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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Confiabilidade dos dados de atendimento odontológico do Sistema de Gerenciamento de Unidade Ambulatorial Básica (Sigab) em Unidade Básica de Saúde do Município do Rio de Janeiro]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Reliability of dental procedures data from the Outpatient Care Management System (Sigab) at a Primary Care Unit in the Municipality of Rio de Janeiro, Brazil]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This study has estimated the reliability of dental procedures data from the Outpatient Care Management System (Sigab), through two statistical procedures: intraclass correlation coefficient and concordance correlation coefficient, with corresponding 95% confidence intervals. The analysis consisted of comparing data registered at three different forms related to outpatient clinical procedures performed by general dentists in 96 working days at a primary care unit in the municipality of Rio de Janeiro. The results showed a high degree of agreement among data from the different sources taken into account in the study. Calculated estimates have led us to conclude that there is a high degree of reliability among data related to dental procedures collected in standardized forms available at Sigab, in a spreadsheet developed at the primary care unit and data from reports generated by the software.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b><a name="topo"></a>ARTIGO ORIGINAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><b>Confiabilidade dos dados de atendimento odontol&oacute;gico    do Sistema de Gerenciamento de Unidade Ambulatorial B&aacute;sica (Sigab) em    Unidade B&aacute;sica de Sa&uacute;de do Munic&iacute;pio do Rio de Janeiro</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Reliability of dental procedures data from    the Outpatient Care Management System (Sigab) at a Primary Care Unit in the    Municipality of Rio de Janeiro, Brazil</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Leonardo Barra Luquetti<sup>I</sup>; Josu&eacute;    Laguardia<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> <sup>I</sup>N&uacute;cleo de Vigil&acirc;ncia    em Sa&uacute;de da Policl&iacute;nica Jos&eacute; Paranhos Fontenelle &#8211;    CAP 3.1, Secretaria Municipal de Sa&uacute;de do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro-RJ,    Brasil    <br>   </font><font size="2" face="Verdana"><sup>II</sup>Instituto de Comunica&ccedil;&atilde;o    e Informa&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica e Tecnol&oacute;gica em Sa&uacute;de,    Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro-RJ, Brasil</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Este artigo estimou a confiabilidade dos dados    de atendimento odontol&oacute;gico do Sistema de Gerenciamento de Unidade Ambulatorial    B&aacute;sica (Sigab) por meio de dois procedimentos: coeficiente de correla&ccedil;&atilde;o    intraclasse e coeficiente de correla&ccedil;&atilde;o de concord&acirc;ncia,    com os respectivos intervalos de 95% de confian&ccedil;a. As an&aacute;lises    compararam os dados de procedimentos cl&iacute;nicos ambulatoriais produzidos    pelos cirurgi&otilde;es-dentistas em uma amostra selecionada de 96 dias de atendimento    odontol&oacute;gico de uma unidade b&aacute;sica de sa&uacute;de do munic&iacute;pio    do Rio de Janeiro-RJ e registrados em tr&ecirc;s diferentes instrumentos. Os    resultados mostraram um alto grau de concord&acirc;ncia entre os dados provenientes    dos instrumentos avaliados no estudo. A partir das estimativas obtidas, conclui-se    que h&aacute; uma alta confiabilidade entre os dados relativos aos procedimentos    odontol&oacute;gicos coletados nos instrumentos padronizados do Sigab, na planilha    desenvolvida no servi&ccedil;o, e os dados presentes nos relat&oacute;rios gerados    pelo aplicativo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> <b>Palavras-chave:</b> reprodutibilidade; confiabilidade;    sistema de informa&ccedil;&atilde;o; Sigab.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>SUMMARY</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> This study has estimated the reliability of    dental procedures data from the Outpatient Care Management System (<i>Sigab</i>),    through two statistical procedures: intraclass correlation coefficient and concordance    correlation coefficient, with corresponding 95% confidence intervals. The analysis    consisted of comparing data registered at three different forms related to outpatient    clinical procedures performed by general dentists in 96 working days at a primary    care unit in the municipality of Rio de Janeiro. The results showed a high degree    of agreement among data from the different sources taken into account in the    study. Calculated estimates have led us to conclude that there is a high degree    of reliability among data related to dental procedures collected in standardized    forms available at Sigab, in a spreadsheet developed at the primary care unit    and data from reports generated by the software.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> <b>Key words:</b> reproducibility; reliability;    information system; Sigab.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A informatiza&ccedil;&atilde;o dos sistemas    de informa&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de ap&oacute;ia-se na aplica&ccedil;&atilde;o    de tecnologias para o processamento autom&aacute;tico de um conjunto de dados    que auxiliam a an&aacute;lise da situa&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de e a    tomada de decis&atilde;o por parte dos gestores.<sup>1</sup> Assim, a implanta&ccedil;&atilde;o    de um sistema de informa&ccedil;&atilde;o desse tipo propiciaria uma gest&atilde;o    eficiente e eq&uuml;itativa dos programas e, conseq&uuml;entemente, uma melhoria    nos n&iacute;veis de sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A estrutura&ccedil;&atilde;o do processo de constru&ccedil;&atilde;o    do conhecimento a partir dos dados relativos aos distintos aspectos da sa&uacute;de    e nos diferentes n&iacute;veis de gest&atilde;o leva a um aprimoramento da capacidade    de resposta dos sistemas de informa&ccedil;&atilde;o &agrave;s demandas e necessidades    de informa&ccedil;&atilde;o do gestor.<sup>2</sup> Mesmo nos modelos de decis&atilde;o    em que a solu&ccedil;&atilde;o &eacute; resultado de um processo de car&aacute;ter    mais pessoal, influenciado pelo &quot;olhar&quot; do gestor e por situa&ccedil;&otilde;es    contingenciais, esses sistemas de informa&ccedil;&atilde;o podem fornecer dados    que servem tanto para reiterar ou criticar os pressupostos subjacentes &agrave;s    medidas adotadas. Em termos de exerc&iacute;cio da cidadania, o acesso &agrave;s    informa&ccedil;&otilde;es permite que o usu&aacute;rio e as organiza&ccedil;&otilde;es    da sociedade civil possam avaliar a qualidade dos servi&ccedil;os. A maneira    como a informa&ccedil;&atilde;o &eacute; obtida, registrada, organizada, recuperada    e, posteriormente, utilizada permite que as decis&otilde;es oportunas estejam    embasadas em diferentes recortes anal&iacute;ticos. Por&eacute;m, isso s&oacute;    &eacute; poss&iacute;vel com a padroniza&ccedil;&atilde;o, automa&ccedil;&atilde;o    e integra&ccedil;&atilde;o dos processos da cadeia informacional.<sup>3</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A qualidade do dado de um sistema de informa&ccedil;&atilde;o    est&aacute; associada &agrave; adequa&ccedil;&atilde;o do uso desse dado para    determinada finalidade ou ao grau de ader&ecirc;ncia entre a representa&ccedil;&atilde;o    da realidade registrada no dado do sistema de informa&ccedil;&atilde;o e esse    mesmo dado no mundo real. Essa qualidade pode ser aferida por meio das seguintes    caracter&iacute;sticas: oportunidade, relev&acirc;ncia, completeza e confiabilidade    desses dados. A oportunidade diz respeito &agrave; atualidade do dado, enquanto    que a relev&acirc;ncia remete &agrave; id&eacute;ia de utilidade para a tomada    de decis&atilde;o em determinado contexto. A completeza refere-se &agrave; magnitude    de campos em branco de cada vari&aacute;vel do sistema de informa&ccedil;&atilde;o.    J&aacute; a confiabilidade implica reprodutibilidade da informa&ccedil;&atilde;o,    a representa&ccedil;&atilde;o dos dados de maneira consistente e sem ambig&uuml;idade.    A qualidade dos dados de um sistema de informa&ccedil;&atilde;o pode estar comprometida    por problemas no registro, atualiza&ccedil;&atilde;o e uso dos dados, bem como    nos processos de mudan&ccedil;a e reestrutura&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio    sistema.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Quanto aos dados relativos &agrave; sa&uacute;de    bucal e sua presen&ccedil;a nos sistemas de informa&ccedil;&atilde;o atualmente    em uso, estes ficam limitados &agrave; produ&ccedil;&atilde;o ambulatorial odontol&oacute;gica    da rede de aten&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica e de m&eacute;dia complexidade,    coletados pelo Sistema de Gerenciamento de Unidade Ambulatorial B&aacute;sica    (Sigab). O Sigab, por sua vez, integra a base de dados do Sistema de Informa&ccedil;&otilde;es    Ambulatoriais do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SIA/SUS).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A incerteza quanto &agrave; qualidade dos dados    gerados pelo Sigab relativos &agrave; produ&ccedil;&atilde;o odontol&oacute;gica    ambulatorial e a aus&ecirc;ncia de estudos para avalia&ccedil;&atilde;o desses    dados nos sistemas de informa&ccedil;&atilde;o de base nacional orientaram o    objetivo do presente artigo, que buscou estimar a confiabilidade dos dados odontol&oacute;gicos    do Sigab com o intuito de apoiar o seu uso no planejamento das a&ccedil;&otilde;es    em sa&uacute;de bucal. Para tal, foram estimadas as medidas de confiabilidade    dos dados de atendimentos odontol&oacute;gicos realizados em uma unidade de    sa&uacute;de do Munic&iacute;pio do Rio de Janeiro, no per&iacute;odo de janeiro    a dezembro de 2005, utilizando os dois procedimentos estat&iacute;sticos mais    comumente usados na literatura. A compara&ccedil;&atilde;o entre os resultados    obtidos por ambos teve o intuito de apontar se haveria alguma diferen&ccedil;a    nas estimativas, de acordo com o m&eacute;todo utilizado.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Metodologia</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Neste estudo foram utilizados tr&ecirc;s instrumentos:    relat&oacute;rio gerado pelo Sigab; a ficha de registro odontol&oacute;gico    (FRO) &#8211; que &eacute; o instrumento para entrada de dados da produ&ccedil;&atilde;o    ambulatorial no sistema &#8211;; e uma planilha de coleta de dados de atendimento    odontol&oacute;gico, desenvolvida e implantada por um dos autores.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Os dados do dentista e o total de consultas realizadas    nos atendimentos dos turnos de trabalho s&atilde;o registrados na ficha de identifica&ccedil;&atilde;o    profissional (FIP), conforme <a href="#f1">Figura 1</a>. Os dados do atendimento    odontol&oacute;gico, ap&oacute;s estes turnos, s&atilde;o registrados na ficha    de registro odontol&oacute;gico (FRO). Os campos desta ficha (<a href="#f2">Figura    2</a>) utilizados no estudo restringiram-se aos procedimentos executados, ou    seja, s&oacute; foram coletados os dados que dizem respeito aos c&oacute;digos    de oito d&iacute;gitos da tabela SIA/SUS.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="f1"></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a href="#11"><img src="/img/revistas/ess/v18n3/3a08f1.gif" border="0"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="f2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a href="#11"><img src="/img/revistas/ess/v18n3/3a08f2.gif" border="0"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Os procedimentos avaliados foram divididos em    dois grupos: conclusivos (todas as a&ccedil;&otilde;es de cl&iacute;nica odontol&oacute;gica    b&aacute;sica) e preventivos (escova&ccedil;&atilde;o dent&aacute;ria supervisionada    e aplica&ccedil;&atilde;o t&oacute;pica de fl&uacute;or). Os dados tamb&eacute;m    foram registrados pelo profissional em uma planilha espec&iacute;fica que apresentava    campos pertinentes para o lan&ccedil;amento dos dados, assim como a FRO. Todos    os procedimentos registrados nesses instrumentos deveriam constar no relat&oacute;rio    final do Sigab. A sele&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es para avalia&ccedil;&atilde;o    no estudo deve-se ao fato de estes procedimentos representarem todas as atividades    realizadas por um dentista da rede p&uacute;blica de sa&uacute;de e que s&atilde;o    registradas no sistema de informa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"> A escolha dessa unidade, em detrimento de uma    sele&ccedil;&atilde;o amostral das unidades de sa&uacute;de do Munic&iacute;pio    do Rio de Janeiro, deveu-se ao fato de que nela havia sido implantado um instrumento    espec&iacute;fico, juntamente com o Sigab, para contabilizar a sua produ&ccedil;&atilde;o    odontol&oacute;gica. Esta especificidade ofereceu a oportunidade de avaliar    a confiabilidade dos dados do Sigab utilizando uma fonte adicional de coleta    de dados, al&eacute;m das fichas do pr&oacute;prio Sistema. Na sele&ccedil;&atilde;o    das unidades de an&aacute;lise do estudo foram exclu&iacute;das as semanas que    poderiam resultar em uma grande varia&ccedil;&atilde;o dos dados de produ&ccedil;&atilde;o    cl&iacute;nica ambulatorial, tais como feriados, campanhas de vacina&ccedil;&atilde;o    e os dias e turnos nos quais n&atilde;o houve lan&ccedil;amento de produ&ccedil;&atilde;o    em qualquer um dos instrumentos utilizados na avalia&ccedil;&atilde;o. Do total    de 216 dias eleg&iacute;veis para sele&ccedil;&atilde;o da amostra, 96 dias    foram sorteados no per&iacute;odo de janeiro a dezembro de 2005, assumindo um    grau de concord&acirc;ncia esperado de 70% e um resultado desfavor&aacute;vel    de 63%. O tamanho estimado para a amostra do estudo atende aos requisitos de    poder, efici&ecirc;ncia e limita&ccedil;&otilde;es de custo.<sup>4</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A magnitude do erro de mensura&ccedil;&atilde;o,    que afeta a an&aacute;lise e interpreta&ccedil;&atilde;o estat&iacute;stica,    pode ser avaliada por meio de um &iacute;ndice de confiabilidade. Em geral,    um estudo de confiabilidade das medidas entre duas ou mais fontes de informa&ccedil;&atilde;o    &eacute; constitu&iacute;do por uma amostra aleat&oacute;ria de <b>n</b> alvos,    que &eacute; avaliada independentemente por <b>k</b> observadores. No caso da    avalia&ccedil;&atilde;o da confiabilidade das medidas geradas por um ou mais    sistemas de informa&ccedil;&atilde;o, o pesquisador pode estar interessado em    estimar a concord&acirc;ncia das estat&iacute;sticas geradas por diferentes    fontes <b>j</b> em uma amostra de indiv&iacute;duos ou de dias de atendimento    <b>i</b>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Dentre os procedimentos mais empregados para    medir a confiabilidade que apresentam uma &uacute;nica medida de magnitude da    concord&acirc;ncia, destacam-se os coeficientes de correla&ccedil;&atilde;o    intraclasse (CCI) e de correla&ccedil;&atilde;o de concord&acirc;ncia (CCC).<sup>5,6</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O coeficiente de correla&ccedil;&atilde;o intraclasse    (CCI) &eacute; uma medida da confiabilidade dos observadores definida como a    raz&atilde;o da vari&acirc;ncia entre unidades de an&aacute;lise e a vari&acirc;ncia    total. Essas vari&acirc;ncias s&atilde;o derivadas da an&aacute;lise de vari&acirc;ncia    (Anova), cujos modelos dependem do pressuposto que os observadores s&atilde;o    obtidos aleatoriamente de uma popula&ccedil;&atilde;o maior de observadores    (efeitos aleat&oacute;rios) ou se s&atilde;o os &uacute;nicos observadores de    interesse (efeitos fixos) e, ainda, se cada observador se at&eacute;m a cada    uma das unidades de an&aacute;lise ou n&atilde;o. O CCI &eacute; empregado quando    as vari&aacute;veis do estudo s&atilde;o cont&iacute;nuas. O CCI tem valores    que variam entre 0 e 1. Quando o valor &eacute; igual a 0 o estudo n&atilde;o    &eacute; reprodut&iacute;vel, ou seja, h&aacute; uma grande variabilidade intra-observador,    mas n&atilde;o h&aacute; variabilidade inter-observador. No caso do CCI ser    &eacute; igual a 1, o estudo &eacute; reprodut&iacute;vel ao m&aacute;ximo,    ou seja, n&atilde;o h&aacute; variabilidade intra-observador, mas h&aacute;    uma grande variabilidade inter-observador. Ressalta-se que estes exemplos se    aplicam &agrave; situa&ccedil;&atilde;o de confiabilidade teste-reteste.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O coeficiente de correla&ccedil;&atilde;o de    concord&acirc;ncia (CCC) avalia a concord&acirc;ncia entre duas leituras da    mesma amostra, medindo a varia&ccedil;&atilde;o da linha de 45 graus desde a    origem (linha de concord&acirc;ncia).<sup>7</sup> Para caracterizar o CCC &eacute;    necess&aacute;rio correlacion&aacute;-lo com o coeficiente de correla&ccedil;&atilde;o    de Pearson, que quantifica a for&ccedil;a de associa&ccedil;&atilde;o linear    entre duas vari&aacute;veis, ou seja, o grau de correla&ccedil;&atilde;o entre    elas. O CCC tem as seguintes caracter&iacute;sticas: varia de -1 a +1; &eacute;    igual a zero se e apenas se o coeficiente de correla&ccedil;&atilde;o de Pearson    &eacute; igual a zero; &eacute; igual ao coeficiente de correla&ccedil;&atilde;o    de Pearson se e apenas se a vari&acirc;ncia e a m&eacute;dia da primeira leitura    &eacute; igual &agrave; vari&acirc;ncia e a m&eacute;dia da segunda leitura;    &eacute; igual a &#43;&#47;- 1 se e apenas se o coeficiente de correla&ccedil;&atilde;o    de Pearson for igual a &#43;&#47;- 1, a vari&acirc;ncia e a m&eacute;dia da    primeira leitura &eacute; igual &agrave; vari&acirc;ncia e a m&eacute;dia da    segunda leitura ou cada par estiver em concord&acirc;ncia perfeita (1,1), (2,2),    (3,3), (4,4), (5,5) ou em reverso perfeito (5,1), (4,2), (3,3), (2,4), (1,5).    A simplicidade do seu uso, a consist&ecirc;ncia de suas estimativas e a normalidade    assint&oacute;tica para dados normais bivariados s&atilde;o apontados como vantagens    do CCC com respeito ao CCI e, quando se assume que os observadores s&atilde;o    fixos, o coeficiente de correla&ccedil;&atilde;o de concord&acirc;ncia iguala-se    ao coeficiente de correla&ccedil;&atilde;o intraclasse.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Dada a relev&acirc;ncia da avalia&ccedil;&atilde;o    da confiabilidade dos dados oriundos de diferentes fontes de informa&ccedil;&atilde;o    para o planejamento das a&ccedil;&otilde;es em sa&uacute;de bucal, assim como    a pertin&ecirc;ncia do uso de coeficientes de correla&ccedil;&atilde;o de concord&acirc;ncia    em detrimento ao coeficiente de correla&ccedil;&atilde;o intraclasse, buscou-se    nesse estudo estimar os coeficientes de correla&ccedil;&atilde;o intraclasse    para concord&acirc;ncia absoluta, assumindo o car&aacute;ter n&atilde;o-aleat&oacute;rio    das fontes (modelo de dois fatores e efeitos mistos), e de correla&ccedil;&atilde;o    de concord&acirc;ncia (CCC). Para as estimativas de concord&acirc;ncia e de    validade foram constru&iacute;dos intervalos de 95% de confian&ccedil;a (IC<sub>95%</sub>).    Em acr&eacute;scimo &agrave; estimativa da confiabilidade dos dados do Sigab,    a compara&ccedil;&atilde;o das medidas de concord&acirc;ncia entre as fontes    de informa&ccedil;&atilde;o permite avaliar a magnitude das diferen&ccedil;as    entre as estimativas dos dois coeficientes.</font></p>     <p><b><font size="2" face="Verdana">Considera&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas</font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Vale ressaltar que nesse estudo n&atilde;o houve    quebra de confidencialidade em decorr&ecirc;ncia dos seguintes aspectos: a)    as fichas consultadas n&atilde;o continham o nome do paciente, pois esse campo    n&atilde;o &eacute; preenchido &#8211; a possibilidade de v&iacute;nculo entre    os dados da ficha e os dados pessoais do paciente se d&aacute; pelo n&uacute;mero    do registro (c&oacute;digo num&eacute;rico); b) para identificar qualquer paciente    atrav&eacute;s do n&uacute;mero de registro &eacute; necess&aacute;rio que seja    consultado o prontu&aacute;rio na documenta&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica,    o que n&atilde;o foi feito nesse estudo; c) os dados analisados estavam agregados    por dia de atendimento segundo o profissional; d) o relat&oacute;rio do Sigab    e a planilha de coleta do servi&ccedil;o n&atilde;o fazem qualquer men&ccedil;&atilde;o    aos dados do paciente, nem mesmo ao n&uacute;mero de registro, e) o &uacute;nico    objetivo deste estudo foi aferir a confiabilidade dos dados consolidados que    d&atilde;o entrada no sistema, comparando-os com aqueles que d&atilde;o sa&iacute;da    no mesmo; f) no presente estudo n&atilde;o foi feita qualquer cita&ccedil;&atilde;o    relativa aos pacientes ou &agrave; sua individualidade, pois este n&atilde;o    foi o alvo da pesquisa, al&eacute;m do fato de ser imposs&iacute;vel para os    pesquisadores distinguirem, atrav&eacute;s de n&uacute;meros do registro, a    identidade ou mesmo dados particulares dos grupos estudados. Em decorr&ecirc;ncia    desses aspectos, n&atilde;o foi considerada necess&aacute;ria a submiss&atilde;o    do projeto para avalia&ccedil;&atilde;o por um comit&ecirc; de &eacute;tica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Resultados</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"> No per&iacute;odo estudado, observou-se um alto    grau de concord&acirc;ncia, acima de 90%, nas estimativas dos coeficientes de    correla&ccedil;&atilde;o intraclasse e de concord&acirc;ncia para os dados registrados    nos instrumentos avaliados e o tipo de procedimento realizado &#8211; total    de consultas, procedimentos conclusivos e controle de placa (<a href="#t1">Tabela    1</a>). Esses valores tamb&eacute;m foram encontrados nas estimativas para cada    profissional de sa&uacute;de. Os achados desse estudo mostram que h&aacute;    uma alta confiabilidade entre as tr&ecirc;s fontes de dados de registro dos    procedimentos realizados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="t1"></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a href="#11"><img src="/img/revistas/ess/v18n3/3a08t1.gif" border="0"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Quanto aos procedimentos utilizados para o c&aacute;lculo    da confiabilidade, a aus&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as significativas entre    os dois m&eacute;todos mostra que a escolha de qualquer um dos coeficientes    de correla&ccedil;&atilde;o n&atilde;o afetaria os resultados da an&aacute;lise.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> As estimativas obtidas nesse estudo assinalam    que h&aacute; uma alta concord&acirc;ncia entre os dados coletados por um instrumento    padronizado (FRO) ou desenvolvido localmente (planilha) e os dados presentes    nos relat&oacute;rios gerados pelo aplicativo Sigab. Os dados do atendimento    odontol&oacute;gico, mesmo quando analisados separadamente por tipo de procedimento    e tamb&eacute;m por um profissional, apresentam alto &iacute;ndice de concord&acirc;ncia    e, conseq&uuml;entemente, alta confiabilidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os estudos realizados no Brasil que avaliaram    a confiabilidade dos dados dos sistemas de informa&ccedil;&atilde;o abrangem,    predominantemente, os sistemas de informa&ccedil;&atilde;o de base nacional    relativos aos dados vitais, interna&ccedil;&otilde;es hospitalares e agravos    de notifica&ccedil;&atilde;o compuls&oacute;ria, e utilizaram a estimativa do    Kappa para an&aacute;lise do grau de concord&acirc;ncia entre os dados dos registros    informatizados desses sistemas e aqueles presentes nos prontu&aacute;rios dos    pacientes.<sup>8-16</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Os estudos realizados com dados do Sistema de    Informa&ccedil;&otilde;es sobre Nascidos Vivos (Sinasc) no Maranh&atilde;o<sup>8</sup>    e Rio de Janeiro<sup>9</sup> mostraram que, respectivamente, houve concord&acirc;ncia entre    as informa&ccedil;&otilde;es presentes nos registros e aquelas coletadas em    um inqu&eacute;rito seccional para os quesitos taxa de baixo peso ao nascer;    assim como os dados coletados em entrevistas com as pu&eacute;rperas e os dados    registrados nas respectivas declara&ccedil;&otilde;es de nascidos vivos mostraram    que o sexo do rec&eacute;m-nascido, o peso ao nascer, a idade da m&atilde;e,    o tipo de parto e o tipo de gesta&ccedil;&atilde;o apresentaram maior concord&acirc;ncia,    acima de 0,90, entre as fontes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No Munic&iacute;pio do Rio de Janeiro, a compara&ccedil;&atilde;o    entre os dados dos registros da Campanha para Elimina&ccedil;&atilde;o da S&iacute;filis    Cong&ecirc;nita (CESC) e os dados do Sistema de Informa&ccedil;&atilde;o de    Agravos de Notifica&ccedil;&atilde;o (Sinan) mostrou que a concord&acirc;ncia    variava entre boa e &oacute;tima para a vari&aacute;vel idade (0,63-0,83), por&eacute;m    baixa para a data e o tipo de tratamento (0,19-0,36).<sup>10</sup> Os resultados de um    estudo em que foram comparados os dados originais e revistos da vari&aacute;vel    diagn&oacute;stico final dos casos de dengue notificados ao Sinan na epidemia    ocorrida no per&iacute;odo 2001-2002 no Munic&iacute;pio do Rio de Janeiro<sup>11</sup>    apontaram n&iacute;veis satisfat&oacute;rios ou bons (0,68) para a confiabilidade    dessa vari&aacute;vel no Sinan, apesar da aus&ecirc;ncia de cr&iacute;ticas    internas no sistema.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em um estudo acerca da confiabilidade dos dados    do Sistema de Informa&ccedil;&atilde;o de Mortalidade (SIM),<sup>12</sup> os pesquisadores    observaram que a concord&acirc;ncia entre os dados da causa b&aacute;sica de    &oacute;bitos por viol&ecirc;ncia registrados no SIM e os dados revistos ap&oacute;s    agrega&ccedil;&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es existentes no Instituto    M&eacute;dico Legal (IML) do Munic&iacute;pio de Belo Horizonte-MG no per&iacute;odo    de 1998 a 2000, foi de 0,60 (IC<sub>95%</sub>: 0,56-0,64), considerada moderada ou regular.    Isto, na percep&ccedil;&atilde;o daqueles autores, poderia apresentar algum    grau de comprometimento da qualidade das informa&ccedil;&otilde;es acerca dos    acidentes de transporte. Nesse Munic&iacute;pio, um estudo avaliou a confiabilidade    dos dados da declara&ccedil;&atilde;o da causa b&aacute;sica de mortes infantis,    registradas na Declara&ccedil;&atilde;o de &Oacute;bito e os dados anotados    no prontu&aacute;rio hospitalar da crian&ccedil;a.<sup>13</sup> Os achados desse estudo    apontaram que o &iacute;ndice de Kappa foi de 0,61 (IC<sub>95%</sub>: 0,49-0,74) para os    &oacute;bitos neonatais e 0,47 (IC<sub>95%</sub>: 0,38-0,57) para os &oacute;bitos p&oacute;s-neonatais,    sendo que essas discord&acirc;ncias seriam maiores ao separar o grupo de causas    utilizadas para compara&ccedil;&atilde;o. J&aacute; no Munic&iacute;pio do Rio    de Janeiro,<sup>14</sup> a confiabilidade dos atestados de &oacute;bito por neoplasias    foi de 0,89 (IC<sub>95%</sub>: 0,86-0,92), garantindo sua adequa&ccedil;&atilde;o para    o uso em estudos epidemiol&oacute;gicos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A compara&ccedil;&atilde;o entre os dados preenchidos      nos formul&aacute;rios de autoriza&ccedil;&atilde;o de interna&ccedil;&atilde;o       hospitalar (AIH) de hospitais privados contratados pelo Instituto Nacional      de  Previd&ecirc;ncia e Assist&ecirc;ncia Social (Inamps) na cidade do Rio      de Janeiro  e os prontu&aacute;rios dos pacientes,<sup>15</sup> no ano de      1986, mostrou que a confiabilidade  do diagn&oacute;stico aumentou com o      n&iacute;vel de agrega&ccedil;&atilde;o    da classifica&ccedil;&atilde;o: 0,72 (IC<sub>95%</sub>: 0,68-0,76) para quatro   d&iacute;gitos    e 0,81 (IC<sub>95%</sub>: 0,76-0,85) para tr&ecirc;s d&iacute;gitos. Os autores   observaram  que os diagn&oacute;sticos da AIH eram freq&uuml;entemente codificados   nos d&iacute;gitos    8 e 9, referentes a classifica&ccedil;&otilde;es inespec&iacute;ficas e residuais,    e que a confiabilidade do diagn&oacute;stico principal foi menor do que a    relativa  ao procedimento realizado, pois esta era a fonte de dados para o    reembolso pelo  SUS. Nos casos de discord&acirc;ncia, havia uma maior chance    de que o hospital  anotasse um procedimento com valor de reembolso maior do    que aquele registrado  no prontu&aacute;rio m&eacute;dico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Um estudo sobre a morbidade hospitalar no Munic&iacute;pio      de Maring&aacute;-PR no primeiro semestre de 1992<sup>16</sup> comparou      a concord&acirc;ncia    entre os dados dos diagn&oacute;sticos registrados na AIH e os dados dos prontu&aacute;rios    dos pacientes. Os achados desse estudo mostraram que as concord&acirc;ncias     variaram, sendo mais altas para complica&ccedil;&otilde;es da gravidez, parto      e puerp&eacute;rio, 0,98 (IC<sub>95%</sub>: 0,97-0,99), e mais baixas para      as neoplasias,  0,46 (IC<sub>95%</sub>: 0,34-0,57) e anomalias cong&ecirc;nitas,      0,43 (IC<sub>95%</sub>: 0,18-0,69).    A falta de especifica&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a, a qualidade dos dados    registrados no prontu&aacute;rio, a falta de treinamento e desconhecimento    dos  funcion&aacute;rios dos hospitais sobre regras de codifica&ccedil;&atilde;o,     uso pouco freq&uuml;ente do campo do diagn&oacute;stico secund&aacute;rio,     al&eacute;m    do fato do formul&aacute;rio da AIH ter como objetivo principal o reembolso    dos servi&ccedil;os hospitalares explicariam as varia&ccedil;&otilde;es nos     n&iacute;veis de confiabilidade dos dados do Sistema de Informa&ccedil;&atilde;o      Hospitalar (SIH). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nos estudos supracitados, as vari&aacute;veis    demogr&aacute;ficas e cl&iacute;nico-epidemiol&oacute;gicas analisadas apresentaram    graus variados de confiabilidade, enquanto que no presente estudo esses valores    foram altos para todos os campos avaliados. Embora as medidas empregadas sejam    distintas, a maior concord&acirc;ncia observada nessa investiga&ccedil;&atilde;o    em compara&ccedil;&atilde;o aos estudos revistos pode ser devida ao uso de dados    agregados e procedentes de um mesmo servi&ccedil;o de sa&uacute;de, o que levaria    a uma menor variabilidade entre as fontes. Os achados desse estudo v&atilde;o    de encontro &agrave; percep&ccedil;&atilde;o corrente entre os profissionais    de sa&uacute;de envolvidos na produ&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o    dos dados odontol&oacute;gicos de que o Sigab apresentaria problemas de integridade    na sua base de dados, tais como apagar registros digitados, o que resultaria    na subestima&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o realizada na unidade    de sa&uacute;de quando avaliada pelos relat&oacute;rios de sa&iacute;da do Sigab.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Poss&iacute;veis fontes de discord&acirc;ncia    entre os dados registrados nos instrumentos de coleta e os dados emitidos pelos    relat&oacute;rios do Sigab podem estar relacionadas a erros na digita&ccedil;&atilde;o    dos procedimentos realizados, exclus&atilde;o de dados digitalizados, problemas    de <i>hardware</i> e aus&ecirc;ncia de rotinas de realiza&ccedil;&atilde;o de c&oacute;pias    de seguran&ccedil;a, que levariam &agrave; perda dos dados digitados. &Eacute;    importante ressaltar que os estudos que avaliam a confiabilidade de sistemas    de informa&ccedil;&atilde;o utilizam medidas de correla&ccedil;&atilde;o para    estimar a concord&acirc;ncia ou n&atilde;o de quaisquer vari&aacute;veis pass&iacute;veis    de serem mensuradas. A confiabilidade dos dados digitados n&atilde;o corresponde    &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o efetiva dos procedimentos referentes a esses    dados e, por essa raz&atilde;o, a alta concord&acirc;ncia detectada nessa investiga&ccedil;&atilde;o    restringe-se apenas &agrave; confirma&ccedil;&atilde;o de que as atividades    registradas nos instrumentos de coleta foram digitadas no Sigab, n&atilde;o    garantindo que elas foram, de fato, realizadas. Em raz&atilde;o disso, a confiabilidade    estimada n&atilde;o informa quanto &agrave; veracidade dos dados, mas quanto    &agrave; qualidade da sua transcri&ccedil;&atilde;o e digita&ccedil;&atilde;o    no sistema.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A despeito dos achados desse estudo que sinalizam    para a alta confiabilidade dos dados odontol&oacute;gicos no Sigab, cabem algumas    considera&ccedil;&otilde;es acerca da gest&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o    em sa&uacute;de bucal. Embora n&atilde;o se possa afirmar que a unidade de sa&uacute;de    desse estudo seja representativa das unidades b&aacute;sicas de sa&uacute;de    do Munic&iacute;pio do Rio de Janeiro, pois sua sele&ccedil;&atilde;o n&atilde;o    foi feita atrav&eacute;s de amostragem probabil&iacute;stica, tanto os processos    de trabalho de atendimento odontol&oacute;gico quanto o tratamento dado &agrave;s    informa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o compartilhados pela maioria das unidades    de sa&uacute;de desse Munic&iacute;pio. No que diz respeito &agrave; qualidade    dos dados no Sigab, as d&uacute;vidas referentes &agrave; codifica&ccedil;&atilde;o    dos procedimentos segundo a tabela SIA/SUS podem resultar na gera&ccedil;&atilde;o    de linhas de erros pelo aplicativo em decorr&ecirc;ncia do uso de c&oacute;digos    incompat&iacute;veis com determinados procedimentos. Outros fatores que podem    contribuir para a baixa qualidade dos dados dos sistemas de informa&ccedil;&atilde;o,    dentre eles o Sigab, s&atilde;o: o desconhecimento dos profissionais acerca    dos sistemas de informa&ccedil;&atilde;o utilizados na unidade de sa&uacute;de;    a aus&ecirc;ncia de suporte t&eacute;cnico qualificado para opera&ccedil;&atilde;o    desses sistemas; e a ado&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas que colocam em    risco a integridade dos dados, tais como a reutiliza&ccedil;&atilde;o dos disquetes    contendo c&oacute;pias de seguran&ccedil;a recentes, em vez de armazen&aacute;-los    em local seguro por determinado per&iacute;odo de tempo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Outro aspecto a ser destacado &eacute; a relev&acirc;ncia    que os profissionais e gestores atribuem aos dados gerados na unidade e sua    an&aacute;lise sistem&aacute;tica para a tomada de decis&atilde;o. No tocante    &agrave;s inst&acirc;ncias gestoras, o que se observa &eacute; a aus&ecirc;ncia    de uma pol&iacute;tica formal de cria&ccedil;&atilde;o de grupos de trabalho    em informa&ccedil;&atilde;o nas unidades de sa&uacute;de e da realimenta&ccedil;&atilde;o    regular, no que diz respeito &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es    realizadas pelas unidades de sa&uacute;de. Isso leva &agrave; percep&ccedil;&atilde;o,    pelos profissionais, de que o seu trabalho e conseq&uuml;entemente, as informa&ccedil;&otilde;es    em sa&uacute;de, n&atilde;o s&atilde;o importantes ou relevantes para a melhoria    da assist&ecirc;ncia &agrave; sa&uacute;de e, sendo assim, em v&aacute;rios    modelos de decis&atilde;o em sa&uacute;de &eacute; poss&iacute;vel reconhecer    que esta nem sempre &eacute; resultado de um processo seq&uuml;encial, estruturado    e dirigido de constru&ccedil;&atilde;o de conhecimentos a partir das informa&ccedil;&otilde;es    geradas ou baseia-se na ado&ccedil;&atilde;o de uma &uacute;nica solu&ccedil;&atilde;o.    De qualquer modo, &eacute; poss&iacute;vel afirmar que a informa&ccedil;&atilde;o    &eacute; um recurso importante para a tomada de decis&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Al&eacute;m disso, uma an&aacute;lise mais detalhada    dos processos de coleta e registro dos dados pode apontar a ocorr&ecirc;ncia    de procedimentos que comprometem a qualidade desses dados, tais como o lan&ccedil;amento    de turnos fora do dia do plant&atilde;o do profissional, mudan&ccedil;a de datas,    altera&ccedil;&atilde;o dos n&uacute;meros de prontu&aacute;rios de pacientes    para suprir defici&ecirc;ncias t&eacute;cnicas de entrada de dados dos programas    ou mudan&ccedil;as nos c&oacute;digos por dificuldade da leitura dos registros.    Um acompanhamento da produ&ccedil;&atilde;o mensal da unidade possibilitaria    a detec&ccedil;&atilde;o de padr&otilde;es inesperados, seja por mudan&ccedil;as    na ocorr&ecirc;ncia de eventos em sa&uacute;de ou falhas sistem&aacute;ticas    no preenchimento e codifica&ccedil;&atilde;o dos procedimentos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">No que concerne aos aspectos t&eacute;cnicos      do aplicativo Sigab, foram detectados dois problemas, tanto no per&iacute;odo       de realiza&ccedil;&atilde;o da pesquisa quanto no seu uso rotineiro. O       primeiro  diz respeito &agrave; impossibilidade de visualiza&ccedil;&atilde;o       dos relat&oacute;rios    de produ&ccedil;&atilde;o do Sigab na tela do computador, ou seja, para a verifica&ccedil;&atilde;o    de qualquer inconsist&ecirc;ncia &eacute; necess&aacute;ria a impress&atilde;o     dos relat&oacute;rios, o que torna o processo de obten&ccedil;&atilde;o de     informa&ccedil;&otilde;es    pouco &aacute;gil. O segundo problema refere-se &agrave; dificuldade para a   utiliza&ccedil;&atilde;o    correta da tabela de procedimentos do SIA/SUS na digita&ccedil;&atilde;o dos    dados no aplicativo que culmina, muitas vezes, na glosa de procedimentos e   a  gera&ccedil;&atilde;o de linhas de erro. A ocorr&ecirc;ncia de uma linha   de  erro pode resultar em duas a&ccedil;&otilde;es: a mudan&ccedil;a do c&oacute;digo    pelo digitador, de maneira aleat&oacute;ria, at&eacute; que o programa aceite     o c&oacute;digo digitado; ou ent&atilde;o uma a&ccedil;&atilde;o mais simples      e corriqueira, que &eacute; a n&atilde;o-digita&ccedil;&atilde;o do dado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Desse modo, al&eacute;m do atendimento ao paciente,    v&aacute;rios procedimentos n&atilde;o s&atilde;o lan&ccedil;ados por algum    tipo de incompatibilidade entre o c&oacute;digo e as limita&ccedil;&otilde;es    impostas pelo programa, ou ainda, porque pode ser digitado outro tipo de procedimento    que n&atilde;o corresponda ao que foi de fato realizado. Isto vem corroborar    a afirma&ccedil;&atilde;o de que um alto grau de confiabilidade das informa&ccedil;&otilde;es    n&atilde;o necessariamente significa que os procedimentos listados nos relat&oacute;rios    foram de fato executados pelos profissionais. Evidencia-se, diante de tal situa&ccedil;&atilde;o,    um m&uacute;tuo desconhecimento da tabela SIA/SUS pelos digitadores e profissionais    de sa&uacute;de, pois o erro que o digitador busca corrigir foi gerado por desconhecimento    do profissional de sa&uacute;de sobre o tipo de procedimento, seu c&oacute;digo    correspondente na tabela e a sua utiliza&ccedil;&atilde;o correta dentro dos    par&acirc;metros aceit&aacute;veis do aplicativo. Esta situa&ccedil;&atilde;o    revela a import&acirc;ncia da qualifica&ccedil;&atilde;o dos servidores envolvidos    diretamente com os processos de coleta e digita&ccedil;&atilde;o dos dados de    atendimento odontol&oacute;gico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Vale ressaltar ainda que a qualifica&ccedil;&atilde;o    dos servidores envolvidos nos processos de trabalho relacionados aos sistemas    de informa&ccedil;&atilde;o reveste-se de maior relev&acirc;ncia, tendo em vista    as mudan&ccedil;as que estavam em curso no gerenciamento dos dados de atendimento    ambulatorial. A partir de janeiro de 2008, o sistema Gerenciador de Informa&ccedil;&otilde;es    Locais (GIL) substituiu de maneira gradativa o Sigab como ferramenta para o    armazenamento e processamento das informa&ccedil;&otilde;es ambulatoriais das    unidades de sa&uacute;de. Far&aacute; ainda uma integra&ccedil;&atilde;o com    outros sistemas de informa&ccedil;&atilde;o, tais como o HiperDia e o CadSus.    Uma vez que os formul&aacute;rios a serem utilizados para coleta e digita&ccedil;&atilde;o    dos dados no GIL s&atilde;o similares &agrave;queles empregados no Sigab, os    achados desse trabalho podem servir de refer&ecirc;ncia aos estudos futuros    de confiabilidade dos dados do Sistema.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Concomitantemente ao GIL, o Departamento de Inform&aacute;tica    do SUS (Datasus) realizou a integra&ccedil;&atilde;o das tabelas SIA e SIH,    o que contribuir&aacute; para a melhoria da codifica&ccedil;&atilde;o dos procedimentos    na entrada dos dados neste novo sistema, pois os cerca de 8.000 procedimentos    constantes das duas tabelas ser&atilde;o reduzidos &agrave; metade, com procedimentos    de 10 d&iacute;gitos ao inv&eacute;s dos 8 d&iacute;gitos das tabelas supracitadas.    Por&eacute;m, caso os problemas relativos &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o    do Sigab n&atilde;o sejam considerados na avalia&ccedil;&atilde;o desse novo    sistema, corre-se o risco de serem repetidos os mesmos erros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Por fim, h&aacute; que se destacar que um sistema    de informa&ccedil;&atilde;o informatizado n&atilde;o se restringe apenas aos    aspectos t&eacute;cnicos do aplicativo. Como foi assinalado acima, um conjunto    de fatores organizacionais e humanos influencia o uso e o desempenho de um aplicativo.    Sem a devida forma&ccedil;&atilde;o de todos os atores envolvidos na coleta    e digita&ccedil;&atilde;o dos dados, bem como no gerenciamento dos sistemas    de informa&ccedil;&atilde;o, de nada adiantar&aacute; informatizar ou reformular    os sistemas de informa&ccedil;&atilde;o atualmente existentes para esses fins.    Por essa raz&atilde;o, al&eacute;m da an&aacute;lise de confiabilidade, as avalia&ccedil;&otilde;es    de sistemas de informa&ccedil;&atilde;o devem enfatizar nos seus estudos as    quest&otilde;es relativas &agrave; intera&ccedil;&atilde;o homem-computador,    &agrave; percep&ccedil;&atilde;o do usu&aacute;rio acerca da facilidade de uso    e utilidade do aplicativo, bem como os fatores que facilitam ou dificultam a    implementa&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias de informatiza&ccedil;&atilde;o    nas rotinas de trabalho.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 1. Silveira MH. Considera&ccedil;&otilde;es    sobre o Sistema de Informa&ccedil;&otilde;es no Setor Sa&uacute;de. Revista    de Sa&uacute;de P&uacute;blica 1974;8:119-128.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 2. Moraes IHS, G&oacute;mez MNG. Informa&ccedil;&atilde;o    e inform&aacute;tica em sa&uacute;de: caleidosc&oacute;pio contempor&acirc;neo    da sa&uacute;de. Ci&ecirc;ncia &amp; Sa&uacute;de Coletiva 2007;12:553-565.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 3. Cohn A, Westphal MF, Elias PE. Informa&ccedil;&atilde;o    e decis&atilde;o pol&iacute;tica em Sa&uacute;de. Revista de Sa&uacute;de P&uacute;blica    2005;39:114-121.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 4. Shoukri MM, Asyali MH, Donner A. Sample size    requirements for the design of reliability study: review and new results. Statistical    Methods in Medical Research 2004;13:251-271.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 5. Mcgraw KO, Wong SP. Forming inferences about    some intraclass correlation coefficients. Psychological Methods 1996;1:30-46.</font><p><font size="2" face="Verdana"> 6. Shrout PE, Fleiss JL. Intraclass correlation:      uses in assessing rater reliability. Psychological Bulletin 1979;86:420-428.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">7.   Lin LI-K. A concordance correlation coefficient to evaluate reproducibility.   Biometrics 1989;45:255-268.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 8. Silva AAM, Ribeiro VS, Borba Jr AF, Coimbra    LC, Silva RA. Avalia&ccedil;&atilde;o da qualidade dos dados do Sistema de Informa&ccedil;&otilde;es    sobre Nascidos Vivos em 1997-1998. Revista de Sa&uacute;de P&uacute;blica 2001;35:508-514.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">9. Theme Filha MM, Gama SGN, Cunha CB, Leal MC.    Confiabilidade do Sistema de Informa&ccedil;&otilde;es sobre Nascidos Vivos    Hospitalares no Munic&iacute;pio do Rio de Janeiro, 1999-2001. Cadernos de Sa&uacute;de    P&uacute;blica 2004;20:583-591.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 10. Saraceni V, Vellozo V, Leal MC, Hartz ZMA.    Estudo de confiabilidade do Sinan a partir das campanhas para a elimina&ccedil;&atilde;o    da s&iacute;filis cong&ecirc;nita no Munic&iacute;pio do Rio de Janeiro. Revista    Brasileira de Epidemiologia 2005;8(4):419-424.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 11. Toledo ALA, Escosteguy CC, Medronho RA,    Andrade FC. Confiabilidade do diagn&oacute;stico final de Dengue na epidemia    2001-2002 no munic&iacute;pio do Rio de Janeiro, Brasil. Cadernos de Sa&uacute;de    P&uacute;blica 2006; 22(5):933-940.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 12. Matos SG, Proietti FA, Barata RCB. Confiabilidade    da informa&ccedil;&atilde;o sobre mortalidade por viol&ecirc;ncia em Belo Horizonte,    MG. Revista de Sa&uacute;de P&uacute;blica 2007;41(1):76-84.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 13. Mendon&ccedil;a EF, Goulart EMA, Machado    JAD. Confiabilidade da declara&ccedil;&atilde;o de causa b&aacute;sica de mortes    infantis em regi&atilde;o metropolitana do sudeste do Brasil. Revista de Sa&uacute;de    P&uacute;blica 1994;28:385-391.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 14. Monteiro GTR, Koifman RJ, Koifman S. Confiabilidade    e validade dos atestados de &oacute;bito por neoplasias. I. Confiabilidade da    codifica&ccedil;&atilde;o para o conjunto das neoplasias no Estado do Rio de    Janeiro. Cadernos de Sa&uacute;de P&uacute;blica 1997;13:39-52.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">15. Veras CMT, Martins MS. A confiabilidade dos    dados nos formul&aacute;rios de Autoriza&ccedil;&atilde;o de Interna&ccedil;&atilde;o    Hospitalar (AIH), Rio de Janeiro, Brasil. Cadernos de Sa&uacute;de P&uacute;blica    1994;10(3):339-355.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">16. Mathias TAF, Soboll MLMS. Confiabilidade    de diagn&oacute;sticos nos formul&aacute;rios de Autoriza&ccedil;&atilde;o de    Interna&ccedil;&atilde;o Hospitalar. Revista de Sa&uacute;de P&uacute;blica    1998;32(6):526-532.</font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b><a name="endereco"></a><a href="#topo"><img src="/img/revistas/ess/v18n2/seta.gif" border="0"></a>Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia:</b>    <br>   Rua Ant&ocirc;nio de Lemos, 97, Apto 103,    <br>   Olaria, Rio de Janeiro-RJ, Brasil.    <br>   CEP: 21021-500    <br>   <i> E-mail</i>:<a href="mailto:lbluquetti@rio.rj.gov.br">lbluquetti@rio.rj.gov.br</a></font></p>     ]]></body>
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