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<journal-title><![CDATA[Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi Ciências Naturais]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Briófitas dos picos do Cuscuzeiro e do Cardoso, estado de São Paulo, Brasil]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Bryophytes of Pico do Cuscuzeiro and Pico do Cardoso, São Paulo state, Brazil]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper presents the bryoflora of mountain peaks in the state of São Paulo (SP). Sixty-five species of bryophytes were found to occur on Pico do Cuscuzeiro (1,279 m), in Ubatuba, and 72 species on Pico do Cardoso (840 m), in Cananeia. Samples were collected of soil, rocks, the bark of living and dead phorophytes, and leaves between 1984 and 1995, with all material deposited in the Herbarium Maria Eneyda Pacheco Kauffmann Fidalgo (SP) and the Herbarium Rioclarense (HRCB). Hepatics and epiphytes collected on from single kind of substrate dominate the species list, which totals 107 species for both peaks surveyed. With the exception of Mytilopsis albifrons Spruce, the 106 remaining species all represent new records for São Paulo. Our checklist increases the list of bryophytes known to occur in mountain peaks across Brazil by 46%, making a new total of 180. The studied bryoflora is most similar to the bryoflora of the 'paulista' Atlantic rain forest than that one of peaks in other states of Brazil. Adelanthus carabayensis (Mont.) Grolle and Syzygiella integerrima Steph. are new records for the state of São Paulo.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Hepáticas]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4" face="verdana"><b><a name="topo"></a>Bri&oacute;fitas dos picos do Cuscuzeiro e do Cardoso, estado de S&atilde;o Paulo, Brasil</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Bryophytes of Pico  do Cuscuzeiro and Pico do  Cardoso, S&atilde;o Paulo state, Brazil</b> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Sandra  Regina Visnadi</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Instituto de Bot&acirc;nica. S&atilde;o Paulo, S&atilde;o Paulo, Brasil</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><a href="#endereco">Autor para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O trabalho apresenta a brioflora de picos paulistas. S&atilde;o  listadas 65 esp&eacute;cies ocorrentes  no pico do Cuscuzeiro (1.279 m de altitude), em Ubatuba, e 72  esp&eacute;cies ocorrentes  no pico do Cardoso (840 m de altitude), em Cananeia. As coletas  foram realizadas em solo, rochas, casca de for&oacute;fitos vivos e mortos e folhas,  entre 1984 e 1995 e o material encontra-se depositado no Herb&aacute;rio Maria Eneyda  Facheco Kaufmann Fidalgo (SP) e no Herb&aacute;rio Rioclarense (HRCB). Hep&aacute;ticas e  ep&iacute;fitas, coletadas num &uacute;nico tipo de substrato, predominam na brioflora  listada, que totaliza 107 esp&eacute;cies para os dois picos estudados. Excetuando <i>Mytilopsis abifrons</i> Spruce, as 106  esp&eacute;cies restantes s&atilde;o citadas pela primeira vez para picos paulistas. A lista  tamb&eacute;m acrescenta 46% das 180 esp&eacute;cies de bri&oacute;fitas, que  ora ocorrem em picos do Brasil. A brioflora estudada &eacute; mais semelhante &agrave;  brioflora da Mata Atl&acirc;ntica paulista, que &agrave;quela de picos em outros estados do  Brasil. <i>Adelanthus  carabayensis</i> (Mont.) Grolle e <i>Syzygiella  integerrima</i> Steph. s&atilde;o citadas pela primeira vez para o estado de S&atilde;o Paulo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Palavras-chave: </b>Hep&aacute;ticas, Musgos, Cume de montanhas.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">This  paper presents the bryoflora of mountain peaks in the state of S&atilde;o Paulo (SP).  Sixty-five species of bryophytes were found to occur on Pico do Cuscuzeiro (1,279 m), in Ubatuba, and 72  species on Pico do Cardoso (840   m), in Cananeia. Samples were collected of soil, rocks,  the bark of living and dead phorophytes, and leaves between 1984 and 1995, with  all material deposited in the Herbarium Maria Eneyda Pacheco Kauffmann Fidalgo  (SP) and the Herbarium Rioclarense (HRCB). Hepatics and epiphytes collected on  from single kind of substrate dominate the species list, which totals 107 species  for both peaks surveyed. With the exception of <i>Mytilopsis albifrons</i> Spruce,  the 106 remaining species all represent new records for S&atilde;o Paulo. Our checklist increases the list  of bryophytes known to occur in mountain peaks across Brazil by 46%, making  a new total of 180. The studied bryoflora is most similar to the bryoflora of  the 'paulista' Atlantic rain forest than that one of peaks in other states of Brazil. <i>Adelanthus  carabayensis</i> (Mont.)  Grolle and <i>Syzygiella integerrima</i> Steph. are new records for the state  of S&atilde;o Paulo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Keywords: </b>Hepatics,  Mosses, Mountain summit.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O pico do Cuscuzeiro,  localizado no Parque Estadual da Serra do Mar, N&uacute;cleo Picinguaba, em Ubatuba,  no litoral norte paulista, tem 1.279 m de altitude,  apresenta solo coberto por uma camada de h&uacute;mus, serrapilheira e muitas  pterid&oacute;fitas e possui vegeta&ccedil;&atilde;o arbustiva com 2 a 3 m de altura,  semelhante &agrave; vegeta&ccedil;&atilde;o de restinga. A &aacute;rea situa-se sob clima Af, tropical chuvoso (Koeppen, 1948), com chuvas o ano  todo, sendo quente e &uacute;mida,  com  temperaturas elevadas, altos &iacute;ndices pluviom&eacute;tricos (2.624 mm de precipita&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia anual, com um total  de 179,8 dias de precipita&ccedil;&atilde;o/ano), sem d&eacute;ficit h&iacute;drico (C&eacute;sar &amp; Monteiro, 1995). Este pico &eacute;  geralmente coberto por nuvens.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">O pico do Cardoso  situa-se no Parque Estadual da Ilha do Cardoso (PEIC), Vale do Ribeira, em Cananeia, no  extremo sul do litoral paulista. Possui 840 m de altitude (Freitas  &amp; Kinoshita, 2005) e apresenta solo  pedregoso, coberto por liquens e musgos, vegeta&ccedil;&atilde;o fanerog&acirc;mica constitu&iacute;da por  escrube com 30-40 cm de altura e forma&ccedil;&atilde;o arbustiva com 2 m de altura, composta por plantas t&iacute;picas  de regi&otilde;es altas e por plantas ocorrentes em matas de restinga; o clima &eacute;  megat&eacute;rmico super&uacute;mido, sem d&eacute;ficit h&iacute;drico, com excesso de &aacute;gua no ver&atilde;o. O  pico encontra-se comumente coberto por nuvens (Barros <i>et al</i>., 1991).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As &aacute;reas estudadas distribuem-se entre os limites  altim&eacute;tricos de 500 e 1.500   m de altitude da  Regi&atilde;o Ecol&oacute;gica da Floresta Ombr&oacute;fila Densa Montana, que ocorre ao longo  das serras; todavia, enquadram-se na Regi&atilde;o Ecol&oacute;gica da Floresta Ombr&oacute;fila  Densa Altomontana, que ocorre no cume das montanhas altas, em solos delgados ou  lit&oacute;licos, cuja vegeta&ccedil;&atilde;o possui cerca de 5 m (Veloso &amp; G&oacute;es-Filho, 1982), ao inv&eacute;s de 20 m de altura (Veloso <i>et al</i>., 1991; IBGE, 1992). Barros <i>et al</i>. (1991) j&aacute; observaram a  substitui&ccedil;&atilde;o da floresta de encosta por uma forma&ccedil;&atilde;o arbustiva aos 840 m de altitude e enfatizam  que este fato contrasta com a opini&atilde;o de muitos autores, que situam o limite  entre a floresta de encosta e a floresta baixa dos topos acima dos 1.200 m de altitude.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A vegeta&ccedil;&atilde;o dos cumes  das montanhas &eacute; essencialmente ed&aacute;fica, lenhosa, baixa, muito densa e t&iacute;pica;  apresenta uniformidade fision&ocirc;mica,  devido  &agrave; acentuada domin&acirc;ncia de poucas esp&eacute;cies. Constitui-se por arvoretas fracamente tortuosas, com ramifica&ccedil;&atilde;o  densa e r&iacute;gida, entremeadas por arbustos, gram&iacute;neas, pterid&oacute;fitas, brom&eacute;lias  (Dusen, 1955; Klein, 1979, 1980; Mantovani, 1992, 1998) e com vegeta&ccedil;&atilde;o  epif&iacute;tica composta por cact&aacute;ceas, bromeli&aacute;ceas, orquid&aacute;ceas, pterid&oacute;fitas,  bri&oacute;fitas e liquens (Brade, 1956).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os picos s&atilde;o sempre  mais secos que as encostas devido aos ventos mais fortes que apresentam; tamb&eacute;m  recebem diretamente as chuvas, enquanto  que as encostas recebem as &aacute;guas que escoam dos pontos mais altos; al&eacute;m disso,  a forma&ccedil;&atilde;o dos solos nessas &aacute;reas &eacute; menos favorecida, quando comparadas &agrave;s  encostas (Barros <i>et al</i>., 1991). Em partes cobertas por neblina, a vegeta&ccedil;&atilde;o &eacute;  conhecida popularmente como mata nebular ou mata nuv&iacute;gena (Veloso &amp; G&oacute;es-Filho, 1982; Veloso <i>et al</i>., 1991; IBGE, 1992), a qual, em virtude de  seu isolamento, corre grande risco de extin&ccedil;&atilde;o local se perturbada pela a&ccedil;&atilde;o antr&oacute;pica (Rodrigues &amp; Bononi, 2008).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As bri&oacute;fitas cobrem  densamente arvoretas, arbustos e rochas dos cumes das montanhas do Parque  Nacional do Itatiaia (RJ) (Brade, 1956). Entretanto, registros sobre a brioflora  especificamente para este tipo de ambiente totalizam 97 esp&eacute;cies no Brasil, entre as  quais 12 esp&eacute;cies ocorrem na  serra da Boa Vista, Vale do Itaja&iacute; (SC) (Klein, 1980), 71 esp&eacute;cies no pico da Caled&ocirc;nia, em Nova Friburgo (RJ)  (Costa, 1992, 1994), seis esp&eacute;cies no pico  das Almas, em Rio de Contas (BA) (Harley, 1995), 21 esp&eacute;cies no topo do Morro da Pioneira, serra da  Jiboia, em Santa   Teresinha (BA) (Valente &amp; P&ocirc;rto, 2006) e apenas uma no pico do Cardoso, em Cananeia (SP)  (Vital &amp; Visnadi, 2000).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O trabalho tem por objetivo listar as esp&eacute;cies de bri&oacute;fitas ocorrentes no pico do  Cuscuzeiro e no pico do Cardoso, a fim de se conhecer a brioflora do cume das  montanhas no estado de S&atilde;o Paulo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>MATERIAL E M&Eacute;TODOS</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As bri&oacute;fitas  estudadas s&atilde;o provenientes dos topos do pico do Cuscuzeiro e  do pico do Cardoso, relacionados anteriormente, situados em parques sob a  administra&ccedil;&atilde;o da Funda&ccedil;&atilde;o para a Conserva&ccedil;&atilde;o e a Produ&ccedil;&atilde;o Florestal do Estado  de S&atilde;o Paulo, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As coletas foram realizadas sobre solo, rochas, casca de for&oacute;fitos  vivos e mortos e folhas, em 1984, 1991, 1994 e 1995. O estudo foi baseado em  385 exsicatas correspondentes aos n&uacute;meros D. M. Vital 11335 (SP190504)-11344  (SP190513), D. M. Vital 11347 (SP190516)-11349 (SP190518), D. M. Vital 11351 (SP190520)-11354  (SP190523), S. R. Visnadi &amp; D. M. Vital 4258 (SP411393)-4360 (SP411495), S.  R. Visnadi &amp; D. M. Vital 4389 (SP411496)-4468 (SP411575) para o pico do  Cardoso e aos n&uacute;meros S. R. Visnadi &amp; D. M. Vital 1507 (SP283104)-1691  (SP283288) para o pico do Cuscuzeiro. Todo o material encontra-se  depositado no Herb&aacute;rio Maria Eneyda Pacheco Kauffmann Fidalgo,  do Instituto de Bot&acirc;nica de S&atilde;o Paulo (SP) e no Herb&aacute;rio Rioclarense, da  Universidade Estadual Paulista, <i>campus</i> de Rio Claro (HRCB).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">As bri&oacute;fitas foram  listadas por ordem alfab&eacute;tica de divis&otilde;es, fam&iacute;lias, g&ecirc;neros, esp&eacute;cies e variedades para as duas &aacute;reas  estudadas, segundo sistemas de classifica&ccedil;&atilde;o descritos em Goffinet <i>et al</i>. (2008),  para os musgos, e Crandall-Stotler <i>et al</i>. (2008, 2009), para as  hep&aacute;ticas, e podem ser vistas no <a href="pdf/bmpegcn/v6n3/apenv6n3a06.pdf" target="_blank">Ap&ecirc;ndice</a>. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A discuss&atilde;o sobre a ocorr&ecirc;ncia das esp&eacute;cies listadas em substratos  in&eacute;ditos e outros ecossistemas e os coment&aacute;rios sobre distribui&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica  foram baseados na literatura relacionada anteriormente, na base de dados  Tropicos (2011), do Jardim Bot&acirc;nico de Missouri, no banco de dados de Bri&oacute;fitas do Rio de  Janeiro, do Instituto de Pesquisas, Jardim Bot&acirc;nico do Rio de Janeiro (JBRJ,  2011) e em Yano (1981, 1984, 1989, 1995, 2004, 2005, 2006a, 2006b, 2008), Yano  &amp; Peralta (2004, 2006a, 2006b, 2007), Ilkiu-Borges (2005).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>RESULTADOS E DISCUSS&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A brioflora estudada possui maior n&uacute;mero de t&aacute;xons de Marchantiophyta (15 fam&iacute;lias, 41 g&ecirc;neros, 75 esp&eacute;cies), que t&aacute;xons de Bryophyta  (11 fam&iacute;lias, 19 g&ecirc;neros, 32 esp&eacute;cies, quatro variedades) e totaliza 26  fam&iacute;lias, 60 g&ecirc;neros, 107 esp&eacute;cies e quatro variedades para o pico do  Cuscuzeiro e o pico do Cardoso, no estado de S&atilde;o Paulo (<a href="pdf/bmpegcn/v6n3/apenv6n3a06.pdf" target="_blank">Ap&ecirc;ndice</a>).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As hep&aacute;ticas predominam no material coletado, pois foram  encontradas em 69% das amostras estudadas, enquanto os musgos, em 31% delas. A  maior percentagem  de amostras (24%) e os maiores n&uacute;meros de g&ecirc;neros  (19) e de esp&eacute;cies (33) foram registrados para Lejeuneaceae, cujo g&ecirc;nero <i>Lejeunea</i> apresenta  maior n&uacute;mero de esp&eacute;cies (8).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A brioflora ep&iacute;fita alcan&ccedil;a o m&aacute;ximo da exuber&acirc;ncia sob condi&ccedil;&otilde;es  de umidade constante nas matas nebulares, em grandes altitudes (Bates, 2000,  2008). Ep&iacute;fitas predominam nos dois picos, pois a brioflora ocorre  principalmente em casca de for&oacute;fitos vivos (90% das esp&eacute;cies, em 84% das  amostras), menos frequentemente em solo (29% das esp&eacute;cies, em 10% das  amostras), casca de for&oacute;fitos mortos (14% das esp&eacute;cies, em 4% das amostras),  raramente em folhas (6% das esp&eacute;cies, em 1% das amostras) e rochas (5% das  esp&eacute;cies, em 1% das amostras).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A maioria das esp&eacute;cies foi coletada num &uacute;nico tipo de substrato  (60%), menos frequentemente em dois (32%), raramente em tr&ecirc;s (7%) substratos  distintos. Apenas para <i>Campylopus arctocarpus</i> (1%) registrou-se o maior n&uacute;mero de amostras entre as esp&eacute;cies  estudadas e que foram coletadas em solo, casca de for&oacute;fitos vivos, casca de  for&oacute;fitos mortos e folhas. Nenhuma esp&eacute;cie foi encontrada simultaneamente nos  cinco tipos de substratos registrados.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Algumas esp&eacute;cies foram registradas pela primeira vez em solo (<i>Bazzania phyllobola, Plagiochila aerea, P. patentissima</i>), em casca de for&oacute;fitos vivos (<i>Aptychopsis pyrrophylla</i>,<i> Lejeunearaddiana, Sematophyllum beyrichii</i>), em casca de for&oacute;fitos mortos (<i>Isodrepanium lentulum,  Thuidium tomentosum</i>), em folhas (<i>Plagiochila bifaria</i>) de <i>Gleichenia</i> sp. (<i>Campylopus  arctocarpus, Frullania setigera</i>) e de  brom&eacute;lia (<i>Campylopus arctocarpus</i>), ou crescendo sobre <i>Schlotheimia  tecta </i>(<i>Cheilolejeunea acutangula</i>).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Esp&eacute;cies de  Lejeuneaceae, de <i>Frullania, Plagiochila, Radula</i> e de musgos comp&otilde;em a  brioflora ep&iacute;fila (Bates, 2000, 2008; Frahm, 2003), que n&atilde;o ocorre exclusivamente em folhas vivas, exceto  algumas Lejeuneaceae (Gradstein <i>et al</i>., 2001). Apenas <i>Drepanolejeunea orthophylla</i> e <i>Philophyllum  tenuifolium</i> ocorrem exclusivamente em folhas nos dois picos estudados, pois <i>Campylopus arctocarpus, Cheilolejeunea acutangula, Frullania setigera</i> e <i>Plagiochila  bifaria</i> foram tamb&eacute;m registradas para outros substratos, como solo, casca  de for&oacute;fitos vivos e mortos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Todas as 107 esp&eacute;cies, exceto <i>Mytilopsis albifrons</i> (Vital &amp; Visnadi,  2000), est&atilde;o sendo citadas pela primeira vez para picos no estado de S&atilde;o Paulo.  As cita&ccedil;&otilde;es in&eacute;ditas para picos no Brasil (83 esp&eacute;cies e quatro variedades,  <a href="pdf/bmpegcn/v6n3/apenv6n3a06.pdf" target="_blank">Ap&ecirc;ndice</a>) representam 78% das esp&eacute;cies listadas para picos em S&atilde;o Paulo, e acrescentam  46% das 180 esp&eacute;cies que ora ocorrem em picos  no pa&iacute;s.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As briofloras do pico  do Cuscuzeiro e do pico do Cardoso s&atilde;o pouco semelhantes, com apenas 29 (27%)  esp&eacute;cies em   comum. Segundo Mantovani (1998), s&atilde;o a varia&ccedil;&atilde;o na temperatura e a ocorr&ecirc;ncia de  geadas, ao inv&eacute;s da pluviosidade elevada, que determinam a distribui&ccedil;&atilde;o das  esp&eacute;cies vegetais de maneira mais relevante, na encosta atl&acirc;ntica paulista;  estas condi&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas s&atilde;o distintas entre o litoral norte e o litoral sul  de S&atilde;o Paulo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A lista apresenta  pouca semelhan&ccedil;a com a brioflora ocorrente em picos de outros estados do  Brasil, onde o ambiente geralmente difere da &aacute;rea estudada em S&atilde;o Paulo. Listaram-se 17 esp&eacute;cies (16%) j&aacute; registradas para o  pico da Caled&ocirc;nia (2.020 m  de altitude), que apresenta afloramento rochoso, vegeta&ccedil;&atilde;o de campos de  altitude, alto &iacute;ndice pluviom&eacute;trico, nebulosidade intensa e sofre influ&ecirc;ncia  antr&oacute;pica (Costa, 1992, 1994). Nove esp&eacute;cies (8%) listadas j&aacute;  foram registradas para o cume do pico das Almas (1.850 m de altitude) e o  topo do Morro da Pioneira (800 m de altitude), com afloramento rochoso, vegeta&ccedil;&atilde;o  de campos rupestres, clima semi-&aacute;rido, em ambos os picos e com campos de  altitude, sob influ&ecirc;ncia antr&oacute;pica, apenas no &uacute;ltimo (Harley, 1995; Valente &amp; P&ocirc;rto, 2006; Ara&uacute;jo <i>et al</i>., 2007). Apenas tr&ecirc;s esp&eacute;cies (3%) da lista ocorrem na  mata nebular da serra da Boa Vista, que apresenta vegeta&ccedil;&atilde;o lenhosa, densa e  baixa, com &aacute;rvores tortuosas e campos de altitude, vegeta&ccedil;&atilde;o herb&aacute;cea e densa,  sob umidade elevada e precipita&ccedil;&otilde;es constantes (Klein, 1980). </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Todavia, os musgos <i>Holomitrium  crispulum</i>, <i>Phyllogonium viride</i> e as hep&aacute;ticas <i>Anoplolejeunea  conferta, Leucolejeunea xanthocarpa, Omphalanthus filiformis</i> s&atilde;o comuns em  cume de montanhas altas, pois ocorrem nos picos dos estados relacionados  anteriormente (Klein, 1980; Costa, 1992, 1994; Harley, 1995; Valente &amp; P&ocirc;rto, 2006) e nos dois picos  estudados em S&atilde;o Paulo  (<a href="pdf/bmpegcn/v6n3/apenv6n3a06.pdf" target="_blank">Ap&ecirc;ndice</a>).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A vegeta&ccedil;&atilde;o do cume  das montanhas altas &eacute; nitidamente circunscrita e distinta da vegeta&ccedil;&atilde;o de  encosta (Eiten, 1970; Klein, 1979, 1980) e se constitui por  fam&iacute;lias de dispers&atilde;o universal, embora as esp&eacute;cies sejam end&ecirc;micas, revelando  um isolamento antigo de &quot;ref&uacute;gio cosmopolita&quot; (Veloso &amp; G&oacute;es-Filho, 1982; Veloso <i>et al</i>., 1991; IBGE, 1992). O estudo evidenciou o  contr&aacute;rio, pois as esp&eacute;cies listadas j&aacute; foram registradas para outros ambientes  e, portanto, n&atilde;o s&atilde;o exclusivas de picos. Adicionado a isto, a brioflora  estudada &eacute; muito semelhante &agrave; flora de bri&oacute;fitas registrada para a Mata  Atl&acirc;ntica de encosta no estado de S&atilde;o Paulo (Visnadi, 2005; Peralta &amp; Yano, 2006, 2008), com 82 esp&eacute;cies (77%) em comum. Estes dados  confirmam que as bri&oacute;fitas s&atilde;o quase cosmopolitas como grupo e que, em geral,  s&atilde;o mais amplamente distribu&iacute;das que as faner&oacute;gamas (Tan &amp; P&oacute;cs, 2000;  Gradstein, 2008).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A mata nebular se  parece, flor&iacute;stica e estruturalmente, com algumas florestas de restingas  (Mantovani, 1992),  como  pode ser verificado nos picos do Cardoso (Barros <i>et al</i>., 1991) e do Cuscuzeiro.  Todavia, entre a brioflora listada e as restingas paulistas (Peralta &amp;  Yano, 2008; Visnadi, 2004, 2009, 2010), o n&uacute;mero de esp&eacute;cies em comum (58 esp&eacute;cies, 54%) &eacute; menor do que o  registrado entre a lista e a Mata Atl&acirc;ntica em S&atilde;o Paulo, como  relacionado anteriormente.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Registros de <i>Prionolejeunea aemula</i> para a costa atl&acirc;ntica  do Brasil (Gradstein &amp; Costa, 2003) foram considerados como de <i>P.  limpida</i> Herzog, pois a primeira esp&eacute;cie, no Brasil, restringe-se &agrave; Amaz&ocirc;nia  (Ilkiu-Borges, 2006). Entretanto, <i>P. aemula</i> ocorre na ilha do Cardoso, e  o material estudado enquadra-se na descri&ccedil;&atilde;o da &uacute;ltima publica&ccedil;&atilde;o, pois &eacute; uma  planta verde-amarelada com fil&iacute;dios ovados a suborbiculares, obliquamente a  largamente estendidos, distantes ou sobrepondo somente o l&oacute;bulo, com margem  crenulada a denteada, c&eacute;lulas marginais geralmente planas e &aacute;pice arredondado a  agudo, plano a reflexo, c&eacute;lulas dos fil&iacute;dios com cut&iacute;cula lisa e trig&ocirc;nios  inconsp&iacute;cuos, l&oacute;bulos desenvolvidos, anfigastros distantes, com lobos  arredondados ou agudos, margem plana, com ou sem dentes laterais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Quanto &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica, os resultados confirmam o que &eacute;  defendido por Tan &amp; P&oacute;cs (2000), pois a lista inclui maior n&uacute;mero de  esp&eacute;cies neotropicais (49), do que de pantropicais (12). Algumas esp&eacute;cies  distribuem-se pela Am&eacute;rica do Sul (12), Am&eacute;rica tropical e subtropical (5) e,  como afirma Gignac (2001), poucas esp&eacute;cies s&atilde;o cosmopolitas (3).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Muitas esp&eacute;cies tropicais est&atilde;o disjuntas em v&aacute;rios continentes e  tais disjun&ccedil;&otilde;es parecem ser especialmente comuns entre a regi&atilde;o neotropical e a  &Aacute;frica (Shaw,  2008). Oito esp&eacute;cies listadas apresentam distribui&ccedil;&atilde;o afro-americana; poucas esp&eacute;cies ocorrem na Am&eacute;rica do Norte e no  Brasil (<i>Lejeunea  ruthii</i>), na regi&atilde;o Neotropical, no  oeste da Europa e na &Aacute;frica tropical (<i>Telaranea nematodes</i>), na regi&atilde;o Neotropical e  &Iacute;ndia (<i>Schlotheimia  rugifolia</i>), no  Caribe, na Bahia e no sudeste do Brasil (<i>Harpalejeunea  subacuta</i>), em Cuba, no Haiti e em S&atilde;o Paulo (<i>Lejeunea  sessiliflora</i>), na Am&eacute;rica do Sul tropical e na ilha da Madeira (<i>Radula  nudicaulis</i>).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As esp&eacute;cies restantes (12) ocorrem apenas no Brasil, entre as  quais <i>Acroporium exiguum</i> restringe-se ao sudeste do pa&iacute;s e <i>Trichosteleum sublaevigatum</i> e <i>Frullania grossifolia,</i> que ocorrem apenas no estado paulista. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Tal como a brioflora das restingas paulistas  (Visnadi, 2004, 2010), a maioria das esp&eacute;cies listadas distribui-se amplamente  pelas regi&otilde;es Sudeste (100%), Sul (75%), Nordeste (73%), Norte (56%) e  Centro-Oeste (54%)</font> <font size="2" face="verdana">do pa&iacute;s. Metade das esp&eacute;cies listadas, ou mais, tamb&eacute;m ocorre no  Rio de Janeiro (87%), em   Minas Gerais (84%), na Bahia (67%), em Santa Catarina  (64%), no Esp&iacute;rito Santo (58%), em Pernambuco (51%) e no Rio Grande do Sul  (50%). <i>Adelanthus  carabayensis</i> e <i>Syzygiella integerrima</i> s&atilde;o  citadas pela primeira vez para o estado paulista, at&eacute; ent&atilde;o com 98% das  esp&eacute;cies listadas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>CONCLUS&Atilde;O</b> </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O trabalho acrescenta 46% das 180 esp&eacute;cies de bri&oacute;fitas, que ora  ocorrem em picos do Brasil. As 107 esp&eacute;cies listadas, exceto <i>Mytilopsis albifrons,</i> s&atilde;o citadas pela  primeira vez para picos no estado de S&atilde;o Paulo, mas nenhuma ocorre  exclusivamente neste ambiente.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O pico do Cuscuzeiro e o pico do Cardoso s&atilde;o pouco semelhantes  quanto &agrave;s esp&eacute;cies de bri&oacute;fitas que os habitam. Entretanto, hep&aacute;ticas e  ep&iacute;fitas, coletadas num &uacute;nico tipo de substrato, predominam na brioflora de  ambos, a qual &eacute; muito semelhante &agrave; brioflora registrada para a Mata Atl&acirc;ntica  paulista e apresenta poucas esp&eacute;cies em comum com picos de outros estados  brasileiros.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><i>Adelanthus carabayensis</i> e <i>Syzygiella  integerrima</i> s&atilde;o citadas pela primeira vez para o estado de S&atilde;o Paulo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>AGRADECIMENTOS</b> </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A V. L. R. Bononi e D. M. Vital, pela orienta&ccedil;&atilde;o  do trabalho de Tese de Doutorado; a E. L. M. Catharino, M. M. R. F. Melo e M.  Sugiyama, pelas sugest&otilde;es e pelo empr&eacute;stimo de literatura sobre a mata nebular,  todos do Instituto de Bot&acirc;nica de S&atilde;o Paulo; &agrave; Universidade Estadual Paulista  de Rio Claro e ao Instituto de Bot&acirc;nica de S&atilde;o Paulo, pelo apoio na realiza&ccedil;&atilde;o  de parte do trabalho durante o curso de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o; ao Instituto Florestal, pela  permiss&atilde;o da coleta do material bot&acirc;nico nos dois parques, que ent&atilde;o  administrava.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">ARA&Uacute;JO, B. R. N., J. C. S. SOUZA, T. N. ALMEIDA  &amp; F. A. R. SANTOS, 2007. Anatomia do Escapo de <i>Actinocephalus ramosus</i> (Wikstr.) Sano (Eriocaulaceae) do Pico das  Almas, Rio de Contas/BA. <b>Revista  Brasileira de Bioci&ecirc;ncias</b> 5(supl. 1): 810-812.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">BARROS, F., M. M. R. F. MELO, S. A. C. CHIEA, M.  KIRIZAWA, M. G. L. WANDERLEY &amp; S. L. JUNG-MENDA&Ccedil;OLLI, 1991. Caracteriza&ccedil;&atilde;o  geral da vegeta&ccedil;&atilde;o e listagem das esp&eacute;cies ocorrentes. In: M. M. R. F. MELO, F.  BARROS, M. G. L. WANDERLEY, M. KIRIZAWA, S. L. JUNG-MENDA&Ccedil;OLLI &amp; S. A. C.  CHIEA (Eds.): <b>Flora fanerog&acirc;mica da Ilha  do Cardoso</b> 1: 1-184. Instituto de Bot&acirc;nica, S&atilde;o Paulo.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">BATES, J. W., 2000. 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<body><![CDATA[<br>   Instituto de Bot&acirc;nica.    <br>   N&uacute;cleo de Pesquisa em Briologia.    <br>   Centro de Pesquisa em Plantas Avasculares  e Fungos.    <br>   Av. Miguel St&eacute;fano, 3687. &Aacute;gua Funda.    <br>   S&atilde;o Paulo, SP, Brasil. CEP 04301-012    <br>   (<a href="mailto:svisnadi@uol.com.br">svisnadi@uol.com.br</a>)</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Recebido em 28/12/2009    <br>   Aprovado em 24/11/2011</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Responsabilidade editorial: Lezilda Carvalho Torgan</font></p>      ]]></body><back>
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