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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A no Estado da Paraíba: uma análise a partir do relato de profissionais da Equipe de Saúde da Família]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[OBJECTIVE: to carry out a descriptive analysis of the National Program of Vitamin A Supplementation in Paraiba state. METHODOLOGY: interviews were carried out with 43 professionals responsible for the Program and 56 supplement appliers, in nine towns in the state. The interview form was constructed based on the ministerial policy that instituted the Program (729) and on the policy manual, the methodology of evaluation was centered in the structure-process-result. RESULTS: there were a good adherence of the families to the Program and the commitment to the Family Health Strategy Teams to capture the target-population, combining strategies such as activefinding, spontaneous demand and vaccination campaigns. The main weaknesses found were: a) the structure, lack of informative material to publicize the Program informing the target population; b) on the process, were lack of regularity, delay and insufficient supply of the supplement; lack or insufficiency of training; unawareness of the periodicity of the supplement application and inadequate filling-out of the registration form used by the Program; c) on the results, were low coverage and discontinuity in the application of the supplement. CONCLUSION: the results show the necessity of reorganizing and improving the Program in Paraiba, so that it can reach the expected impact.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b><b>ARTIGO ORIGINAL</b></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><font size="4"><a name="topo"></a>Programa Nacional de Suplementa&ccedil;&atilde;o  de Vitamina A no Estado da Para&iacute;ba: uma an&aacute;lise a partir do relato de  profissionais da Equipe de Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia</font></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>  <font size="3" face="verdana"><b>Brazilian Vitamin A Supplementation Program in Paraiba State: an  analisys from the narrative of the Family Health Program Team</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Adriana de Azevedo Paiva<sup>I</sup>; Mayara Poliane Pires Cagliari<sup>II</sup>; Daiane de Queiroz<sup>III</sup>; Rafaela Alves de Souto<sup>II</sup>; Virgínia Rossana de Sousa Brito<sup>IV</sup>; Inácia Sátiro Xavier de França<sup>V</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Departamento de Nutri&ccedil;&atilde;o, Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Alimentos e  Nutri&ccedil;&atilde;o, Universidade Federal do Piau&iacute;, Teresina-PI, Brasil    <br>     <sup>II</sup>Departamento de Enfermagem, Universidade Estadual da Para&iacute;ba,  Campina Grande-PB, Brasil    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     <sup>III</sup> Mestre em Sa&uacute;de P&uacute;blica, Universidade Estadual da Para&iacute;ba, Campina  Grande-PB, Brasil    <br>     <sup>IV</sup>Doutoranda em Sa&uacute;de da Crian&ccedil;a e do Adolescente, Universidade  Federal de Pernambuco., Recife-PE, Brasil. Departamento de Enfermagem,  Universidade Estadual da Para&iacute;ba, Campina Grande-PB, Brasil    <br>     <sup>V</sup>Departamento de Enfermagem, Mestrado em Saúde Pública, Universidade Estadual da Paraíba, Campina Grande-PB, Brasil </font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="verdana"><b><font size="2">RESUMO</font></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>OBJETIVO: </b>realizar uma an&aacute;lise  descritiva do Programa Nacional de Suplementa&ccedil;&atilde;o de Vitamina A na Para&iacute;ba.    <br>   <b>METODOLOGIA: </b>foram realizadas, em nove  munic&iacute;pios do estado, entrevistas com 43 profissionais respons&aacute;veis pelo  Programa e 56 aplicadores do suplemento. O formul&aacute;rio de entrevista foi  elaborado com base na Portaria ministerial que instituiu o Programa e no Manual  de normatiza&ccedil;&atilde;o, e a metodologia de avalia&ccedil;&atilde;o centrada na tr&iacute;ade  estrutura-processo-resultado.    <br>   <b>RESULTADOS: </b>como aspectos positivos observaram-se  a boa ades&atilde;o das fam&iacute;lias ao Programa e o empenho das Equipes de Sa&uacute;de da  Fam&iacute;lia em captar a popula&ccedil;&atilde;o-alvo, associando estrat&eacute;gias como busca ativa,  demanda espont&acirc;nea e campanhas de vacina&ccedil;&atilde;o. As principais fragilidades encontradas  foram: a) no eixo estrutura, falta de material informativo para divulgar o  Programa e orientar a popula&ccedil;&atilde;o-alvo; b) no eixo processo, falta de  regularidade, morosidade e fornecimento insuficiente do suplemento; falta ou  insufici&ecirc;ncia de treinamentos/capacita&ccedil;&otilde;es; desconhecimento da periodicidade de  aplica&ccedil;&atilde;o do suplemento e preenchimento incorreto do instrumento de registro  adotado pelo Programa; c) no eixo resultados, baixa cobertura e descontinuidade na aplica&ccedil;&atilde;o do suplemento.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <b>CONCLUS&Atilde;O: </b>os resultados mostram a necessidade  de reorganizar e aprimorar o Programa na Para&iacute;ba, para que atinja o impacto  esperado.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Palavras-chave: </b>avalia&ccedil;&atilde;o;  programa; vitamina A.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>SUMMARY</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>OBJECTIVE: </b>to carry out a descriptive analysis of the National Program of Vitamin  A Supplementation in Paraiba state.    <br>   <b>METHODOLOGY: </b>interviews were carried out with 43 professionals responsible for the  Program and 56 supplement appliers, in nine towns in the state. The interview  form was constructed based on the ministerial policy that instituted the  Program (729) and on the policy manual, the methodology of evaluation was  centered in the structure-process-result.    <br> <b>RESULTS: </b>there were a good adherence of the families to the Program and the  commitment to the Family Health Strategy Teams to capture the  target-population, combining strategies such as activefinding, spontaneous  demand and vaccination campaigns. The main weaknesses found were: a) the  structure, lack of informative material to publicize the Program informing the  target population; b) on the process, were lack of regularity, delay and  insufficient supply of the supplement; lack or insufficiency of training;  unawareness of the periodicity of the supplement application and inadequate  filling-out of the registration form used by the Program; c) on the results,  were low coverage and discontinuity in the application of the supplement.    <br> <b>CONCLUSION: </b>the results show the necessity of reorganizing and improving the Program in  Paraiba, so that it can reach the expected  impact.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Key words: </b>evaluation; program; vitamin A. </font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana"><b><font size="3">Introdu&ccedil;&atilde;o</font></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A defici&ecirc;ncia de vitamina A (DVA)  constitui uma das car&ecirc;ncias nutricionais que mais afeta o estado de sa&uacute;de de  grupos biologicamente vulner&aacute;veis, tais como crian&ccedil;as e gestantes.<sup>1-3</sup> &Eacute;  considerada um grave problema de Sa&uacute;de P&uacute;blica principalmente nos pa&iacute;ses  subdesenvolvidos, acarretando severas consequ&ecirc;ncias &agrave; sa&uacute;de infantil, tais  como: diminui&ccedil;&atilde;o do crescimento e do desenvolvimento, dist&uacute;rbios oculares, d&eacute;ficit imunol&oacute;gico e aumento  da morbimortalidade associada a infec&ccedil;&otilde;es respirat&oacute;rias, diarreia e sarampo.<sup>4-6</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No mundo, calcula-se que 250 milh&otilde;es  de crian&ccedil;as em idade pr&eacute;-escolar sejam acometidas por DVA subcl&iacute;nica e que 4,4  milh&otilde;es apresentem xeroftalmia, sendo a &Aacute;sia, a &Aacute;frica e a Am&eacute;rica Latina, as  regi&otilde;es com as mais altas preval&ecirc;ncias.<sup>1,2</sup> No continente Americano,  estima-se que 8,2 milh&otilde;es de crian&ccedil;as sejam acometidas, sendo 2,2 milh&otilde;es os  casos registrados no Brasil.<sup>2,7,8</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O Brasil &eacute; considerado pela  Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS)<sup>9</sup> como &aacute;rea de risco da car&ecirc;ncia  subcl&iacute;nica de vitamina A h&aacute; mais de duas d&eacute;cadas. A &uacute;ltima Pesquisa Nacional de  Demografia e Sa&uacute;de da Crian&ccedil;a e da Mulher (PNDS),<sup>10</sup> realizada no pa&iacute;s em 2006, mostrou, pela primeira vez em um  inqu&eacute;rito nacional, as preval&ecirc;ncias de DVA entre crian&ccedil;as menores de cinco  anos e mulheres de 15 a  49 anos. Os dados levantados indicaram que 17,4% das crian&ccedil;as e 12,3% das  mulheres apresentaram n&iacute;veis inadequados de vitamina A, com as taxas mais altas  observadas em crian&ccedil;as das regi&otilde;es Sudeste (21,6%) e Nordeste (19,0%). Uma  s&eacute;rie de outros estudos locais ou regionais realizados anteriormente tamb&eacute;m  sugerem que as regi&otilde;es Nordeste e Sudeste do Brasil apresentam alta preval&ecirc;ncia  de DVA em crian&ccedil;as e gestantes ou pu&eacute;rperas.<sup>11-13</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Na Para&iacute;ba, a DVA configura-se como  um problema de Sa&uacute;de P&uacute;blica grave,<sup>14</sup> fato demonstrado no &uacute;ltimo  inqu&eacute;rito de base populacional realizado no Estado, no qual se observou preval&ecirc;ncia  de DVA de 21,8% em crian&ccedil;as de seis a 59 meses de idade.<sup>15</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Face aos grandes malef&iacute;cios da DVA em  crian&ccedil;as e gestantes e da alta preval&ecirc;ncia encontrada no Brasil, esta tem  ocupado um lugar importante tanto em pesquisas epidemiol&oacute;gicas quanto na pauta  governamental, no que se refere &agrave; formula&ccedil;&atilde;o e implanta&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas e  programas de Seguran&ccedil;a Alimentar e Nutricional. Assim, foi implantada, a partir da d&eacute;cada de 80, uma s&eacute;rie de medidas intervencionistas a curto, m&eacute;dio e longo prazo, objetivando  a preven&ccedil;&atilde;o e o controle da defici&ecirc;ncia nutricional de vitamina A. Atualmente, &eacute; desenvolvido o &quot;Programa Nacional de  Suplementa&ccedil;&atilde;o de Vitamina A&quot;, o qual visa a suplementa&ccedil;&atilde;o com megadoses  da vitamina em crian&ccedil;as de seis a 59 meses de idade e em mulheres no p&oacute;s-parto  imediato; a promo&ccedil;&atilde;o do aleitamento materno exclusivo at&eacute; os seis meses e  complementar at&eacute; os dois anos; e medidas educativas que abordem a import&acirc;ncia  da vitamina A, os benef&iacute;cios da utiliza&ccedil;&atilde;o de alimentos fontes e os malef&iacute;cios  causados pela sua defici&ecirc;ncia no organismo.<sup>5,16</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Na Para&iacute;ba, apesar de implantado h&aacute;  mais de duas d&eacute;cadas, o Programa de Suplementa&ccedil;&atilde;o de Vitamina A n&atilde;o foi  submetido a nenhum processo de acompanhamento ou avalia&ccedil;&atilde;o, de maneira a  identificar as suas fragilidades e determinar os resultados das medidas  realizadas. Oportunamente, o presente estudo tem o objetivo de realizar uma  an&aacute;lise descritiva do Programa Nacional de Suplementa&ccedil;&atilde;o de Vitamina A na  Para&iacute;ba, de acordo com o relato de profissionais de Equipes de Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia  (ESF).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Metodologia</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O presente estudo &eacute; parte de uma  pesquisa de base populacional que foi realizada no ano de 2007 no Estado da  Para&iacute;ba, com o intuito de avaliar a operacionaliza&ccedil;&atilde;o do Programa Nacional de  Suplementa&ccedil;&atilde;o de Vitamina A, bem como determinar a preval&ecirc;ncia de DVA, anemia e  desnutri&ccedil;&atilde;o em   pr&eacute;-escolares. Trata-se de uma an&aacute;lise  descritiva do Programa com base em aspectos da tr&iacute;ade  estrutura-processo-resultado, proposta por Donabedian, para  nortear avalia&ccedil;&otilde;es de servi&ccedil;os.<sup>17</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Foram selecionados nove munic&iacute;pios,  dos quais tr&ecirc;s foram escolhidos por apresentarem as mais altas densidades  demogr&aacute;ficas do Estado (Jo&atilde;o Pessoa, Campina Grande e Patos), e os  demais foram selecionados por sorteio simples  (Pedra Branca, Boa Ventura, Concei&ccedil;&atilde;o,  Bel&eacute;m do  Brejo do Cruz, S&atilde;o Jos&eacute; de Espinharas e Malta). Nos referidos munic&iacute;pios foram  selecionadas todas as ESF que cobriam os setores censit&aacute;rios sorteados para o estudo  original,<sup>15</sup> sendo selecionadas,  ao todo, 47 ESF.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Realizou-se entrevista com os membros das ESFs que eram  os respons&aacute;veis pelo Programa ou que eram aplicadores do suplemento nas  Unidades B&aacute;sicas de Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia (UBSF). Foram considerados respons&aacute;veis pelo Programa aqueles profissionais das ESF aos quais competiam a  organiza&ccedil;&atilde;o e o gerenciamento do Programa, e, aplicadores, os profissionais que  forneciam o suplemento diretamente &agrave;s crian&ccedil;as. N&atilde;o houve recusa dos  profissionais &agrave; participa&ccedil;&atilde;o na pesquisa.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As entrevistas foram realizadas mediante a aplica&ccedil;&atilde;o de um formul&aacute;rio com  perguntas abertas e fechadas. Para a identifica&ccedil;&atilde;o das vari&aacute;veis e constru&ccedil;&atilde;o  dos instrumentos de coleta de dados tomou-se por base as condutas gerais do  Programa, normatizadas pelo Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de (MS),<sup>5</sup> nas quais s&atilde;o  preconizadas normas para  armazenamento; esquema para administra&ccedil;&atilde;o; estrat&eacute;gias operacionais; registro  da suplementa&ccedil;&atilde;o; e atividades de informa&ccedil;&atilde;o, educa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o &agrave;  comunidade.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Dessa forma, foram avaliados: a) Eixo estrutura: escolaridade e forma&ccedil;&atilde;o  dos recursos humanos; local de estoque dos frascos com c&aacute;psulas de vitamina A;  material para execu&ccedil;&atilde;o e divulga&ccedil;&atilde;o do Programa; b) Eixo processo: processo de  aquisi&ccedil;&atilde;o das c&aacute;psulas; estrat&eacute;gias para sele&ccedil;&atilde;o/capta&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o-alvo; fluxo de envio das informa&ccedil;&otilde;es  obtidas para &Oacute;rg&atilde;os/Setores respons&aacute;veis; periodicidade de administra&ccedil;&atilde;o do  suplemento para a popula&ccedil;&atilde;o-alvo; registro do fornecimento das c&aacute;psulas; ades&atilde;o  das fam&iacute;lias; estrat&eacute;gias educacionais;  capacita&ccedil;&atilde;o dos profissionais; c) Eixo resultado: cobertura.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Para avaliar a cobertura do Programa foi feita a an&aacute;lise do registro na  caderneta da crian&ccedil;a de 1.211 crian&ccedil;as de seis a 59  meses de idade residentes na zona urbana dos munic&iacute;pios estudados. A sele&ccedil;&atilde;o  das crian&ccedil;as ocorreu aleatoriamente segundo a t&eacute;cnica de amostragem sistem&aacute;tica  do tipo m&uacute;ltiplas etapas.<sup>15</sup> As perdas ou recusas foram compensadas  imediatamente, por reposi&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as da mesma faixa et&aacute;ria, que residissem  em domic&iacute;lios vizinhos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os dados obtidos foram comparados &agrave;s normas preconizadas pelo MS<sup>5</sup>  e pelas Portarias 2.160 de 23 de dezembro de 1994<sup>18</sup> e 729 de 13 de maio de 2005.<sup>19</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Considera&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O projeto foi aprovado pelo Comit&ecirc; de &Eacute;tica em Pesquisa  da Universidade Estadual da Para&iacute;ba, protocolo n<sup>o</sup> 1128.0.133.000-05, e seguiu todas as  recomenda&ccedil;&otilde;es da Resolu&ccedil;&atilde;o 196/96  do Conselho  Nacional de Sa&uacute;de para pesquisas envolvendo seres humanos.<sup>20</sup></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Resultados</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Foram avaliadas 47 ESF, sendo realizadas  entrevistas com 43 profissionais  respons&aacute;veis pelo Programa de Suplementa&ccedil;&atilde;o da Vitamina A e 56 profissionais aplicadores do suplemento. No que  concerne ao perfil de escolaridade e forma&ccedil;&atilde;o profissional dos recursos  humanos, identificou-se que a maior parte dos  respons&aacute;veis pelo Programa possu&iacute;a o ensino superior completo (32,5%) ou a p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em n&iacute;vel de  especializa&ccedil;&atilde;o (20,7%), totalizando 53,2% com, no m&iacute;nimo,  escolaridade em n&iacute;vel de ensino superior. Observou-se que 46,5% eram  enfermeiros e 44,0% eram atendentes, auxiliares ou t&eacute;cnicos em enfermagem. Uma  parcela de 7,2% possu&iacute;a forma&ccedil;&atilde;o em outras &aacute;reas (Pedagogia, Hist&oacute;ria e  Letras), al&eacute;m do n&iacute;vel m&eacute;dio em enfermagem. J&aacute; para os aplicadores, o perfil  revelado foi de profissionais com n&iacute;vel m&eacute;dio de escolaridade (64,3%) e forma&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica em  enfermagem (75,2%) (<a href="#t1">Tabela  1</a>).</font></p>     <p><a name="t1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/ess/v20n3/3a12t1.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Os frascos contendo vitamina A eram armazenados nas salas destinadas &agrave;  imuniza&ccedil;&atilde;o em todas as UBSF. Quando interrogados sobre o local de armazenamento  dos frascos, a maioria dos respons&aacute;veis (57,2%) o considerou adequado; 26,2%  consideraram-no parcialmente  adequado e  16,6%, inadequado. De acordo com o demonstrado na <a href="#f1">Figura 1</a>, o  ambiente f&iacute;sico de armazenamento das c&aacute;psulas de vitamina A foi considerado livre da umidade,  arejado e livre da exposi&ccedil;&atilde;o solar pela maioria dos entrevistados.</font></p>     <p><a name="f1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/ess/v20n3/3a12f1.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Com rela&ccedil;&atilde;o ao material para execu&ccedil;&atilde;o, divulga&ccedil;&atilde;o e orienta&ccedil;&atilde;o sobre o  Programa, 74,4% dos profissionais referiram conhecer  algum tipo de material informativo (manual, cartazes,  cartazetes). Esse material, segundo 66,6% dos profissionais que o conheciam, foi considerado adequado para informar  &agrave;s fam&iacute;lias sobre o Programa, mas para 30,1%, ele foi identificado como incompleto e confuso. Conv&eacute;m  enfatizar que 70,3% dos entrevistados afirmaram n&atilde;o dispor deste material nas  UBSF.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os resultados da an&aacute;lise de vari&aacute;veis  relacionadas ao processo de desenvolvimento do Programa, de acordo com o  relato, respectivamente, dos profissionais respons&aacute;veis e dos aplicadores,  est&atilde;o apresentados nas <a href="#t2">tabelas 2</a> e <a href="#t3">3</a>.</font></p>     <p><a name="t2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/ess/v20n3/3a12t2.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="t3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/ess/v20n3/3a12t3.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Em rela&ccedil;&atilde;o ao recebimento do  suplemento, a maioria dos respons&aacute;veis pelo Programa (67,4%) referiu que  ocorria com frequ&ecirc;ncia mensal a trimestral, mas 23,4% relataram que n&atilde;o existia nenhuma  regularidade para a aquisi&ccedil;&atilde;o, e que ficavam na depend&ecirc;ncia da disponibilidade  do suplemento nas Secretarias de Sa&uacute;de municipais ou nos Distritos Sanit&aacute;rios.  Apesar da boa regularidade na maioria dos servi&ccedil;os, foram referidas algumas  dificuldades no processo de aquisi&ccedil;&atilde;o: 18,5% mencionaram a morosidade no  recebimento, 4,7% o fornecimento insuficiente e 4,7% o fornecimento  insuficiente espec&iacute;fico das c&aacute;psulas de 100.000 UI (<a href="#t2">Tabela 2</a>).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Outro aspecto investigado junto aos  respons&aacute;veis diz respeito aos crit&eacute;rios para a sele&ccedil;&atilde;o/capta&ccedil;&atilde;o da  popula&ccedil;&atilde;o-alvo. Os principais crit&eacute;rios mencionados foram: busca ativa +  demanda espont&acirc;nea (57,5%) e busca ativa + demanda espont&acirc;nea + campanha de  vacina&ccedil;&atilde;o (14,5%) (<a href="#t2">Tabela 2</a>). Ainda quanto a esta sele&ccedil;&atilde;o, a  maioria dos respons&aacute;veis (90,5%) referiu n&atilde;o ter dificuldade em captar a  popula&ccedil;&atilde;o a ser atendida e 9,5% afirmaram que a aus&ecirc;ncia de treinamento da  equipe, a exist&ecirc;ncia de n&uacute;mero reduzido de Agentes Comunit&aacute;rios de Sa&uacute;de (ACS)  e o descompromisso dos respons&aacute;veis pelas crian&ccedil;as s&atilde;o as dificuldades mais  frequentes na capta&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Interrogou-se, ainda aos respons&aacute;veis  pelo Programa, sobre o envio de informa&ccedil;&otilde;es para os &oacute;rg&atilde;os ou setores  respons&aacute;veis. Todos afirmaram que o envio era mensal, e 78,0% consideraram o  fluxo sem dificuldades. Entre as dificuldades foram relatadas falha na  operacionaliza&ccedil;&atilde;o do envio (14,0%), descontrole ou desorganiza&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o  municipal de sa&uacute;de receptor das informa&ccedil;&otilde;es (2,6%) e falta do formul&aacute;rio para  preencher os dados (2,6%).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Quando se interrogou aos aplicadores,  profissionais respons&aacute;veis pela fun&ccedil;&atilde;o de administra&ccedil;&atilde;o do suplemento &agrave;  popula&ccedil;&atilde;o-alvo, sobre a periodicidade da aplica&ccedil;&atilde;o para as crian&ccedil;as, 91,0%  referiram corretamente que deve ser de seis em seis meses. Por&eacute;m, 5,4% n&atilde;o  souberam informar e 3,6% mencionaram que poderia ser antes de completar quatro  meses ou anualmente. Al&eacute;m disso, 24,5% afirmaram que a periodicidade era  cumprida somente algumas vezes</font> <font size="2" face="verdana">e 1,9% citou que n&atilde;o era cumprida,  sendo o motivo relacionado com a falta das m&atilde;es no dia agendado e/ou a falta de  suplemento na Unidade. Todos os aplicadores (100,0%) relataram anotar na  caderneta da crian&ccedil;a a data da pr&oacute;xima aplica&ccedil;&atilde;o, e 84,0%, al&eacute;m de fazerem o  registro na caderneta, informavam verbalmente &agrave;s m&atilde;es ou respons&aacute;veis pela  crian&ccedil;a sobre a nova data (<a href="#t3">Tabela 3</a>).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O mapa di&aacute;rio recomendado pelo MS  para registro das doses administradas foi utilizado por 100,0% dos aplicadores.  Por&eacute;m, quando os aplicadores foram perguntados se haviam sido treinados para o  preenchimento do instrumento, 29,6% referiram que n&atilde;o haviam recebido qualquer  tipo de treinamento. Dos 70,4% que receberam treinamento, a grande maioria  (81,8%) afirmou ter recebido apenas um. Cumpre destacar que 59,6% dos  aplicadores explicaram incorretamente o preenchimento do mapa, demonstrando  que n&atilde;o tinham a compreens&atilde;o m&iacute;nima para o registro.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A ades&atilde;o das fam&iacute;lias, na opini&atilde;o dos profissionais respons&aacute;veis pelo  Programa e dos aplicadores do suplemento, foi considerada boa na maioria dos  casos (55,8 e 55,4%, respectivamente) (<a href="#f2">Figura 2</a>). Segundo os respons&aacute;veis e os aplicadores, os  motivos mais relacionados com a m&aacute; ades&atilde;o das fam&iacute;lias foram: falta de  disciplina/esquecimento (37,5 e 53,8% respectivamente),  desconhecimento do Programa (37,5  e 30,8%, respectivamente) e  falta das c&aacute;psulas de vitamina A (25,0%, para os respons&aacute;veis).</font></p>     <p><a name="f2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/ess/v20n3/3a12f2.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">No tocante &agrave; educa&ccedil;&atilde;o/informa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o acerca do Programa de  Suplementa&ccedil;&atilde;o de Vitamina A, 81,4%  dos  profissionais referiram realizar estrat&eacute;gias para informar/educar a comunidade.  A estrat&eacute;gia mais citada foi a orienta&ccedil;&atilde;o pelos Agentes Comunit&aacute;rios de Sa&uacute;de e  profissionais de enfermagem da Unidade (31,4<sup>o</sup>%) (<a href="#f3">Figura 3</a>).</font></p>     <p><a name="f3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/ess/v20n3/3a12f3.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Quanto &agrave; capacita&ccedil;&atilde;o dos profissionais respons&aacute;veis pelo Programa, 60,5% afirmaram n&atilde;o ter  recebido treinamento/capacita&ccedil;&atilde;o. Para aqueles que receberam treinamento/capacita&ccedil;&atilde;o (39,5%), a maioria (80%) referiu ter recebido  apenas um.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No tocante &agrave; cobertura, a an&aacute;lise minuciosa da caderneta da crian&ccedil;a de uma  amostra de 1.211 crian&ccedil;as de seis a 59 meses de idade atendidas pelas UBSF visitadas  mostrou que 72,4% receberam a megadose  de vitamina A pelo menos uma vez, enquanto que 24,1% nunca haviam recebido a vitamina A. Das crian&ccedil;as que receberam a megadose,  47,3%, haviam recebido a &uacute;ltima dose h&aacute; mais de seis meses.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O presente estudo, a partir do relato de profissionais da ESF envolvidos diretamente na operacionaliza&ccedil;&atilde;o  do Programa Nacional de Suplementa&ccedil;&atilde;o de Vitamina A na Para&iacute;ba, revela pontos  positivos na operacionaliza&ccedil;&atilde;o do Programa, mas indica tamb&eacute;m algumas  fragilidades que precisam ser trabalhadas com vistas a melhorar o impacto das a&ccedil;&otilde;es realizadas, e  finalmente, controlar a DVA que ainda &eacute; um problema grave de Sa&uacute;de P&uacute;blica  nesse Estado.<sup>15</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Analisando alguns pontos concernentes &agrave; estrutura, identificou-se uma satisfat&oacute;ria  escolaridade e forma&ccedil;&atilde;o profissional da maioria dos profissionais respons&aacute;veis  pelo Programa nas UBSF e aplicadores. Todos os aplicadores possu&iacute;am forma&ccedil;&atilde;o  em enfermagem (m&eacute;dio ou superior), demonstrando que o profissional de  enfermagem est&aacute; mais diretamente envolvido com as a&ccedil;&otilde;es de preven&ccedil;&atilde;o e  controle de agravos &agrave; sa&uacute;de,<sup>21</sup> tais como a DVA.  Enfatizamos a import&acirc;ncia de reciclar os conhecimentos e promover novas  oportunidades educativas para os profissionais com menores n&iacute;veis de instru&ccedil;&atilde;o,  com o intuito de melhorar a operacionaliza&ccedil;&atilde;o e o gerenciamento do Programa.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Ainda no contexto da estrutura, verificou-se que nas UBSF, segundo  os respons&aacute;veis, as c&aacute;psulas eram guardadas nas salas de imuniza&ccedil;&atilde;o, locais  considerados como livre da umidade, arejado e livre da exposi&ccedil;&atilde;o solar pela maioria dos entrevistados,  e de acordo com o preconizado pelo MS. Deve-se salientar que, apesar da maioria  dos profissionais ter considerado o local de armazenamento das c&aacute;psulas  adequado, esta informa&ccedil;&atilde;o deve ser analisada com cautela, considerando que em  quase 10,0% dos ambientes o suplemento estava exposto &agrave; luz solar, o que torna  o armazenamento inadequado. O armazenamento adequado &eacute; um ponto importante a  ser observado na estrutura do Programa de Suplementa&ccedil;&atilde;o da Vitamina A, uma vez  que a c&aacute;psula de vitamina A &eacute; muito sens&iacute;vel, tendo o seu conte&uacute;do afetado na  presen&ccedil;a de luz solar e claridade, indicando que deva existir o recebimento e  armazenamento em local apropriado, fresco, arejado e n&atilde;o exposto a luz solar.<sup>5,19</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Segundo a Portaria n<sup>o</sup> 72.919, para que as medidas  educativas relativas ao Programa da vitamina A sejam efetivadas o MS &eacute;  respons&aacute;vel pela elabora&ccedil;&atilde;o de materiais e a divulga&ccedil;&atilde;o das normas operacionais  aos estados, cabendo a este &uacute;ltimo a dissemina&ccedil;&atilde;o pelos seus munic&iacute;pios. Entre  os materiais disponibilizados pelo MS est&atilde;o cartaz, cartazete e manual  espec&iacute;fico para o Programa da vitamina A, al&eacute;m de outros que podem ser  utilizados na orienta&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias, abordando a defici&ecirc;ncia de vitamina A e  a promo&ccedil;&atilde;o da alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel como forma de preven&ccedil;&atilde;o da car&ecirc;ncia vitam&iacute;nica.<sup>5,19</sup> No entanto, nenhum tipo de material educativo ou informativo foi  encontrado nas UBSF deste estudo, o que se caracteriza como um fato  preocupante, mas facilmente contorn&aacute;vel. Destaca-se que a Portaria n<sup>o</sup>  72.919 &eacute; bastante clara quando refere que &eacute; uma condicionalidade para a  implanta&ccedil;&atilde;o do Programa no munic&iacute;pio o provimento das a&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas de sa&uacute;de e  atividades educativas em alimenta&ccedil;&atilde;o e nutri&ccedil;&atilde;o suficientes para que as  fam&iacute;lias reconhe&ccedil;am a DVA como problema de sa&uacute;de e adotem h&aacute;bitos alimentares  saud&aacute;veis.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No processo de aquisi&ccedil;&atilde;o das  c&aacute;psulas, notou-se que a frequ&ecirc;ncia de recebimento variou de mensal a  trimestralmente ou sem regularidade definida, sendo pontuadas algumas  dificuldades tais como a morosidade e a insufici&ecirc;ncia do suplemento. O MS<sup>19</sup>  afirma que o suplemento de vitamina A ser&aacute; enviado, conforme log&iacute;stica  definida entre a Secretaria de Aten&ccedil;&atilde;o &agrave; Sa&uacute;de, e a Secretaria de Ci&ecirc;ncia,  Tecnologia e Insumos Estrat&eacute;gicos do MS, cujo quantitativo ser&aacute; calculado  previamente com base na popula&ccedil;&atilde;o levantada pelo IBGE. Para o c&aacute;lculo do  quantitativo da megadose de vitamina A utilizada no exerc&iacute;cio seguinte, o MS deduzir&aacute; o saldo de  produtos ainda dispon&iacute;veis no munic&iacute;pio e, caso necess&aacute;rio, avaliar&aacute; a  pertin&ecirc;ncia de enviar quantitativo adicional desde que haja solicita&ccedil;&atilde;o do  gestor municipal do SUS, devidamente fundamentada. O gestor estadual  ser&aacute; respons&aacute;vel por enviar aos munic&iacute;pios e cada munic&iacute;pio dever&aacute; escolher a  melhor estrat&eacute;gia de acesso a este suplemento, de maneira que nunca falte na  Unidade.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Vale salientar que o  MS enfatiza a necessidade de envio das informa&ccedil;&otilde;es &agrave; coordena&ccedil;&atilde;o estadual do  Programa quando os estoques de vitamina A estiverem excedendo as necessidades  do munic&iacute;pio, possibilitando  o  remanejamento do suplemento para munic&iacute;pios vizinhos, ou quando os estoques  estiverem aqu&eacute;m das necessidades, solicitando, nesse caso, quantitativo  adicional, em tempo h&aacute;bil, para n&atilde;o ocasionar descontinuidade do Programa, ou  ainda quando o lote estiver com prazo de validade pr&oacute;ximo da data a expirar.<sup>19</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As dificuldades apontadas  na aquisi&ccedil;&atilde;o do suplemento demonstram que apesar  da normatiza&ccedil;&atilde;o estabelecida pelo MS, ainda existem falhas no acesso &agrave;s  c&aacute;psulas da vitamina, o que pode prejudicar a pr&aacute;tica da suplementa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as nos munic&iacute;pios estudados e comprometer a efetividade  do Programa. &Eacute; importante frisar que a falta acontece com maior frequ&ecirc;ncia para  as c&aacute;psulas de 100.000 UI, destinadas a crian&ccedil;as  com idade entre seis meses e um ano, faixa et&aacute;ria onde tem-se verificado uma maior  susceptibilidade &agrave; DVA, em compara&ccedil;&atilde;o com crian&ccedil;as maiores.<sup>14,15</sup>  Esse fato serve de alerta para o MS e as gest&otilde;es estaduais e municipais, para  que possam intensificar o controle e facilitar a aquisi&ccedil;&atilde;o do suplemento de  vitamina A, principalmente considerando que estudo realizado no Estado da Bahia  j&aacute; apontava falhas desta natureza naquele estado.<sup>3</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Nesta pesquisa, a  popula&ccedil;&atilde;o a ser atendida foi selecionada por meio de busca ativa, demanda espont&acirc;nea e campanha,  concomitantemente. A busca ativa destacou-se como uma importante estrat&eacute;gia, sendo  observada na maioria das ESF, mas acreditamos que para aumentar a cobertura,  que ainda est&aacute; baixa, e abranger toda a popula&ccedil;&atilde;o de menores de cinco anos do  munic&iacute;pio, seria relevante a complementa&ccedil;&atilde;o das tr&ecirc;s estrat&eacute;gias abordadas.  Cada munic&iacute;pio deve identificar as fam&iacute;lias que tenham crian&ccedil;as de seis a 59  meses para a administra&ccedil;&atilde;o da megadose de vitamina A, conforme o Manual de  Condutas Gerais do Programa, devendo o munic&iacute;pio escolher a forma   mais apropriada de  sele&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o de acordo com as suas necessidades.<sup>5</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Com rela&ccedil;&atilde;o ao envio  das informa&ccedil;&otilde;es obtidas na Unidade, 100,0% das ESF cumprem a recomenda&ccedil;&atilde;o da  Portaria,<sup>19</sup> que versa sobre a obrigatoriedade de envio dessa informa&ccedil;&atilde;o para  as autoridades competentes, as quais, atrav&eacute;s destes dados, poder&atilde;o verificar  se os suplementos est&atilde;o sendo fornecidos &agrave;s crian&ccedil;as, e em caso negativo,  poder&atilde;o tomar as providencias cab&iacute;veis. Vale salientar, que os profissionais  devem submeter a folha de registro de todas as doses mensalmente ao coordenador  municipal do Programa, o qual, ap&oacute;s recolher os Mapas Di&aacute;rios de administra&ccedil;&atilde;o de vitamina A, dever&aacute; consolid&aacute;-los no  Mapa Mensal Municipal de Administra&ccedil;&atilde;o de Vitamina A.<sup>5</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em rela&ccedil;&atilde;o ao aspecto  periodicidade de fornecimento  da c&aacute;psula &agrave;  crian&ccedil;a, esperava-se que todos os aplicadores estivessem cientes do  fornecimento a cada seis meses, entretanto uma propor&ccedil;&atilde;o deles desconhecia esse  prazo, o que se revela como um fato negativo, tendo em vista ser o aplicador o  profissional de maior responsabilidade em rela&ccedil;&atilde;o ao cumprimento da periodicidade da  suplementa&ccedil;&atilde;o. De acordo com o MS, a suplementa&ccedil;&atilde;o com megadoses de vitamina A  deve ser feita a cada seis meses, sendo o intervalo de quatro em quatro meses,  considerado o intervalo seguro de administra&ccedil;&atilde;o.<sup>5</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No que concerne ao  registro da aplica&ccedil;&atilde;o, o MS orienta que os suplementos administrados em  crian&ccedil;as devem ser registrados no Mapa Di&aacute;rio de Administra&ccedil;&atilde;o de Vitamina A para se ter controle do n&uacute;mero de  crian&ccedil;as que est&aacute; recebendo a megadose, devendo no final do dia ou da semana  ser verificado o n&uacute;mero de doses administradas para cada grupo, bem como as  doses perdidas.<sup>5</sup> Neste quesito, o Programa est&aacute; cumprindo suas  atividades, uma vez que os aplicadores referiram utilizar o Mapa Di&aacute;rio em suas  rotinas. Por&eacute;m, a aus&ecirc;ncia ou a pouca  frequ&ecirc;ncia de realiza&ccedil;&atilde;o de treinamentos relatados pela maioria dos  profissionais demonstra a necessidade de maiores esfor&ccedil;os neste aspecto, uma  vez que uma parcela grande de aplicadores n&atilde;o sabe preencher o instrumento  corretamente.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">O ato de registrar a aplica&ccedil;&atilde;o na caderneta da crian&ccedil;a tem sido cumprido  pelos aplicadores na Para&iacute;ba. No entanto, para melhorar a ades&atilde;o das fam&iacute;lias e  a cobertura do Programa, seria v&aacute;lido que al&eacute;m do registro por escrito fosse  feita tamb&eacute;m orienta&ccedil;&atilde;o verbal &agrave; popula&ccedil;&atilde;o no ato da aplica&ccedil;&atilde;o, explicando e refor&ccedil;ando a data agendada, uma vez que se trata de um grupo pouco  favorecido quanto &agrave; escolaridade.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A boa ades&atilde;o das fam&iacute;lias foi um fato  considerado bastante positivo e promissor e demonstra que a popula&ccedil;&atilde;o est&aacute; bem  sensibilizada para o Programa. Em contrapartida, a afirma&ccedil;&atilde;o de ser considerada  regular ou ruim, ainda que rara, revela a necessidade de alguns munic&iacute;pios melhorarem  suas estrat&eacute;gias de sele&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o ou modific&aacute;-la para que todas as  crian&ccedil;as sejam beneficiadas. J&aacute; que foi citado que fatores tais como  esquecimento e desconhecimento prejudicam a ades&atilde;o, parece-nos razo&aacute;vel  promover novas estrat&eacute;gias de educa&ccedil;&atilde;o junto &agrave; comunidade, bem como melhorar as  j&aacute; existentes.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">De acordo com a Portaria n<sup>o</sup>  72.919 a  realiza&ccedil;&atilde;o de atividades de informa&ccedil;&atilde;o, educa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o sobre a defici&ecirc;ncia  da vitamina A junto &agrave;s fam&iacute;lias &eacute; um componente a longo prazo do Programa,  objetivando ampliar o conhecimento das fam&iacute;lias acerca da DVA, incentivando,  tamb&eacute;m, o aumento da ingest&atilde;o de fontes alimentares ricas em vitamina A. Vale  refor&ccedil;ar, mais uma vez, que os munic&iacute;pios s&atilde;o respons&aacute;veis por fornecer a&ccedil;&otilde;es  b&aacute;sicas de sa&uacute;de e atividades educativas em alimenta&ccedil;&atilde;o e nutri&ccedil;&atilde;o necess&aacute;rias  para que as fam&iacute;lias reconhe&ccedil;am a defici&ecirc;ncia de vitamina A como problema de  sa&uacute;de, adotem h&aacute;bitos alimentares  saud&aacute;veis e se sintam estimuladas a levarem seus filhos  aos servi&ccedil;os de sa&uacute;de para dar seguimento &agrave;s administra&ccedil;&otilde;es das megadoses de  vitamina A.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os dados do presente estudo indicam  fragilidades em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; capacita&ccedil;&atilde;o dos profissionais que atuam no Programa  de Suplementa&ccedil;&atilde;o da Vitamina A, sinalizando para a necessidade de maior  aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s a&ccedil;&otilde;es propostas pelos gestores ou gerentes da sa&uacute;de nesse sentido. A  import&acirc;ncia da forma&ccedil;&atilde;o e capacita&ccedil;&atilde;o permanente em todas as pol&iacute;ticas e programas de  sa&uacute;de &eacute; uma quest&atilde;o indiscut&iacute;vel, e, no tocante ao Programa da vitamina A, &eacute;  atribui&ccedil;&atilde;o do MS e das secretarias estaduais e municipais o apoio &agrave;  capacita&ccedil;&atilde;o de recursos humanos nas a&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de inerentes ao controle e &agrave;  preven&ccedil;&atilde;o das car&ecirc;ncias nutricionais, de acordo com as orienta&ccedil;&otilde;es  especificadas na Portaria n<sup>o</sup> 729 e no Manual de Condutas Gerais do  Programa.<sup>5,19</sup> Segundo Davini e Roschke,<sup>22</sup> educa&ccedil;&atilde;o  permanente em sa&uacute;de requer mudan&ccedil;as nas pr&aacute;ticas de pensar, projetar e realizar  a educa&ccedil;&atilde;o, contando com o apoio das institui&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de, para assumir as  m&uacute;ltiplas dimens&otilde;es de seu processo de transforma&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Quanto &agrave; cobertura do Programa,  percebeu-se a necessidade de maiores esfor&ccedil;os no sentido de atender &agrave;s metas. Uma boa  parcela de crian&ccedil;as apresentou o registro da primeira dose, o que demonstra  que o Programa tem uma boa abrang&ecirc;ncia. Apesar disso, percebeu-se que a  periodicidade de suplementa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o vem sendo seguida, uma vez que cerca de  metade das crian&ccedil;as havia recebido o suplemento h&aacute; mais de seis meses, fato  este que pode estar contribuindo para a elevada preval&ecirc;ncia de DVA encontrada  no estado.<sup>15</sup> A cobertura ainda insatisfat&oacute;ria reflete as  dificuldades e desabilidades apontadas pelos profissionais respons&aacute;veis e  aplicadores da vitamina A nas ESF estudadas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O presente estudo traz informa&ccedil;&otilde;es  que permitem ter uma vis&atilde;o do funcionamento do Programa Nacional de Suplementa&ccedil;&atilde;o  de Vitamina A no Estado da Para&iacute;ba, considerando-se o relato de alguns  profissionais envolvidos no processo. Por&eacute;m, sugere-se que novas avalia&ccedil;&otilde;es  sejam feitas incorporando os demais atores que tem rela&ccedil;&atilde;o com o Programa, tais  como os gestores, os ACS e a pr&oacute;pria popula&ccedil;&atilde;o-alvo, no sentido de compreender  melhor os fatores que comprometem a efic&aacute;cia do Programa, e, sobretudo,  permitindo sua reorganiza&ccedil;&atilde;o e aprimoramento, para que finalmente atinja o  impacto esperado.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">1. McLaren DS, Frigg M. Sight and  life manual on vitamin A deficiency disorders (VADD). 2nd ed. Switzerland: Task Force Sight and  Life; 2001.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">2. West KP Jr. Extent of vitamin a  deficiency among preschool children and women of reproductive age. 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(Serie Desarrollo Recursos Humanos n<sup>o</sup> 100).</font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><a name="endereco"></a><a href="#topo"><img src="img/revistas/ess/v20n1/seta.gif" border="0"></a>Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia:</b>    <br>   Rua Professor Pires Gayoso, 210,    <br>   Apartamento 201, Bloco A,    <br>   Teresina-PI, Brasil.    <br>   CEP:64046-350    <br>   <i>E-mail:</i><a href="mailto:aapaiva@yahoo.com.br">aapaiva@yahoo.com.br</a>, <a href="mailto:aapaiva@ufpi.edu.br">aapaiva@ufpi.edu.br</a></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Recebido em 03/09/2010    <br>   Aprovado em 05/09/2011 </font></p>     ]]></body>
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