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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A violência contra crianças e adolescentes: características epidemiológicas dos casos notificados aos Conselhos Tutelares e programas de atendimento em município do Sul do Brasil, 2002 e 2006]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Violence against children and adolescents: epidemiological information based on cases reported to Juvenile Courts and Child Protective Services in a municipality in the South of Brazil, 2002 and 2006]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade de São Paulo Faculdade de Saúde Pública Departamento de Epidemiologia]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In this study we have built epidemiological features of violence against minors under 15 years of age who live in Londrina, State of Parana, Brazil based on all cases reported to the local Juvenile Courts and Child Protective Services in 2002 and 2006. We have analyzed 607 cases reported in 2002 and 1,013 cases reported in 2006. Violence has mainly occurred in the victim's own house and for about one or two years prior to the report. Physical abuse was prevalent (52.9% in 2002 and 48.2% in 2006). By comparing the two years of the study, there was an increase in the incidence of all sorts of violence and reoccurrence of violence in 172 cases (10.6%). Although all reports from both years were analyzed, it was a cross-sectional study and its characteristics can be modified when interventions are implemented. The growing incidence from 2002 to 2006 point at the importance of investments, both in prevention and information improvement.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b><a name="topo"></a>ARTIGO ORIGINAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><b>A viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as    e adolescentes: caracter&iacute;sticas epidemiol&oacute;gicas dos casos notificados    aos Conselhos Tutelares e programas de atendimento em munic&iacute;pio do Sul   do Brasil, 2002 e 2006</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="verdana">Violence against children and adolescents:    epidemiological information based on cases reported to Juvenile Courts and Child    Protective Services in a municipality in the South of Brazil, 2002 and 2006</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Christine Baccarat de Godoy Martins<sup>I</sup>; Maria    Helena Prado de Mello Jorge<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup>I</sup>&Aacute;rea Sa&uacute;de da Crian&ccedil;a e    do Adolescente, Departamento de Enfermagem, Universidade Federal de Mato Grosso,    Cuiab&aacute;-MT, Brasil    <br>   <sup>II</sup>Departamento de Epidemiologia, Faculdade    de Sa&uacute;de P&uacute;blica, Universidade de S&atilde;o Paulo, S&atilde;o    Paulo-SP, Brasil</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O estudo objetivou construir o perfil epidemiol&oacute;gico    da viol&ecirc;ncia contra menores de 15 anos residentes em Londrina,   Paran&aacute;, a partir das notifica&ccedil;&otilde;es efetuadas em 2002 e 2006    aos Conselhos Tutelares, projetos e programas de atendimento a   crian&ccedil;as e adolescentes vitimizados. Foram estudados 607 casos em 2002    e 1.013 em 2006. A viol&ecirc;ncia ocorreu predominantemente   na resid&ecirc;ncia da v&iacute;tima e por 1 a 2 anos antes da notifica&ccedil;&atilde;o,    com predom&iacute;nio da viol&ecirc;ncia f&iacute;sica (52,9% em 2002   e 48,2% em 2006). Observou-se aumento dos coeficientes de notifica&ccedil;&atilde;o    dos epis&oacute;dios em todos os tipos de viol&ecirc;ncia entre   os dois anos de estudo, com reincid&ecirc;ncia em 172 (10,6%) casos. O estudo    destaca-se n&atilde;o somente por abranger todas as   notifica&ccedil;&otilde;es do munic&iacute;pio, mas por constituir-se estudo    transversal, as caracter&iacute;sticas aqui apresentadas podem se modificar   futuramente &agrave; medida que interven&ccedil;&otilde;es forem implantadas.    O aumento dos coeficientes de incid&ecirc;ncia de 2002 para 2006   desperta para a necessidade de investimentos, tanto na preven&ccedil;&atilde;o    quanto no aprimoramento da informa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> <b>Palavras-chave:</b> causas externas; viol&ecirc;ncia;    agress&atilde;o; maus-tratos; inf&acirc;ncia; adolesc&ecirc;ncia.</font></p> <hr size="1">     <p><font size="2" face="Verdana"><b>SUMMARY</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> In this study we have built epidemiological    features of violence against minors under 15 years of age who live in Londrina,    State of Parana, Brazil based on all cases reported to the local Juvenile Courts    and Child Protective Services in 2002 and 2006. We have analyzed 607 cases reported    in 2002 and 1,013 cases reported in 2006. Violence has mainly occurred in the    victim's own house and for about one or two years prior to the report. Physical    abuse was prevalent (52.9% in 2002 and 48.2% in 2006). By comparing the two    years of the study, there was an increase in the incidence of all sorts of violence    and reoccurrence of violence in 172 cases (10.6%). Although all reports from    both years were analyzed, it was a cross-sectional study and its characteristics    can be modified when interventions are implemented. The growing incidence from    2002 to 2006 point at the importance of investments, both in prevention and    information improvement.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> <b>Key words:</b> external causes; violence;    aggression; maltreatment; childhood; adolescence.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A viol&ecirc;ncia intencional,<sup>1</sup> que incide principalmente   sobre a popula&ccedil;&atilde;o infantil, tem sido reconhecida   por sua repercuss&atilde;o biopsicossocial, que ocasiona   consequ&ecirc;ncias significativas nas esferas f&iacute;sica, sexual,   comportamental, psicol&oacute;gica, emocional e cognitiva,   interferindo no crescimento e desenvolvimento e   podendo fazer das v&iacute;timas futuros agressores, evidenciando   assim a complexa e infind&aacute;vel trama existente   na viol&ecirc;ncia.<sup>2-4</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Al&eacute;m disso, h&aacute; que se considerar      ainda o impacto   deste evento nos custos econ&ocirc;micos com assist&ecirc;ncia   m&eacute;dica, tratamento e reabilita&ccedil;&atilde;o das v&iacute;timas,   custos com o sistema judici&aacute;rio e penal, custos sociais decorrentes   da queda de produtividade, al&eacute;m das les&otilde;es   e traumas decorrentes do ato violento, que exercem   um grande impacto a longo prazo.<sup>5</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Em 2005, entre as causas de morte n&atilde;o    natural, as   agress&otilde;es constitu&iacute;ram-se a primeira causa de &oacute;bito   na faixa et&aacute;ria de 0 a 19 anos de idade (39,7%) com   propor&ccedil;&atilde;o expressiva na faixa et&aacute;ria de 15 a 19 anos   (55,1%) em todo o Pa&iacute;s. No Paran&aacute;, no mesmo ano,   tamb&eacute;m foi a primeira causa de &oacute;bito na faixa et&aacute;ria   de 0 a 19 anos (41,2%). Entre os &oacute;bitos por causas   externas ocorridos no Munic&iacute;pio de Londrina-PR   (68 &oacute;bitos) em 2005, observa-se que as agress&otilde;es   foram respons&aacute;veis por mais da metade dos &oacute;bitos   decorrentes de acidentes e viol&ecirc;ncias (61,8%, com   42 casos), com grande frequ&ecirc;ncia na faixa et&aacute;ria de   15 a 19 anos (76% neste grupo, com 38 casos) e   colocando-se em segundo lugar na faixa et&aacute;ria de 10   a 14 anos de idade.<sup>6</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, o reconhecimento    da viol&ecirc;ncia   como problema de sa&uacute;de p&uacute;blica<sup>7</sup> e da necessidade de   proteger as crian&ccedil;as e adolescentes, a fim de contribuir   para seu crescimento e desenvolvimento, veio ampliar   as pol&iacute;ticas e estrat&eacute;gias voltadas para a emergente   quest&atilde;o da viol&ecirc;ncia dentro dessa faixa et&aacute;ria.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Neste sentido, o Estatuto da Crian&ccedil;a    e do Adolescente   (ECA),<sup>8</sup> sancionado pela Lei n<sup>o</sup> 8.069, de   13/07/1990, constituiu-se no instrumento de garantia   da cidadania de crian&ccedil;as e adolescentes, criando   obriga&ccedil;&otilde;es legais aos profissionais de sa&uacute;de quanto   &agrave; notifica&ccedil;&atilde;o; dando prioridade absoluta &agrave; crian&ccedil;a    e   ao adolescente na sua prote&ccedil;&atilde;o contra a neglig&ecirc;ncia,   discrimina&ccedil;&atilde;o, explora&ccedil;&atilde;o, viol&ecirc;ncia, crueldade,   opress&atilde;o e todos os atentados, por a&ccedil;&atilde;o ou omiss&atilde;o    aos seus direitos fundamentais; e criando o Conselho   Tutelar, &oacute;rg&atilde;o respons&aacute;vel por iniciar a avalia&ccedil;&atilde;o    da   situa&ccedil;&atilde;o denunciada, desencadeando as medidas a   serem tomadas pelas redes espec&iacute;ficas de aten&ccedil;&atilde;o   (prote&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a, afastamento da v&iacute;tima do agressor,   puni&ccedil;&atilde;o do agressor, tratamentos).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Visando a preven&ccedil;&atilde;o e redu&ccedil;&atilde;o    deste importante   evento na popula&ccedil;&atilde;o infanto-juvenil, algumas pol&iacute;ticas   foram desenvolvidas, tais como: o Plano Nacional de   Enfrentamento da Viol&ecirc;ncia Sexual Infanto-Juvenil,<sup>9</sup>   Pol&iacute;tica Nacional de Redu&ccedil;&atilde;o da Morbi-Mortalidade   de Acidentes e Viol&ecirc;ncias<sup>10</sup> como instrumento direcionador   da atua&ccedil;&atilde;o do setor sa&uacute;de nesse contexto,   Manual para Orienta&ccedil;&atilde;o dos Profissionais,<sup>11</sup> o manual   &quot;Notifica&ccedil;&atilde;o de maus-tratos contra crian&ccedil;as e adolescentes   pelos profissionais de sa&uacute;de: um passo a mais   na cidadania em sa&uacute;de&quot;.<sup>12</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Entretanto, no Brasil, o conhecimento sobre   dimens&atilde;o da viol&ecirc;ncia &eacute; ainda escasso, n&atilde;o sendo   poss&iacute;vel conhecer a frequ&ecirc;ncia exata dos casos de   abuso contra crian&ccedil;a e adolescente.<sup>13-15</sup> As estat&iacute;sticas   de mortalidade proporcionadas pelo Sistema de Informa&ccedil;&otilde;es   sobre Mortalidade (SIM) representam, na   verdade, apenas os casos fatais da viol&ecirc;ncia. A morbidade   hospitalar, conhecida pelo Sistema de Interna&ccedil;&atilde;o   Hospitalar do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SIH/SUS), ainda   n&atilde;o consegue abranger todo o cen&aacute;rio da viol&ecirc;ncia no   Pa&iacute;s, pois apesar de englobarem os casos n&atilde;o fatais   mais graves que necessitaram de interna&ccedil;&atilde;o e os casos   fatais que s&atilde;o internados antes de falecer, representam   somente os casos que chegam aos hospitais conveniados   ao SUS. Os atendimentos ambulatoriais (para   as v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia que procuram atendimento)   poderiam ser conhecidos atrav&eacute;s do Sistema de   Informa&ccedil;&atilde;o Ambulatorial (SIA/SUS), implantado em   1991, mas este representa dados gerais do n&uacute;mero de   atendimentos, sem detalhar as causas, al&eacute;m de retratar   apenas a demanda pelo SUS.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Um importante avan&ccedil;o na informa&ccedil;&atilde;o    relativa &agrave;   viol&ecirc;ncia praticada contra a crian&ccedil;a e o adolescente foi   a implanta&ccedil;&atilde;o do Sistema de Informa&ccedil;&atilde;o para a Inf&acirc;ncia   e Adolesc&ecirc;ncia (Sipia), pela Lei n<sup>o</sup> 8.069/90, que   surgiu da necessidade do Estado e da Uni&atilde;o em dispor   de um sistema nacional de monitoramento cont&iacute;nuo da   situa&ccedil;&atilde;o de prote&ccedil;&atilde;o &agrave; crian&ccedil;a e ao    adolescente nos   Conselhos Tutelares, al&eacute;m de dotar os Conselhos de   uma ferramenta que fornecesse com agilidade e rapidez   as informa&ccedil;&otilde;es &agrave;s diversas inst&acirc;ncias: municipal,   estadual e federal.<sup>16</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"> Outro avan&ccedil;o na vigil&acirc;ncia de viol&ecirc;ncias    e acidentes,   que at&eacute; o presente momento era realizada mediante   a an&aacute;lise dos dados do Sistema de Informa&ccedil;&atilde;o Hospitalar   (AIH) e Sistema de Informa&ccedil;&otilde;es sobre Mortalidade   (SIM), al&eacute;m das informa&ccedil;&otilde;es dos Boletins de   Ocorr&ecirc;ncia Policial (BO) e inqu&eacute;ritos, se deu com   a implanta&ccedil;&atilde;o de Servi&ccedil;os Sentinela de Viol&ecirc;ncias    e   Acidentes, que passam a integrar a Rede Nacional   de Preven&ccedil;&atilde;o das Viol&ecirc;ncias e Promo&ccedil;&atilde;o da    Sa&uacute;de.   Esses servi&ccedil;os de sa&uacute;de notificantes (sejam p&uacute;blicos,   privados ou filantr&oacute;picos), definidos e pactuados junto   com as secretarias estaduais e municipais de sa&uacute;de,   incorporam na sua rotina a notifica&ccedil;&atilde;o de viol&ecirc;ncias e   acidentes, de forma gradativa e processual.<sup>17</sup> Conhecida   como &quot;VIVA &#8211; Vigil&acirc;ncia de Viol&ecirc;ncias e Acidentes&quot;,   a iniciativa visa ampliar as notifica&ccedil;&otilde;es de situa&ccedil;&otilde;es    de   viol&ecirc;ncia envolvendo crian&ccedil;as, adolescentes, mulheres   e idosos, conforme determinado pelas leis: n<sup>o</sup> 8.069,   de 1990 (Estatuto da Crian&ccedil;a e Adolescente); n<sup>o</sup>   10.741, de 2003 (Estatuto do Idoso); e n<sup>o</sup> 10.778, de   2003 (Notifica&ccedil;&atilde;o de Viol&ecirc;ncia contra Mulher).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Todavia, apesar da valoriza&ccedil;&atilde;o    da crian&ccedil;a e do   adolescente perante a sociedade e mediante a ado&ccedil;&atilde;o   de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, a viol&ecirc;ncia ainda permanece   como grave amea&ccedil;a &agrave;s suas condi&ccedil;&otilde;es de vida, fato   merecedor de estudos e estrat&eacute;gias de enfrentamento.   <sup>11,13,18-23</sup> Alguns autores tamb&eacute;m apontam que, apesar   das pol&iacute;ticas desenvolvidas at&eacute; o momento, ainda h&aacute;   necessidade de priorizar o enfrentamento da viol&ecirc;ncia   na agenda dos diversos segmentos sociais por meio   da intersetorialidade, numa ampla rede de apoio   social e interinstitucional,<sup>2,24,25</sup> pois a sub-notifica&ccedil;&atilde;o   ainda impossibilita conhecer melhor a magnitude do   problema, o perfil da v&iacute;tima e do agressor.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Diante deste contexto e das dificuldades quanto    &agrave;s   fontes oficiais de informa&ccedil;&atilde;o para estudar a amplitude   e caracter&iacute;sticas da viol&ecirc;ncia contra a crian&ccedil;a e o adolescente,    torna-se necess&aacute;rio buscar outras fontes de   dados, tais como os Conselhos Tutelares e programas   espec&iacute;ficos ao atendimento das v&iacute;timas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Neste sentido, a constru&ccedil;&atilde;o do    perfil epidemiol&oacute;gico   da viol&ecirc;ncia intencional contra menores de 15 anos   em Londrina-PR tem por finalidade contextualizar a   agress&atilde;o nesse grupo populacional, ampliando o conhecimento   epidemiol&oacute;gico deste evento no munic&iacute;pio,   o que possibilitar&aacute; subsidiar medidas de preven&ccedil;&atilde;o,   de aten&ccedil;&atilde;o e de prote&ccedil;&atilde;o &agrave;s pessoas v&iacute;timas    ou em   situa&ccedil;&atilde;o de viol&ecirc;ncia. Por possuir caracter&iacute;sticas    e   circunst&acirc;ncias que diferem das causas acidentais,   destaca-se a necessidade de estudar as agress&otilde;es   separadamente das outras causas externas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="Verdana">Metodologia</font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O estudo, epidemiol&oacute;gico descritivo   do tipo s&eacute;rie de casos, foi elaborado dentro de uma perspectiva quantitativa,   a partir das notifica&ccedil;&otilde;es aos tr&ecirc;s Conselhos Tutelares   (Conselho  Tutelar Centro, Conselho Tutelar Norte e Conselho Tutelar Sul),   ao Programa  Sentinela da Prefeitura Municipal (a&ccedil;&atilde;o integrada   entre as Secretarias  Municipais de Sa&uacute;de, Assist&ecirc;ncia Social,   Educa&ccedil;&atilde;o    e da Mulher; e N&uacute;cleo Social Evang&eacute;lico de Londrina, atendendo   crian&ccedil;as e adolescentes v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia sexual) e   ao  Projeto de extens&atilde;o &quot;De Olho No Futuro&quot; da Universidade   Estadual  de Londrina (projeto de a&ccedil;&atilde;o interdisciplinar desenvolvido   pelos  Departamentos de Direito, Servi&ccedil;o Social e Psicologia Social,   que atende  crian&ccedil;as e adolescentes v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia,   encaminhadas  pelos Conselhos Tutelares, Minist&eacute;rio P&uacute;blico,   hospitais e servi&ccedil;os    de sa&uacute;de).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A <a href="#f1">Figura 1</a> esquematiza o fluxo entre os Conselhos   Tutelares de Londrina, o Programa Sentinela da Prefeitura   Municipal de Londrina e o Projeto &quot;De Olho No   Futuro&quot; da Universidade Estadual de Londrina.</font></p>     <p><a name="f1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="img/revistas/ess/v18n4/4a02f1.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A presente investiga&ccedil;&atilde;o teve como    popula&ccedil;&atilde;o de   estudo menores de 15 anos, sendo os crit&eacute;rios de   inclus&atilde;o: residentes no munic&iacute;pio, v&iacute;timas de agress&atilde;o   notificada aos Conselhos Tutelares e servi&ccedil;os acima   descritos nos anos de 2002 e 2006. Foram inclu&iacute;dos   apenas menores de 15 anos, visto que as caracter&iacute;sticas   e circunst&acirc;ncias da viol&ecirc;ncia s&atilde;o diferentes entre   estes e os de faixa et&aacute;ria maior. Al&eacute;m disto, apesar   de o Conselho Tutelar atender adolescentes at&eacute; 17   anos completos, a delimita&ccedil;&atilde;o do grupo facilitar&aacute; a compara&ccedil;&atilde;o    dos resultados, uma vez que os estudos   e os servi&ccedil;os de informa&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de adotam grupos   et&aacute;rios de 10-14 e de 15-19 anos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Optou-se pelos anos de 2002 e 2006 com a finalidade   de uma an&aacute;lise comparativa do comportamento da   viol&ecirc;ncia contra a crian&ccedil;a ou adolescente nos diferentes   momentos, bem como nos seus coeficientes de incid&ecirc;ncia. Foram selecionados    os atendimentos de 2002   porque o Programa Sentinela, um dos locais de coleta   de dados, foi implantado somente naquele ano.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A coleta de dados realizou-se por meio de levantamento   manual em prontu&aacute;rios, obedecendo aos   crit&eacute;rios de inclus&atilde;o estabelecidos e utilizando-se   formul&aacute;rio previamente testado, contendo quest&otilde;es </font><font size="2" face="Verdana">fechadas    quanto &agrave; v&iacute;tima (nome, filia&ccedil;&atilde;o, data de   nascimento, idade na ocasi&atilde;o da viol&ecirc;ncia e sexo);   quanto &agrave; viol&ecirc;ncia (tipo de viol&ecirc;ncia, local em que   ocorreu), frequ&ecirc;ncia (primeira vez ou reincid&ecirc;ncia),   tempo de abuso antes da notifica&ccedil;&atilde;o, consequ&ecirc;ncias   da viol&ecirc;ncia (presen&ccedil;a de les&atilde;o, interna&ccedil;&atilde;o    e sequela   descrita); quanto ao agressor (idade, sexo, v&iacute;nculo   com a v&iacute;tima), situa&ccedil;&otilde;es associadas relativas ao agressor   (por exemplo, alcoolismo ou drogadi&ccedil;&atilde;o); quanto   ao atendimento (provid&ecirc;ncia imediata e encaminhamentos).   Foram consideradas apenas as informa&ccedil;&otilde;es   registradas em prontu&aacute;rio, com base na avalia&ccedil;&atilde;o do   conselheiro tutelar que acompanhou o caso. As les&otilde;es   foram diferenciadas segundo o segmento corp&oacute;reo   afetado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O programa computacional Epi Info 6.04d foi    utilizado   para tabula&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise dos dados.   N&atilde;o houve procedimento de amostragem, pois   todas as notifica&ccedil;&otilde;es do munic&iacute;pio foram consultadas,   tendo em vista que os servi&ccedil;os pesquisados s&atilde;o os que   prestam atendimento &agrave;s situa&ccedil;&otilde;es de viol&ecirc;ncia contra   crian&ccedil;as e adolescentes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Foram utilizadas medidas de frequ&ecirc;ncia    epidemiol&oacute;gica,   tais como propor&ccedil;&atilde;o de casos (segundo as   vari&aacute;veis: local em que ocorreu o evento, frequ&ecirc;ncia   e tempo de abuso, tipo de viol&ecirc;ncia, presen&ccedil;a de les&atilde;o   e interna&ccedil;&atilde;o, sequelas, reincid&ecirc;ncias) e medidas de   tend&ecirc;ncia central e de dispers&atilde;o para vari&aacute;veis cont&iacute;nuas   (idade, n&uacute;mero de notifica&ccedil;&otilde;es).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Tendo por base a popula&ccedil;&atilde;o estimada    na mesma   faixa et&aacute;ria e ano, segundo o Instituto Brasileiro de   Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE), foram calculados os   coeficientes de incid&ecirc;ncia segundo o sexo e a idade das   v&iacute;timas e o de incid&ecirc;ncia segundo a idade das v&iacute;timas   e os diferentes tipos de viol&ecirc;ncia. Utilizou-se o teste de   Qui-quadrado (&#967;<sup>2</sup>) para testar diferen&ccedil;as entre sexos   segundo o tipo de viol&ecirc;ncia sofrida.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Inicialmente, foram analisados o n&uacute;mero    de atendimentos   e a situa&ccedil;&atilde;o dos casos em cada servi&ccedil;o separadamente   (Conselho Tutelar Norte, Conselho Tutelar Sul,   Conselho Tutelar Centro, Programa Sentinela e Projeto   &quot;De Olho no Futuro&quot;), dadas as diferen&ccedil;as quanto   demanda e caracter&iacute;sticas dos usu&aacute;rios em cada servi&ccedil;o   de atendimento. Foi necess&aacute;rio desenvolver um   instrumento de coleta de dados amplo que pudesse   contemplar as informa&ccedil;&otilde;es dos diferentes servi&ccedil;os,   visto que n&atilde;o h&aacute; uma padroniza&ccedil;&atilde;o dos prontu&aacute;rios   nos servi&ccedil;os utilizados como fonte de dados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Posteriormente, foi realizada uma criteriosa   verifica&ccedil;&atilde;o (por meio de nome, filia&ccedil;&atilde;o, data de   nascimento, idade na ocasi&atilde;o da viol&ecirc;ncia, sexo, data   e tipo de viol&ecirc;ncia) com o objetivo de identificar os   casos que tiveram atendimento em mais de um servi&ccedil;o   em decorr&ecirc;ncia do mesmo ato violento. Nestes casos,   as informa&ccedil;&otilde;es dos diferentes servi&ccedil;os (referentes &agrave;   mesma v&iacute;tima e &agrave; mesma ocasi&atilde;o de viol&ecirc;ncia) foram   complementadas em um &uacute;nico registro (uma &uacute;nica   ficha no banco de dados), excluindo-se as fichas   excedentes anteriores &agrave; complementa&ccedil;&atilde;o dos dados.   Desta forma, as informa&ccedil;&otilde;es dos diferentes servi&ccedil;os   se complementaram e deram visibilidade ao caminho   percorrido pela crian&ccedil;a durante seu atendimento.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"> Ao mesmo tempo, foram verificados os casos em   que a crian&ccedil;a sofreu viol&ecirc;ncia em diferentes momentos   ou circunst&acirc;ncias, mantendo-se uma ficha para cada   ocasi&atilde;o de viol&ecirc;ncia, conforme previsto na metodologia.   Para este trabalho foi considerada reincid&ecirc;ncia o   evento violento que se repetiu na mesma v&iacute;tima.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Desta forma, durante todo o processo de tratamento   e an&aacute;lise dos dados, os registros no banco de dados   corresponderam ao n&uacute;mero de atos violentos (casos)   e n&atilde;o ao n&uacute;mero de crian&ccedil;as, considerando que a mesma   crian&ccedil;a ou adolescente possa ter sido v&iacute;tima (pelo   mesmo tipo de viol&ecirc;ncia ou n&atilde;o) em diferentes ocasi&otilde;es   (circunst&acirc;ncias). Para os casos referentes ao mesmo   ato violento, exclu&iacute;ram-se as fichas repetidas a fim de   evitar a duplicidade de dados. Por meio do cruzamento   de dados foram verificadas as inconsist&ecirc;ncias.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Considera&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Foram obtidas autoriza&ccedil;&otilde;es por    escrito dos servi&ccedil;os para acesso aos prontu&aacute;rios e o projeto da    presente pesquisa foi aprovado pelo Comit&ecirc; de &Eacute;tica em Pesquisa    da Universidade de S&atilde;o Paulo (COEP n<sup>o</sup> 315 de 2006).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"> <b>Resultados</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Foram levantadas 1.999 notifica&ccedil;&otilde;es    de viol&ecirc;ncia   contra crian&ccedil;as e adolescentes, sendo 734 notifica&ccedil;&otilde;es   no ano de 2002 e 1.265 no ano de 2006 (<a href="#t1">Tabela 1</a>),   com aumento das notifica&ccedil;&otilde;es em todos os servi&ccedil;os   entre os anos do estudo.</font></p>     <p><a name="t1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/ess/v18n4/4a02t1.gif" border="0"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Ap&oacute;s a exclus&atilde;o dos registros    duplicados, foram   estudados 1.620 casos de viol&ecirc;ncia (agress&atilde;o) contra   menores de 15 anos no Munic&iacute;pio de Londrina, que foram notificados aos    Conselhos Tutelares do munic&iacute;pio   e servi&ccedil;os de atendimento a crian&ccedil;as e adolescentes   vitimizados (607 casos em 2002 e 1.013 casos em   2006) (<a href="#f2">Figura 2</a>), resultando em uma propor&ccedil;&atilde;o de   0,5% (em 2002) e de 0,8% (em 2006) na popula&ccedil;&atilde;o   de mesma faixa et&aacute;ria e ano. Os 1.620 casos de notifica&ccedil;&atilde;o   correspondem a 1.448 crian&ccedil;as, pois houve   reincid&ecirc;ncia em 172 casos.</font></p>     <p><a name="f2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/ess/v18n4/4a02f2.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Entre os 1.620 casos estudados, houve predom&iacute;nio   da viol&ecirc;ncia f&iacute;sica (praticada por meio de for&ccedil;a corporal,   instrumentos, objeto cortante, objeto quente   arma de fogo), seguida pela neglig&ecirc;ncia/abandono   e pela viol&ecirc;ncia sexual (<a href="#t2">Tabela 2</a>), com propor&ccedil;&otilde;es   bastante pr&oacute;ximas nos dois anos analisados.</font></p> <a name="t2"></a>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/ess/v18n4/4a02t2.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"> No presente estudo, al&eacute;m da viol&ecirc;ncia    que motivou   a notifica&ccedil;&atilde;o, houve casos em que a crian&ccedil;a   ou adolescente sofreu outros tipos de viol&ecirc;ncia em   concomit&acirc;ncia, ou seja, mais de um tipo de viol&ecirc;ncia   no mesmo ato violento (67,9% em 2002 e 72,5% em   2006). Entre os casos estudados em 2002, observou-se   que a agress&atilde;o por for&ccedil;a corporal esteve acompanhada   pela viol&ecirc;ncia psicol&oacute;gica em 83,2% dos casos,   seguida pela neglig&ecirc;ncia e abandono (10,1%); por   outros meios especificados, como instrumentos, ferro,   cinta, fio (4,1%) e por outros tipos de maus-tratos,   como o trabalho infantil, mendic&acirc;ncia e prostitui&ccedil;&atilde;o   (2,6%). Entre as v&iacute;timas de neglig&ecirc;ncia e abandono,   a viol&ecirc;ncia f&iacute;sica por meio de for&ccedil;a corporal e a psicol&oacute;gica   tamb&eacute;m estiveram presentes (75% e 25%,   respectivamente).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A viol&ecirc;ncia sexual, por sua vez, foi acompanhada   pela viol&ecirc;ncia psicol&oacute;gica em 47,4% dos casos, pela   agress&atilde;o f&iacute;sica (36,8%), por outros tipos de maus-tratos (10,5%)    e por outros meios especificados (5,3%).   Nota-se, ainda, que as agress&otilde;es por outro meio   especificado (instrumentos, ferro, cinta, fio) ocorreram   concomitantemente com viol&ecirc;ncia psicol&oacute;gica   (83,3%), agress&atilde;o por meio de for&ccedil;a corporal (8,3%)   e neglig&ecirc;ncia ou abandono (8,3%). J&aacute; os outros tipos   de maus-tratos infringidos &agrave; crian&ccedil;a e ao adolescente   (trabalho infantil, mendic&acirc;ncia, prostitui&ccedil;&atilde;o) foram   acompanhados por neglig&ecirc;ncia e abandono (44,4%),   viol&ecirc;ncia psicol&oacute;gica (33,3%) e agress&atilde;o por meio de   for&ccedil;a corporal (22,2%). Entre as v&iacute;timas de 2006 que   sofreram mais de um tipo de viol&ecirc;ncia, observam-se,   praticamente as mesmas distribui&ccedil;&otilde;es de 2002. Nos   dois anos de estudo, foi n&iacute;tida a alta frequ&ecirc;ncia da   viol&ecirc;ncia psicol&oacute;gica como pano de fundo de praticamente   todas as agress&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A resid&ecirc;ncia da v&iacute;tima foi o local    mais frequente   onde ocorreu o ato violento e observou-se uma grande   propor&ccedil;&atilde;o de casos em que houve agress&atilde;o por quatro   vezes ou mais antes da notifica&ccedil;&atilde;o. Nos dois anos de   estudo, observou-se predom&iacute;nio de um a dois anos de   abuso at&eacute; que a notifica&ccedil;&atilde;o fosse feita (<a href="#t3">Tabela   3</a>).</font></p>     <p><a name="t3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/ess/v18n4/4a02t3.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Foram consideradas consequ&ecirc;ncias da viol&ecirc;ncia   a presen&ccedil;a de les&atilde;o corporal, a necessidade de   interna&ccedil;&atilde;o e as sequelas registradas em prontu&aacute;rio.   Por&eacute;m, mais da metade dos prontu&aacute;rios n&atilde;o trazia a   informa&ccedil;&atilde;o de que tenha sido necess&aacute;ria a interna&ccedil;&atilde;o   da crian&ccedil;a ou adolescente v&iacute;tima de agress&atilde;o, o que,   evidentemente, impede qualquer an&aacute;lise mais profunda   sobre essa situa&ccedil;&atilde;o. Grande parte dos casos apresentou   les&atilde;o corporal, afetando mais m&uacute;ltiplas regi&otilde;es,   e houve registros de efeito de priva&ccedil;&atilde;o, nos quais as   v&iacute;timas apresentaram desnutri&ccedil;&atilde;o severa. Quase que a totalidade    das v&iacute;timas apresentou sequela, sendo a   sequela f&iacute;sica a mais comum (<a href="#t4">Tabela 4</a>).</font></p> <a name="t4"></a>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/ess/v18n4/4a02t4.gif" border="0"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Foram verificados 172 casos de reincid&ecirc;ncia   (10,6% da popula&ccedil;&atilde;o estudada). Faz-se necess&aacute;rio   esclarecer que n&atilde;o houve um prazo suficientemente   longo que permitisse verificar as reincid&ecirc;ncias dos   casos atendidos em 2006. Portanto, os resultados a   seguir n&atilde;o representam a real probabilidade dos casos   do &uacute;ltimo ano de estudo reincidirem. Ainda assim, torna-se importante    analisar os casos reincidentes   a fim de identificar mudan&ccedil;as no comportamento   da viol&ecirc;ncia perpetrada contra a mesma crian&ccedil;a em   diferentes ocasi&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> As reincid&ecirc;ncias ocorreram mais entre    v&iacute;timas do   sexo feminino (66,3%), sendo o mesmo denunciante   em 77,9% dos casos, embora o servi&ccedil;o procurado para   a nova notifica&ccedil;&atilde;o fosse diferente em 40,7% das situa&ccedil;&otilde;es.   O tipo de viol&ecirc;ncia motivadora da notifica&ccedil;&atilde;o e o agressor    foram os mesmos que na notifica&ccedil;&atilde;o anterior   na sua quase totalidade (98,8%). Houve somente dois   casos em que o tipo de viol&ecirc;ncia e o agressor foram   diferentes, no entanto, a viol&ecirc;ncia reincidente foi cometida   por membros da mesma fam&iacute;lia. O intervalo entre   as notifica&ccedil;&otilde;es se distribuiu de 3 a 4 meses (33,7%)   e 5 a 6 meses (15,7%), com maior propor&ccedil;&atilde;o no   per&iacute;odo de 4 anos (34,3%) que corresponde, pelo   tempo, exclusivamente aos casos de 2002. Ainda houve   reincid&ecirc;ncia no per&iacute;odo de 1 a 2 meses (9,9%), 7 a 8   meses (4,6%) e 9 a 10 meses (1,7%). O alcoolismo foi   reportado como situa&ccedil;&atilde;o associada em 40,1% destes   casos reincidentes, embora a propor&ccedil;&atilde;o de prontu&aacute;rios   sem esta informa&ccedil;&atilde;o corresponda a 32,6%. Os outros casos tiveram    como causa associada: crise conjugal   (8,1%); problemas relacionados com a maternidade   (5,8%) e paternidade (2,3%), em caso de filho n&atilde;o   natural; drogadic&atilde;o (4,1%); dificuldade financeira   (4,1%); doen&ccedil;a ps&iacute;quica (1,2%); prostitui&ccedil;&atilde;o materna   (1,2%) e religi&atilde;o do pai (0,6%). Entre os casos reincidentes,   as provid&ecirc;ncias mais frequentes tomadas pelo   servi&ccedil;o na primeira notifica&ccedil;&atilde;o foram a convoca&ccedil;&atilde;o    do   agressor (51,7%) e a advert&ecirc;ncia (25,0%), seguidas   pela notifica&ccedil;&atilde;o ao agressor (11,6%), visita domiciliar   (9,9%) e orienta&ccedil;&atilde;o (1,7%).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Calculando-se o coeficiente de incid&ecirc;ncia    (para   cada 1.000 crian&ccedil;as) da viol&ecirc;ncia segundo a idade   e o sexo das v&iacute;timas (<a href="#f3">Figura 3</a>), observou-se expressivo aumento dos coeficientes    entre um ano e outro,   principalmente dos dois aos seis anos de idade para   as meninas e dos cinco aos seis anos para os meninos.   Em 2002, a faixa et&aacute;ria de maior risco de sofrer   viol&ecirc;ncia foi de dois a quatro anos para as meninas   (coeficientes de 13,5 a 12,5) e aos seis anos para os   meninos (coeficiente de 12,7). Em 2006, o maior   coeficiente foi observado aos quatro e seis anos para   as meninas (26,7 e 19,9, respectivamente) e dos cinco   aos seis anos para os meninos (coeficientes de 16,5 e 15,1). Interessante destacar    que n&atilde;o houve aumento   do coeficiente de casos notificados entre crian&ccedil;as   com mais de dez anos de idade, faixa et&aacute;ria em que   os coeficientes permanecem bastante similares nos   dois anos de estudo.</font></p> <a name="f3"></a>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/ess/v18n4/4a02f3.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Observa-se que, no ano de 2002, o coeficiente    no   sexo feminino &eacute; maior que o masculino entre os menores   de um ano e dos dois aos quatro anos de idade.   Aos cinco anos, ocorre uma invers&atilde;o, prevalecendo   coeficientes maiores para o sexo masculino at&eacute; os oito anos de idade.    Aos nove, novamente o sexo feminino   concentra maiores coeficientes em rela&ccedil;&atilde;o ao sexo   masculino, invertendo-se novamente aos dez anos. A   partir dos 11 anos de idade, os coeficientes femininos   permanecem mais elevados em rela&ccedil;&atilde;o ao outro sexo.   J&aacute; em 2006, os coeficientes femininos s&atilde;o superiores   aos masculinos, exceto na idade de cinco anos (<a href="#f3">Figura   3</a>). Observa-se uma queda expressiva dos coeficientes   masculinos a partir dos sete anos de idade, tanto em   2002 como em 2006.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Aplicando-se o teste estat&iacute;stico do Qui-quadrado   (&#967;<sup>2</sup>) para as vari&aacute;veis sexo da v&iacute;tima e tipo de viol&ecirc;ncia   sofrida, o valor do &quot;p&quot; foi inferior a 0,05 para os dois   anos de estudo, indicando uma diferen&ccedil;a estatisticamente   significativa entre os sexos conforme o tipo de   viol&ecirc;ncia sofrida.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Conhecendo a estimativa da popula&ccedil;&atilde;o      menor de   15 anos residente no munic&iacute;pio no mesmo ano, calculou-se o coeficiente   de incid&ecirc;ncia segundo a idade   da v&iacute;tima e o tipo de viol&ecirc;ncia sofrida, estimando-se o   risco de ocorr&ecirc;ncia de cada tipo de viol&ecirc;ncia segundo   a idade, nos anos de 2002 e 2006 (<a href="#f4">Figura 4</a>). O   coeficiente est&aacute; calculado para cada 10.000 crian&ccedil;as.   Comparando-se os dois anos de estudo, observou-se   um aumento significativo do risco de viol&ecirc;ncia contra   menores. A viol&ecirc;ncia f&iacute;sica, por exemplo, na idade   na qual se observa o maior risco (aos seis anos), o coeficiente de incid&ecirc;ncia    passa de 75,4 (por 10.000),   em 2002, para 122,5 em 2006, resultando em um   aumento de 62,5%.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="f4"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/ess/v18n4/4a02f4.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A neglig&ecirc;ncia e o abandono tamb&eacute;m    apresentam   aumento alarmante. Aos dois anos de idade, per&iacute;odo   de maior risco, seu coeficiente passa de 55,5 (por   10.000) em 2002 para 78,1 em 2006, o que representa   40,7% de aumento. Da mesma forma, a viol&ecirc;ncia   sexual atinge coeficiente de 22,3 (por 10.000) aos 12   anos de idade, em 2006, o que significa um aumento   de 32,7% se comparado ao coeficiente da mesma faixa   et&aacute;ria em 2002 (16,8 por 10.000).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> J&aacute; o grupo de &quot;Outros Tipos de    Maus-Tratos&quot; (que aqui englobam trabalho infantil, mendic&acirc;ncia e    prostitui&ccedil;&atilde;o) apresenta discreto aumento, mas sua ocorr&ecirc;ncia    &eacute; relativamente baixa em rela&ccedil;&atilde;o aos outros tipos. N&atilde;o    foi calculado o coeficiente de incid&ecirc;ncia para a viol&ecirc;ncia psicol&oacute;gica,    por uso de droga e por outro meio n&atilde;o especificado em decorr&ecirc;ncia    dos poucos casos notificados.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Em compara&ccedil;&atilde;o com outros estudos    brasileiros,   n&atilde;o foram observados relatos referentes &agrave; propor&ccedil;&atilde;o   de viol&ecirc;ncias na popula&ccedil;&atilde;o infanto-juvenil, porque   embora v&aacute;rias investiga&ccedil;&otilde;es caracterizem o evento da viol&ecirc;ncia    contra crian&ccedil;as e adolescentes, n&atilde;o   apresentam c&aacute;lculos com base na popula&ccedil;&atilde;o total, restringindo-   se a institui&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas. Outros trazem   &iacute;ndices referentes &agrave; mortalidade por viol&ecirc;ncia e n&atilde;o   &agrave; morbidade. Em estudos internacionais, observou-se   que nos Estados Unidos da Am&eacute;rica (EUA), por exemplo,   o Servi&ccedil;o de Prote&ccedil;&atilde;o &agrave; Crian&ccedil;a do pa&iacute;s    apontou   uma incid&ecirc;ncia de abuso ou neglig&ecirc;ncia em crian&ccedil;as   de 1,2% em 2001, &iacute;ndice que vem decrescendo desde 1986, quando era de    2,3%.<sup>26</sup> Ainda assim, verifica-se   uma incid&ecirc;ncia menor no presente estudo, se comparada   &agrave; dos EUA, o que pode ser atribu&iacute;do &agrave;s diferen&ccedil;as   quanto &agrave; popula&ccedil;&atilde;o e ano de estudo, al&eacute;m da prov&aacute;vel   melhor qualidade da notifica&ccedil;&atilde;o naquele pa&iacute;s.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O predom&iacute;nio da viol&ecirc;ncia f&iacute;sica,    da neglig&ecirc;ncia e   da viol&ecirc;ncia sexual verificado na presente casu&iacute;stica   coincide com o relato de outros autores.<sup>20,27,28</sup> Estudos   internacionais tamb&eacute;m s&atilde;o coincidentes com o presente levantamento.    Em Temuco, no Chile, estudo   junto aos domic&iacute;lios em uma comunidade urbana de   n&iacute;vel socioecon&ocirc;mico m&eacute;dio revelou que 42,3% das   m&atilde;es aplicam puni&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica em seus filhos.<sup>29</sup> Estudo    de   preval&ecirc;ncia e incid&ecirc;ncia de abuso infantil, ao comparar   dados nos diferentes pa&iacute;ses, aponta a neglig&ecirc;ncia, o   abuso f&iacute;sico e o sexual entre os mais frequentes na   popula&ccedil;&atilde;o infantil.<sup>30</sup> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Os resultados encontrados suscitam duas reflex&otilde;es.   A primeira quanto ao uso da for&ccedil;a f&iacute;sica como medida   educativa,<sup>31</sup> o que a torna frequente em nosso meio.   Neste sentido, alguns autores<sup>32</sup> discutem a quest&atilde;o   cultural do castigo e destacam a pol&ecirc;mica que h&aacute; entre   o uso da for&ccedil;a f&iacute;sica na disciplina dos filhos (o que   pode gerar les&otilde;es importantes no momento da ira) e   a corrente que critica o uso da agress&atilde;o corporal ou por meio de objetos.    Culturalmente, a puni&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica &eacute;   aceita como necess&aacute;ria para crian&ccedil;as. Autores americanos,   ao entrevistarem 3.122 estudantes nos Estados   Unidos e pa&iacute;ses europeus (Est&ocirc;nia, Finl&acirc;ndia, Rom&ecirc;nia   e R&uacute;ssia), obtiveram a resposta de que a necessidade   de educar justifica a viol&ecirc;ncia f&iacute;sica praticada contra   a crian&ccedil;a.<sup>19</sup> Frente a esta quest&atilde;o cultural, torna-se   imprescind&iacute;vel que se trabalhe outras formas educativas   junto &agrave;s comunidades e sociedade como um todo.   Vale real&ccedil;ar que a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica come&ccedil;a atrav&eacute;s   da palmada e, com o passar do tempo, a intensidade   e a forma v&atilde;o se agravando. &Eacute; importante que pais e   educadores acreditem que &eacute; poss&iacute;vel impor limites   sem recorrer &agrave; viol&ecirc;ncia, ou ainda, que bater n&atilde;o &eacute;   uma forma de comunica&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A outra reflex&atilde;o se refere ao fato de    que a agress&atilde;o   f&iacute;sica possa ser a mais denunciada por produzir   les&otilde;es corporais pass&iacute;veis de serem observadas mais   facilmente.<sup>20</sup> Neste aspecto, &eacute; preciso destacar a   import&acirc;ncia de profissionais e comunidades estarem   alertas para a identifica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o somente do abuso   f&iacute;sico, mas tamb&eacute;m de todas as outras formas de   agress&atilde;o contra a crian&ccedil;a e adolescente, muitas vezes   n&atilde;o observadas no dia a dia por n&atilde;o serem evidentes   como a viol&ecirc;ncia f&iacute;sica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Outras casu&iacute;sticas tamb&eacute;m identificaram    mais de um tipo de viol&ecirc;ncia entre os casos de maus-tratos infantis,<sup>3,20,28</sup>    o que permite concluir que dificilmente a viol&ecirc;ncia englobe apenas um    tipo de agress&atilde;o, num complexo contexto de desencadeamento dos maus-tratos,    o que aponta para a necessidade de se conhecer melhor os fatores que a envolvem.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Embora seja de conhecimento cient&iacute;fico    e de senso   comum que uma mesma crian&ccedil;a possa ser v&iacute;tima de   mais de uma forma de viol&ecirc;ncia, ainda n&atilde;o h&aacute; muitas   investiga&ccedil;&otilde;es sistem&aacute;ticas a respeito. Por se tratar de   um complexo contexto onde determinados tipos de   viol&ecirc;ncia se expressam acompanhados de outras agress&otilde;es,   torna-se interessante conhecer estas rela&ccedil;&otilde;es.   Outros autores apontam distribui&ccedil;&otilde;es semelhantes   &agrave;s encontradas na presente investiga&ccedil;&atilde;o, em que a   viol&ecirc;ncia f&iacute;sica associada &agrave; psicol&oacute;gica e &agrave;    neglig&ecirc;ncia   foi a frequ&ecirc;ncia mais observada, bem como a viol&ecirc;ncia   sexual e a psicol&oacute;gica.<sup>20,28</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Interessante observar a baixa frequ&ecirc;ncia      da viol&ecirc;ncia   psicol&oacute;gica quando analisados somente os tipos de   viol&ecirc;ncia que geraram a den&uacute;ncia. Entretanto, quando   associada a outras formas de viol&ecirc;ncia, sua frequ&ecirc;ncia aumenta   significativamente.  Este achado permite concluir   que a viol&ecirc;ncia psicol&oacute;gica permeia praticamente   todas as situa&ccedil;&otilde;es de agress&atilde;o contra a crian&ccedil;a,    por&eacute;m   dificilmente constitui-se o motivo principal de notifica&ccedil;&atilde;o.   Frente &agrave; sua constante presen&ccedil;a nos diversos   tipos de viol&ecirc;ncia praticados contra a crian&ccedil;a e o   adolescente, autores alertam para o profundo impacto   negativo que a viol&ecirc;ncia psicol&oacute;gica exerce sobre o   desenvolvimento psicol&oacute;gico e social da crian&ccedil;a.<sup>33</sup>   Soma-se, ainda, a dificuldade em se detect&aacute;-la por esta   n&atilde;o produzir les&otilde;es vis&iacute;veis e por ser de dif&iacute;cil    suspeita   e confirma&ccedil;&atilde;o. Nesta perspectiva, a identifica&ccedil;&atilde;o    e   interven&ccedil;&atilde;o efetivas, aliadas &agrave; maior vigil&acirc;ncia    nos diferentes   espa&ccedil;os sociais, constituem a&ccedil;&otilde;es importantes   na preven&ccedil;&atilde;o e tratamento adequados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> V&aacute;rios autores destacam o lar como o    local privilegiado   para a pr&aacute;tica da viol&ecirc;ncia contra a crian&ccedil;a,<sup>27,34</sup>   o que tem &iacute;ntima liga&ccedil;&atilde;o com os limites impostos pela   privacidade que acabam por isolar a fam&iacute;lia da vis&atilde;o   social, propiciando um ambiente sem testemunhas   e encoberto pela cumplicidade familiar.<sup>35,36</sup> Assim   sendo, torna-se importante destacar que as medidas   de preven&ccedil;&atilde;o e interven&ccedil;&atilde;o precisam, acima de tudo,   contemplar o &acirc;mbito familiar, o que para alguns autores<sup>34</sup>   constitui espa&ccedil;o pass&iacute;vel para mudan&ccedil;as.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Semelhante aos resultados encontrados, pesquisa   que analisou as notifica&ccedil;&otilde;es de viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as   e adolescentes emitidas pelos servi&ccedil;os que comp&otilde;em   a Rede de Prote&ccedil;&atilde;o &agrave; Crian&ccedil;a e ao Adolescente   em Situa&ccedil;&atilde;o de Risco para a Viol&ecirc;ncia, no Munic&iacute;pio   de Curitiba-PR,<sup>37</sup> tamb&eacute;m encontrou alta frequ&ecirc;ncia   de casos em que a viol&ecirc;ncia foi praticada por v&aacute;rias   vezes antes da den&uacute;ncia (61,8% no ano de 2003 e   65,2% em 2004).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O fato de a agress&atilde;o n&atilde;o se restringir    a um &uacute;nico   epis&oacute;dio refor&ccedil;a a principal caracter&iacute;stica da viol&ecirc;ncia   de constituir-se um fen&ocirc;meno velado e recidivante.   Neste contexto, para romper com o sil&ecirc;ncio, a crian&ccedil;a   depende da iniciativa de terceiros, como educadores,   vizinhos, amigos, profissionais de sa&uacute;de, entre outros.<Sup>38</Sup>   Esta circunst&acirc;ncia nos leva &agrave; reflex&atilde;o de que todos os   profissionais que lidam direta e indiretamente com   crian&ccedil;as precisam estar atentos para os sinais de abuso   no sentido de interromper este evento silencioso e   repetitivo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O longo per&iacute;odo de abuso observado na    presente   casu&iacute;stica &eacute; discutido por outros autores,<sup>39</Sup> que caracterizam   a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica praticada contra a crian&ccedil;a como insidiosa    e repetitiva, podendo se prolongar por   muito tempo devido &agrave; imaturidade e &agrave; falta de estrutura   da crian&ccedil;a, ainda sem valores e conhecimentos que a   impossibilitam de tomar consci&ecirc;ncia do ato abusivo   do adulto. Estudiosos ainda destacam a compuls&atilde;o do   agressor &agrave; repeti&ccedil;&atilde;o do ato violento em decorr&ecirc;ncia   de sua depend&ecirc;ncia psicol&oacute;gica e baixa toler&acirc;ncia &agrave;   frustra&ccedil;&atilde;o.<sup>18</sup> Complementando esta l&oacute;gica, estudo desenvolvido   em um Programa de Aten&ccedil;&atilde;o &agrave; Viol&ecirc;ncia no   M&eacute;xico discute a impossibilidade f&iacute;sica e psicol&oacute;gica   das crian&ccedil;as em denunciar seu agressor, al&eacute;m do la&ccedil;o   afetivo que os envolve.<sup>40</sup> Os autores ainda destacam a   necessidade da interven&ccedil;&atilde;o de terceiros para que a   viol&ecirc;ncia seja interrompida.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Resultados semelhantes foram encontrados por   outras casu&iacute;sticas que verificaram presen&ccedil;a de les&atilde;o   corporal em grande parte das crian&ccedil;as v&iacute;timas de   viol&ecirc;ncia.<sup>27,41</sup> As les&otilde;es corporais mais comuns decorrentes   da agress&atilde;o v&atilde;o desde contus&otilde;es, lacera&ccedil;&otilde;es,   arranh&otilde;es, luxa&ccedil;&otilde;es, les&otilde;es de pele, queimaduras,    fraturas,   rupturas de &oacute;rg&atilde;os e desorganiza&ccedil;&atilde;o de fun&ccedil;&otilde;es,   les&otilde;es abdominais, traumatismos cranianos, les&otilde;es   oculares e auditivas, podendo variar em gravidade   e repercuss&otilde;es imediatas ou tardias, podendo levar   inclusive ao &oacute;bito.<sup>34,41</sup> Apesar de ser objeto de estudo   da presente investiga&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o foi poss&iacute;vel estabelecer    o   tipo e a natureza da les&atilde;o, bem como sua gravidade, em   decorr&ecirc;ncia da qualidade da informa&ccedil;&atilde;o. Os termos   nos prontu&aacute;rios dos Conselhos Tutelares foram usados   em seu aspecto leigo, e n&atilde;o t&eacute;cnico, n&atilde;o havendo clara   diferencia&ccedil;&atilde;o entre trauma e ferimento, impossibilitando   a utiliza&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o. Desta forma, foi poss&iacute;vel   determinar apenas o segmento corp&oacute;reo afetado.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Apesar disto, a grande propor&ccedil;&atilde;o    de les&atilde;o corporal   entre os menores v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia chama a aten&ccedil;&atilde;o   para o sofrimento que estas v&iacute;timas vivenciam, al&eacute;m   das repercuss&otilde;es no crescimento e desenvolvimento da crian&ccedil;a,    uma vez que muitas destas les&otilde;es podem   levar &agrave; invalidez tempor&aacute;ria, permanente ou at&eacute; &agrave;   morte. Neste aspecto, estudo longitudinal com grupo   controle associou maior risco de doen&ccedil;as respirat&oacute;rias   e interna&ccedil;&atilde;o entre crian&ccedil;as provenientes de lares onde   h&aacute; viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica.<sup>3</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Pesquisa realizada no SOS Crian&ccedil;a de      Curitiba<sup>41</sup>   revelou que as les&otilde;es produzidas pelo abuso f&iacute;sico   atingiram mais de um segmento corp&oacute;reo em 64,9%   dos casos, o que se assemelha com o predom&iacute;nio de   m&uacute;ltiplas regi&otilde;es na presente pesquisa. Tal predom&iacute;nio   pode estar associado &agrave; condi&ccedil;&atilde;o indefesa da crian&ccedil;a,    o   que possibilita a agress&atilde;o em v&aacute;rias regi&otilde;es corporais   durante o mesmo ato violento. J&aacute; o abdome/dorso/pelve desperta para   a possibilidade de golpes, como chutes e socos, aplicados diretamente sobre   esta regi&atilde;o.   A presen&ccedil;a de les&atilde;o em membros pode sinalizar   a tentativa de defesa da crian&ccedil;a, ao encobrir a cabe&ccedil;a   e o t&oacute;rax (segmentos menos afetados).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Embora n&atilde;o tenham sido encontrados estudos   semelhantes que permitissem comparar os resultados   obtidos, uma taxa menor de interna&ccedil;&atilde;o (4,0%) foi encontrada   entre crian&ccedil;as mexicanas v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia   familiar, atendidas em servi&ccedil;os de urg&ecirc;ncia.<sup>42</sup> Entretanto,   trata-se de uma popula&ccedil;&atilde;o de estudo diferente   da presente investiga&ccedil;&atilde;o, o que pode contribuir para   as diferen&ccedil;as encontradas. Dados oficiais confirmam,   para o Paran&aacute; e Londrina, a presen&ccedil;a das agress&otilde;es   como a terceira causa de interna&ccedil;&atilde;o entre crian&ccedil;as e   adolescentes v&iacute;timas de causas externas, no ano de   2003.<Sup>6</Sup> Apesar da qualidade da informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o ter   permitido analisar a real propor&ccedil;&atilde;o de interna&ccedil;&atilde;o   decorrente da agress&atilde;o, torna-se importante refletir   sobre o impacto social, econ&ocirc;mico e familiar da viol&ecirc;ncia,   uma vez que esta tem ocasionado interna&ccedil;&otilde;es   e, consequentemente, gastos hospitalares, al&eacute;m de   sequelas que podem acompanhar a crian&ccedil;a ou adolescente   por toda a vida.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A presen&ccedil;a de sequela em crian&ccedil;as    vitimizadas   tamb&eacute;m foi observada por outro estudo,<sup>41</sup> por&eacute;m numa   propor&ccedil;&atilde;o bem inferior (5,8%). Entretanto, trata-se de   sequelas definitivas, o que justifica o baixo percentual   em rela&ccedil;&atilde;o ao presente estudo, que engloba, por sua   vez, tanto as sequelas imediatas como tardias, registradas   em prontu&aacute;rio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Muitos autores destacam as sequelas f&iacute;sicas,   emocionais e psicol&oacute;gicas decorrentes da viol&ecirc;ncia.   <sup>2,4,28,32,33,42</sup> Al&eacute;m das sequelas f&iacute;sicas, que causam dor e estresse,    o fato da crian&ccedil;a ainda n&atilde;o apresentar   uma estrutura psicol&oacute;gica consolidada e o constante   estado de alerta pela presen&ccedil;a de maus-tratos podem   acarretar sequelas emocionais, afetivas e psicol&oacute;gicas.   Muitas destas sequelas, &agrave;s vezes irrepar&aacute;veis, se manifestam   na fase adulta, como ansiedade, depress&atilde;o,   risco de autodestrui&ccedil;&atilde;o, baixa auto-estima, vis&atilde;o   pessimista do futuro, problemas de relacionamento,   agressividade, timidez, isolamento social, submiss&atilde;o,   d&eacute;ficit de aten&ccedil;&atilde;o, hiperatividade, capacidade cognitiva   e de linguagem inferiores, uso de &aacute;lcool e drogas,   al&eacute;m do comportamento abusivo que colabora para a   perpetua&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Estudiosos ainda destacam que o grau das sequelas   decorrentes de viol&ecirc;ncia depende, entre outros fatores,   da idade da crian&ccedil;a quando se iniciou o abuso, do   tempo de abuso sofrido, do grau de relacionamento   entre v&iacute;tima e agressor, do grau de amea&ccedil;a sofrida e   da aus&ecirc;ncia de estrutura familiar.<sup>18</sup> Frente a este contexto,   pode-se compreender a extrema necessidade   de evitar os atos violentos, uma vez que suas sequelas   atingem dimens&otilde;es e gravidade expressivas. A grande   propor&ccedil;&atilde;o de sequelas f&iacute;sicas associadas &agrave;s psicol&oacute;gicas,   verificadas na presente investiga&ccedil;&atilde;o, alerta   para a necessidade de preven&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia contra   crian&ccedil;as e adolescentes, al&eacute;m de tratamento adequado   para as v&iacute;timas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Propor&ccedil;&atilde;o similar de reincid&ecirc;ncias    foi observada   na an&aacute;lise dos casos atendidos pelos Centros Regionais   de Aten&ccedil;&atilde;o aos Maus-Tratos na Inf&acirc;ncia (Crami), no   Estado de S&atilde;o Paulo, que verificou de 10,0 a 24,0% de   notifica&ccedil;&otilde;es reincidentes, geralmente ap&oacute;s seis meses   de encerrado o atendimento.<Sup>43</Sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> As reincid&ecirc;ncias, bem como a repeti&ccedil;&atilde;o    do tipo de   viol&ecirc;ncia e do agressor em quase todos os casos reincidentes,   revelam o car&aacute;ter cont&iacute;nuo que a viol&ecirc;ncia contra   a crian&ccedil;a e o adolescente assume. Esta caracter&iacute;stica   recidivante e cr&ocirc;nica &eacute; destacada por alguns autores,   que atribuem este fato &agrave; rede de fatores e ao complexo   contexto multicausal que envolve a viol&ecirc;ncia.<sup>34</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Chama a aten&ccedil;&atilde;o, nos presentes    resultados, a   propor&ccedil;&atilde;o em que o denunciante procurou outro   servi&ccedil;o para proceder a uma nova notifica&ccedil;&atilde;o. Isto   pode denotar a falta de credibilidade no servi&ccedil;o   procurado anteriormente ou, ainda, a necessidade de   notificar em servi&ccedil;o de outra regi&atilde;o para n&atilde;o sofrer   repres&aacute;lia do agressor. Neste contexto, h&aacute; que se avaliar   a efic&aacute;cia dos servi&ccedil;os que recebem a notifica&ccedil;&atilde;o,    nas medidas adequadas de encaminhamento, bem como   a exist&ecirc;ncia de servi&ccedil;os especializados de tratamento   para que se consiga interromper a viol&ecirc;ncia e evitar   as reincid&ecirc;ncias.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Neste aspecto, v&aacute;rios autores destacam      a necessidade   de equipe interdisciplinar e de uma rede que   integre v&aacute;rios equipamentos sociais, no sentido de   formar parcerias entre sociedade civil e estado, na   atua&ccedil;&atilde;o junto &agrave;s fam&iacute;lias que vivenciam a viol&ecirc;ncia   contra a crian&ccedil;a e adolescente.<sup>2,14,43,44</sup> Atualmente,   frente &agrave;s necessidades das v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia e de   suas fam&iacute;lias, a atua&ccedil;&atilde;o de uma equipe multiprofissional &eacute; recomendada   e necess&aacute;ria, uma vez que   nenhuma institui&ccedil;&atilde;o, indiv&iacute;duo ou disciplina isolada   det&eacute;m todo o conhecimento, recursos e habilidades   para o enfrentamento da viol&ecirc;ncia contra a crian&ccedil;a e   tratamento adequado das v&iacute;timas e suas fam&iacute;lias.<sup>12</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"> No Brasil j&aacute; existem alguns exemplos    de redes de   aten&ccedil;&atilde;o &agrave; crian&ccedil;a e adolescente vitimizados,<sup>14,44</sup>    que   priorizam o atendimento descentralizado e articulam   as a&ccedil;&otilde;es entre as Secretarias existentes e demais recursos,   al&eacute;m de sensibilizar e capacitar profissionais   diretamente envolvidos no atendimento a este grupo,   no sentido de prevenir e identificar precocemente   para que se interrompa o processo de repeti&ccedil;&atilde;o e   agravamento dos maus-tratos. A experi&ecirc;ncia j&aacute; aponta   resultados, como maior comunica&ccedil;&atilde;o entre os   diferentes servi&ccedil;os, num espa&ccedil;o de di&aacute;logo conjunto,   otimiza&ccedil;&atilde;o dos recursos existentes e atendimento com   mais qualidade e efici&ecirc;ncia. Neste sentido, &eacute; preciso   ressaltar os esfor&ccedil;os que v&ecirc;m sendo realizados para o   aprimoramento da qualidade da informa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Quanto &agrave;s situa&ccedil;&otilde;es associadas    com a agress&atilde;o,   o alcoolismo revela a necessidade de campanhas e   programas p&uacute;blicos de f&aacute;cil acesso que visem &agrave; preven&ccedil;&atilde;o   e ao tratamento adequado dos dependentes.   Talvez a grande dificuldade em combater o consumo   alco&oacute;lico se deva ao fato de a bebida constituir-se droga   l&iacute;cita, de f&aacute;cil e livre acesso. Neste sentido, h&aacute; que    se   investir na educa&ccedil;&atilde;o individual e coletiva, junto a todos   os setores sociais, grupos, escolas, comunidades e   servi&ccedil;os de sa&uacute;de, alertando para os efeitos mal&eacute;ficos   do consumo exagerado de bebida alco&oacute;lica e da sua   grande repercuss&atilde;o na viol&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Quanto &agrave;s provid&ecirc;ncias tomadas      pelos servi&ccedil;os na   primeira notifica&ccedil;&atilde;o dos casos reincidentes, observou-se   que a convoca&ccedil;&atilde;o do agressor para comparecer   ao servi&ccedil;o n&atilde;o teve grande impacto para interrup&ccedil;&atilde;o    da viol&ecirc;ncia, bem como a advert&ecirc;ncia e notifica&ccedil;&atilde;o.   A t&iacute;tulo de esclarecimento, a convoca&ccedil;&atilde;o para que o   agressor compare&ccedil;a ao servi&ccedil;o tem a finalidade de   apurar os fatos e orientar o agressor quanto &agrave;s medidas   cab&iacute;veis que podem ser tomadas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; situa&ccedil;&atilde;o   de viol&ecirc;ncia. A notifica&ccedil;&atilde;o ocorre quando o agressor   n&atilde;o atende &agrave; convoca&ccedil;&atilde;o e a advert&ecirc;ncia consiste    em   orienta&ccedil;&otilde;es por escrito quanto &agrave;s medidas que ser&atilde;o   tomadas caso a agress&atilde;o persista.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Respons&aacute;vel por iniciar a avalia&ccedil;&atilde;o    da situa&ccedil;&atilde;o   denunciada, a efic&aacute;cia e a integra&ccedil;&atilde;o dos Conselhos   Tutelares com outros servi&ccedil;os t&ecirc;m sido questionadas   por v&aacute;rios autores como um processo ainda em constru&ccedil;&atilde;o.   <sup>2,12,18,45,46</sup> As dificuldades vividas pelos Conselhos   Tutelares, que v&atilde;o desde estrutura f&iacute;sica at&eacute; a falta de   recursos humanos, acarretam na descren&ccedil;a quanto &agrave;   efetiva resolu&ccedil;&atilde;o dos casos notificados. Neste aspecto,   autores destacam que faltam estudos que determinem   melhor o efeito das medidas tomadas pelos servi&ccedil;os   na redu&ccedil;&atilde;o e interrup&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia.<sup>46</sup> A    atual sobreposi&ccedil;&atilde;o   de pap&eacute;is dos servi&ccedil;os de atendimento   &agrave; crian&ccedil;a v&iacute;tima de viol&ecirc;ncia, as falhas no sistema   de comunica&ccedil;&atilde;o, a duplicidade de procedimentos e   o distanciamento entre o atendimento e o atendido,   revelam e refor&ccedil;am a vis&atilde;o fragmentada e de pouca   resolubilidade dos servi&ccedil;os.<sup>44</sup> Desta forma, a implanta&ccedil;&atilde;o   de redes e estrat&eacute;gias que melhorem a efic&aacute;cia   dos servi&ccedil;os torna-se essencial.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Para que se consiga reduzir as reincid&ecirc;ncias    &eacute;   preciso, ainda, investir na forma&ccedil;&atilde;o dos profissionais   da &aacute;rea, desde os cursos t&eacute;cnicos at&eacute; a gradua&ccedil;&atilde;o    e   p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, para que estejam capacitados para o   enfrentamento deste agravo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Outro aspecto a ser considerado, para que se    consiga   reduzir as reincid&ecirc;ncias, consiste na necessidade   de se ter a fam&iacute;lia como alvo, e n&atilde;o apenas as crian&ccedil;as   v&iacute;timas de agress&atilde;o, nos casos de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica   perpretada pelos pr&oacute;prios pais ou familiares. Estudo   realizado junto ao Crami confirma que 80,0% das   fam&iacute;lias atendidas pelo servi&ccedil;o referiram que a interven&ccedil;&atilde;o   proporcionou interrup&ccedil;&atilde;o ou diminui&ccedil;&atilde;o na   intensidade da viol&ecirc;ncia, sendo que as visitas domiciliares   foram a forma de acompanhamento mais eficaz,   na opini&atilde;o dos pais.<Sup>20</Sup> Para o autor, a oportunidade   dada &agrave;s fam&iacute;lias de refletir sobre os relacionamentos e   nas formas de educar a crian&ccedil;a foi capaz de provocar   modifica&ccedil;&otilde;es no contexto das rela&ccedil;&otilde;es afetivas familiares.   Desta forma, &eacute; poss&iacute;vel concluir que o grande investimento para    a interrup&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia talvez   esteja em ajudar as fam&iacute;lias agressoras a identificarem   e buscarem os recursos, internos e externos, para   supera&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia. Afinal, tratar e preservar as   rela&ccedil;&otilde;es familiares parece ser o meio mais eficaz de   garantir o crescimento e desenvolvimento da crian&ccedil;a   em seu pr&oacute;prio ambiente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O predom&iacute;nio do sexo feminino entre as    v&iacute;timas de   viol&ecirc;ncia tamb&eacute;m foi observado por outros autores<sup>20</sup>   que, ao analisarem as fam&iacute;lias atendidas pelo Crami,   em S&atilde;o Jos&eacute; do Rio Preto-SP encontraram frequ&ecirc;ncia   do sexo feminino em 60,0% dos casos. Semelhante &agrave;   presente investiga&ccedil;&atilde;o, o autor tamb&eacute;m relata em seu   estudo a varia&ccedil;&atilde;o dos sexos conforme a idade, com   predom&iacute;nio do sexo masculino at&eacute; sete anos, ocorrendo   a&iacute; uma invers&atilde;o, onde o sexo feminino passa a   predominar. Dados similares tamb&eacute;m foram revelados   em outros trabalhos da &aacute;rea em que houve predom&iacute;nio   do sexo feminino.<sup>27,37,47</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Alguns autores relacionam a maior preval&ecirc;ncia   de viol&ecirc;ncia no sexo feminino com fatores culturais,   que historicamente sempre impuseram a este sexo   condi&ccedil;&otilde;es de abuso, explora&ccedil;&atilde;o e discrimina&ccedil;&atilde;o   socialmente aceitas.<sup>36</sup> Estudos trazem, ainda, que o   sexo n&atilde;o &eacute; uma vari&aacute;vel que determina a ocorr&ecirc;ncia   de maus-tratos entre crian&ccedil;as e adolescentes.<sup>41</sup> Para   outros, entretanto, as quest&otilde;es de g&ecirc;nero e desigualdade   imp&otilde;em maior risco para as meninas.<sup>37</sup> Outro   fator a ser considerado em rela&ccedil;&atilde;o ao sexo &eacute; a quest&atilde;o   da maior notifica&ccedil;&atilde;o quando se trata de meninas. Ao   mesmo tempo, a maior capacidade de defesa, baseada   na for&ccedil;a f&iacute;sica dos meninos, pode explicar a menor   preval&ecirc;ncia no sexo masculino e sua expressiva queda   observada a partir dos sete anos de idade no presente   estudo. Poucos trabalhos brasileiros trazem a taxa de   incid&ecirc;ncia em cada faixa et&aacute;ria, calculada em rela&ccedil;&atilde;o   &agrave; popula&ccedil;&atilde;o total, restringindo-se a institui&ccedil;&otilde;es    espec&iacute;ficas,   o que dificultou a compara&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A maior incid&ecirc;ncia de viol&ecirc;ncia    contra faixas et&aacute;rias   menores de sete anos fundamenta-se na incapacidade das crian&ccedil;as menores    em escapar ou se defenderem   do abuso. Al&eacute;m disto, a caracter&iacute;stica destas crian&ccedil;as   de depend&ecirc;ncia do adulto para sua subsist&ecirc;ncia, bem   como sua fragilidade f&iacute;sica e de personalidade, as   tornam alvos f&aacute;ceis do poder dos adultos, levando &agrave;   incid&ecirc;ncia encontrada no presente estudo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Apesar da incid&ecirc;ncia baixa, chama a aten&ccedil;&atilde;o      a presen&ccedil;a   de casos entre os menores de um ano de idade,   fase considerada de total depend&ecirc;ncia, fragilidade e   de nenhuma capacidade de defesa. Neste sentido, a   preven&ccedil;&atilde;o durante o pr&eacute;-natal, parto e puerp&eacute;rio    torna-se fundamental, a fim de se identificar situa&ccedil;&otilde;es de   risco para a viol&ecirc;ncia e promover a&ccedil;&otilde;es de interven&ccedil;&atilde;o   imediatas e efetivas, contribuindo, assim, para evitar a   agress&atilde;o nesta faixa et&aacute;ria.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"> Estudos nacionais e internacionais da &aacute;rea    apontam   para um aumento significativo da viol&ecirc;ncia nos &uacute;ltimos   anos.<sup>19,22,32,41</sup> Entretanto, h&aacute; que se considerar a possibilidade   do aumento das notifica&ccedil;&otilde;es e a mudan&ccedil;a na   legisla&ccedil;&atilde;o que determina notifica&ccedil;&atilde;o obrigat&oacute;ria    dos   casos suspeitos, o que poderia levar &agrave; falsa interpreta&ccedil;&atilde;o   de aumento da viol&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Muitos autores ainda apontam que a real incid&ecirc;ncia   da viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as e adolescentes ainda &eacute;   desconhecida em virtude da dificuldade da crian&ccedil;a em   revel&aacute;-la e por tratar-se de um fen&ocirc;meno encoberto   pela fam&iacute;lia e sociedade, al&eacute;m da inadequada vigil&acirc;ncia   e dificuldade dos profissionais em diagnosticar e   notificar o evento.<sup>3,34,35,39</sup> Neste sentido, eles destacam   que as notifica&ccedil;&otilde;es por viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as    e   adolescentes ainda n&atilde;o constituem uma cultura internalizada   na sociedade brasileira, o que acarreta no   desconhecimento de sua magnitude e seu impacto,<sup>3,34</sup>   resultando em estat&iacute;sticas que n&atilde;o representam dados   absolutos<sup>39</sup> e sendo tratada como problema dos &acirc;mbitos   &iacute;ntimo e privado das fam&iacute;lias.<sup>21</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Para estudiosos da &aacute;rea, a viol&ecirc;ncia    contra menores   se mant&eacute;m oculta no interior dos lares, encoberta pelo   medo e constrangimento, fazendo com que muitos dos   atos de viol&ecirc;ncia praticados e testemunhados contra   crian&ccedil;as e adolescentes n&atilde;o sejam levados ao conhecimento   das autoridades, gerando um sentimento de   toler&acirc;ncia e cumplicidade, o que contribui para a menor   visibilidade da viol&ecirc;ncia praticada contra menores.<sup>45</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Apesar de a notifica&ccedil;&atilde;o ser importante    no combate   &agrave; viol&ecirc;ncia (produzindo benef&iacute;cios para os casos notificados)   e constituir-se em instrumento de controle   epidemiol&oacute;gico,<sup>48</sup> a sub-notifica&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia    ainda &eacute; uma realidade em muitos pa&iacute;ses, reconhecida culturalmente   como um processo de puni&ccedil;&atilde;o, e n&atilde;o como   um processo de assist&ecirc;ncia e aux&iacute;lio, prejudicando o   verdadeiro dimensionamento dos eventos violentos.<sup>35</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Uma vez que nem todos os casos s&atilde;o notificados,   os resultados aqui apresentados representam apenas   uma aproxima&ccedil;&atilde;o da realidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O aumento expressivo da viol&ecirc;ncia no per&iacute;odo    estudado   revela a necessidade de programas e pol&iacute;ticas   espec&iacute;ficos que visem sua redu&ccedil;&atilde;o e preven&ccedil;&atilde;o,    bem   como estudos que aprofundem a compreens&atilde;o deste   fen&ocirc;meno.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Neste sentido, &eacute; preciso estudar e compreender    as   causas da viol&ecirc;ncia contra a crian&ccedil;a e o adolescente,   cujo enfrentamento requer medidas que se contrap&otilde;em   a interesses econ&ocirc;micos, pol&iacute;ticos e h&aacute;bitos   culturais.<sup>49</sup> Atuar contra as causas da viol&ecirc;ncia engloba   estrat&eacute;gias que melhorem a prec&aacute;ria qualidade das   estat&iacute;sticas para que a sociedade conhe&ccedil;a os reais   &iacute;ndices de viol&ecirc;ncia. Al&eacute;m disso, deve-se adotar medidas   que diminuam a desigualdade social, geradora   de in&uacute;meras situa&ccedil;&otilde;es violentas, tais como a mis&eacute;ria,   as m&aacute;s condi&ccedil;&otilde;es de habita&ccedil;&atilde;o e trabalho,    a falta de   controle do tr&aacute;fico de drogas e de armas, a delinqu&ecirc;ncia,   o abandono e o descaso da sociedade e do estado   no enfrentamento da viol&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Diante deste contexto, merecedor de aten&ccedil;&atilde;o    por   todos os setores, alguns autores<sup>21</sup> destacam a necessidade   de a&ccedil;&otilde;es interdisciplinares, interprofissionais   e multisetoriais, para que se possam construir os   direitos humanos e sociais que culminem na redu&ccedil;&atilde;o   de eventos de viol&ecirc;ncia em nossa sociedade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; preciso destacar que a car&ecirc;ncia    de informa&ccedil;&otilde;es e   a relativa inconsist&ecirc;ncia de dados relativos &agrave; viol&ecirc;ncia   praticada contra a crian&ccedil;a e o adolescente prejudicam   a real estimativa do evento. Estudos nacionais e internacionais   apontam para a qualidade da informa&ccedil;&atilde;o como   uma quest&atilde;o vital na discuss&atilde;o sobre a viol&ecirc;ncia.<sup>35,42,50</sup>   Sendo assim, torna-se essencial o treinamento adequado   e cont&iacute;nuo dos recursos humanos envolvidos   com a notifica&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia contra menores. O   investimento em pessoal especializado pode contribuir   para o melhor registro das informa&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias   para que se conhe&ccedil;am as caracter&iacute;sticas da crian&ccedil;a   violentada, seu agressor, as circunst&acirc;ncias em que   ocorrem estas viol&ecirc;ncias, entre outras caracter&iacute;sticas   vitais para a an&aacute;lise deste importante agravo na popula&ccedil;&atilde;o   infanto-juvenil.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ressalta-se, ainda, que al&eacute;m da melhora    no registro   da informa&ccedil;&atilde;o, a constru&ccedil;&atilde;o de banco de dados e   sistemas de informa&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m se torna relevante,   pois permite monitorar o problema, identificar padr&otilde;es   de comportamento do evento, gerar hip&oacute;teses   para estudos de investiga&ccedil;&atilde;o, servir para a tomada de   decis&atilde;o, avaliar programas de preven&ccedil;&atilde;o e aten&ccedil;&atilde;o,   emitir relat&oacute;rios peri&oacute;dicos atuais com agilidade,   al&eacute;m de produzir informa&ccedil;&atilde;o confi&aacute;vel e oportuna.   Para Laverde,<sup>50</sup> a vigil&acirc;ncia em sa&uacute;de p&uacute;blica deve   contar com um sistema de informa&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fico para   a viol&ecirc;ncia como parte dos programas de aten&ccedil;&atilde;o e   preven&ccedil;&atilde;o de maus-tratos ao menor.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"> Conhecer os dados epidemiol&oacute;gicos acerca    da viol&ecirc;ncia   contra crian&ccedil;as e adolescentes pode contribuir   para o dimensionamento do problema e suas caracter&iacute;sticas,   subsidiando a identifica&ccedil;&atilde;o de prioridades   direcionadas para a aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s vitimas, na vigil&acirc;ncia   e na defini&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas de sa&uacute;de espec&iacute;ficas,    em   n&iacute;vel local. Considerando a dificuldade de notifica&ccedil;&atilde;o   deste tipo de agravo nos sistemas de vigil&acirc;ncia em   sa&uacute;de, tornam-se relevantes estudos que busquem   outras fontes alternativas de informa&ccedil;&atilde;o, permitindo   descrever e compreender o fen&ocirc;meno da viol&ecirc;ncia na   inf&acirc;ncia e adolesc&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Destaca-se a necessidade da forma&ccedil;&atilde;o    de redes   de atendimento que integrem os servi&ccedil;os existentes, priorizem pol&iacute;ticas    para enfrentamento e redu&ccedil;&atilde;o da   viol&ecirc;ncia, viabilizem recursos e possibilitem melhorar   a qualidade do atendimento e tratamento, proporcionando   meios e estrat&eacute;gias que realmente sejam capazes   de identificar e interromper as agress&otilde;es praticadas   contra a crian&ccedil;a e o adolescente. As reincid&ecirc;ncias   verificadas no presente estudo refor&ccedil;am a necessidade   de atendimento integral e integrado em uma rede   de apoio, que possa contribuir para a interven&ccedil;&atilde;o   precoce, redu&ccedil;&atilde;o de sequelas, acompanhamento das   v&iacute;timas, reabilita&ccedil;&atilde;o e formas efetivas de preven&ccedil;&atilde;o,   contribuindo, assim, para que se diminua o sofrimento   f&iacute;sico, moral e psicol&oacute;gico causado nas crian&ccedil;as e   adolescentes v&iacute;timas de maus-tratos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A&ccedil;&otilde;es conjuntas entre a sa&uacute;de,    setores p&uacute;blicos   e sociedade civil tamb&eacute;m s&atilde;o importantes no enfrentamento   da viol&ecirc;ncia. H&aacute; ainda que se pensar na   articula&ccedil;&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es geradas pelas pesquisas   com a a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e com a pr&aacute;tica do setor sa&uacute;de    na   aten&ccedil;&atilde;o e preven&ccedil;&atilde;o deste importante agravo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Agradecimentos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Agradecemos &agrave; Coordena&ccedil;&atilde;o    de Aperfei&ccedil;oamento   de Pessoal de N&iacute;vel Superior (Capes) e ao Conselho   Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico   (CNPq) pela concess&atilde;o de bolsas de estudo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 1. Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de.    Classifica&ccedil;&atilde;o estat&iacute;stica   internacional de doen&ccedil;as e problemas relacionados   &agrave; sa&uacute;de. D&eacute;cima Revis&atilde;o (CID-10). 8<sup>a</sup> ed. S&atilde;o    Paulo:   Editora da Universidade de S&atilde;o Paulo; 2000.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 2. Assis SG, Constantino P. Viol&ecirc;ncia    contra crian&ccedil;as e   adolescentes: o grande investimento da comunidade   acad&ecirc;mica na d&eacute;cada de 90. In: Minayo MCS,   organizador. Viol&ecirc;ncia sob o olhar da sa&uacute;de:   infrapol&iacute;tica da contemporaneidade brasileira. Rio de   Janeiro: Editora Fiocruz; 2003. p. 163-189.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 3. Arcos E, Uarac M, Molina I. Impacto de la    viol&ecirc;ncia   dom&eacute;stica e la salud infantil. Revista M&eacute;dica de Chile   2003;131:1454-1462.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 4. Assis SG, Avanci JQ, Santos NC, Malaquias    JV, Oliveira   RVC. Viol&ecirc;ncia e representa&ccedil;&atilde;o social na adolesc&ecirc;ncia   no Brasil. Revista Panamericana de Salud Publica   2004;16(1):43-51.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">5. Mendon&ccedil;a RNS, Alves JGB, Filho JEC.    Gastos   hospitalares com crian&ccedil;as e adolescentes v&iacute;timas de   viol&ecirc;ncia, no Estado de Pernambuco, Brasil, em 1999.   Cadernos de Sa&uacute;de P&uacute;blica 2002;18(6):294-296.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 6. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, Datasus.      Morbidade e   mortalidade, 2005 &#091;Internet&#093;. Bras&iacute;lia: MS &#091;citado   2009 fev 20&#093;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.datasus.gov.br/tabnet" target="_blank">http//:www.datasus.gov.br/tabnet</a>.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 7. Krug EG, Dahlberg LL, Mercy JA, Zwi AB, Lozano    R.   World report on violence and health. Geneva: World   Health Organization; 2002.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 8. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Estatuto    da crian&ccedil;a e do   adolescente. 2<sup>a</sup> ed. Bras&iacute;lia: MS; 2003.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 9. Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, Secretaria    Estadual de   Direitos Humanos. Plano nacional de enfrentamento   da viol&ecirc;ncia sexual infanto-juvenil. Bras&iacute;lia:   MJ; 2001a.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">10. Brasil. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de.    Portaria n<sup>o</sup> 737, de 16 de   maio de 2001. Institui a pol&iacute;tica nacional de redu&ccedil;&atilde;o   da morbi-mortalidade por acidentes e viol&ecirc;ncias.   Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o, Bras&iacute;lia, p. 3e, 18 maio   2001b. Se&ccedil;&atilde;o 1.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 11. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, Secretaria    de Pol&iacute;ticas de Sa&uacute;de.   Viol&ecirc;ncia intrafamiliar: orienta&ccedil;&otilde;es para a pr&aacute;tica    em   servi&ccedil;o. Bras&iacute;lia: MS; 2002a.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 12. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, Secretaria    de Assist&ecirc;ncia &agrave;   Sa&uacute;de. Notifica&ccedil;&atilde;o de maus-tratos contra crian&ccedil;as    e   adolescentes pelos profissionais de sa&uacute;de: um passo a   mais na cidadania em sa&uacute;de. Bras&iacute;lia: MS; 2002b.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 13. Souza ER, Mello Jorge MHP. Impacto da viol&ecirc;ncia   na inf&acirc;ncia e adolesc&ecirc;ncia brasileiras: magnitude   da morbimortalidade. In: Viol&ecirc;ncia faz mal &agrave; sa&uacute;de.   Bras&iacute;lia: MS; 2004. p. 23-28.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 14. Oliveira VLA, Ribeiro CR, Albuquerque C.    Notifica&ccedil;&atilde;o   obrigat&oacute;ria da viol&ecirc;ncia ou suspeita de viol&ecirc;ncia   contra crian&ccedil;as e adolescentes: construindo uma   rede de prote&ccedil;&atilde;o. Divulga&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de para    Debate   2003;26:66-72.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 15. Waiselfisz JJ. Mapa da viol&ecirc;ncia IV:    os jovens   no Brasil. Bras&iacute;lia: Unesco; Instituto Ayrton   Senna; Secretaria Estadual dos Direitos Humanos;   2004.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 16. Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a. Sistema    de Informa&ccedil;&atilde;o para a Inf&acirc;ncia e Adolesc&ecirc;ncia &#8211;    SIPIA &#091;Internet&#093;. Bras&iacute;lia: MJ &#091;citado 2009 abr 05&#093;. Dispon&iacute;vel    em: <a href="http://www.mj.gov.br/sipia" target="_blank">http//:www.mj.gov.br/sipia</a>.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 17. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, Secretaria    de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de. Nota T&eacute;cnica: Sistema de Informa&ccedil;&atilde;o    de Vigil&acirc;ncia de Viol&ecirc;ncias e Acidentes em Servi&ccedil;os Sentinela    &#8211; VIVA (Notifica&ccedil;&atilde;o/Investiga&ccedil;&atilde;o Individual    de Viol&ecirc;ncia Dom&eacute;stica, Sexual e/ou outras Viol&ecirc;ncias; e    Notifica&ccedil;&atilde;o de Acidentes e Viol&ecirc;ncias em Unidades de Urg&ecirc;ncia    e Emerg&ecirc;ncia) &#091;Internet&#093;. Bras&iacute;lia: MS; 2006 &#091;citado 2008 abr 05&#093;.    Dispon&iacute;vel em <a href="http://portal.saude.gov.br/portal/saude/" target="_blank">http://www.saude.gov.br</a>.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 18. Scherer EA, Scherer ZAP. A crian&ccedil;a    maltratada: uma   revis&atilde;o da literatura. Revista Latino-Americana de   Enfermagem 2000:17(3):521-531.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 19. Mc Alister A, Sandstrom P, Puska P, Veijo    A, Chereches   R, Heidmets LT. Attitudes towards war, killing and   punishment of children among young people in   Estonia, Finland, Romania, the Russian Federation,   and the USA. Bulletin of the World Health Organization   2001:79(5):382-387.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">20. Brito AM, Zanetta DM, Mendon&ccedil;a RC,    Barison SZ,   Andrade VAG. Viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica contra crian&ccedil;as e   adolescentes: estudo de um programa de interven&ccedil;&atilde;o.   Ci&ecirc;ncia e Sa&uacute;de Coletiva 2005;10(1):143-149.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 21. Minayo MCS. O significado social e para    a sa&uacute;de da   viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as e adolescentes. In: Westphal   MF, organizador. Viol&ecirc;ncia e crian&ccedil;a. S&atilde;o Paulo:   Editora da Universidade de S&atilde;o Paulo; 2002. p. 95-   114.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 22. Gomes R, Deslandes SF, Veiga MM, Bhering    C, Santos   JFC. Por que as crian&ccedil;as s&atilde;o maltratadas? Explica&ccedil;&otilde;es   para a pr&aacute;tica de maus-tratos infantis na literatura.   Cadernos de Sa&uacute;de P&uacute;blica 2002a;18(3):707-714.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 23. Gardner JM, Powell CA, Thomas JA, Millard    D.   Perceptions and experiences of violence among   secondary school students in urban Jamaica. Revista   Panamericana de Salud Publica 2003:14(2):97-103.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 24. Reichenheim ME, Moraes CL. Adapta&ccedil;&atilde;o    transcultural   do instrumento Parent Child Conflict Tactis Scales   (CTSPC) utilizado para identificar a viol&ecirc;ncia contra   crian&ccedil;a e adolescente. Cadernos de Sa&uacute;de P&uacute;blica   2003;19(6):1701-1712.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 25. Pordeus AMJ, Fraga MNO, Fa&ccedil;o TPP.    A&ccedil;&otilde;es de   preven&ccedil;&atilde;o dos acidentes e viol&ecirc;ncias em crian&ccedil;as    e   adolescentes, desenvolvidas pelo setor p&uacute;blico de   sa&uacute;de de Fortaleza, Cear&aacute;, Brasil. Cadernos de Sa&uacute;de   P&uacute;blica 2003;19(4):1201-1204.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 26. American Humane Association; American Association   for Protecting Children. Highlights of Official Child   Neglet and Abuse Reporting, 2001 &#091;Internet&#093;. Denver:   The Association &#091;cited 2008 Fev. 20&#093;. Available from:   <a href="http://www.americanhumaneassociation.org" target="_blank">www.americanhumaneassociation.org.documents.htm</a>.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 27. Lopes MVG, Tavares Jr PA. Maus-tratos: 57   observa&ccedil;&otilde;es em enfermaria. Pediatria Moderna   2000;36(10):684-688.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 28. De Lorenzi DRS, Pontalti L, Flech RM. Maus    tratos na   inf&acirc;ncia e adolesc&ecirc;ncia: an&aacute;lise de 100 casos. Revista   Cient&iacute;fica da AMECS 2001;10(1):47-52.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 29. Vizcarra MB, Cort&eacute;s J, Bustos L,    Alarc&oacute;n M, Mu&ntilde;oz   S. Maltrato infantil en la ciudad de Temuco. Estudio   de preval&ecirc;ncia y fatores asociados. Revista M&eacute;dica de   Chile 2001;129(12):1425-1432.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 30. Creighton SJ. Prevalence and incidence     of  child abuse: international comparisons. NSPCC Information Briefings.     April 2004    &#091;Internet&#093;. London: NSPCC &#091;cited 2008 Fev. 20&#093;. Available   from: <a href="http://www.nspcc.org.uk/Inform/OnlineResources/InformationBriefings/PrevalenceAndIncidenceOfChildAbuse." target="_blank">http://www.nspcc.org.uk/Inform/OnlineResources/InformationBriefings/PrevalenceAndIncidenceOfChildAbuse.</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">31. 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