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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>EDITORIAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><b>O mosaico epidemiol&oacute;gico brasileiro</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Marilisa Berti de Azevedo Barros</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Membro do Comit&ecirc; Editorial</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">A diversidade de doen&ccedil;as e problemas de    sa&uacute;de que comp&otilde;em o atual cen&aacute;rio epidemiol&oacute;gico    brasileiro, no   extenso territ&oacute;rio do pa&iacute;s, expressa-se nos artigos que comp&otilde;em    este n&uacute;mero da Revista <i>Epidemiologia e   Servi&ccedil;os de Sa&uacute;de</i>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"> De um lado, o n&uacute;mero contempla doen&ccedil;as    que de longa data impingem carga significativa de incapacidades, hospitaliza&ccedil;&otilde;es    e mortes como a esquistossomose e o t&eacute;tano acidental, problemas de sa&uacute;de    antigos que persistem na agenda dos servi&ccedil;os como desafios ainda a serem    superados. Evit&aacute;vel por vacina&ccedil;&atilde;o, o t&eacute;tano acidental    mant&eacute;m-se entre n&oacute;s com alta letalidade, ao tempo em que modifica    seu perfil epidemiol&oacute;gico atingindo atualmente com mais intensidade os    idosos. Os decl&iacute;nios da capacidade motora e da acuidade dos &oacute;rg&atilde;os    dos sentidos tornam este segmento demogr&aacute;fico mais vulner&aacute;vel    a acidentes, circunst&acirc;ncia que combinada com a aus&ecirc;ncia da vacina&ccedil;&atilde;o    ou do refor&ccedil;o adequado, e aliada &agrave; redu&ccedil;&atilde;o da compet&ecirc;ncia    imunol&oacute;gica exp&otilde;em o idoso a maior risco de apresentar um t&eacute;tano    ap&oacute;s ferimento. O estudo de Vieira e Santos<sup>1</sup> analisando o    perfil do t&eacute;tano acidental no Estado de Minas Gerais no per&iacute;odo    de 2001 a 2006, revela a difus&atilde;o do problema nesse estado, com os 225    casos diagnosticados no per&iacute;odo tendo ocorrido em 154 munic&iacute;pios.    Os resultados apontam a maior taxa de incid&ecirc;ncia na &aacute;rea rural    e nas pessoas com mais de 65 anos. Os autores chamam a aten&ccedil;&atilde;o    para o elevado percentual de informa&ccedil;&otilde;es ignoradas de algumas    vari&aacute;veis relevantes na base de dados utilizada (Sinan).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Outro tema tratado neste n&uacute;mero &eacute;    a avalia&ccedil;&atilde;o do programa de controle da esquistossomose na Regi&atilde;o    Metropolitana   do Recife (RMR).<sup>2</sup> Atingindo parcela significativa de brasileiros   e 15% da popula&ccedil;&atilde;o    de Pernambuco,   a esquistossomose, apesar do programa (PCE) institu&iacute;do na d&eacute;cada    de 80, continua a comprometer a sa&uacute;de e   a qualidade de vida da popula&ccedil;&atilde;o afetada e a expandir-se, a partir    da d&eacute;cada de 90, para as &aacute;reas litor&acirc;neas da   Regi&atilde;o Metropolitana do Recife. A descentraliza&ccedil;&atilde;o do   controle  das endemias para estados e munic&iacute;pios, com   a cria&ccedil;&atilde;o do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de, trouxe a possibilidade    de desenvolver um controle mais efetivo da doen&ccedil;a   exigindo, por&eacute;m, esfor&ccedil;o mais articulado e um verdadeiro engajamento    do munic&iacute;pio nas tarefas pertinentes. O   artigo de Quinino e co-autores busca justamente avaliar em que medida os munic&iacute;pios    da RMR est&atilde;o cumprindo   as normas estabelecidas pelo Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de para realizar    de maneira efetiva o controle da esquistossomose.   Os resultados, identificando que apenas um dos 11 munic&iacute;pios estudados    cumpre adequadamente as tarefas   esperadas, aponta as falhas e lacunas que precisam ser superadas para o enfrentamento   adequado da endemia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O comportamento da dengue em Teresina, Piau&iacute;, &eacute; analisado   no estudo  desenvolvido por Monteiro e co-autores.<sup>3</sup> A extens&atilde;o   continental do pa&iacute;s com acentuadas diferen&ccedil;as    clim&aacute;ticas e ambientais faz com que as epidemias   circulem com defasagem no tempo e modulem-se com distintos perfis epidemiol&oacute;gicos.   Enquanto a dengue ressurge   no pa&iacute;s na d&eacute;cada de 80, os primeiros casos da doen&ccedil;a   no  Piau&iacute; ocorrem em 1996, com a maior epidemia   surgindo em 1998; em 2001 &eacute; detectado o sorotipo DEN-2 e, em 2003, j&aacute;    &eacute; verificada a circula&ccedil;&atilde;o dos 3 sorotipos.   O estudo aponta a correla&ccedil;&atilde;o entre a incid&ecirc;ncia da doen&ccedil;a   e as taxas pluviom&eacute;tricas e a temperatura. Constata o   agravamento dos quadros cl&iacute;nicos quando comparados os casos de 2002   com  os de 2006. Os autores chamam a   aten&ccedil;&atilde;o para a alta letalidade observada no munic&iacute;pio   destacando  a necessidade de novas estrat&eacute;gias de controle,   pois, a a&ccedil;&atilde;o desenvolvida n&atilde;o vem sendo efetiva no combate    &agrave; doen&ccedil;a.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Al&eacute;m destas importantes endemias, este      n&uacute;mero traz dois artigos que enfocam a quest&atilde;o dos acidentes      e  viol&ecirc;ncias,   problemas que assumiram papel de destaque na morbi-mortalidade brasileira.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Levantando   dados de notifica&ccedil;&otilde;es feitas aos conselhos tutelares    e a programas de atendimento a crian&ccedil;as e   adolescentes vitimizados, Martins e Mello Jorge,<sup>4</sup> analisam os coeficientes   de  notifica&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia contra menores   de 15 anos, em Londrina, Paran&aacute;, comparando perfil e tend&ecirc;ncia   dos casos entre 2002 e 2006. O estudo   aponta a gravidade do problema e inclusive o aumento da incid&ecirc;ncia de   notifica&ccedil;&atilde;o dos v&aacute;rios tipos de agress&otilde;es   entre os dois anos estudados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No conjunto das causas externas, e ganhando maior    relev&acirc;ncia &agrave; medida que decresce a mortalidade por   agress&otilde;es em algumas &aacute;reas do pa&iacute;s, os acidentes de tr&acirc;nsito    constituem uma das mais importantes causas de   mortes prematuras e de incapacidades. Sobre algumas estrat&eacute;gias de enfrentamento    deste problema o artigo de   Pavarino Filho<sup>5</sup> traz uma consistente e l&uacute;cida reflex&atilde;o. Questionando    a desvaloriza&ccedil;&atilde;o que a &quot;educa&ccedil;&atilde;o de tr&acirc;nsito&quot;   recebeu do relat&oacute;rio da OMS de 2004 (<i>World Report on Road Traffic   Injury Prevention</i>), o autor remete   &agrave;s contradi&ccedil;&otilde;es e impasses que permeiam as pr&aacute;ticas    usuais da educa&ccedil;&atilde;o de tr&acirc;nsito no Brasil, advogando por   novas posturas e conceitos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A descentraliza&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es    de sa&uacute;de para os munic&iacute;pios com a implanta&ccedil;&atilde;o do    SUS, e a proposta de reestrutura&ccedil;&atilde;o   do modelo assistencial, com o Programa de Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia, propiciaram    novas solu&ccedil;&otilde;es, mas,   colocaram muitos desafios para a organiza&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es    de sa&uacute;de e, entre elas, da assist&ecirc;ncia farmac&ecirc;utica. Os   medicamentos s&atilde;o hoje parte essencial das interven&ccedil;&otilde;es    de controle das doen&ccedil;as e a sua adequada disponibiliza&ccedil;&atilde;o   e uso racional s&atilde;o metas a serem perseguidas. Canabarro e Hahn<sup>6</sup> analisando    aspectos da assist&ecirc;ncia farmac&ecirc;utica   prestada a usu&aacute;rios atendidos pela Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia, em    um munic&iacute;pio do interior do Rio Grande do Sul, detectam   problemas que merecem maior aten&ccedil;&atilde;o e foco de gestores e equipes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Este n&uacute;mero traz ainda o Protocolo para    tratamento de Raiva Humana no Brasil<sup>7</sup> que resultou do sucesso de   tratamento de paciente com 15 anos de idade, o primeiro caso de cura da raiva    no Brasil ocorrido em 2008.   O tratamento deste paciente seguiu o protocolo de Milwaukee, baseado em antivirais    e seda&ccedil;&atilde;o profunda, procedimento   que obteve o primeiro caso de cura da raiva no mundo, em 2004, nos Estados Unidos.    O protocolo   brasileiro elaborado pelo Departamento de Vigil&acirc;ncia Epidemiol&oacute;gica    da Secretaria de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de do   Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de do Brasil foi denominado de Protocolo de Recife,    munic&iacute;pio em que o paciente brasileiro foi   tratado com sucesso, registrando este marco na hist&oacute;ria da medicina.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 1. Vieira LJ, Santos LM. Aspectos epidemiol&oacute;gicos    do T&eacute;tano Acidental no estado de Minas Gerais, Brasil, 2001-2006.   Epidemiologia e Servi&ccedil;os de Sa&uacute;de 2009; 18(4):357-364.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 2. Quinino LRM, Costa JMBS, Aguiar LR, Wanderley    TNG, Barbosa CS. Avalia&ccedil;&atilde;o das atividades de rotina do Programa   de Controle da Esquistossomose em munic&iacute;pios da regi&atilde;o metropolitana    do Recife, Pernambuco, entre 2003 e 2005.   Epidemiologia e Servi&ccedil;os de Sa&uacute;de 2009; 18(4):335-343.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 3. Monteiro ESC, Coelho ME, Cunha IS, Cavalcante    MAS, Carvalho FAA. Aspectos epidemiol&oacute;gicos e vetoriais da dengue na   cidade de Teresina, Piau&iacute; - Brasil, 2002 a 2006. Epidemiologia e Servi&ccedil;os    de Sa&uacute;de 2009; 18(4):365-375.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 4. Martins CBG, Mello Jorge MHP. A viol&ecirc;ncia    contra crian&ccedil;as e adolescentes: caracter&iacute;sticas epidemiol&oacute;gicas    dos   casos notificados aos Conselhos Tutelares e programas de atendimento em munic&iacute;pio    do Sul do Brasil, 2002 e 2006.   Epidemiologia e Servi&ccedil;os de Sa&uacute;de 2009; 18(4):315-334.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 5. Pavarino Filho RV. Morbimortalidade no tr&atilde;nsito:    limita&ccedil;&otilde;es dos processos educativos e contribui&ccedil;&otilde;es    do paradigma da promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de ao contexto brasileiro.    Epidemiologia e Servi&ccedil;os de Sa&uacute;de 2009; 18(4):375-384.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">6. Canabarro IM, Hahn S. Panorama da Assist&ecirc;ncia    Farmac&ecirc;utica na Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia em munic&iacute;pio do    interior do Estado do Rio Grande do Sul. Epidemiologia e Servi&ccedil;os de    Sa&uacute;de 2009; 18(4):345-355.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 7. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Secretaria    de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de. Departamento de Vigil&acirc;ncia Epidemiol&oacute;gica.    Protocolo para Tratamento de Raiva Humana no Brasil. Epidemiologia e Servi&ccedil;os    de Sa&uacute;de 2009; 18(4):385-394.</font> ]]></body><back>
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