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<journal-title><![CDATA[Epidemiologia e Serviços de Saúde]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Percepção e condutas de profissionais da Estratégia Saúde da Família acerca de reações adversas a medicamentos]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[OBJECTIVE: to identify perceptions and practices of Family Health Strategy professionals from a Health Region of Ceará state concerning adverse drug reaction (ADR). METHODOLOGY: cross-sectional, descriptive study. A questionnaire was applied to 123 health care professionals (physicians, nurses and dentists) from March to May 2008. RESULTS: the majority of the respondents was female, aged between 20-29years and recently graduated. Most of the respondents (65,9%) considered that the teaching about ADR during their graduation courses was insufficient and 78,9% informed trying to keep themselves updated on this issue reading The Pharmaceutical Specialties Dictionary, a publication supported by pharmaceutical companies. Only 5,7% demonstrated adequate knowledge about ADR definition as proposed by the World Health organization and adopted in Brazil. Only 39,0% informed to investigate, regularly, ADR on their patients. The report to the physician was the action informed by nurses when facing ADR, however none of them reported the case to The National or State Pharmacovigilance System. CONCLUSION: as the Family Health Strategy is a pillar of the Brazilian health system organization and it is strongly based on a new link between health professionals and the service users, it is very important do develop initiativesfor training, information and mobilization of these professionals regarding rational use of medicines, particularly pharmacovigilance.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><B><A name="topo"></A></B><STRONG><font size="2" face="verdana">ARTIGO   ORIGINAL </font></STRONG></p>     <p align="right">&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Percep&ccedil;&atilde;o  e condutas de profissionais da Estrat&eacute;gia Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia acerca de rea&ccedil;&otilde;es  adversas a medicamentos<a href="#endereco"><sup>*</sup></a></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Perceptions  and behavior of a Family Health Strategy professionals concerning to adverse  reactions to medicines</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Luiza Herbene Mac&ecirc;do Soares Salviano<sup>I</sup>; Vera  Lucia Luiza<sup>II</sup>; &Acirc;ngela Maria de Souza Ponciano<sup>III</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><SUP>I</SUP>Secretaria Municipal de Sa&uacute;de, Jardim-CE, Brasil    <br>   <sup>II</sup>N&uacute;cleo de Assist&ecirc;ncia Farmac&ecirc;utica, Escola Nacional de Sa&uacute;de  P&uacute;blica, Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro-RJ, Brasil    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <sup>III</sup>Universidade Federal do Cear&aacute;, Fortaleza-CE, Brasil</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><strong>OBJETIVO</strong></font><font size="2" face="verdana"><b>: </b>identificar a percep&ccedil;&atilde;o e as  condutas adotadas por profissionais de sa&uacute;de da fam&iacute;lia de uma das regionais de  sa&uacute;de do Cear&aacute; sobre rea&ccedil;&otilde;es adversas a medicamentos (RAM).    <br>   </font><font size="2" face="Verdana"><strong>METODOLOGIA</strong></font><font size="2" face="verdana"><b>: </b>realizado  um estudo transversal, descritivo. Aplicado um question&aacute;rio a 123 profissionais  de sa&uacute;de (m&eacute;dicos, enfermeiros e odont&oacute;logos), de mar&ccedil;o a maio de 2008.    <br>   </font><font size="2" face="Verdana"><strong>RESULTADOS</strong></font><font size="2" face="verdana"><b>: </b>a maioria dos entrevistados  era jovem, do sexo feminino e tinha pouco tempo de formado. A maioria - 65,9% -  considerava que os ensinamentos sobre RAM adquiridos na universidade foram  insuficientes e 78,9% informaram que se atualizam freq&uuml;entemente sobre o tema,  utilizando principalmente o Dicion&aacute;rio de Especialidades Farmac&ecirc;uticas (DEF),  publica&ccedil;&atilde;o patrocinada por empresas farmac&ecirc;uticas. Apenas 5,7% demonstrou  compreender corretamente o conceito de rea&ccedil;&atilde;o adversa a medicamento proposto  pela Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de e adotado no Brasil, e somente 39,0%  declararam investigar frequentemente nos pacientes a ocorr&ecirc;ncia de RAM.  Comunica&ccedil;&atilde;o ao m&eacute;dico foi a conduta informada pelos enfermeiros diante de RAM,  embora nenhum deles relatasse notificar ao Sistema Nacional ou Estadual de  Farmacovigil&acirc;ncia.    <br>   </font><font size="2" face="Verdana"><strong>CONCLUS&Atilde;O</strong></font><font size="2" face="verdana"><b>: </b>sendo a Estrat&eacute;gia de Sa&uacute;de  da Fam&iacute;lia um pilar da organiza&ccedil;&atilde;o do sistema de sa&uacute;de no Brasil e que sua a&ccedil;&atilde;o  repousa na mudan&ccedil;a de v&iacute;nculo com os usu&aacute;rios, considera-se importante  desenvolver iniciativas de treinamento, informa&ccedil;&atilde;o e conscientiza&ccedil;&atilde;o desses  profissionais quanto ao uso racional de medicamentos, em particular a  farmacovigil&acirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Palavras-chave: </b>rea&ccedil;&otilde;es adversas  a medicamentos; farmacovigil&acirc;ncia; Estrat&eacute;gia Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia.</font></p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b>SUMMARY</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><strong>OBJECTIVE</strong></font><font size="2" face="verdana"><b>: </b>to identify perceptions and practices of Family Health Strategy professionals  from a Health Region of Cear&aacute; state concerning adverse drug reaction (ADR).    <br>     </font><font size="2" face="Verdana"><strong>METHODOLOGY</strong></font><font size="2" face="verdana"><b>: </b>cross-sectional, descriptive study. A questionnaire was applied to 123 health  care professionals (physicians, nurses and dentists) from March to May 2008.    <br>     </font><font size="2" face="Verdana"><strong>RESULTS</strong></font><font size="2" face="verdana"><b>: </b>the majority of the respondents was female, aged between 20-29years and  recently graduated. Most of the respondents (65,9%) considered that the  teaching about ADR during their graduation courses was insufficient and 78,9% informed  trying to keep themselves updated on this issue reading The Pharmaceutical  Specialties Dictionary, a publication supported by pharmaceutical companies.  Only 5,7% demonstrated adequate knowledge about ADR definition as proposed by  the World Health organization and adopted in Brazil. Only 39,0% informed to  investigate, regularly, ADR on their patients. The report to the physician was  the action informed by nurses when facing ADR, however none of them reported  the case to The National or State Pharmacovigilance System.    <br>     </font><font size="2" face="Verdana"><strong>CONCLUSION</strong></font><font size="2" face="verdana"><b>: </b>as the Family Health Strategy is a pillar of the Brazilian health  system organization and it is strongly based on a new link between health  professionals and the service users, it is very important do develop  initiativesfor training, information and mobilization of these professionals  regarding rational use of medicines, particularly pharmacovigilance.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Key words: </b>adverse drug reaction; pharmacovigilance; Family Health Strategy.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">De acordo com a  literatura, os medicamentos podem aumentar a expectativa de vida, erradicar  certas doen&ccedil;as, trazer benef&iacute;cios sociais e econ&ocirc;micos. Por outro lado, podem, se utilizados irracionalmente, aumentar os gastos  com sa&uacute;de p&uacute;blica ou levar &agrave; ocorr&ecirc;ncia de problemas relacionados a  medicamentos, como as rea&ccedil;&otilde;es adversas a  medicamentos (RAM), acarretando consider&aacute;vel impacto delet&eacute;rio &agrave; sa&uacute;de da  popula&ccedil;&atilde;o.<sup>1</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">As RAM representam  importante problema de sa&uacute;de p&uacute;blica, sendo causas importantes de  hospitaliza&ccedil;&atilde;o, contribuindo com o aumento do tempo de perman&ecirc;ncia hospitalar, afetando negativamente a  qualidade de vida do paciente, aumentando custos. E podem atrasar tratamentos,  uma vez que se assemelham a enfermidades.<sup>2</sup> Al&eacute;m disso, podem levar  ao &oacute;bito ou serem respons&aacute;veis por les&otilde;es irrevers&iacute;veis.<sup>3</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">De acordo com a  Organiza&ccedil;&atilde;o Pan-Americana da Sa&uacute;de (OPAS),<sup>4</sup> em 2002, a Unidade de Farmacovigil&acirc;ncia  (Ufarm) da Ag&ecirc;ncia Nacional de Vigil&acirc;ncia Sanit&aacute;ria (Anvisa) registrou 629 notifica&ccedil;&otilde;es de RAM, tanto de medicamentos alop&aacute;ticos  quanto fitoter&aacute;picos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Para a detec&ccedil;&atilde;o e  preven&ccedil;&atilde;o, quando poss&iacute;vel, das RAM &eacute; importante que os profissionais de sa&uacute;de  conhe&ccedil;am e valorizem a quest&atilde;o, sendo a subnotifica&ccedil;&atilde;o um dos mais importantes  desafios enfrentados em todo o mundo,<sup>5-7</sup> incluindo as de rea&ccedil;&otilde;es graves e fatais<sup>6</sup>  e aquelas envolvendo medicamentos novos.<sup>8</sup> Estudo realizado na  Fran&ccedil;a revelou que m&eacute;dicos generalistas, se deparam, em m&eacute;dia com dois eventos  de rea&ccedil;&otilde;es adversas por dia de trabalho, sendo estimado que apenas uma em cada 24.433 rea&ccedil;&otilde;es eram relatadas ao  Centro Regional de Farmacovigil&acirc;ncia.<sup>7</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O programa de Sa&uacute;de  da Fam&iacute;lia constitui estrat&eacute;gia basilar de organiza&ccedil;&atilde;o da aten&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica no  Brasil, tendo entre seus desafios traduzir em pr&aacute;tica a mudan&ccedil;a de v&iacute;nculo  entre o sistema de sa&uacute;de e os usu&aacute;rios. Os profissionais envolvidos est&atilde;o em  permanente e direto  contato com a popula&ccedil;&atilde;o-alvo, permitindo-lhes,  potencialmente,  detectar agravos e desencadear medidas de forma oportuna.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Este trabalho visa  avaliar a percep&ccedil;&atilde;o e condutas dos profissionais de Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia diante de  suspeitas de RAM.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Metodologia</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Tratou-se de  estudo transversal, descritivo. Foram entrevistados os enfermeiros, odont&oacute;logos e m&eacute;dicos que atuam nas equipes de Sa&uacute;de da  Fam&iacute;lia da 21<sup>a</sup> Coordenadoria Regional de Sa&uacute;de (CRES), no Estado do  Cear&aacute;, que foi escolhida por ser o local de atua&ccedil;&atilde;o da  pesquisadora principal, facilitando a coleta de dados, e por constituir unidade  organizativa para implementa&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias relacionadas &agrave; detec&ccedil;&atilde;o, investiga&ccedil;&atilde;o e notifica&ccedil;&atilde;o de rea&ccedil;&otilde;es adversas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A 21<sup>a</sup> CRES  &eacute; composta por seis munic&iacute;pios (Juazeiro do Norte-CE, Barbalha-CE, Miss&atilde;o  Velha-CE, Cariria&ccedil;u-CE, Jardim-CE e Grangeiro-CE), correspondendo a 349.192 habitantes, ou seja, 4,7% da popula&ccedil;&atilde;o do  Estado. H&aacute; 107 equipes de Sa&uacute;de da  Fam&iacute;lia (ESF) atuando nessa regional.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As equipes foram  listadas, numeradas e, feito sorteio, resultaram em 52, cada uma com tr&ecirc;s profissionais de n&iacute;vel superior  (m&eacute;dico, odont&oacute;logo e enfermeiro) conforme recomenda&ccedil;&atilde;o da composi&ccedil;&atilde;o m&iacute;nima pelo Minist&eacute;rio da  Sa&uacute;de. Os profissionais de sa&uacute;de foram entrevistados individualmente, no  servi&ccedil;o de sa&uacute;de. Foi realizado teste-piloto com profissionais de  sa&uacute;de de um munic&iacute;pio vizinho, no sentido de minimizar inconsist&ecirc;ncias no  instrumento.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">A  coleta de dados foi realizada entre mar&ccedil;o e maio de 2008, por meio de  question&aacute;rio estruturado com perguntas abertas e fechadas, tendo como  refer&ecirc;ncia o instrumento de coleta de dados desenvolvido por Ponciano,<sup>9</sup>  para abordagem e caracteriza&ccedil;&atilde;o dos profissionais, percep&ccedil;&atilde;o e condutas acerca  das RAM.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O question&aacute;rio foi  composto por cinco blocos: 1) Caracteriza&ccedil;&atilde;o dos  profissionais: sexo, idade, tempo de formado e &aacute;rea de atua&ccedil;&atilde;o; 2) Conhecimento acerca  das RAM; 3) Condutas adotadas em rela&ccedil;&atilde;o as RAM; 4) Import&acirc;ncia da farmacovigil&acirc;ncia; e 5) Condutas espec&iacute;ficas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s RAM.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Nas perguntas de resposta m&uacute;ltipla, cada alternativa era  apresentada indagando <b>sim </b>ou <b>n&atilde;o, </b>de forma a minimizar erros de  preenchimento, tendo sempre uma alternativa de &quot;outros/quais&quot; para  captar possibilidades que tivessem fugido do alcance da aplica&ccedil;&atilde;o-piloto.  Apenas as perguntas &quot;O que voc&ecirc; entende por Rea&ccedil;&atilde;o Adversa a  Medicamento?&quot;, e &quot;Cite dois principais tipos de rea&ccedil;&otilde;es adversas a  medicamentos observados durante sua vida profissional e quais os medicamentos  que os provocaram&quot;, esta feita apenas aos m&eacute;dicos, foram abertas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Para o julgamento do grau de conhecimento dos profissionais quanto  ao conceito de RAM, utilizou-se como par&acirc;metro a defini&ccedil;&atilde;o preconizada pela  OMS: &quot;<i>Qualquer efeito prejudicial ou indesej&aacute;vel, n&atilde;o intencional, que  se apresente ap&oacute;s a administra&ccedil;&atilde;o das doses normalmente utilizadas no homem  para profilaxia, diagn&oacute;stico e tratamento de uma enfermidade</i>&quot;<i>.</i><sup>10</sup> Para efeito de an&aacute;lise, essa defini&ccedil;&atilde;o foi subdividida nos  seguintes itens: 1) efeito prejudicial ou indesej&aacute;vel; 2) que se apresente ap&oacute;s  a administra&ccedil;&atilde;o das doses normalmente utilizadas no homem; 3) ocorre em doses  utilizadas para profilaxia, diagn&oacute;stico e tratamento de uma enfermidade. Para facilitar a  pontua&ccedil;&atilde;o das respostas, a defini&ccedil;&atilde;o foi classificada em: Totalmente Correta,  quando o profissional fazia refer&ecirc;ncia aos tr&ecirc;s itens que comp&otilde;em a defini&ccedil;&atilde;o;  Parcialmente Correta, quando o profissional mencionava um ou dois itens da  defini&ccedil;&atilde;o; e Incorreta, quando o que foi referido pelo profissional n&atilde;o tinha coer&ecirc;ncia  com qualquer item referido na defini&ccedil;&atilde;o. As respostas foram classificadas  independentemente, pelas tr&ecirc;s autoras, sendo considerada no computo a  coincid&ecirc;ncia de pelo menos duas avalia&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O banco de dados foi estruturado no Epi Info 3.4.3 e a  an&aacute;lise estat&iacute;stica, prioritariamente descritiva, foi realizada mediante testes  qui-quadrado para verifica&ccedil;&atilde;o de exist&ecirc;ncia de associa&ccedil;&atilde;o entre as vari&aacute;veis qualitativas, utilizando o <i>software </i>Statistic Package for Social Sciences (SPSS) para Windows<sup>&#174;</sup>, vers&atilde;o 12.0.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Considera&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os profissionais de sa&uacute;de foram informados antecipadamente dos  objetivos da pesquisa, bem como do direito de desistir de sua participa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o  havendo identifica&ccedil;&atilde;o dos mesmos. Foram solicitados a manifestar sua  compreens&atilde;o e anu&ecirc;ncia pela assinatura do Termo de Consentimento Livre e  Esclarecido. O  projeto foi aprovado pelo Comit&ecirc; de &Eacute;tica da Escola Nacional de  Sa&uacute;de P&uacute;blica S&eacute;rgio Arouca (ENSP) sob o no 187/07. Foi solicitada anu&ecirc;ncia dos  secret&aacute;rios de sa&uacute;de dos munic&iacute;pios inclu&iacute;dos no estudo para a abordagem dos  profissionais em reuni&otilde;es de rotina.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Resultados</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Foram entrevistados 123 profissionais: enfermeiros (40,7%),  m&eacute;dicos (30,9%) e odont&oacute;logos  (28,5%). As recusas concentraram-se na categoria m&eacute;dica,  correspondendo a 5,0% dos entrevistados.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Observou-se predomin&acirc;ncia do sexo feminino (59,3%), bem como das  faixas et&aacute;rias de 20-29 (36,6%) e 30-39 anos (30,1%). A categoria profissional  com maior propor&ccedil;&atilde;o foi a de enfermeiro (40,7%). A maioria dos entrevistados  tinha menos de cinco anos de forma&ccedil;&atilde;o (39,8%), apresentando menos de dois anos  de atua&ccedil;&atilde;o no munic&iacute;pio (48,8%).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Quanto ao n&iacute;vel de informa&ccedil;&atilde;o acerca de RAM, apenas 5,7% dos  profissionais o expressaram de forma classificada como correta. Dos  entrevistados, 65,9% consideram que os conhecimentos adquiridos na forma&ccedil;&atilde;o  universit&aacute;ria sobre RAM foram insuficientes. A maioria dos profissionais afirma  que costuma se atualizar sobre o tema (78,9%), ainda que o Dicion&aacute;rio de  Especialidades Farmac&ecirc;uticas (DEF) tenha sido a fonte mais referida (72,4%).  Entre as ferramentas oferecidas pelo Programa Nacional de Farmacovigil&acirc;ncia,  destaca-se o formul&aacute;rio de notifica&ccedil;&atilde;o de rea&ccedil;&atilde;o adversa (29,3%) como o mais  referido pelos profissionais de sa&uacute;de (<a href="#t1">Tabela 1</a>).</font></p>     <p><a name="t1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/ess/v20n1/1a06t1.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Considerando o tempo de forma&ccedil;&atilde;o profissional, observou-se que o  grupo com 11 anos e mais de formado foi o que mais declarou ter buscado atualiza&ccedil;&atilde;o  sobre RAM (42,3%) e, neste grupo, apenas 12,8% (6/47) declarou n&atilde;o ter buscado  atualiza&ccedil;&atilde;o. A busca por atualiza&ccedil;&atilde;o foi maior entre os enfermeiros do que  entre m&eacute;dicos e odont&oacute;logos, em que pese ter sido baixa a signific&acirc;ncia estat&iacute;stica  (p-valor = 0,202) (<a href="#t2">Tabela 2</a>).</font></p>     <p><a name="t2" id="t2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/ess/v20n1/1a06t2.gif" border="0"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"></font><font size="2" face="verdana">Dos m&eacute;dicos, 86,8% referiram perguntar sempre ou frequentemente aos  pacientes acerca do surgimento de RAM, enquanto que 62,0 e 77,1%,  respectivamente de enfermeiros e odontol&oacute;gos, relataram faz&ecirc;-lo. Os enfermeiros  foram os profissionais que mais declararam receber relatos espont&acirc;neos dos  pacientes sobre RAM (50%), em rela&ccedil;&atilde;o aos m&eacute;dicos e odont&oacute;logos. A maioria dos profissionais (82,1%)  relatou  informar aos pacientes sobre RAM durante o atendimento (<a href="#t3">Tabela 3</a>).</font></p>     <p><a name="t3" id="t3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/ess/v20n1/1a06t3.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">O principal motivo  declarado pelos profissionais de sa&uacute;de para informarem aos pacientes sobre o  aparecimento de rea&ccedil;&otilde;es &eacute; o fato de ajudar na ades&atilde;o ao tratamento (63,4%) e considerar ser  direito do paciente tomar conhecimento dos efeitos adversos do uso dos  medicamentos (79,7%).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Esquemas terap&ecirc;uticos  em que s&atilde;o administrados v&aacute;rios f&aacute;rmacos de forma simult&acirc;nea e o desconhecimento pelos profissionais  de sa&uacute;de acerca do assunto foram os mais relatados pelos profissionais de sa&uacute;de  como fatores que dificultam a  identifica&ccedil;&atilde;o de rea&ccedil;&otilde;es adversas (91,9 e 75,6%, respectivamente)  (<a href="#t4">Tabela 4</a>).</font></p>     <p><a name="t4" id="t4"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="img/revistas/ess/v20n1/1a06t4.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s  condutas por categoria, 50 (100,0%) enfermeiros relataram  que, diante de suspeitas de rea&ccedil;&otilde;es adversas a medicamentos, sua conduta mais adotada foi a comunica&ccedil;&atilde;o do  fato ao profissional m&eacute;dico. M&eacute;dicos e odont&oacute;logos relataram como condutas mais frequentes,  diante de suspeita de RAM, a mudan&ccedil;a da terap&ecirc;utica medicamentosa e a suspens&atilde;o  do tratamento (83,6%) e nenhum deles  informou a notifica&ccedil;&atilde;o ao Sistema Nacional ou Estadual de Farmacovigil&acirc;ncia  (<a href="#t5">Tabela 5</a>).</font></p>     <p><a name="t5" id="t5"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/ess/v20n1/1a06t5.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os profissionais de  Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia que participaram  no presente  estudo caracterizam-se como uma popula&ccedil;&atilde;o jovem, com pouco  tempo de forma&ccedil;&atilde;o profissional e pouco tempo de atua&ccedil;&atilde;o no munic&iacute;pio,  diferenciando-se de estudos realizados no Sul, com popula&ccedil;&atilde;o semelhante,<sup>11</sup>  que encontrou maior concentra&ccedil;&atilde;o na faixa et&aacute;ria de 35 a 56 anos, com maior tempo  de forma&ccedil;&atilde;o profissional (5-23 anos) e maior tempo m&eacute;dio de atua&ccedil;&atilde;o no  munic&iacute;pio (5 anos).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em rela&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel de informa&ccedil;&atilde;o acerca de RAM, o conceito  expresso pelos profissionais foi classificado como correto na minoria dos  casos, convergindo com os dados de pesquisa realizada no Rio de Janeiro no  final da d&eacute;cada de 1990.<sup>9</sup> Similarmente, observou-se que os  profissionais entrevistados focavam suas respostas somente no fato do efeito  ser prejudicial ou indesej&aacute;vel sem contemplar a abrang&ecirc;ncia do conceito proposto  pela OMS. Sendo assim, tanto no n&iacute;vel hospitalar, quanto no ambulatorial, o  n&iacute;vel de conhecimento acerca das RAM parece confuso e n&atilde;o tem melhorado ao  longo desses dez anos de diferen&ccedil;a entre os dois estudos. Chama aten&ccedil;&atilde;o o fato  de que s&oacute; agora o pa&iacute;s conta com um Programa Nacional de Farmacovigil&acirc;ncia  implantado, sendo o Estado do Cear&aacute; um dos pioneiros no desenvolvimento de um  programa estadual.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Esses resultados podem ser reflexos da pouca abordagem acerca de  RAM na Estrat&eacute;gia de Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia, bem como no interior do Estado. As  iniciativas de informa&ccedil;&atilde;o sobre RAM (palestras; distribui&ccedil;&atilde;o de informativos e  folhetos; capacita&ccedil;&otilde;es) s&atilde;o escassas nesses locais, deixando os profissionais &agrave;  margem do assunto, mesmo quando este &eacute; objeto de um programa governamental  estruturado.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A maioria dos profissionais relatou que os conhecimentos  adquiridos na forma&ccedil;&atilde;o universit&aacute;ria acerca de RAM eram insuficientes,  assemelhando-se a outros achados na literatura<sup>12</sup> sobre  cirurgi&otilde;es-dentistas de Belo Horizonte-MG, em 1997. Os autores observaram que  44,8% dos entrevistados consideram insuficientes seus conhecimentos nesta &aacute;rea  e aproximadamente 30,0% n&atilde;o consideram a farmacologia muito importante para  sua vida profissional.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No presente estudo, foi relatado como principal fonte de  atualiza&ccedil;&atilde;o sobre RAM, o DEF. Um dos motivos de sua ampla utiliza&ccedil;&atilde;o pode ser  sua farta disponibilidade, proporcionada pelas pr&oacute;prias ind&uacute;strias. Este  achado &eacute; convergente com o de outro autores,<sup>13</sup> que em pesquisa  realizada com odont&oacute;logos na Espanha, em 1990, encontrou que os &Iacute;ndices de  Especialidades eram as principais fontes de consulta para atualiza&ccedil;&atilde;o, seguidos  dos livros de farmacologia.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No Brasil, a estrat&eacute;gia de dissemina&ccedil;&atilde;o pela Anvisa do Curso da Boa  Prescri&ccedil;&atilde;o, com metodologia, incluindo material pedag&oacute;gico da OMS, aborda essa  quest&atilde;o e busca desenvolver nos profissionais a capacidade de julgamento e  reconhecimento da import&acirc;ncia dos crit&eacute;rios para uma boa fonte de informa&ccedil;&atilde;o e  julgamento de evid&ecirc;ncias cient&iacute;ficas sobre medicamentos.<sup>14</sup> Outra  importante estrat&eacute;gia, promovida pelo Conselho Regional de Farm&aacute;cia, s&atilde;o os  Centros de Informa&ccedil;&atilde;o sobre Medicamentos, que visam ofertar &agrave; popula&ccedil;&atilde;o e aos  profissionais da sa&uacute;de informa&ccedil;&atilde;o sobre medicamentos isenta, id&ocirc;nea, &aacute;gil e de  qualidade.<sup>15</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O relato do formul&aacute;rio de notifica&ccedil;&atilde;o de RAM como ferramenta de  farmacovigil&acirc;ncia mais conhecida entre os entrevistados diferencia-se dos  resultados de uma pesquisa realizada na Col&ocirc;mbia com a categoria m&eacute;dica, sobre  atitudes e pr&aacute;ticas dos profissionais de sa&uacute;de diante de farmacovigil&acirc;ncia.<sup>16</sup>  Os autores mostraram que apenas 11,7% conheciam o formul&aacute;rio de notifica&ccedil;&atilde;o de RAM e que o programa de farmacovigil&acirc;ncia na Col&ocirc;mbia est&aacute; pouco difundido, por ter sido criado  recentemente. Ainda assim, o fato de que no presente estudo apenas 29,3% dos  profissionais entrevistados conheciam o formul&aacute;rio de notifica&ccedil;&atilde;o pode ser considerado  um resultado bastante desanimador.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Um alto percentual de profissionais declarou o h&aacute;bito de  perguntar a seus pacientes sobre o surgimento de sinais e sintomas relacionados  com poss&iacute;veis RAM, resultado semelhante ao encontrado em outro estudo, onde a  maioria dos m&eacute;dicos e enfermeiros referiram que sempre/frequentemente  costumavam perguntar aos pacientes sobre as poss&iacute;veis rea&ccedil;&otilde;es adversas surgidas  com o uso dos medicamentos.<sup>9</sup> Foi menos freq&uuml;ente o relato espont&acirc;neo  dos usu&aacute;rios, durante as consultas, acerca de sinais e sintomas relacionados a  rea&ccedil;&otilde;es que os mesmos atribuem ao uso de medicamentos, diferente do mesmo  outro estudo,<sup>13</sup> no qual 65% dos m&eacute;dicos e 51,0% dos enfermeiros  relataram que os pacientes &nbsp;sempre/frequentemente costumam atribuir espontaneamente a ocorr&ecirc;ncia de sinais e/ou  sintomas ocorridos em decorr&ecirc;ncia da utiliza&ccedil;&atilde;o de medicamentos, em que pese  este estudo ter sido realizado em hospital universit&aacute;rio de um grande centro  do pa&iacute;s. Da mesma forma, esses autores<sup>9</sup> encontraram que os  enfermeiros foram os profissionais que mais relataram relatos espont&acirc;neos de  pacientes sobre RAM.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Ressalta-se a escassez de estudos nacionais envolvendo o n&iacute;vel de  informa&ccedil;&atilde;o de profissionais de sa&uacute;de acerca de RAM, principalmente no n&iacute;vel  ambulatorial, ainda que a aten&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica seja estrat&eacute;gia priorit&aacute;ria no pa&iacute;s.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os profissionais do estudo costumam informar aos pacientes,  durante as consultas sobre as poss&iacute;veis RAM que poder&atilde;o desenvolver ap&oacute;s o uso  dos medicamentos. Arrais e colaboradores<sup>17</sup> encontraram que os m&eacute;dicos informaram  a 26,7% sobre a possibilidade de surgimento de RAM durante o tratamento com  medicamentos, sendo os pacientes provenientes do setor privado mais informados  do assunto que os do setor p&uacute;blico.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&Eacute; importante que os profissionais informem aos pacientes a  possibilidade de RAM, tendo em vista que o aparecimento dessas rea&ccedil;&otilde;es pode  contribuir para a n&atilde;o-ades&atilde;o ao tratamento farmacol&oacute;gico. A falta de  informa&ccedil;&atilde;o sobre os medicamentos &eacute; apontada como uma das principais raz&otilde;es  pelas quais os indiv&iacute;duos n&atilde;o cumprem adequadamente seus tratamentos.<sup>18</sup>  A orienta&ccedil;&atilde;o sobre a possibilidade de surgimento de RAM durante o tratamento  farmacoterap&ecirc;utico e a conduta a ser adotada s&atilde;o aspectos importantes na  informa&ccedil;&atilde;o ao usu&aacute;rio.<sup>19</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A literatura confirma que a diversidade de medicamentos nas  prescri&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas pode contribuir negativamente na ades&atilde;o ao tratamento farmacol&oacute;gico, tendo em vista o surgimento de  intera&ccedil;&otilde;es entre os princ&iacute;pios ativos e, com isso, a  possibilidade de RAM.23 Prescri&ccedil;&otilde;es contendo monof&aacute;rmacos s&atilde;o mais  f&aacute;ceis de serem administrados, facilitando a adequa&ccedil;&atilde;o aos hor&aacute;rios.<sup>20</sup>  Cruciol-Souza e Thomson,<sup>21</sup> por exemplo, avaliando a preval&ecirc;ncia de  intera&ccedil;&otilde;es medicamentosas em prescri&ccedil;&otilde;es hospitalares em 2004, encontraram que,  de 33 prontu&aacute;rios com intera&ccedil;&otilde;es medicamentosas graves, 17 (51,5%)  apresentaram RAM induzida por tais intera&ccedil;&otilde;es.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Os enfermeiros, diante de suspeitas de RAM, adotam a conduta de  comunicar o fato &agrave; categoria m&eacute;dica, assemelhando-se aos achados de Ponciano e  colaboradores,<sup>9</sup> onde a maioria dos enfermeiros relatou ter  comunicado o fato imediatamente ao m&eacute;dico, al&eacute;m de registrar a ocorr&ecirc;ncia no  prontu&aacute;rio e discutir o assunto com outros profissionais de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A mudan&ccedil;a da  terap&ecirc;utica medicamentosa e a suspens&atilde;o do tratamento s&atilde;o condutas  frequentemente adotadas pelos m&eacute;dicos e odont&oacute;logos,  convergindo  com os achados de outro estudo<sup>22</sup> onde a suspens&atilde;o e a substitui&ccedil;&atilde;o  dos medicamentos foram as condutas mais referidas diante da observa&ccedil;&atilde;o,  enquanto uma minoria simplesmente aguardou o t&eacute;rmino dos sintomas ou recomendou  ao paciente seguir at&eacute; o fim do tratamento.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Chama a aten&ccedil;&atilde;o que  nenhum dos m&eacute;dicos ou odont&oacute;logos, profissionais  legalmente habilitados a prescrever, tenha relatado a notifica&ccedil;&atilde;o de suspeita  de RAM ao Sistema Nacional ou Estadual de Farmacovigil&acirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Estudo realizado no  Cear&aacute; verificou, diante das informa&ccedil;&otilde;es do Centro de Farmacovigil&acirc;ncia do Cear&aacute;  (Ceface), que a categoria m&eacute;dica prefere informar &agrave; enfermeira as suspeitas de  RAM e, em seguida, anot&aacute;-la no prontu&aacute;rio, a responsabilizar-se pela notifica&ccedil;&atilde;o, embora, muitas vezes, o diagn&oacute;stico  tenha sido do pr&oacute;prio m&eacute;dico.<sup>22</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Ponciano e  colaboradores<sup>9</sup> opinam que os m&eacute;dicos n&atilde;o mostraram, em seu estudo,  valorizar o trabalho em equipe interdisciplinar em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; suspeita de  ocorr&ecirc;ncia de RAM, encontrando que 81% deles relataram o caso a seus pares da categoria profissional, concluindo  pela falta de envolvimento na equipe por parte dos m&eacute;dicos, quando se trata de  RAM.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A idade do paciente,  as contra-indica&ccedil;&otilde;es, os relatos de hist&oacute;ria de rea&ccedil;&atilde;o e as intera&ccedil;&otilde;es  medicamento-medicamento e/ou medicamento-alimento foram os crit&eacute;rios  apontados por m&eacute;dicos e odont&oacute;logos como mais importantes a serem considerados  para a prescri&ccedil;&atilde;o de medicamentos, visando reduzir poss&iacute;veis RAM. Essas s&atilde;o,  de fato, informa&ccedil;&otilde;es relevantes no ato da prescri&ccedil;&atilde;o e que precisam ser melhor  avaliadas por parte dos prescritores.<sup>23</sup> Das notifica&ccedil;&otilde;es oriundas do  Cear&aacute; em 1997, as RAM predominam no  sexo feminino e em faixas et&aacute;rias extremas.<sup>24</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Estudo retrospectivo  das interna&ccedil;&otilde;es nos hospitais do Rio de Janeiro, entre 1999 e 2002, mostrou que os  pacientes com efeitos adversos concentram-se nas faixas et&aacute;rias mais jovens e permanecem internados por mais tempo.<sup>25</sup>  Das notifica&ccedil;&otilde;es registradas no Ceface, no per&iacute;odo de 1997 a 2005, 62,7% eram referentes ao  sexo feminino, sendo a faixa et&aacute;ria mais acometida a de 21 a 30 anos.<sup>26</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O uso irracional de  medicamentos pode contribuir para o surgimento de RAM, bem como intera&ccedil;&otilde;es entre os f&aacute;rmacos,  comprometendo a a&ccedil;&atilde;o dos medicamentos e a  ades&atilde;o ao tratamento. Essa problem&aacute;tica est&aacute; claramente presente no setor Sa&uacute;de e traz consigo  diversas implica&ccedil;&otilde;es, inclusive de seus custos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Tendo em vista que a  Estrat&eacute;gia Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia prop&otilde;e estabelecer uma mudan&ccedil;a de v&iacute;nculo entre o  sistema de sa&uacute;de e os usu&aacute;rios, bem como organizar a porta de entrada no  sistema, &eacute; fundamental que esses profissionais tenham bom conhecimento das RAM  e outros problemas relacionados aos medicamentos, para que possam, junto &agrave;  popula&ccedil;&atilde;o, atuar na promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Chama a aten&ccedil;&atilde;o o  fato de que, ainda que tenham declarado procurar manter-se atualizados sobre o  tema das rea&ccedil;&otilde;es adversas a  medicamentos, os profissionais usam fontes de qualidade question&aacute;vel e, efetivamente, n&atilde;o demonstraram conhecer  adequadamente o conceito de RAM, nem as ferramentas b&aacute;sicas do programa brasileiro de  farmacovigil&acirc;ncia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Considerando-se o  quadro encontrado, de um grupo predominante jovem de profissionais interessados  no tema, que reconhecem ter tido informa&ccedil;&atilde;o insuficiente sobre RAM na forma&ccedil;&atilde;o  universit&aacute;ria, seu desconhecimento  do conceito e  baixa ades&atilde;o aos programas de vigil&acirc;ncia nacional e estadual, recomenda-se na 21<sup>a</sup>  CRES a implementa&ccedil;&atilde;o de um programa de monitoramento e notifica&ccedil;&atilde;o de RAM com  foco nos profissionais da Estrat&eacute;gia de Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia, como forma de  preveni-las, estimulando o uso racional de medicamentos. Tal programa deve  enfatizar aspectos como os conceitos b&aacute;sicos, al&eacute;m da motiva&ccedil;&atilde;o e envolvimento  da equipe multiprofissional no tema.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Agradecimentos</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Aos gestores do  munic&iacute;pio de Jardim-CE, pelo apoio no desenvolvimento desta pesquisa; e &agrave; Prof<sup>a</sup>.  Dra. Carla Louren&ccedil;o Tavares de Andrade, Docente do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o de  Sa&uacute;de P&uacute;blica da Escola Nacional de Sa&uacute;de P&uacute;blica (ENSP), Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz  (Fiocruz).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">1. Pfaffenbach G, Carvalho  O, Bergsten-Mendes G. Rea&ccedil;&otilde;es Adversas a Medicamentos como determinantes da Admiss&atilde;o  Hospitalar. Revista Associa&ccedil;&atilde;o M&eacute;dica Brasileira. 2002;48(3):237-241.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">2. Gomes MJVM, Reis AMM. Ci&ecirc;ncias Farmac&ecirc;uticas: uma abordagem em farm&aacute;cia  hospitalar. S&atilde;o Paulo: Atheneu;  2000.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">3. Tognoni G, Laporte JR. Estudos de  utiliza&ccedil;&atilde;o de medicamentos e farmacovigil&acirc;ncia. In: Laporte JR, Tognoni G,  Rozenfeld S, editors. Epidemiologia do Medicamento: princ&iacute;pios gerais: S&atilde;o  Paulo: Editora    Hucitec/Rio de Janeiro:  ABRASCO; 1989.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">4. Organiza&ccedil;&atilde;o Pan-Americana da Sa&uacute;de, Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de,  Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de - Brasil. Avalia&ccedil;&atilde;o da Assist&ecirc;ncia Farmac&ecirc;utica no Brasil.  Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de; 2005.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">5. Alvarez-Requejo A, Carvajal A, B&eacute;gaud B, Moride Y, Vega T, Arias LH. Under-reporting of adverse drug  reactions. Estimate based on a spontaneous reporting scheme and a sentinel  system. European Journal of Clinical Pharmacology. 1998;54(6):483-488.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">6. Backstr&otilde;m M, Mj&otilde;rndal T, Dahlqvist  R. Underreporting of serious adverse drug reactions in Sweden. Pharmacoepidemiology and  Drug Safety. 2004;13(7):483-487.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">7. Moride Y, Haramburu F, Requejo AA, B&eacute;gaud B.  Under-reporting of adverse drug reactions in general practice. British Journal  of Clinical Pharmacology. 1997;43(2):177-181.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">8. Martin RM, Kapoor KV, Wilton LV,  Mann RD. Underreporting of suspected adverse drug reactions to newly marketed  (&quot;black triangle&quot;) drugs in general practice: observational study. British Medical Journal. 1998;317:119-120.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">9. Ponciano AMS, Carvalho DM, Santos EP. Avalia&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel de informa&ccedil;&atilde;o do  estudo das rea&ccedil;&otilde;es adversas a medicamentos em um hospital universit&aacute;rio.  Cadernos de Sa&uacute;de Coletiva. 1998;6(1):5-23.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">10. Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de. Monitoriza&ccedil;&atilde;o da seguran&ccedil;a de  medicamentos: diretrizes para cria&ccedil;&atilde;o e funcionamento de um Centro de  Farmacovigil&acirc;ncia. Bras&iacute;lia: Organiza&ccedil;&atilde;o Pan-Americana da Sa&uacute;de-Brasil; 2005.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">11. Giacomozzi CM, Lacerda MR. A Pr&aacute;tica da Assist&ecirc;ncia Domiciliar dos  Profissionais da Estrat&eacute;gia de&nbsp; Sa&uacute;de da  Fam&iacute;lia. Texto Contexto Enfermagem. 2006;15(4):645-653.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">12. Castilho LS, Paix&atilde;o HH, Perini E. Prescri&ccedil;&atilde;o de medicamentos de uso sist&ecirc;mico por cirurgi&otilde;es-dentistas,  cl&iacute;nicos gerais. Revista de Sa&uacute;de P&uacute;blica. 1999;33(3):287-294.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">13. Battellino LJ, Bennun FR. Nivel de informaci&oacute;n y conducta  farmacoterap&eacute;utica de los odont&oacute;logos. Revista de Sa&uacute;de P&uacute;blica. 1993;27(4):291-299.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">14. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Plano de A&ccedil;&atilde;o do Comit&ecirc; Nacional para Promo&ccedil;&atilde;o do Uso Racional de Medicamentos.  Brasilia: Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de; 2008.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">15. Vidotti CCF, Hoefler R, Silva  EV, Bergsten-Mendes G. Sistema Brasileiro de Informa&ccedil;&atilde;o sobre Medicamentos - SISMED. Cadernos de Sa&uacute;de P&uacute;blica.   2000;16:1121-1126.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">16. Segura O, Pacific H. Actitudes,  pr&aacute;cticas y necesidades de los profesionales de salud frente a la  farmacovigilancia e a la farmacoepidemiolog&iacute;a: Um estudio descriptivo. Acta  M&eacute;dica Colombiana.   2003;28(4):181-184.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">17. Arrais PSD, Barreto ML, Coelho HLL.  Aspectos dos processos de prescri&ccedil;&atilde;o  e dispensa&ccedil;&atilde;o de  medicamentos na percep&ccedil;&atilde;o  do paciente: estudo de base populacional em Fortaleza, Cear&aacute;, Brasil.   Cadernos  de Sa&uacute;de P&uacute;blica. 2007;23(4):927-937.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">18. Marin N, Luiza VL, Osorio-de-Castro CGS,  Machado-dos-Santos SC. Assist&ecirc;ncia  Farmac&ecirc;utica para gerentes municipais.  Rio de  Janeiro: OPAS/OMS; 2003.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">19. Fonteles MMF, Ponciano A, Reis HP, et al. Compreendendo melhor os  Macrocomponentes da Aten&ccedil;&atilde;o Farmac&ecirc;utica - parte 01: Dispensa&ccedil;&atilde;o e a Orienta&ccedil;&atilde;o  Farmac&ecirc;utica. Centro de Estudos em Aten&ccedil;&atilde;o Farmac&ecirc;utica  - Universidade Federal do Cear&aacute;. 2008; 2 Maio.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">20. Leite SN, Vasconcellos MdPC. Ades&atilde;o &agrave; terap&ecirc;utica medicamentosa: elementos para a discuss&atilde;o de  conceitos e pressupostos adotados na literatura. Ci&ecirc;ncia &amp; Sa&uacute;de Coletiva.  2003;8(3):775-782.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">21. Cruciol-Souza JM, Thomson JC. A pharmacoepidemiologic study of drug interactions in a Brazilian teaching  hospital. Clinics. 2006;61(6):515-520.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">22. Sixel PJ, Lopes MB, Maia LC, Mandarino D. Observa&ccedil;&otilde;es atuais da prescri&ccedil;&atilde;o de medicamentos em odontologia.   Revista Brasileira de Odontologia. 1995;52(1):2-6.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">23. Luiza VL, Gon&ccedil;alves CBC. A Prescri&ccedil;&atilde;o Medicamentosa. In: Fuchs FD, Wannmarcher L,  Ferreira MBC, editors. Farmacologia Cl&iacute;nica. 3<sup>a</sup> ed. Rio de Janeiro:  Guanabara Koogan; 2004. p.86-98.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">24. Coelho HL,  Arrais PSD, Gomes AP. Sistema de Farmacovigil&acirc;ncia do Cear&aacute;: Um  ano de experi&ecirc;ncia. Cadernos de Sa&uacute;de P&uacute;blica. 1999;15(3):631-640.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">25. Rozenfeld S. Agravos  provocados por medicamentos em hospitais do Estado do Rio de Janeiro, Brasil.  Revista de Sa&uacute;de P&uacute;blica. 2007;41(1):1-8.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">26. Francelino EV. Centro  de Farmacovigil&acirc;ncia do Cear&aacute;: An&aacute;lise do perfil de Rea&ccedil;&atilde;o Adversa a  Medicamento e Queixa T&eacute;cnica. Fortaleza Universidade Federal do Cear&aacute;; 2007.</font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b><a name="endereco"></a><a href="#topo"><img src="img/revistas/ess/v20n1/seta.gif" border="0"></a></b></font><font size="2" face="verdana"><b>Endere&ccedil;o  para correspond&ecirc;ncia:</b>    <br>   Rua Vinte e Quatro de  Mar&ccedil;o, 18,    <br>   Centro, Juazeiro do  Norte-CE, Brasil.    <br>   CEP:63010-390    <br>   <i>E-mail:</i><a href="mailto:luizaherbene@hotmail.com">luizaherbene@hotmail.com</a> </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Recebido em 24/11/2009    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Aprovado em 23/08/2010</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup><a href="#topo">*</a></sup>Artigo extra&iacute;do da disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado intitulada &quot;N&iacute;vel de informa&ccedil;&atilde;o dos profissionais de sa&uacute;de da fam&iacute;lia acerca das   Rea&ccedil;&otilde;es Adversas a Medicamentos (RAM) e Farmacovigil&acirc;ncia&quot;. Mestrado Profissional em Sa&uacute;de P&uacute;blica. &Aacute;rea de Concentra&ccedil;&atilde;o em Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de. Escola Nacional de Sa&uacute;de P&uacute;blica S&eacute;rgio Arouca, Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz.</font></p>      ]]></body><back>
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