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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Sob a pele do PL-200/2015 do Senado Brasileiro]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Federação Nacional das Associações Pestalozzi Diretoria Executiva ]]></institution>
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</front><body><![CDATA[ <p><span style="line-height:115%; font-family:'Arial','sans-serif'; font-size:9.0pt; "><font color="#990033">http://dx.doi.org/10.5123/S1679-49742015000400022</font></span></p>     <p align="right"><font face="Verdana" size="2"><b>ARTIGO DE OPINI&Atilde;O</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="4"><b><a name="topo"></a>Sob a pele do PL-200/2015    do Senado Brasileiro</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Under the skin of Brazilian Senate Bill of    Law 200/2015</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Carlo Henrique Goretti Zanetti<sup>1</sup>;    Gys&#233;lle Saddi Tannous<sup>2</sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>1</sup>Universidade de Bras&#237;lia, Faculdade    de Ci&#234;ncias da Sa&#250;de, Bras&#237;lia-DF, Brasil    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <sup>2</sup>Federa&#231;&#227;o Nacional das Associa&#231;&#245;es Pestalozzi,  Diretoria Executiva, Bras&#237;lia-DF, Brasil</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">O Brasil &#233; um pa&#237;s megamorbidiverso.    Pesquisas cient&#237;ficas direcionadas ao desenvolvimento tecnol&#243;gico    s&#227;o imprescind&#237;veis. Apoi&#225;-las &#233; estrat&#233;gico. Entretanto,    diferentes apoios representam diferentes ganhos, ou podem significar perdas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O Senado brasileiro acredita dar sua contribui&#231;&#227;o    ao avan&#231;o das pesquisas cl&#237;nicas no Brasil, ao encampar proposta de    empres&#225;rios representados pela Alian&#231;a Pesquisa Cl&#237;nica Brasil    e pela Interfarma - Associa&#231;&#227;o da Ind&#250;stria Farmac&#234;utica    de Pesquisa, expressa no Projeto de Lei (PL) n&deg; 200/2015. Trata-se de uma    vers&#227;o empobrecida das propostas do <i>Food and Drug Administration </i>(FDA,    &#243;rg&#227;o regulador do governo estadunidense), e da ind&#250;stria global    do Norte, n&#227;o &#233;ticas, expressas no <i>Documento das Am&#233;ricas,    </i>elaborado em 2005 na IV Confer&#234;ncia Pan-Americana para a harmoniza&#231;&#227;o    da regulamenta&#231;&#227;o farmac&#234;utica.<sup>1,2,3</sup>    O PL prop&#245;e fixar em lei modelo for&#225;neo e <i>laissez-fairiano </i>de    sistema de revis&#227;o &#233;tica baseado nas ideias econ&#244;micas liberais    de menos exig&#234;ncias, mais flexibilidade e menor tramita&#231;&#227;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Desde 1988, a juridicidade da revis&#227;o &#233;tica    das pesquisas com seres humanos no Brasil &#233; amparada, no plano constitucional,    pelos direitos fundamentais constantes do art. 5<sup>o</sup> da Carta Magna,    e pela institucionalidade da Sa&#250;de; no &acirc;mbito legal, pela Lei Org&acirc;nica    n<sup>o</sup> 8.142/1990, que disp&#245;e sobre a participa&#231;&#227;o da    comunidade na gest&#227;o do Sistema &#218;nico de Sa&#250;de (SUS); e no infralegal,    pelas resolu&#231;&#245;es do Conselho Nacional de Sa&#250;de (CNS) (n<sup>o</sup>    01/1988, primeira resolu&#231;&#227;o da hist&#243;ria do CNS; n<sup>o</sup>    196/1996, que institui o Sistema CEP-CONEP; n<sup>o</sup> 466/2012, a qual atualiza    a Resolu&#231;&#227;o n<sup>o</sup> 196; e outras resolu&#231;&#245;es complementares).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em que pese a exist&#234;ncia de um amplo aparato    normativo no atual Sistema de prote&#231;&#227;o &#233;tica aos participantes    de pesquisas no Brasil, deliberadamente n&#227;o se lan&#231;ou m&#227;o do    recurso de uma lei espec&#237;fica, dada a natureza din&acirc;mica do objeto    normatizado: construtos culturais morais. Tal op&#231;&#227;o cria certa vulnerabilidade    pol&#237;tica: opositores dos princ&#237;pios do ordenamento recorrem ocasionalmente    ao Parlamento, inst&#226;ncia tamb&#233;m responsiva &#224;s demandas particularistas    e fragment&#225;rias, com propostas de leis espec&#237;ficas que, n&#227;o raro,    fazem <i>t&#225;bula rasa </i>do Sistema CEP-CONEP e de sua longa hist&#243;ria    de sucesso.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A raiz de toda oposi&#231;&#227;o &#233; de fundamento    eminentemente &#233;tico: a nega&#231;&#227;o dos princ&#237;pios da benefic&#234;ncia    e autonomia. Benefic&#234;ncia, quanto &#224;s quest&#245;es do placebo e do    fornecimento de medicamento p&#243;s-estudo; autonomia, quanto &#224; amplia&#231;&#227;o    da condi&#231;&#227;o abus&#237;vel da rela&#231;&#227;o paciente-profissional    e da remunera&#231;&#227;o de participantes doentes. Para doentes, placebo &#233;    controle de experimento com a nega&#231;&#227;o do benef&#237;cio de tratamento    convencionado. O n&#227;o fornecimento de medicamento p&#243;s-estudo &#233;    nega&#231;&#227;o &#224; continuidade do benef&#237;cio do tratamento experimental    encerrado ou quando finalizada a participa&#231;&#227;o individual. Remunerar    participantes doentes &#233; fazer a rela&#231;&#227;o paciente-profissional    ficar incontornavelmente assim&#233;trica e heter&#244;noma, quando mediada    pela forma <i>mercadoria</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No Parlamento, o debate <i>nunca </i>emerge como    discuss&#227;o &#233;tica. Tampouco se d&#225; como discuss&#227;o pol&#237;tica,    pois assim se externalizaria o conflito entre elites neoconservadoras e neocorporativas    (coaliz&#245;es intransparentes de segmentos da burocracia, empres&#225;rios    e profissionais)<sup>4</sup> representadas <i>versus </i>sociedade organizada    na base da democracia participativa em    torno do sistema &#233;tico vigente. Isso tornaria n&#237;tido como a&#231;&#245;es    de representa&#231;&#227;o <i>versus </i>participa&#231;&#227;o na democracia    brasileira repercutem no setor; evidenciaria a for&#231;a dos <i>lobbies </i>em    oposi&#231;&#227;o &#224; amplitude, legitimidade, tempo, esfor&#231;o, dedica&#231;&#227;o    e cultura de milhares de pessoas mobilizadas na discuss&#227;o, revis&#227;o    e efetiva&#231;&#227;o das normas do CNS sobre pesquisas com seres humanos.    Pois, politicamente, constata-se que o Sistema CEP-CONEP &#233; edifica&#231;&#227;o    democr&#225;tica densa, &quot;pedra no sapato&quot; do neoconservadorismo elitista    predominante na gest&#227;o dos poderes da Rep&#250;blica. Tanto que, &#224;s    vezes, parlamentares deixam escapar ressentimentos quanto &#224;s atividades    normativas infralegais do CNS, as quais, para eles, solapam prerrogativas representativas    do Legislativo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Obstados os planos dos debates filos&#243;fico    e pol&#237;tico, no congresso o debate &#233; deca&#237;do no questionamento    da administra&#231;&#227;o p&#250;blica do particular nacional desse neg&#243;cio    econ&#244;mico global. Esse n&#250;cleo &#233; acrescido do apelo emocional    com finalidade despolitizante (&quot;<i>coitados </i>dos doentes que necessitam    com urg&#234;ncia da <i>generosidade </i>das novas tecnologias terap&#234;utico-medicamentosas!&quot;),    explorando a vulnerabilidade do doente, m&#243;bile contra o qual se funda todo    o sistema &#233;tico.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Incapazes de contestar aberta e diretamente o    &quot;custo Brasil&quot; inerente &#224; benefic&#234;ncia (que onera patrocinadores    internacionais), para os mesmos fins, a cr&#237;tica neocorporativa foca a administra&#231;&#227;o    p&#250;blica do Sistema CEP-CONEP, alegando que ela atrapalha a capta&#231;&#227;o    e atrasa o in&#237;cio de pesquisas cl&#237;nicas internacionais (multic&#234;ntricas),    ao tipificar essas pesquisas como tema especial e exigir sua aprova&#231;&#227;o    em dupla inst&#226;ncia (CEPs e CONEP).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Diz-se que o atual sistema de revis&#227;o &#233;tica    &#233; um custo que impacta no desempenho econ&#244;mico do setor. Todavia,    n&#227;o se diz que esse tempo de aprova&#231;&#227;o vem caindo muito no pa&#237;s    como resultado de a&#231;&#245;es arrojadas - a exemplo do lan&#231;amento da    Plataforma Brasil ou dos esfor&#231;os concentrados da CONEP -, e que pode se    reduzir ainda mais com a futura acredita&#231;&#227;o de CEPs.<sup>5</sup> Tamb&#233;m    n&#227;o se diz nada sobre a entrada no Sistema de projetos cujos respons&#225;veis,    mesmo cientes das regras nacionais sobre placebo e fornecimento de medicamento    p&#243;s-estudo, usam de todas as inst&#226;ncias recursais e do tempo do Sistema,    apelando para o n&#227;o fornecimento e, s&#243; depois da &#250;ltima nega&#231;&#227;o,    aceitam e iniciam a pesquisa. Com isso se realiza uma milit&#226;ncia processual    ativa e consciente, cujo atraso premeditado s&#243; inflaciona a contabilidade    do tempo processual dos estudos multic&#234;ntricos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ai, confundindo-se participa&#231;&#227;o social    com burocracia, diz-se que ela nos faz perder estudos para outros pa&#237;ses.    Esse &#233; o arrimo original dos argumentos pr&#243;-PL 200. Essa &#233; a    linguagem dominante no discurso congressista. A ele, nuan&#231;as e aspectos    novos s&#227;o acrescidos com o trabalho das comiss&#245;es e suas emendas.    Mas, ser&#225; robusta a base desse discurso? Resistir&#225; ela &#224; an&#225;lise    feita em seus pr&#243;prios termos? Aparentemente, os dados globais das pesquisas    cl&#237;nicas contam outra hist&#243;ria. As evid&#234;ncias do sucesso brasileiro    derivam da an&#225;lise comparativa da atividade de pesquisas cl&#237;nicas    de alcance internacional efetivadas no Brasil e no mundo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Consideremos os dados globais no dec&#234;nio,    constantes da <a href="#t1">Tabela 1</a> e da <a href="#f1">Figura 1</a>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="t1"></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v24n4/4a22t1.gif" border="0"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="left">&nbsp;</p>     <p><a name="f1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v24n4/4a22f1.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Por sua vez, os dados brasileiros s&#227;o apresentados    na <a href="#t2">Tabela 2</a> e na <a href="#f2">Figura 2</a>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="t2"></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v24n4/4a22t2.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><a name="f2"></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v24n4/4a22f2.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Globalmente, as pesquisas cl&#237;nicas cresceram    a taxas modestas de 1,62% ao ano no dec&#234;nio, refreadas pelo desempenho    das de fase 3 (de base comercial, pr&#233;-mercado, que refletem din&#226;mica    econ&#244;mica da ci&#234;ncia e tecnologia associada como investimento de amplia&#231;&#227;o    da circula&#231;&#227;o e consumo), com consider&#225;veis taxas negativas anuais    de -4,37%. As demais fases - 0, 1 e 2 (de base industrial, que refletem a din&#226;mica    econ&#244;mica da ci&#234;ncia e tecnologia como investimento de amplia&#231;&#227;o    produtiva) e 4 (de base comercial/industrial, p&#243;s-lan&#231;amento de mercado,    que refletem din&#226;mica econ&#244;mica da ci&#234;ncia e tecnologia associada    com o reinvestimento e amplia&#231;&#227;o produtiva) - cresceram a taxas robustas    de 3,68% ao ano. O Brasil obteve desempenho incomparavelmente melhor: 3,67%,    -2,09% e 9,30%, respectivamente.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Considerando-se o crescimento acumulado, no mundo,    todas as fases aumentaram 20% no dec&#234;nio, sendo que as pesquisas da fase    3 ca&#237;ram em -33%, e as fases 0, 1, 2 e 4 juntas cresceram 39%. O Brasil,    novamente, obteve desempenho incomparavelmente melhor: 51%, 11% e 103%, respectivamente.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Comparando o Brasil e o mundo com pa&#237;ses    selecionados, das Am&#233;ricas, do grupo BRICS (Brasil, R&#250;ssia, &#205;ndia,    China e &#193;frica do Sul), do G7 (Estados Unidos, Alemanha, It&#225;lia, Jap&#227;o,    Fran&#231;a, Reino Unido e Canad&#225;), do Sul da Europa (Portugal, Espanha,    It&#225;lia, Gr&#233;cia e Turquia), e de porte produtivo assemelhado (Holanda,    B&#233;lgica, Israel, Dinamarca, Austr&#225;lia, Pol&#244;nia, Su&#237;&#231;a,    Taiwan, Su&#233;cia, Jap&#227;o, &#193;ustria, R&#250;ssia e Rep&#250;blica    Tcheca), tem-se o <i>ranking </i>de crescimento no dec&#234;nio, conforme as    <a href="#t3">Tabelas 3</a> e <a href="#t4">4</a>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="t3"></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v24n4/4a22t3.gif" border="0"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a name="t4"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v24n4/4a22t4.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em resumo, a queda no volume mundial de estudos    de fase 3 no Brasil e no mundo, desde a crise econ&#244;mica do <i>subprime    </i>de 2008, e o crescimento vertiginoso dos novos <i>players </i>globais China    e Coreia - por raz&#245;es comerciais e industriais gerais que marcaram a regi&#227;o    como grande mercado emergente e o &quot;ch&#227;o de f&#225;brica&quot; do mundo    - acarretaram deslocamentos de investimentos em escala planet&#225;ria. Contrarrestando,    o Brasil resistiu muito bem. Nada indica que a explica&#231;&#227;o dos fen&#244;menos    gerais que t&#234;m impacto particular nas pesquisas fase 3 no pa&#237;s possa    ser elaborada estribando-se na cr&#237;tica local do padr&#227;o da administra&#231;&#227;o    p&#250;blica do Sistema CEP-CONEP. O Sistema virou bode expiat&#243;rio para    um golpe pol&#237;tico contra a pr&#225;tica vitoriosa de democracia participativa    do SUS nesse tema, bem como para se derrubar sorrateiramente a vig&#234;ncia    dos princ&#237;pios da benefic&#234;ncia e autonomia nas atividades de pesquisa    com seres humanos vulner&#225;veis. Infelizmente, a hist&#243;ria recente da    &#205;ndia &#233; exemplo mundial lament&#225;vel do quanto custa, em vidas    e em retrocesso econ&#244;mico, abolir utilitariamente tais princ&#237;pios    &#233;ticos nas pesquisas com seres humanos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O Senado brasileiro contribuiria bem mais com    o pa&#237;s se analisasse melhor as raz&#245;es para o desempenho negativo dos    estudos de fase 3. Nosso gargalo n&#227;o &#233; &#233;tico, e sim industrial.    Por isso, em vez de seguir proposta da    ind&#250;stria estadunidense e desconstruir algo que funciona como exemplo mundial    de sistema de revis&#227;o &#233;tica, melhor seria almejar o padr&#227;o industrial    do Norte e formular uma pol&#237;tica industrial farmac&#234;utica nacional    que estimule ci&#234;ncia e inova&#231;&#227;o em toda a cadeia produtiva, da    pesquisa b&#225;sica e laboratorial aos estudos cl&#237;nicos, fase final de    desenvolvimento. Isso ampliaria a autonomia, reduzira a vulnerabilidade nacional    aos ataques e flutua&#231;&#245;es especulativas globais no particular dos estudos    fase 3, e daria fundamento s&#243;lido, est&#225;vel, aut&#243;ctone, independente,    cultural e moralmente conciliado aos ensaios cl&#237;nicos no Brasil.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Refer&#234;ncias</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">1. Pal&#225;cios M, Rego S. A proposta de regulamenta&#231;&#227;o    &#233;tica da pesquisa cl&#237;nica apresentada ao Senado Brasileiro n&#227;o    interessa aos participantes de pesquisa. Cad Saude Publica. 2015 ago;31(8):1583-5.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">2. Greco DB. Pesquisa cl&#237;nica: sua relev&#226;ncia    para a sa&#250;de p&#250;blica ou &#233;tica na pesquisa cl&#237;nica como alavanca    para a &#233;tica no acesso aos cuidados de sa&#250;de. In: Anais do 11&deg;    Congresso Brasileiro de Bio&#233;tica; 3&deg; Confer&#234;ncia Internacional    Sobre Ensino da &#201;tica; 2015 set 16-18; Curitiba. Curitiba: Sociedade Brasileira    de Bio&#233;tica; 2015.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">3. Minist&#233;rio da Sa&#250;de (BR). Conselho    Nacional de Sa&#250;de. Comiss&#227;o Nacional de &#201;tica em Pesquisa. Carta    de Bras&#237;lia: carta aberta &#224; sociedade brasileira, formulada pelos    participantes do Encontro Nacional dos Comit&#234;s de &#201;tica em Pesquisa.    In: Anais do 4&deg; Encontro Nacional de Comit&#234;s de &#201;tica em Pesquisa;    2015 out 15-16; Bras&#237;lia. Bras&#237;lia: Conselho Nacional de    Sa&#250;de; 2015.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">4. Habermas J. A nova obscuridade: pequenos escritos    pol&#237;ticos. S&#227;o Paulo: UNESP; 2015.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">5. Lima Filho JA. Projeto de Lei 200/2015 joga    na latrina os direitos dos participantes de pesquisas no Brasil &#91;Internet&#93;.    S&#227;o Paulo: Ag&#234;ncia AIDS; 2015 &#91;citado 2015 set 28&#93;. Dispon&#237;vel    em: <a href="http://agenciaaids.com.br/home/artigos/artigo_detalhe/483#.VgnqLXpVikp">http://agenciaaids.com.br/home/artigos/artigo_detalhe/483#.VgnqLXpVikp</a></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">6. ClinicalTrials.gov: advanced search &#91;Internet&#93;.    Bethesda (MD): U.S. National Institutes of Health; 2015 &#91;cited 2015 Aug 30&#93;.    Available from: <a href="https://clinicaltrials.gov/ct2/search/advanced">https://clinicaltrials.gov/ct2/search/advanced</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b><a name="endereco"></a><a href="#topo"><img src="img/revistas/ess/v20n1/seta.gif" border="0"></a>Endere&#231;o    para correspond&#234;ncia:</b></font><font face="Verdana" size="2"><b>    <br>   Carlo Henrique Goretti Zanetti-    <br>   </b>Universidade de Bras&#237;lia,    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Faculdade de Ci&#234;ncias da Sa&#250;de,    <br>   Departamento de Odontologia.    <br>   Campus Universit&#225;rio Darcy Ribeiro-    <br>   Asa Norte, Bras&#237;lia.   CEP.: 70910-900    <br>     <i>E-mail: </i><a href="mailto:zanetti@unb.br">zanetti@unb.br</a></font></p>      ]]></body>
</article>
