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<journal-title><![CDATA[Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi Ciências Naturais]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Análise estrutural da vegetação arbórea dos mangues no Furo Grande, Bragança, Pará]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The present study aims to describe the structural attributes of the mangrove stands at the Furo Grande, Bragança, Pará, emphasizing the patterns of spatial distribution of the vegetation in 25 quadrats of 20x20 m. For every tree inside the plots the following measures were taken: Diameter at Breast Height (DBH), Height and Crown Width. Measurements were taken from 1211 individuals of two species, Rhizophora mangle and Avicennia germinans, distributed between three sites. At Site nº1, dominated by A. germinans, 255 trees of A. germinans (93.07%) were measured and 19 of R. mangle (6.93%), totalling 274 individuals. Site nº2, dominated by R. mangle, presented 382 trees of R. mangle (90.31%) and 41 of A. germinans (9.69%), totalling 423 individuals. Site nº3 presented 269 trees of A. germinans (52.33%) and 245 of R. mangle (47.67%), totalling 514 individuals. The most abundant species in the present study was R. mangle with 646 individuals. The analysis of the structural parameters presented significant differences between DBH x Density (F = 6.07; gl=24; p<0.05), DBH x Height (F=18.70; gl=24; p<0.001) and Crown Width x DBH (F=47.15; gl=23; p<0.001). Of the three sites, density values showed Site nº1 (dominated by A. germinans)as the most developed. This difference is corroborated by high mean values of Height and DBH. The results on structural attributes and floristic composition of mangrove stands at the Furo Grande seem to indicate that these biotic factors can be influenced by other biotic factors, such as competition and natural succession of senescent individuals.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4" face="verdana"><b><a name="topo" id="topo"></a>An&aacute;lise estrutural da  vegeta&ccedil;&atilde;o arb&oacute;rea dos mangues no Furo Grande, Bragan&ccedil;a, Par&aacute;</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Structural analysis of mangrove tree vegetation in the channel Furo  Grande in Bragan&ccedil;a, Par&aacute;</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Joaquim Augusto Souza de Seixas; Marcus Emanuel Barroncas Fernandes; Ederly Santos Silva</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Universidade  Federal do Par&aacute;. Campus de Bragan&ccedil;a. Instituto de Estudos Costeiros.  Laborat&oacute;rio de Ecologia de Manguezal. Bragan&ccedil;a, Par&aacute;, Brasil (<a href="mailto:mebf@ufpa.br">mebf@ufpa.br</a>) (<a href="mailto:ederly.silva@bol.com.br">ederly.silva@bol.com.br</a>)</font></p>     <p><a href="#endereco"><font size="2" face="verdana">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</font></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b>RESUMO</b> </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O presente trabalho objetiva descrever os atributos estruturais  dos bosques de mangue no Furo Grande, Bragan&ccedil;a, Par&aacute;, enfatizando os padr&otilde;es de  distribui&ccedil;&atilde;o espacial da vegeta&ccedil;&atilde;o, em 25 parcelas de 20x20 m. Para cada &aacute;rvore  foram retiradas as seguintes medidas: circunfer&ecirc;ncia &agrave; altura do peito, altura  total e largura da copa. Foram registrados 1.211 indiv&iacute;duos de duas esp&eacute;cies, <i>Rhizophora mangle</i> e <i>Avicennia germinans</i>,distribu&iacute;dos em tr&ecirc;s s&iacute;tios. No S&iacute;tio n<sup>o</sup>1, dominado por <i>A. germinans</i>,foram  medidas 255 &aacute;rvores de <i>A. germinans</i> (93,07%) e  19 de <i>R. mangle</i> (6,93%), totalizando 274  indiv&iacute;duos. O S&iacute;tio n<sup>o</sup>2, dominado por <i>R. mangle</i>, apresentou 382 &aacute;rvores de <i>R. mangle </i>(90,31%) e 41 de <i>A.  germinans</i> (9,69%), totalizando 423 indiv&iacute;duos. J&aacute; o S&iacute;tio n<sup>o</sup>3 apresentou  269 &aacute;rvores de <i>A. germinans </i>(52,33%)  e 245 de <i>R. mangle </i>(47,67%),  totalizando 514 indiv&iacute;duos. A esp&eacute;cie mais abundante neste estudo foi <i>R. mangle </i>com 646  indiv&iacute;duos. A an&aacute;lise dos par&acirc;metros estruturais apresentou diferen&ccedil;a significativa  entre DAP x Densidade, DAP x Altura e Largura da Copa x DAP Considerando os  tr&ecirc;s s&iacute;tios, os valores de Densidade apontaram o S&iacute;tio n<sup>o</sup>1 (dominado por <i>A. germinans</i>) como o de maior porte. Essa diferen&ccedil;a &eacute; corroborada pelos  maiores valores m&eacute;dios de altura e DAP das &aacute;rvores nesse s&iacute;tio. A diferen&ccedil;a nas  caracter&iacute;sticas estruturais e composi&ccedil;&atilde;o flor&iacute;stica desses bosques na &aacute;rea de  estudo parece indicar que esses fatores bi&oacute;ticos podem estar sendo  influenciados por outros fatores bi&oacute;ticos, como competi&ccedil;&atilde;o e sucess&atilde;o natural  dos indiv&iacute;duos senescentes.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Palavras-chave</b>: Atributos estruturais. Manguezal. Furo Grande. Bragan&ccedil;a. Par&aacute;.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>ABSTRACT</b> </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">The  present study aims to describe the structural attributes of the mangrove stands  at the Furo Grande, Bragan&ccedil;a, Par&aacute;, emphasizing the patterns of spatial  distribution of the vegetation in 25 quadrats of 20x20 m. For every tree inside  the plots the following measures were taken: Diameter at Breast Height (DBH),  Height and Crown Width. Measurements were taken from 1211 individuals of two  species, <i>Rhizophora mangle</i> and <i>Avicennia germinans</i>, distributed  between three sites. At Site n<sup>o</sup>1, dominated by <i>A. germinans</i>, 255 trees of <i>A.  germinans </i>(93.07%) were measured and 19 of <i>R. mangle </i>(6.93%), totalling  274 individuals. Site n<sup>o</sup>2, dominated by <i>R. mangle</i>, presented 382 trees of <i>R.  mangle </i>(90.31%) and 41  of <i>A. germinans </i>(9.69%),  totalling 423 individuals. Site n<sup>o</sup>3 presented 269 trees of <i>A. germinans </i>(52.33%) and 245  of <i>R. mangle</i> (47.67%),  totalling 514 individuals. The most abundant species in the present study was <i>R. mangle </i>with 646  individuals. The analysis of the structural parameters presented significant  differences between DBH x Density (F = 6.07; gl=24; p&lt;0.05), DBH x Height  (F=18.70; gl=24; p&lt;0.001) and Crown Width x DBH (F=47.15; gl=23;  p&lt;0.001). Of the three sites, density values showed Site n<sup>o</sup>1 (dominated by <i>A. germinans</i>)as  the most developed. This difference is corroborated by high mean values of  Height and DBH. The results on structural attributes and floristic composition  of mangrove stands at the Furo Grande seem to indicate that these biotic  factors can be influenced by other biotic factors, such as competition and  natural succession of senescent individuals.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Keywords</b>: Structural  attributes. Mangal. Bragan&ccedil;a Peninsular. Bragan&ccedil;a. Par&aacute;.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No Brasil, os manguezais cobrem cerca de 20.000 km<sup>2</sup>  (YOKOYA, 1995), o que equivale  a mais de 12% do total de &aacute;reas cobertas por este  ecossistema em todo o planeta, correspondendo &agrave;s maiores &aacute;reas de manguezal  encontradas na costa norte, que vai do Oiapoque, Amap&aacute;, at&eacute; o Golfo maranhense,  Maranh&atilde;o (FERNANDES, 2003).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">O estu&aacute;rio do rio Caet&eacute; situa-se dentro da segunda maior regi&atilde;o de manguezal do  norte do Brasil, com uma abrang&ecirc;ncia de aproximadamente 220 km<sup>2</sup> (WOLFF; KOCH; ISSAC, 2000). Esta regi&atilde;o, localizada a 200 km a noroeste de Bel&eacute;m,  caracteriza-se pela a&ccedil;&atilde;o de macromar&eacute;s que podem variar de 2,5 a 5,5 m no m&eacute;dio estu&aacute;rio (KOCH, 1999).  Apresenta, tamb&eacute;m, duas esta&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas bem definidas, sendo uma esta&ccedil;&atilde;o  seca, que se prolonga de julho a dezembro, e uma chuvosa, de janeiro a junho.  Al&eacute;m da pluviosidade, existem outros fatores abi&oacute;ticos que influenciam  no sucesso do estabelecimento dos bosques de mangue.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Para Alongi (1989), a exist&ecirc;ncia de manguezais depende principalmente  da exist&ecirc;ncia de temperatura atmosf&eacute;rica superior a 15<sup>o</sup>C e a presen&ccedil;a de &aacute;guas  rasas. Este autor afirma, tamb&eacute;m, que para uma floresta de mangue se  estabelecer em determinadas &aacute;reas &eacute; necess&aacute;rio que ela esteja protegida contra  a a&ccedil;&atilde;o das ondas, que poderiam impedir a fixa&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento adequado das  pl&acirc;ntulas, considerando a mobilidade do substrato que o manguezal costuma  colonizar.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A variabilidade estrutural das florestas de mangue na costa brasileira foi  descrita em termos de unidades fisiogr&aacute;ficas por Schaeffer-Novelli <i>et al. </i>(1990). De acordo com estes autores, a pluma do Amazonas carreia  grande quantidade de sedimento, influenciando os padr&otilde;es estruturais dos  manguezais na regi&atilde;o amaz&ocirc;nica, principalmente no estado do Amap&aacute;. De acordo  com Tomlinson (1986), os manguezais dividem uma interessante mistura de  atributos. Essas diferentes caracter&iacute;sticas s&atilde;o, geralmente, consideradas como  respostas aos fatores ambientais que influenciam seu desenvolvimento. A  arquitetura da floresta, por exemplo, &eacute; influenciada pela magnitude e  periodicidade desses fatores abi&oacute;ticos, os quais variam nas mais diferentes  escalas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Na costa norte brasileira s&atilde;o poucos os estudos que enfocam a  estrutura e din&acirc;mica das maiores e mais desenvolvidas florestas de mangue do  pa&iacute;s (DAM&Aacute;SIO, 1980a, 1980b; SCHAEFFER-NOVELLI; CINTR&Oacute;N, 1988; ALMEIDA,  1996; PROST; RABELO, 1996; BASTOS; LOBATO, 1996; FERNANDES, 1997; MENEZES; BERGER; WORBES, 2003). Em sendo assim, este trabalho tem o intuito de descrever  os atributos estruturais de parte da floresta de mangue no Furo Grande,  Bragan&ccedil;a, Par&aacute;, dando &ecirc;nfase aos padr&otilde;es de distribui&ccedil;&atilde;o espacial da vegeta&ccedil;&atilde;o  local.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>MATERIAL E M&Eacute;TODOS</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>&Aacute;rea de estudo</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A plan&iacute;cie costeira bragantina, nordeste do Par&aacute;, abrange a  faixa costeira do munic&iacute;pio de Bragan&ccedil;a, regi&atilde;o que se estende da ponta do  Maia&uacute; at&eacute; a foz do rio Caet&eacute;,  perfazendo uma &aacute;rea de aproximadamente 1.570 km<sup>2</sup>  (SOUZA FILHO, 1995). Esta regi&atilde;o possui uma linha costeira de aproximadamente 40 km, caracterizada pela  presen&ccedil;a de rios, manguezais e planaltos rebaixados. O presente trabalho foi  realizado no Furo Grande, na pen&iacute;nsula de Ajuruteua, pr&oacute;ximo &agrave; cidade de  Bragan&ccedil;a, entre as coordenadas 00<sup>o</sup>50'19,5&quot;S e 46<sup>o</sup>38'14,9&quot;W (<a href="#f1">Figura 1</a>). O manguezal estudado localiza-se ao lado esquerdo da  rodovia PA-458, que liga Bragan&ccedil;a &agrave; vila de Ajuruteua.</font></p>     <p><a name="f1" id="f1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="../img/revistas/bmpegcn/v1n3/3a07f1.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Fatores abi&oacute;ticos</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O clima da regi&atilde;o  bragantina, assim como toda a costa nordeste do Par&aacute;, pode ser classificado  como tropical quente e &uacute;mido (CRITCHFIELD, 1968). A pluviosidade m&eacute;dia anual  desta regi&atilde;o &eacute; de 2.000 mm,  com umidade relativa do ar  oscilando entre 80 e 91% (MARTORANO <i>et  al.</i>,1993).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Ao longo de dezessete anos de monitoramento, a regi&atilde;o apresenta  uma temperatura m&eacute;dia de 25,9<sup>o</sup>C, com per&iacute;odo de estiagem de agosto a  dezembro. O regime de mar&eacute;s &eacute; semidiurno, ocorrendo subida e descida duas vezes  ao dia durante um per&iacute;odo de aproximadamente 6,2 h, al&eacute;m de apresentar um  sistema de macromar&eacute;s (4 a  5 m) com o  ciclo total de 24,5 h. A descarga do rio Caet&eacute; &eacute; de aproximadamente 180 m<sup>3</sup>/s  durante a esta&ccedil;&atilde;o da chuva e 0,3 m<sup>3</sup>/s durante o per&iacute;odo de seca (SCHWENDENMANN, 1998).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A floresta de mangue na pen&iacute;nsula bragantina &eacute; inundada  inteiramente apenas nas mar&eacute;s de siz&iacute;gia, enquanto os canais e furos dos  manguezais s&atilde;o alagados diariamente. A energia das mar&eacute;s altas e as fortes  correntes, durante as mar&eacute;s de siz&iacute;gia, carreiam grande quantidade de  sedimento, especialmente nas partes externas dos estu&aacute;rios (WOLFF; KOCH; ISAAC, 2000). No estu&aacute;rio e nos canais com maiores mar&eacute;s, a velocidade  das correntes alcan&ccedil;a valores m&aacute;ximos de aproximadamente 1,5 m.s<sup>-1</sup> durante  as mar&eacute;s de siz&iacute;gia (COHEN, 1998).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Segundo Figueira (2002), a temperatura da &aacute;rea de estudo n&atilde;o  varia muito, permanecendo entre 25 e 30<sup>o</sup>C ao longo do ano, o mesmo ocorrendo  para os valores de pH, que oscilam entre 6 e 7. A salinidade apresenta a  maior flutua&ccedil;&atilde;o, atingindo valores entre 5 e 35.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Vegeta&ccedil;&atilde;o caracter&iacute;stica</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As esp&eacute;cies caracter&iacute;sticas de mangue que ocorrem na &aacute;rea de  estudo do Furo Grande s&atilde;o <i>Rhizophora mangle </i>(mangue vermelho) e <i>Avicennia germinans </i>(mangue preto ou siri&uacute;ba), que ocupam  a maior parte da &aacute;rea de estudo. H&aacute; ocorr&ecirc;ncia de <i>Laguncularia racemosa </i>(mangue branco ou tinteira), observada  apenas na borda da floresta, al&eacute;m de um estrato herb&aacute;ceo composto  basicamente de <i>Sesuvium portulacastrum</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Procedimento</b> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Os m&eacute;todos descritos abaixo foram baseados em Schaeffer-Novelli e Cintr&oacute;n (1986) e usados para avaliar as caracter&iacute;sticas estruturais da  floresta de mangue no Furo Grande. Vinte e cinco parcelas de 20x20 m, totalizando  um hectare (10.000 m<sup>2</sup>)  foram distribu&iacute;das na &aacute;rea de estudo. A vegeta&ccedil;&atilde;o &eacute; separada por pequenos  canais internos, formando, assim, tr&ecirc;s paisagens bastante diferenciadas. As  parcelas foram distribu&iacute;das de forma que as tr&ecirc;s paisagens fossem descritas quanto  aos seus atributos estruturais. No bosque mais pr&oacute;ximo &agrave; margem do Furo Grande,  aqui denominado S&iacute;tio n<sup>o</sup>3, foram medidas 9 parcelas. Nos bosques mais internos,  aqui denominados S&iacute;tio n<sup>o</sup>2 e S&iacute;tio n<sup>o</sup>1, foram medidas 8 parcelas em cada s&iacute;tio.  Em cada parcela foram mensuradas todas as &aacute;rvores com o m&iacute;nimo de 10 cm de circunfer&ecirc;ncia &agrave;  altura do peito (CAP). Para cada &aacute;rvore foram retiradas as da circunfer&ecirc;ncia &agrave;  altura do peito, altura total e largura da copa. A altura foi estimada com o  uso de um tel&ecirc;metro (30 m  de alcance), somando-se a altura do observador em linha reta com o ponto  vis&iacute;vel mais alto da &aacute;rvore, enquanto que a largura da copa foi medida  esticando-se uma trena (50 m)  entre as por&ccedil;&otilde;es laterais mais externas da copa.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>An&aacute;lise de dados</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os dados obtidos basearam a estimativa dos seguintes par&acirc;metros  estruturais, com fundamento no estudo de Schaeffer-Novelli e Cintr&oacute;n (1986): di&acirc;metro  &agrave; altura do peito (DAP), freq&uuml;&ecirc;ncia (F = presen&ccedil;a/aus&ecirc;ncia da esp&eacute;cie por parcela),  densidade (De = n&uacute;mero de indiv&iacute;duos por parcela), domin&acirc;ncia (Do = &aacute;rea  basal de cada esp&eacute;cie por parcela), valor de cobertura (VC = De + Do) e valor  de import&acirc;ncia (VI = F + De + Do).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os indiv&iacute;duos registrados nos tr&ecirc;s s&iacute;tios de trabalho foram  subdivididos em seis classes de di&acirc;metro, com o objetivo de analisar o  desenvolvimento dos bosques estudados. As classes utilizadas foram: a) 3 a 9,9 cm; b) 10 a 19,9 cm; c) 20 a 29,9 cm; d) 30 a 39,9 cm; e) 40 a 49,9 cm e f) maior que 50 cm.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os valores encontrados a partir da estimativa dos par&acirc;metros  estruturais dos tr&ecirc;s s&iacute;tios de trabalho foram comparados entre si no intuito de  avaliar se a diferen&ccedil;a desses valores apresentava um n&iacute;vel de signific&acirc;ncia m&iacute;nimo, no intervalo de 5%, atrav&eacute;s da An&aacute;lise de Vari&acirc;ncia (ANOVA -  um fator). A regress&atilde;o linear foi utilizada para analisar a arquitetura dos  bosques atrav&eacute;s da rela&ccedil;&atilde;o dos valores de DAP altura total (AT), largura da  copa (LC) e De. Todas as an&aacute;lises estat&iacute;sticas foram desenvolvidas no pacote BioEstat 3.0 (AYRES, M.; AYRES JUNIOR; SANTOS, 2003).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>RESULTADOS</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Foram registrados 1.211 indiv&iacute;duos, pertencentes a duas  esp&eacute;cies, <i>Rhizophora mangle </i>e <i>Avicennia germinans</i>,distribu&iacute;dos  nos tr&ecirc;s s&iacute;tios. No S&iacute;tio n<sup>o</sup>1, constitu&iacute;do basicamente de <i>A. germinans</i>, foram  mensuradas 255 &aacute;rvores de <i>A. germinans</i> (93,07%) e 19 de <i>R.  mangle </i>(6,93%), totalizando 274 indiv&iacute;duos. O S&iacute;tio n<sup>o</sup>2,  composto principalmente por <i>R.  mangle</i>,apresentou um total de 382 &aacute;rvores de <i>R. mangle </i>(90,31%) e 41  &aacute;rvores de <i>A. germinans </i>(9,69%),  perfazendo um total de 423  indiv&iacute;duos. J&aacute; o S&iacute;tio n<sup>o</sup>3 apresentou 269 &aacute;rvores de <i>A. germinans </i>(52,33%) e 245 de <i>R. mangle </i>(47,67%), gerando  um total de 514 indiv&iacute;duos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; quantidade de indiv&iacute;duos mortos em cada s&iacute;tio de  trabalho, no S&iacute;tio n<sup>o</sup>1 foram registrados 28 indiv&iacute;duos de <i>A. germinans</i> e 3  indiv&iacute;duos de <i>R. mangle</i>,enquanto  no S&iacute;tio n<sup>o</sup>2 foram registrados 5 de <i>A.  germinans</i> e 22 de <i>R. mangle</i>. O S&iacute;tio  n<sup>o</sup>3 foi o que apresentou o maior n&uacute;mero de &aacute;rvores mortas, sendo 67 de <i>A. germinans </i>e 8 de <i>R. mangle</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A <a href="#f2">Figura 2</a> estabelece a rela&ccedil;&atilde;o entre o n&uacute;mero  de indiv&iacute;duos e as classes de di&acirc;metro, mostrando que o S&iacute;tio n<sup>o</sup>2 apresenta o  maior n&uacute;mero de indiv&iacute;duos (n = 272) pertencentes &agrave; menor classe. Referente &agrave;  segunda classe, o maior n&uacute;mero de indiv&iacute;duos foi encontrado no S&iacute;tio n<sup>o</sup>3  (n=158), enquanto os outros s&iacute;tios apresentaram a mesma quantidade de  indiv&iacute;duos (n = 54). As duas &uacute;ltimas classes n&atilde;o s&atilde;o t&atilde;o expressivas quanto ao  n&uacute;mero de indiv&iacute;duos, ou seja, da quinta classe, o S&iacute;tio n<sup>o</sup>2 apresentou cinco  indiv&iacute;duos e o Sito n<sup>o</sup>3 apenas tr&ecirc;s. Da &uacute;ltima classe, indiv&iacute;duos que possuem  DAP maior do que 50 cm,  foi registrada somente uma &aacute;rvore no S&iacute;tio n<sup>o</sup>2.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="f2" id="f2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/bmpegcn/v1n3/3a07f2.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">A freq&uuml;&ecirc;ncia relativa (FR) das esp&eacute;cies bot&acirc;nicas em todos os s&iacute;tios de trabalho  apresentou valores semelhantes, ou seja, <i>R. mangle </i>e <i>A.  germinans </i>foram registradas pelo menos uma vez em cada  parcela. O S&iacute;tio n<sup>o</sup>1, por sua vez, mostrou uma pequena varia&ccedil;&atilde;o, registrando  46,67% para <i>Rhizophora</i>, isto &eacute;, em algumas parcelas n&atilde;o houve registro de indiv&iacute;duos  desse tipo de mangue (<a href="#t1">Tabela 1</a>).</font></p>     <p><a name="t1" id="t1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/bmpegcn/v1n3/3a07t1.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">A esp&eacute;cie com maior densidade foi <i>R. mangle</i> (215,3 ind.ha), enquanto que <i>A. germinans </i>apresentou o maior valor de domin&acirc;ncia (4,8 m<sup>2</sup>.ha)  para o Furo Grande. O S&iacute;tio n<sup>o</sup>3 apresentou os maiores valores para densidade e domin&acirc;ncia (<a href="#t1">Tabela 1</a>).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">O valor de cobertura (VC) e o valor de import&acirc;ncia (VI) tamb&eacute;m  apresentaram o mesmo padr&atilde;o que os par&acirc;metros anteriores para os tr&ecirc;s s&iacute;tios,  ou seja, os maiores valores para o S&iacute;tio n<sup>o</sup>1 e o S&iacute;tio n<sup>o</sup>3 s&atilde;o de <i>A. germinans</i>.VC-179,3 e  VI-233,3 e VC-120,9 e VI-170,9, respectivamente (<a href="#t1">Tabela 1</a>).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Atrav&eacute;s da an&aacute;lise de vari&acirc;ncia, foi testada a diferen&ccedil;a entre  os valores obtidos para a densidade e domin&acirc;ncia nos tr&ecirc;s s&iacute;tios de trabalho. O  resultado desta an&aacute;lise mostrou que n&atilde;o h&aacute; diferen&ccedil;a significativa (ANOVA,  p&gt;0,05) entre os s&iacute;tios estudados. A <a href="#f3">Figura 3</a> demonstra  que tanto para densidade quanto para a domin&acirc;ncia, os maiores valores s&atilde;o encontrados no  S&iacute;tio n<sup>o</sup>3.</font></p>     <p><a name="f3" id="f3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/bmpegcn/v1n3/3a07f3.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">A <a href="#f4">Figura 4</a> mostra as rela&ccedil;&otilde;es significativas  entre os atributos estruturais das duas esp&eacute;cies presentes nas parcelas  estudadas nos tr&ecirc;s s&iacute;tios do Furo Grande, analisadas atrav&eacute;s da regress&atilde;o  linear. A rela&ccedil;&atilde;o entre o DAP e a densidade absoluta para os indiv&iacute;duos de <i>A. germinans</i> foi  significativa (F=6,07; gl=24; p&lt;0,05), ao passo que a rela&ccedil;&atilde;o entre di&acirc;metro  e densidade absoluta para <i>R. mangle </i>n&atilde;o foi significativa (p&gt;0,05). O mesmo resultado foi obtido  para a rela&ccedil;&atilde;o entre o DAP e a altura foi analisada, pois somente para <i>A. germinans</i> a  correla&ccedil;&atilde;o foi significativa (F = 18,70; gl = 24; p&lt;0,001). J&aacute; a rela&ccedil;&atilde;o  entre a altura e a densidade absoluta n&atilde;o foi significativa (p&gt;0,05) para  ambas as esp&eacute;cies. Por fim, a rela&ccedil;&atilde;o largura da copa e DAP foi significativa  somente para <i>R. mangle </i>(F=47,15;  gl=23; p&lt;0,001).</font></p>     <p><a name="f4" id="f4"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/bmpegcn/v1n3/3a07f4.gif" border="0"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>DISCUSS&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">De acordo com os trabalhos realizados sobre a estrutura dos  bosques de mangue na regi&atilde;o amaz&ocirc;nica, a paisagem formada pelo manguezal &eacute;  principalmente dominada pelos g&ecirc;neros <i>Rhizophora</i>, <i>Avicennia </i>e <i>Laguncularia </i>(ALMEIDA,  1996; PROST; RABELO, 1996; BASTOS; LOBATO, 1996; FERNANDES, 1997, 2002;  MENEZES; BERGER; WORBS, 2003). Os bosques estudados no Furo Grande,  embora apresentem <i>Laguncularianas </i>bordas, possuem <i>Avicennia </i>e <i>Rhizophora </i>como  os principais formadores da paisagem local, com o S&iacute;tio n<sup>o</sup>1 e S&iacute;tio n<sup>o</sup> 2  dominados por estes g&ecirc;neros, respectivamente, e o S&iacute;tio n<sup>o</sup>3 possuindo uma  forma&ccedil;&atilde;o mista desses dois g&ecirc;neros.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Segundo Schaeffer-Novelli  e Cintr&oacute;n (1986), os bosques passam, durante seu desenvolvimento, por uma  fase em que a &aacute;rea est&aacute; ocupada por uma grande densidade de &aacute;rvores de  di&acirc;metros reduzidos e, posteriormente, a uma fase de maior amadurecimento,  quando o dom&iacute;nio &eacute; feito por poucas &aacute;rvores de grande porte. Nos bosques  estudados, mais de 50% dos indiv&iacute;duos possuem DAP bastante  reduzido, pertencendo &agrave; primeira classe de di&acirc;metro aqui estabelecida (3 a 9,9 cm), mostrando que os  bosques possuem uma alta densidade de indiv&iacute;duos de di&acirc;metro reduzido. No  entanto, considerando a presen&ccedil;a de &aacute;rvores adultas, com porte de at&eacute; 25 m de altura e DAP em torno  de 45 cm,  estes registros podem indicar a presen&ccedil;a de um bosque adulto, mas em processo  de substitui&ccedil;&atilde;o de indiv&iacute;duos senescentes por indiv&iacute;duos jovens. A presen&ccedil;a de  muitos indiv&iacute;duos mortos nas parcelas estudadas parece corroborar a id&eacute;ia de  que o bosque est&aacute; em processo, j&aacute; adiantado, de substitui&ccedil;&atilde;o desses indiv&iacute;duos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Considerando os estudos que utilizaram o mesmo m&eacute;todo de parcela  para a costa norte, os valores de densidade encontrados para o Furo Grande s&atilde;o  equivalentes aos estimados por Bastos e Lobato (1996) para a praia do Crispim e  Algodoal, no nordeste do Par&aacute;, cujos valores atingem 595,2 e 364,8 ind.0,32ha,  respectivamente. J&aacute; os dados produzidos por Menezes, Berger e Worbs (2003) na  pen&iacute;nsula bragantina, nas localidades Acaraj&oacute;, Furo do Chato e Furo Grande, s&atilde;o  inferiores aos desse estudo (195,2; 118,4 e 201,6 ind.0,32ha, respectivamente),  enquanto a domin&acirc;ncia apresenta valores similares, principalmente no Furo do  Chato (9,7 m<sup>2</sup>.0,32ha).  Contudo, ainda s&atilde;o poucos os dados publicados para efeito comparativo no  litoral Amaz&ocirc;nico, mais raros ainda se realizados utilizando metodologia  diferente.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Segundo Almeida (1996), os manguezais localizados mais pr&oacute;ximos  ao estu&aacute;rio s&atilde;o mais densos e ricos em esp&eacute;cies do que aqueles sob influ&ecirc;ncia  marinha, em fun&ccedil;&atilde;o do estresse causado pela alta salinidade. A &aacute;rea do Furo  Grande apresenta salinidade vari&aacute;vel ao longo do ano (de 5 a 35) (FIGUEIRA, 2002), sugerindo que os  s&iacute;tios enfocados no presente estudo est&atilde;o sob maior influ&ecirc;ncia da salinidade  somente durante o per&iacute;odo seco, quando os n&iacute;veis de sal alcan&ccedil;am os maiores  valores. Sendo assim &eacute; razo&aacute;vel pensar que os valores de densidade encontrados n&atilde;o parecem estar sendo  influenciados pela salinidade,  mas muito provavelmente por outro fator, como ocupa&ccedil;&atilde;o de antigas clareiras  provocadas pela queda de &aacute;rvores senescentes.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Segundo Schaeffer-Novelli e Cintr&oacute;n (1986), a densidade de um  bosque de mangue &eacute; uma fun&ccedil;&atilde;o de sua idade e desenvolvimento. Se forem  considerados os tr&ecirc;s bosques no Furo Grande, o S&iacute;tio n<sup>o</sup>3 (dominado por <i>A. germinans</i>) &eacute;  o mais desenvolvido por apresentar o menor valor de densidade e o maior de  domin&acirc;ncia, al&eacute;m de apresentar os maiores valores de altura m&eacute;dia e DAP.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em considerando o valor de cobertura e o valor de import&acirc;ncia  registrado para os tr&ecirc;s s&iacute;tios, o S&iacute;tio n<sup>o</sup>1 (<i>A. germinans</i>) e  o S&iacute;tio n<sup>o</sup>2 (<i>R. mangle</i>) apresentaram valores maiores do que 90%. Isto implica na presen&ccedil;a da quase totalidade de indiv&iacute;duos das respectivas esp&eacute;cies dominantes, ou  seja, s&atilde;o quase bosques puros, sendo a presen&ccedil;a de outras esp&eacute;cies bastante  esparsa. J&aacute; o S&iacute;tio n<sup>o</sup>3 possui uma caracter&iacute;stica bastante diferenciada,  apresentando percentuais equivalentes para as duas esp&eacute;cies de mangue. Este  fato atesta a grande discrep&acirc;ncia nas caracter&iacute;sticas estruturais e composi&ccedil;&atilde;o  desses bosques na &aacute;rea de estudo do Furo Grande, o que neste caso parece  receber pouca influ&ecirc;ncia dos fatores abi&oacute;ticos, principalmente salinidade.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No estudo desenvolvido por Menezes, Berger e Worbs (2003) na  pen&iacute;nsula bragantina, tamb&eacute;m foi sugerida uma baixa influ&ecirc;ncia dos fatores abi&oacute;ticos sobre a  estrutura dos bosques. De fato, estes autores sugerem que os bosques  investigados apresentam diferentes est&aacute;gios de desenvolvimento e as diferen&ccedil;as em  densidade e domin&acirc;ncia apresentadas poderiam ser fruto de um processo de  decl&iacute;nio natural na densidade populacional ao inv&eacute;s do efeito direto de fatores  abi&oacute;ticos. Contudo, segundo Tomlinson (1986), os mangues compartilham uma  mistura interessante de atributos. Eles apresentam caracter&iacute;sticas pronunciadas  de esp&eacute;cie pioneiras, maximizando o aumento da popula&ccedil;&atilde;o e mantendo uma dada  &aacute;rea com o m&aacute;ximo da sua capacidade de suporte. Essas caracter&iacute;sticas s&atilde;o  consideradas uma resposta aos fatores ambientais que influenciam o  desenvolvimento do bosque desde os est&aacute;gios iniciais at&eacute; &agrave; maturidade.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Por fim, segundo Fernandes (2003), a arquitetura da floresta,  por exemplo, &eacute; influenciada pela magnitude e periodicidade de fatores  ambientais que variam de regi&atilde;o para regi&atilde;o ou at&eacute; dentro de uma mesma &aacute;rea.  Assim, os resultados obtidos no presente trabalho parecem indicar que esses  fatores bi&oacute;ticos podem estar sendo influenciados por outros fatores bi&oacute;ticos,  como competi&ccedil;&atilde;o e sucess&atilde;o natural dos indiv&iacute;duos senescentes. Por outro lado,  a distribui&ccedil;&atilde;o das diferentes partes que formam o mosaico do solo pode tamb&eacute;m  ter afetado tal distribui&ccedil;&atilde;o vegetacional, com a forma&ccedil;&atilde;o de distintos bosques  de mangue, haja vista j&aacute; existir fortes evid&ecirc;ncias mostrando diferen&ccedil;as significativas  entre solos de mangue caracterizados pela presen&ccedil;a de diferentes esp&eacute;cies de  mangue (LACERDA; ITTEKKOT; PATCHINEELAM, 1995).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>CONCLUS&Otilde;ES</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Somente duas esp&eacute;cies de mangue foram registradas nas parcelas  dos tr&ecirc;s s&iacute;tios de trabalho: <i>R. mangle</i> e <i>A. germinans</i>, muito  embora haja ocorr&ecirc;ncia de <i>L.  racemosa </i>nas bordas da &aacute;rea de estudo, no Furo Grande. Os indiv&iacute;duos  de <i>A. germinans </i>possuem  estrutura mais desenvolvida do que os de <i>R. mangle</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O S&iacute;tio n<sup>o</sup>1 &eacute; o bosque mais maduro, com &aacute;rvores mais  desenvolvidas e com menor valor de densidade. O S&iacute;tio n<sup>o</sup>2 &eacute; o bosque de menor  porte e com maior densidade de indiv&iacute;duos jovens.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A seq&uuml;&ecirc;ncia estudada apresenta tr&ecirc;s paisagens distintas de  mangue, sendo uma dominada por <i>Avicennia germinans </i>(S&iacute;tio n<sup>o</sup>1), outra dominada  por <i>Rhizophora mangle </i>(S&iacute;tio  n<sup>o</sup>2) e uma terceira faixa considerada mista, por ser dominada por ambas as  esp&eacute;cies (S&iacute;tio n<sup>o</sup>3).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">ALMEIDA, S. S. 1996. Estrutura e flor&iacute;stica em &aacute;reas de  manguezais paraenses: evid&ecirc;ncias da influ&ecirc;ncia do estu&aacute;rio amaz&ocirc;nico. <b>Bol. Mus. Para. Emilio Goeldi</b>, v. 8, p. 93-100.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">ALONGI, D. M. 1989. The role of soft-bottom benthic communities in Tropical Mangrove and  Coral Reef Ecosystems. <b>Critical Reviews  in Aquatic Sciences</b>, v. 1, n. 2, p. 243-280.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">AYRES, M.;  AYRES JUNIOR, M.; SANTOS,  A. S. 2003. <b>BioEstat 3.0</b>: aplica&ccedil;&otilde;es estat&iacute;sticas nas &aacute;reas das ci&ecirc;ncias  biol&oacute;gicas e m&eacute;dicas. Bel&eacute;m: Sociedade Civil Mamirau&aacute;. 290 p.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">BASTOS, M. N. C.;  LOBATO, L. C. B. 1996. Estudos  fitossociol&oacute;gicos em &aacute;reas de bosque de mangue na praia do Crispim e Ilha de Algodoal-Par&aacute;. <b>Bol. Mus. Para. Emilio Goeldi</b>, v. 8, p. 1 57-1 67.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">COHEN, M.  C. L. <i>et al. </i>1998. Factors influencing the variability of Mg,  Ca and K in waters of a mangrove creek, in Bragan&ccedil;a, North   Brazil. <b>Mangroves and Salt  Marshes</b>, v. 44, p. 1-7.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">CRITCHFIELD,  H. J. 1968. <b>General Climatology</b>. New Delhi: Prentice Hall.  420 p.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">DAM&Aacute;SIO, E. 1980a. Contribui&ccedil;&atilde;o ao  conhecimento da vegeta&ccedil;&atilde;o dos  manguezais da Ilha de S&atilde;o Luis. <b>Bol. Lab. Hidrob.</b>, v. 3, p. 17&shy;56. Part I.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">DAM&Aacute;SIO, E. 1980b.  Contribui&ccedil;&atilde;o ao conhecimento da vegeta&ccedil;&atilde;o dos manguezais da Ilha de S&atilde;o Luis. <b>Bol. Lab. Hidrob.</b>, v. 3, p. 57&shy;76. Part II.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">FERNANDES,  M. E. B. 1997. <b>The ecology and  productivity of mangroves in the Amazon region, Brazil</b>. 214 f. Tese (Doutorado) - University  of York, England.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">FERNANDES, M. E. B. 2002.  Structural analysis of Rhizophora, Avicennia, and Laguncularia forests on Marac&aacute; Island,  Amap&aacute;, Brazil. In: LIEBEREI, R. <i>et al. </i>(Ed.). <b>Neotropical Ecosystems</b>: proceedings  of the German-Brazilian Workshop. p.565-572. Hamburg  2000. GKSS-Geesthacht. 1 CD-ROM.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">FERNANDES, M. E. B. 2003. Produ&ccedil;&atilde;o Prim&aacute;ria:  serapilheira. In: FERNANDES, M. E. B. (Org.). <b>Os manguezais da costa norte brasileira</b>. S&atilde;o Lu&iacute;s-MA:  Funda&ccedil;&atilde;o Rio Bacanga. p. 61-78.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">FIGUEIRA, E. A. G. 2002. <b>Caracteriza&ccedil;&atilde;o  da comunidade macrobent&ocirc;nica dos manguezais do Furo Grande, Bragan&ccedil;a, Par&aacute;</b>. 109 f. Disserta&ccedil;&atilde;o  (Mestrado) - Universidade  Federal do Par&aacute;.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">KOCH, V.  1999. Epibenthic production and energy flow in the Caet&eacute; mangrove estuary, North Brazil. 96 f. Tese (Doutorado) - Universidade de Bremen, Alemanha.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">KRAUSE, G. <i>et  al. </i>2001. Spatial Patterns  of Mangrove Ecosystems: the bragantinian mangroves of Norther Brazil. <b>Ecotropica</b>, v. 7, p. 93-170.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">LACERDA,  L. D.; ITTEKKOT, V.; PATCHINEELAM, S. R. 1995. Biogeochemistry of mangrove soil  organic matter: a comparison between Rhizophora and Avicennia soils in  South-eastern Brazil. <b>Coastal and Shelf Science</b>,  Estuarine, v. 40, p. 713-720.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">MARTORANO, L. G. <i>et al. </i>1993. <b>Estudos clim&aacute;ticos do Estado do Par&aacute;,  classifica&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica (K&ouml;ppen) e defici&ecirc;ncia h&iacute;drica (Thornthwhite,  Mather)</b>. Bel&eacute;m:  SUDAM/EMBRAPA, SNLCS. 53 p.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">MENEZES,  M. P. M.; BERGER, U.; WORBES, M. 2003. Annual growth rings and long-term growth  patterns of mangrove trees from the Braganca's peninsula, north Brazil. <b>Wetlands Ecology and Management</b>, v. 11, p.  233-242.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">PROST,  M. T. R. C.; RABELO, B. V. 1996. Variabilidade fito-espacial de manguezais litor&acirc;neos e din&acirc;mica  costeira: exemplos da Guiana Francesa, Amap&aacute; e Par&aacute;. <b>Bol. Mus. Para.  Emilio Goeldi</b>, v. 8, p. 101-121.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">SCHAEFFER-NOVELLI,  Y.; CINTR&Oacute;N, G. M. 1986. <b>Guia para estudo de &aacute;reas de manguezal</b>: estrutura, fun&ccedil;&atilde;o  e flora. &#091;S.l.&#093;: Caribbean Ecological Research. 186  p.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">SCHAEFFER-NOVELLI,  Y.; CINTR&Oacute;N, G. M. 1988. Expedi&ccedil;&atilde;o Nacional aos Manguezais do Amap&aacute;, Ilha de  Marac&aacute;. &#091;S.l.:s.n.&#093;. 99 p. Relat&oacute;rio T&eacute;cnico- Cons. Nac. Desenv. Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico- CNPq. Coordena&ccedil;&atilde;o de Ci&ecirc;ncias  Biol&oacute;gicas.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">SCHAEFFER-NOVELLI,  Y. <i>et al. </i>1990. Variability of mangrove ecosystems along the Brazilian  coast. <b>Estuaries</b>, v. 13, n. 2, p.  204-218.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">SCHWENDENMANN,  L. 1998. <b>Tidal and seasonal variations  of soil and water properties in a Brazilian mangrove ecosystem</b>. Disserta&ccedil;&atilde;o (Mestrado) - University of Karlsruhe,  Karlsruhe.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">SOUZA FILHO, P. W. M. 1995. <b>A plan&iacute;cie costeira bragantina (NE do  PA)</b>: influ&ecirc;ncia das  varia&ccedil;&otilde;es do n&iacute;vel do mar na morfoestratigrafia costeira  durante o Holoceno. 123 f.  Disserta&ccedil;&atilde;o (Mestrado) - Universidade Federal do Par&aacute;.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">TOMLINSON, P. B. 1986. <b>The botany of mangroves</b>. Cambridge: Cambridge   University Press. 419 p.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">WOLFF,  M.; KOCH, V.; ISAAC, V. 2000. A  trophic flow model of the Caet&eacute; Mangrove Estuary (North   Brazil) with considerations for the sustainable use of its  resources. <b>Estuarine Coastal. Shelf Science</b>. v. 50, p. 789-803.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">YOKOYA, N. S. 1995. Distribui&ccedil;&atilde;o e Origem. In:  SCHAEFFER-NOVELLI, Y. (Org.). <b>Manguezal Ecossistema entre a terra e  o mar</b>. S&atilde;o Paulo: Caribbean Ecological Research.  p. 9-12.</font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2"><b><font size="2" face="Verdana"><a name="endereco" id="endereco"></a><a href="#topo"><img src="/img/revistas/bmpegcn/v4n1/seta.gif" border="0"></a></font></b></font><font size="2" face="verdana"><b>Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia:</b>    <br> Editora do Museu Paraense Em&iacute;lio Goeldi    <br> Av. Magalh&atilde;es Barata, 376    <br> S&atilde;o Braz &ndash; CEP 66040-170    <br> Caixa Postal 399    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> Telefone/fax: 55-91-3219-3317    <br> E-mail: <a href="mailto:boletim@museu-goeldi.br">boletim@museu-goeldi.br</a></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Recebido:  10/03/2005    <br>   Aprovado:  27/03/2006</font></p>      ]]></body><back>
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