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<article-id pub-id-type="doi">10.5123/S1679-49742008000400002</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Fatores associados ao uso e à satisfação com os serviços de saúde entre usuários do Sistema Único de Saúde na Região Metropolitana de Belo Horizonte, estado de Minas Gerais, Brasil]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Federal de Minas Gerais Centro Colaborador da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde em Epidemiologia do Envelhecimento e Saúde do Idoso ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The objective of this study was to examine factors associated with use and satisfaction with health services among National Health System (SUS) users in the Metropolitan Region of Belo Horizonte (RMBH), State of Minas Gerais, Brazil. A random sample of 8.604 adults participated. From them, 74% had one or more doctor visits in previous year and 68% would recommend the majority of the health professionals and services used. Older ages, female gender and higher formal education were positively and independently associated with use and satisfaction with the health services used; other characteristics associated with these outcomes were lifestyle and health status. Some of the above associations point out for the existence of the inverse care law. The results indicate that differences on use and satisfaction with health services, previously reported for more heterogeneous populations, are also observed among SUS users in the RMBH.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b><a name="topo"></a><font size="2" face="verdana">ARTIGO ORIGINAL</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Fatores associados ao uso e &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o    com os servi&ccedil;os de sa&uacute;de entre usu&aacute;rios do Sistema &Uacute;nico    de Sa&uacute;de na Regi&atilde;o Metropolitana de Belo Horizonte, estado de    Minas Gerais, Brasil<a href="#nota"><sup>*</sup></a><a name="s1"></a></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Associated factors to the use    and the satisfaction with heath services among National Health System users    in the Metropolitan Region of Belo Horizonte, state of Minas Gerais, Brazil</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Maria Fernanda Lima-Costa; Ant&ocirc;nio    Ign&aacute;cio de Loyola Filho</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">N&uacute;cleo de Estudos em Sa&uacute;de P&uacute;blica    e Envelhecimento, Centro de Pesquisa Ren&eacute; Rachou, Funda&ccedil;&atilde;o    Oswaldo Cruz, Belo Horizonte-MG, Brasil. Universidade Federal de Minas Gerais    &#8211; Centro Colaborador da Secretaria de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de    do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de em Epidemiologia do Envelhecimento e Sa&uacute;de    do Idoso &#8211;, Belo Horizonte-MG, Brasil</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O objetivo deste estudo foi determinar    os fatores associados ao uso e &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o com os servi&ccedil;os    de sa&uacute;de entre usu&aacute;rios do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de    (SUS) na Regi&atilde;o Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), Estado de Minas    Gerais, Brasil. Participaram 8.604 adultos, selecionados por amostra probabil&iacute;stica.    Entre eles, 74% haviam tido uma ou mais consultas m&eacute;dicas no ano anterior    e 68% recomendariam para outra pessoa a maioria dos profissionais ou servi&ccedil;os    de sa&uacute;de utilizados. Idade mais alta, sexo feminino e maior escolaridade    apresentaram associa&ccedil;&otilde;es positivas e independentes com o uso e    a satisfa&ccedil;&atilde;o com os servi&ccedil;os utilizados; outras caracter&iacute;sticas    associadas a esses eventos foram h&aacute;bitos de vida e condi&ccedil;&otilde;es    de sa&uacute;de. Algumas das associa&ccedil;&otilde;es observadas indicam um    padr&atilde;o inverso na lei de cuidados. Os resultados mostram que diferen&ccedil;as    no uso e na satisfa&ccedil;&atilde;o com os servi&ccedil;os de sa&uacute;de,    observadas em popula&ccedil;&otilde;es aparentemente mais heterog&ecirc;neas,    reproduzem-se entre usu&aacute;rios do SUS na RMBH.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Palavras-chave:</b> uso de servi&ccedil;os    de sa&uacute;de; satisfa&ccedil;&atilde;o com servi&ccedil;os de sa&uacute;de;    inqu&eacute;rito de sa&uacute;de; Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>SUMMARY</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">The objective of this study was    to examine factors associated with use and satisfaction with health services    among National Health System (SUS) users in the Metropolitan Region of Belo    Horizonte (RMBH), State of Minas Gerais, Brazil. A random sample of 8.604 adults    participated. From them, 74% had one or more doctor visits in previous year    and 68% would recommend the majority of the health professionals and services    used. Older ages, female gender and higher formal education were positively    and independently associated with use and satisfaction with the health services    used; other characteristics associated with these outcomes were lifestyle and    health status. Some of the above associations point out for the existence of    the inverse care law. The results indicate that differences on use and satisfaction    with health services, previously reported for more heterogeneous populations,    are also observed among SUS users in the RMBH.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Key words:</b> health services    use; satisfaction with health services; health survey; National Health System    of Brazil.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Estudos t&ecirc;m mostrado que existem    diferen&ccedil;as importantes nas condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de e    no uso de servi&ccedil;os de sa&uacute;de entre usu&aacute;rios do Sistema &Uacute;nico    de Sa&uacute;de (SUS), em compara&ccedil;&atilde;o aos benefici&aacute;rios    da medicina suplementar.<sup>1,2</sup> Na linha de base da coorte de idosos    de Bambu&iacute;, Munic&iacute;pio do Estado de Minas Gerais (MG), por exemplo,    observou-se que os primeiros, em compara&ccedil;&atilde;o aos &uacute;ltimos,    tinham uma pior auto-avalia&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de, apresentavam mais    incapacidades, usavam menos medicamentos e consultavam m&eacute;dicos em menor    freq&uuml;&ecirc;ncia.<sup>1</sup> Outro estudo, conduzido na Regi&atilde;o    Metropolitana de Belo Horizonte-MG, capital do Estado, observou que os usu&aacute;rios    do SUS possu&iacute;am h&aacute;bitos menos saud&aacute;veis (fumavam mais,    consumiam mais bebida alco&oacute;lica, praticavam menos exerc&iacute;cios e    consumiam menos verduras, legumes ou frutas) e haviam sido submetidos a menos    exames de rastreamento (medidas de press&atilde;o arterial, colesterol, mamografia,    exame de Papanicolau e pesquisa de sangue oculto nas fezes), em compara&ccedil;&atilde;o    aos benefici&aacute;rios da medicina suplementar. Al&eacute;m disso, os primeiros    haviam recebido, com menor freq&uuml;&ecirc;ncia, aconselhamento m&eacute;dico    sobre o consumo de &aacute;lcool e cigarro, comparativamente aos &uacute;ltimos.<sup>2</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Dados do suplemento de sa&uacute;de    da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic&iacute;lio (PNAD), realizada pela    Funda&ccedil;&atilde;o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica    (IBGE), apresentaram, para o ano de 2003, uma preval&ecirc;ncia de usu&aacute;rios    exclusivos do SUS superior a 90% entre aqueles com renda domiciliar <i>per capita</i>    mais baixa; entre os de renda mais alta, essa preval&ecirc;ncia mostrou-se inferior    a 30%.<sup>3</sup> Os indiv&iacute;duos situados no quintil inferior da distribui&ccedil;&atilde;o    da renda, segundo a mesma PNAD/IBGE, apresentavam piores condi&ccedil;&otilde;es    de sa&uacute;de, pior capacidade funcional e menor uso de servi&ccedil;os de    sa&uacute;de.<sup>3</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os estudos aqui mencionados foram    realizados em popula&ccedil;&otilde;es heterog&ecirc;neas, comparando-se usu&aacute;rios    do SUS com os benefici&aacute;rios da medicina suplementar, ou entre indiv&iacute;duos    com diferen&ccedil;as expressivas na renda domiciliar. Estudos de base populacional,    investigando desigualdades em sa&uacute;de, entre usu&aacute;rios do SUS s&atilde;o    raros.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O objetivo do presente trabalho    &eacute; examinar os fatores associados ao uso e &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o    com os servi&ccedil;os de sa&uacute;de entre adultos usu&aacute;rios exclusivos    do SUS, residentes na Regi&atilde;o Metropolitana de Belo Horizonte-MG (RMBH).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Metodologia</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A RMBH &eacute; constitu&iacute;da    por cerca de 20 Munic&iacute;pios, onde vivem 4,4 milh&otilde;es de pessoas.    O presente trabalho foi realizado em uma amostra representativa de adultos residentes    na RMBH, com base em um inqu&eacute;rito conduzido entre os dias 1<sup>o</sup>    de maio e 30 de julho de 2003. A coleta de dados para a pesquisa foi realizada    mediante question&aacute;rio suplementar &agrave; Pesquisa de Emprego e Desemprego    (PED), periodicamente conduzida na RMBH. A PED/RMBH &eacute; realizada em uma    grande amostra, circunscrita a 7.500 domic&iacute;lios, abrangendo 24.000 moradores.    A amostra foi delineada para produzir estimativas da popula&ccedil;&atilde;o    n&atilde;o institucionalizada, com dez ou mais anos de idade, residente nos    Munic&iacute;pios da Regi&atilde;o Metropolitana. Trata- se de uma amostra probabil&iacute;stica    de conglomerados, estratificada em dois est&aacute;gios. Os setores censit&aacute;rios    do IBGE representam a unidade prim&aacute;ria de sele&ccedil;&atilde;o; a unidade    amostral constitui-se no domic&iacute;lio. As perdas estimadas para o c&aacute;lculo    amostral foram iguais a 20%. Dos 7.500 domic&iacute;lios selecionados para a    pesquisa, 5.922 (79,0%) participaram. A distribui&ccedil;&atilde;o por sexo    e idade dos participantes do inqu&eacute;rito ora apresentado foi semelhante    &agrave; observada para a popula&ccedil;&atilde;o da RMBH no censo demogr&aacute;fico    de 2000, conduzido pelo IBGE. Maiores detalhes podem ser vistos em publica&ccedil;&atilde;o    anterior.<sup>4</sup> Para este trabalho, foram selecionados todos os participantes    da PED/RMBH com 20 ou mais anos de idade e que n&atilde;o possu&iacute;am cobertura    pela medicina suplementar.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As vari&aacute;veis dependentes    deste estudo foram: (1) n&uacute;mero de consultas m&eacute;dicas realizadas    nos &uacute;ltimos 12 meses (considerado como indicador do uso de servi&ccedil;os    de sa&uacute;de); e (2) recomenda&ccedil;&atilde;o para outra pessoa da aten&ccedil;&atilde;o    &agrave; sa&uacute;de recebida (considerada como indicador de satisfa&ccedil;&atilde;o    com os servi&ccedil;os utilizados). A informa&ccedil;&atilde;o sobre o n&uacute;mero    de consultas m&eacute;dicas foi obtida mediante a pergunta: &quot;<i>Nos &uacute;ltimos    12 meses, quantas vezes voc&ecirc; consultou um m&eacute;dico?</i>&quot;. A    resposta foi estratificada em tr&ecirc;s n&iacute;veis: nenhuma; uma a duas;    e tr&ecirc;s ou mais consultas. A recomenda&ccedil;&atilde;o para outra pessoa    da aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de recebida, por sua vez, foi determinada    pela seguinte pergunta: &quot;<i>Voc&ecirc; recomendaria para outra pessoa os    m&eacute;dicos, profissionais ou servi&ccedil;os de sa&uacute;de utilizados    nos &uacute;ltimos 12 meses?</i>&quot;. A resposta foi codificada em tr&ecirc;s    n&iacute;veis: n&atilde;o recomendaria; recomendaria alguns ou pelo menos a    metade; e recomendaria todos ou a maioria deles.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As vari&aacute;veis independentes    do estudo inclu&iacute;ram: (1) caracter&iacute;sticas s&oacute;cio-demogr&aacute;ficas;    (2) indicadores das condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de; e (3) estilos de    vida relacionados &agrave; sa&uacute;de. Entre as caracter&iacute;sticas s&oacute;cio-demogr&aacute;ficas,    considerou-se a idade, o sexo, o Munic&iacute;pio de resid&ecirc;ncia na RMBH,    o estado conjugal e a escolaridade. Entre os indicadores das condi&ccedil;&otilde;es    de sa&uacute;de, foram considerados a auto-avalia&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de    e o n&uacute;mero de condi&ccedil;&otilde;es cr&ocirc;nicas &#8211; este, baseado    na hist&oacute;ria de diagn&oacute;stico m&eacute;dico anterior para artrite/    reumatismo, hipertens&atilde;o, asma/bronquite, diabete, angina, infarto, outra    doen&ccedil;a do cora&ccedil;&atilde;o, derrame, doen&ccedil;a renal cr&ocirc;nica,    doen&ccedil;a da coluna/costas e depress&atilde;o. Entre os estilos de vida,    foram inclu&iacute;dos: consumo atual de cigarros (considerou-se tabagista atual    aquele que j&aacute; havia fumado pelo menos 100 cigarros durante a vida e continuava    a fumar); consumo epis&oacute;dico excessivo de &aacute;lcool (ingest&atilde;o    de cinco ou mais drinques de bebidas alco&oacute;licas em uma &uacute;nica ocasi&atilde;o,    nos &uacute;ltimos 30 dias); atividades f&iacute;sicas nos per&iacute;odos de    lazer (freq&uuml;&ecirc;ncia semanal de exerc&iacute;cios por 20-30 minutos    nos per&iacute;odos de lazer, nos &uacute;ltimos 90 dias); e consumo de verduras,    legumes ou frutas (cinco ou mais por&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias, nos &uacute;ltimos    30 dias). Al&eacute;m das vari&aacute;veis aqui relacionadas, foi considerada    a satisfa&ccedil;&atilde;o com o peso atual.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">A an&aacute;lise univariada baseou-se    no teste do qui-quadrado de Pearson; e a an&aacute;lise multivariada, por sua    vez, em <i>odds ratios</i> estimadas pelo m&eacute;todo de regress&atilde;o    log&iacute;stica multinomial.<sup>5</sup> Todas as vari&aacute;veis consideradas    neste trabalho foram inclu&iacute;das, uma a uma, nos modelos log&iacute;sticos    iniciais; aquelas que permaneceram associadas com a vari&aacute;vel dependente    em n&iacute;vel inferior a 0,05 foram mantidas no modelo final. As an&aacute;lises    foram realizadas utilizando-se os procedimentos do programa Stata vers&atilde;o    9.1 (Stata Corporation, College Station, Texas) para inqu&eacute;ritos populacionais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Considera&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O inqu&eacute;rito de sa&uacute;de    da Regi&atilde;o Metropolitana de Belo Horizonte-MG foi aprovado pelo Comit&ecirc;    de &Eacute;tica do Instituto de Pesquisas Ren&eacute; Rachou da Funda&ccedil;&atilde;o    Oswaldo Cruz, Belo Horizonte-MG.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Resultados</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Entre os 13.701 participantes do    inqu&eacute;rito de sa&uacute;de da RMBH com 20 ou mais anos de idade, 8.604    (62,8%) n&atilde;o possu&iacute;am cobertura pela medicina suplementar e foram    considerados usu&aacute;rios exclusivos do SUS. Destes, 8.505 (98,9%) participaram    da an&aacute;lise dos fatores associados ao uso dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de    e 5.659 (89,7% dos que haviam consultado um m&eacute;dico nos 12 meses precedentes)    participaram da an&aacute;lise dos fatores associados &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o    com esses servi&ccedil;os. Entre os participantes, a m&eacute;dia da idade foi    de 39,2 anos, com predom&iacute;nio do sexo feminino (53,0%) e baixa escolaridade    (67,4% possu&iacute;am at&eacute; o Primeiro Grau completo), como se pode ver    na <a href="#tab1">Tabela 1</a>.</font></p>     <p><a name="tab1" id="tab1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v17n4/4a02t1.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">A distribui&ccedil;&atilde;o do    n&uacute;mero de consultas m&eacute;dicas nos &uacute;ltimos 12 meses foi a    seguinte: 25,8% relataram n&atilde;o ter consultado um m&eacute;dico; 44,1%    relataram ter tido uma ou duas consultas; e 29,7%, tr&ecirc;s ou mais consultas    m&eacute;dicas no per&iacute;odo considerado. Entre os que afirmaram ter utilizado    servi&ccedil;os de sa&uacute;de nos &uacute;ltimos 12 meses, 11,0% n&atilde;o    recomendariam os m&eacute;dicos, profissionais ou servi&ccedil;os de sa&uacute;de    utilizados, 20.6% recomendariam alguns ou pelo menos a metade e 68,4% recomendariam    todos ou a maioria deles.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Na <a href="#tab2">Tabela 2</a>,    s&atilde;o apresentados os resultados da an&aacute;lise univariada da associa&ccedil;&atilde;o    entre caracter&iacute;sticas s&oacute;cio-demogr&aacute;ficas, n&uacute;mero    de consultas m&eacute;dicas nos &uacute;ltimos 12 meses e recomenda&ccedil;&atilde;o    para outra pessoa da aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de recebida. Idade,    sexo, Munic&iacute;pio de resid&ecirc;ncia, estado conjugal e escolaridade apresentaram    associa&ccedil;&otilde;es estatisticamente significantes com o n&uacute;mero    de consultas m&eacute;dicas. Idade, sexo, Munic&iacute;pio de resid&ecirc;ncia    e escolaridade apresentaram associa&ccedil;&atilde;o com a recomenda&ccedil;&atilde;o    para outra pessoa dos profissionais ou servi&ccedil;os de sa&uacute;de utilizados.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><a name="tab2"></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v17n4/4a02t2.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Os resultados da an&aacute;lise    univariada da associa&ccedil;&atilde;o entre indicadores das condi&ccedil;&otilde;es    de sa&uacute;de, estilos de vida, n&uacute;mero de consultas m&eacute;dicas    nos &uacute;ltimos 12 meses e recomenda&ccedil;&atilde;o para outra pessoa da    aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de recebida est&atilde;o apresentados    na <a href="#tab3">Tabela 3</a>. Associa&ccedil;&otilde;es significantes com    o n&uacute;mero de consultas m&eacute;dicas foram observadas para auto-avalia&ccedil;&atilde;o    da sa&uacute;de, n&uacute;mero de doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas, tabagismo atual,    consumo epis&oacute;dico excessivo de &aacute;lcool nos &uacute;ltimos 30 dias,    percep&ccedil;&atilde;o de estar acima do peso e freq&uuml;&ecirc;ncia de exerc&iacute;cios    f&iacute;sicos durante os momentos de lazer nos &uacute;ltimos 90 dias. Associa&ccedil;&otilde;es    significantes com a recomenda&ccedil;&atilde;o para outra pessoa da aten&ccedil;&atilde;o    &agrave; sa&uacute;de recebida foram encontradas para auto-avalia&ccedil;&atilde;o    da sa&uacute;de, tabagismo atual, consumo epis&oacute;dico excessivo de &aacute;lcool,    consumo di&aacute;rio de cinco ou mais por&ccedil;&otilde;es de verduras, legumes    ou frutas e freq&uuml;&ecirc;ncia de exerc&iacute;cios f&iacute;sicos durante    os per&iacute;odos de lazer.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><a name="tab3"></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v17n4/4a02t3.gif" border="0"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Os resultados finais da an&aacute;lise    multivariada dos fatores associados ao n&uacute;mero de consultas m&eacute;dicas    nos &uacute;ltimos 12 meses est&atilde;o apresentados na <a href="#tab4">Tabela    4</a>. As seguintes associa&ccedil;&otilde;es positivas e independentes com    1-2 e 3 ou mais consultas, em compara&ccedil;&atilde;o a n&atilde;o ter tido    consultas m&eacute;dicas, foram observadas: sexo feminino; ser casado; pior    auto-avalia&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de (razo&aacute;vel; ruim ou muito    ruim); e n&uacute;mero de doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas (1-2 e 3 ou mais). Quando    comparadas &agrave; faixa et&aacute;ria de 20-29 anos, todas as demais apresentaram    associa&ccedil;&otilde;es positivas e independentes com 1-2 consultas; somente    a faixa et&aacute;ria de 60 ou mais anos apresentou associa&ccedil;&atilde;o    significante com 3 ou mais consultas m&eacute;dicas. A resid&ecirc;ncia no Munic&iacute;pio    de Belo Horizonte-MG apresentou associa&ccedil;&atilde;o positiva com 1-2 consultas;    por&eacute;m, n&atilde;o com 3 ou mais. A maior escolaridade (Segundo Grau e    escolaridade superior completos) apresentou associa&ccedil;&atilde;o positiva    e independente com 1-2 e 3 ou mais consultas; somente a escolaridade superior    apresentou associa&ccedil;&atilde;o com 3 ou mais consultas. A percep&ccedil;&atilde;o    de se encontrar acima do peso esteve associada a 3 ou mais consultas, mas n&atilde;o    a 1-2. Associa&ccedil;&atilde;o negativa e independente com 1-2 e 3 ou mais    consultas foi observada para tabagismo atual; e associa&ccedil;&atilde;o negativa    com 3 ou mais consultas, para consumo epis&oacute;dico excessivo de &aacute;lcool.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><a name="tab4"></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v17n4/4a02t4.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Na <a href="#tab5">Tabela 5</a>,    encontram-se os resultados finais da an&aacute;lise multivariada dos fatores    associados com a recomenda&ccedil;&atilde;o para outra pessoa dos profissionais    e servi&ccedil;os de sa&uacute;de utilizados. Em compara&ccedil;&atilde;o aos    que n&atilde;o recomendariam os profissionais e servi&ccedil;os de sa&uacute;de    utilizados nos &uacute;ltimos 12 meses, associa&ccedil;&otilde;es positivas    e independentes com a recomenda&ccedil;&atilde;o de alguns profissionais ou    servi&ccedil;os de sa&uacute;de foram observadas para faixa et&aacute;ria (todas    as faixas et&aacute;rias, comparativamente &agrave; faixa et&aacute;ria mais    jovem), sexo feminino, resid&ecirc;ncia no Munic&iacute;pio de Belo Horizonte-MG,    escolaridade superior e consumo di&aacute;rio de cinco ou mais por&ccedil;&otilde;es    de verduras, legumes ou frutas; associa&ccedil;&otilde;es negativas, por sua    vez, foram observadas para auto-avalia&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de como    ruim ou muito ruim e para tabagismo atual. Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;    recomenda&ccedil;&atilde;o da maioria ou de todos os profissionais ou servi&ccedil;os    de sa&uacute;de utilizados, associa&ccedil;&otilde;es positivas e independentes    foram observadas para faixa et&aacute;ria, sexo feminino, resid&ecirc;ncia no    Munic&iacute;pio de Belo Horizonte-MG, escolaridade superior e consumo di&aacute;rio    de verduras, legumes ou frutas; associa&ccedil;&otilde;es negativas foram encontradas    para percep&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de como razo&aacute;vel e ruim ou    muito ruim e para tabagismo atual.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><a name="tab5"></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v17n4/4a02t5.gif" border="0"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os resultados deste trabalho mostraram que 74%    dos adultos usu&aacute;rios exclusivos do SUS residentes na RMBH tiveram pelo    menos uma consulta m&eacute;dica nos 12 meses precedentes e que, entre eles,    68% recomendariam a maioria ou todos os servi&ccedil;os e profissionais de sa&uacute;de    envolvidos em seu atendimento. Os fatores associados ao uso de servi&ccedil;os    de sa&uacute;de e sua satisfa&ccedil;&atilde;o com eles compreenderam caracter&iacute;sticas    s&oacute;cio-demogr&aacute;ficas, estilos de vida relacionados &agrave; sa&uacute;de    e indicadores das condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Estudos conduzidos no Brasil e em    outros pa&iacute;ses mostraram que a idade e o sexo s&atilde;o as caracter&iacute;sticas    demogr&aacute;ficas mais consistentemente associadas ao uso de servi&ccedil;os    de sa&uacute;de. O uso desses servi&ccedil;os aumenta com a idade, em raz&atilde;o    do aumento da incid&ecirc;ncia e da preval&ecirc;ncia de doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas    e de incapacidades; tamb&eacute;m &eacute; maior no sexo feminino, independentemente    da idade, situa&ccedil;&atilde;o socioecon&ocirc;mica e condi&ccedil;&atilde;o    de sa&uacute;de.<sup>6-11</sup> Com refer&ecirc;ncia &agrave;s diferen&ccedil;as    de g&ecirc;nero, uma das hip&oacute;teses para explicar o maior uso de servi&ccedil;os    de sa&uacute;de pelas mulheres &eacute; que ele seria mais influenciado por    fatores externos &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de, comparativamente    ao uso pelos homens. Estudo australiano recente, entretanto, n&atilde;o confirmou    essa hip&oacute;tese.<sup>12</sup> No presente trabalho, a idade e o sexo apresentaram    associa&ccedil;&otilde;es independentes com o n&uacute;mero de consultas m&eacute;dicas,    embora algumas diferen&ccedil;as nessa associa&ccedil;&atilde;o fossem observadas.    A associa&ccedil;&atilde;o com o sexo foi mais forte para maior n&uacute;mero    de consultas m&eacute;dicas (3 ou mais consultas) do que para menor n&uacute;mero    de consultas (1-2 consultas). A faixa et&aacute;ria idosa apresentou associa&ccedil;&atilde;o    positiva e independente, tanto para menor quanto para maior n&uacute;mero de    consultas m&eacute;dicas, ao passo que as demais faixas et&aacute;rias apresentaram    associa&ccedil;&otilde;es com menor n&uacute;mero de consultas m&eacute;dicas.    Esse resultado &eacute; coerente com a maior necessidade de uso de servi&ccedil;os    de sa&uacute;de entre idosos, resultando em maior n&uacute;mero de consultas    m&eacute;dicas. A t&iacute;tulo de exemplo, a m&eacute;dia anual do n&uacute;mero    de consultas m&eacute;dicas na RMBH entre idosos (60 ou mais anos de idade)    usu&aacute;rios do SUS foi igual a 4,66, ao passo que entre os mais jovens (20-59    anos), a m&eacute;dia correspondente foi de 2,49 (dados n&atilde;o apresentados).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No presente trabalho, observou-se    uma associa&ccedil;&atilde;o independente entre residir no Munic&iacute;pio    de Belo Horizonte-MG e maior freq&uuml;&ecirc;ncia de uma ou duas consultas    m&eacute;dicas, mas essa associa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foi observada para    n&uacute;mero maior de consultas. Isso reflete, possivelmente, maior oferta    dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos de sa&uacute;de no Munic&iacute;pio, comparativamente    &agrave; dos demais &#8211; que comp&otilde;em a RMBH &#8211;, onde existe maior    heterogeneidade. A aus&ecirc;ncia de associa&ccedil;&atilde;o com maior n&uacute;mero    de consultas e Munic&iacute;pio de resid&ecirc;ncia sugere que essa heterogeneidade    n&atilde;o se reflete naqueles que necessitam de maior uso de servi&ccedil;os    de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A associa&ccedil;&atilde;o entre    estado conjugal e uso dos servi&ccedil;os &eacute; controversa. Estudo desenvolvido    na Holanda mostrou uma associa&ccedil;&atilde;o entre maior uso de servi&ccedil;os    de sa&uacute;de e ser vi&uacute;vo ou divorciado, independentemente de diversos    fatores de confus&atilde;o.<sup>13</sup> Outro estudo, realizado na Noruega    e na Finl&acirc;ndia, j&aacute; n&atilde;o encontrou associa&ccedil;&atilde;o    entre uso de servi&ccedil;os de sa&uacute;de e estado conjugal.<sup>14</sup>    Esta associa&ccedil;&atilde;o foi observada tanto para menor quanto para maior    n&uacute;mero de consultas, e persistiu ap&oacute;s ajustamentos por caracter&iacute;sticas    s&oacute;cio-demogr&aacute;ficas, condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de e    estilos de vida. S&atilde;o necess&aacute;rios, portanto, estudos mais profundos    sobre diferentes locais e culturas, para um melhor entendimento da associa&ccedil;&atilde;o    entre estado conjugal e uso de servi&ccedil;os de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A situa&ccedil;&atilde;o socioecon&ocirc;mica    e/ou a escolaridade s&atilde;o importantes determinantes do uso de servi&ccedil;os    de sa&uacute;de<sup>3,15,16</sup> e est&atilde;o fortemente associadas &agrave;    cobertura por medicina suplementar no Brasil.<sup>1,3,17</sup> Dessa forma,    espera-se que, entre os usu&aacute;rios do SUS, predomine a baixa escolaridade    e/ou a baixa renda. No presente trabalho, conduzido entre usu&aacute;rios exclusivos    do SUS, houve uma n&iacute;tida predomin&acirc;ncia de indiv&iacute;duos que    possuiam somente at&eacute; o Primeiro Grau completo (67%). Entretanto, observou-se    que, mesmo nessa popula&ccedil;&atilde;o aparentemente homog&ecirc;nea, a escolaridade    influenciou o uso de servi&ccedil;os de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A auto-avalia&ccedil;&atilde;o da    sa&uacute;de &eacute; um dos indicadores mais usados para determinar as condi&ccedil;&otilde;es    de sa&uacute;de de uma popula&ccedil;&atilde;o. Ela reflete uma percep&ccedil;&atilde;o    integrada do indiv&iacute;duo, que inclui as dimens&otilde;es biol&oacute;gica,    psicossocial e social, e, ademais, prediz, de forma consistente, a mortalidade    e o decl&iacute;nio funcional.<sup>18</sup> Estudo brasileiro recente mostrou    que a estrutura da auto-avalia&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de entre idosos    assemelha-se &agrave; defini&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de como &quot;<i>bem    estar f&iacute;sico, mental e social</i>&quot;, adotada pela Organiza&ccedil;&atilde;o    Mundial da Sa&uacute;de (OMS).<sup>19</sup> Diversos estudos t&ecirc;m mostrado    que a pior auto-avalia&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de est&aacute; associada    com o acesso<sup>20</sup> e uso dos servi&ccedil;os em diferentes locais e culturas.<sup>19,21,22</sup>    Como &eacute; de se esperar, o n&uacute;mero de doen&ccedil;as ou condi&ccedil;&otilde;es    cr&ocirc;nicas &eacute; um outro fator consistentemente descrito como associado    ao uso de servi&ccedil;os de sa&uacute;de. <sup>23</sup> Neste estudo, tanto    a auto-avalia&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de como o n&uacute;mero de doen&ccedil;as    cr&ocirc;nicas auto-referidas apresentaram associa&ccedil;&otilde;es independentes    com ter tido uma ou duas e tr&ecirc;s ou mais consultas m&eacute;dicas no ano    precedente. A persist&ecirc;ncia da associa&ccedil;&atilde;o entre pior auto-avalia&ccedil;&atilde;o    da sa&uacute;de e uso de servi&ccedil;os de sa&uacute;de, mesmo ap&oacute;s    ajustamentos por n&uacute;mero de doen&ccedil;as e condi&ccedil;&otilde;es cr&ocirc;nicas,    sugere que outros fatores, al&eacute;m da sa&uacute;de f&iacute;sica, s&atilde;o    determinantes do uso de servi&ccedil;os de sa&uacute;de na popula&ccedil;&atilde;o    estudada.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Diversos trabalhos t&ecirc;m mostrado    que indiv&iacute;duos obesos &#8211; ou que perderam peso recentemente &#8211;    utilizam mais servi&ccedil;os de sa&uacute;de.<sup>24-27</sup> Com rela&ccedil;&atilde;o    ao consumo de cigarros, pesquisa recente, realizada nos Estados Unidos da Am&eacute;rica    mostrou associa&ccedil;&atilde;o do tabagismo com o n&uacute;mero de visitas    a m&eacute;dicos especialistas e hospitaliza&ccedil;&otilde;es mas n&atilde;o    com o n&uacute;mero de consultas a m&eacute;dicos generalistas.<sup>27</sup>    Ainda com rela&ccedil;&atilde;o a estilos de vida, diversos trabalhos t&ecirc;m    mostrado que indiv&iacute;duos abst&ecirc;mios utilizam mais servi&ccedil;os    de sa&uacute;de.<sup>28-30</sup> Essa associa&ccedil;&atilde;o pode ser explicada,    parcialmente, por piores condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de entre abst&ecirc;mios.<sup>29</sup>    Os resultados do presente trabalho s&atilde;o coerentes com essas observa&ccedil;&otilde;es,    uma vez que foram encontradas associa&ccedil;&otilde;es positivas entre maior    n&uacute;mero de consultas m&eacute;dicas, percep&ccedil;&atilde;o de estar    acima do peso e consumo epis&oacute;dico excessivo de &aacute;lcool. Adicionalmente,    observou- se uma associa&ccedil;&atilde;o negativa entre tabagismo atual e 1-2    e 3 ou mais consultas m&eacute;dicas. Ressalte-se que esta &uacute;ltima associa&ccedil;&atilde;o    indica um padr&atilde;o inverso na lei de cuidados,<sup>31</sup> ou seja, os    tabagistas foram aqueles que tiveram menos consultas m&eacute;dicas no per&iacute;odo    considerado.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;    satisfa&ccedil;&atilde;o do usu&aacute;rio com a aten&ccedil;&atilde;o &agrave;    sa&uacute;de recebida, estudos epidemiol&oacute;gicos sobre o tema ainda s&atilde;o    raros no Brasil. Um trabalho conduzido no Estado do Cear&aacute;, mostrou que    as caracter&iacute;sticas determinantes dessa satisfa&ccedil;&atilde;o inclu&iacute;am    conseguir marcar a consulta, sentir-se melhor ap&oacute;s a mesma e condi&ccedil;&atilde;o    urbana/rural do distrito de resid&ecirc;ncia.<sup>32</sup> Um outro estudo,    baseado em uma amostra da popula&ccedil;&atilde;o brasileira inclu&iacute;da    no Inqu&eacute;rito Mundial de Sa&uacute;de da OMS, mostrou que ter sofrido    algum tipo de discrimina&ccedil;&atilde;o e ser usu&aacute;rio do SUS estavam    relacionados a um menor grau de satisfa&ccedil;&atilde;o.<sup>33</sup> No presente    trabalho, a satisfa&ccedil;&atilde;o com os servi&ccedil;os e profissionais    de sa&uacute;de foi aferida por meio da recomenda&ccedil;&atilde;o para outra    pessoa da aten&ccedil;&atilde;o recebida. Os resultados mostraram maior satisfa&ccedil;&atilde;o    em todas as idades, em compara&ccedil;&atilde;o &agrave; faixa et&aacute;ria    mais jovem, entre as mulheres, entre os residentes no Munic&iacute;pio de Belo    Horizonte-MG, entre aqueles com escolaridade superior e entre aqueles que consomiam    mais quantidade de verduras, legumes ou frutas. Por outro lado, a satisfa&ccedil;&atilde;o    foi menor entre os que tinham uma pior percep&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria    sa&uacute;de e entre os fumantes atuais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os resultados deste trabalho mostraram    que idade mais alta, sexo feminino e escolaridade superior foram caracter&iacute;sticas    independentemente associadas ao maior uso e &agrave; maior satisfa&ccedil;&atilde;o    com os profissionais e servi&ccedil;os de sa&uacute;de utilizados. Outras caracter&iacute;sticas    associadas ao uso ou &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o com esses servi&ccedil;os    foram estilos de vida e condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de. Algumas das    associa&ccedil;&otilde;es observadas indicam um padr&atilde;o inverso na lei    de cuidados; ou seja, aqueles com escolaridade mais baixa, estilos de vida prejudiciais    &agrave; sa&uacute;de ou pior auto-avalia&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de tiveram    menos consultas m&eacute;dica e/ou recomendaram menos os profissionais e servi&ccedil;os    por eles usados. Os resultados deste trabalho, finalmente, indicam que diferen&ccedil;as    no uso e na satisfa&ccedil;&atilde;o com os servi&ccedil;os de sa&uacute;de    observadas em popula&ccedil;&otilde;es aparentemente mais heterog&ecirc;neas    reproduzem-se entre os usu&aacute;rios do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de    na Regi&atilde;o Metropolitana de Belo Horizonte-MG.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">1. Lima-Costa MF, Guerra HL, Firmo    JOA, Vidigal PG, Uchoa E, Barreto SM. The Bambu&iacute; Health and Aging Study    (BHAS): private health plan and medical care utilization by older adults. Cadernos    de Sa&uacute;de P&uacute;blica 2002;18:177-186.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">2. Lima-Costa MF. Estilos de vida    e uso de servi&ccedil;os preventivos de sa&uacute;de entre adultos filiados    ou n&atilde;o a plano privado de sa&uacute;de (inqu&eacute;rito de sa&uacute;de    de Belo Horizonte). Ci&ecirc;ncia &amp; Sa&uacute;de Coletiva 2004;9:857-964.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">3. Lima-Costa MF, Matos DL, Camarano    AA. Evolu&ccedil;&atilde;o das desigualdades sociais em sa&uacute;de entre idosos    e adultos brasileiros: um estudo baseado na Pesquisa Nacional por Amostras de    Domic&iacute;lios (PNAD 1998, 2003). Ci&ecirc;ncia &amp; Sa&uacute;de Coletiva    2006;11:941-950.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana" align="left">4. Lima-Costa MF. A    sa&uacute;de dos adultos na Regi&atilde;o Metropolitana de Belo Horizonte: um    estudo epidemiol&oacute;gico de base populacional &#091;monografia na Internet&#093;.    Belo Horizonte: Nespe/Fiocruz/UFMG; 2004 &#091;acessado em 2 de julho de 2007&#093;.    Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.cpqrr.fiocruz.br" target="_blank">http://www.cpqrr.fiocruz.br/nespe</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">5. Hamilton LC. Interpreting multinomial    logistic regression. Stata Technical Bulletin 1993;13:24-28.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">6. Barata RB, de Almeida MF, Montero    CV, da Silva ZP. Health inequalities base don ethnicity individuals aged 15    to 64, Brazil, 1998. Cadernos de Sa&uacute;de P&uacute;blica 2007;23:305-313.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">7. Al Snih S, Markides KS, Ray LA,    Freeman JL, Ostir GV, Gooddwin JS. Predictors of healthcare utilization among    older Mexican Americans. Ethnicity &amp; Disease 2006;16:640-646.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">8. Barreto SM, Kalache A, Giatti    L. Does health status explain gender dissimilarity in healthcare use among older    adults? Cadernos de Sa&uacute;de P&uacute;blica 2006;22:347-355.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">9. Travassos C, Viacava F, Pinheiro    R, Brito A. Utilization of health care services in Brazil: gender, family characteristics,    and social status. Revista Panamericana de Salud P&uacute;blica 2002;11:365-373.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">10. Bertakis KD, Azari R, Helms    LJ, Callahan EJ, Robbins JA. Gender differences in the utilization of health    care services. The Journal of Family Practice 2000;49: 147-152.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">11. Fernandez E, Schiaffino A, Rajmil    L, Badia X, Segura A. Gender inequalities in health and health care services    use in Catalonia (Spain). Journal of Epidemiology and Community Health 1999;53:218-222.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">12. Parslow R, Jorm A, Christensen    H, Jacomb P, Rodgers B. 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<body><![CDATA[<br>   N&uacute;cleo de Estudos em Sa&uacute;de P&uacute;blica e Envelhecimento,    <br>   Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz,    <br>   Av. Augusto de Lima, 1715, Sala 601,    <br>   Belo Horizonte-MG, Brasil.    <br>   CEP: 30190-003    <br>   <i>E-mail</i>:<a href="mailto:costa@cpqrr.fiocruz.br">costa@cpqrr.fiocruz.br</a></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Recebido em 20/08/2007    <br>   Aprovado em 16/04/2008</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><a name="nota"></a><a href="#s1"><sup>*</sup></a> Pesquisa    financiada com recursos do Fundo Nacional de Sa&uacute;de. A autora Maria Fernanda    Lima-Costa &eacute; pesquisadora-bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento    Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico do Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia    e Tecnologia.</font></p>      ]]></body><back>
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