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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Polarização epidemiológica no Brasil]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>REPUBLICAÇÃO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b><a name="topo"></a>Polariza&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica no Brasil<sup><a href="#fim">*</a></sup></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Epidemiological  Polarization in Brazil</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Jos&eacute; Duarte de Ara&uacute;jo (<i>in memorian</i>)</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> No transcorrer dos &uacute;ltimos cem anos, os pa&iacute;ses industrializados,  p&oacute;los centrais da economia mundial, observaram uma profunda transforma&ccedil;&atilde;o em  seu perfil epidemiol&oacute;gico,  caracterizada pela gradual e progressiva queda das doen&ccedil;as  infecciosas e parasit&aacute;rias e pela ascens&atilde;o das doen&ccedil;as cr&ocirc;nico-degenerativas e,  particularmente, das doen&ccedil;as cardiovasculares, como principal causa de  morte.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Os pa&iacute;ses chamados 'em desenvolvimento', situados na periferia do  sistema econ&ocirc;mico mundial, sofreram, tamb&eacute;m, nos &uacute;ltimos 30 a 40 anos, uma  transforma&ccedil;&atilde;o em seus perfis de morbidade e de mortalidade semelhante, por&eacute;m  n&atilde;o id&ecirc;ntica, &agrave;quela verificada nos pa&iacute;ses centrais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> No Brasil, essas transforma&ccedil;&otilde;es tornaram-se evidentes a partir de  1960 e se acentuaram progressivamente de modo que, ao chegar &agrave; d&eacute;cada dos noventa,  o pa&iacute;s apresentava um perfil epidemiol&oacute;gico polarizado, cujas causas e  consequ&ecirc;ncias para a atual pol&iacute;tica de sa&uacute;de devem ser analisadas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana">  <b>A transi&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica nos pa&iacute;ses desenvolvidos</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> A gradual e progressiva melhora nos n&iacute;veis de sa&uacute;de dos pa&iacute;ses do  hemisf&eacute;rio norte se acentuou a partir das transforma&ccedil;&otilde;es sociais associadas &agrave;  revolu&ccedil;&atilde;o industrial, que resultaram em mudan&ccedil;as sens&iacute;veis na disponibilidade  de alimentos, nas condi&ccedil;&otilde;es de moradia e em medidas de saneamento b&aacute;sico. As  altera&ccedil;&otilde;es nos padr&otilde;es de morbidade e mortalidade desses pa&iacute;ses correspondem a  uma fase mais recente de um processo hist&oacute;rico secular, ao qual Omram, em 1971,  denominou de 'transi&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica'.<sup>1</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Segundo a teoria de OMRAM, a humanidade teria atravessado tr&ecirc;s  fases epidemiol&oacute;gicas ao longo da sua hist&oacute;ria:</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> a) A 'Era da Fome das Pestil&ecirc;ncias', que durou desde o in&iacute;cio dos  tempos hist&oacute;ricos at&eacute; o fim da Idade M&eacute;dia, foi caracterizada por altos &iacute;ndices  de natalidade, altas taxas de mortalidade por doen&ccedil;as infecciosas end&ecirc;micas e  epidemias que assumiam, com frequ&ecirc;ncia, car&aacute;ter pand&ecirc;mico, devastando as  popula&ccedil;&otilde;es. Nessa fase, a expectativa de vida estava em torno de 20 anos e o  crescimento demogr&aacute;fico foi lento.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> b) A 'Era do Decl&iacute;nio das Pandemias', correspondendo historicamente ao  per&iacute;odo que vai da Renascen&ccedil;a at&eacute; o in&iacute;cio da Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial, foi  caracterizada pelo progressivo desaparecimento das grandes pandemias, embora as  doen&ccedil;as infecciosas continuassem a ser a principal causa de morte. Nesse  per&iacute;odo verificou-se uma gradual melhora no padr&atilde;o de vida e a expectativa de  vida alcan&ccedil;ou os 40 anos. Como as taxas de mortalidade declinaram at&eacute; n&iacute;veis de  30 por 1000 e a natalidade continuava acima de 40 por 1000, iniciou-se um longo  per&iacute;odo de crescimento populacional.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"> c) A 'Era das Doen&ccedil;as Degenerativas e das Causadas pelo Homem'  estende-se da Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial at&eacute; os tempos modernos. Caracterizou-se por  uma progressiva melhora do padr&atilde;o de vida das popula&ccedil;&otilde;es (habita&ccedil;&atilde;o,  saneamento, alimenta&ccedil;&atilde;o, educa&ccedil;&atilde;o) e um correspondente decl&iacute;nio das doen&ccedil;as  infecciosas, que se iniciou v&aacute;rias d&eacute;cadas antes do aparecimento das sulfas e  dos antibi&oacute;ticos e se acentuou ap&oacute;s esses progressos da medicina. A  expectativa de vida foi aumentando at&eacute; atingir os 70 anos, nos meados deste s&eacute;culo.  As principais causas de mortalidade passaram a ser doen&ccedil;as cardiovasculares e  as neoplasias malignas. Nessa fase, houve uma desacelera&ccedil;&atilde;o no crescimento  demogr&aacute;fico.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em 1986, Olshansky e Ault,<sup>2</sup>  analisando as tend&ecirc;ncias nos padr&otilde;es da morbidade e da mortalidade nos Estados  Unidos, sugeriram o in&iacute;cio de um quarto est&aacute;gio da transi&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica, ao  qual denominaram de 'A Era do Retardamento das Doen&ccedil;as Degenerativas',  caracterizado por um decl&iacute;nio da mortalidade nas idades mais avan&ccedil;adas, em  decorr&ecirc;ncia de um retardamento nas mortes causadas pelas doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas e degenerativas.  Nessa fase, a expectativa da vida superaria o limite dos 80 anos. O consequente r&aacute;pido aumento na propor&ccedil;&atilde;o de pessoas idosas  apresentaria novos desafios para os sistemas de seguridade social e de aten&ccedil;&atilde;o  &aacute; sa&uacute;de.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana">  <b>A transi&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica nos pa&iacute;ses em  desenvolvimento</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Nos pa&iacute;ses que n&atilde;o  foram beneficiados pelos aspectos positivos da Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial e nos quais  s&oacute; tardiamente tiveram in&iacute;cio as tentativas de desenvolvimento econ&ocirc;mico aut&ocirc;nomo, tamb&eacute;m se  verificaram, nas &uacute;ltimas cinco d&eacute;cadas, mudan&ccedil;as importantes nos padr&otilde;es de  morbidade.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Como a melhoria das  condi&ccedil;&otilde;es de vida nesses pa&iacute;ses tem sido gradual e descont&iacute;nua, o decl&iacute;nio das  doen&ccedil;as infecciosas deu-se de forma mais lenta e  s&oacute; se acentuou ap&oacute;s o advento da era dos antibi&oacute;ticos e de outros avan&ccedil;os da  medicina moderna. Nessa fase, a queda r&aacute;pida da mortalidade, associada &aacute;  persist&ecirc;ncia de taxas elevadas de natalidade, levou a uma acelera&ccedil;&atilde;o do  crescimento populacional. Com o aumento gradual da expectativa de vida, a  propor&ccedil;&atilde;o de pessoas com mais de 60 anos passou a crescer de modo constante. De modo semelhante ao que ocorreu  nos pa&iacute;ses industrializados, as doen&ccedil;as cardiovasculares, as neoplasias  malignas e as causas externas (sobretudo os acidentes de tr&acirc;nsito) passaram a  assumir maior import&acirc;ncia como causas de morte. Todavia, ao contr&aacute;rio do que  ocorreu nos pa&iacute;ses centrais, persistem ainda, nos pa&iacute;ses 'em desenvolvimento',  taxas comparativamente altas de morbidade e  de mortalidade por doen&ccedil;as infecciosas e parasit&aacute;rias.<sup>3</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Alguns  epidemiologistas que se dedicaram ao estudo do padr&atilde;o de morbidade e  mortalidade desses pa&iacute;ses, como Frenk<sup>4</sup> e Bobadilla,<sup>5</sup>  demonstraram que o modelo linear da transi&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica, observado nas na&ccedil;&otilde;es  centrais, n&atilde;o se aplicava aos pa&iacute;ses da periferia do sistema econ&ocirc;mico, da  mesma forma que a concep&ccedil;&atilde;o de desenvolvimento  econ&ocirc;mico de Rostow,<sup>6</sup> pressupondo etapas sucessivas e pr&eacute;-determinadas no  processo de desenvolvimento, n&atilde;o foi comprovada pela experi&ecirc;ncia dos pa&iacute;ses da  Am&eacute;rica Latina, onde predominam os exemplos de processos interrompidos e at&eacute; de  retrocessos. O mesmo vem ocorrendo com os padr&otilde;es de morbidade e mortalidade  nesses pa&iacute;ses. Ser&aacute; visto adiante, h&aacute; um nexo entre os percal&ccedil;os na busca  frustrada do desenvolvimento econ&ocirc;mico  e os atrasos  e retrocessos no perfil epidemiol&oacute;gico desses pa&iacute;ses.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana">  <b>A experi&ecirc;ncia do Brasil</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> As estat&iacute;sticas de  mortalidade no Brasil<sup>7</sup> mostram que, at&eacute; 1940 (<a href="#f1">Figura 1</a>), havia um n&iacute;tido predom&iacute;nio das doen&ccedil;as infecciosas  e parasit&aacute;rias como principal causa de morte (43,5% do total de &oacute;bitos). As doen&ccedil;as do aparelho circulat&oacute;rio correspondiam a 14,5% e as neoplasias  malignas a apenas 3,9% dos &oacute;bitos com causa  definida. Trinta anos depois, em 1970, as doen&ccedil;as do aparelho circulat&oacute;rio j&aacute; surgiam como a primeira causa de  mortalidade (24,8%); as doen&ccedil;as  infecciosas e parasit&aacute;rias como a segunda (15,7%); e as neoplasias malignas como a terceira (9,7%).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="f1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/ess/v21n4/4a02f1.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"> Dados recentes, de 1986,<sup>8</sup> mostram que as Doen&ccedil;as do Aparelho  Circulat&oacute;rio j&aacute; eram respons&aacute;veis por 33,5% dos &oacute;bitos, vindo em segundo lugar as Causas Externas (14,85%) e, em terceiro lugar,  as neoplasias malignas (11,9%). Aparentemente, esses  &iacute;ndices indicariam que se estava verificando no Brasil, de forma tardia, o  terceiro est&aacute;gio de transi&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica, na teoria de Oram. Todavia, o  exame mais cuidadoso dos pr&oacute;prios dados de mortalidade, associado &agrave; considera&ccedil;&atilde;o  dos escassos dados de morbidade, bem como a uma an&aacute;lise do comportamento desses  indicadores em diferentes regi&otilde;es do pa&iacute;s, mostra que se est&aacute; diante de um  quadro bastante diverso e que pode ser caracterizado como polariza&ccedil;&atilde;o  epidemiol&oacute;gica, de acordo com o conceito apresentado por Frenk e colaboradores.<sup>4</sup>  Apresenta-se a seguir, fatos e  dados em apoio a esse ponto de vista.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Embora as  estat&iacute;sticas de morbidade sejam sabidamente deficientes no Brasil, as  estimativas mais recentes indicam que continua muito alta a preval&ecirc;ncia das  antigas 'endemias rurais', tais como: a doen&ccedil;a de Chagas<sup>9</sup> e a  esquistossomose.<sup>10</sup> No caso da mal&aacute;ria,<sup>11</sup> enfrenta-se uma situa&ccedil;&atilde;o grave na  Amaz&ocirc;nia, onde se concentra 95,0% dos 533.360 casos confirmados em 1990/91. Acrescente-se a esses problemas os  surtos de dengue, em 1986/87 e em 1990/91;<sup>11</sup>  a reintrodu&ccedil;&atilde;o da c&oacute;lera<sup>12</sup> em 1991 na Amaz&ocirc;nia e sua penetra&ccedil;&atilde;o no  Nordeste, em 1992; e o aumento na  incid&ecirc;ncia e na preval&ecirc;ncia da hansen&iacute;ase, nos &uacute;ltimos 20 anos.<sup>11</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Verifica-se, assim, ao lado da perman&ecirc;ncia e do agravamento de problemas sanit&aacute;rios  antigos, o reaparecimento de &quot;velhos fantasmas&quot;<sup>13</sup> como a  c&oacute;lera.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> A esse quadro soma-se o novo drama da  S&iacute;ndrome da Imunodefici&ecirc;ncia Adquirida (SIDA/AIDS), cujo primeiro caso ocorreu  em 1980 e cuja incid&ecirc;ncia vem  aumentando em progress&atilde;o geom&eacute;trica, tendo atingido um total acumulado de 25.000 casos registrados em 1992, afetando n&atilde;o apenas os  chamados grupos de risco, mas a praticamente todos os segmentos da popula&ccedil;&atilde;o.<sup>14</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> No que tange as taxas  de mortalidade por doen&ccedil;as infecciosas e parasit&aacute;rias, embora tenha havido um  acentuado decl&iacute;nio na mortalidade proporcional, de 45,7% em 1930 para 7,97% em 1986, quando se considera a  mortalidade por 100.000 habitantes,  verificamos que no Brasil ainda &eacute; de 33 por 100.000 habitantes, mais do  dobro verificada no Chile e quase quatro vezes a verificada em Cuba (<a href="#t1">Tabela 1</a>).</font></p>     <p><a name="t1"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/ess/v21n4/4a02t1.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"> Desta forma, ao  enfrentar o problema emergente do aumento da morbidade e da mortalidade pelas  doen&ccedil;as cr&ocirc;nico-degenerativas, cujo  custo social vem sendo destacado,<sup>15</sup> o Brasil defronta-se com a perman&ecirc;ncia ou  at&eacute; mesmo com o recrudescimento das doen&ccedil;as infecciosas e parasit&aacute;rias, ao  contr&aacute;rio do que se deu nos pa&iacute;ses industrializados, onde as doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas s&oacute; passaram a assumir  papel preponderante ap&oacute;s o virtual controle das doen&ccedil;as transmiss&iacute;veis.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Verifica-se assim, no Brasil, uma polariza&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica com a exist&ecirc;ncia  simult&acirc;nea de elevadas taxas de morbidade e mortalidade por doen&ccedil;as  cr&ocirc;nico-degenerativas e de incid&ecirc;ncia e preval&ecirc;ncia de doen&ccedil;as infecciosas e parasit&aacute;rias, cuja mortalidade ainda &eacute; elevada em compara&ccedil;&atilde;o com as taxas  de pa&iacute;ses desenvolvidos e de outros pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>A disparidade dos n&iacute;veis de sa&uacute;de entre as regi&otilde;es do pa&iacute;s</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Outra caracter&iacute;stica  marcante dos &iacute;ndices da morbidade e mortalidade no Brasil &eacute; a disparidade entre as  regi&otilde;es Sul, Sudeste  e Nordeste, que representam os extremos em termos de indicadores de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Em 1980, a mortalidade infantil  era de 48,9% por 1.000 nascidos vivos, na  regi&atilde;o Sul, e de 122,5, no Nordeste.  Analisando as principais causas de morte segundo grupos de causas (<a href="#t2">Tabela 2</a>), observa-se, de in&iacute;cio, que as  causas 'mal definidas' - um indicador de falta  de assist&ecirc;ncia m&eacute;dica - correspondem a 45,5% no Nordeste e apenas  a 8,9% na regi&atilde;o Sudeste. As  enfermidades do aparelho circulat&oacute;rio, embora sejam a primeira causa de morte  em ambas as regi&otilde;es, corresponde a 35,7% dos &oacute;bitos com causa definida na regi&atilde;o Sudeste e a 27,4% na regi&atilde;o Nordeste,  enquanto as enfermidades infecciosas e parasit&aacute;rias correspondem a 14,3% dos &oacute;bitos, na regi&atilde;o  Nordeste, e apenas a 5,7% dos &oacute;bitos no  Sudeste.</font></p>     <p><a name="t2"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/ess/v21n4/4a02t2.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"> Observa-se assim,  no Brasil, ao lado da polariza&ccedil;&atilde;o entre tipos de agravos &aacute; sa&uacute;de (doen&ccedil;as cr&ocirc;nico-degenerativas <i>versus </i>doen&ccedil;as infecciosas e parasit&aacute;rias), um outro tipo  de polariza&ccedil;&atilde;o, a geogr&aacute;fica, significando a exist&ecirc;ncia de regi&otilde;es com padr&otilde;es  de sa&uacute;de compar&aacute;veis aos dos pa&iacute;ses desenvolvidos e regi&otilde;es com &iacute;ndices de  mortalidade compar&aacute;veis aos dos pa&iacute;ses mais pobres do hemisf&eacute;rio sul. Existe  ainda a polariza&ccedil;&atilde;o social que se manifesta pelos desn&iacute;veis nos indicadores de  mortalidade e morbidade entre diferentes grupos populacionais, dentro de uma  mesma regi&atilde;o, estado ou cidade. Ela &eacute; uma express&atilde;o das desigualdades de renda,  da car&ecirc;ncia, de alimenta&ccedil;&atilde;o, moradia, saneamento, educa&ccedil;&atilde;o e, tamb&eacute;m, da  dificuldade de acesso aos servi&ccedil;os de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Vale destacar que, atualmente, o quadro epidemiol&oacute;gico  apresentado pelo Brasil guarda grande semelhan&ccedil;a com o observado em outros  pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina.<sup>4</sup> Este quadro ao lado de causas hist&oacute;ricas  mais remotas tem, pelo menos no que diz respeito &aacute; deterioriza&ccedil;&atilde;o verificada  nos &uacute;ltimos anos, uma n&iacute;tida rela&ccedil;&atilde;o com um processo econ&ocirc;mico comum a toda a Am&eacute;rica Latina na d&eacute;cada de oitenta: a pol&iacute;tica de ajuste econ&ocirc;mico, resultante do endividamento externo. Tal fato &eacute;  destacado com clareza em recente documento da Organiza&ccedil;&atilde;o Pan-Americana de Sa&uacute;de,<sup>10</sup> do qual s&atilde;o extra&iacute;das as seguintes cita&ccedil;&otilde;es:</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> A 'crise da divida',  que causou um fluxo negativo  de capitais nos  pa&iacute;ses devedores, &eacute;  um aspecto da crise universal  e profunda da economia  global, que amplia seus  efeitos sobre as sociedades perif&eacute;ricas, as quais incluem a maioria das sociedades das Am&eacute;ricas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">  &quot;<i>Como  resultado, o conjunto do contexto econ&ocirc;mico social e pol&iacute;tico durante o &uacute;ltimo quadri&ecirc;nio foi duplamente desfavor&aacute;vel para as condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de nas  Am&eacute;ricas</i>&quot;.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&quot;<i>As taxas de crescimento econ&ocirc;mico ca&iacute;ram, o desemprego  aumentou e, em geral, a </i>&quot;<i>qualidade de vida</i>&quot;<i> foi prejudicada por  aumentos nos custos de vida e pela degrada&ccedil;&atilde;o ambiental</i>&quot;.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">  &quot;<i>Os recursos dispon&iacute;veis para a Sa&uacute;de P&uacute;blica diminu&iacute;ram na  mesma propor&ccedil;&atilde;o que o disp&ecirc;ndio p&uacute;blico total</i>&quot;.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Essas constata&ccedil;&otilde;es estabelecem um nexo entre as causas da chamada  'd&eacute;cada perdida', no processo de desenvolvimento da Am&eacute;rica Latina e as causas  da deteriora&ccedil;&atilde;o do quadro de sa&uacute;de desses pa&iacute;ses, da qual &eacute; um exemplo a  polariza&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica registrada no Brasil.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Os desafios para a  pol&iacute;tica de sa&uacute;de</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> O quadro epidemiol&oacute;gico  descrito apresenta, para os respons&aacute;veis pela formula&ccedil;&atilde;o e  pela execu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de sa&uacute;de brasileira, um duplo desafio.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> O primeiro desafio &eacute; o da luta em duas frentes: o Minist&eacute;rio da  Sa&uacute;de, ao tempo em que enfrenta a batalha contra a c&oacute;lera, a dengue, a aids e as antigas e  ainda persistentes endemias  (mal&aacute;ria, esquistossomose, doen&ccedil;a de Chagas, hansen&iacute;ase, etc.), n&atilde;o pode negligenciar o problema dos novos agravos, cuja incid&ecirc;ncia  aumenta ano a ano e cujas taxas de mortalidade ocupam os primeiros lugares.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> As doen&ccedil;as cardiovasculares podem ser prevenidas e isso j&aacute; foi  demonstrado nas tr&ecirc;s &uacute;ltimas d&eacute;cadas nos Estados Unidos e na Europa. Trata-se,  aqui, de tomar medidas de promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de (combate ao fumo, est&iacute;mulo ao  exerc&iacute;cio f&iacute;sico, restri&ccedil;&atilde;o de sal e de gorduras saturadas na alimenta&ccedil;&atilde;o) e de  medidas simples de preven&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria (diagn&oacute;stico precoce e tratamento da  hipertens&atilde;o, profilaxia da febre reum&aacute;tica), que podem e devem ser incorporadas na  rotina da aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria &agrave; sa&uacute;de no SUS.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> No caso das neoplasias malignas, particularmente do c&acirc;ncer ginecol&oacute;gico, as medidas de preven&ccedil;&atilde;o s&atilde;o de baixo custo e facilmente incorpor&aacute;veis &agrave; rotina do  SUS. J&aacute; a quest&atilde;o das causas externas (particularmente as mortes por acidentes  de tr&acirc;nsito e homic&iacute;dios), embora o problema transcenda os limites do setor  sa&uacute;de, cabe aos epidemiologistas dar o alerta para a gravidade crescente da  quest&atilde;o social.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> O segundo desafio &eacute; o da equidade. Trata-se aqui tanto a equidade  entre indiv&iacute;duos, como entre as regi&otilde;es. As disparidades dos &iacute;ndices de  morbidade e mortalidade entre diferentes grupos sociais refletem n&atilde;o apenas a  conhecida rela&ccedil;&atilde;o entre pobreza e doen&ccedil;a, mas tamb&eacute;m um aspecto negativo do  nosso sistema de aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de: a dificuldade de acesso a servi&ccedil;os eficazes  de sa&uacute;de por partes das camadas mais desfavorecidas da popula&ccedil;&atilde;o, em flagrante  desobedi&ecirc;ncia ao preceito constitucional do direito &agrave; sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> As desigualdades regionais s&atilde;o uma extens&atilde;o geogr&aacute;fica dos  desn&iacute;veis sociais. Aos servi&ccedil;os p&uacute;blicos, particularmente aos servi&ccedil;os de  sa&uacute;de, caberia, em tese, um papel redistribuidor, de corrigir ou atenuar os  desn&iacute;veis regionais, exatamente o contr&aacute;rio do que vem sucedendo no pa&iacute;s, onde  a distribui&ccedil;&atilde;o regional dos servi&ccedil;os e dos recursos humanos na &aacute;rea de sa&uacute;de &eacute;  terrivelmente desigual.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Para enfrentar esses desafios &eacute; fundamental a informa&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica. Sem uma vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica moderna e adequada a nova din&acirc;mica da morbidade e da mortalidade  no Brasil ser&aacute; imposs&iacute;vel encaminhar solu&ccedil;&otilde;es  oportunas e adequadas aos graves problemas apontados.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> A informa&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica &eacute; a base do planejamento de sa&uacute;de. O  processo decis&oacute;rio, a defini&ccedil;&atilde;o das prioridades, em um contexto t&atilde;o complexo quanto o  da sa&uacute;de no Brasil, tem que se fundamentar em dados confi&aacute;veis e atualizados  n&atilde;o s&oacute; de mortalidade, mas tamb&eacute;m de morbidade, incluindo a&iacute; atendimentos  ambulatoriais, hospitaliza&ccedil;&otilde;es  e seus respectivos custos por agravos. Acredita-se que as  informa&ccedil;&otilde;es oriundas do sistema de atendimento ambulatorial e  hospitalar do SUS possam fornecer o material de que o Centro Nacional de  Epidemiologia (Cenepi) necessita para prover o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de com as  informa&ccedil;&otilde;es epidemiol&oacute;gicas indispens&aacute;veis. O lan&ccedil;amento do Informe  Epidemiol&oacute;gico do SUS refor&ccedil;a esse ponto de vista.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"> Permanece aberto o  espa&ccedil;o para a comunidade acad&ecirc;mica de epidemiologistas  prestam a sua colabora&ccedil;&atilde;o aprofundando a an&aacute;lise dos dados oferecidos pelo  Cenepi e tomando iniciativa de realizar, com o apoio do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de ou  das ag&ecirc;ncias de fomento &aacute; pesquisa, estudos especiais de preval&ecirc;ncia de  determinadas doen&ccedil;as como foi feito recentemente para o diabetes<sup>16</sup> e  para a hipertens&atilde;o, que encontra-se em andamento,<sup>17</sup>  ou ent&atilde;o estudos de fatores de risco, como a  determina&ccedil;&atilde;o do perfil lip&iacute;dico da popula&ccedil;&atilde;o brasileira.<sup>18</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Cabe ainda &agrave;  comunidade acad&ecirc;mica, particularmente  &agrave;queles grupos mais interessados na Epidemiologia Social, o aprofundamento da  an&aacute;lise das causas da polariza&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica, como um reflexo nos n&iacute;veis de  sa&uacute;de da crise econ&ocirc;mica e social na Am&eacute;rica  Latina, tal como transparece da colet&acirc;nea  de trabalhos  organizada por Leal e colaboradores<sup>19</sup> para a Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es  Unidas para o Meio Ambiente.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana">  <b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">  1. Omram AR. The epidemiological  transition: a theory of the epidemiology of population change. Milbank Memorial  Fund Quarterly. 1971; 49(4):509-583.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> 2. Olshaqnsky SJ, Ault BA. The fourth  stage of the epidemiologic transition. The age of delayed degenerative  diseases. Milbank Memorial Fund Quarterly. 1986; 64(3):355-391.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> 3. Laurenti R. O problema das doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas degenerativas e dos acidentes nas &aacute;reas  urbanizadas da Am&eacute;rica Latina. Revista de Sa&uacute;de P&uacute;blica. 1975; 9(2):239-248.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> 4. Frenk J, Frejka T, Bobadilla JL, Stern C,  Lozano R, Sepulveda JYY, et al. La transition epidemiol&oacute;gica  em Am&eacute;rica Latina. Boletin de la Oficina Sanitaria Panamericana. 1991; 111(6):485-496.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> 5. Bobadilla JL, Frenk J, Frejka T, Lozano R,  Stern C. The  epidemiologic transition and health priorities. In: Jamison DT, Mosley WH, Measham AR, Bobadilla JL, editores. Disease control priorities in developing  countries. New York: Oxford University Press; 1993. p. 51-63.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> 6. Rostow WW. The stages of economic  growth: a non-communist manifesto. New York: Cambridge University Press; 1960.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> 7. Bayer GF, Goes S. Mortalidade nas capitais brasileiras 1930-1980. Radis-Dados.  1984; 7:1-8</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> 8. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Estat&iacute;sticas de mortalidade: Brasil, 1986. Bras&iacute;lia:  Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de; 1991.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> 9. World Health Organization. Control of Chagas disease. Report of the WHO Expert  Committee. Geneva: World Health Organization; 1991. (Technical Report Series).</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> 10. Panamerican Health Organization. Health  conditions in the Am&eacute;ricas. Washington: Panamerican Health Organization;   1990.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> 11. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Funda&ccedil;&atilde;o Nacional  de Sa&uacute;de. Centro  Nacional de Epidemiologia. Informe Epidemiol&oacute;gico. Ano I: n. 5; Abril 1992.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> 12. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Funda&ccedil;&atilde;o Nacional  de Sa&uacute;de. Centro Nacional de Epidemiologia. C&oacute;lera Informe Epidemiol&oacute;gico. Ano I: n.  5; Abril 1992.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> 13. Carvalheiro JR. Pestil&ecirc;ncias: velhos  fantasmas, novas cadeias. Sa&uacute;de e Sociedade. 1992; 1(1):25-42.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> 14. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Boletim Epidemiol&oacute;gico. AIDS; Ano V: n. 02; 1992.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> 15. Lessa I. Years of productive life lost to  premature mortality from cardiovascular disease. Bulletin of the Pan American   Health  Organization. 1991; 25(3):229-236.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> 16. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Estudo multic&ecirc;ntrico sobre a preval&ecirc;ncia do  diabetes <i>mellitus</i> no  Brasil: resultados. Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de; 1991.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">17. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Estudo multic&ecirc;ntrico sobre a preval&ecirc;ncia da  hipertens&atilde;o arterial no DF. Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio da   Sa&uacute;de; 1991.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> 18. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de: Aspectos preliminares do  perfil lip&iacute;dico na popula&ccedil;&atilde;o brasileira economicamente ativa: manual  de opera&ccedil;&atilde;o. Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de; 1989.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> 19. Leal M, Sabroza PC, Rodrigues RH, Buss PM. Sa&uacute;de,  ambiente e desenvolvimento. S&atilde;o Paulo: Hucitec-Abrasco; 1992.</font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup><a name="fim"></a><a href="#topo">*</a></sup>Ara&uacute;jo JD. Polariza&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica no Brasil. Informe Epidemiol&oacute;gico do SUS. 1992; 1(2): 6-15.</font></p>      ]]></body><back>
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