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<institution><![CDATA[,Fundação Instituto Oswaldo Cruz Escola Nacional de Saúde Pública Membro do Comitê Editorial Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde Jorge Careli]]></institution>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>EDITORIAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"> <b>Os 20 anos do SUS e os avan&ccedil;os na    vigil&acirc;ncia e na prote&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Maria Cec&iacute;lia de Souza Minayo</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Membro do Comit&ecirc; Editorial Centro Latino-Americano    de Estudos de Viol&ecirc;ncia e Sa&uacute;de Jorge Careli, Escola Nacional de    Sa&uacute;de P&uacute;blica, Funda&ccedil;&atilde;o Instituto Oswaldo Cruz</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"> Mesmo os maiores cr&iacute;ticos dos servi&ccedil;os    p&uacute;blicos n&atilde;o podem deixar de reconhecer que nestes 20 anos transcorridos    desde a Constitui&ccedil;&atilde;o Cidad&atilde; de 1988, o Sistema &Uacute;nico    de Sa&uacute;de brasileiro &#8211; SUS &#8211; transformou-se, amadureceu e    passou a apresentar novas quest&otilde;es &agrave; considera&ccedil;&atilde;o    dos pol&iacute;ticos, gestores e profissionais de sa&uacute;de, quanto &agrave;    gest&atilde;o e &agrave; pr&oacute;pria relev&acirc;ncia dos problemas da Sa&uacute;de    P&uacute;blica a serem enfrentados.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">As teses defendidas na VIII Confer&ecirc;ncia    Nacional de Sa&uacute;de (1986), consagradas na Constitui&ccedil;&atilde;o Federal    de 1988, privilegiaram a formula&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica de sa&uacute;de    com base nas transforma&ccedil;&otilde;es do perfil demogr&aacute;fico e epidemiol&oacute;gico    da popula&ccedil;&atilde;o. Os debates acalorados pelo contexto pol&iacute;tico    da redemocratiza&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s enfatizaram as a&ccedil;&otilde;es    de promo&ccedil;&atilde;o e prote&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de e n&atilde;o    apenas a cura das doen&ccedil;as, preocuparam-se com a acessibilidade dos cidad&atilde;os    &agrave; aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de, com a integralidade e    universalidade dos cuidados, independentemente da capacidade financeira dos usu&aacute;rios,    e, por fim, com a organiza&ccedil;&atilde;o do Sistema que primasse por um processo    decis&oacute;rio participativo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O conjunto de propostas referidas acima, exatamente    o que a legisla&ccedil;&atilde;o brasileira em vigor prop&otilde;e para o SUS,    teve de percorrer os caminhos dif&iacute;ceis da mudan&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o    a um sistema marcado pela vis&atilde;o hospitaloc&ecirc;ntrica, centralizadora    e discriminat&oacute;ria. S&atilde;o 20 anos de estrada, em que os atores sociais    do processo de transforma&ccedil;&atilde;o se diversificaram e se multiplicaram,    em que a pureza da proposta teve de ser adequada &agrave;s conting&ecirc;ncias    da realidade.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Muitos trabalhos, publicados e a se publicar    neste ano, disp&otilde;em-se a uma revis&atilde;o rigorosa e cr&iacute;tica    das armadilhas que tornaram o SUS menos SUS. Entre os mais ferrenhos cr&iacute;ticos,    encontram-se autores e atores que, desde a primeira hora at&eacute; hoje, se    dedicaram firmemente ao desenvolvimento da proposta de acordo com sua filosofia    original. Sua vis&atilde;o &eacute; imprescind&iacute;vel para o aprimoramento    do Sistema e para as necess&aacute;rias corre&ccedil;&otilde;es de rumos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Neste editorial, prefiro falar das conquistas    do processo j&aacute; constru&iacute;do e dizer que, a meu ver, o SUS jamais    poder-se-ia considerar consolidado. Na verdade, quando se diz que uma institui&ccedil;&atilde;o    ou a&ccedil;&atilde;o est&aacute; consolidada, d&aacute;-se por subentendido    que est&aacute; inerte e morta. Um organismo vivo e pulsante como &eacute; o    SUS est&aacute; presente na din&acirc;mica provis&oacute;ria e perene de seus    &ecirc;xitos e suas defici&ecirc;ncias. Nesse equil&iacute;brio incerto, tendo    que negociar os mais diversos interesses, o SUS responde, aqui e agora, aos    problemas de sa&uacute;de, corrige rumos, inclui novos temas, incorpora tecnologias    in&eacute;ditas no pa&iacute;s e cria arranjos gerenciais. O que o SUS n&atilde;o    pode &eacute; perder o norte da resposta aos anseios da popula&ccedil;&atilde;o    brasileira &#8211; seu &uacute;nico alvo inamov&iacute;vel &#8211; que se prop&otilde;e    a atingir um patamar mais elevado em sua qualidade de vida e de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Poder&iacute;amos enumerar grandes conquistas,    como a queda vertiginosa da mortalidade infantil, a longevidade que aumentou    rapidamente e a diminui&ccedil;&atilde;o ou elimina&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rias    doen&ccedil;as infecciosas. Hoje, com um importante sistema de informa&ccedil;&atilde;o,    muito mais capacidade de gest&atilde;o, profissionais mais bem preparados e    um elenco de investigadores dedicados ao setor, &eacute; poss&iacute;vel ao    Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de ter muito mais clareza das necessidades,    dos problemas e dos caminhos de solu&ccedil;&atilde;o. Exemplo desse aprimoramento    &eacute; este n&uacute;mero da revista <i>Epidemiologia e Servi&ccedil;os de    Sa&uacute;de</i>, cujos artigos s&atilde;o todos assinados por professores-doutores    reconhecidos por sua profunda inser&ccedil;&atilde;o na constru&ccedil;&atilde;o    do SUS. Os temas tratados aqui est&atilde;o em sintonia fina com quest&otilde;es    fundamentais do campo da Sa&uacute;de P&uacute;blica. &Eacute; o caso, por exemplo,    do texto sobre fatores associados ao uso e &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o    com os servi&ccedil;os de sa&uacute;de entre usu&aacute;rios do Sistema &Uacute;nico    de Sa&uacute;de em Belo Horizonte-MG,<sup>1</sup> de dois artigos que abordam    o aprimoramento do sistema de informa&ccedil;&atilde;o de morbimortalidade no    que concerne &agrave; notifica&ccedil;&atilde;o da causa b&aacute;sica de morte    de idosos e ao aperfei&ccedil;oamento do conhecimento sobre mortes maternas,<sup>2,3</sup>    e do manuscrito que apresenta uma t&eacute;cnica de estima&ccedil;&atilde;o    da infesta&ccedil;&atilde;o predial por <i>Aedes aegypti</i>.<sup>4</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Nesse espa&ccedil;o de 20 anos, o tema do ambiente    &#8211; que em 1986, ano de nossa VIII Confer&ecirc;ncia Nacional, j&aacute;    houvera sido tratado pela Carta de Otawa &#8211; incorporou-se, definitivamente,    como componente essencial &agrave; sa&uacute;de e n&atilde;o apenas como mais    uma vari&aacute;vel. A quest&atilde;o da viol&ecirc;ncia, que, desde o final    dos anos 1970, j&aacute; se configurava como problema relevante no perfil de morbimortalidade    do pa&iacute;s mas n&atilde;o era tratada com o devido interesse, foi finalmente    legitimada na pauta pol&iacute;tica e de pr&aacute;ticas do setor. E as enfermidades    n&atilde;o transmiss&iacute;veis passaram a ocupar os primeiros postos na lista    dos problemas a serem enfrentados.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Na organiza&ccedil;&atilde;o do Sistema, o modelo    hospitaloc&ecirc;ntrico foi cedendo lugar a uma nova forma organizativa, com    &ecirc;nfase na aten&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica. Por indu&ccedil;&atilde;o    das organiza&ccedil;&otilde;es que se criaram ou se redesenharam para atender    &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o Federal e &agrave; Lei Org&acirc;nica da    Sa&uacute;de, esta promulgada em 1990 (Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de; Conselho    Nacional dos Secret&aacute;rios Estaduais de Sa&uacute;de; Conselho Nacional    dos Secret&aacute;rios Municipais de Sa&uacute;de; e os Conselhos Nacional,    Estaduais e Municipais, com representa&ccedil;&atilde;o dos usu&aacute;rios)    o Sistema se descentralizou. Desta forma, tornou-se poss&iacute;vel aos cidad&atilde;os    um acesso p&uacute;blico aos servi&ccedil;os pr&oacute;ximos a seus locais de    resid&ecirc;ncia, servi&ccedil;os estes que, se n&atilde;o perfeitos e satisfat&oacute;rios,    est&atilde;o longe de ser desprez&iacute;veis.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Desde a vis&atilde;o organizativa inicial, muito    impregnada pelo marxismo estruturalista e voltada &agrave;s macro-transforma&ccedil;&otilde;es,    os atores do SUS evolu&iacute;ram para tamb&eacute;m incorporar, junto com a    id&eacute;ia do coletivo, a quest&atilde;o da subjetividade, &uacute;nica e    insubstitu&iacute;vel em seu papel participativo e de responsabilidade na produ&ccedil;&atilde;o    de condi&ccedil;&otilde;es e a&ccedil;&otilde;es pela sa&uacute;de. Essa incorpora&ccedil;&atilde;o    da vis&atilde;o dos direitos e tamb&eacute;m dos deveres e da responsabiliza&ccedil;&atilde;o    do cidad&atilde;o &eacute; uma forma de o Sistema se adequar &agrave;s demandas    do quadro sanit&aacute;rio. No caso das doen&ccedil;as n&atilde;o transmiss&iacute;veis    e dos agravos provocados pela viol&ecirc;ncia, sabemos que &eacute; urgente    e vital envolver todos os atores e sujeitos sociais, como coletividade e enquanto    indiv&iacute;duos, nos cuidados e na supera&ccedil;&atilde;o dos problemas.    &Eacute; o caso, por exemplo, do assunto tratado por um dos artigos desta edi&ccedil;&atilde;o    da revista, que discorre sobre o perfil do consumo de bebidas alco&oacute;licas    segundo diferen&ccedil;as sociais e demogr&aacute;ficas em Campinas-SP.<sup>5</sup> O problema    do alcoolismo inclui, inexoravelmente, participa&ccedil;&atilde;o e liberdade    dos sujeitos em sua supera&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Certamente, este editorial n&atilde;o se prop&otilde;e    a uma avalia&ccedil;&atilde;o do SUS, tarefa herc&uacute;lea para quem pretende    mostrar suas potencialidades e suas fragilidades. Trata-se apenas de uma palavra    de celebra&ccedil;&atilde;o de quem vem, por muitos anos, entre louros e espinhos,    buscando acender seu palito de f&oacute;sforo para, junto com outros milh&otilde;es    de pequenas chamas, iluminar o SUS em constru&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">1. Lima-Costa MF, Loyola Filho, AI. Fatores associados    ao uso e &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o com os servi&ccedil;os de sa&uacute;de    entre usu&aacute;rios do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de na Regi&atilde;o    Metropolitana de Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais, Brasil. Epidemiologia    e Servi&ccedil;os de Sa&uacute;de 2008; 17(4): 247-257.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">2. Jorge, MHPM, Laurenti R, Lima-Costa MF, Gotlieb    SLD, Chiavegatto Filho, ADP. A mortalidade de idosos no Brasil: a quest&atilde;o    das causas mal definidas. Epidemiologia e Servi&ccedil;os de Sa&uacute;de 2008;    17(4): 271-281.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">3. Laurenti R, Jorge MHPM, Gotlieb SLD. Mortes    maternas e mortes por causas maternas. Epidemiologia e Servi&ccedil;os de Sa&uacute;de    2008; 17(4): 283-292.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">4. Gomes AC, Silva NN, Bernal RTI, Leandro AS.    Estima&ccedil;&atilde;o da infesta&ccedil;&atilde;o predial por <i>Aedes aegypti</i>    (D&iacute;ptera: Culicidae) por meio da armadilha Adultrap<sup>&#174;</sup>. Epidemiologia    e Servi&ccedil;os de Sa&uacute;de 2008; 17(4): 293-300.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">5. Barros MBA, Marin-Le&oacute;n L, Oliveira    HB, Dalgalarrondo P, Botega NJ. Perfil do consumo de bebidas alco&oacute;licas:    diferen&ccedil;as sociais e demogr&aacute;ficas no Munic&iacute;pio de Campinas,    Estado de S&atilde;o Paulo, Brasil, 2003. Epidemiologia e Servi&ccedil;os de    Sa&uacute;de 2008; 17(4): 259-270.</font> ]]></body><back>
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