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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Condições para a transmissão da febre do vírus chikungunya]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="left"><span style="line-height:115%; font-family:'Arial','sans-serif'; font-size:9.0pt; "><font color="#990033">http://dx.doi.org/10.5123/S1679-49742014000400020</font></span></p>     <p align="right"><font face="Verdana" size="2"><b>ARTIGO DE OPINI&Atilde;O</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="4"><b><a name="topo"></a>Condi&#231;&#245;es para a transmiss&#227;o da febre do v&#237;rus chikungunya</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana" size="3">Transmissibility conditions of chikungunya fever</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Pedro Luiz Tauil</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Faculdade de Medicina, Universidade de Bras&#237;lia, Bras&#237;lia-DF, Brasil</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">O v&#237;rus chikungunya (CHIKV) &#233; enzo&#243;tico, primitivamente encontrado em regi&#245;es tropicais e subtropicais da &#193;frica, no sul e sudeste da &#193;sia e em ilhas do Oceano &#205;ndico. O nome chikungunya significa, em l&#237;ngua makonde, 'aquele que &#233; contorcido', caracterizando a postura de seus pacientes causada pelas fortes dores articulares que apresentam. Pode haver casos graves e, desde 2005, casos fatais.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O v&#237;rus chikungunya &#233; transmitido por picada de insetos do g&#234;nero <i>Aedes</i>. Esse v&#237;rus tornou-se conhecido no in&#237;cio da d&#233;cada de 1950, isolado de um paciente febril no atual territ&#243;rio da Tanz&#226;nia. J&#225; em 1954, sua presen&#231;a foi confirmada na &#193;sia, em um surto nas Filipinas e, posteriormente, em outros pa&#237;ses, como Tail&#226;ndia, &#205;ndia e Paquist&#227;o. Casos espor&#225;dicos e pequenos surtos foram registrados. Por&#233;m, o CHIKV reemergiu em 2005, passando a causar grandes surtos de doen&#231;a humana na &#193;sia, &#193;frica e ilhas do Oceano &#205;ndico. Essa reemerg&#234;ncia deveu-se, provavelmente, a uma adapta&#231;&#227;o gen&#233;tica do v&#237;rus aos vetores da regi&#227;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O v&#237;rus pertence ao g&#234;nero <i>Alphav&#237;rus </i>e &#224; fam&#237;lia Togaviridae, do mesmo g&#234;nero dos arbov&#237;rus Mayaro e Ross River. Na &#193;frica, os v&#237;rus mant&#234;m-se em um ciclo de transmiss&#227;o silvestre, entre macacos e pequenos mam&#237;feros - como morcegos -, e em mosquitos do g&#234;nero <i>Aedes</i>. Na &#193;sia, o ciclo de transmiss&#227;o &#233; diferente e o v&#237;rus circula entre seres humanos e mosquitos, resultando em epidemias urbanas, com a participa&#231;&#227;o das esp&#233;cies <i>Ae. aegypti </i>e <i>Ae. albopictus </i>como principais vetores.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A infec&#231;&#227;o pelo CHIKV apresenta muitas semelhan&#231;as com dengue. O per&#237;odo de incuba&#231;&#227;o varia de 1 a 12 dias - m&#233;dia de 4 dias -, seguido por febre alta repentina, dores agudas e persistentes nas articula&#231;&#245;es, cefaleia, fotofobia, mialgia e <i>rash </i>cut&#226;neo. Em cerca de 25% das pessoas atingidas, a infec&#231;&#227;o &#233; assintom&#225;tica. A poliartralgia caracteriza os casos sintom&#225;ticos. Os sintomas e sinais agudos da infec&#231;&#227;o pelo CHIKV resolvem-se em cerca de 7 a 15 dias, embora as dores, rigidez e edema nas articula&#231;&#245;es possam durar meses e at&#233; anos, em 10 a 12% dos casos. Idade acima de 45 anos, presen&#231;a de doen&#231;a cr&#244;nica concomitante e maior intensidade das dores na fase aguda contribuem para a persist&#234;ncia da poliartralgia. N&#227;o h&#225; vacinas preventivas e tratamento etiol&#243;gico dispon&#237;vel, sendo o vetor o &#250;nico elo vulner&#225;vel na cadeia de transmiss&#227;o da doen&#231;a.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A dispers&#227;o de mosquitos do g&#234;nero <i>Aedes </i>pelo sul da Europa e continente americano, associada &#224; presen&#231;a de indiv&#237;duos infectados procedentes de &#225;reas end&#234;micas, favorece o estabelecimento de novas &#225;reas de transmiss&#227;o da doen&#231;a. Em 2007, na regi&#227;o de Emilia Romagna, no norte da It&#225;lia, houve registro de mais de 200 casos aut&#243;ctones. A partir de dezembro de 2013, a transmiss&#227;o aut&#243;ctone estabeleceu-se em ilhas do Caribe. No in&#237;cio de 2014, houve registro de casos aut&#243;ctones na Guiana Francesa e no Suriname e atualmente, h&#225; v&#225;rios casos aut&#243;ctones na Venezuela. At&#233; 5 de agosto deste ano, 4 casos aut&#243;ctones foram registrados na Fl&#243;rida, Estados Unidos da Am&#233;rica. Mais de 500 mil casos j&#225; foram confirmados e suspeitados nas Am&#233;ricas, at&#233; o momento, segundo a Organiza&#231;&#227;o Pan-Americana da Sa&#250;de-Organiza&#231;&#227;o Mundial da Sa&#250;de (OPAS-OMS), sendo a grande maioria no Haiti e na Rep&#250;blica Dominicana (Ilha Espanhola).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os conceitos de receptividade e de vulnerabilidade s&#227;o fundamentais para avalia&#231;&#227;o da amea&#231;a de transmiss&#227;o local de uma doen&#231;a. No caso do CHIKV, a receptividade &#233; dada pela presen&#231;a de vetores (principalmente <i>Ae. aegypti </i>e <i>Ae. albopictus</i>) em densidades de infesta&#231;&#227;o capazes de iniciar e manter a transmiss&#227;o. A vulnerabilidade refere-se &#224; possibilidade de entrada do v&#237;rus, por meio de pacientes infectados, na fase de transmissibilidade da doen&#231;a.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No Brasil, essas condi&#231;&#245;es parecem existir, havendo registro da presen&#231;a dos vetores na imensa maioria dos munic&#237;pios do pa&#237;s, em densidades suficientes para transmitir dengue e, portanto, tamb&#233;m a doen&#231;a chikungunya, cujo per&#237;odo de viremia (correspondente ao per&#237;odo de transmissibilidade da doen&#231;a aos vetores) &#233; semelhante ao do dengue: come&#231;a um dia antes e permanece at&#233; 7 dias ap&#243;s o in&#237;cio dos sintomas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Pelo que se tem assistido em outros pa&#237;ses das Am&#233;ricas, &#233; bastante dif&#237;cil detectar oportunamente a doen&#231;a em viajantes procedentes de &#225;reas end&#234;micas e muito menos mant&#234;-los isolados para evitar o contato com mosquitos vetores. Infelizmente, parece que a transmiss&#227;o local da doen&#231;a no Brasil &#233; uma quest&#227;o de tempo. A grande movimenta&#231;&#227;o de turistas por ocasi&#227;o da Copa do Mundo gerou preocupa&#231;&#227;o com o risco de entrada do CHIKV no Brasil. Por&#233;m, todos os casos diagnosticados no pa&#237;s - desde 2010, no Rio de Janeiro e em S&#227;o Paulo; e do in&#237;cio deste ano at&#233; o momento, em oito unidades federadas - n&#227;o chegaram a desencadear transmiss&#227;o aut&#243;ctone. V&#225;rios outros pa&#237;ses da Am&#233;rica do Sul tamb&#233;m j&#225; registraram casos importados, como Argentina e Paraguai.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&#201; fundamental que os profissionais de sa&#250;de fiquem atentos para o diagn&#243;stico cl&#237;nico oportuno dos casos suspeitos, segundo defini&#231;&#245;es do pr&#243;prio Minist&#233;rio da Sa&#250;de. O Brasil j&#225; se encontra capacitado para confirmar a infec&#231;&#227;o na rede de laborat&#243;rios de refer&#234;ncia para arboviroses. Pelas caracter&#237;sticas das dores nas articula&#231;&#245;es, os reumatologistas s&#227;o os especialistas que, provavelmente, ter&#227;o os primeiros contatos com esses pacientes.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Refer&#234;ncias</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">1. Organizaci&#243;n Panamericana de la Salud. Preparaci&#243;n y respuesta ante la eventual introducci&#243;n del virus chikungunya en las Am&#233;ricas. Washington:  Organizaci&#243;n Panamericana de la Salud; 2011.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">2. Albuquerque IGC, Marandino R, Mendon&ccedil;a AP, Nogueira RMR, Vasconcelos PFC, Guerra LR, et al. Infec&#231;&#227;o pelo v&#237;rus Chikungunya: relato do primeiro caso diagnosticado no Rio de Janeiro, Brasil. Rev Soc Bras Med Trop. 2012 jan-fev;45(1):128-9. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b><a name="endereco"></a><a href="#topo"><img src="img/revistas/ess/v20n1/seta.gif" border="0"></a>Endere&#231;o para correspond&#234;ncia:</b></font>    <br>   <font face="Verdana" size="2"><b>Pedro Luiz Tauil    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> </b>- Faculdade de Medicina UnB,     <br> Campus Darcy Ribeiro, Asa Norte,     <br> Bras&#237;lia-DF. CEP 70.910-900    <br>  <i>E-mail: </i><a href="mailto:pltauil@unb.br">pltauil@unb.br</a>; <a href="mailto:pltauil@gmail.com">pltauil@gmail.com</a></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Recebido em 17/08/2014    <br>   Aprovado em 28/09/2014</font></p>      ]]></body>
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