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<journal-title><![CDATA[Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi Ciências Naturais]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Os peixes da Floresta Nacional de Caxiuanã (municípios de Melgaço e Portel, Pará - Brasil)]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The fishes of National Forest of Caxiuanã (Melgaço and Portel municipality, Pará State - Brazil)]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In order to survey the poorly known fish fauna of the National Forest Caxiuanã, located in the municipalities of Melgaço and Portel, Pará State, Brazil, collections were made between 1999 and 2004, encompassing all distinguishable environments and employing different collecting methods. These methods included: blocking streams, enclosure nets for floating aquatic macrophytes, gill nets, snorkeling, and occasional collections. Among a total of 208 species collected, there was a predominance of Characiformes (81 species), followed by Siluriformes, Perciformes and Gymnotiformes with 46, 35 and 25 species, respectively. These species were distributed in three main environments, (i) small streams, (ii) floating vegetation, and (iii) open waters of rivers and bays in Caxiuanã, showing that environmental complexity contributes to the highly diversified ichthyofauna in the study area. According with to Jackknife estimator of 1st order and the rarefaction curves, the number of estimated species was much higher for theses three types of environment, than the species observed, which for streams was estimate of at 51 of ± 6 species, 70 ± 5 for macrophyte banks and 160 ± 11 for the edges of rivers and bays. These results demonstrate the relative efficiency of the sampling, appointing the necessity of new collects for these environments.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4" face="Verdana"><b><a name="topo"></a>Os peixes da Floresta Nacional    de Caxiuan&atilde; (munic&iacute;pios de Melga&ccedil;o e Portel, Par&aacute;    - Brasil)</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>The fishes of National Forest of Caxiuan&atilde;    (Melga&ccedil;o and Portel municipality, Par&aacute; State - Brazil)</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Luciano Foga&ccedil;a de Assis Montag<sup>I</sup>;    Tiago Magalh&atilde;es da Silva Freitas<sup>II</sup>; Wolmar Benjamin Wosiacki<sup>III</sup>;    Ronaldo Borges Barthem<sup>IV</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup>I</sup>Museu Paraense Em&iacute;lio Goeldi.    Coordena&ccedil;&atilde;o de Zoologia. Bel&eacute;m, Par&aacute;, Brasil (<a href="mailto:luciano@museu-goeldi.br">luciano@museu-goeldi.br</a>)    <br>   <sup>II</sup>Museu Paraense Em&iacute;lio Goeldi. Coordena&ccedil;&atilde;o    de Zoologia. Bel&eacute;m, Par&aacute;, Brasil (<a href="mailto:tmsf86@yahoo.com.br">tmsf86@yahoo.com.br</a>)    <br>   <sup>III</sup>Museu Paraense Em&iacute;lio Goeldi. Coordena&ccedil;&atilde;o    de Zoologia. Bel&eacute;m, Par&aacute;, Brasil (<a href="mailto:wolmar@museu-goeldi.br">wolmar@museu-goeldi.br</a>)    <br>   <sup>IV</sup>Museu Paraense Em&iacute;lio Goeldi. Coordena&ccedil;&atilde;o    de Zoologia. Bel&eacute;m, Par&aacute;, Brasil (<a href="mailto:barthem@superig.com.br">barthem@superig.com.br</a>)</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Com o objetivo de inventariar as esp&eacute;cies    de peixes dos sistemas h&iacute;dricos da Floresta Nacional (FLONA) de Caxiuan&atilde;    (Melga&ccedil;o/Portel, PA), foram realizadas coletas entre os anos de 1999    e 2004, abrangendo o maior n&uacute;mero de ambientes distingu&iacute;veis com    diversos m&eacute;todos amostrais. Os m&eacute;todos utilizados foram redes    de tapagem, rede de cerco, rede de espera, mergulho livre e encontros ocasionais.    Em um total de 208 esp&eacute;cies de peixes registradas, foi observada a domin&acirc;ncia    da ordem Characiformes (81 esp&eacute;cies), seguida por Siluriformes, Perciformes    e Gymnotiformes. Estas esp&eacute;cies est&atilde;o distribu&iacute;das em tr&ecirc;s    principais ambientes: (i) pequenos igarap&eacute;s, (ii) vegeta&ccedil;&atilde;o    flutuante e (iii) &aacute;reas abertas dos rios e ba&iacute;as de Caxiuan&atilde;,    mostrando que a heterogeneidade ambiental reflete-se na composi&ccedil;&atilde;o    da ictiofauna na &aacute;rea do estudo. De acordo com o estimador Jackknife    de 1<sup>a</sup> ordem e a curva de rarefa&ccedil;&atilde;o, o n&uacute;mero    estimado de esp&eacute;cies foi expressivamente maior do que o observado para    os tr&ecirc;s tipos de ambientes analisados, sendo que para os igarap&eacute;s    a estimativa foi de 51 &#177; 6 esp&eacute;cies, bancos de macr&oacute;fitas    70 &#177; 5 esp&eacute;cies e as margens dos rios e ba&iacute;as com 160 &#177;    11 esp&eacute;cies. Esses resultados demonstram a efici&ecirc;ncia relativa    das amostragens, indicando a necessidade de novas coletas nestes ambientes.</font>  </p>     <p><font size="2" face="Verdana"> <b>Palavras-chave:</b> Amaz&ocirc;nia. Invent&aacute;rio    biol&oacute;gico. Ictiofauna. Riqueza de esp&eacute;cies.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">In order to survey the poorly known fish fauna    of the National Forest Caxiuan&atilde;, located in the municipalities of Melga&ccedil;o    and   Portel, Par&aacute; State, Brazil, collections were made between 1999 and 2004,    encompassing all distinguishable environments   and employing different collecting methods. These methods included: blocking    streams, enclosure nets for floating   aquatic macrophytes, gill nets, snorkeling, and occasional collections. Among    a total of 208 species collected, there was   a predominance of Characiformes (81 species), followed by Siluriformes, Perciformes    and Gymnotiformes with 46, 35   and 25 species, respectively. These species were distributed in three main environments,    (i) small streams, (ii) floating   vegetation, and (iii) open waters of rivers and bays in Caxiuan&atilde;, showing    that environmental complexity contributes to   the highly diversified ichthyofauna in the study area. According with to Jackknife    estimator of 1<sup>st</sup> order and the rarefaction   curves, the number of estimated species was much higher for theses three types    of environment, than the species   observed, which for streams was estimate of at 51 of &#177; 6 species, 70    &#177; 5 for macrophyte banks and 160 &#177; 11 for the   edges of rivers and bays. These results demonstrate the relative efficiency    of the sampling, appointing the necessity of new collects for these environments.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Keywords:</b> Amazon. Biological inventory.    Ichthyofauna. Species richness.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A Am&eacute;rica do Sul cont&eacute;m a mais    rica ictiofauna de &aacute;gua doce do mundo, por&eacute;m, a avalia&ccedil;&atilde;o    e compreens&atilde;o desta riqueza s&atilde;o negativamente afetadas pelo conhecimento    incompleto de sua ecologia, biologia e sistem&aacute;tica (Menezes, 1996). Em    termos de diversidade, B&ouml;hlke <i><i>et al</i></i>. (1978) estimaram o n&uacute;mero    de esp&eacute;cies de peixes de &aacute;gua doce Neotropical em cerca de 5.000,    por&eacute;m, Schaeffer (1998) estimou um n&uacute;mero impressionante de 8.000    esp&eacute;cies. A bacia Amaz&ocirc;nica cont&eacute;m parte expressiva deste    total, com mais de 1.500 esp&eacute;cies j&aacute; contabilizadas, o que a torna    a bacia de maior riqueza de esp&eacute;cies de peixes do mundo (Lowe-McConnell,    1999; Goulding, 1989; Kullander &amp; Nijssen, 1989; Schaeffer, 1998). No entanto,    ainda &eacute; grande o desconhecimento taxon&ocirc;mico desta fauna, sendo    estimado que 30 a 40% das esp&eacute;cies ainda n&atilde;o foram descritas (Malabarba    &amp; Reis, 1987).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Algumas regi&otilde;es da Amaz&ocirc;nia j&aacute;    foram investigadas,   com coletas intensivas e utilizando diversos m&eacute;todos de   pesca, produzindo listas de esp&eacute;cies que d&atilde;o uma id&eacute;ia    dessa   alta riqueza local. A Floresta Nacional de Caxiuan&atilde; (FLONA   de Caxiuan&atilde;), com uma &aacute;rea de 330.000 ha, &eacute; uma das   poucas unidades de conserva&ccedil;&atilde;o da Amaz&ocirc;nia Oriental,   situada no estado do Par&aacute;, na regi&atilde;o do baixo rio Anapu,   nos munic&iacute;pios de Melga&ccedil;o e Portel, a aproximadamente   400 km a oeste da capital Bel&eacute;m. Dentro dessa &aacute;rea,   encontra-se a Esta&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica Ferreira Penna (ECFPn),   vinculada diretamente ao Museu Paraense Em&iacute;lio Goeldi   (MPEG) e ao Minist&eacute;rio de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (MCT).   Seu objetivo principal &eacute; a conserva&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica    e a pesquisa   da fauna e flora local, com a utiliza&ccedil;&atilde;o e gerenciamento   de seus recursos naturais de maneira sustent&aacute;vel (Lisboa,   1997). Os ambientes naturais bem conservados, a baixa   densidade demogr&aacute;fica determinada pela cria&ccedil;&atilde;o da FLONA   de Caxiuan&atilde; na d&eacute;cada de 60 e os ind&iacute;cios de uma alta   biodiversidade foram os fatores que mais influenciaram a   escolha desta &aacute;rea para a implementa&ccedil;&atilde;o de uma base de   pesquisa na Amaz&ocirc;nia (Lisboa, 1997).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A ictiofauna dessa regi&atilde;o ainda n&atilde;o    foi adequadamente   inventariada, existindo apenas uma lista preliminar baseada em coletas espor&aacute;dicas,    onde s&atilde;o citadas 41   esp&eacute;cies sem exemplares-testemunhos depositados em   cole&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica (Lisboa, 1997). At&eacute; 1998 apenas    26   lotes de peixes encontravam-se depositados na cole&ccedil;&atilde;o   ictiol&oacute;gica do MPEG. Registros formais mais antigos de   coletas para a regi&atilde;o s&atilde;o desconhecidos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O levantamento faun&iacute;stico &eacute; um    passo inicial e   indispens&aacute;vel para obten&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es    b&aacute;sicas para   fomentar a&ccedil;&otilde;es de manejo e preserva&ccedil;&atilde;o de uma &aacute;rea.    Neste   contexto, e considerando o desconhecimento da ictiofauna   que habita os cursos d'&aacute;gua da FLONA de Caxiuan&atilde;, nosso   objetivo foi realizar um invent&aacute;rio das esp&eacute;cies de peixes dessa   unidade de conserva&ccedil;&atilde;o e seu entorno.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>MATERIAL E M&Eacute;TODOS</b></font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana"><b>&Aacute;rea de estudo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A regi&atilde;o de Caxiuan&atilde; est&aacute;    situada na por&ccedil;&atilde;o inferior do rio Anapu, entre os rios Tocantins    e Xingu, Amaz&ocirc;nia Oriental, nos munic&iacute;pios de Melga&ccedil;o e    Portel (estado do Par&aacute;), onde se situa a FLONA de Caxiuan&atilde;, com    limites norte de 1<sup>o</sup>37'S / 51<sup>o</sup>19'W e 1<sup>o</sup>54'S    / 51<sup>o</sup> 58'W e limites sul de 2<sup>o</sup>15'S / 51<sup>o</sup>15'W    e 2<sup>o</sup>15'S / 51<sup>o</sup>56'W (<a href="#fig1">Figura 1</a>). De    acordo com dados da SUDAM (1973), o tipo clim&aacute;tico para a regi&atilde;o    &eacute; Am (classifica&ccedil;&atilde;o de K&ouml;ppen), com precipita&ccedil;&atilde;o    pluviom&eacute;trica de 450 mm em alguns meses, principalmente fevereiro e mar&ccedil;o,    e a ocorr&ecirc;ncia de um a dois meses (outubro e novembro) de pluviosidade    inferior a 60 mm, segundo dados tomados pela esta&ccedil;&atilde;o meteorol&oacute;gica    da Esta&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica Ferreira Penna. Apresenta uma varia&ccedil;&atilde;o    fluviom&eacute;trica de 70 cm, com pico de cheia no m&ecirc;s de mar&ccedil;o    e o de seca nos meses de novembro e dezembro (<a href="#fig2">Figura 2</a>).    A temperatura m&eacute;dia anual &eacute; de 26<sup>o</sup>C, com m&iacute;nima    de 22<sup>o</sup>C e m&aacute;xima de 32<sup>o</sup>C, e umidade relativa do    ar em torno de 88%. A vegeta&ccedil;&atilde;o de terra firme &eacute; caracterizada    como Floresta Ombr&oacute;fila Densa de Terras Baixas, com dossel emergente,    em uma altitude de aproximadamente 0 m (Carta IBGE, 1971; Carta SUDAM/IBGE,    1989). Geologicamente, a regi&atilde;o de Caxiuan&atilde; apresenta sedimentos    da forma&ccedil;&atilde;o Alter do Ch&atilde;o, que foram posteriormente lateritizados    (Kern &amp; Costa, 1997).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/bmpegcn/v3n1/1a02f1.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/bmpegcn/v3n1/1a02f2.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A FLONA de Caxiuan&atilde;, banhada pelas ba&iacute;as    de Caxiuan&atilde; e dos Botos (<a href="#fig1">Figura 1</a>) &eacute; uma &quot;ria    fluvial&quot; (Costa <i>et al</i>., 1997), formada por fraturas que foram alargadas    pela eros&atilde;o das vertentes, aprofundadas pelas sucessivas regress&otilde;es    marinhas e &quot;afogadas&quot; pela subseq&uuml;ente eleva&ccedil;&atilde;o    do n&iacute;vel do mar (IBGE, 1977). A rede de drenagem &eacute; geralmente    perpendicular &agrave;s margens das ba&iacute;as (Costa <i>et al</i>., 2002).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A oeste da ba&iacute;a de Caxiuan&atilde;, o    relevo caracteriza-se por interfl&uacute;vios extensos e tabulares, que constituem    o divisor dos sistemas de drenagem dos rios Anapu e Xingu. Ao norte est&atilde;o    terrenos baixos, alagados, com furos ou canais, retil&iacute;neos a sinuosos,    que interligam corpos d'&aacute;gua bloqueados, cujos complexos contornos indicam    drenagens fluviais anteriores afogadas por esses bloqueios (Costa <i>et al</i>.,    2002).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"> Data&ccedil;&otilde;es radiocarb&ocirc;nicas    dos sedimentos dos fundos   do rio Caxiuan&atilde; e do igarap&eacute; Curu&aacute; indicam que esta regi&atilde;o   foi formada recentemente, durante o Holoceno (a idade   mais antiga obtida foi de 7.990 anos), e n&atilde;o no terci&aacute;rio,   como se pensava anteriormente (IBGE, 1977). As data&ccedil;&otilde;es   obtidas confirmam a natureza lacustre da ba&iacute;a nos &uacute;ltimos   7.000 anos, principalmente ao norte, onde a correnteza do   rio Anapu foi atenuada pela barragem natural formada pela   deposi&ccedil;&atilde;o de sedimentos do Amazonas, que deu origem   &agrave; ba&iacute;a. Essa altera&ccedil;&atilde;o na paisagem fez com que tribut&aacute;rios,   como os rios Caxiuan&atilde;, Pracupi e Cariatuba, perdessem sua condi&ccedil;&atilde;o    l&oacute;tica ao serem represados pelas &aacute;guas da ba&iacute;a.   A menor velocidade de correnteza nesses locais resultou   na deposi&ccedil;&atilde;o de grande quantidade de sedimentos em sua   desembocadura, criando uma barragem natural subaqu&aacute;tica   e gerando ambientes quase lacustres (Costa <i>et al</i>., 2002).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Os rios da bacia de Caxiuan&atilde; dos como    rios de &aacute;guas negras (Sioli, 1984), devido &agrave; sua cor escura, pela    pobreza de nutrientes e materiais em suspens&atilde;o e por sua composi&ccedil;&atilde;o    cati&ocirc;nica (Costa <i>et al</i>., 2002).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> <b>Coleta e preserva&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> As coletas foram realizadas entre os meses de    novembro   de 1999 e novembro de 2004, e inclu&iacute;ram o maior n&uacute;mero   de ambientes distingu&iacute;veis. Como forma de minimizar a   seletividade dos m&eacute;todos de pesca, foi utilizado no invent&aacute;rio:   i) tapagem de igarap&eacute;s, ii) rede de cerco em bancos de   macr&oacute;fitas flutuantes, iii) rede de espera (malhadeira), iv)   mergulho livre e v) encontros ocasionais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> As coletas nos igarap&eacute;s foram realizadas    em 11   trechos de primeira e segunda ordem do extremo norte da   FLONA de Caxiuan&atilde;. As amostras foram obtidas com uso   de redes de m&atilde;o em um trecho de aproximadamente 20   m, previamente bloqueado, com redes de tapagem de 0,2   cm entre n&oacute;s opostos. O tempo de coleta em cada trecho   do igarap&eacute; foi fixado, sendo as amostragens realizadas   at&eacute; que nenhum exemplar adicional fosse obtido ap&oacute;s   20 minutos de esfor&ccedil;o de pesca. A unidade de amostra   estabelecida para os igarap&eacute;s foi cada trecho bloqueado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Uma rede de cerco com 4 m de comprimento por    4 m de altura, com malha de 0,5 cm entre n&oacute;s opostos, foi utilizada para    a captura da ictiofauna associada a bancos de macr&oacute;fitas flutuantes,    com domin&acirc;ncia de Cyperacea, <i>Eicchornia</i> spp., entre outras. Foram    amostrados 21 bancos de macr&oacute;fitas distantes entre si pelo menos 50 metros    e se estabeleceu que cada banco fosse uma unidade de amostra.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Redes de espera foram utilizadas no per&iacute;odo    de seca   (outubro e novembro) de 2001 e 2004, e na cheia (fevereiro   e mar&ccedil;o) de 2004. Em cada local foram utilizadas tr&ecirc;s   baterias de oito redes de espera com malhas de tr&ecirc;s a 12 cm entre n&oacute;s    opostos, totalizando 80 m de comprimento,   estendidas junto &agrave;s margens dos rios e ba&iacute;as. As baterias de   redes foram colocadas &agrave;s 4 h e a despesca ocorreu &agrave;s 8 h   do dia seguinte. A unidade de amostra para rede de espera   foi estabelecida como sendo uma bateria de oito redes,   com o estabelecimento de 74 unidades de amostras. A   efici&ecirc;ncia destes tr&ecirc;s m&eacute;todos no invent&aacute;rio da FLONA   de Caxiuan&atilde; foi avaliada por m&eacute;todos de acumula&ccedil;&atilde;o    de   esp&eacute;cies (rarefa&ccedil;&atilde;o), pelo programa PAST<sup>&#174;</sup> (Palaeontological   Statistics, ver. 1,75) e estimativas de riqueza Jackknife de   1<sup>a</sup> ordem (Colwell &amp; Coddington, 1994) pelo programa   Estimates<sup>&#174;</sup> 8.0. Este &uacute;ltimo, baseia-se na propor&ccedil;&atilde;o    de   esp&eacute;cies raras (coletadas apenas uma &uacute;nica vez) para estimar   a riqueza total de esp&eacute;cies e o desvio padr&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Tamb&eacute;m foram realizadas coletas durante   aproximadamente 170 horas de mergulho livre (apn&eacute;ia),   entre os anos de 2002 e 2003. Estas foram realizadas   em &aacute;guas com boa visibilidade, principalmente no igarap&eacute;   Curu&aacute;, no per&iacute;odo noturno, entre 19 h e 21 h. A captura dos   indiv&iacute;duos foi realizada utilizando-se rede de m&atilde;o. Foram   ainda consideradas as esp&eacute;cies registradas em encontros   ocasionais, durante capturas realizadas sem controle de   esfor&ccedil;o de pesca ou por comunit&aacute;rios da regi&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Os esp&eacute;cimes coletados foram fixados    em formol 10% e preservados em &aacute;lcool 70%. As identifica&ccedil;&otilde;es    dos peixes foram baseadas em bibliografia especializada (Ellis, 1913; G&eacute;ry,    1977; Isbr&uuml;cker, 1981; Burgess, 1989; Buckup, 1993; Mago-Leccia, 1994;    Reis, 1997) e por compara&ccedil;&otilde;es com cole&ccedil;&otilde;es e aux&iacute;lio    de especialistas. A confirma&ccedil;&atilde;o do <i>status</i> taxon&ocirc;mico    v&aacute;lido para as esp&eacute;cies foi baseada nos trabalhos de Reis <i>et    al</i>. (2003) e Buckup <i>et al</i>. (2007). Ap&oacute;s a identifica&ccedil;&atilde;o    e confirma&ccedil;&atilde;o, os esp&eacute;cimes foram depositados na cole&ccedil;&atilde;o    do MPEG (Par&aacute;, Brasil) (<a href="#apend">Ap&ecirc;ndice</a>).<a name="ap"></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana"><b>RESULTADOS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A lista de esp&eacute;cies de peixes coletadas    na FLONA de Caxiuan&atilde; e seus arredores ao longo de seis anos de pesquisa    &eacute; apresentada na <a href="#tab1">Tabela 1</a>. Foram registradas, at&eacute;    o presente momento, 208 esp&eacute;cies distribu&iacute;das em 13 ordens. A    ordem Characiformes foi a que apresentou a maior riqueza de esp&eacute;cies    (81 ou 39% do total de esp&eacute;cies capturadas), seguida dos Siluriformes,    Perciformes e Gymnotiformes com 46 (21%), 35 (17%) e 25 (12%) esp&eacute;cies,    respectivamente. Dentre os Characiformes, as fam&iacute;lias mais representativas    foram Characidae, com 39 esp&eacute;cies (19%), seguida por Anostomidae, com    11 esp&eacute;cies (5%), e Lebiasinidae, com oito esp&eacute;cies (4%). As fam&iacute;lias    mais representativas dos Siluriformes foram Auchenipteridae, com 12 esp&eacute;cies    (6%), e Loricariidae, com 11 esp&eacute;cies (5%). Entre os Percifomes, 85%    das esp&eacute;cies foram representadas por Cichlidae (30 esp&eacute;cies).    Dentre os Gymnotiformes, a fam&iacute;lia Hypopomidae foi a mais representativa,    com 11 esp&eacute;cies capturadas. Com menor n&uacute;mero de esp&eacute;cies,    as ordens Rajiformes, Clupeiformes, Cyprinodontiformes, Osteoglossiformes, Beloniformes,    Lepidosireniformes, Pleuronectiformes, Synbranchiformes e Tetraodontiformes    representaram menos de 5% do total de esp&eacute;cies (<a href="#tab1">Tabela    1</a>).</font></p>     <p><a name="tab1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/bmpegcn/v3n1/1a02t1.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Ictiofauna de igarap&eacute;s</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Os igarap&eacute;s de Caxiuan&atilde; s&atilde;o    margeados por extensas florestas, periodicamente alagadas tanto pela mar&eacute;    quanto pelo transbordamento sazonal do rio, denominadas localmente por 'igap&oacute;s',    que s&atilde;o tamb&eacute;m utilizados pela ictiofauna como locais de abrigo.    A fauna de peixes desse h&aacute;bitat foi composta por 35 esp&eacute;cies (17%    do total), com 22 esp&eacute;cies (62%) ocorrendo exclusivamente neste ambiente.    As ordens com as maiores riquezas encontradas foram Characiformes com 14 esp&eacute;cies,    seguida de Gymnotiformes e Perciformes, com nove e seis esp&eacute;cies, respectivamente.    As fam&iacute;lias mais representativas foram Lebiasinidae, com sete esp&eacute;cies,    e Hypopomidae, com seis. A ordem Siluriformes foi representada nos igarap&eacute;s    pelas esp&eacute;cies <i>Microglanis</i> sp., <i>Helogenes marmoratus, Physopyxis    ananas</i> e <i>Trichomycterus hasemani</i>; e as ordens Synbranchiformes e    Tetraodontiformes pelas esp&eacute;cies <i>Synbranchus marmoratus</i> e <i>Colomesus    asellus</i>, respectivamente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Ictiofauna associada aos bancos de macr&oacute;fitas    flutuantes</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Os bancos de macr&oacute;fitas constituem um    h&aacute;bitat importante para diversos peixes nas &aacute;reas das ba&iacute;as    da FLONA de Caxiuan&atilde;. Estes bancos s&atilde;o dominados por gram&iacute;neas,    principalmente, <i>Paspalum</i> sp., Cyperaceae, Pontederiaceae &#091;<i>Eicchornia    crassipes</i> (Mart.)&#093; e pterid&oacute;fitas (<i>Pistia</i> spp e <i>Salvinia</i>    spp.), que ocorrem, principalmente, em enseadas e na foz do rio Pracupi.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"> A fauna de peixes associada &agrave;s ilhas    de macr&oacute;fitas foi composta por 51 esp&eacute;cies (24% do total), sendo    21 exclusivas deste h&aacute;bitat. A ordem Characiformes foi a mais rica, com    17 esp&eacute;cies, sendo dez pertencentes &agrave; fam&iacute;lia Characidae.    As ordens Perciformes e Gymnotiformes tamb&eacute;m apresentaram riqueza expressiva,    com 12 e 11 esp&eacute;cies, respectivamente. Dentre os Perciformes, destaca-se    a fam&iacute;lia Cichlidae (12 esp&eacute;cies, sendo seis exclusivas); e dentre    os Gymnotiformes, Hypopomidae com seis esp&eacute;cies, sendo quatro exclusivos    para este ambiente. Duas esp&eacute;cies de <i>Rivulus</i> (Cyprinodontiformes)    ocorreram exclusivamente nos bancos de macr&oacute;fitas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> <b>Margens dos rios e ba&iacute;as</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Das 208 esp&eacute;cies coletadas na FLONA de    Caxiuan&atilde;, 123 foram capturadas com redes de espera nos rios e ba&iacute;as    da regi&atilde;o de Caxiuan&atilde;. Estas esp&eacute;cies s&atilde;o de maior    porte e, em geral, s&atilde;o alvo da pesca comercial e de subsist&ecirc;ncia.    A ordem Characiformes foi representada por 54 esp&eacute;cies, seguida das ordens    Siluriformes (37 esp&eacute;cies) e Perciformes (16 esp&eacute;cies). Algumas    esp&eacute;cies ocorreram exclusivamente para as &aacute;reas marginais dos    rios e ba&iacute;as, como os Beloniformes <i>Pseudotilusurus angusticeps</i>    e <i>Potamorrhaphis guianensis</i>; <i>Clupeiformes Illisha amazonica, Pellona    castelnaeana, Pellona flavipinnis, Anchovia surinamensis</i> e <i>Lycengraulis    batesii</i>; o Osteoglossiformes <i>Osteoglossum bicirrhosum</i>; e o Pleuronectiformes    <i>Hypoclinemus mentalis</i>. A ordem Gymnotiformes foi representada por oito esp&eacute;cies.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Segundo o estimador Jackknife de 1<sup>a</sup>    ordem e a curva de rarefa&ccedil;&atilde;o, o n&uacute;mero de esp&eacute;cies    estimadas foi expressivamente maior para os tr&ecirc;s tipos de ambientes analisados,    sendo que para os igarap&eacute;s a estimativa foi de 51 &#177; 6 esp&eacute;cies    (<a href="#fig3a">Figura 3a</a>), bancos de macr&oacute;fitas 70 &#177; 5 esp&eacute;cies    (<a href="#fig3b">Figura 3b</a>) e as margens dos rios e ba&iacute;a com 160    &#177; 11 esp&eacute;cies (<a href="#fig3c">Figura 3c</a>), segundo o estimador    Jackknife de 1<sup>a</sup> ordem, demonstrando a efici&ecirc;ncia relativa das    amostragens e indicando a necessidade de implemento de novas coletas nestes    ambientes. Assim, nenhuma das curvas est&aacute; pr&oacute;xima a uma satura&ccedil;&atilde;o    e faltam muitas esp&eacute;cies a se descobrir na &aacute;rea de Caxiuan&atilde;.</font></p>     <p><a name="fig3a" id="fig3a"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/bmpegcn/v3n1/1a02af3.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="fig3b" id="fig3b"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/bmpegcn/v3n1/1a02bf3.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="fig3c"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/bmpegcn/v3n1/1a02cf3.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"> <b>T&eacute;cnica de mergulho e encontros ocasionais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Como forma complementar &agrave;s t&eacute;cnicas    de amostragem, inclu&iacute;mos amostras de mergulho livre em apn&eacute;ia    e encontros ocasionais. Os mergulhos resultaram no registro exclusivo de onze    esp&eacute;cies, destacando a ocorr&ecirc;ncia de <i>Microphilypnus amazonicus</i>    (Eleotridae). Os encontros ocasionais foram respons&aacute;veis pelo registro    exclusivo de 15 esp&eacute;cies, destacando-se a ocorr&ecirc;ncia das fam&iacute;lias    Potamotrygonidae, Lepidosirenidae, Poeciliidae e Heptapteridae. Os encontros    ocasionais resultaram de pescarias com uso de m&eacute;todos de coleta tradicionais    pelos comunit&aacute;rios, tais como zagaia, arp&atilde;o e espinhel.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>DISCUSS&Atilde;O</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"> A conserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade    em ecossistemas   aqu&aacute;ticos &eacute; um dos desafios mais importantes e dif&iacute;ceis   da atualidade (Chernoff <i>et al</i>., 1996). Essa biodiversidade   &eacute; pobremente conhecida quando comparada com os   ecossistemas terrestres tropicais. Esta car&ecirc;ncia inclui,   al&eacute;m do conhecimento taxon&ocirc;mico e sistem&aacute;tico das   esp&eacute;cies, as suas rela&ccedil;&otilde;es filogen&eacute;ticas e biogeogr&aacute;ficas   (B&ouml;hlke <i>et al</i>., 1978; Machado-Allison &amp; Fink, 1996;   Mago-Leccia, 1978), sua ecologia e hist&oacute;ria natural   (Vazzoler &amp; Menezes, 1992).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A maioria das 208 esp&eacute;cies de peixes    presentes   na &aacute;rea da FLONA de Caxiuan&atilde; pertence ao grupo dos   Ostariophysi e segue a composi&ccedil;&atilde;o geral da ictiofauna da   bacia Amaz&ocirc;nica, com predomin&acirc;ncia de Characiformes   e Siluriformes (Lowe-McConnell, 1999).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Estas esp&eacute;cies est&atilde;o distribu&iacute;das    em tr&ecirc;s ambientes principais: associados a pequenos igarap&eacute;s, &agrave;    vegeta&ccedil;&atilde;o flutuante e a &aacute;reas abertas dos rios e ba&iacute;as    de Caxiuan&atilde;. Esp&eacute;cies pequenas e cr&iacute;pticas caracterizaram    a ictiofauna de pequenos igarap&eacute;s, destacando-se <i>Helogenes marmoratus,    Monocirrhus polyacanthicus</i> e <i>Physopyxis ananas</i>. As esp&eacute;cies    de Hypopomidae estiveram principalmente associadas &agrave; vegeta&ccedil;&atilde;o    flutuante. A baixa ocorr&ecirc;ncia deste grupo em outros ambientes deve-se    ao fato de raramente sa&iacute;rem do abrigo da massa de ra&iacute;zes para    a &aacute;gua aberta ou para a floresta adjacente (Crampton, 1998). Tais esp&eacute;cies    s&atilde;o perfeitamente adaptadas &agrave; vida neste denso substrato de ra&iacute;zes.    A associa&ccedil;&atilde;o da ictiocenose aos bancos de macr&oacute;fitas flutuantes    est&aacute; relacionada &agrave; rica fauna de invertebrados aut&oacute;ctones    (Junk <i>et al</i>., 1989; Pott &amp; Pott, 2000), que serve de alimento para    os peixes. Tais ambientes tamb&eacute;m s&atilde;o utilizados como &aacute;reas    de 'ber&ccedil;&aacute;rio' por diversas esp&eacute;cies (Meschiatti <i>et al</i>.,    2000).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Esp&eacute;cies de m&eacute;dio e grande porte    foram capturadas nas margens dos rios e ba&iacute;as, mostrando que os diferentes    nichos e a heterogeneidade ambiental das margens refletem-se na forma&ccedil;&atilde;o    de uma ictiofauna diversificada para esses ambientes (Agostinho &amp; Penkzak,    1995).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Acredita-se que a riqueza de esp&eacute;cies    de peixes da FLONA de Caxiuan&atilde; registrada no presente estudo ainda representa    uma subestimativa, tendo em vista que alguns h&aacute;bitats n&atilde;o foram    amostrados, como o fundo dos rios, que abriga um conjunto de esp&eacute;cies    especializadas (Cox-Fernandes, 1995). Da mesma forma, maior esfor&ccedil;o de    amostragem, principalmente para os igarap&eacute;s e bancos de macr&oacute;fitas,    deveria ser realizado, a julgar pelas curvas de satura&ccedil;&atilde;o e rarefa&ccedil;&atilde;o    de esp&eacute;cies registradas neste estudo. A poss&iacute;vel causa da n&atilde;o    estabiliza&ccedil;&atilde;o das curvas &eacute; a grande freq&uuml;&ecirc;ncia    de esp&eacute;cies raras ou n&atilde;o freq&uuml;entes, como destacado por Colwell    (1997) e Santos (2003).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Alternativas para uma a&ccedil;&atilde;o mais    eficiente no   conhecimento da biodiversidade amaz&ocirc;nica e de Caxiuan&atilde;   s&atilde;o o desenvolvimento de pesquisas de longa dura&ccedil;&atilde;o,   que contemplem o conhecimento da biodiversidade, a   forma&ccedil;&atilde;o de especialistas interessados em atuar na regi&atilde;o   e o estabelecimento de metodologias mais eficientes para   acessar a fauna e flora local. Neste contexto, o Programa   de Pesquisas em Biodiversidade (PPBio), que abrange um s&iacute;tio na FLONA    de Caxiuan&atilde;, tem como objetivo articular   a compet&ecirc;ncia regional e nacional de forma planejada e   coordenada, com protocolos estruturados de invent&aacute;rios   biol&oacute;gicos, para que se amplie e dissemine o conhecimento   da biodiversidade brasileira. A expectativa &eacute; de que tal   proposta vir&aacute; a complementar de forma significativa o   conhecimento sobre ictiofauna de Caxiuan&atilde;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Considerando que o sistema aqu&aacute;tico associado    &agrave;   Floresta Nacional de Caxiuan&atilde; est&aacute; bem preservado, a   fauna de peixes aqui registrada parece representar um   quadro &iacute;ntegro da ictiofauna de florestas alagadas do   Baixo Amazonas. Por&eacute;m, este quadro est&aacute; amea&ccedil;ado por   altera&ccedil;&otilde;es antr&oacute;picas no entorno da &aacute;rea. A deteriora&ccedil;&atilde;o   da qualidade da &aacute;gua em fun&ccedil;&atilde;o do mau uso da terra nas   &aacute;reas marginais devido &agrave; explota&ccedil;&atilde;o da madeira,    como vem   ocorrendo em munic&iacute;pios pr&oacute;ximos &agrave; FLONA, pode vir   a prejudicar a conserva&ccedil;&atilde;o dos ecossistemas aqu&aacute;ticos de   Caxiuan&atilde; e reduzir a riqueza de esp&eacute;cies de peixes naquela   unidade de conserva&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp; </p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>AGRADECIMENTOS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Agradecemos o suporte recebido da Coordena&ccedil;&atilde;o    de Aperfei&ccedil;oamento de Pessoal de N&iacute;vel Superior (CAPES); a <i>World    Wildlife Found</i> (WWF-BR); a USAID Programa Natureza e Sociedade (CSR 157-00);    ao Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA), pela concess&atilde;o de bolsa e    aux&iacute;lio pesquisa; ao Dr. William L. Overal, pelas corre&ccedil;&otilde;es    do manuscrito; e ao Dr. Jansen A. Sampaio Zuanon, pelo apoio na identifica&ccedil;&atilde;o    das esp&eacute;cies.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"> <b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> AGOSTINHO, A. A. &amp; T. PENKZAK., 1995. Populations    production of fish in two small tributarious of the Paran&aacute; River. <b>Hydrobiology</b>    312(3): 153-166.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> B&Ouml;HLKE, J. E., S. H. WEITZMAN &amp; N.    A. MENEZES, 1978. Estado atual da sistem&aacute;tica dos peixes de &aacute;gua    doce da Am&eacute;rica do Sul. <b>Acta Amaz&ocirc;nica</b> 8(4): 657-677.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> BUCKUP, P. A., 1993. Review of the characidiini    fishes (Teleostei: Characiformes) with descriptions of four new genera and ten    new species. <b>Ichthyol. Explor. Freshw</b>. 4: 97-154.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BUCKUP, P. A., N. A. MENEZES &amp; M. S. 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Museu Paraense Em&iacute;lio Goeldi, Bel&eacute;m.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">COX-FERNANDES, C., 1995. <b>Diversity, distribution    and community structure of electric fishes (Gymnotiformes) in the channels of    the Amazon River system, Brazil</b>. 394 f. Tese (Doutorado emZoologia) em Zoologia)    &#8211; Duke University, North Carolina, USA.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CRAMPTON, W. G. R., 1998. Effects of anoxia    on the distribution, respiratory strategies and electric signal diversity of    gymnotiform fishes. <b>J. Fish Biol</b>. 53: 307.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">ELLIS, M. M., 1913. The gymnotid eels of tropical    America. <b>Memoirs of the Carnegie. Museum</b> 6: 109-195.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">G&Eacute;RY, J., 1977. <b>Characoids of the    world</b>: 672 p. T.F.H. Publications, Inc. 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