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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Avaliação da qualidade do Sistema de Vigilância Epidemiológica de Doença de Chagas Aguda em Minas Gerais, 2005-2008]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[OBJECTIVE: this work aims to evaluate the quality in the registration of acute Chagas disease cases reported to the epidemiologic surveillance of the State of Minas Gerais, Brazil (2005-2008). METHODOLOGY: to evaluate the surveillance system registers, the study followed guidance of the Center for Disease Control and Prevention/United States of America; and to define and conclude cases, criteria established by the Health Surveillance Secretariat/Ministry of Health of Brazil. RESULTS: the surveillance system for Chagas disease is complex, inflexible, with low acceptance, and unsatisfying quality of data; from a total of 992 acute cases reported in our given timeframe, only 12 (1.2%) had a positive direct parasitological examination, the defined criteria which single the disease out; however, all the reported cases were, in fact, chronic cases; the majority of fields showed regular to low completeness. CONCLUSION: it is recommended to invest on training and raising awareness of health professionals in order to improve quality in reports" registration, which makes possible to define strategies and actions for controlling the disease.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><a name="topo" id="topo"></a><font size="4">Avalia&ccedil;&atilde;o da qualidade do Sistema de  Vigil&acirc;ncia Epidemiol&oacute;gica de Doen&ccedil;a de Chagas Aguda em Minas Gerais,  2005-2008</font></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="verdana">Evaluation  of the quality System of Epidemiological Surveillance of Acute Chagas Disease  in Minas Gerais, 2005-2008</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Olinda Francisco Muguande<sup>I</sup>; Marcela  Lencine Ferraz<sup>II</sup>; Elisabeth Fran&ccedil;a<sup>III</sup>; Eliane Dias Gontijo<sup>III</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de P&uacute;blica,  Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte-MG, Brasil<br />     <sup>II</sup>Diretoria de Vigil&acirc;ncia Ambiental, Secretaria de Estado de Sa&uacute;de  de Minas Gerais, Belo Horizonte-MG, Brasil<br />   <sup>III</sup>Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo  Horizonte-MG, Brasil </font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade="noshade" />     <p><font size="2" face="verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>OBJETIVO</b><b>: </b>o estudo avaliou a qualidade  das notifica&ccedil;&otilde;es de casos agudos de doen&ccedil;a de Chagas registrados no sistema de  informa&ccedil;&atilde;o utilizado pela vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica da Secretaria de Estado de Sa&uacute;de de  Minas Gerais, no per&iacute;odo de 2005-2008.<br />   <b>METODOLOGIA</b><b>: </b>para avalia&ccedil;&atilde;o dos  registros do sistema de vigil&acirc;ncia, adotaram-se as diretrizes do Center for  Disease Control and Prevention dos Estados Unidos da Am&eacute;rica; e para defini&ccedil;&atilde;o e encerramento dos  casos, os crit&eacute;rios preconizados pela Secretaria de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de do  Minist&eacute;rio de Sa&uacute;de.<br />   <b>RESULTADOS</b><b>: </b>o Sistema de Informa&ccedil;&atilde;o para a  vigil&acirc;ncia da doen&ccedil;a de Chagas &eacute; complexo, pouco flex&iacute;vel, com baixa  aceitabilidade e, de modo geral, com baixa qualidade dos dados; dos 992 casos  notificados no per&iacute;odo, 12 (1,2%) apresentavam exame parasitol&oacute;gico direto positivo, crit&eacute;rio de confirma&ccedil;&atilde;o de caso, por&eacute;m foram  descartados em an&aacute;lise posterior por se tratar de casos cr&ocirc;nicos; a  completitude de preenchimento da maioria dos campos das fichas analisadas foi qualificada  entre regular e baixa.<br />   <b>CONCLUS&Atilde;O</b><b>: </b>&eacute; necess&aacute;ria a sensibiliza&ccedil;&atilde;o e  treinamento dos profissionais da sa&uacute;de, al&eacute;m de maior integra&ccedil;&atilde;o dos setores  respons&aacute;veis pelo fluxo de informa&ccedil;&otilde;es, para melhoria da qualidade do registro  das notifica&ccedil;&otilde;es, possibilitando a defini&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es de vigil&acirc;ncia e  estrat&eacute;gias de controle da doen&ccedil;a.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Palavras-chave: </b>doen&ccedil;a de Chagas; vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica; avalia&ccedil;&atilde;o; sa&uacute;de p&uacute;blica.</font></p> <hr size="1" noshade="noshade" />     <p><font size="2" face="verdana"><b>SUMMARY</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>OBJECTIVE</b><b>: </b>this work aims to evaluate the quality in the registration of acute  Chagas disease cases reported to the epidemiologic surveillance of the State  of Minas Gerais, Brazil (2005-2008).<br />   <b>METHODOLOGY</b><b>: </b>to evaluate the surveillance system registers, the study followed guidance  of the Center for Disease Control and Prevention/United States of America; and  to define and conclude cases, criteria established by the Health Surveillance  Secretariat/Ministry of Health of Brazil.<br />   <b>RESULTS</b><b>: </b>the surveillance  system for Chagas disease is complex, inflexible, with low acceptance, and  unsatisfying quality of data; from a total of 992 acute cases reported in our  given timeframe, only 12 (1.2%) had a positive direct parasitological  examination, the defined criteria which single the disease out; however, all  the reported cases were, in fact, chronic cases; the majority of fields showed  regular to low completeness.<br />   <b>CONCLUSION</b><b>: </b>it is recommended to invest on  training and raising awareness of health professionals in order to improve  quality in reports&quot; registration, which makes possible to define  strategies and actions for controlling the disease.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Key words: </b>Chagas disease;  epidemiological surveillance; evaluation; public health.</font></p> <hr size="1" noshade="noshade" />     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A doen&ccedil;a de Chagas,  tamb&eacute;m conhecida como Tripanossom&iacute;ase americana, uma doen&ccedil;a de curso cl&iacute;nico bif&aacute;sico  (agudo e cr&ocirc;nico), representa importante  modelo para reflex&atilde;o da determina&ccedil;&atilde;o social do processo de adoecimento no  contexto da Am&eacute;rica Latina.<sup>1,2</sup> Embora a incid&ecirc;ncia  da doen&ccedil;a no continente americano tenha-se reduzido em cerca de 70,0% nos &uacute;ltimos 30 anos, estima-se que, nas Am&eacute;ricas Central e do Sul, ainda existam cerca de oito a nove  milh&otilde;es de pessoas infectadas e 25 milh&otilde;es sob risco de infec&ccedil;&atilde;o.<sup>3,4</sup> No Brasil, no ano de 2011, a doen&ccedil;a de Chagas  representa a quarta causa de morte entre as doen&ccedil;as infecto-parasit&aacute;rias e  estima-se a exist&ecirc;ncia de tr&ecirc;s milh&otilde;es de infectados, sendo a faixa et&aacute;ria  acima de 45 anos a mais acometida.<sup>5</sup>  A endemia apresenta importante impacto econ&ocirc;mico devido &agrave;s complica&ccedil;&otilde;es que causa &agrave; sa&uacute;de do ser humano.<sup>1,6,7</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A fase aguda da  doen&ccedil;a se estabelece logo ap&oacute;s a infec&ccedil;&atilde;o pelo <i>Trypanossoma cruzi </i>no  homem e em v&aacute;rios mam&iacute;feros, que pode ou n&atilde;o ser identificada e evoluir para a  cronifica&ccedil;&atilde;o se n&atilde;o for tratada com medicamentos espec&iacute;ficos.<sup>8,9</sup>  Essa fase define-se, basicamente, pela alta parasitemia  detect&aacute;vel por exame microsc&oacute;pico direto do sangue a fresco ou do creme  leucocit&aacute;rio. Ap&oacute;s a terceira semana de infec&ccedil;&atilde;o, pode-se utilizar os m&eacute;todos  sorol&oacute;gicos indiretos, por diferentes t&eacute;cnicas, para detec&ccedil;&atilde;o de anticorpos da  classe IgG (imunidade a eventos cr&ocirc;nicos).<sup>10,11</sup> Deve-se considerar, entretanto, a possibilidade de rea&ccedil;&otilde;es  cruzadas com outros agravos, produzindo resultados falso-positivos.<sup>11,12</sup>  A detec&ccedil;&atilde;o isolada de IgM (imunidade a eventos agudos) n&atilde;o apresenta alta  sensibilidade para a detec&ccedil;&atilde;o de casos agudos; por&eacute;m, quando associada a  crit&eacute;rios cl&iacute;nico-epidemiol&oacute;gicos, pode auxiliar na confirma&ccedil;&atilde;o da infec&ccedil;&atilde;o.<sup>11</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Quando diagnosticada  e adequadamente tratada, a doen&ccedil;a de Chagas aguda (DCA) pode atingir propor&ccedil;&otilde;es  de cura que variam entre 30,0 a 90,0%, nas casu&iacute;sticas mais  conhecidas.<sup>1,2,13,14</sup> Em 2005, considerando o quadro epidemiol&oacute;gico atual da doen&ccedil;a de Chagas no Brasil e  os padr&otilde;es de transmiss&atilde;o em cada &aacute;rea geogr&aacute;fica, o Consenso Brasileiro  referendou a revis&atilde;o da metodologia para a vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica da doen&ccedil;a.<sup>10</sup>  Dados da Secretaria de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de (SVS/MS) apontam  que, entre 2005 e 2007, um total de 330 casos agudos foi confirmado no pa&iacute;s,  com maior incid&ecirc;ncia na regi&atilde;o da Amaz&ocirc;nia Legal.<sup>5</sup> No Estado de Minas Gerais, a an&aacute;lise dos dados  disponibilizados pela Secretaria de Estado de Sa&uacute;de (SES/MG) tamb&eacute;m revelou  incremento dos casos notificados de DCA entre os anos de 2005 e 2008.<sup>15</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A informa&ccedil;&atilde;o sobre  casos de DCA &eacute; feita por notifica&ccedil;&atilde;o compuls&oacute;ria e imediata ao Sistema de  Informa&ccedil;&atilde;o de Agravos de Notifica&ccedil;&atilde;o (Sinan), a partir de dados cl&iacute;nicos e  epidemiol&oacute;gicos sugestivos. Os casos devem ser comunicados no prazo de 24 horas  ap&oacute;s a suspei&ccedil;&atilde;o inicial e dever&atilde;o ser confirmados pelos procedimentos  laboratoriais mencionados em   ep&iacute;grafe. Em 25 de janeiro de 2011, foi publicada a  Portaria n<sup>o</sup> 104, que define as  terminologias adotadas pela  Legisla&ccedil;&atilde;o nacional, a rela&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as, agravos e eventos de  notifica&ccedil;&atilde;o compuls&oacute;ria pela Sa&uacute;de P&uacute;blica em todo o territ&oacute;rio nacional e  estabelece fluxo, crit&eacute;rios, responsabilidades e atribui&ccedil;&otilde;es dos profissionais  e servi&ccedil;os de sa&uacute;de.<sup>5,9,6</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O Sinan foi  desenvolvido pelo Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1990. Seu objetivo &eacute; padronizar os  conceitos de defini&ccedil;&atilde;o de caso e a transmiss&atilde;o de dados a partir de organiza&ccedil;&atilde;o  hier&aacute;rquica baseada nas tr&ecirc;s esferas de governo. O sistema veio possibilitar o acesso mais f&aacute;cil &agrave;  base de dados necess&aacute;rios &agrave; an&aacute;lise epidemiol&oacute;gica e a dissemina&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida dos  dados gerados na rotina da vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica pelo Sistema &Uacute;nico de  Sa&uacute;de (SUS).<sup>9,17,18</sup> Atualmente,  o Sinan constitui um instrumento relevante no aux&iacute;lio ao planejamento das a&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de, defini&ccedil;&atilde;o das  prioridades de interven&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o do impacto das medidas adotadas.<sup>18,19</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os sistemas de  informa&ccedil;&otilde;es em sa&uacute;de s&atilde;o essenciais para a moderniza&ccedil;&atilde;o  dos servi&ccedil;os.<sup>5</sup> A avalia&ccedil;&atilde;o da qualidade desses sistemas tem por  finalidade assegurar que quest&otilde;es priorit&aacute;rias de Sa&uacute;de P&uacute;blica sejam  monitoradas eficiente e efetivamente,  al&eacute;m de  contribuir para o aprimoramento dos instrumentos de coleta dos dados.<sup>20</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Segundo  a SVS/MS, contudo, as informa&ccedil;&otilde;es obtidas e  consolidadas pela vigil&acirc;ncia  epidemiol&oacute;gica por meio  da notifica&ccedil;&atilde;o  compuls&oacute;ria n&atilde;o t&ecirc;m permitido dimensionar a real situa&ccedil;&atilde;o da DCA no pa&iacute;s.  Somado a isso, reconhece-se a baixa qualidade das bases de dados de DCA no  Sinan.<sup>21</sup> Para o aprimoramento do sistema de vigil&acirc;ncia da DCA, &eacute;  necess&aacute;rio que os profissionais de sa&uacute;de tenham a percep&ccedil;&atilde;o da import&acirc;ncia da  qualidade dos registros.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Este estudo teve como objetivo avaliar a qualidade dos registros  obtidos pelo sistema de vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica dos casos de DCA no Estado de Minas  Gerais, notificados pelo Sinan no per&iacute;odo de 2005 a 2008. At&eacute; o momento  da divulga&ccedil;&atilde;o dos resultados e conclus&otilde;es aqui apresentados, n&atilde;o h&aacute; publica&ccedil;&otilde;es  sobre a avalia&ccedil;&atilde;o da qualidade dos dados do Sinan no que se refere &agrave; doen&ccedil;a de  Chagas, o que justifica e torna relevante o presente estudo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>Metodologia</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Trata-se de estudo descritivo das notifica&ccedil;&otilde;es de DCA no Estado de  Minas Gerais, baseado em dados secund&aacute;rios obtidos pela SES/MG. Para avaliar a  qualidade dos registros, foram consideradas as notifica&ccedil;&otilde;es de DCA realizadas  no per&iacute;odo de 2005 a  2008. No ano de 2007, houve um acr&eacute;scimo de 59 para 70 no n&uacute;mero de vari&aacute;veis a  serem preenchidas na ficha de investiga&ccedil;&atilde;o e, portanto, para algumas an&aacute;lises,  foram considerados dois per&iacute;odos separadamente: 2005 a 2006; e 2007 a 2008. Os dados foram  obtidos a partir das fichas de investiga&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica de casos  de DCA notificados ao Sinan-DCA/MG. Para complementa&ccedil;&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es, foram obtidos  resultados sobre exames realizados na Funda&ccedil;&atilde;o Ezequiel Dias (Funed), que  integra a rede de laborat&oacute;rios de Sa&uacute;de P&uacute;blica e &eacute; refer&ecirc;ncia nacional para  sorologia da doen&ccedil;a de Chagas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A metodologia de avalia&ccedil;&atilde;o foi baseada nas diretrizes do Center  for Disease Control and Prevention dos Estados Unidos da Am&eacute;rica (CDC/USA),  contemplando a) a descri&ccedil;&atilde;o do sistema e seus componentes espec&iacute;ficos e b) a  an&aacute;lise de atributos qualitativos (simplicidade, flexibilidade e  aceitabilidade) e quantitativos (sensibilidade, valor preditivo positivo, representatividade e oportunidade) relativos &agrave; qualidade dos dados.<sup>20</sup>  Vari&aacute;veis demogr&aacute;ficas, epidemiol&oacute;gicas, cl&iacute;nicas, laboratoriais e de conclus&atilde;o dos casos foram selecionadas para  compor a an&aacute;lise dos atributos dos casos de DCA notificados (suspeitos e confirmados). Foi realizada an&aacute;lise  descritiva por meio das distribui&ccedil;&otilde;es de frequ&ecirc;ncias e propor&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Casos confirmados de DCA, obtidos no Sinan-DCA/MG e referentes  aos anos de 2005 e 2006 foram comparados com os dados dispon&iacute;veis na base  Sinan-DCA/MG para o mesmo per&iacute;odo. Os anos de 2007 e 2008 ainda n&atilde;o estavam  dispon&iacute;veis no banco nacional, quando da realiza&ccedil;&atilde;o desta pesquisa.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A classifica&ccedil;&atilde;o final da DCA informada na ficha digitada -  Sinan-DCA/MG - foi refeita com base em crit&eacute;rios cl&iacute;nicos, epidemiol&oacute;gicos e  laboratoriais preconizados pela Secretaria de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de do Minist&eacute;rio  de Sa&uacute;de (SVS/MS).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Inicialmente, foram classificados como casos de DCA aqueles que  apresentavam exames parasitol&oacute;gicos diretos (gota espessa ou  exame direto a fresco) positivos e/ou exame sorol&oacute;gico de marcador de fase  aguda (anti-IgM) positivo, complementados pelos crit&eacute;rios descritos pelo  Minist&eacute;rio de Sa&uacute;de, a saber: a) Caso suspeito - paciente com quadro febril prolongado  (mais de sete dias) e que apresente esplenomegalia ou acometimento card&iacute;aco  agudo, residente ou visitante de &aacute;rea com registros de triatom&iacute;neos, ou que  tenha recebido transfus&atilde;o de sangue -;<sup>11</sup> b) Caso confirmado: paciente que apresente <i>Trypanosoma  cruzi </i>circulante no sangue perif&eacute;rico, identificado por meio de exame parasitol&oacute;gico direto, com ou sem presen&ccedil;a de sinais e  sintomas, ou paciente com sorologia positiva para anticorpos IgM anti-<i>T</i>. <i>cruzi </i>na presen&ccedil;a de evid&ecirc;ncias  cl&iacute;nicas e epidemiol&oacute;gicas indicativas de DCA.<sup>11</sup> Pela confer&ecirc;ncia de  listas de notifica&ccedil;&otilde;es com os nomes dos pacientes ou de suas m&atilde;es ordenados alfabeticamente, verificou-se a presen&ccedil;a de poss&iacute;veis duplicidades na base de  dados.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No cumprimento dos par&acirc;metros indicados pelo Sinan, a completitude  dos dados foi definida pelo crit&eacute;rio de preenchimento, a saber: Excelente -  igual ou superior a 90,0% -; Regular - 70,0 a 89,0% -; e Baixo - abaixo de 70,0%, A  base de dados utilizada encontrava-se atualizada: j&aacute; haviam transcorrido 60  dias, tempo preconizado pelo Minist&eacute;rio de Sa&uacute;de para o encerramento oportuno  das investiga&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O programa computacional utilizado para consolidar e analisar os  dados foi o SPSS, vers&atilde;o 17.0, de 2008.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Considera&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O estudo foi aprovado  pela Superintend&ecirc;ncia de Epidemiologia da Secretaria de Estado de Sa&uacute;de de  Minas Gerais e pela C&acirc;mara do Departamento de Medicina Preventiva e Social da  Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. Foram utilizados  somente dados secund&aacute;rios, garantindo o sigilo das informa&ccedil;&otilde;es individuais.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Resultados</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Entre 2005 e 2008, 992 casos suspeitos de  DCA foram notificados aos servi&ccedil;os de vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica em 117 munic&iacute;pios de Minas Gerais, 13,7% do total de  munic&iacute;pios mineiros. A distribui&ccedil;&atilde;o dos casos notificados quanto ao sexo foi  semelhante, foi constatada ligeira predomin&acirc;ncia (53,3%) da cor branca e a  idade m&eacute;dia foi de 36 anos; 60,0% dos casos eram  maiores de 30 anos e 61,0% apresentavam n&iacute;vel fundamental de escolaridade.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em rela&ccedil;&atilde;o aos fatores de risco para DCA, 51,0% das fichas informavam  vest&iacute;gios intradomiciliares do vetor  e 61,0% negavam uso de  sangue, hemoderivados ou manipula&ccedil;&atilde;o de material contaminado. O prov&aacute;vel  mecanismo de transmiss&atilde;o foi registrado em 20,0% dos casos, sendo predominante  a via vetorial. Observando-se  o campo  'Evolu&ccedil;&atilde;o', embora estivesse preenchido em apenas 40,0% das fichas, verificou-se que 2,7% dos pacientes evolu&iacute;ram para &oacute;bito.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A febre, principal  sintoma para casos suspeitos de DCA, foi assinalada em 33,9% das notifica&ccedil;&otilde;es. Outros sinais e sintomas, como chagoma de inocula&ccedil;&atilde;o,  meningoencefalite, esplenomegalia e g&acirc;nglios, foram observados em menos de 1,0% dos casos. A presen&ccedil;a de arritmia, frequente na cardiopatia cr&ocirc;nica, foi o item mais  assinalado: 13,7%.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A <a href="#f1">Figura 1</a> resume as caracter&iacute;sticas do Sinan-DCA/MG em  rela&ccedil;&atilde;o aos atributos quantitativos e qualitativos analisados. Observou-se inconsist&ecirc;ncia e  incoer&ecirc;ncia entre as categorias assinaladas: a propor&ccedil;&atilde;o de casos sem  realiza&ccedil;&atilde;o de exames para diagn&oacute;stico laboratorial foi maior que a de casos  confirmados por crit&eacute;rio laboratorial adequado.</font></p>     <p><a name="f1" id="f1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/ess/v20n3/3a06f1.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Em 2007, houve altera&ccedil;&atilde;o da  ficha de notifica&ccedil;&atilde;o padronizada, desde ent&atilde;o designada SinanNET, disponibilizada  pela SES/MG &agrave;s secretarias municipais de sa&uacute;de (SMS). Verificou-se que menos da metade  das fichas analisadas apresentou percentuais de 100,0% de completitude para os campos de identifica&ccedil;&atilde;o, em todo o per&iacute;odo  analisado. As vari&aacute;veis 'Bairro', 'CEP', 'Telefone', 'Numero de Cart&atilde;o de  SUS', 'Distrito', 'Logradouro' (Rua, Avenida) e 'Ponto de refer&ecirc;ncia' foram as  menos preenchidas. Observou-se uma varia&ccedil;&atilde;o de 0,0 a 20,0% na completitude  dessas vari&aacute;veis, apesar de serem consideradas essenciais para a entrada de dados no sistema.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Para as vari&aacute;veis  relacionadas aos poss&iacute;veis v&iacute;nculos com a DCA (antecedentes epidemiol&oacute;gicos e  manifesta&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas), os percentuais de preenchimento variaram de baixo a  regular: de 30,0 a 97,0% para dados  epidemiol&oacute;gicos; e de 25,0 a 44,0% para dados cl&iacute;nicos.  A mais baixa percentagem de preenchimento para dados cl&iacute;nicos foi observada em 2008, quando menos de 30,0%  dos campos referentes foram preenchidos  - incluindo a  resposta 'Ignorado', que indica aus&ecirc;ncia  de informa&ccedil;&atilde;o sobre sinais e sintomas no caso notificado. Para o registro da  presen&ccedil;a ou aus&ecirc;ncia de febre, um dos crit&eacute;rios para a suspeita de DCA,  esperava-se maior completitude dos dados, fato n&atilde;o observado.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Entre os itens  fundamentais para a defini&ccedil;&atilde;o de DCA, como o exame parasitol&oacute;gico direto,  tamb&eacute;m se observou baixo percentual de preenchimento: apesar de mais elevado no  per&iacute;odo de 2007 a 2008 - variando de 22,6 a 25,4% -, esse item ainda se  configura como de baixa completitude. Um paradoxo encontrado foi o aumento do  n&uacute;mero de exames realizados entre 2007 e 2008, embora com baixa propor&ccedil;&atilde;o de preenchimento completo - variando de 24,0 a 58,0% - e predom&iacute;nio de respostas ignoradas. N&atilde;o  houve registro das datas de solicita&ccedil;&atilde;o dos exames subsequentes. Para o campo  relacionado com o modo prov&aacute;vel de infec&ccedil;&atilde;o, a propor&ccedil;&atilde;o de completitude tamb&eacute;m  foi baixa, principalmente no per&iacute;odo 2007-2008, n&atilde;o ultrapassando 15,0% das  fichas analisadas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Na an&aacute;lise do banco  de dados, constatou-se a presen&ccedil;a de vari&aacute;veis que n&atilde;o  figuram na ficha do Sinan, totalizando, respectivamente, 99 e 122 para o per&iacute;odo de 2005-2006 e 2007-2008, contra os 59 e 70 na ficha original.  Exemplos das vari&aacute;veis acrescidas no banco informatizado s&atilde;o: 'Regional de  notifica&ccedil;&atilde;o'; 'Semana de notifica&ccedil;&atilde;o'; 'Semana dos primeiros sintomas';  'Regional de resid&ecirc;ncia'; 'N&uacute;mero de lote'; 'Fon&eacute;tica'; e 'Soundex'. A maioria  destas vari&aacute;veis n&atilde;o se encontrava preenchida.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Entre os 992 casos notificados no per&iacute;odo, somente 126 (12,7%) pacientes realizaram  a pesquisa direta do parasito,  principal crit&eacute;rio de confirma&ccedil;&atilde;o do caso (<a href="#t1">Tabela 1</a>).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><a name="t1" id="t1"></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/ess/v20n3/3a06t1.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Do total de casos  analisados no Sinan-DCA/MG, apenas 12 (1,2%) cumpriram, a priori, os crit&eacute;rios de DCA e 12,3% dos casos notificados foram considerados inconclusivos/ignorados. Ressalte-se, que mesmo entre os 72 casos inicialmente confirmados no Sinan-DCA/MG,  quatro (5,0%) tiveram exame parasitol&oacute;gico  direto negativo e resultado  sorol&oacute;gico positivo detectado apenas por anticorpos IgM anti-<i>T. cruzi, </i>al&eacute;m  de febre (<a href="#t1">Tabela 1</a>). Todos esses casos  foram descartados por n&atilde;o apresentarem evid&ecirc;ncias cl&iacute;nicas e epidemiol&oacute;gicas de  DCA.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Verificou-se que 866 (87,3%) fichas n&atilde;o permitiram avalia&ccedil;&atilde;o conclusiva dos crit&eacute;rios definidores de  caso. Dessas, 47,0% n&atilde;o preenchiam o crit&eacute;rio estabelecido pelo  Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de e em 53,0%, os itens necess&aacute;rios para a confirma&ccedil;&atilde;o do  caso estavam registrados como ignorados.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A revis&atilde;o dos 12 casos inicialmente considerados como confirmados  pela presen&ccedil;a de exame parasitol&oacute;gico positivo foi  realizada com base nas informa&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nico-epidemiol&oacute;gicas para o per&iacute;odo de  estudo, e nos resultados fornecidos pela Funed. Verificou-se a ocorr&ecirc;ncia de erros de digita&ccedil;&atilde;o de campo. Conclui-se, portanto, que n&atilde;o  houve qualquer caso de DCA em   Minas Gerais, no per&iacute;odo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Nos &uacute;ltimos quatro  anos, segundo a SVS/MS, n&atilde;o houve comprova&ccedil;&atilde;o da ocorr&ecirc;ncia de DCA no Estado de  Minas Gerais. Da mesma forma, o presente estudo constatou que, ap&oacute;s revis&atilde;o dos  casos notificados no per&iacute;odo analisado (n=992), em nenhum deles foi confirmado  o diagn&oacute;stico de DCA, o que corrobora a informa&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel no Portal  Nacional de Sa&uacute;de.<sup>5</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Dados recentes  estimam que a incid&ecirc;ncia da DCA no Brasil foi menor do que 0,5% por 100.000 habitantes,<sup>22</sup>  demonstrando que o risco representado pela doen&ccedil;a de Chagas foi reduzido.<sup>1</sup>  N&atilde;o obstante, tem-se afirmado que a falta  de diagn&oacute;stico de casos de DCA pela vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica pode refletir n&atilde;o uma situa&ccedil;&atilde;o de  controle e sim baixa sensibilidade para identifica&ccedil;&atilde;o de novos casos,  exacerbada pela hist&oacute;ria natural da doen&ccedil;a em que predomina a fase aguda oligo ou assintom&aacute;tica.<sup>13</sup>  Nesse caso, poderia haver uma subestimativa da magnitude e &ocirc;nus da endemia, com  subloca&ccedil;&atilde;o de recursos e planejamento inadequado de a&ccedil;&otilde;es para seu  enfrentamento.<sup>9</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Com rela&ccedil;&atilde;o aos casos  analisados neste estudo, os resultados obtidos conflituam com o preconizado  para suspei&ccedil;&atilde;o e encerramento dos casos de DCA. Um exemplo disso &eacute; a pequena  propor&ccedil;&atilde;o de refer&ecirc;ncias &agrave; ocorr&ecirc;ncia de febre. De acordo com a literatura, em  casos descritos de DCA aparentes ou inaparentes, a febre seria um achado  constante, especialmente de quadros febris prolongados.<sup>22-24</sup> No  presente estudo, entretanto, esse sintoma n&atilde;o foi relatado na maior parte dos  casos notificados, os quais, marcadamente, revelaram o predom&iacute;nio de arritmias  e sinais de insufici&ecirc;ncia  card&iacute;aca  congestiva (ICC) t&iacute;picos da fase cr&ocirc;nica.<sup>5</sup> A baixa frequ&ecirc;ncia de febre nos casos revistos  refor&ccedil;a a import&acirc;ncia do correto diagn&oacute;stico, fator diferencial dos casos de  outras endemias prevalentes da regi&atilde;o que apresentem manifesta&ccedil;&otilde;es similares &agrave;s  da DCA, como leishmaniose visceral, mal&aacute;ria, toxoplasmose, mononucleose  infecciosa e esquistossomose aguda. O resultado do diagn&oacute;stico final &eacute; digitado  no Sinan sem qualquer mecanismo de valida&ccedil;&atilde;o interna por parte do sistema,  principalmente quanto &agrave; inconsist&ecirc;ncia  das vari&aacute;veis  cl&iacute;nicas e laboratoriais presentes no pr&oacute;prio banco de dados.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O grau de  completitude dos dados de notifica&ccedil;&atilde;o pode ser influenciado pelos servi&ccedil;os de  diagn&oacute;stico dispon&iacute;veis, medidas de controle em funcionamento, al&eacute;m dos  interesses, recursos e prioridades das autoridades respons&aacute;veis pelo controle da doen&ccedil;a e pela vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de P&uacute;blica.<sup>25</sup> Um  importante achado foi a reduzida completitude das fichas de investiga&ccedil;&atilde;o  epidemiol&oacute;gica da DCA, cuja classifica&ccedil;&atilde;o, baixa para a maioria dos campos, e  digita&ccedil;&atilde;o err&ocirc;nea dos dados comprometeram a an&aacute;lise. A propor&ccedil;&atilde;o de respostas  desconhecidas ou em branco nas fichas analisadas pode ser considerada uma  medida direta da qualidade dos  dados; e indireta, da capacita&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica dos profissionais respons&aacute;veis pelo preenchimento. Observou-se completitude regular  a excelente dos dados apenas para algumas vari&aacute;veis relacionadas &agrave;  identifica&ccedil;&atilde;o. Paradoxalmente, a grande maioria dos profissionais de sa&uacute;de  considerou a ficha de investiga&ccedil;&atilde;o clara e de preenchimento simples. Concorda-se com Laguardia e  colaboradores, que apontam a defici&ecirc;ncia na abrang&ecirc;ncia e qualidade dos dados decorrente do fato de a maioria dos profissionais de  sa&uacute;de no pa&iacute;s considerar o preenchimento dos instrumentos de coleta de dados uma  atividade meramente burocr&aacute;tica, de import&acirc;ncia secund&aacute;ria.<sup>26</sup> A  aus&ecirc;ncia de informa&ccedil;&otilde;es laboratoriais adequadas no Sinan pode traduzir  tanto a inadequa&ccedil;&atilde;o na realiza&ccedil;&atilde;o do exame como poss&iacute;veis falhas na coleta de  dados por parte dos profissionais de sa&uacute;de durante o registro de atendimento,  na investiga&ccedil;&atilde;o ou, ainda, no momento da digita&ccedil;&atilde;o no sistema.<sup>18</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A aus&ecirc;ncia de registros sobre dados epidemiol&oacute;gicos, cl&iacute;nicos e de respostas laboratoriais interfere negativamente na  avalia&ccedil;&atilde;o adequada dos dados, de acordo com crit&eacute;rios preconizados pelo  Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de para confirma&ccedil;&atilde;o. Essa situa&ccedil;&atilde;o pode gerar a n&atilde;o detec&ccedil;&atilde;o  oportuna de surtos, como aconteceu no Estado de Santa Catarina, e tamb&eacute;m de  casos agudos, a exemplo do ocorrido na regi&atilde;o Norte do pa&iacute;s.<sup>5</sup> No  per&iacute;odo de 2005 a  2008, segundo informa&ccedil;&otilde;es da Ger&ecirc;ncia Estadual do Programa de Controle da  Doen&ccedil;a de Chagas, as Ger&ecirc;ncias Regionais de Sa&uacute;de - GRS - n&atilde;o possu&iacute;am  profissionais habilitados para a realiza&ccedil;&atilde;o do diagn&oacute;stico parasitol&oacute;gico em n&iacute;vel local. O primeiro treinamento foi realizado pela Funed no ano de 2009<sup>15</sup> e, muito provavelmente, os registros de exames parasitol&oacute;gicos positivos no banco de Sinan-DCA/MG podem ser decorrentes do  preenchimento equivocado das fichas. &Eacute; fundamental, portanto, que os  profissionais de sa&uacute;de entendam que a aus&ecirc;ncia de registros referentes aos  exames laboratoriais espec&iacute;ficos para DCA compromete o encerramento oportuno  dos casos.<sup>25</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A baixa completitude nas vari&aacute;veis acrescentadas na ficha de  investiga&ccedil;&atilde;o do agravo adotada a partir de 2007 (SinanNET) pode ser  devida ao volume expressivo de campos, o que acarreta o n&atilde;o preenchimento das respectivas  vari&aacute;veis, ou sua substitui&ccedil;&atilde;o pela categoria 'Sem informa&ccedil;&atilde;o'.<sup>25</sup> Laguardia e colaboradores  observaram que a car&ecirc;ncia de estudos qualitativos e quantitativos de avalia&ccedil;&atilde;o  do Sinan, possivelmente, contribui para o acr&eacute;scimo de vari&aacute;veis nas fichas de  investiga&ccedil;&atilde;o dos agravos. Ainda segundo esse autor, os avan&ccedil;os alcan&ccedil;ados pelo  sistema de informa&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de informatizado n&atilde;o foram antecedidos por  discuss&otilde;es t&eacute;cnicas mais profundas que pudessem orientar os gestores sobre  estrat&eacute;gias de manejo.<sup>26</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">As principais falhas observadas foram a aus&ecirc;ncia de preenchimento  de vari&aacute;veis essenciais para a defini&ccedil;&atilde;o de caso e a presen&ccedil;a de  inconsist&ecirc;ncias que comprometem o encerramento oportuno e correto dos casos.  Um exemplo s&atilde;o as notifica&ccedil;&otilde;es sem registro do resultado laboratorial e dos  sinais e sintomas sugestivos de DCA, a despeito do crit&eacute;rio de confirma&ccedil;&atilde;o  registrado. O estudo permite inferir o desconhecimento dos profissionais em  rela&ccedil;&atilde;o ao agravo e certo descaso no preenchimento dos instrumentos de  notifica&ccedil;&atilde;o. Contudo, qualquer que seja a explica&ccedil;&atilde;o, os achados n&atilde;o deixam  d&uacute;vidas: &eacute; mister melhorar a qualidade dos registros da vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica da DCA  como instrumento de apoio ao planejamento das a&ccedil;&otilde;es.<sup>26</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O Sinan disp&otilde;e de rotinas espec&iacute;ficas para altera&ccedil;&atilde;o de registros  de casos de DCA notificados, al&eacute;m de ferramentas que facilitam a identifica&ccedil;&atilde;o  e corre&ccedil;&atilde;o de poss&iacute;veis duplicidades, de acordo com as normas da vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica.<sup>21</sup> Esses procedimentos n&atilde;o foram executados com a devida freq&uuml;&ecirc;ncia  pelos usu&aacute;rios do sistema nos diferentes n&iacute;veis informatizados, nos anos de  2005 e 2006. Pressup&otilde;e-se, entretanto, que essas rotinas v&ecirc;m sendo executadas  atualmente, de maneira regular e adequada, visto o reduzido n&uacute;mero ou aus&ecirc;ncia  de duplicidades observadas em 2007 e 2008, especialmente na esfera municipal.<sup>5,21</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Este estudo mostrou certo descaso dos profissionais de sa&uacute;de com o  preenchimento das fichas de notifica&ccedil;&atilde;o de DCA, o que pode ser parcialmente  explicado pela baixa valoriza&ccedil;&atilde;o e retroalimenta&ccedil;&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es  registradas no sistema.<sup>25</sup> A maior integra&ccedil;&atilde;o entre as diferentes  esferas da Sa&uacute;de P&uacute;blica poderia aumentar o fluxo de informa&ccedil;&otilde;es e, assim,  auxiliar na solu&ccedil;&atilde;o de problemas como duplicidade de registros e encerramento  inadequado dos casos.<sup>9</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os resultados aqui apresentados indicam que, apesar de ter sido  criado para orientar as a&ccedil;&otilde;es de controle das doen&ccedil;as nos diferentes n&iacute;veis do  SUS, o Sinan tem se limitado a ser um sistema de registro, fluxo de  informa&ccedil;&otilde;es e tabula&ccedil;&atilde;o de dados sobre doen&ccedil;as de notifica&ccedil;&atilde;o obrigat&oacute;ria, como  a DCA. N&atilde;o obstante a ocorr&ecirc;ncia de novos casos de DCA ter diminu&iacute;do no Estado  de Minas Gerais, evidenciaram-se dificuldades por parte dos profissionais de  sa&uacute;de para o diagn&oacute;stico de caso suspeito da DCA por desconhecimento dos  crit&eacute;rios m&iacute;nimos para iniciar a investiga&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Com o prop&oacute;sito de aprimorar a qualidade e a confiabilidade da  vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica da DCA, &eacute; fundamental investir na capacita&ccedil;&atilde;o dos profissionais  respons&aacute;veis pelo preenchimento das fichas de notifica&ccedil;&atilde;o. A aus&ecirc;ncia dessa  qualidade e confiabilidade do sistema foi um fator limitante para a an&aacute;lise  mais adequada dos dados considerados neste estudo. A obten&ccedil;&atilde;o de dados com  qualidade &eacute; condi&ccedil;&atilde;o essencial para que o sistema de sa&uacute;de detecte falhas e  formule propostas de interven&ccedil;&atilde;o, pela continuidade do controle do agravo e  aperfei&ccedil;oamento da vigil&acirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Novos estudos s&atilde;o necess&aacute;rios para entender as poss&iacute;veis causas  associadas &agrave; baixa qualidade das bases de dados e identificar as ferramentas  mais adequadas a sua corre&ccedil;&atilde;o, de modo a garantir que as informa&ccedil;&otilde;es utilizadas  pelos gestores possibilitem a defini&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e planejamento de  a&ccedil;&otilde;es de maneira eficiente.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica tem, como pressuposto, que os dados  de notifica&ccedil;&atilde;o forne&ccedil;am informa&ccedil;&otilde;es sobre morbidade pr&oacute;ximas &agrave; realidade vivida  pela popula&ccedil;&atilde;o.<sup>17,21</sup> Conclui-se pela necessidade de melhorar a  qualidade da informa&ccedil;&atilde;o que &eacute; repassada para a base de dados nacional do Sinan, para subsidiar  as a&ccedil;&otilde;es de controle e preven&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a de Chagas aguda.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">1. World Health Organization. Control  of Chagas Disease. Second report of the WHO Expert Committee. Geneva: World Health Organization; 2002 (Technical  Report Series; 905).</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">2. World Health Organization. Control  of Neglected Tropical Diseases. Chagas disease (American  trypanosomiasis). &#91;acessado em 2009&#93;. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.who.int/neglected_diseases/diseases/chagas/en/" target="_blank">http://www.who.int/neglected_diseases/diseases/chagas/en/</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">3. Farias J. Doen&ccedil;as Infecciosas e Parasit&aacute;rias. Rio de Janeiro: Revinter; 2002.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">4. Moncayo A. Chagas disease: current epidemiological trends  after the interruption of vectorial and transfusional transmission in the  Southern Cone countries. Mem&oacute;rias do Instituto Oswaldo Cruz.  2003;98(5):577-591.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">5. Secretaria de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de. (acessado em 2011). Dispon&iacute;vel  em <a href="http://www.saude.gov.br/svs" target="_blank">www.saude.gov.br/svs</a> </font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">6. Dias JCP. Doen&ccedil;a de Chagas, ambiente, participa&ccedil;&atilde;o e Estado.  Cadernos de Sa&uacute;de P&uacute;blica. 2001;17 Supl:165-169.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">7. Vinhaes MC, Dias JCP.  Doen&ccedil;a de Chagas no Brasil. Cadernos de Sa&uacute;de P&uacute;blica. 2000; 16 Supl 2:S7-S12.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">8. Dias JP, Bastos C, Ara&uacute;jo E, Mascarenhas AV, Martins  Netto E, Grassi F, Silva M, et al. Acute Chagas disease  outbreak associated with oral transmission. Revista da Sociedade Brasileira de  Medicina Tropical.   2008;41(3):296-300.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">9. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Secretaria de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de. Aspectos  epidemiol&oacute;gicos, diagn&oacute;stico e tratamento de doen&ccedil;a de Chagas aguda. Guia de  consulta r&aacute;pida para profissionais de sa&uacute;de. Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de;  2009.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">10. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Secretaria de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de. Consenso   Brasileiro em Doen&ccedil;a de Chagas. Revista da Sociedade  Brasileira de Medicina Tropical. 2005;38 Supl 3:3-29.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">11. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Secretaria de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de. Doen&ccedil;as  infecciosas e parasitarias. 7<sup>a</sup> ed. 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Information system for notifiable diseases (Sinan): challenges in developing  a national health information system. Epidemiologia e Servi&ccedil;os de Sa&uacute;de. 2004;13(3):135-146.</font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><b><a name="endereco" id="endereco"></a><a href="#topo"><img src="img/revistas/ess/v20n1/seta.gif" border="0" /></a></b>Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia:</b><br />   Universidade Federal de Minas Gerais ,<br />   Av. Professor Alfredo Balena, 190, Sala 825,<br />   Santa Efig&ecirc;nia, Belo Horizonte-MG, Brasil.<br />   CEP:30130-100<br />   <i>E-mail</i>:<a href="mailto:egontijo@medicina.ufmg.br">egontijo@medicina.ufmg.br</a></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Recebido em 14/07/2010<br /> Aprovado em 14/09/2011 </font></p>      ]]></body><back>
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