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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>ENTREVISTA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><b>&#64;.PALAVRA.COM</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Sob o marco dos princ&iacute;pios do SUS e da    agenda do desenvolvimento sustent&aacute;vel, da qual o pa&iacute;s &eacute;    signat&aacute;rio, o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de do Brasil, progressivamente,    vem estruturando pol&iacute;ticas, servi&ccedil;os e redes capazes de coordenar    a&ccedil;&otilde;es para o enfrentamento dos determinantes ambientais &agrave;    sa&uacute;de dos brasileiros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nesse contexto, o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de    est&aacute; na linha de frente da resposta do Estado &agrave; quest&atilde;o,    cujos resultados, ainda que modestos, j&aacute; podem ser observados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Com o objetivo de destacar seus fundamentos,    elementos centrais e tend&ecirc;ncias, a <i>Epidemiologia e Servi&ccedil;os    de Sa&uacute;de</i> convidou o Dr. GUILHERME FRANCO NETTO, respons&aacute;vel    pela Coordena&ccedil;&atilde;o-Geral de Sa&uacute;de Ambiental e Sa&uacute;de    do Trabalhador da Secretaria de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de do Minist&eacute;rio    da Sa&uacute;de (CGVAM/SVS/MS), para esta entrevista.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Por que a rela&ccedil;&atilde;o entre sa&uacute;de,    ambiente e desenvolvimento &eacute; um tema contempor&acirc;neo da Sa&uacute;de    P&uacute;blica?</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">- <b>Dr. Guilherme Franco Netto:</b> <i>Desde    as primeiras civiliza&ccedil;&otilde;es, as diversas formas de organiza&ccedil;&atilde;o    do homem nos territ&oacute;rios e ambientes de trabalho sempre consideraram    par&acirc;metros de qualidade ambiental como refer&ecirc;ncia para a sa&uacute;de    de suas comunidades. A import&acirc;ncia do tema, visitado desde a antiguidade,    nos escritos de Hip&oacute;crates sobre &aacute;gua, ares e lugares, e, durante    a revolu&ccedil;&atilde;o industrial, nos achados de John Snow sobre a transmiss&atilde;o    da c&oacute;lera pela &aacute;gua em Londres, &eacute; inequ&iacute;voca, e    demonstra que o ambiente integra o conjunto dos determinantes da sa&uacute;de.</i></font></p>     <p><i><font size="2" face="Verdana">Abordagens contempor&acirc;neas t&ecirc;m    agrupado os determinantes ambientais da sa&uacute;de em tr&ecirc;s vertentes.    A primeira, vinculada ao subdesenvolvimento, ou seja, ao </font></i><font size="2" face="Verdana">deficit<i>    do saneamento ambiental b&aacute;sico, est&aacute; relacionada, ainda nos dias    de hoje, a estados m&oacute;rbidos prevalentes e a uma forte perda de qualidade    de vida, notadamente a infantil relacionada &agrave; diarr&eacute;ia. A segunda    vertente &eacute; a do contato humano, direto ou indireto, com o desenvolvimento    industrial, dos servi&ccedil;os urbanos e das fronteiras agr&iacute;colas, cujos    produtos e subprodutos t&oacute;xicos e poluentes resultam em m&uacute;ltiplas    conseq&uuml;&ecirc;ncias &agrave; sa&uacute;de das comunidades e dos trabalhadores.    E a terceira, ainda emergente, embora seus resultados certamente incidam sobre    a sa&uacute;de, resulta do macrofen&ocirc;meno da globaliza&ccedil;&atilde;o    e da crise ambiental global, vivamente expressos na intensa urbaniza&ccedil;&atilde;o,    degrada&ccedil;&atilde;o dos ecossistemas e mudan&ccedil;a do clima.</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Qual a situa&ccedil;&atilde;o atual e as tend&ecirc;ncias    dessas rela&ccedil;&otilde;es no Brasil?</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">- <b>Dr. Guilherme Franco Netto:</b> <i>Por suas    caracter&iacute;sticas econ&ocirc;micas, sociais, demogr&aacute;ficas, geogr&aacute;ficas    e ambientais, o Brasil &eacute; um pa&iacute;s fortemente vulner&aacute;vel    ao conjunto dos cen&aacute;rios que acabo de mencionar. Integrante do bloco    dos chamados pa&iacute;ses de economia emergente, no contexto da globaliza&ccedil;&atilde;o,    nosso pa&iacute;s vive intensas e r&aacute;pidas transforma&ccedil;&otilde;es.    Entre elas, ressalta-se o novo perfil de urbaniza&ccedil;&atilde;o, com cerca    de 80% da popula&ccedil;&atilde;o vivendo nas cidades, em sua maioria sob p&eacute;ssimas    condi&ccedil;&otilde;es de infra-estrutura e limitado acesso a servi&ccedil;os    b&aacute;sicos. Ao tempo que somos uma na&ccedil;&atilde;o privilegiada, do    ponto de vista do acesso a ambientes naturais, nossa vast&iacute;ssima biodiversidade    e m&uacute;ltiplos ecossistemas sofrem enormes conseq&uuml;&ecirc;ncias negativas    das atividades humanas. O Brasil &eacute; o pa&iacute;s que mais produz qu&iacute;micos    na Am&eacute;rica Latina, oscila entre a segunda e a terceira posi&ccedil;&atilde;o    no consumo global de agrot&oacute;xicos. A intera&ccedil;&atilde;o dessas press&otilde;es    exerce fort&iacute;ssima influ&ecirc;ncia na exposi&ccedil;&atilde;o de nossa    popula&ccedil;&atilde;o a riscos a elas relacionados. Estudo recente da Organiza&ccedil;&atilde;o    Mundial da Sa&uacute;de, a OMS, evidencia que cerca de 18% da carga de doen&ccedil;as    em nosso pa&iacute;s s&atilde;o explicados por alguns desses fatores. Entretanto,    para conhecer melhor as rela&ccedil;&otilde;es entre sa&uacute;de, ambiente    e desenvolvimento, &eacute; necess&aacute;ria a constru&ccedil;&atilde;o de    modelos que investiguem como as tr&ecirc;s vertentes de que falei, abordadas    na resposta &agrave; primeira pergunta, manifestam-se na sa&uacute;de dos brasileiros</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b><font size="3">Qual &eacute; a contribui&ccedil;&atilde;o    da vigil&acirc;ncia em sa&uacute;de ambiental para a Sa&uacute;de P&uacute;blica?</font></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">- <b>Dr. Guilherme Franco Netto:</b> <i>A vigil&acirc;ncia    em sa&uacute;de ambiental integra o Sistema Nacional de Vigil&acirc;ncia em    Sa&uacute;de e a rede de vigil&acirc;ncias que o comp&otilde;e, juntamente com    a epidemiol&oacute;gica, a sanit&aacute;ria e a de sa&uacute;de do trabalhador.    A contribui&ccedil;&atilde;o genu&iacute;na da vigil&acirc;ncia em sa&uacute;de    ambiental &agrave; Sa&uacute;de P&uacute;blica est&aacute; na possibilidade    de conhecer, monitorar e avaliar, sistemicamente, os fatores de risco &agrave;    sa&uacute;de humana relacionados ao ambiente, integrando e compatibilizando    essas informa&ccedil;&otilde;es, nas tr&ecirc;s esferas de poder, &agrave;s    informa&ccedil;&otilde;es da vigil&acirc;ncia em sa&uacute;de</i>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b><font size="3">Qual a articula&ccedil;&atilde;o    da vigil&acirc;ncia em sa&uacute;de ambiental com a promo&ccedil;&atilde;o da    sa&uacute;de e o desenvolvimento sustent&aacute;vel?</font></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">- <b>Dr. Guilherme Franco Netto:</b> <i>Originalmente,    a estrutura&ccedil;&atilde;o da vigil&acirc;ncia em sa&uacute;de ambiental no    Brasil desenvolveu-se como um conceito de 'Sa&uacute;de Ambiental', de estrat&eacute;gia    do setor Sa&uacute;de para trabalhar com o desenvolvimento sustent&aacute;vel    e os determinantes s&oacute;cio-ambientais da sa&uacute;de. O que vem se consolidando    progressivamente, em uma agenda sin&eacute;rgica com a da promo&ccedil;&atilde;o    da sa&uacute;de, anuncia outra importante contribui&ccedil;&atilde;o &agrave;    Sa&uacute;de P&uacute;blica: a de possibilitar &agrave; sociedade compreender    e agir sobre os determinantes ambientais da sa&uacute;de</i>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b><font size="3">Quais os resultados pr&aacute;ticos    j&aacute; alcan&ccedil;ados pela vigil&acirc;ncia em sa&uacute;de ambiental    nestes dez anos?</font></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">- <b>Dr. Guilherme Franco Netto:</b> <i>A partir    de 1998, a estrat&eacute;gia de implanta&ccedil;&atilde;o da vigil&acirc;ncia    em sa&uacute;de ambiental implicou a estrutura&ccedil;&atilde;o do Subsistema    Nacional de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de Ambiental &#8211; Sinvsa &#8211;    nas esferas federal, estadual e municipal do SUS. Durante os cinco primeiros    anos, at&eacute; 2003, foram desenvolvidas a&ccedil;&otilde;es cujos cumprimentos    s&atilde;o mensurados por metas de infra-estrutura, especialmente na formaliza&ccedil;&atilde;o    da vigil&acirc;ncia em sa&uacute;de ambiental, na organiza&ccedil;&atilde;o    e constitui&ccedil;&atilde;o das equipes t&eacute;cnicas das respectivas esferas    de gest&atilde;o. A partir de 2004, foram introduzidos objetivos priorit&aacute;rios    relacionados &agrave; implanta&ccedil;&atilde;o do Programa Nacional de Vigil&acirc;ncia    da Qualidade da &Aacute;gua para Consumo Humano (Vigi&aacute;gua), do Programa    Nacional de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de de Popula&ccedil;&otilde;es Expostas    a Solos Contaminados (Vigisolo) e, posteriormente, do Programa de Vigil&acirc;ncia    em Sa&uacute;de Relacionado &agrave; Qualidade do Ar (Vigiar). O monitoramento    desses programas e suas a&ccedil;&otilde;es acompanha seu cumprimento pela verifica&ccedil;&atilde;o    de suas metas de processo</i>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Existem evid&ecirc;ncias j&aacute; estabelecidas    sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre sa&uacute;de e ambiente com base nas a&ccedil;&otilde;es    da vigil&acirc;ncia em sa&uacute;de ambiental?</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">- <b>Dr. Guilherme Franco Netto:</b> <i>No cap&iacute;tulo    'Sa&uacute;de e Ambiente', cuja elabora&ccedil;&atilde;o foi encarregada &agrave;    equipe t&eacute;cnica da CGVAM para divulga&ccedil;&atilde;o na edi&ccedil;&atilde;o    de 2007 do </i>Sa&uacute;de Brasil<i>, publica&ccedil;&atilde;o seriada da Secretaria    de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, estar&aacute;    dispon&iacute;vel todo um conjunto de informa&ccedil;&otilde;es sobre a rela&ccedil;&atilde;o    entre os dados da Vigi&aacute;gua e as taxas de interna&ccedil;&atilde;o por    doen&ccedil;as diarr&eacute;icas no pa&iacute;s, a estimativa e a distribui&ccedil;&atilde;o    de popula&ccedil;&otilde;es expostas a &aacute;reas de solos contaminados e    a identifica&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas de aten&ccedil;&atilde;o ambiental    atmosf&eacute;rica de interesse para a sa&uacute;de no contexto do desmatamento.    Essas informa&ccedil;&otilde;es ser&atilde;o &uacute;teis para apoiar a tomada    de decis&atilde;o do setor Sa&uacute;de</i>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Quais os principais desafios e perspectivas    da vigil&acirc;ncia em sa&uacute;de ambiental no Brasil?</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">- <b>Dr. Guilherme Franco Netto:</b> <i>A crise    ambiental global, cientificamente evidenciada no "4<sup>o</sup> Relat&oacute;rio do    Painel Intergovernamental sobre a Mudan&ccedil;a do Clima", &eacute; o fato    mais relevante do S&eacute;culo XXI. Seus reflexos, inquestionavelmente, ser&atilde;o    sentidos na Sa&uacute;de P&uacute;blica. Cabe, portanto "for&ccedil;ar" o leme    no sentido de que a agenda da sa&uacute;de ambiental migre para o centro da    tomada de decis&otilde;es da Sa&uacute;de P&uacute;blica. Uma avalia&ccedil;&atilde;o    criteriosa e independente do que foi realizado nesses primeiros dez anos auxiliar&aacute;,    em muito, na identifica&ccedil;&atilde;o das fortalezas e debilidades do desenvolvimento    da &aacute;rea no Brasil</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><i>A estrutura&ccedil;&atilde;o de um departamento    voltado &agrave; sa&uacute;de ambiental e &agrave; sa&uacute;de do trabalhador,    no &acirc;mbito da Secretaria de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de do Minist&eacute;rio    da Sa&uacute;de, associada &agrave; necess&aacute;ria identifica&ccedil;&atilde;o    de novos recursos, cria possibilidades de fortalecimento das a&ccedil;&otilde;es    de sa&uacute;de ambiental no SUS. Ainda, de acordo com as delibera&ccedil;&otilde;es    das &uacute;ltimas Confer&ecirc;ncias Nacionais de Sa&uacute;de, das Cidades    e do Meio Ambiente, tendo como base as teses do documento "Subs&iacute;dios    para a Pol&iacute;tica Nacional de Sa&uacute;de Ambiental", a realiza&ccedil;&atilde;o    da "I Confer&ecirc;ncia Nacional de Sa&uacute;de Ambiental" em 2009 dever&aacute;    fortalecer a organiza&ccedil;&atilde;o e mobiliza&ccedil;&atilde;o da sociedade    em torno dessa tem&aacute;tica</i>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Edi&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Marta Helena Paiva Dantas    <br>   </b></font><font size="2" face="Verdana">Coordena&ccedil;&atilde;o-Geral de    Desenvolvimento da Epidemiologia em Servi&ccedil;os, Secretaria de Vigil&acirc;ncia    em Sa&uacute;de, Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, Bras&iacute;lia-DF, Brasil</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b> Tatiana Marques Portela    <br>   </b></font><font size="2" face="Verdana">N&uacute;cleo de Comunica&ccedil;&atilde;o,    Secretaria de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de, Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de,    Bras&iacute;lia-DF, Brasil</font></p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
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