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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>COMUNICA&Ccedil;&Atilde;O CIENT&Iacute;FICA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="4"><b>A se&#231;&#227;o de discuss&#227;o de um artigo cient&#237;fico</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>The discussion section of a scientific paper</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Mauricio Gomes Pereira</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Professor Em&#233;rito, Universidade de Bras&#237;lia, Bras&#237;lia-DF, Brasil</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">As tr&#234;s primeiras partes do corpo de um artigo original - introdu&#231;&#227;o, m&#233;todo e resultados - foram assunto de publica&#231;&#245;es anteriores.<sup>1-3</sup> No presente texto, aborda-se a discuss&#227;o, o que completa a estrutura do artigo. O material aqui mostrado est&#225; baseado no livro 'Artigos cient&#237;ficos: como redigir, publicar e avaliar'.<sup>4</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A discuss&#227;o &#233; o local do artigo que abriga os coment&#225;rios sobre o significado dos resultados, a compara&#231;&#227;o com outros achados de pesquisas e a posi&#231;&#227;o do autor sobre o assunto. Uma discuss&#227;o sem estrutura coerente desagrada, da&#237; a conveni&#234;ncia de organizar os temas em t&#243;picos. Estrutura pass&#237;vel de ser utilizada consta do quadro. Cada um dos t&#243;picos informa sobre uma faceta da discuss&#227;o e seu conjunto fornece os subs&#237;dios para se julgar a adequa&#231;&#227;o dos argumentos, da conclus&#227;o e de todo o texto.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Maneira conveniente de iniciar a Discuss&#227;o consiste em real&#231;ar, com poucas palavras, os achados mais importantes ou os conhecimentos novos desvendados pela pesquisa.<sup>4,</sup> <sup>p.104</sup> Essa s&#237;ntese, &#250;til em relatos complexos, &#233; omitida nos textos curtos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ap&#243;s essa parte inicial, comenta-se o m&#233;todo empregado, de modo que o autor informe qu&#227;o v&#225;lida a pesquisa lhe parece.<sup>4,</sup> <sup>p.105</sup> Considera-se boa pr&#225;tica o pr&#243;prio autor apontar as car&#234;ncias em vez de omiti-las propositadamente, &#224; espera de que passem despercebidas. Limita&#231;&#245;es importantes n&#227;o assinaladas no texto diminuem a credibilidade da investiga&#231;&#227;o. Merecem ser apontadas as limita&#231;&#245;es que possam influenciar substancialmente os resultados e alterar as conclus&#245;es da investiga&#231;&#227;o. Essas limita&#231;&#245;es est&#227;o relacionadas ao tipo de delineamento empregado ou a detalhes da pr&#243;pria investiga&#231;&#227;o. Tamb&#233;m s&#227;o comentados aspectos positivos, entre os quais as provid&#234;ncias adotadas para neutralizar as limita&#231;&#245;es, para contorn&#225;-las ou estimar sua influ&#234;ncia nos resultados.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O relacionamento dos achados da investiga&#231;&#227;o com o conhecimento relevante, dispon&#237;vel no momento da reda&#231;&#227;o do artigo, &#233; outro t&#243;pico a incluir.<sup>4,</sup> <sup>p.108</sup> A interpreta&#231;&#227;o de compara&#231;&#245;es entre estudos &#233; problem&#225;tica na presen&#231;a de diferen&#231;as metodol&#243;gicas. S&#243; h&#225; sentido em comparar frequ&#234;ncias quando produzidas de maneira semelhante. Se, em uma pesquisa, os dados forem obtidos por entrevista e, em outra, pela verifica&#231;&#227;o de prontu&#225;rios, as diferen&#231;as encontradas podem refletir apenas a forma de coleta de dados. Muitos outros fatores explicam a varia&#231;&#227;o de resultados alcan&#231;ados por diferentes investiga&#231;&#245;es, entre os quais se encontram os tipos de delineamento, os cen&#225;rios em que as pesquisas se realizam, os crit&#233;rios de classifica&#231;&#227;o para incluir ou excluir pacientes da casu&#237;stica, as defini&#231;&#245;es de vari&#225;veis, as caracter&#237;sticas dos grupos estudados, o teor das interven&#231;&#245;es (dose, dura&#231;&#227;o) e o tamanho de amostra. Assim, as especificidades e a qualidade dos trabalhos, suas limita&#231;&#245;es e seus aspectos positivos s&#227;o levados em conta na refer&#234;ncia a outros artigos, presente na discuss&#227;o. O leitor se beneficiar&#225; ao se familiarizar com as revis&#245;es sistem&#225;ticas, especialmente nos aspectos concernentes &#224; reuni&#227;o, avalia&#231;&#227;o e classifica&#231;&#227;o da qualidade dos artigos. O confronto de dados entre estudos metodologicamente homog&#234;neos permite concluir, com maior convic&#231;&#227;o, se os resultados da literatura concordam ou n&#227;o com os da investiga&#231;&#227;o que se relata. Quando os resultados apontam para a mesma dire&#231;&#227;o, a discuss&#227;o &#233; mais simples de ser conduzida. Se h&#225; marcadas discrep&#226;ncias entre os achados, essas discrep&#226;ncias s&#227;o registradas e comentadas na tentativa de esclarecer os poss&#237;veis motivos das diferen&#231;as. A imparcialidade &#233; uma caracter&#237;stica muito apreciada nos investigadores. Ela se manifesta de muitas maneiras, sendo uma delas incluir, na discuss&#227;o, os relatos que n&#227;o coincidam com os resultados da pr&#243;pria investiga&#231;&#227;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A interpreta&#231;&#227;o dos resultados de uma pesquisa implica a busca de uma explica&#231;&#227;o plaus&#237;vel para os achados.<sup>4, p.111</sup> Para tal, excluem-se outras explica&#231;&#245;es antes de se decidir por uma que seja a mais prov&#225;vel. Teremos mais convic&#231;&#227;o na conclus&#227;o se vieses e o acaso tiverem sido eliminados como explica&#231;&#227;o para os achados. Mesmo depois de afastados os vieses e o acaso, pode haver mais de uma explica&#231;&#227;o poss&#237;vel, todavia. O resultado obtido &#233; realmente positivo ou falso-positivo? Se o resultado &#233; negativo, ele &#233; negativo verdadeiro ou falso-negativo? Um</font> <font face="Verdana" size="2">resultado estatisticamente significativo tem import&#226;ncia pr&#225;tica ou cl&#237;nica? A associa&#231;&#227;o detectada representa rela&#231;&#227;o causal? Ou os achados refletem causalidade reversa? S&#227;o alguns t&#243;picos pass&#237;veis de serem inclu&#237;dos na discuss&#227;o e que s&#227;o aprendidos ao se estudar os princ&#237;pios de Epidemiologia e de Bioestat&#237;stica.<sup>4,</sup> <sup>p.111-21</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Todo relato de investiga&#231;&#227;o cient&#237;fica necessita de uma conclus&#227;o.<sup>4,</sup> <sup>p.121</sup> A conclus&#227;o &#233; o posicionamento do autor do estudo, coerente com seus objetivos e o pr&#243;prio relato. Ela pode estar situada na discuss&#227;o mas n&#227;o necessariamente nela. Isso porque h&#225; a conclus&#227;o que, obrigatoriamente, consta do resumo do estudo. Como este se situa antes, no in&#237;cio do artigo, o autor avaliar&#225; se vale a pena repetir a conclus&#227;o na discuss&#227;o. Nesta, existe lugar tamb&#233;m para especula&#231;&#245;es e implica&#231;&#245;es. Por exemplo, assinalar a dire&#231;&#227;o de futuros esfor&#231;os e recomenda&#231;&#245;es para novas pesquisas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A discuss&#227;o, habitualmente, constitui uma se&#231;&#227;o de dif&#237;cil prepara&#231;&#227;o. &#201; aquela em que o iniciante mais se complica em sua reda&#231;&#227;o e, comumente, elabora um texto extenso e confuso. Seu tamanho n&#227;o deveria ultrapassar um ter&#231;o do artigo. Se ocupar mais da metade do texto correspondente &#224; estrutura IMRD (introdu&#231;&#227;o, m&#233;todo, resultado e discuss&#227;o), a discuss&#227;o &#233; longa e, provavelmente, mal feita.<sup>4,</sup> <sup>p.127</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Compor um texto adequado decorre de aprendizado. A associa&#231;&#227;o entre iniciante e pesquisador experiente em comunica&#231;&#227;o cient&#237;fica reflete-se positivamente. A escrita na forma aqui sugerida, estruturada, facilita o trabalho e evita a omiss&#227;o de partes essenciais. Utilize-a ou alguma outra que se adapte ao tema ou ao modo como pretende conduzir a discuss&#227;o. Na pr&#225;tica, s&#227;o encontradas amplas varia&#231;&#245;es nessa estrutura&#231;&#227;o, notadamente quanto &#224; terminologia adotada, &#224; import&#226;ncia que se confere a cada uma das partes, &#224; sequ&#234;ncia de sua apresenta&#231;&#227;o e ao fato de dois t&#243;picos serem, por vezes, debatidos simultaneamente.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Para se familiarizar com os assuntos abordados, inspecione artigos publicados nos bons peri&#243;dicos cient&#237;ficos. Essa iniciativa constitui aprendizado para auxiliar a busca pela coer&#234;ncia na reflex&#227;o e na revis&#227;o de um texto.</font></p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v22n3/3a20t1.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Refer&#234;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">1. Pereira MG. A introdu&#231;&#227;o de um artigo cient&#237;fico. Epidemiol Serv Saude. 2012;21(4):675-6.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">2. Pereira MG. A se&#231;&#227;o de m&#233;todo de um artigo cient&#237;fico. Epidemiol Serv. Saude. 2013;22(1):183-4.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">3. Pereira MG. A se&#231;&#227;o de resultados de um artigo cient&#237;fico. Epidemiol Serv Saude. 2013;22(2):353-4</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">4. Pereira MG. Artigos cient&#237;ficos: como redigir, publicar e avaliar. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan; 2011.</font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2"><i><font face="Verdana">Outros artigos da  s&eacute;rie <b>Comunica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica</b>:</font></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><u><a href="http://scielo.iec.pa.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742012000200018&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt" target="_blank">Estrutura do artigo cient&iacute;fico</a></u>    <br>     <u><a href="http://scielo.iec.pa.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742012000300017&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt" target="_blank">Preparo para a reda&ccedil;&atilde;o do artigo cient&iacute;fico</a></u>    <br>     <u><a href="http://scielo.iec.pa.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742012000400017&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt" target="_blank">A introdu&ccedil;&atilde;o de um artigo cient&iacute;fico</a></u>    <br>     <u><a href="http://scielo.iec.pa.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742013000100020&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt" target="_blank">A se&ccedil;&atilde;o de m&eacute;todo de um artigo cient&iacute;fico</a></u>    <br>     <u><a href="http://scielo.iec.pa.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742013000200017&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt" target="_blank">A se&ccedil;&atilde;o de resultados de um artigo cient&iacute;fico</a></u>    <br> </font><font size="2" face="Verdana"><u><a href="http://scielo.iec.pa.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742013000400017&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt" target="_blank">O resumo de um artigo cient&iacute;fico</a></u></font></p>      ]]></body><back>
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