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</front><body><![CDATA[  <span style="line-height:115%; font-family:'Arial','sans-serif'; font-size:9.0pt; "><font color="#990033">http://dx.doi.org/10.5123/S1679-49742016000100022</font></span>      <p align="right"><font face="Verdana" size="2"><b>ENTREVISTA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="4"><b><a name="topo"></a>The Lancet: s&#233;rie    sobre amamenta&#231;&#227;o</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Leila Posenato Garcia<sup>1</sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>1</sup>Instituto de Pesquisa Econ&#244;mica    Aplicada, Assessoria T&#233;cnica da Presid&#234;ncia, Bras&#237;lia-DF, Brasil</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">O Prof. Cesar Gomes Victora &#233; um dos mais    preeminentes epidemiologistas brasileiros. &#201; Professor Em&#233;rito de    Epidemiologia na Universidade Federal de Pelotas (UFpel), e Professor Visitante    na Universidade de Oxford (Inglaterra) e nas universidades estadunidenses de    Harvard e Johns Hopkins, al&#233;m de Pesquisador S&#234;nior do Wellcome Trust.    Foi presidente da Associa&#231;&#227;o Epidemiol&#243;gica Internacional (IEA),    de 2011 a 2014. Recentemente, atuou como editor de uma s&#233;rie especial sobre    amamenta&#231;&#227;o publicada na revista brit&#226;nica <i>The Lancet, </i>em    janeiro de 2016.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A s&#233;rie &#233; composta por dois artigos    que discorrem sobre as tend&#234;ncias de indicadores de amamenta&#231;&#227;o    no mundo, os benef&#237;cios da amamenta&#231;&#227;o para m&#227;es e filhos,    a import&#226;ncia das interven&#231;&#245;es para estimular sua realiza&#231;&#227;o    e dura&#231;&#227;o, bem como os desafios para a promo&#231;&#227;o deste comportamento    saud&#225;vel. O leite materno &#233; comparado a um &quot;medicamento personalizado&quot;,    com diversas vantagens nutricionais, imunol&#243;gicas, econ&#244;micas e ambientais.    Entre seus impactos, foi estimado que as mortes de 823 mil crian&#231;as e 20    mil m&#227;es poderiam ser evitadas a cada ano com a universaliza&#231;&#227;o    da amamenta&#231;&#227;o, tendo como benef&#237;cio adicional uma economia de    300 bilh&#245;es de d&#243;lares.<sup>1,2</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A <i>Epidemiologia e Servi&#231;os de Sa&#250;de:    revista do Sistema &#218;nico de Sa&#250;de do Brasil </i>(RESS), em parceria    com a revista <i>The Lancet, </i>viabilizou a tradu&#231;&#227;o para o portugu&#234;s    desses artigos, originalmente publicados em ingl&#234;s. <a href="#amamentacao">As tradu&#231;&#245;es    encontram-se dispon&#237;veis na vers&#227;o eletr&#244;nica da RESS</a>.<sup>3,4</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A seguir, &#233; apresentada uma breve entrevista    com o Prof. Cesar, a respeito dos artigos da s&#233;rie.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><i>Qual a import&#226;ncia desta s&#233;rie sobre    amamenta&#231;&#227;o publicada na revista The Lancet, nos cen&#225;rios global    e brasileiro?</i></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Prof. Cesar Victora: </b>Acho que a mensagem    mais importante &#233; a de que a amamenta&#231;&#227;o &#233; fundamental para    crian&#231;as e para as m&#227;es, tanto em sociedades pobres quanto ricas.    At&#233; h&#225; alguns anos havia consenso sobre a import&#226;ncia da amamenta&#231;&#227;o    para evitar doen&#231;as infecciosas, que s&#227;o particularmente prevalentes    em popula&#231;&#245;es pobres. Nos &#250;ltimos anos, foram acumuladas evid&#234;ncias    epidemiol&#243;gicas e de biologia b&#225;sica que mostram os benef&#237;cios    do leite materno para as mulheres, incluindo a redu&#231;&#227;o nos c&#226;nceres    de mama e ov&#225;rio, e os efeitos em longo prazo para as crian&#231;as, incluindo    o aumento da intelig&#234;ncia e uma prov&#225;vel redu&#231;&#227;o nos riscos    de obesidade e diabete na idade adulta. O Brasil se encontra em uma fase de    transi&#231;&#227;o epidemiol&#243;gica, e promover o aleitamento continua sendo    t&#227;o importante quanto no passado.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><i>Nos artigos da s&#233;rie, a amamenta&#231;&#227;o    &#233; destacada como um comportamento saud&#225;vel promotor de equidade. Como    a amamenta&#231;&#227;o contribui para a redu&#231;&#227;o das desigualdades    sociais e em sa&#250;de, especialmente nos pa&#237;ses de m&#233;dia e baixa    renda, como o Brasil?</i></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Prof. Cesar Victora: </b>Nossos artigos incluem    a primeira s&#233;rie de an&#225;lises sistem&#225;ticas, em dezenas de pa&#237;ses,    sobre desigualdades sociais na dura&#231;&#227;o do aleitamento. Mostramos que    a amamenta&#231;&#227;o tem maior dura&#231;&#227;o em pa&#237;ses pobres do    que em pa&#237;ses ricos. Dentro dos pa&#237;ses pobres, s&#227;o as m&#227;es    mais pobres que tendem a amamentar por maiores per&#237;odos de tempo. Portanto,    a amamenta&#231;&#227;o &#233; um dos poucos comportamentos de sa&#250;de positivos    que s&#227;o mais frequentes na pobreza. Na aus&#234;ncia de amamenta&#231;&#227;o,    os diferenciais sociais na mortalidade de crian&#231;as seriam ainda mais pronunciados.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><i>Grande parte das evid&#234;ncias sobre os    benef&#237;cios da amamenta&#231;&#227;o destacados na s&#233;rie s&#227;o derivadas    de estudos epidemiol&#243;gicos. Qual a contribui&#231;&#227;o das coortes de    nascimentos para a compreens&#227;o destes benef&#237;cios?</i></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Prof. Cesar Victora: </b>Dispomos hoje de    dados que at&#233; h&#225; alguns anos n&#227;o existiam, como coortes de nascimentos    acompanhadas por v&#225;rias d&#233;cadas em pa&#237;ses de renda m&#233;dia    e baixa. Na coorte de 1982 de Pelotas, por exemplo, foi poss&#237;vel demonstrar    um aumento de cerca de 4 pontos no Q.I. (quociente de intelig&#234;ncia) de    crian&#231;as amamentadas por mais de um ano, comparadas com aquelas que mamaram    no peito por menos de um m&#234;s. Mostramos tamb&#233;m aumentos importantes    na escolaridade e na renda mensal associados a maiores dura&#231;&#245;es do    aleitamento. Em pa&#237;ses ricos, v&#225;rios estudos sugerem redu&#231;&#227;o    no risco de c&#226;ncer de mama entre mulheres que amamentam por per&#237;odos    mais prolongados. Este tipo de evid&#234;ncia n&#227;o existia at&#233; h&#225;    pouco tempo, e seus resultados refor&#231;am a necessidade de promover o aleitamento.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><i>Quais s&#227;o as suas recomenda&#231;&#245;es    para promo&#231;&#227;o da amamenta&#231;&#227;o no &#226;mbito dos servi&#231;os    de sa&#250;de e da gest&#227;o do SUS?</i></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Prof. Cesar Victora: </b>Minha primeira recomenda&#231;&#227;o    para o nosso Minist&#233;rio da Sa&#250;de &#233; realizar imediatamente uma    pesquisa nacional de demografia e sa&#250;de, nos moldes das pesquisas realizadas    em 1996 e 2006-2007. Sem dados populacionais de sa&#250;de por cerca de 10 anos,    o Brasil se encontra em posi&#231;&#227;o pior do que todos os nossos vizinhos,    com exce&#231;&#227;o da Venezuela. O que se passou com o aleitamento em nosso    pa&#237;s desde 2007? N&#227;o sabemos. H&#225; alguns estudos restritos, mas,    sem dados representativos para toda a popula&#231;&#227;o, &#233; imposs&#237;vel    planejar adequadamente os servi&#231;os, e avaliar o impacto de interven&#231;&#245;es    em sa&#250;de.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nossa s&#233;rie de artigos coloca o Brasil em    destaque pelos importantes avan&#231;os na amamenta&#231;&#227;o at&#233; 2007.    Passamos de uma dura&#231;&#227;o mediana de menos de 3 meses nas d&#233;cadas    de 1970-1980 para mais de 12 meses. Mas &#233; essencial continuar a monitorar    o progresso atrav&#233;s de inqu&#233;ritos representativos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em termos do SUS, embora eu n&#227;o disponha    de dados espec&#237;ficos, tenho observado altos e baixos nas a&#231;&#245;es    de promo&#231;&#227;o do aleitamento desde o ano 2000. Entre os pontos negativos,    destaco a falta de continuidade e seguimento    na implanta&#231;&#227;o dos hospitais amigos da crian&#231;a, assim como nas    a&#231;&#245;es da Rede Amamenta Brasil, que oscilam em termos de intensidade    e visibilidade ao longo do tempo. A descentraliza&#231;&#227;o de a&#231;&#245;es    de promo&#231;&#227;o para estados e munic&#237;pios n&#227;o tem produzido    os resultados esperados. Quanto &#224; fiscaliza&#231;&#227;o da Norma Brasileira    de Comercializa&#231;&#227;o de Alimentos para Lactantes (NBCAL), a sociedade    civil tem feito sua parte atrav&#233;s da IBFAN (International Baby Food Action    Network - Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar), mas eu gostaria    de ver a Anvisa (Ag&#234;ncia Nacional de Vigil&#226;ncia Sanit&#225;ria) mais    envolvida e proativa.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nossa s&#233;rie mostra que amamentar n&#227;o    &#233; importante apenas para a sa&#250;de e a nutri&#231;&#227;o dos indiv&#237;duos,    mas tamb&#233;m para reduzir os gastos assistenciais e para o desenvolvimento    social e econ&#244;mico da na&#231;&#227;o, atrav&#233;s do aumento da intelig&#234;ncia    e produtividade. &#201; cada vez mais importante direcionar recursos p&#250;blicos    para promover a amamenta&#231;&#227;o em nosso pa&#237;s.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Finalmente, o aumento na amamenta&#231;&#227;o    &#233; uma das hist&#243;rias de sucesso que temos na &#225;rea de sa&#250;de.    Adequar o investimento p&#250;blico nesta &#225;rea pode contribuir para melhorar    a imagem de nosso pa&#237;s no panorama sanit&#225;rio internacional.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Refer&#234;ncias</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">1. Victora CG, Bahl R, Barros AJ, Fran&#231;a    GV, Horton S, Krasevec J, et al. Breastfeeding in the 21st century: epidemiology,    mechanisms, and lifelong effect. Lancet.2016 Jan;387(10017):475-90.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">2. Rollins NC, Bhandari N, Hajeebhoy N, Horton    S, Lutter CK, Martines JC, et al. Why invest, and what it will take to improve    breastfeeding practices? Lancet. 2016 Jan;387(10017):491-504.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">3. Victora CG, Bahl R, Barros AJD, Fran&#231;a    GVA Horton S, Krasevec J, et al. Amamenta&#231;&#227;o no s&#233;culo 21: epidemiologia,    mecanismos, e efeitos ao longo da vida. Epidemiol Serv Saude. No prelo 2016.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">4. Rollins NC, Bhandari N, Hajeebhoy N, Horton    S, Lutter CK, Martines JC, et al. Por que investir e o que ser&#225; necess&#225;rio    para melhorar as pr&#225;ticas de amamenta&#231;&#227;o? Epidemiol Serv Saude.    No prelo 2016.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="amamentacao"></a><font face="Verdana" size="3"><b>Tradu&ccedil;&otilde;es</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">- Victora CG, Bahl R, Barros AJD, Fran&ccedil;a GVA Horton S, Krasevec J, et al. Amamenta&ccedil;&atilde;o no s&eacute;culo 21: epidemiologia, mecanismos, e efeitos ao longo da vida. Epidemiol Serv Saude [Internet]. 2016 [citado 2016 mai 16];25:1-24. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://scielo.iec.pa.gov.br/pdf/ess/v25n1/Amamentacao1.pdf" target="_blank">http://scielo.iec.pa.gov.br/pdf/ess/v25n1/Amamentacao1.pdf</a></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">- Rollins NC, Bhandari N, Hajeebhoy N, Horton S, Lutter CK, Martines JC, et al. Por que investir e o que ser&aacute; necess&aacute;rio para melhorar as pr&aacute;ticas de amamenta&ccedil;&atilde;o? Epidemiol Serv Saude [Internet]. 2016 [citado 2016 mai 16];25:1-20. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://scielo.iec.pa.gov.br/pdf/ess/v25n1/Amamentacao2.pdf" target="_blank">http://scielo.iec.pa.gov.br/pdf/ess/v25n1/Amamentacao2.pdf</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
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