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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Perfil do consumo de bebidas alcoólicas: diferenças sociais e demográficas no Município de Campinas, Estado de São Paulo, Brasil, 2003]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Estadual de Campinas Faculdade de Ciências Médicas Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The objective of this work is to analyze the demographic and socioeconomic differences in the patterns of alcohol consumption, using the Alcohol Use Disorder Identification Test (AUDIT). A household survey with 515 people 14 and older, randomly selected through stratified cluster sampling, was carried out in the Municipality of Campinas, State of São Paulo, Brazil. Prevalence and 95% confidence intervals for the AUDIT questions were calculated considering the sample design. Results showed that 12.4% of the population drinks twice in a week or more, 7.5% drink five or more doses on a typical day, and 3.7% drink six or more doses weekly or daily. Men have a higher drinking pattern. Adults and older people drink with greater frequency but adults and adolescents showed higher risk drinking. The higher schooling strata presents greater drinking frequency while those of lower schooling present higher risk drinking. Differences in patterns of alcohol use must be emphasized in promoting healthier alcohol drinking habits.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b><a name="topo"></a>ARTIGO ORIGINAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><b>Perfil do consumo de bebidas alco&oacute;licas:    diferen&ccedil;as sociais e demogr&aacute;ficas no Munic&iacute;pio de Campinas,    Estado de S&atilde;o Paulo, Brasil, 2003</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Alcohol Drinking Patterns: Social and Demographic    Differences in the Municipality of Campinas, State of S&atilde;o Paulo, Brazil,    2003</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Marilisa Berti de Azevedo Barros; Let&iacute;cia    Mar&iacute;n-Le&oacute;n; Helenice Bosco de Oliveira; Paulo Dalgalarrondo; Neury    Jos&eacute; Botega</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Departamento de Psicologia M&eacute;dica e Psiquiatria,    Faculdade de Ci&ecirc;ncias M&eacute;dicas, Universidade Estadual de Campinas,    Campinas-SP, Brasil</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O objetivo deste trabalho &eacute; analisar    o padr&atilde;o de uso de &aacute;lcool segundo fatores demogr&aacute;ficos e    sociais. Trata-se de estudo   transversal de base populacional realizado no Munic&iacute;pio de Campinas,    Estado de S&atilde;o Paulo, Brasil, em 2003. Entrevistas que   inclu&iacute;ram a escala psicom&eacute;trica do teste de identifica&ccedil;&atilde;o    de transtornos causados pelo uso de bebida alco&oacute;lica (AUDIT) foram   aplicadas a 515 indiv&iacute;duos com 14 anos ou mais de idade, selecionados    em amostragem estratificada e por conglomerados.   As an&aacute;lises levaram em conta o desenho amostral. Verificou-se que 12,4%    da popula&ccedil;&atilde;o consomem bebidas alco&oacute;licas duas   ou mais vezes por semana, 7,5% bebem cinco ou mais doses em dia t&iacute;pico    e 3,7% consomem seis ou mais doses semanal ou   diariamente. O consumo &eacute; mais elevado nos homens. A freq&uuml;&ecirc;ncia    de consumo &eacute; maior nos adultos e idosos, embora adultos   e jovens apresentem consumo de maior risco. O estrato de maior escolaridade    consome com maior freq&uuml;&ecirc;ncia, por&eacute;m, o   consumo de maior risco &eacute; mais elevado no segmento de escolaridade inferior.    As diferen&ccedil;as do padr&atilde;o de consumo devem   ser levadas em conta nas propostas de promo&ccedil;&atilde;o de h&aacute;bitos    saud&aacute;veis.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> <b>Palavras-chave:</b> consumo de &aacute;lcool;    AUDIT; transtornos causados pelo uso de bebida alco&oacute;lica; determinantes    sociais.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>SUMMARY</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">The objective of this work is to analyze the    demographic and socioeconomic differences in the patterns of alcohol   consumption, using the Alcohol Use Disorder Identification Test (AUDIT). A household    survey with 515 people 14 and   older, randomly selected through stratified cluster sampling, was carried out    in the Municipality of Campinas, State of   S&atilde;o Paulo, Brazil. Prevalence and 95% confidence intervals for the AUDIT    questions were calculated considering the   sample design. Results showed that 12.4% of the population drinks twice in a    week or more, 7.5% drink five or more   doses on a typical day, and 3.7% drink six or more doses weekly or daily. Men    have a higher drinking pattern. Adults and   older people drink with greater frequency but adults and adolescents showed    higher risk drinking. The higher schooling   strata presents greater drinking frequency while those of lower schooling present    higher risk drinking. Differences in   patterns of alcohol use must be emphasized in promoting healthier alcohol drinking    habits.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Key words:</b> alcohol use; AUDIT; alcohol    use disorders; social determinants.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Embora a literatura m&eacute;dica evidencie    efeitos ben&eacute;ficos do uso moderado de &aacute;lcool,<sup>1</sup> <sup></sup>s&atilde;o    sistematicamente reconhecidas as conseq&uuml;&ecirc;ncias danosas &agrave; sa&uacute;de    acarretadas pelo consumo abusivo de bebidas alco&oacute;licas. Essa ingest&atilde;o    abusiva produz malef&iacute;cios de diferentes naturezas, como o aumento dos    riscos de cirrose hep&aacute;tica, de neoplasias de diversas localiza&ccedil;&otilde;es,    de doen&ccedil;as card&iacute;acas, de acidente vascular cerebral e de transtornos    mentais. Tamb&eacute;m &eacute; considerada um fator de risco para comportamento    suicida.<sup>2,3</sup> Ao consumo excessivo de &aacute;lcool atribui-se, tamb&eacute;m,    parcela importante dos acidentes de tr&acirc;nsito, acidentes de trabalho e    epis&oacute;dios de viol&ecirc;ncia, os quais incluem maus tratos a crian&ccedil;as    e viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica,<sup>4,5</sup> al&eacute;m de sua associa&ccedil;&atilde;o    com a criminalidade.<SUP>6</SUP></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O alcoolismo &eacute; considerado, atualmente,    um dos   principais problemas de Sa&uacute;de P&uacute;blica, respons&aacute;vel   por parcela significativa dos &oacute;bitos evit&aacute;veis. Aten&ccedil;&atilde;o   especial tem sido destinada ao consumo de bebidas   alco&oacute;licas por adolescentes e aos epis&oacute;dios de ingest&atilde;o   excessiva.<sup>7</sup> Estima-se que 6 a 15% da popula&ccedil;&atilde;o que   demanda cuidados prim&aacute;rios de sa&uacute;de fazem uso   abusivo ou s&atilde;o dependentes do &aacute;lcool, preval&ecirc;ncia que   aumenta para 15 a 61% nos pacientes que procuram   cl&iacute;nicas ou hospitais especializados. Apenas um ter&ccedil;o   desses pacientes, entretanto, tem seu problema de   alcoolismo detectado pelo m&eacute;dico.<sup>8</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A Regi&atilde;o Sudeste do Brasil, onde se localiza    o Munic&iacute;pio,   apresenta um padr&atilde;o de consumo de &aacute;lcool em   que 50% da popula&ccedil;&atilde;o com 18 anos ou mais de idade   ingerem bebida alco&oacute;lica, 6% diariamente e 18% uma   a quatro vezes &agrave; semana. A cerveja &eacute; a bebida alco&oacute;lica   mais consumida, seguida do vinho.<sup>9</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Revis&atilde;o sistem&aacute;tica da literatura    sobre interven&ccedil;&otilde;es   em aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria voltadas &agrave; redu&ccedil;&atilde;o    do consumo   de &aacute;lcool oferece evid&ecirc;ncias do sucesso dos programas   desenvolvidos,<sup>4</sup> indicando a viabilidade da   atua&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de na redu&ccedil;&atilde;o    de danos   e na promo&ccedil;&atilde;o de h&aacute;bitos saud&aacute;veis frente &agrave;    ingest&atilde;o   de bebidas alco&oacute;licas. An&aacute;lises sobre resultados de   interven&ccedil;&otilde;es breves tamb&eacute;m v&ecirc;m sendo realizadas   no Brasil.<sup>10</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A identifica&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica    dos segmentos   s&oacute;cio-demogr&aacute;ficos mais suscept&iacute;veis &agrave; depend&ecirc;ncia   alco&oacute;lica &eacute; essencial para orientar a formula&ccedil;&atilde;o    de   pol&iacute;ticas e programas de controle efetivos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Leis de controle da venda, propaganda e consumo   de bebidas alco&oacute;licas t&ecirc;m sido aprovadas e medidas   para redu&ccedil;&atilde;o do consumo implementadas em muitos   pa&iacute;ses.<sup>3</sup> No Brasil, a pol&iacute;tica nacional de promo&ccedil;&atilde;o   da sa&uacute;de imprime forte &ecirc;nfase nas a&ccedil;&otilde;es educativas    e   na veicula&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es sobre os danos do uso   abusivo do &aacute;lcool e prop&otilde;e iniciativas para a restri&ccedil;&atilde;o   de acesso a bebidas alco&oacute;licas pelos segmentos   vulner&aacute;veis.<sup>11</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A utiliza&ccedil;&atilde;o de um instrumento    f&aacute;cil de aplicar,   v&aacute;lido para obter o padr&atilde;o do consumo de bebidas   alco&oacute;licas e diagnosticar problemas de alcoolismo   constitui importante ferramenta na promo&ccedil;&atilde;o de um   maior envolvimento das equipes de sa&uacute;de, conseq&uuml;ente   mobiliza&ccedil;&atilde;o e proposi&ccedil;&atilde;o de interven&ccedil;&otilde;es    adequadas.   H&aacute; evid&ecirc;ncias de que um bom conhecimento da hist&oacute;ria   do paciente sobre sua ingest&atilde;o alco&oacute;lica, seguido   de um manejo ou encaminhamento adequado, pode   reduzir o consumo de &aacute;lcool.<sup>12</sup> O monitoramento do   perfil de consumo de &aacute;lcool pelos diferentes segmentos   da popula&ccedil;&atilde;o, por sua vez, torna-se necess&aacute;rio &agrave;   formula&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias eficazes para o controle da   depend&ecirc;ncia e a redu&ccedil;&atilde;o de danos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O objetivo do presente artigo foi analisar o    perfil   do consumo de bebida alco&oacute;lica segundo idade, sexo   e escolaridade na cidade de Campinas-SP. Para tanto,   adotou-se o Alcohol Use Disorder Identification Test,   conhecido pela sigla AUDIT &#8211; escala psicom&eacute;trica   do teste de identifica&ccedil;&atilde;o de transtornos causados   pelo uso de bebida alco&oacute;lica &#8211;, como instrumento   de avalia&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Esta pesquisa foi desenvolvida como parte de    um   inqu&eacute;rito de base populacional realizado no Munic&iacute;pio   de Campinas, Estado de S&atilde;o Paulo, no ano de 2003.   Ela integrou o &quot;Estudo Multic&ecirc;ntrico de Interven&ccedil;&atilde;o   no Comportamento Suicida (SUPRE-MISS)&quot;, da Organiza&ccedil;&atilde;o   Mundial da Sa&uacute;de &#8211; OMS.<sup>13,14</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Metodologia</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A pesquisa foi realizada no Munic&iacute;pio    de Campinas-SP, situado a 100km da capital do Estado, que   concentrava, em 2003, uma popula&ccedil;&atilde;o estimada de   um milh&atilde;o de habitantes, 98% residentes na &aacute;rea   urbana e 78% com idade igual ou superior a 14 anos.   Foi inclu&iacute;da no inqu&eacute;rito a popula&ccedil;&atilde;o de 14 anos    ou   mais, n&atilde;o institucionalizada, residente na zona urbana   do Munic&iacute;pio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Um tamanho m&iacute;nimo de amostra de 500 indiv&iacute;duos   possibilitou a estimativa de uma preval&ecirc;ncia de 3%,   com um erro de amostragem de 2%, ou uma estimativa   de 30%, com um erro de amostragem de 5,7%,   considerando-se um n&iacute;vel de 95% de confian&ccedil;a e um   efeito do delineamento de 2. Adotou-se a amostragem   estratificada, por conglomerados, em tr&ecirc;s est&aacute;gios,   sendo as unidades de amostragem, respectivamente:   setor censit&aacute;rio, domic&iacute;lio, e indiv&iacute;duo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Neste estudo, utilizou-se o cadastro de domic&iacute;lios   e setores censit&aacute;rios do &quot;Inqu&eacute;rito de Sa&uacute;de do Estado   de S&atilde;o Paulo (ISA-SP)&quot;.<sup>15</sup> Os setores censit&aacute;rios   de Campinas-SP foram agrupados em tr&ecirc;s estratos,   segundo o percentual de chefes de fam&iacute;lia com n&iacute;vel   universit&aacute;rio: Estrato A (mais de 25%; total de 278   setores); Estrato B (de 5 a 25%, totalizando 252 setores);   e Estrato C (menos de 5%, 305 setores). Foram   sorteados dez setores em cada estrato. Os setores   sorteados foram percorridos por pesquisadores de   campo, que fizeram o arrolamento de todos os domic&iacute;lios   existentes.<sup>15</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A partir da rela&ccedil;&atilde;o de endere&ccedil;os    registrados no   arrolamento, foram sorteados 20 domic&iacute;lios em cada   setor censit&aacute;rio, aplicando-se amostragem sistem&aacute;tica.   Esse procedimento resultou em 200 domic&iacute;lios   por estrato &#8211; 600 domic&iacute;lios no total. Finalmente,   em cada domic&iacute;lio, durante o trabalho de campo, foi   sorteado um indiv&iacute;duo de 14 anos ou mais, por meio   de contagem seq&uuml;encial e cont&iacute;nua dos residentes no   domic&iacute;lio dispostos em ordem crescente de idade, at&eacute;   que se atingisse um n&uacute;mero aleat&oacute;rio, previamente   definido, impresso na capa do formul&aacute;rio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O instrumento aplicado baseou-se no European   Parasuicide Study Interview Schedule (EPSIS), utilizado   no WHO/EURO Multicentre Study on Suicide   Behaviour.<sup>13</sup> A vers&atilde;o aplicada comp&otilde;e-se das seguintes   se&ccedil;&otilde;es: informa&ccedil;&otilde;es s&oacute;cio-demogr&aacute;ficas;    hist&oacute;ria de   comportamento suicida pessoal e em membros da   fam&iacute;lia; opini&atilde;o sobre problemas da comunidade;   sa&uacute;de f&iacute;sica e mental; contato com servi&ccedil;os de sa&uacute;de;    e quest&otilde;es relacionadas com consumo de &aacute;lcool e   drogas.<sup>13</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Foram acrescentadas ao protocolo local duas    escalas psicom&eacute;tricas: Alcohol Use Disorder Identification Test (AUDIT);    e Sef-Reporting Questionnaire (SRQ-20), ambos validados no Brasil.<sup>16-18</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> As entrevistas foram realizadas por 12 entrevistadores   treinados, empenhados em at&eacute; tr&ecirc;s tentativas de   entrevista com a pessoa sorteada. Todas as entrevistas   foram feitas sem a participa&ccedil;&atilde;o de terceiros. Zonas   residenciais consideradas perigosas foram abordadas   na forma de mutir&atilde;o de pesquisadores, com apoio de   viatura da universidade. A entrevista foi reaplicada a   50 indiv&iacute;duos, selecionados aleatoriamente, para se   averiguar a confiabilidade dos dados. O estudo de   campo foi realizado entre maio e julho de 2003.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O padr&atilde;o de consumo de &aacute;lcool    foi analisado   segundo as respostas aos itens componentes do teste   de escala psicom&eacute;trica AUDIT. Foram calculadas as   preval&ecirc;ncias segundo g&ecirc;nero, faixas et&aacute;rias (14-29;   30-59; 60 anos ou mais de idade), escolaridade (&lt;8   e 8 anos ou mais de estudo) e presen&ccedil;a de uso abusivo   de &aacute;lcool. Definiu-se como caso presum&iacute;vel de depend&ecirc;ncia/   uso excessivo de &aacute;lcool, pessoas que obtiveram   8 ou mais pontos no AUDIT, cujo per&iacute;odo de refer&ecirc;ncia,   em sua aplica&ccedil;&atilde;o pelo entrevistador, correspondeu aos   12 meses pr&eacute;vios &agrave; entrevista.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"> As diferen&ccedil;as foram avaliadas pelo teste    X<sup>2</sup>, considerando-se um n&iacute;vel de signific&acirc;ncia de 5%.    Foram calculados intervalos de 95% de confian&ccedil;a para as preval&ecirc;ncias    da popula&ccedil;&atilde;o total. Todas as an&aacute;lises foram ponderadas,    a fim de compensar as distintas probabilidades de sele&ccedil;&atilde;o dos    indiv&iacute;duos da amostra, e levaram em conta o efeito de delineamento. Em    cada estrato, o peso de um indiv&iacute;duo sorteado, em dado domic&iacute;lio    de determinado setor censit&aacute;rio, foi o inverso de sua probabilidade de    sele&ccedil;&atilde;o. Todos os c&aacute;lculos estat&iacute;sticos foram realizados    pelo programa Stata vers&atilde;o 8.0, o qual, para a estimativa dos intervalos    de confian&ccedil;a das preval&ecirc;ncias, utiliza o m&eacute;todo de lineariza&ccedil;&atilde;o    de Taylor.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> <b>Considera&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Todos os participantes assinaram Termo de Consentimento   Livre e Esclarecido. Foi assegurada a confidencialidade   das informa&ccedil;&otilde;es. O inqu&eacute;rito foi aprovado   pelo Comit&ecirc; de &Eacute;tica em Pesquisa da Faculdade de   Ci&ecirc;ncias M&eacute;dicas da Universidade de Campinas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Resultados</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Foram sorteados 538 indiv&iacute;duos e houve    23 recusas   (4,2% do total de pessoas abordadas), perfazendo   515 entrevistas realizadas. O n&uacute;mero de recusas foi   maior no Estrato A, seguido do B e C (17, cinco e   uma, respectivamente). A an&aacute;lise dos resultados da   replica&ccedil;&atilde;o das entrevistas apontou concord&acirc;ncia de   respostas superior a 80%.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O perfil do consumo de &aacute;lcool da popula&ccedil;&atilde;o    residente no Munic&iacute;pio de Campinas-SP &eacute; apresentado na <a href="#tab1">Tabela    1</a>: 12,4% consomem bebida alco&oacute;lica duas ou mais vezes por semana;    21,2% ingerem tr&ecirc;s ou mais doses em um dia t&iacute;pico; 9,6% tomam seis    ou mais doses pelo menos uma vez ao m&ecirc;s; 4,5%, com alguma freq&uuml;&ecirc;ncia,    n&atilde;o se lembram do que aconteceu na noite anterior por conta da bebida;    7,8% s&atilde;o criticados pelas bebedeiras; e 6,3%, com alguma freq&uuml;&ecirc;ncia,    t&ecirc;m algu&eacute;m que j&aacute; sugeriu que parassem de beber. A an&aacute;lise    do padr&atilde;o de consumo segundo g&ecirc;nero revelou diferen&ccedil;as significativas    nos seguintes itens: freq&uuml;&ecirc;ncia de consumo; n&uacute;mero de doses    em dia t&iacute;pico; freq&uuml;&ecirc;ncia de seis ou mais doses; e as freq&uuml;&ecirc;ncias    de (i) beber sem conseguir parar, de (ii) deixar de fazer o esperado devido    &agrave; bebida e de (iii) ser incapaz de se lembrar do que aconteceu por conta    da bebida. Em todos esses itens, as maiores preval&ecirc;ncias foram do sexo    masculino (<a href="#tab1">Tabela 1</a>).</font></p>     <p><a name="tab1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v17n4/4a03t1.gif" border="0"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; idade, a    freq&uuml;&ecirc;ncia do consumo revelou-se distinta entre as faixas analisadas.    Embora a maior propor&ccedil;&atilde;o de quem nunca bebeu &aacute;lcool fosse    encontrada entre os mais idosos, o percentual de quem bebe quatro ou mais vezes    por semana atinge &iacute;ndices superiores a 6% justamente nos mais idosos    e nos adultos de 30 a 59 anos de idade (<a href="#tab2">Tabela 2</a>). Os mais    jovens (14 a 29 anos de idade) apresentaram preval&ecirc;ncias, significativamente    mais elevadas, de (i) ser criticado pelas bebedeiras, de (ii) n&atilde;o se    lembrar do ocorrido por conta da bebida e, no limiar da signific&acirc;ncia    estat&iacute;stica, de (iii) sentir-se culpado depois de beber. Ainda que sem    diferen&ccedil;as significativas, 9,6% dos mais jovens e 2,7% das pessoas com    60 anos ou mais de idade referem tomar cinco ou mais doses em um dia t&iacute;pico    (<a href="#tab2">Tabela 2</a>).</font></p>     <p><a name="tab2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v17n4/4a03t2.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A an&aacute;lise do padr&atilde;o de consumo    segundo o n&iacute;vel de escolaridade revela a maior preval&ecirc;ncia de abst&ecirc;mios    no segmento de menor escolaridade (52,0% <i>versus</i> 29,8%), o qual, entretanto,    tamb&eacute;m apresenta o percentual mais elevado dos que ingerem bebidas alco&oacute;licas    quatro ou mais vezes por semana (8,3% <i>versus</i> 2,2%) (<a href="#tab3">Tabela    3</a>). A freq&uuml;&ecirc;ncia &#8211; semanal ou di&aacute;ria &#8211; de    seis ou mais doses &eacute; maior no estrato de escolaridade inferior (5,1%    <i>versus</i> 3,3%), o qual, tamb&eacute;m com maior freq&uuml;&ecirc;ncia,    tem algu&eacute;m que j&aacute; sugeriu que parasse de beber (8,4% <i>versus</i>    3,1%).</font></p>     <p><a name="tab3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v17n4/4a03t3.gif" border="0"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A <a href="#tab4">Tabela 4</a> apresenta as    diferen&ccedil;as do perfil de consumo, todas com elevada signific&acirc;ncia    estat&iacute;stica (p&lt;0,001), entre as pessoas classificadas como positivas    e as n&atilde;o classificadas como tal pelo AUDIT, considerando-se o ponto de    corte de 8. Observa-se que, entre as pessoas com depend&ecirc;ncia de &aacute;lcool,    51,6% consomem bebida alco&oacute;lica duas a quatro vezes ao m&ecirc;s e 62,8%    consomem cinco ou mais doses em dia t&iacute;pico.</font></p>     <p><a name="tab4"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v17n4/4a03t4.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"> <b>Discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O percentual de abst&ecirc;mios encontrado em    Campinas-SP &eacute; inferior ao observado no Munic&iacute;pio de Rio Grande,    Estado do Rio Grande do Sul, por Mendoza-Sassi e B&eacute;ria.<sup>19</sup> Em Campinas-SP,    42,6% da popula&ccedil;&atilde;o de 14 anos ou mais de idade referiu nunca ingerir    bebida alco&oacute;lica. Esse percentual &eacute; de 57% em Rio Grande-RS, na    popula&ccedil;&atilde;o de 15 anos ou mais de idade; em Campinas-SP, entretanto,    4,6% consomem bebida alco&oacute;lica quatro ou mais vezes por semana enquanto    em Rio Grande-RS, 5,6% relatam essa freq&uuml;&ecirc;ncia de consumo.<sup>19</sup>    Estudo desenvolvido em 107 cidades do Brasil observou que 31,3% das pessoas    de 12 a 65 anos de idade nunca haviam consumido bebidas alco&oacute;licas.<sup>20</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Dados de inqu&eacute;rito sobre morbidade e    fatores de   risco realizado em capitais brasileiras<sup>2</sup> apontam percentuais   que variam entre 67,6% (Jo&atilde;o Pessoa-PB) e   41,4% (Florian&oacute;polis-SC) de pessoas de 15 anos ou   mais de idade que n&atilde;o consumiram bebida alco&oacute;lica   nos 30 dias anteriores &agrave; entrevista. Inqu&eacute;rito realizado   em quatro localidades do Estado de S&atilde;o Paulo (ISA-SP)   revela que 53,7% das mulheres e 31,6% dos homens   com 18 ou mais anos de idade referiram nunca consumir   bebida alco&oacute;lica.<sup>21</sup> Embora n&atilde;o inteiramente compar&aacute;veis,   o percentual da popula&ccedil;&atilde;o de Campinas-SP   que ingere bebida alco&oacute;lica &eacute; dos mais elevados frente   aos observados para as capitais brasileiras.<sup>2</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A preval&ecirc;ncia de consumo de cinco ou mais    doses   em um dia t&iacute;pico foi de 7,5% em Campinas-SP e de 10,1% em Rio Grande-RS    e a freq&uuml;&ecirc;ncia semanal ou   di&aacute;ria de seis ou mais doses, de 3,7% em Campinas-SP   e de 12,0% em Rio Grande-RS.<sup>19</sup> Considerando-se apenas   os que consomem bebidas alco&oacute;licas, os percentuais de Campinas-SP aumentam    para 12,9% e 6,0%,   respectivamente. O percentual de consumo excessivo   do Munic&iacute;pio de Campinas-SP, embora menor que o   do Munic&iacute;pio ga&uacute;cho, &eacute; bastante elevado alertando para    preju&iacute;zos individuais e poss&iacute;veis preju&iacute;zos sociais   como absente&iacute;smo, acidentes de trabalho, viol&ecirc;ncia   intrafamiliar, acidentes de tr&acirc;nsito e homic&iacute;dios.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"> Embora o padr&atilde;o de consumo apresentado    pelas   mulheres seja menos danoso que o observado nos   homens, &eacute; evidente a import&acirc;ncia que a ingest&atilde;o de &aacute;lcool    vem apresentando no sexo feminino: 5,9%   das mulheres de Campinas-SP com 14 anos ou mais   de idade s&atilde;o criticadas pelas bebedeiras, 4,3% delas   recebem, com alguma freq&uuml;&ecirc;ncia, sugest&atilde;o no sentido   de pararem de beber e 4,5% bebem cinco ou mais   doses em um dia t&iacute;pico. Ainda no que diz respeito ao g&ecirc;nero, a    maior freq&uuml;&ecirc;ncia de consumo de &aacute;lcool entre   homens &eacute; inteiramente consistente com os relatos da   literatura.<sup>2,3,5,22,23</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Quanto &agrave;s faixas et&aacute;rias, embora    a freq&uuml;&ecirc;ncia do   consumo seja mais elevada nos adultos de 30 a 59   anos (17% consomem bebida alco&oacute;lica 2 ou mais   vezes por semana), o consumo de 3 ou mais doses em   dia tipico, &eacute; maior nos mais jovens atingindo 25,9%,   comparativamente a 20,8% nos adultos de meia idade   e 8% nos idosos. Tamb&eacute;m o consumo de maior risco   &eacute; mais freq&uuml;ente entre os mais jovens (14 a 29 anos   de idade), dos quais 7,1% referem ser incapazes de   lembrar o que aconteceu na noite anterior por conta   da bebida e 12,2% s&atilde;o criticados pelas bebedeiras.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Inqu&eacute;rito de morbidade e fatores de risco<sup>2</sup>    revelou, em capitais brasileiras, maior freq&uuml;&ecirc;ncia de uso de &aacute;lcool   nos 30 dias pr&eacute;vios &agrave; entrevista no segmento de 25 a   49 anos de idade e menor preval&ecirc;ncia no grupo de 50   anos ou mais; os jovens de 15 a 24 anos apresentavam   percentual um pouco inferior ao dos adultos. Costa e   colaboradores<sup>24</sup> verificaram, em Pelotas-RS, maior   uso abusivo em idosos, enquanto dados do Sistema   de Vigil&acirc;ncia de Fatores de Risco e Prote&ccedil;&atilde;o para   Doen&ccedil;as Cr&ocirc;nicas por Inqu&eacute;rito Telef&ocirc;nico (Vigitel)   apontam maior uso abusivo entre os mais jovens.<sup>5</sup> A   maior preval&ecirc;ncia de ingest&atilde;o abusiva nos adolescentes   e adultos jovens &eacute; preocupante e coerente com as   observa&ccedil;&otilde;es de crescimento do consumo de &aacute;lcool   por adolescentes.<sup>25</sup> Os jovens s&atilde;o considerados o   grupo populacional sob maiores riscos, de forma   que as preval&ecirc;ncias de consumo e o padr&atilde;o de beber   nesse segmento demogr&aacute;fico precisam ser especialmente   monitorados.<sup>7,9</sup> Nos jovens, os epis&oacute;dios de   bebedeira est&atilde;o relacionados a acidentes de tr&acirc;nsito,   envolvimento em brigas e epis&oacute;dios violentos, uso de   drogas il&iacute;citas, gravidez indesej&aacute;vel e outros danos.<sup>4,7</sup>   Vieira e colaboradores<sup>26</sup> verificaram intensidade de   ingest&atilde;o e freq&uuml;&ecirc;ncia de epis&oacute;dios de uso abusivo   mais elevadas no segmento que inicia o consumo de   bebidas alco&oacute;licas mais precocemente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Quanto &agrave; escolaridade, maior n&uacute;mero    de abst&ecirc;mios   foi encontrado entre os de menor escolaridade, a despeito   desse segmento tamb&eacute;m apresentar o maior percentual   com uso excessivo (quatro ou mais vezes por   semana; e com seis ou mais doses ingeridas semanal   ou diariamente). O maior n&uacute;mero de abst&ecirc;mios entre   estratos de menor escolaridade pode estar relacionado   a padr&otilde;es culturais e de filia&ccedil;&atilde;o a religi&otilde;es que    preconizam   evitar o uso de bebida alco&oacute;lica.<sup>23</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> N&atilde;o foram observadas diferen&ccedil;as    significativas entre os estratos de escolaridade nos itens que apontam depend&ecirc;ncia,    como: n&atilde;o conseguir parar de beber, necessitar de bebida pela manh&atilde;,    sentir-se culpado e ser incapaz de lembrar o que ocorreu por conta da bebida.    Inqu&eacute;rito domiciliar realizado em capitais brasileiras<sup>2</sup> tamb&eacute;m    encontrou maior preval&ecirc;ncia dos que consumiram bebida alco&oacute;lica    nos 30 dias pr&eacute;vios &agrave; entrevista no segmento de maior escolaridade.    Inqu&eacute;rito realizado em &aacute;reas do Estado de S&atilde;o Paulo observou    uma depend&ecirc;ncia de &aacute;lcool maior entre os estratos de menor escolaridade    nos homens; e o inverso nas mulheres.<sup>21</sup> Dados do Vigitel revelam    n&atilde;o haver diferen&ccedil;a significativa entre estratos sociais definidos    pelo n&iacute;vel de escolaridade quanto ao uso abusivo de &aacute;lcool.<sup>5</sup>    Os achados apresentados na literatura s&atilde;o contradit&oacute;rios quanto    ao consumo de bebida alco&oacute;lica e seu uso abusivo por estratos sociais;<sup>23</sup>    essas publica&ccedil;&otilde;es, entretanto, tendem a confirmar maior consumo    nos segmentos sociais de melhor padr&atilde;o socioecon&ocirc;mico e maior depend&ecirc;ncia/consumo    de risco nos estratos de menor renda e escolaridade.<sup>19,23,27</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O uso abusivo do &aacute;lcool em Campinas-SP,    avaliado   pelo teste AUDIT, aponta que propor&ccedil;&atilde;o significativa   (51,6%) dos dependentes do Munic&iacute;pio bebe duas a   quatro vezes ao m&ecirc;s e apenas 22,3% ingerem &aacute;lcool   quatro ou mais vezes &agrave; semana, o que enfatiza a   import&acirc;ncia de a&ccedil;&otilde;es voltadas aos que consomem   esporadicamente e n&atilde;o apresentam depend&ecirc;ncia di&aacute;ria   de consumo de &aacute;lcool. Os dados do presente trabalho,   por sua vez, mostram que, entre os dependentes do   Munic&iacute;pio estudado, 68,3% referem nunca se sentirem   culpados depois de beber, 33,7% afirmam nunca terem   sido criticados pelas bebedeiras e 51,7% nunca terem   recebido sugest&atilde;o para que parassem de beber. A   compreens&atilde;o desses aspectos &eacute; relevante no sentido de   adequar as interven&ccedil;&otilde;es voltadas ao controle de danos   e &agrave; redu&ccedil;&atilde;o de comportamentos nocivos &agrave; sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Algumas limita&ccedil;&otilde;es metodol&oacute;gicas    do presente   estudo devem ser consideradas. Apesar de o n&uacute;mero   total de entrevistas adequar-se ao tamanho amostral   requerido para as estimativas globais de preval&ecirc;ncia,   em algumas categorias de resposta, o quantitativo de   indiv&iacute;duos foi pequeno. Tal fato limita a interpreta&ccedil;&atilde;o   de alguns resultados, com possibilidade de ocorr&ecirc;ncia   de erros de tipo 2. Por sua vez, as m&uacute;ltiplas compara&ccedil;&otilde;es   podem ter elevado a probabilidade de erros   de tipo 1.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Outro ponto diz respeito ao instrumento utilizado   para avalia&ccedil;&atilde;o do consumo de bebidas alco&oacute;licas, o   teste AUDIT. Embora ele constitua uma das escalas mais   difundidas e utilizadas, com reconhecidas qualidades   psicom&eacute;tricas,<sup>28</sup> discute-se, ainda, sobre os melhores   pontos de corte para a defini&ccedil;&atilde;o de caso presum&iacute;vel de   uso abusivo ou depend&ecirc;ncia. Alguns autores defendem   que sejam utilizados pontos de corte diferenciados   para homens e mulheres.<sup>29</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Este estudo, possibilitou verificar distintos    padr&otilde;es   de consumo de &aacute;lcool conforme g&ecirc;nero, faixa et&aacute;ria   e n&iacute;vel de escolaridade. Adultos e idosos ingerem &aacute;lcool   com maior freq&uuml;&ecirc;ncia, embora moderadamente,   enquanto o uso abusivo por jovens decorre, principalmente,   de pr&aacute;ticas de bebedeiras mensais, semanais ou   com menor freq&uuml;&ecirc;ncia, conferindo especial import&acirc;ncia   &agrave;s interven&ccedil;&otilde;es focadas em adolescentes e adultos   jovens. A&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de visando diminuir o consumo   abusivo de &aacute;lcool e suas conseq&uuml;&ecirc;ncias, al&eacute;m de dirigidas   ao conjunto da popula&ccedil;&atilde;o, precisariam contemplar,   de forma apropriada, os grupos mais vulner&aacute;veis.   Em Campinas-SP, encontra-se estruturada uma rede de   cuidado para o tratamento da depend&ecirc;ncia de &aacute;lcool   e drogas que, al&eacute;m do conjunto de servi&ccedil;os gerais de   sa&uacute;de e de ambulat&oacute;rios especializados vinculados a   universidades, conta com o Centro de Aten&ccedil;&atilde;o Psicossocial   em &Aacute;lcool e outras Drogas (CAPS AD) e o N&uacute;cleo   de Apoio &agrave; Depend&ecirc;ncia Qu&iacute;mica (NADEQ). O CAPS   AD, oferece atendimento ambulatorial semi-intensivo   e intensivo e disp&otilde;e de amplo espectro de atividades,   como desintoxica&ccedil;&atilde;o, atendimento psiqui&aacute;trico,   atendimento cl&iacute;nico, grupos de psicoterapia, oficinas terap&ecirc;uticas    e atividades abertas (caminhada, Liang   Gong e oficinas de artesanato).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Os resultados deste estudo indicam a import&acirc;ncia   de se enfatizar as a&ccedil;&otilde;es de promo&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de    entre   adolescentes e escolares, de forma a evitar o padr&atilde;o   de risco de consumo epis&oacute;dico e excessivo de &aacute;lcool   e sua evolu&ccedil;&atilde;o para casos cr&ocirc;nicos de depend&ecirc;ncia   e/ou progress&atilde;o para o uso de outras drogas. O   conhecimento do padr&atilde;o de consumo de &aacute;lcool &eacute;   essencial para o estabelecimento de atividades de   vigil&acirc;ncia e de metas para os programas de interven&ccedil;&atilde;o.   E a identifica&ccedil;&atilde;o dos grupos mais vulner&aacute;veis   e seu monitoramento s&atilde;o fundamentais para avaliar   os programas e orientar estrat&eacute;gias mais efetivas de   controle e redu&ccedil;&atilde;o de danos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"> <b>Agradecimentos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> &Agrave; Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da    Sa&uacute;de &#8211; OMS &#8211; (Processo   N<sup>o</sup> M4/445/119) e &agrave; Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave;   Pesquisa do Estado de S&atilde;o Paulo &#8211; Fapesp &#8211; (Processo   N<sup>o</sup> 02/08288-9), pelo apoio financeiro necess&aacute;rio &agrave;   realiza&ccedil;&atilde;o desta pesquisa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Ao projeto do &quot;Inqu&eacute;rito de Sa&uacute;de    do Estado de S&atilde;o   Paulo (ISA-SP)&quot;, pela disponibilidade das listagens de   domic&iacute;lios de setores sorteados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> E &agrave; Secretaria de Vigil&acirc;ncia em    Sa&uacute;de do Minist&eacute;rio   da Sa&uacute;de (Conv&ecirc;nio N<sup>o</sup> 2763/2003), por interm&eacute;dio do   Centro Colaborador em An&aacute;lise de Situa&ccedil;&atilde;o de Sa&uacute;de,   no &acirc;mbito do Departamento de Medicina Preventiva   e Social da Faculdade de Ci&ecirc;ncias M&eacute;dicas da Universidade   Estadual de Campinas, pelo suporte &agrave; an&aacute;lise   dos dados do presente artigo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 1. Burger M, Mendink G, Bronstrup A, Thierfelder    W,   Pietrzik K. Alcohol consumption and its relation to   cardiovascular risk factors in Germany. European   Journal of Clinical Nutrition 2004;59(4):605-614.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">2. Secretaria de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de,    Secretaria de   Assist&ecirc;ncia &agrave; Sa&uacute;de, Instituto Nacional do C&acirc;ncer.   Inqu&eacute;rito domiciliar sobre comportamentos de risco   e morbidade referida de doen&ccedil;as e agravos n&atilde;o   transmiss&iacute;veis&#8211;Brasil: 15 capitais e Distrito Federal,   2002/2003. Rio de Janeiro: Inca; 2004.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">3. Centers for Disease Control and Prevention.    Alcohol   use among adolescents and adults &#8211; New Hampshire, 1991-2003. MMWR Morbidity    Mortality and Weekly   Report 2004;53(8):174-175.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">4. Whitlock EP, P&oacute;len MR, Green CA, Orleans    T,   Klein J. Behavioral counseling interventions   in primary care to reduce risky/harmful   alcohol use by adults: a summary of the evidence   for the US Preventive Services Task Force.   Annalls of Internal Medicine 2004;140(7):   557-568.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">5. Secretaria de Vigil&acirc;ncia &agrave; Sa&uacute;de,    Secretaria de   Gest&atilde;o Estrat&eacute;gica e Participativa. Vigitel Brasil 2006:   vigil&acirc;ncia de fatores de risco e prote&ccedil;&atilde;o para doen&ccedil;as    cr&ocirc;nicas por inqu&eacute;rito telef&ocirc;nico. Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio   da Sa&uacute;de; 2007.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">6. Chalub M, Telles LEB. &Aacute;lcool, drogas    e crime. Revista   Brasileira de Psiquiatria 2006;28(supl 2):69-73.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">7. Serdula MK, Brewer RD, Gillespie C, Denny    CH,   Mokdad A. 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The alcohol use disorders   identification test: an update of research findings.   Alcoholism, Clinical and Experimental Research   2007;31(2):185-199.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">29. Dybek I, Bischof G, Grothues J, Reinhardt    S, Meyer   C, Hapke U, John U, Broocks A, Hohagen F, Rumpf   HJ. The reliability and validity of the Alcohol Use   Disorders Identification Test (AUDIT) in a German   general practice population sample. Journal of Studies   on Alcohol 2006;67(3):473-481.</font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b><a name="endereco"></a><a href="#topo"><img src="/img/revistas/ess/v14n4/seta.gif" border="0"></a>Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia:</b>    <br>   Universidade Estadual de Campinas,    <br>   Faculdade de Ci&ecirc;ncias M&eacute;dicas,    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Departamento de Medicina Preventiva e Social,    <br>   Rua Tess&aacute;lia Vieira de Camargo, 126,    <br>   Campinas-SP, Brasil.    <br>   CEP: 13083-970    <br>   <i>E-mail</i>:<a href="mailto:marilisa@unicamp.br">marilisa@unicamp.br</a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Recebido em 31/12/2007    <br>   </font><font size="2" face="Verdana">Aprovado em 11/06/2008</font></p>      ]]></body><back>
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