estudo mostrou que o P&oacute;lo-base de Brejo Mata   Fome contou menor &iacute;ndice que o de Sumar&eacute; e a aldeia Rancharia,    embora a diferen&ccedil;a entre eles n&atilde;o tenha sido   significante, estatisticamente. O fato de haver atendimento odontol&oacute;gico    tamb&eacute;m n&atilde;o interferiu no achado, pelo   menos no P&oacute;lo-base de Sumar&eacute; &#8211; onde existe esse atendimento,    cujo &iacute;ndice foi equivalente ao da aldeia Rancharia,   que n&atilde;o disp&otilde;e dessa aten&ccedil;&atilde;o. Para o P&oacute;lo-base    de Brejo Mata-Fome, esse &iacute;ndice foi estatisticamente diferente,   inferior ao de Sumar&eacute; e da aldeia Rancharia &#8211; seja, portanto, com    ou sem atendimento odontol&oacute;gico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> No que concerne ao papel desempenhado pelos    servi&ccedil;os odontol&oacute;gicos sobre o n&iacute;vel de sa&uacute;de bucal,    os resultados deste trabalho n&atilde;o indicam associa&ccedil;&otilde;es significativas.    Pode-se, entretanto, especular sobre o acesso de crian&ccedil;as de 12 anos    de idade aos servi&ccedil;os de sa&uacute;de bucal a partir da import&acirc;ncia    do componente 'C' (dentes cariados) na determina&ccedil;&atilde;o do CPO-D,    redundando em baixo impacto dos servi&ccedil;os sobre a situa&ccedil;&atilde;o    de sa&uacute;de (Nadanovsky &amp; Sheiham, 1994).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O P&oacute;lo-base de Sumar&eacute; apresentou    os maiores &iacute;ndices CPO-D e ceo-d e o menor percentual de crian&ccedil;as    de   seis anos de idade livres de c&aacute;rie. S&atilde;o dados sugestivos da seguinte    hip&oacute;tese: as crian&ccedil;as atendidas nesse P&oacute;lo-base, pelo maior    acesso a produtos industrializados, comparativamente &agrave;s do P&oacute;los-base    de Brejo Mata Fome e   da aldeia Rancharia, submetem-se a uma dieta cariog&ecirc;nica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Em rela&ccedil;&atilde;o aos 50% de crian&ccedil;as    livres de c&aacute;rie aos seis anos de idade, nenhum P&oacute;lo-base atingiu    essa meta.   Alcan&ccedil;ar a meta para os 12 anos &eacute; mais comum do que cumprir a    meta para os seis anos de idade. Possivelmente,   o fato est&aacute; relacionado &agrave; aus&ecirc;ncia de escova&ccedil;&atilde;o    com dentifr&iacute;cio fluoretado at&eacute; seis anos de idade, medida que   passa a ser adotada quando as crian&ccedil;as entram na escola.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A busca de explica&ccedil;&otilde;es sobre os    determinantes da situa&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de bucal deve ser mais    aprofundada, em   pr&oacute;ximos estudos, para permitir que os planejadores tenham maior clareza    sobre como enfrentar os problemas   de sa&uacute;de bucal com mais eq&uuml;idade. Isso porque h&aacute; diferen&ccedil;as    no acometimento da c&aacute;rie na popula&ccedil;&atilde;o, segundo   esses determinantes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Os dados desta pesquisa n&atilde;o podem ser    generalizados para todas as etnias ind&iacute;genas. Pode-se dizer, sim, que   medidas coletivas e a concess&atilde;o de prioridade para os servi&ccedil;os    de sa&uacute;de bucal, quando assumidas pelos gestores   respons&aacute;veis, podem alcan&ccedil;ar um controle de c&aacute;rie dental    na popula&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Entre os P&oacute;los-base e a aldeia examinados,    somente Brejo Mata Fome alcan&ccedil;ou a meta definida para a idade   de 12 anos &#8211; n&atilde;o para as crian&ccedil;as livres de c&aacute;rie    aos seis anos de idade. Conclui-se que as medidas coletivas   utilizadas n&atilde;o foram suficientes para alcan&ccedil;ar n&iacute;veis aceit&aacute;veis    de sa&uacute;de bucal nas popula&ccedil;&otilde;es estudadas, sendo   necess&aacute;ria a ado&ccedil;&atilde;o de instrumento mais efetivo nos procedimentos    preventivos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Para a etnia abordada, fica evidente a aus&ecirc;ncia    de cirurgi&otilde;es-dentistas e/ou de um modelo assistencial organizado   de forma a articular procedimentos curativos e preventivos em todos seus P&oacute;los-base.    Tamb&eacute;m &eacute; necess&aacute;ria a   distribui&ccedil;&atilde;o de escovas e cremes dentais fluoretados para todos    os Xakriab&aacute;s. Essas iniciativas, de grande impacto   e baixo custo, s&atilde;o mais efetivas que medidas individuais, as quais dificilmente    cobrem toda a popula&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"> Para os Xakriab&aacute;s, fazem-se mister a&ccedil;&otilde;es    de sa&uacute;de integradas entre todos os setores que atuam nessa reserva   ind&iacute;gena, na perspectiva da busca da preven&ccedil;&atilde;o e promo&ccedil;&atilde;o    da sa&uacute;de de sua popula&ccedil;&atilde;o.</font></p>      ]]></body>
</article>
