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</front><body><![CDATA[ <p><span style="line-height:115%; font-family:'Arial','sans-serif'; font-size:9.0pt; "><font color="#990033">http://dx.doi.org/10.5123/S1679-49742015000300020</font></span></p>     <p align="right"><font face="Verdana" size="2"><b>ARTIGO DE OPINI&Atilde;O</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="4"><b><a name="topo"></a>Discrimina&#231;&#227;o    e sa&#250;de: um problema de acesso</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana" size="3">Discrimination and health: a problem    of access</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Discriminaci&oacute;n y salud: un problema    de acceso</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>Fernando Mendes Massignam<sup>I</sup>; Jo&#227;o    Luiz Dornelles Bastos<sup>II</sup>; F&#250;lvio Borges Nedel<sup>II,III</sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>I</sup>Universidade Federal de Santa Catarina, Programa    de P&#243;s-Gradua&#231;&#227;o em Sa&#250;de Coletiva, Florian&#243;polis-SC,    Brasil    <br>   <sup>II</sup>Universidade    Federal de Santa Catarina, Centro de Ci&#234;ncias da Sa&#250;de, Departamento    de Sa&#250;de P&#250;blica, Florian&#243;polis-SC, Brasil    <br>   <sup>III</sup>Universitat Aut&#242;noma de Barcelona, Grups de Recerca d'Am&#232;rica    i &#192;frica Llatines</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">A investiga&#231;&#227;o cient&#237;fica do preconceito    e da discrimina&#231;&#227;o, hoje considerada priorit&#225;ria para garantir    a equidade no acesso a servi&#231;os de sa&#250;de, come&#231;ou a despertar    interesse a partir da d&#233;cada de 1920.<sup>1</sup> Com o reconhecimento    da Sociologia enquanto ci&#234;ncia capaz de elucidar os fen&#244;menos sociais,    as diversas formas de manifesta&#231;&#227;o do preconceito e da discrimina&#231;&#227;o    deixam de ser tratadas como &quot;consequ&#234;ncias naturais&quot; das rela&#231;&#245;es    entre grupos distintos para serem compreendidas como problemas sociais, objeto    de escrut&#237;nio acad&#234;mico e enfrentamento.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">At&#233; ent&#227;o, a ideia de superioridade    racial, por exemplo, era hegem&#244;nica e legitimada pelas teorias cientificai    da &#233;poca, que apregoavam a exist&#234;ncia de supostas &quot;ra&#231;as&quot;    humanas, justificando a exclus&#227;o, a escravid&#227;o e o isolamento de categorias    sociais consideradas inferiores. O mesmo tipo de teoriza&#231;&#227;o tamb&#233;m    apontava a inferioridade &quot;natural&quot; das mulheres, bem como, no &#226;mbito    da sa&#250;de, disseminava a ideia de &quot;degenera&#231;&#227;o&quot;,<sup>2</sup> condi&#231;&#245;es    supostamente constitutivas de alguns sujeitos que os tornariam moralmente inferiores,    justificando sua exclus&#227;o.<sup>3</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Entretanto, o modo de explicar e investigar os    conceitos que fundamentavam a hip&#243;tese do preconceito e da discrimina&#231;&#227;o    como fen&#244;menos naturais, dado que calcados na inferioridade do outro, modificou-se    expressiva e paralelamente aos acontecimentos e decorrentes transforma&#231;&#245;es    s&#243;cio-hist&#243;ricas ocorridas ao longo do s&#233;culo XX. Incluem-se    a&#237;, por exemplo, a Segunda Guerra Mundial e a luta por garantia de direitos    e a&#231;&#245;es afirmativas nos Estados Unidos da Am&#233;rica (EUA).<sup>1</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O objetivo deste artigo &#233; dar visibilidade    ao tema, focalizando reflex&#245;es conceituais e achados de estudos para debater    poss&#237;veis rumos da pesquisa sobre discrimina&#231;&#227;o na &#225;rea    da Sa&#250;de. N&#227;o se trata de uma revis&#227;o sistem&#225;tica da literatura    ou de uma an&#225;lise hist&#243;rica do conceito e sim de um artigo de opini&#227;o,    que objetiva estimular estudos e a&#231;&#245;es sobre os processos de discrimina&#231;&#227;o    no &#226;mbito da aten&#231;&#227;o &#224; sa&#250;de. Argumentamos que a compreens&#227;o    da origem da discrimina&#231;&#227;o e suas implica&#231;&#245;es no cuidado    em sa&#250;de s&#227;o fundamentais para a defini&#231;&#227;o das formas de    enfrentamento desse fen&#244;meno.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A discrimina&#231;&#227;o pode ser conceituada    como</font></p>     <p align="right"><font face="Verdana" size="2">&#91;...&#93; uma esp&#233;cie de resposta comportamental    ao estigma e ao preconceito, definidos como atitudes negativas em rela&#231;&#227;o    ao valor de grupos sociais espec&#237;ficos, ou como uma forma efetivada de    estigma ou preconceito, &#91;<i>e dessa forma, constituindo uma</i>&#93; n&#237;tida    distin&#231;&#227;o entre as ideias, atitudes ou ideologias, e suas consequ&#234;ncias    comportamentais em a&#231;&#245;es discriminat&#243;rias.<sup>4</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Assim, a discrimina&#231;&#227;o &#233; a perpetra&#231;&#227;o,    sobre os indiv&#237;duos de um determinado grupo social, de uma rela&#231;&#227;o    de poder que os exclui, atribuindo-lhes caracter&#237;sticas de menor valor    moral, enquanto os membros dos grupos dominantes s&#227;o investidos de virtudes    que faltam aos demais.<sup>3</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Tendo em vista a expressiva produ&#231;&#227;o    acad&#234;mica norte-americana sobre discrimina&#231;&#227;o e sa&#250;de, quando    comparada &#224; produ&#231;&#227;o nacional, e seus impactos nas investiga&#231;&#245;es    realizadas no Brasil, cabe indicar, de forma breve, alguns aspectos contextuais    que influenciaram os estudos sobre o tema. Um deles refere-se ao fato de nos    EUA, a luta pelos direitos civis ou a luta feminista pelos direitos das mulheres    ter contribu&#237;do para a visibilidade da ideia de que a discrimina&#231;&#227;o    resulta de rela&#231;&#245;es intencionalmente desiguais de poder entre as diversas    categorias sociais em quest&#227;o. Tal vis&#227;o estimulou o desenvolvimento    de a&#231;&#245;es afirmativas voltadas para a redu&#231;&#227;o do    impacto dessas desigualdades, como, por exemplo, a ado&#231;&#227;o de cotas    para minorias &#233;tnico-raciais e sexuais, implementadas nas universidades    estadunidenses.<sup>1</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ainda que estudiosos da &#225;rea tenham vislumbrado    e considerado as din&#226;micas existentes entre diversos aspectos da estrutura    social e a manifesta&#231;&#227;o de preconceitos, estere&#243;tipos, estigmas    e discrimina&#231;&#227;o, &#233; o estudo da discrimina&#231;&#227;o circunscrita    &#224;s rela&#231;&#245;es interpessoais que mais tem atra&#237;do a aten&#231;&#227;o    dos pesquisadores no campo da Sa&#250;de.<sup>5-7</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No Brasil, a partir de 1980, em meio &#224; retomada    dos princ&#237;pios de democracia, justi&#231;a social e equidade, observa-se    uma amplia&#231;&#227;o das perspectivas te&#243;ricas e metodol&#243;gicas    nas reflex&#245;es sobre discrimina&#231;&#227;o no campo da Sa&#250;de Coletiva.<sup>8</sup>    A valoriza&#231;&#227;o desse objeto de estudo expressa-se na profus&#227;o    de pesquisas evidenciando que as experi&#234;ncias discriminat&#243;rias acarretam    iniquidades e efeitos negativos para a sa&#250;de.<sup>9</sup> Tem sido demonstrado    que as experi&#234;ncias discriminat&#243;rias est&#227;o associadas com condi&#231;&#245;es    adversas de sa&#250;de mental, incluindo transtornos de ansiedade, depress&#227;o    e estresse p&#243;s-traum&#225;tico, e comportamentos delet&#233;rios &#224;    sa&#250;de, como tabagismo, consumo abusivo de &#225;lcool, sedentarismo e dietas    menos saud&#225;veis, especialmente em indiv&#237;duos e grupos hist&#243;rica    e socialmente estigmatizados.<sup>10-12</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Sendo a discrimina&#231;&#227;o conden&#225;vel    porque carrega em seu conceito uma injusti&#231;a, seu papel na determina&#231;&#227;o    de condi&#231;&#245;es de sa&#250;de n&#227;o deve ser o foco dos estudos a    respeito, uma vez que a injusti&#231;a deve ser raz&#227;o suficiente para combat&#234;-la.    Portanto, s&#227;o desnecess&#225;rios resultados que mostrem a discrimina&#231;&#227;o    como um fator de risco, da mesma forma que s&#227;o in&#243;cuos os resultados    de estudos que apresentem a discrimina&#231;&#227;o como fator de prote&#231;&#227;o.    Exatamente por representar uma injusti&#231;a social - e n&#227;o por afetar    condi&#231;&#245;es e comportamentos em sa&#250;de -, o estigma, o preconceito    e a discrimina&#231;&#227;o devem ser considerados objetos de preocupa&#231;&#227;o    para a Sa&#250;de Coletiva.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&#201; preciso compreender de que modo se concretiza    a vis&#227;o do outro nas rela&#231;&#245;es entre indiv&#237;duos de grupos    com maior ou menor poder social - expressos nas hierarquias socioecon&ocirc;micas,    de g&#234;nero, cor/ra&#231;a, entre outras -, em meio a configura&#231;&#245;es    sociais que fomentam processos discriminat&#243;rios<sup>3</sup> na oferta,    acesso e qualidade da aten&#231;&#227;o &#224; sa&#250;de.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&#201; importante ilustrar as formas pelas quais    a discrimina&#231;&#227;o se expressa e afeta a garantia do cuidado &#224; sa&#250;de.    Estudos internacionais assinalam que recomenda&#231;&#245;es, encaminhamentos,    intera&#231;&#245;es e formas distintas de cuidado para alguns usu&#225;rios    permitem identificar formas reprov&#225;veis de demonstra&#231;&#227;o de preconceito,    de diferentes tipos.<sup>13</sup> No entanto, os limites de tais constru&#231;&#245;es    ditas &quot;reprov&#225;veis&quot; s&#227;o imprecisos, podendo ser fragmentados,    reconstru&#237;dos, influenciados pelo pensamento cr&#237;tico-reflexivo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O acesso &#224; garantia do cuidado e a constru&#231;&#227;o    de v&#237;nculo entre sujeitos, por exemplo, s&#227;o influenciados, entre outros    fatores, pelo modo como as institui&#231;&#245;es, desde a institui&#231;&#227;o-pessoa    at&#233; a sist&#234;mica, prestam contin&#234;ncia &#224;s necessidades de    sa&#250;de individuais e coletivas. Considerando-se que, no exerc&#237;cio do    cuidado, a produ&#231;&#227;o de intersubjetividades est&#225; dialeticamente    ligada &#224; experi&#234;ncia da realidade, o espa&#231;o social do cuidado    &#233; potencialmente robusto para gerar ressignifica&#231;&#245;es e deflagrar    a reflex&#227;o &#233;tico-pol&#237;tica, t&#227;o cara &#224; constru&#231;&#227;o    da toler&#226;ncia, do respeito &#224;s diferen&#231;as e da solidariedade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A postura do trabalhador em sa&#250;de, ao se    colocar no lugar do usu&#225;rio e perceber suas necessidades, &#233; compreendida    como uma das formas de acolhimento na medida em que atende e responde a essas    demandas,<sup>14</sup> tanto objetivas quanto subjetivas. O acesso, fator determinante    para o uso efetivo dos servi&#231;os de sa&#250;de, tamb&#233;m resulta de fatores    individuais, contextuais e relativos &#224; qualidade do atendimento que influenciam    o uso e a efetividade do cuidado.<sup>15</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No Brasil, tem crescido o n&#250;mero de estudos    sobre estigma e discrimina&#231;&#227;o nos servi&#231;os de sa&#250;de. Entre    os estudos espec&#237;ficos sobre a discrimina&#231;&#227;o racial e a intercess&#227;o    entre racismo e pobreza no pa&#237;s, destacam-se dois trabalhos,<sup>16,17</sup>    pela maneira bastante emblem&#225;tica com que demonstram experi&#234;ncias    de discrimina&#231;&#227;o em servi&#231;os de sa&#250;de e seus diferentes    aspectos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O estudo realizado por Leal e colaboradores<sup>16</sup>    aponta a influ&#234;ncia da discrimina&#231;&#227;o sobre o acesso a um atendimento    pr&#233;-natal adequado e ao manejo do parto, tanto em servi&#231;os p&#250;blicos    como em servi&#231;os privados de sa&#250;de. Demonstrou-se que m&#227;es classificadas    como pardas e pretas da cidade do Rio de Janeiro-RJ, em rela&#231;&#227;o &#224;s    brancas, receberam menos anestesia nos partos normais e tiveram maior risco    de perambular por mais de uma maternidade antes    de dar &#224; luz. O estudo tamb&#233;m evidenciou que mulheres pretas, pardas    e brancas com baixa escolaridade enfrentaram, principalmente, duas formas de    discrimina&#231;&#227;o, (i) por n&#237;vel educacional e (ii) por cor da pele.<sup>16</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O baixo poder aquisitivo e a classe social foram    as raz&#245;es mais comuns para a discrimina&#231;&#227;o nos cuidados de sa&#250;de,    segundo resultados da Pesquisa Mundial de Sa&#250;de.<sup>17</sup> Esses dados    sugerem que, no Brasil, a discuss&#227;o sobre a discrimina&#231;&#227;o na    aten&#231;&#227;o &#224; sa&#250;de n&#227;o pode desconsiderar a rela&#231;&#227;o    entre renda, classe social e demais marcadores sociais de desigualdade.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Diante da complexidade e dificuldade de alterar    estruturas macrossociais no curto prazo, paralelamente a interven&#231;&#245;es    estruturais e culturais, cabe investir em a&#231;&#245;es no &#226;mbito institucional,    estimulando a cria&#231;&#227;o de canais de comunica&#231;&#227;o entre usu&#225;rios    e gestores (por exemplo: ouvidoria; linhas telef&#244;nicas gratuitas com servi&#231;os    de orienta&#231;&#227;o e informa&#231;&#227;o; sensibiliza&#231;&#227;o de    Conselhos Locais e Municipais de Sa&#250;de), assim como espa&#231;os de forma&#231;&#227;o    profissional para os trabalhadores da sa&#250;de com o prop&#243;sito de discutir    as conex&#245;es entre as diversas situa&#231;&#245;es de discrimina&#231;&#227;o    e a produ&#231;&#227;o das desigualdades sociais, e formas de seu enfrentamento.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No &#226;mbito institucional, o governo federal    tem desenvolvido estrat&#233;gias para reduzir o estigma e a discrimina&#231;&#227;o    na aten&#231;&#227;o &#224; sa&#250;de, ampliando o acesso &#224; sa&#250;de    por grupos marginalizados, com o objetivo de minimizar a morbimortalidade relacionada    a esses determinantes. Orientada pelo princ&#237;pio da equidade que norteia    o SUS, foi criada a Pol&#237;tica Nacional de Humaniza&#231;&#227;o da Aten&#231;&#227;o    e Gest&#227;o do Sistema &#218;nico de Sa&#250;de, que traz como uma de suas    diretrizes gerais a sensibiliza&#231;&#227;o das equipes de sa&#250;de em rela&#231;&#227;o    aos preconceitos que permeiam suas pr&#225;ticas. A Pol&#237;tica de Aten&#231;&#227;o    Integral &#224; Sa&#250;de da Popula&#231;&#227;o Negra busca demonstrar os    nexos entre o racismo e alguns agravos de sa&#250;de prevalentes entre os negros    no Brasil. E a Pol&#237;tica de Aten&#231;&#227;o Integral &#224; Sa&#250;de    da Popula&#231;&#227;o Ind&#237;gena prop&#245;e formas de acesso &#224; sa&#250;de    que n&#227;o colidam com as pr&#225;ticas culturais dos diferentes povos ind&#237;genas    no pa&#237;s. De igual modo, foram propostas pol&#237;ticas espec&#237;ficas    para l&#233;sbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT), e para    demais grupos com dificuldade de acessar os servi&#231;os de sa&#250;de, como    os idosos, pessoas com defici&#234;ncia ou sob priva&#231;&#227;o de liberdade.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Cabe ressaltar que essas a&#231;&#245;es e pol&#237;ticas    n&#227;o asseguram a esses grupos o fim da discrimina&#231;&#227;o nos servi&#231;os    prestados pela Sa&#250;de mas, ao criar barreiras e constrangimentos para essa    discrimina&#231;&#227;o ou mesmo exclus&#227;o de um direito universal, conferem    maior visibilidade a suas necessidades. Ou seja, constituem uma modalidade de    interven&#231;&#227;o que incide diretamente sobre as normas culturais vigentes    em uma determinada sociedade e como tal, deve ser considerada na arquitetura    de iniciativas voltadas &#224; supera&#231;&#227;o de pr&#225;ticas discriminat&#243;rias.    &#201; necess&#225;rio lembrar que essas pol&#237;ticas s&#243; se viabilizam    quando traduzidas &#224; realidade espec&#237;fica local, exigindo um esfor&#231;o    conjunto, ou seja, sob a perspectiva de cada um e todos os gestores, t&#233;cnicos,    conselheiros e demais envolvidos na produ&#231;&#227;o do cuidado em sa&#250;de,    assim como de pesquisadores e ativistas sociais comprometidos com a constru&#231;&#227;o    de uma sociedade mais justa e equ&#226;nime.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Portanto, futuras pesquisas sobre a discrimina&#231;&#227;o    no &#226;mbito da Sa&#250;de Coletiva devem incluir, al&#233;m da institucionaliza&#231;&#227;o    de pol&#237;ticas promotoras de equidade, a participa&#231;&#227;o de todos    os atores sociais. Dar voz ao usu&#225;rio e ao trabalhador em sa&#250;de parece    ser t&#227;o importante quanto promover iniciativas de educa&#231;&#227;o permanente    para a transforma&#231;&#227;o das rela&#231;&#245;es pautadas em desigualdades    evit&#225;veis.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Segundo Travassos &amp; Bahia,</font></p>     <p align="right"><font face="Verdana" size="2">&#91;...&#93; permanece ausente uma pol&#237;tica de    combate &#224; discrimina&#231;&#227;o e aos privil&#233;gios que est&#227;o    na base das desigualdades sociais que ainda permeiam o SUS. Que sua cria&#231;&#227;o    seja orientada por uma agenda inclusiva, evitando-se produzir novos estigmas,    pois os que temos j&#225; nos bastam.<sup>18</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Portanto, mostram-se necess&#225;rias mais pesquisas    sobre a ocorr&#234;ncia de discrimina&#231;&#227;o e seus efeitos sobre a oferta,    o acesso e a qualidade na aten&#231;&#227;o &#224; sa&#250;de de segmentos da    popula&#231;&#227;o mais vulner&#225;veis ao estigma ou preconceito, marginalizados    pela sociedade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Agradecimentos</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&#192;s pesquisadoras Simone Souza Monteiro e    Wilza Vieira Villela pelas contribui&#231;&#245;es e sugest&#245;es durante    a elabora&#231;&#227;o do manuscrito. &#192; professora Rita de C&#225;ssia    Gabrielli Souza Lima, pelas contribui&#231;&#245;es e sugest&#245;es na leitura    final do manuscrito.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Contribui&#231;&#227;o dos autores</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Todos os autores contribu&#237;ram na concep&#231;&#227;o,    reda&#231;&#227;o e revis&#227;o do artigo, e s&#227;o respons&#225;veis por    todos seus aspectos, incluindo a garantia de sua precis&#227;o e integridade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Refer&#234;ncias</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">1. Duckitt J. Historical overview. In: Dovidio    JF, Hewstone M, Glick P, Esses VM, editors. The SAGE handbook of prejudice,    stereotyping and discrimination. London: SAGE; 2010. p. 29-44.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">2. Caponi S. Biopol&#237;ticae medicaliza&#231;&#227;o    dos anormais. Physis. 2009;19(2):529-49.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">3. Elias N, Scotson JL. Os estabelecidos e os    outsiders: sociologia das rela&#231;&#245;es de poder a partir de uma pequena    comunidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar; 2000.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">4. Parker R. Stigma, prejudice and discrimination    in global public health. Cad Saude Publica. 2012 Jan;28(1):164-9.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">5. Jones CP. Levels of racism: a theoretic framework    and a gardener's tale. Am J Public Health. 2000 Aug;90(8):1212-5.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">6. Krieger N. A glossary for social epidemiology.    J Epidemiol Community Health. 2001 Oct;55(10):693-700.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">7. Dovidio JF, Hewstone M, Glick P, Esses VM.    Prejudice, stereotyping and discrimination: theoretical and empirical overview.    In: Dovidio JF, Hewstone M, Glick P, Esses VM, editors. The SAGE handbook of    prejudice, stereotyping and discrimination. London: SAGE; 2010. p. 3-28.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">8. Krieger N. Discrimination and health. In:    Berkman L, Kawachi I, editors. Social epidemiology. New York: Oxford University    Press; 2000. p. 36-75.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">9. Paradies YC, Williams DR. Racism and health.    In: Heggenhougen K, Quah S, editors. International encyclopedia of public health.    San Diego: Academic Press; 2008. p. 474-82.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">10. Pascoe EA, Smart Richman L. Perceived discrimination    and health: a meta-analytic review. Psychol Bull. 2009 Jul;135(4):531-54.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">11. Paradies Y. A systematic review of empirical    research on self-reported racism and health. Int J Epidemiol. 2006 Aug;35(4):888-901.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">12. Williams DR, Mohammed SA. Discrimination    and racial disparities in health: evidence and needed research. J Behav Med.    2009 Feb;32(1):20-47.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">13. Penner LA, Albrecht TL, Orom H, Coleman DK,    Underwood III W. Health and health care disparities. In: Dovidio JF, Hewstone    M, Glick P, Esses VM, editors. The SAGE handbook of prejudice, stereotyping    and discrimination. London: SAGE; 2010. p. 472-90.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">14. Ramos DD, Lima MADS. Acesso e acolhimento    aos usu&#225;rios em uma unidade de sa&#250;de de Porto Alegre, Rio Grande do    Sul, Brasil. Cad Saude Publica. 2003 jan- fev;19(1):27-34.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">15. Travassos C, Martins M. Uma revis&#227;o    sobre os conceitos de acesso e utiliza&#231;&#227;o de servi&#231;os de sa&#250;de.    Cad Saude Publica. 2004;20 supl 2:S190-S8.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">16. Leal MC, Gama SG, Cunha CB. Desigualdades    raciais, sociodemogr&#225;ficas e na assist&#234;ncia ao pr&#233;-natal e ao    parto, 1999-2001. Rev Saude Publica. 2005 jan;39(1):100-7.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">17. Travassos C, Laguardia J, Marques PM, Mota    JC, Szwarcwald CL. Comparison between two race/skin color classifications in    relation to health-related outcomes in Brazil. Int J Equity Health. 2011;10:35.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">18. Travassos C, Bahia L. Qual &#233; a agenda    para o combate &#224; discrimina&#231;&#227;o no SUS? Cad Saude Publica. 2011    fev;27(2):204-5.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b><a name="endereco"></a><a href="#topo"><img src="img/revistas/ess/v20n1/seta.gif" border="0"></a>Endere&#231;o    para correspond&#234;ncia:    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Fernando Mendes Massignam</b>    <br>   Universidade Federal de Santa Catarina,    <br>   Centro de Ci&#234;ncias da Sa&#250;de,    <br>   Programa de P&#243;s-Gradua&#231;&#227;o em Sa&#250;de Coletiva,    <br>   Campus Universit&#225;rio, Trindade,    <br>   Florian&#243;polis-SC, Brasil.    <br>   CEP: 88040-900.    <br>   <i>E-mail:</i> <a href="mailto:fernando.massignam@ufsc.br">fernando.massignam@ufsc.br</a></font></p>      ]]></body>
</article>
