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<journal-title><![CDATA[Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi Ciências Naturais]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Comparação da produção de serapilheira de dois bosques de mangue com diferentes padrões estruturais na península Bragantina, Bragança, Pará]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Comparison of litterfall yield of two mangrove stands with different structural features on the Bragança peninsula, Pará]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The estimates of litterfall in the mangal is one of the aspects which must be considered to access the productivity of this ecosystem. Thus, the present work aimed to estimate the total and component rates of the litterfall. Field work was undertaken during an annual cycle, from August, 2000 to July, 2001, in two mangrove areas: a mixed stand (Avicennia germinans, Rhizophora mangle and Laguncularia racemosa) and a dwarf stand (A. germinans). Twelve litter traps were randomly placed in the mixed stand and six in the dwarf one. Trapped material was oven-dried at 70ºC, weighed by different components and sorted by species. Results showed that the annual production of litterfal for both Mixed and Dwarf stands was 4.93 and 1.89 t.ha-1.year-1, respectively, representing a very significant difference (ANOVA, F=24.87; gl=23; p<0.01). Leaf represented 70.57% for the mixed stand and 87.58% for the dwarf one, considering the total production. Linear regression analysis of precipitation and litterfall production for both stands, during the annual cycle, demonstrated that litterfall production in these stands was inversely proportional to local precipitation indices, corroborating other studies in the Amazon region. The great difference in the rates of litterfall yield is, certainly, due to the structural pattern of the mangrove stands and the structural development of these stands, which on the other hand, is a result of the local environmental conditions. Finally, the production of leaf and flower in the litterfall are coincident in time, suggesting a strategy in which the mangrove plants, during the changing from dry to wet period, reject leaves to invest more energy in the production of reproductive parts, and try to guarantee the dispersion and the establishment of new individuals.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4" face="verdana"><b><a name="topo" id="topo"></a>Compara&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o de serapilheira de dois bosques de mangue com diferentes padr&otilde;es estruturais na  pen&iacute;nsula Bragantina, Bragan&ccedil;a, Par&aacute;</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Comparison of litterfall yield of two mangrove stands with different  structural features on the Bragan&ccedil;a peninsula, Par&aacute;</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Andrea do Socorro Costa Farias<sup>I</sup>; Marcus Emanuel Barroncas Fernandes<sup>I</sup>; Anneken Reise<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Universidade Federal do Par&aacute;. Campus de Bragan&ccedil;a. Instituto de  Estudos Costeiros. Laborat&oacute;rio de Ecologia de Manguezal. Bragan&ccedil;a, Par&aacute;,  Brasil. (<a href="mailto:mebf@ufpa.br">mebf@ufpa.br</a>) (<a href="mailto:anneken.reise@dlr.de">anneken.reise@dlr.de</a>)    <br>   <sup>II</sup>Zentrum f&uuml;r Marine Tropen&ouml;kologie. Bremen, Alemanha (Centro de  Ecologia Marinha Tropical) (<a href="mailto:anneken.reise@dlr.de">anneken.reise@dlr.de</a>)</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A estimativa da queda de serapilheira no manguezal &eacute; um dos  aspectos que devem ser considerados para acessar a produtividade deste ecossistema.  Assim, o presente trabalho teve como objetivo estimar as taxas de produ&ccedil;&atilde;o  total e dos componentes da serapilheira. O trabalho de campo foi  desenvolvido ao longo de um ciclo anual, de agosto de 2000 a julho de 2001, em  duas &aacute;reas de manguezal: um bosque misto (<i>Avicennia germinans, Rhizophora mangle </i>e <i>Laguncularia racemosa</i>) e um bosque an&atilde;o (<i>A. germinans</i>)<i>. </i>Doze cestas coletoras foram  aleatoriamente instaladas no bosque misto e seis no bosque an&atilde;o. O material  acumulado nas cestas foi seco em estufa a 70<sup>o</sup>C e pesado nos diferentes componentes e por  esp&eacute;cie. Os resultados mostraram que a produ&ccedil;&atilde;o anual de serapilheira dos  bosques misto e an&atilde;o foi de 4,93 e 1,89 t<sup>.</sup>ha<sup>-1.</sup>ano<sup>-1</sup>,  respectivamente, representando uma diferen&ccedil;a significativa (ANOVA, F=24,87;  gl=23; p&lt;0,01). Considerando a produ&ccedil;&atilde;o total, folha representou 70,57% para  o bosque misto e 87,58% para o bosque an&atilde;o. A an&aacute;lise de regress&atilde;o linear entre  a precipita&ccedil;&atilde;o e a produ&ccedil;&atilde;o de serapilheira dos dois bosques, ao longo de um  ciclo anual, demonstrou que a produ&ccedil;&atilde;o de serapilheira desses bosques &eacute;  inversamente proporcional aos &iacute;ndices de precipita&ccedil;&atilde;o local, corroborando  outros trabalhos amaz&ocirc;nicos. A grande diferen&ccedil;a nas taxas de produ&ccedil;&atilde;o de serapilheira deve-se,  certamente, ao padr&atilde;o estrutural dos bosques de mangue. O desenvolvimento  estrutural desses bosques &eacute;, por outro lado, um resultado das condi&ccedil;&otilde;es ambientais  locais. Por fim, o per&iacute;odo de produ&ccedil;&atilde;o do componente folha da serapilheira  coincidiu com o per&iacute;odo de produ&ccedil;&atilde;o do componente flor, sugerindo uma  estrat&eacute;gia na qual as plantas de mangue, na mudan&ccedil;a do per&iacute;odo seco para o  chuvoso, perdem as folhas para investir mais energia na produ&ccedil;&atilde;o de partes  reprodutivas e, assim, tentarem garantir a dispers&atilde;o e o estabelecimento de  novos indiv&iacute;duos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Palavras-chave</b>: Produ&ccedil;&atilde;o de serapilheira. Manguezal. Padr&atilde;o estrutural.  Bragan&ccedil;a. Par&aacute;.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">The  estimates of litterfall in the mangal is one of the aspects which must be  considered to access the productivity of this ecosystem. Thus, the present work  aimed to estimate the total and component rates of the litterfall. Field work  was undertaken during an annual cycle, from August, 2000 to July, 2001, in two mangrove  areas: a mixed stand (<i>Avicennia  germinans, Rhizophora mangle </i>and <i>Laguncularia racemosa</i>) and a dwarf stand (<i>A. germinans</i>)<i>. </i>Twelve litter traps were  randomly placed in the mixed stand and six in the dwarf one. Trapped material  was oven-dried at 70<sup>o</sup>C,  weighed by different components and sorted by species. Results showed that the  annual production of litterfal for both Mixed and Dwarf stands was 4.93 and 1.89  t<sup>.</sup>ha<sup>-1.</sup>year<sup>-1</sup>, respectively, representing a  very significant difference (ANOVA, F=24.87; gl=23; p&lt;0.01). Leaf  represented 70.57% for the mixed stand and 87.58% for the dwarf one,  considering the total production. Linear regression analysis of precipitation  and litterfall production for both stands, during the annual cycle,  demonstrated that litterfall production in these stands was inversely  proportional to local precipitation indices, corroborating other studies in the  Amazon region. The great difference in the rates of litterfall yield is,  certainly, due to the structural pattern of the mangrove stands and the  structural development of these stands, which on the other hand, is a result of  the local environmental conditions. Finally, the production of leaf and flower  in the litterfall are coincident in time, suggesting a strategy in which the  mangrove plants, during the changing from dry to wet period, reject leaves to  invest more energy in the production of reproductive parts, and try to  guarantee the dispersion and the establishment of new individuals.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Keywords</b>: Litterfall  yield. Mangal. Structural pattern. Bragan&ccedil;a. Par&aacute;.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">De acordo com  Clough, Ong e Gong (1997), os manguezais nos  tr&oacute;picos &uacute;midos apresentam  estrutura bastante desenvolvida e alta produtividade. Este padr&atilde;o estrutural e  de produtividade tamb&eacute;m &eacute; uma caracter&iacute;stica dos bosques de mangue da costa  norte brasileira, onde as &aacute;rvores podem atingir mais de 30 m de altura sobre um  substrato lamoso (FERNANDES, 1997).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Fernandes (2003) relata que as altas  taxas de produ&ccedil;&atilde;o de serapilheira dos bosques de mangue, na costa norte  brasileira, s&atilde;o um dos principais reflexos da alta produtividade desse  ecossistema. Este mesmo autor ressalta a import&acirc;ncia da sazonalidade na  produ&ccedil;&atilde;o de serapilheira, bem como a rela&ccedil;&atilde;o dessa produ&ccedil;&atilde;o com os fatores  abi&oacute;ticos locais, como sendo um par&acirc;metro essencial para a manuten&ccedil;&atilde;o dessa  produtividade. Al&eacute;m disso, essa alta produ&ccedil;&atilde;o de serapilheira representa um  papel importante na manuten&ccedil;&atilde;o dos ecossistemas aqu&aacute;ticos adjacentes, atrav&eacute;s  da exporta&ccedil;&atilde;o de mat&eacute;ria org&acirc;nica, o que gera um rico reservat&oacute;rio de energia e  nutrientes.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">De fato, as  florestas de mangue contribuem de forma significativa para a produtividade dos  sistemas estuarinos. Por isso, a estimativa da queda de serapilheira nos  bosques de mangue &eacute; um dos aspectos importantes a serem considerados quando o  objetivo &eacute; acessar a produtividade deste ecossistema, utilizando-se, para tanto, as  taxas de produ&ccedil;&atilde;o total e dos componentes da serapilheira (DAY <i>et al.</i>,1987). No entanto, poucos  estudos t&ecirc;m sido realizados ao longo da costa norte no que diz respeito &agrave;  produ&ccedil;&atilde;o de serapilheira, podendo ser citados apenas os estudos de Fernandes (1997; 2003), Mehlig (2001) e Carvalho (2002).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Assim, este  trabalho objetiva estimar e comparar a produ&ccedil;&atilde;o total e dos componentes da  serapilheira de dois bosques de mangue com diferentes padr&otilde;es estruturais, no  intuito de avaliar se esta diferen&ccedil;a estrutural afeta de forma significativa a  taxa de produ&ccedil;&atilde;o dos bosques menos desenvolvidos, bem como verificar se os  &iacute;ndices de precipita&ccedil;&atilde;o local est&atilde;o relacionados com as diferentes taxas de produ&ccedil;&atilde;o  destes bosques.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>MATERIAL E M&Eacute;TODOS</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>&Aacute;rea de estudo</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A plan&iacute;cie costeira  bragantina (nordeste do estado do Par&aacute;) abrange a faixa costeira do munic&iacute;pio  de Bragan&ccedil;a, regi&atilde;o que se estende da Ponta do Maia&uacute; &agrave; foz do rio Caet&eacute;,  perfazendo uma &aacute;rea de aproximadamente 1.570 km<sup>2</sup>. Com uma linha costeira de aproximadamente 40 km, esta regi&atilde;o &eacute;  caracterizada pela presen&ccedil;a de rios, manguezais e planaltos rebaixados (SOUZA  FILHO, 1995).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O clima da &aacute;rea &eacute;  equatorial quente e &uacute;mido, apresentando precipita&ccedil;&atilde;o anual em torno de 2.500 mm e umidade relativa do ar  entre 80 e 91% (MARTORANO <i>et al.</i>,1993). O regime de mar&eacute;s &eacute;  semidiurno, durante um per&iacute;odo de aproximadamente 6,2 h, com as mar&eacute;s  mais altas entre 4 e 5 m, perfazendo um  ciclo total de 24,5 h. A descarga do  rio Caet&eacute; &eacute; de aproximadamente 180 m<sup>3.</sup>s<sup>-1</sup>  durante a esta&ccedil;&atilde;o da chuva e de 0,3 m<sup>3.</sup>s<sup>-1</sup>  durante o per&iacute;odo menos chuvoso (SCHWENDENMANN, 1998).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As taxas de  pluviosidade, para efeito de compara&ccedil;&atilde;o com a produ&ccedil;&atilde;o de serapilheira, foram  obtidas a partir da Esta&ccedil;&atilde;o Meteorol&oacute;gica monitorada pela Universidade Federal  do Par&aacute; (UFPA) e instalada na pen&iacute;nsula de Ajuruteua.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Para este estudo  foram escolhidas, na regi&atilde;o da plan&iacute;cie costeira bragantina, duas &aacute;reas  distintas denominadas bosque misto (00<sup>o</sup>55'39.6&quot;S e 46<sup>o</sup>42'16.5&quot;W) e  bosque an&atilde;o (00<sup>o</sup>53'45.6''S e 046<sup>o</sup>39'52.1''W) (<a href="#f1">Figura 1</a>). A primeira &aacute;rea de  estudo &eacute; caracterizada por um bosque misto, constitu&iacute;do de <i>Rhizophora mangle</i>, <i>Avicennia  germinans</i> e <i>Laguncularia  racemosa</i>,enquanto a segunda &eacute; um bosque an&atilde;o, constitu&iacute;do  exclusivamente de &aacute;rvores de <i>Avicennia germinans </i>de at&eacute; 5 m de altura.</font></p>     <p><a name="f1" id="f1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/bmpegcn/v1n3/3a06f1.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Procedimento</b> </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As coletas da serapilheira foram realizadas durante um ciclo  anual completo, de agosto de 2000   a julho de 2001.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Cestas coletoras foram aleatoriamente instaladas no bosque misto  (n = 12) e no bosque an&atilde;o (n = 6). A diferen&ccedil;a no n&uacute;mero de cestas coletoras  deve-se ao fato de que a primeira &aacute;rea apresenta um n&uacute;mero maior de esp&eacute;cies  bot&acirc;nicas e maior &aacute;rea amostral, ao passo que o bosque an&atilde;o apresenta somente  uma esp&eacute;cie bot&acirc;nica e menor &aacute;rea amostral. As cestas coletoras de 1 m<sup>2</sup> foram  constru&iacute;das com arma&ccedil;&atilde;o de madeira, tela de n&aacute;ilon (malha de 1x3 mm), fundo de 40 cm e suspensas  permanentemente a 1 m  acima do ch&atilde;o da floresta, no intuito de evitar a retirada do material  acumulado nas cestas pela a&ccedil;&atilde;o das mar&eacute;s de siz&iacute;gia.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O material acumulado nas cestas foi retirado e separado nos  seguintes componentes: folha, flor, fruto, estipula, galho e miscel&acirc;nea (material  vegetal ou animal n&atilde;o identificado e fezes), como a separa&ccedil;&atilde;o feita por  esp&eacute;cie. Em seguida, todos os componentes foram secos em estufa a 70<sup>o</sup>C at&eacute; atingir um peso  constante e, finalmente, pesados em balan&ccedil;a de precis&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>An&aacute;lise dos dados</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Os valores da produ&ccedil;&atilde;o de serapilheira para  cada &aacute;rea foram calculados a partir do valor obtido em peso seco. Foi  calculada, para cada &aacute;rea, a m&eacute;dia da produ&ccedil;&atilde;o de serapilheira de todas as  cestas e este valor foi dividido pelo n&uacute;mero de dias em que as cestas  permaneceram expostas, sendo, desta forma, estimado o valor da produ&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria  de um determinado m&ecirc;s. Em seguida este valor di&aacute;rio foi multiplicado pelo  n&uacute;mero de dias daquele determinado m&ecirc;s, sendo, assim, estimado o valor da  produ&ccedil;&atilde;o mensal da serapilheira. Este procedimento foi aplicado para a  estimativa da produ&ccedil;&atilde;o total e dos componentes de serapilheira das duas &aacute;reas  de estudo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As varia&ccedil;&otilde;es das  taxas mensais da produ&ccedil;&atilde;o de serapilheira dos bosques e das esp&eacute;cies estudadas  foram comparadas atrav&eacute;s da an&aacute;lise de vari&acirc;ncia ANOVA - um fator, ap&oacute;s ser testada a normalidade dos dados. Para  averiguar as rela&ccedil;&otilde;es da produ&ccedil;&atilde;o de serapilheira de cada &aacute;rea com os &iacute;ndices  de precipita&ccedil;&atilde;o locais foi utilizada a an&aacute;lise de regress&atilde;o linear simples. As  an&aacute;lises estat&iacute;sticas foram realizadas no pacote estat&iacute;stico BioEstat 3.0 (AYRES <i>et al.</i>, 2003).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>RESULTADOS</b> </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A produ&ccedil;&atilde;o anual de  serapilheira dos bosques misto e an&atilde;o foi de 4,93 t<sup>.</sup>ha<sup>-1.</sup>ano<sup>-1</sup> e 1,89 t<sup>.</sup>ha<sup>-1.</sup>ano<sup>-1</sup>, respectivamente (<a href="#f2">Figura  2</a>). Estes valores apresentaram uma diferen&ccedil;a significativa (ANOVA, F=24,87;  gl=23; p&lt;0,001) que, na produ&ccedil;&atilde;o total de serapilheira entre os bosques, foi  em torno de 62%, representando 3,04 t<sup>.</sup>ha<sup>-1.</sup>ano<sup>-1</sup>.</font></p>     <p><a name="f2" id="f2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/bmpegcn/v1n3/3a06f2.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Analisando cada &aacute;rea  separadamente, observou-se uma diferen&ccedil;a significativa na flutua&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o  de serapilheira ao longo do ciclo anual para as duas &aacute;reas (bosque misto - ANOVA, F=39,90; gl=131;  p&lt;0,001; e bosque an&atilde;o - ANOVA, F=15,16;  gl=59; p&lt;0,01). Os meses que apresentaram maior produ&ccedil;&atilde;o para ambos os  bosques foram agosto de 2000 e julho de 2001, mas deve ser ressaltado que os meses de  setembro, outubro e novembro de 2000 e maio e junho de 2001 tamb&eacute;m devem ser  considerados meses de produ&ccedil;&atilde;o elevada. J&aacute; os meses de menor produ&ccedil;&atilde;o para o  bosque misto e o bosque an&atilde;o foram fevereiro e mar&ccedil;o de 2001, respectivamente  (<a href="#f3">Figura 3</a>).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="f3" id="f3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/bmpegcn/v1n3/3a06f3.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">A <a href="#f4">Figura  4</a> apresenta a compara&ccedil;&atilde;o entre a  produ&ccedil;&atilde;o mensal de cada componente nos dois bosques estudados, considerando as  tr&ecirc;s esp&eacute;cies de mangue presentes no bosque misto. Analisando estes componentes  separadamente e fazendo a compara&ccedil;&atilde;o de cada componente entre as duas &aacute;reas de  estudo, os resultados mostraram as seguintes diferen&ccedil;as  significativas: folha (ANOVA, F= 9,57; gl=23; p&lt;0,01) foi o elemento mais  abundante nos dois bosques, apresentando uma contribui&ccedil;&atilde;o de 70,57% para o  bosque misto e 87,58% para o bosque an&atilde;o; flor (ANOVA, F=15,90; gl=23;  p&lt;0,001) foi, por sua vez, o segundo componente mais abundante no bosque  an&atilde;o, contribuindo com 5,65% da produ&ccedil;&atilde;o total de serapilheira; galho foi o segundo  componente mais abundante no bosque misto,  representando 9,24% da produ&ccedil;&atilde;o total de serapilheira nesta &aacute;rea. As  an&aacute;lises dos outros componentes da serapilheira tamb&eacute;m evidenciam diferen&ccedil;as  significativas entre os dois bosques em fruto (ANOVA, F = 11,04; gl = 23;  p&lt;0,01), galho (ANOVA, F = 16,01; gl = 23; p&lt;0,01) e miscel&acirc;nea (ANOVA,  F = 16,29; gl=23; p&lt;0,001).</font></p>     <p><a name="f4" id="f4"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/bmpegcn/v1n3/3a06f4.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">A an&aacute;lise de vari&acirc;ncia entre os dois bosques para a produ&ccedil;&atilde;o  mensal dos componentes flor e fruto, considerando apenas a esp&eacute;cie <i>Avicennia germinans</i>,comum  aos dois bosques, n&atilde;o mostrou diferen&ccedil;as significativas (ANOVA, P&gt;0,05). No  entanto, a mesma an&aacute;lise para o componente folha mostrou uma diferen&ccedil;a  significativa (ANOVA, F=24,50; gl= 23; p&lt;0,001) (<a href="#f5">Figura 5</a>).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="f5" id="f5"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/bmpegcn/v1n3/3a06f5.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">A an&aacute;lise de regress&atilde;o linear, entre a precipita&ccedil;&atilde;o e a produ&ccedil;&atilde;o  de serapilheira dos dois bosques, demonstrou que a produ&ccedil;&atilde;o de serapilheira  desses bosques &eacute; inversamente proporcional aos &iacute;ndices de precipita&ccedil;&atilde;o local,  sendo que o valor da correla&ccedil;&atilde;o de Pearson foi maior e mais significativo para  o bosque misto (R<sup>2</sup>=0,72; F=26,42; gl=11; p&lt;0,001) do que para o  bosque an&atilde;o (R<sup>2</sup>=0,46; F=8,59; gl=11; p=0,01) (<a href="#f6">Figura 6</a>).</font></p>     <p><a name="f6" id="f6"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/bmpegcn/v1n3/3a06f6.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>DISCUSS&Atilde;O</b> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">A pen&iacute;nsula bragantina abriga um mosaico vegetacional no qual o manguezal aparece  como uma das mais relevantes unidades de vegeta&ccedil;&atilde;o. A &aacute;rea de mangue enfocada  neste trabalho tamb&eacute;m apresenta varia&ccedil;&otilde;es vegetacionais, com um bosque composto  por <i>Rhizophora</i>, <i>Avicennia </i>e <i>Laguncularia</i>,enquanto  o outro &eacute; dominado exclusivamente por <i>Avicennia</i>.A estrutura dos bosques tamb&eacute;m &eacute; visivelmente  diferenciada, sendo o &uacute;ltimo bosque considerado an&atilde;o. Os resultados aqui  apresentados apontaram para uma diferen&ccedil;a significativa nas taxas de produ&ccedil;&atilde;o  dos dois bosques estudados. De fato, o bosque an&atilde;o apresentou uma diferen&ccedil;a de  mais de 60% a menos na produ&ccedil;&atilde;o total de serapilheira quando comparado ao bosque misto. Esta  diferen&ccedil;a de produ&ccedil;&atilde;o certamente est&aacute; relacionada com o padr&atilde;o estrutural que  os bosques apresentam, isto &eacute;, as &aacute;rvores que comp&otilde;em o bosque an&atilde;o produzem menos biomassa, principalmente estruturas vegetativas  (como folhas), do que os bosques mais desenvolvidos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Segundo Medina <i>et al. </i>(2001), a estrutura arbustiva do bosque an&atilde;o &eacute; conseq&uuml;&ecirc;ncia da alta salinidade do solo, intensificada durante a esta&ccedil;&atilde;o seca e funcionando como um fator de estresse para este bosque. Al&eacute;m  disso, &eacute; importante ressaltar que a produ&ccedil;&atilde;o de serapilheira pode ser  afetada em fun&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios fatores abi&oacute;ticos, como a disponibilidade de  nutrientes, o suprimento de oxig&ecirc;nio e a salinidade do solo (SNEDAKER, 1978).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O componente folha  apresentou-se como o mais abundante  da produ&ccedil;&atilde;o total de serapilheira, corroborando com outros trabalhos na  costa norte (FERNANDES,  1997; MEHLIG, 2001; CARVALHO, 2002). &Eacute; not&oacute;rio  que as folhas representam um papel relevante na ciclagem de nutrientes do  manguezal, tornando-se uma das maiores fontes de mat&eacute;ria org&acirc;nica para o processo de ciclagem de nutrientes e de pronta  disponibilidade para a absor&ccedil;&atilde;o das &aacute;rvores.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">De acordo com Saenger e Snedaker (1993), as florestas de  mangue t&ecirc;m maior produ&ccedil;&atilde;o de serapilheira pr&oacute;ximo &agrave; linha do equador; assim,  as taxas de serapilheira em &aacute;reas de mangue est&atilde;o especialmente relacionadas &agrave;s taxas de  suprimento de &aacute;gua doce (POOL <i>et al.</i>,1975).  Dessa forma, &eacute; de se esperar que o pico de produ&ccedil;&atilde;o de serapilheira nos  manguezais ocorra durante o per&iacute;odo chuvoso, como apontado por Day <i>et al. </i>(1987). Embora a literatura aponte  o per&iacute;odo de chuva como o mais relacionado com o pico de produ&ccedil;&atilde;o de  serapilheira, no presente estudo, ao contr&aacute;rio, o per&iacute;odo de maior produ&ccedil;&atilde;o  coincidiu com a esta&ccedil;&atilde;o seca. Este fato tamb&eacute;m foi registrado para outros  estudos da regi&atilde;o amaz&ocirc;nica, como o estudo da ilha de Marac&aacute;, Amap&aacute;  (FERNANDES, 1997), Acaraj&oacute; e Furo do Meio, Bragan&ccedil;a, Par&aacute; (MEHLIG, 2001) e  Furo Grande, Bragan&ccedil;a, Par&aacute; (CARVALHO, 2002). Al&eacute;m do mais, os dados apontam  para o fato de que o per&iacute;odo de produ&ccedil;&atilde;o do componente folha coincide com o  per&iacute;odo de produ&ccedil;&atilde;o de flor, sugerindo que a estrat&eacute;gia das plantas de mangue,  na mudan&ccedil;a do per&iacute;odo seco para o chuvoso, &eacute; perder folhas para investir mais  energia na produ&ccedil;&atilde;o de partes reprodutivas e, assim, tentar garantir a  dispers&atilde;o e o estabelecimento de novos indiv&iacute;duos, seguindo a tend&ecirc;ncia geral  das florestas tropicais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>AGRADECIMENTOS</b> </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os autores agradecem o apoio log&iacute;stico durante o trabalho de  campo nos manguezais da pen&iacute;nsula de Ajuruteua, ao Projeto bilateral  (Brasil/Alemanha) Management and Dynamics of Mangroves (Madam) sediado na  Universidade Federal do Par&aacute;, Campus de Bragan&ccedil;a, bem como aos dois referees pelas sugest&otilde;es ao manuscrito.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">AYRES, M. <i>et al</i>. 2003. <b>BioEstat 3.0</b>: aplica&ccedil;&otilde;es estat&iacute;sticas nas &aacute;reas das  ci&ecirc;ncias biol&oacute;gicas e m&eacute;dicas. Bel&eacute;m: Sociedade Civil Mamirau&aacute;. 291 p.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">CARVALHO, M. L. 2002. <b>Aspectos  da produtividade prim&aacute;ria dos bosques de mangue do Furo Grande, Bragan&ccedil;a - Par&aacute;</b>.  Disserta&ccedil;&atilde;o (Mestrado) - Universidade Federal do Par&aacute;, Campus de Bragan&ccedil;a-PA. 55 p.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">CLOUGH, B. F.; ONG, J. E.; GONG, W.  E. 1997. Estimating leaf area index and photosynthetic production in canopies of  mangrove <i>Rhizophora apiculata</i>.<b> Mar. Ecol. Prog. Ser.</b>, v. 159, p. 285-292.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">DAY, J.  W. JR. <i>et al. </i>1987.  The productivity and composition of mangrove forests, Laguna de Terminos, Mexico. <b>Aquatic Botany</b>, v. 27, p. 267-284.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">FERNANDES, M. E. B. 1997. <b>The ecology and productivity of mangroves  in the Amazon region, Brazil</b>. 214   f. Tese (Doutorado) - University of York, England.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">FERNANDES, M. E. B. 2003. Produ&ccedil;&atilde;o Prim&aacute;ria: Serapilheira. In: FERNANDES, M. E. B. (Org.). <b>Os  manguezais da costa norte brasileira</b>. S&atilde;o Lu&iacute;s-MA:  Funda&ccedil;&atilde;o Rio Bacanga. p. 61-78.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">KRAUSE, G.  <i>et al.</i> 2001. Spatial Patterns of Mangrove Ecosystems: the bragantinian  mangroves of norther Brazil. <b>Ecotropica</b>, v. 7, p. 93-170.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">MARTORANO, L. G. <i>et al. </i>1993. <b>Estudos clim&aacute;ticos do Estado do Par&aacute;,  classifica&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica (K&ouml;ppen) e defici&ecirc;ncia h&iacute;drica (Thornthwhite,  Mather)</b>. Bel&eacute;m:  SUDAM/EMBRAPA, SNLCS, 53 p.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">MEDINA, E. <i>et al. </i>2001. Mangal communities  of the &quot;Salgado Paraense&quot;: ecological heterogeneity along the Bragan&ccedil;a  peninsula assessed through soil and leaf analyses. <b>Amazoniana</b>, v. 16, n. 3/4, p. 397-416.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">MEHLIG,  U. 2001. <b>Aspects of tree primary  production in an equatorial mangrove forest in Brazil</b>. Bremen: Center For Tropical Marine Ecology  (ZMT). 155 p. (ZMT Contributions, 14).</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">POOL,  D. J.; LUGO, A.  E.; SNEDAKER, S. C. 1975. Litter production in mangrove forests of southern Florida and Puerto Rico.  In: WALSH, G. E.; SNEDAKER, S. C.; TEAS, H. J. (Ed.). <b>Proc. Int. Symp. Biol. and Management of Mangroves</b>. Florida: IFAS, Univ. p.  213-299.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">SAENGER,  P.; SNEDAKER, S. C. 1993. Pantropical trends in mangrove above-ground biomass  and annual litterfall. <b>Ecologia</b>, v. 96,  p. 293-299.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">SCHWENDENMANN,  L. 1998. <b>Tidal and seasonal variations  of soil and water properties in a Brazilian mangrove ecosystem</b>. Disserta&ccedil;&atilde;o  (Mestrado) - University of Karlsruhe, Karlsruhe.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">SNEDAKER,  1978. Mangroves: their value and perpetuation. <b>Nat. Resour.</b>, v. 14, n. 3, p. 6-13.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">SOUZA FILHO, P. W. M. 1995. <b>A</b> <b>plan&iacute;cie costeira  bragantina (NE do PA)</b>: influ&ecirc;ncia das  varia&ccedil;&otilde;es do n&iacute;vel do mar na morfoestratigrafia costeira  durante o Holoceno. 123 f.  Disserta&ccedil;&atilde;o  (Mestrado) - Universidade  Federal do Par&aacute;.</font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2"><b><font size="2" face="Verdana"><a name="endereco" id="endereco"></a><a href="#topo"><img src="/img/revistas/bmpegcn/v4n1/seta.gif" border="0"></a></font></b></font><font size="2" face="verdana"><b>Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia:</b>    <br> Editora do Museu Paraense Em&iacute;lio Goeldi    <br> Av. Magalh&atilde;es Barata, 376    <br> S&atilde;o Braz &ndash; CEP 66040-170    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> Caixa Postal 399    <br> Telefone/fax: 55-91-3219-3317    <br> E-mail: <a href="mailto:boletim@museu-goeldi.br">boletim@museu-goeldi.br</a></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Recebido:  10/03/2005    <br>   Aprovado:  27/03/2006</font></p>      ]]></body><back>
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