<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1981-8122</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi Ciências Humanas]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Bol. Mus. Para. Emilio Goeldi Cienc. Hum.]]></abbrev-journal-title>
<issn>1981-8122</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Museu Paraense Emílio Goeldi,Ministério da Ciência e Tecnologia]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1981-81222008000300005</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Animais medicinais: conhecimento e uso entre as populações ribeirinhas do rio Negro, Amazonas, Brasil]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Medicinal animals: knowledge and use among riverine populations from the Negro River, Amazonas, Brazil]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Silva]]></surname>
<given-names><![CDATA[Andréa Leme da]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho Instituto de Biociências Departamento de Ecologia]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Rio Claro São Paulo]]></addr-line>
<country>Brasil</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2008</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2008</year>
</pub-date>
<volume>3</volume>
<numero>3</numero>
<fpage>343</fpage>
<lpage>357</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1981-81222008000300005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1981-81222008000300005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1981-81222008000300005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[O estudo tem por objetivo documentar o uso de animais na medicina caseira entre ribeirinhos do rio Negro, Amazonas, Brasil. Os dados foram coletados por meio de 92 entrevistas e de observações sobre o conhecimento e as práticas cotidianas de uso de animais medicinais. Cerca de 60 espécies animais são conhecidas com propósitos medicinais. O conhecimento é bem distribuído entre os sexos (homens e mulheres) e entre localidades (urbano e rural). O uso de animais medicinais está imerso em conceitos etiológicos e envolve uma complexa visão cosmológica do processo de cura. O êxodo rural e o acesso facilitado à medicina ocidental podem promover a perda dos conhecimentos tradicionais, o que pode ser mitigado através da valorização e da transmissão desses saberes às futuras gerações.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The article documents the use of animals in the home medicine among riverine populations from the Negro River, State of Amazonas, Brazil. Data were collected through interviews and observations concerning to the knowledge and everyday practices of the use of medicinal animals. About 60 animal species are known with medicinal purposes. The knowledge is well distributed between sexes (men and women) and localities (urban and rural). The use of medicinal animals is embedded in etiological concepts and involves a complex cosmological vision of the cure process. The rural exodus and the facilitated access to the western medicine may be promoting the loss of the traditional knowledge, which can be mitigated through the valorization and transmission of this knowledge to the future generations.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Animais medicinais]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Conhecimento tradicional]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Rio Negro]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Amazonas]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Amazônia brasileira]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Medicinal animals]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Traditional knowledge]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Negro River]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Amazonas]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Brazilian Amazonia]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p><b><font size="4" face="Verdana"><a name="topo"></a>Animais medicinais: conhecimento e uso entre     as popula&ccedil;&otilde;es   ribeirinhas do rio Negro, Amazonas, Brasil</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="Verdana">Medicinal animals: knowledge and use among riverine   populations from the Negro River, Amazonas, Brazil</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Andr&eacute;a Leme da Silva</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Universidade Estadual Paulista J&uacute;lio de Mesquita Filho. Instituto   de Bioci&ecirc;ncias. Departamento de Ecologia. Rio Claro, S&atilde;o Paulo, Brasil (<a href="mailto:leme.andrea@gmail.com">leme.andrea@gmail.com</a>)</font></p>     <p><a href="#endereco"><font size="2" face="Verdana">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</font></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O estudo tem por objetivo documentar o uso de     animais na medicina caseira entre ribeirinhos do rio Negro, Amazonas, Brasil.     Os dados foram coletados por meio de 92 entrevistas e de observa&ccedil;&otilde;es sobre o conhecimento   e as pr&aacute;ticas cotidianas de uso de animais medicinais. Cerca de 60 esp&eacute;cies   animais s&atilde;o conhecidas com prop&oacute;sitos medicinais. O conhecimento &eacute; bem   distribu&iacute;do entre os sexos (homens e mulheres) e entre localidades (urbano   e rural). O uso de animais medicinais est&aacute; imerso em conceitos etiol&oacute;gicos   e envolve uma complexa vis&atilde;o cosmol&oacute;gica do processo de cura.   O &ecirc;xodo rural e o acesso facilitado &agrave; medicina ocidental podem   promover a perda dos conhecimentos tradicionais, o que pode ser mitigado atrav&eacute;s   da valoriza&ccedil;&atilde;o e da transmiss&atilde;o desses saberes &agrave;s futuras gera&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Palavras-chave</b>: Animais medicinais. Conhecimento   tradicional. Rio Negro. Amazonas. Amaz&ocirc;nia brasileira.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">The article documents the use of animals in the home medicine among   riverine populations from the Negro River, State of Amazonas, Brazil. Data   were collected through interviews and observations concerning to the knowledge   and everyday practices of the use of medicinal animals. About 60 animal species   are known with medicinal purposes. The knowledge is well distributed between   sexes (men and women) and localities (urban and rural). The use of medicinal   animals is embedded in etiological concepts and involves a complex cosmological   vision of the cure process. The rural exodus and the facilitated access to   the western medicine may be promoting the loss of the traditional knowledge,   which can be mitigated through the valorization and transmission of this knowledge   to the future generations.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Keywords</b>: Medicinal animals. Traditional knowledge. Negro River. Amazonas.   Brazilian Amazonia.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="Verdana">INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Muitas receitas e pr&aacute;ticas medicinais s&atilde;o,   usualmente, baseadas no mundo vegetal, enquanto o mundo animal consiste numa   fonte secund&aacute;ria de tratamento m&eacute;dico em diversas regi&otilde;es   do Brasil rural. Como conseq&uuml;&ecirc;ncia, o conhecimento e uso de animais   medicinais por popula&ccedil;&otilde;es campesinas t&ecirc;m sido escassamente   documentados pela literatura. Algumas abordagens recentes sobre a zooterapia   incluem estudos realizados entre os 'caboclos' dos rios Araguaia,   Negro e Juru&aacute; (Begossi; Braga, 1992; Begossi <i>et al.</i>, 1999, 2006), pescadores   do rio S&atilde;o Francisco (regi&atilde;o Nordeste) (Marques, 1995) e 'cai&ccedil;aras' da   Mata Atl&acirc;ntica da ilha de B&uacute;zios (SP) (Begossi, 1992) e da ilha Grande (RJ) (Seixas; Begossi, 2001).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Os animais tamb&eacute;m t&ecirc;m import&acirc;ncia na cura de doen&ccedil;as   f&iacute;sicas, as quais s&atilde;o associadas &agrave;s causas naturais (biol&oacute;gicas)   e n&atilde;o-f&iacute;sicas, 'espirituais', de ordem sobrenatural   ou cosmol&oacute;gica. As doen&ccedil;as naturais s&atilde;o curadas por meio   da medicina ocidental (m&eacute;dicos, enfermeiros etc.) ou por meio de receitas   fitoter&aacute;picas, sendo comum a inclus&atilde;o de partes animais (Silva   <i>et al.</i>, 2007). Um conceito importante relaciona-se ao equil&iacute;brio corporal   dos balan&ccedil;os humorais, a partir do qual as doen&ccedil;as naturais s&atilde;o   classificadas como frias (de fora para dentro, ex. vias respirat&oacute;rias)   ou quentes (de fora para dentro, ex. erup&ccedil;&otilde;es) (Mau&eacute;s;   Motta-Mau&eacute;s, 1978). Na etiologia das doen&ccedil;as, os choques bruscos   de temperatura (conceito quente-frio) geram doen&ccedil;as como derrame, paralisia   facial e corporal, epilepsia e acidentes c&eacute;rebro-vasculares em adultos,   ou relacionam-se a convuls&otilde;es infantis provocadas por febres altas (Amorozo; G&eacute;ly, 1988).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Segundo Rodrigues (2001), os princ&iacute;pios da medicina hipocr&aacute;tica-gal&ecirc;nica,   especialmente a no&ccedil;&atilde;o de equil&iacute;brio como fundamento de   sa&uacute;de, formam a base da explica&ccedil;&atilde;o das doen&ccedil;as   na medicina popular brasileira. Enquanto a oposi&ccedil;&atilde;o seco-&uacute;mido perdeu-se no caminho pelo qual esses conhecimentos chegaram at&eacute; n&oacute;s, sua forma reduzida, a oposi&ccedil;&atilde;o quente-frio, foi identificada em v&aacute;rios estudos realizados no Brasil e na Am&eacute;rica Latina. Os humores corporais, atrav&eacute;s do equil&iacute;brio de suas qualidades, devem manter o organismo sadio, sendo a doen&ccedil;a a ruptura desse equil&iacute;brio. Dessa forma, a doen&ccedil;a instala-se quando uma das qualidades do corpo humano ganha predom&iacute;nio sobre as outras pela a&ccedil;&atilde;o de um agente interno ou externo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Por outro lado, as doen&ccedil;as espirituais s&atilde;o tratadas por iniciados,   incluindo paj&eacute;s, benzedores e rezadores. O processo de cura das doen&ccedil;as   espirituais ocorre por meio de benzimentos e de ora&ccedil;&otilde;es realizadas   por xam&atilde;s iniciados (paj&eacute;s<sup><a name="s1"></a><a href="#n1">1</a></sup>), banhos e defuma&ccedil;&otilde;es   com plantas e animais medicinais, al&eacute;m de eventuais restri&ccedil;&otilde;es   alimentares (Silva, 2007). &Eacute; o xam&atilde; que identifica e nomina os   elementos patog&ecirc;nicos (tipo da doen&ccedil;a ou o animal que a provocou)   atrav&eacute;s do uso ocasional de alucin&oacute;genos paric&aacute; e caapi)   ou de sonhos e ora&ccedil;&otilde;es. Portanto, h&aacute; uma rela&ccedil;&atilde;o   entre os mitos e a cura. A interven&ccedil;&atilde;o do xam&atilde; pressup&otilde;e   o conhecimento do mito, que representa o in&iacute;cio do processo de cura (Buchillet, 1988).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O presente estudo tem por objetivo documentar     as pr&aacute;ticas quanto ao   uso de animais na medicina caseira entre as popula&ccedil;&otilde;es ribeirinhas   do rio Negro, Amaz&ocirc;nia. Esse trabalho &eacute; parte de uma pesquisa   mais abrangente sobre o uso de recursos naturais entre as popula&ccedil;&otilde;es do M&eacute;dio Rio Negro (Silva, 2003, 2005).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>&Aacute;rea de estudo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A pesquisa foi realizada nos munic&iacute;pios de Santa Isabel do Rio Negro   e de Barcelos, rio Negro (AM), localizados a 781 km e 400 km de Manaus, respectivamente,   na por&ccedil;&atilde;o setentrional da Amaz&ocirc;nia Brasileira (<a href="#f1">Figura   1)</a>.   A &aacute;rea de estudo &eacute; caracterizada por ecossistemas de &aacute;guas pretas, muito pouco produtivos em termos org&acirc;nicos pelo fato de suas cabeceiras terem origem no Plat&ocirc; das Guianas, uma forma&ccedil;&atilde;o geol&oacute;gica bastante antiga e erodida.</font></p>     <p><a name="f1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><img src="img/revistas/bmpegch/v3n3/3a05f1.gif" border="0"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">As &aacute;guas do rio Negro t&ecirc;m sua cor escura relacionada &agrave; presen&ccedil;a   de compostos h&uacute;micos derivados da decomposi&ccedil;&atilde;o de mat&eacute;ria   org&acirc;nica, sendo pobres em nutrientes (especialmente f&oacute;sforo, c&aacute;lcio   e pot&aacute;ssio). Apresentam elevada acidez (pH entre 3,5 e 5,5), elevadas   concentra&ccedil;&otilde;es de carbono org&acirc;nico, baixa condutividade   e baixa concentra&ccedil;&atilde;o de nutrientes dissolvidos (dureza &lt; 2mg/1,   condutividade el&eacute;trica ~ 20uS). Os tons de cor marrom-esverdeada e caf&eacute; possuem transpar&ecirc;ncias de 1,3 at&eacute; 2,3 m (Goulding <i>et al.</i>, 1988).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A vegeta&ccedil;&atilde;o da bacia &eacute; bastante diversificada, com fisionomia   predominantemente florestal. Os grupos de vegeta&ccedil;&atilde;o dominante   na &aacute;rea de estudo incluem a floresta ombr&oacute;fila densa (florestas de terra firme), floresta ombr&oacute;fila densa aluvial (florestas de igap&oacute;) e campinarana ombr&oacute;fila arborizada e florestada, incluindo campinas, campinaranas alagadas e chavascais (RadamBrasil, 1976).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O clima da regi&atilde;o &eacute; quente e &uacute;mido, com temperatura m&eacute;dia   anual de 26 <sup>o</sup>C e &iacute;ndice pluviom&eacute;trico m&eacute;dio anual   de 2.500 mm. As chuvas iniciam-se nos meses de mar&ccedil;o e abril, e as enchentes   ocorrem nos meses de junho at&eacute; agosto. No m&ecirc;s de outubro, o n&iacute;vel   dos rios come&ccedil;a a diminuir; o per&iacute;odo menos chuvoso vai de outubro   at&eacute; mar&ccedil;o e os meses mais secos s&atilde;o de janeiro a mar&ccedil;o,   quando &eacute; mais intenso o calor e o n&iacute;vel das &aacute;guas alcan&ccedil;a sua cota m&iacute;nima.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Popula&ccedil;&atilde;o estudada</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O rio Negro apresenta rica diversidade sociocultural.   Os &iacute;ndios das &aacute;guas pretas somam 23 etnias pertencentes a quatro   fam&iacute;lias ling&uuml;&iacute;sticas, Tukano Oriental, Maku, Aruak e Yanomami,   sendo a l&iacute;ngua geral ou Nheengatu (deforma&ccedil;&atilde;o do tupi-guarani,   introduzida durante o s&eacute;culo XVII pelos carmelitas) ainda falada em   algumas &aacute;reas (Ribeiro, 1995; Cabalzar; Ricardo, 2002). Cerca de 20   mil &iacute;ndios vivem nas terras ind&iacute;genas da bacia do rio Negro,   localizados principalmente nas por&ccedil;&otilde;es do alto e m&eacute;dio   curso do rio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O processo colonizador iniciou-se em meados     do s&eacute;culo XVII, sendo determinado   pelos violentos contatos inter&eacute;tnicos com colonos e mission&aacute;rios,   pela queda demogr&aacute;fica brutal, pelo conseq&uuml;ente descimento<sup><a name="s2"></a><a href="#n2">2</a></sup> das   popula&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas de montante a jusante do rio Negro,   e pela submiss&atilde;o desses povos ao sistema econ&ocirc;mico extrativista   baseado no 'barrac&atilde;o' (aviamento),<sup><a name="s3"></a><a href="#n3">3</a></sup>. Os deslocamentos populacionais   perduraram at&eacute; o per&iacute;odo de decl&iacute;nio da explora&ccedil;&atilde;o   do l&aacute;tex, nas d&eacute;cadas de 1970- 1980, com a arregimenta&ccedil;&atilde;o de &iacute;ndios para a extra&ccedil;&atilde;o de produtos florestais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Durante a &eacute;poca de auge da economia extrativista no rio Negro (<i>'boom</i>  da borracha'), entre o final do s&eacute;culo XIX e as duas primeiras   d&eacute;cadas do s&eacute;culo seguinte, muitos grupos ind&iacute;genas do   alto curso do rio, bem como trabalhadores oriundos do Nordeste brasileiro,   foram levados para os seringais do m&eacute;dio curso. A primeira metade do   s&eacute;culo XX coincidiu, ainda, com a chegada dos mission&aacute;rios salesianos   na regi&atilde;o e a funda&ccedil;&atilde;o dos grandes centros mission&aacute;rios   (S&atilde;o Gabriel da Cachoeira, em 1914; Barcelos, em 1925; e Santa Isabel,   em 1942), os quais deram origem ou fortaleceram os conglomerados urbanos existentes   (Oliveira, 1995). Ap&oacute;s o decl&iacute;nio da borracha, o movimento de   descida da popula&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena do Alto Rio Negro continuou   motivado, principalmente, pelos la&ccedil;os de parentesco e pela procura de melhores condi&ccedil;&otilde;es de vida.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A partir dos anos 1980, iniciou-se outro movimento     de conflu&ecirc;ncia das popula&ccedil;&otilde;es interioranas rumo &agrave;s cidades ou comunidades pr&oacute;ximas aos centros urbanos. Essas migra&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m sido associadas ao decl&iacute;nio do extrativismo, &agrave; busca pelo acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o formal, ao emprego e &agrave; sa&uacute;de, aos conflitos pela posse da terra e ao isolamento geogr&aacute;fico, entre outros motivos (Leonardi, 1999). Os fatores adicionais apontados pelos entrevistados incluem a escassez de recursos prot&eacute;icos, sobretudo pescado, no alto curso do rio, os conflitos familiares e os incentivos de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas locais (doa&ccedil;&otilde;es de casas nas sedes municipais) (Silva, 2003).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Tais fatores intensificaram o processo   de &ecirc;xodo rural durante os anos de 1990, quando a popula&ccedil;&atilde;o   urbana dobrou em Barcelos e triplicou em Santa Isabel. No Censo Demogr&aacute;fico   do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE, 2000), a popula&ccedil;&atilde;o   de Barcelos totalizava 24.121 habitantes, com 33% (7.954 hab.) vivendo na &aacute;rea   urbana e 67% (16.243 hab.) na &aacute;rea rural. Santa Isabel do Rio Negro   tem 10.561 habitantes, 40% na &aacute;rea urbana (4.220 hab.) e 60% (6.341   hab.) na &aacute;rea rural.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Atualmente, as principais atividades econ&ocirc;micas     da regi&atilde;o estudada   incluem a agricultura de coivara, diferentes modalidades de pesca (subsist&ecirc;ncia,   comercial e ornamental), a ca&ccedil;a de animais silvestres, a captura de   quel&ocirc;nios, a extra&ccedil;&atilde;o de recursos florestais (ex. fibras,   madeiras, frutos) e, mais recentemente, o turismo de pesca (Silva, 2003; Silva;   Begossi, 2004; Silva <i>et al.</i>, 2007). Ademais, a renda de muitas fam&iacute;lias &eacute; incrementada   por benef&iacute;cios pagos pelo governo (bolsa-fam&iacute;lia, bolsa-escola,   aposentadorias e aposentadorias por invalidez/doen&ccedil;as). Os cargos assalariados resumem-se aos professores e agentes de sa&uacute;de.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Cerca de 80% dos entrevistados nasceram nos     n&uacute;cleos urbanos estudados   ou em comunidades situadas ao longo do rio Negro e de seus afluentes (ex. rios Jurubaxi, Uneuixi, Aiuan&atilde;, Maraui&aacute;, Padauiri, Preto, Demene,Quiuini, Caur&eacute;s, entre outros), 25% s&atilde;o migrantes do alto curso do rio (S&atilde;o Gabriel da Cachoeira) e uma pequena parcela (5%) prov&eacute;m de outras cidades do Amazonas ou de outros estados brasileiros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A maior parte da popula&ccedil;&atilde;o identifica-se como ind&iacute;gena:   60% da popula&ccedil;&atilde;o urbana e 80% da popula&ccedil;&atilde;o rural   em Santa Isabel (Dias, 2008); 40% da popula&ccedil;&atilde;o de Barcelos (Peres,   2003). Entre os grupos &eacute;tnicos predominantes est&atilde;o os Bar&eacute;,   Baniwa, Tukano, Desana e Tariano, entre outras minorias &eacute;tnicas. A por&ccedil;&atilde;o   da popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-ind&iacute;gena &eacute; de origem variada,   incluindo 'caboclos' (contingente miscigenado de descendentes ind&iacute;genas,   europeus e africanos), comerciantes descendentes de portugueses e nordestinos (principalmente cearenses e maranhenses).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A emerg&ecirc;ncia das organiza&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas<sup><a name="s4"></a><a href="#n4">4</a></sup> trouxe   visibilidade &agrave;s quest&otilde;es ind&iacute;genas do M&eacute;dio e Baixo   Rio Negro nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas. A inser&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o   ind&iacute;gena na luta pelo reconhecimento de seus direitos constitui um fen&ocirc;meno   recente, influenciado pelos movimentos ind&iacute;genas eclodidos no alto curso   do rio. Ap&oacute;s a cria&ccedil;&atilde;o da Federa&ccedil;&atilde;o das   Organiza&ccedil;&otilde;es Ind&iacute;genas do Rio Negro (FOIRN), em 1987,   e com a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988, esse reconhecimento come&ccedil;ou   a ganhar base pol&iacute;tica e jur&iacute;dica. Dessa forma, a perten&ccedil;a &eacute;tnica   perpassa por um processo de reconstru&ccedil;&atilde;o da identidade desses   povos, a qual tem sido articulada &agrave; reivindica&ccedil;&atilde;o pela   demarca&ccedil;&atilde;o das terras ind&iacute;genas, al&eacute;m de demandas   imediatas, como o direito &agrave; sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena   diferenciada, documenta&ccedil;&atilde;o e aposentadoria. A expectativa pela   demarca&ccedil;&atilde;o de terras ind&iacute;genas fortaleceu a identidade   desses povos, possibilitando a continuidade &eacute;tnica de fam&iacute;lias   historicamente conectadas entre si e que possuem ra&iacute;zes na regi&atilde;o (Peres, 2003).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="Verdana">M&Eacute;TODOS</font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O conhecimento sobre o uso de animais medicinais     foi registrado por meio de question&aacute;rios estruturados (Bernard, 1994). Foram efetuadas   92 entrevistas, incluindo 44 mulheres e 48 homens (49 residentes na &aacute;rea   urbana e 45 na &aacute;rea rural), entre 1999 e 2006 (<a href="#f1">Figura   1</a>). Al&eacute;m   disso, foram observadas 37 unidades dom&eacute;sticas na &aacute;rea urbana   (Barcelos) e dez unidades na &aacute;rea rural (Carvoeiro) quanto &agrave;s   pr&aacute;ticas cotidianas de usos de animais na medicina caseira, entre 1999 e 2000.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Quanto &agrave; coleta e identifica&ccedil;&atilde;o do material biol&oacute;gico,   os peixes citados nas entrevistas foram comprados ou doados por pescadores   e moradores locais. Os exemplares foram fixados em formol 10% e, posteriormente,   em &aacute;lcool a 70%. Os peixes foram identificados por G. M. dos Santos,   E. F. da Silva e J. A. S. Zuanon, e depositados na Cole&ccedil;&atilde;o Central   de Peixes do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz&ocirc;nia (INPA). Goulding   <i>et al.</i> (1988) foram consultados para a averigua&ccedil;&atilde;o das esp&eacute;cies   de pescado que ocorrem na &aacute;rea. Os r&eacute;pteis, aves e mam&iacute;feros   foram fotografados e identificados, quando poss&iacute;vel, atrav&eacute;s   de guias de campo e mapas de distribui&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica (Sick,   1985; Emmons, 1997). A identifica&ccedil;&atilde;o dos mam&iacute;feros foi   revisada por E. Z. Setz, da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Duas   esp&eacute;cies de insetos coletados foram identificadas por A. Vanin, da Universidade   de S&atilde;o Paulo (USP); uma esp&eacute;cie de molusco foi identificada por   C. Magalh&atilde;es (UNICAMP); e a identifica&ccedil;&atilde;o prov&aacute;vel   de uma esp&eacute;cie de anf&iacute;bio n&atilde;ocoletada foi sugerida por M. Gordo (INPA).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os &iacute;ndices de diversidade t&ecirc;m sido     utilizados em estudos etnobot&acirc;nicos   como uma medida de conhecimento <i>folk</i>, incluindo diversos estudos entre   as popula&ccedil;&otilde;es   'caboclas' e 'cai&ccedil;aras' (Begossi <i>et al.</i>, 1999; Begossi   <i>et al.</i>, 2006; Rossato <i>et al.</i>, 1999; Silva <i>et al.</i>, 2007;   para uma revis&atilde;o, consultar Begossi, 1996). Foram utilizados &iacute;ndices de diversidade (Shannon-Wiener) a fim de se comparar o conhecimento de animais medicinais entre as categorias de sexo (homens e mulheres) e de idade (18 a 40 anos; acima de 40 anos) (Magurran, 1988; Zar, 1996).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>RESULTADOS E DISCUSS&Atilde;O</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistas: conhecimento e uso de animais medicinais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No   rio Negro, foram citadas 59 esp&eacute;cies animais de uso medicinal, distribu&iacute;das   em 22 esp&eacute;cies de mam&iacute;feros, 13 de r&eacute;pteis, 11 de peixes, oito de aves, quatro de invertebrados e uma de anf&iacute;bio (<a href="#t1">Tabela 1)</a>.</font></p>     <p><a name="t1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><img src="img/revistas/bmpegch/v3n3/3a05t1.gif" border="0"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">As popula&ccedil;&otilde;es ribeirinhas do rio    Negro utilizam grande parte dos animais medicinais para tratar doen&ccedil;as    respirat&oacute;rias (ex. asma, gripe, pneumonia, tuberculose, coqueluche),    doen&ccedil;as circulat&oacute;rias e card&iacute;acas (ex. acidentes c&eacute;rebro-vasculares,    derrame, circula&ccedil;&atilde;o, press&atilde;o alta), reumatismo, como cicatrizante    (ex. luxa&ccedil;&atilde;o, golpes e feridas), dores e doen&ccedil;as relacionadas    ao &uacute;tero ("m&atilde;e do corpo") (ex. inflama&ccedil;&atilde;o uterina,    recupera&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-parto) (<a href="#t2">Tabela 2</a>).</font></p>     <p><a name="t2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><img src="img/revistas/bmpegch/v3n3/3a05t2.gif" border="0"></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">O n&uacute;mero de animais medicinais citados pelos entrevistados n&atilde;o   diferiu entre homens e mulheres, o que evidencia um conhecimento bem distribu&iacute;do   entre os sexos (<a href="#t3">Tabela 3</a>). Cerca de 20% dos entrevistados disseram n&atilde;o ter conhecimento sobre animais de uso medicinal.</font></p>     <p><a name="t3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><img src="img/revistas/bmpegch/v3n3/3a05t3.gif" border="0"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">A sucuriju (<i>Eunectes murinus</i>) foi o animal mais citado     nas entrevistas (47 cita&ccedil;&otilde;es). Sua gordura &eacute; utilizada   em diversas enfermidades, indicada no tratamento de 'rasgadura' (distens&atilde;o   muscular) e 'quebradura' (rompimento de estruturas &oacute;sseas),   sendo um poderoso cicatrizante de golpes, feridas e opera&ccedil;&otilde;es.   A "banha da sucuriju" tem, ainda, uso como antibi&oacute;tico em   processos inflamat&oacute;rios e respirat&oacute;rios (ex. pneumonia, gripe,   entre outros), em doen&ccedil;as cut&acirc;neas como a leishmaniose ("ferida   brava") e em problemas circulat&oacute;rios, como derrame, reumatismo   e incha&ccedil;o. O emprego medicinal da gordura da serpente foi relatado em outros estudos, como o uso do &oacute;leo para curar leishmaniose, reumatismo e cistite no rio Araguaia (Begossi; Braga, 1992).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os jacar&eacute;s constitu&iacute;ram o segundo grupo mais citado nas entrevistas   (29 cita&ccedil;&otilde;es). Os entrevistados reconhecem duas esp&eacute;cies   na &aacute;rea de estudo, o jacar&eacute;-tinga (<i>Caiman crocodilus</i>) e o jacar&eacute;-a&ccedil;u   (<i>Melanosuchus niger</i>), sendo o primeiro mais apreciado para consumo, de modo   geral. Os jacar&eacute;s t&ecirc;m usos m&uacute;ltiplos: sua gordura &eacute; utilizada   no tratamento de acidentes c&eacute;rebro-vasculares (derrame, convuls&otilde;es   infantis, epilepsia), reumatismo, doen&ccedil;as respirat&oacute;rias (tuberculose,   gripe e asma), circulat&oacute;rias hemorr&oacute;idas) e processos inflamat&oacute;rios;   seu dente &eacute; usado para tratar a asma e como amuleto contra picada de   serpentes; e seu couro (pele) defumado serve para tratar asma, incha&ccedil;o   e "doen&ccedil;a de crian&ccedil;a". Smith (1981) tamb&eacute;m   cita o uso dos jacar&eacute;s com prop&oacute;sitos medicinais em Tef&eacute;,   no rio Solim&otilde;es. Marques (1995) narra uma multiplicidade de usos medicinais   de <i>C. latirostris</i> no baixo S&atilde;o Francisco, onde a gordura &eacute; utilizada   para frieira, derrame e picada de serpente; o dente serve como amuleto de prote&ccedil;&atilde;o   e para estimular o nascimento de dentes em humanos; e o casco &eacute; utilizado como defumador.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Diversos peixes s&atilde;o utilizados na medicina caseira entre os ribeirinhos   do rio Negro. Os peixes mais citados s&atilde;o o poraqu&ecirc; ou peixe el&eacute;trico   (<i>Electrophorus electricus</i>: 14 cita&ccedil;&otilde;es), a arraia (<i>Potamotrygon   </i>spp.: oito cita&ccedil;&otilde;es), a tra&iacute;ra (<i>Hoplias malabaricus</i>) e   a pirarara (<i>Phractocephalus hemioliopterus</i>) (sete cita&ccedil;&otilde;es cada).   Essas esp&eacute;cies t&ecirc;m sido utilizadas com prop&oacute;sitos medicinais   por popula&ccedil;&otilde;es humanas em diferentes regi&otilde;es amaz&ocirc;nicas,   incluindo os rios Juru&aacute;, Araguaia e Negro (Begossi; Braga, 1992; Begossi   <i>et al.</i>, 1999; Begossi <i>et al.</i>, 2006). No rio Negro, gordura ou o espinha&ccedil;o   do poraqu&ecirc; e a gordura da arraia s&atilde;o indicados em casos de reumatismo   e de derrame, bem como em outras regi&otilde;es da Amaz&ocirc;nia estudadas   por Begossi e Braga (1992). A gordura da pirarara &eacute; indicada para tratar   problemas respirat&oacute;rios, incluindo pneumonia, asma e bronquite. A gordura   da pirarara e do poraqu&ecirc; e o sangue do cabe&ccedil;udo (<i>Peltocephalus dumerilianus</i>) s&atilde;o conhecidos como formicidas potentes contra sa&uacute;vas; o sangue do poraqu&ecirc; &eacute; utilizado, ainda, como escabicida. A banha da tra&iacute;ra-preta, utilizada para dor de ouvido, tamb&eacute;m foi documentada por Begossi e Braga (1992), sendo tamb&eacute;m indicada para doen&ccedil;as nos olhos ("para limpar as vistas, bom para os olhos que enxergam mal"). Dois entrevistados citaram o cardinal (<i>Paracheroide axelrodi</i>) como uma esp&eacute;cie medicinal indicada para tratar a asma.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A gordura da arraia &eacute; utilizada para tratar    problemas respirat&oacute;rios (asma e bronquite), reumatismo, queimaduras cut&acirc;neas    e feridas entre 'cai&ccedil;aras' e 'caboclos', como tamb&eacute;m registra    Begossi <i>et al.</i> (2006). </font><font size="2" face="Verdana">Al&eacute;m    dessas indica&ccedil;&otilde;es, o uso t&oacute;pico da banha do f&iacute;gado    combate as micoses ('impinge', 'pano-branco', 'pano-preto') e o consumo da gordura    corporal &eacute; utilizada para problemas puerperais e para aumentar a fertilidade    feminina. O espor&atilde;o da arraia &eacute; usado para tratar a h&eacute;rnia    de disco ("a raia faz roer a h&eacute;rnia porque &eacute; um animal que r&oacute;i")    e o derrame. As arraias marinhas s&atilde;o largamente empregadas na medicina    caseira entre os 'cai&ccedil;aras' da Mata Atl&acirc;ntica (Begossi <i>et al.</i>,    2006). Os ovos da arraia marinha s&atilde;o utilizados contra hemorragia por    mulheres no puerp&eacute;rio pelos 'cai&ccedil;aras' de Ubatuba e da ilha de    B&uacute;zios (Begossi, 1992).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Os quel&ocirc;nios ('bichos-de-casco') constituem outro grupo   de relev&acirc;ncia medicinal (20 cita&ccedil;&otilde;es) para os ribeirinhos   do rio Negro. Os quel&ocirc;nios incluem sete esp&eacute;cies "da &aacute;gua" (tartaruga,   irapuca, cabe&ccedil;udo, tracaj&aacute;, ia&ccedil;&aacute; e mata-mat&aacute;)   e tr&ecirc;s esp&eacute;cies "da terra" (perema, up&eacute; e jabuti)   (<a href="#t1">Tabela 1</a>). O ch&aacute; da carapa&ccedil;a do mata-mat&aacute; (<i>Chelus   fimbriatus</i>) &eacute; utilizado   para curar problemas respirat&oacute;rios e hemorr&aacute;gicos. A carapa&ccedil;a   do jabuti (<i>Geochelone </i>spp.) &eacute; indicada para picada de serpentes. A gordura   da tartaruga (<i>Podocnemis expansa</i>) serve como cosm&eacute;tico hidratante e   protetor solar (usada pura ou misturada com a pomada Min&acirc;ncora) e para   fric&ccedil;&otilde;es em caso de luxa&ccedil;&atilde;o ('desmintidura', 'incha&ccedil;&atilde;o',   incha&ccedil;o'). O uso de tais esp&eacute;cies para fins medicinais   foi documentado tamb&eacute;m entre os ribeirinhos do Parque Nacional do Ja&uacute;,   por Pezzuti (2003, 2004). A utiliza&ccedil;&atilde;o de quel&ocirc;nios do   g&ecirc;nero <i>Phrynops</i> tem sido relatada, ainda, na etnomedicina das popula&ccedil;&otilde;es   nordestinas do Brasil (Marques, 1995). Al&eacute;m disso, as tartarugas marinhas   t&ecirc;m alto valor zooterap&ecirc;utico entre os 'cai&ccedil;aras' da   Floresta Atl&acirc;ntica (Begossi, 1992; Costa-Neto; Marques, 2000; Seixas;   Begossi, 2001). A gordura da tartaruga gigante (<i>Chelonia midas</i>), por exemplo, &eacute; usada para tratar asma, bronquite e reumatismo (Begossi <i>et al.</i>, 2006).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As partes   corporais dos grandes mam&iacute;feros terrestres (ex. anta, queixada, on&ccedil;a,   veado e capivara) t&ecirc;m m&uacute;ltiplas indica&ccedil;&otilde;es. A anta   (<i>Tapirus terrestris</i>) e a capivara (<i>Hydrochaerus hydrochaerys</i>) foram os mam&iacute;feros   terrestres mais citados pelos entrevistados (20 cita&ccedil;&otilde;es cada).   A gordura de ambas &eacute; utilizada na cura de problemas respirat&oacute;rios   (ex. asma, gripe, pneumonia) e inflamat&oacute;rios (ex. ferimentos, golpes   etc.). O p&ecirc;nis ("vergalh&atilde;o") da anta &eacute; desidratado   e guardado por longo tempo, sendo preparado em infus&otilde;es (ch&aacute;s)   para tratar de inflama&ccedil;&otilde;es, hemorragias puerperais e outros problemas   uterinos (doen&ccedil;as da "m&atilde;e do corpo"). A queixada   (<i>Tayassu pecari</i>) &eacute; outra esp&eacute;cie de usos m&uacute;ltiplos: doen&ccedil;as respirat&oacute;rias (asma, pneumonia), inflama&ccedil;&atilde;o uterina (doen&ccedil;as da "m&atilde;e do corpo"), mal&aacute;ria e cicatrizante (golpe, traumatismo &oacute;sseo). A banha, os dentes e as unhas da on&ccedil;a (<i>Panthera </i>spp.) s&atilde;o utilizados para tratar problemas respirat&oacute;rios, tais como asma e pneumonia ("canseira"). O chifre do veado (<i>Mazama </i>spp.) &eacute; indicado para picada de serpentes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Diversas "simpatias" foram citadas pelos entrevistados    no tratamento e na cura das doen&ccedil;as. O jacund&aacute; (<i>Crenicichla    </i>spp.) e o araripir&aacute; (<i>Chalceus macrolepidotus</i>) s&atilde;o utilizados    para tratar asma; a simpatia consiste em cuspir na boca do peixe vivo e jog&aacute;-lo    na &aacute;gua, ou ent&atilde;o beber o l&iacute;quido do olho do peixe cozido.    O dente do aruan&atilde; (<i>Osteoglossum </i>spp.) e da mucura (Didelphidae),    enterrado junto &agrave;s arvores, pode estimular a produ&ccedil;&atilde;o de    frutos. A cabe&ccedil;a da paca (<i>Agouti paca</i>), utilizada como amuleto,    facilita o momento do parto. O hi&oacute;ide ("gog&oacute;") do macaco-guariba    &eacute; empregado numa simpatia para curar a coqueluche ("tosse de guariba").    A unha da anta aquecida no fogo &eacute; colocada em cima do tumor ou da verruga.    Os olhos e &oacute;rg&atilde;os genitais dos botos s&atilde;o utilizados como    simpatia ou amuleto para atrair o sexo oposto. O dente do jacar&eacute; &eacute;    utilizado como amuleto para prote&ccedil;&atilde;o. Seixas e Begossi (2001)    relatam diversas simpatias entre os 'cai&ccedil;aras' utilizadas para curar    bronquite. O significado descrito pelas autoras &eacute; similar entre os 'caboclos'.    Simpatia significa que a pessoa come ou bebe uma parte processada do animal    sem a consci&ecirc;ncia do fato.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No rio Negro, diversas esp&eacute;cies de artr&oacute;podes    s&atilde;o destinadas ao consumo alimentar<sup><a name="s5"></a><a href="#n5">5</a></sup>    pela sua consider&aacute;vel relev&acirc;ncia prot&eacute;ica (Dufour, 1987;    Ribeiro, 1989), bem como para prop&oacute;sitos medicinais. A 'maniuara' (<i>Cornitermes    </i>sp.)<sup><a name="s6"></a><a href="#n6">6</a></sup>, tipo de cupim descrito    como saboroso e de aroma agrad&aacute;vel, &eacute; capturada em mar&ccedil;o,    durante as revoadas no in&iacute;cio da esta&ccedil;&atilde;o chuvosa. Esse    cupim &eacute; utilizado como rem&eacute;dio em defuma&ccedil;&otilde;es para    ferrada de arraia. A banha do tapuru (<i>Pachymerus </i>sp.), encontrada no    fruto do inaj&aacute; (<i>Attalea </i>sp<i>.</i>), &eacute; empregada nos tratamentos    do reumatismo e da asma. Diversas "qualidades" de muxiua' (designa&ccedil;&atilde;o    geral para lagartas de cole&oacute;pteros) s&atilde;o capturadas nos troncos    de palmeiras (ex. inaj&aacute;, tucum&atilde;, buriti) para consumo e uso medicinal.    Uma das esp&eacute;cies coletadas, <i>Macrodontia cerviconis</i>, larva comest&iacute;vel    encontrada em certas palmeiras, tem uso t&oacute;pico, servindo para fric&ccedil;&atilde;o    do ba&ccedil;o e para incha&ccedil;o, ou &eacute; ingerida com infus&otilde;es    de plantas, a fim de tratar de problemas respirat&oacute;rios, como asma e tuberculose.    O mel da abelha janda&iacute;ra' (Meliponidae) &eacute; amplamente empregado    como coadjuvante no preparo de diversos rem&eacute;dios caseiros, como xaropes    e infus&otilde;es, sobretudo para tratar doen&ccedil;as respirat&oacute;rias,    incluindo a gripe.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Com rela&ccedil;&atilde;o aos modos de uso, as banhas s&atilde;o utilizadas   em ch&aacute;s, em infus&otilde;es quentes ou frias, puras ou misturadas com   mel de 'janda&iacute;ra' (Meliponidae) ou com produtos industrializados   (ex. sebo-de-Holanda, pomada Min&acirc;ncora e querosene branca), sendo, ainda,   utilizadas topicamente em fric&ccedil;&otilde;es. As partes duras, como chifres,   ossos, carapa&ccedil;as, entre outras, s&atilde;o queimadas, trituradas e preparadas   em infus&atilde;o com &aacute;gua quente (ch&aacute;) ou fria, ou ainda utilizadas   em defuma&ccedil;&otilde;es. As partes do animal queimadas constituem uma forma   de esteriliza&ccedil;&atilde;o que elimina a possibilidade de decomposi&ccedil;&atilde;o   de materiais org&acirc;nicos (Seixas; Begossi, 2001). Certas partes de animais,   por serem raras ou de dif&iacute;cil obten&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o guardadas   por longo tempo. A gordura dos animais &eacute; retirada de locais espec&iacute;ficos:   da regi&atilde;o dorsal, nos casos da anta ('quilina') e da queixada ('caatinga'), e do f&iacute;gado, no caso da arraia, por exemplo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Cosmologia e uso dos recursos naturais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os mitos,   recorrentes em toda a regi&atilde;o   de estudo, expressam regras culturais (c&oacute;digos de &eacute;tica) que   organizam a reprodu&ccedil;&atilde;o da vida f&iacute;sica e cultural dessas   popula&ccedil;&otilde;es. Dessa forma, a transgress&atilde;o de certas regras   culturais (ca&ccedil;a ou pesca excessiva, por exemplo) pode provocar doen&ccedil;as   espirituais ("doen&ccedil;as de encante"), cujos sintomas incluem   a ocorr&ecirc;ncia de alucina&ccedil;&otilde;es, estados febris, fortes dores   de cabe&ccedil;a e no corpo (pessoa v&iacute;tima de 'fincamento' no   olho) e alucina&ccedil;&otilde;es ocasionadas por feiti&ccedil;o de "encantado".   As doen&ccedil;as ocasionadas por feiti&ccedil;o s&atilde;o definidas como "estrago", "macumbagem" ou "esp&iacute;rito   do bicho que pega a pessoa" ("ela adoece, fica assustada, vendo   gente, bicho, n&atilde;o pode dormir, fica com medo"). A etiologia dessas   doen&ccedil;as apresenta consider&aacute;veis semelhan&ccedil;as com os relatos   coletados por Mau&eacute;s (1990) entre os 'caboclos' do Par&aacute;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As doen&ccedil;as de 'encante' (ocasionadas por 'encantados')   s&atilde;o tratadas especificamente pelos paj&eacute;s, por meio de rituais   xam&acirc;nicos (Silva, 2007). Por outro lado, a cura de certas doen&ccedil;as   pode ser efetuada por meio de ora&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas (rezas),   realizadas por benzedores ou rezadores<a name="s7"></a><sup><a href="#n7">7</a></sup>, os quais s&atilde;o, muitas vezes,   tamb&eacute;m detentores de conhecimentos tradicionais sobre o uso de recursos   naturais (incluindo animais e plantas). Os rezadores tratam de doen&ccedil;as   espec&iacute;ficas, como o "vento ca&iacute;do" ("(...) tem   uma crian&ccedil;a pequena que de repente cai, se assusta, fica triste, ruim   (...) d&aacute; logo diarr&eacute;ia, v&ocirc;mito (...) a&iacute; a pessoa   reza e a crian&ccedil;a fica boa"), o "mal olhado" ("quando   uma pessoa que est&aacute; com fome e chega, e tem uma crian&ccedil;a e come&ccedil;a   a agradar, a crian&ccedil;a passa mal, a&iacute; precisa chamar o rezador"),   o "quebranto" (estado m&oacute;rbido que resulta do "mal   olhado" de certas pessoas sobre outras, ocasionando estados de prostra&ccedil;&atilde;o,   abatimento e fraqueza) e o "espanto" (susto) (<a href="#t2">Tabela 2</a>). As defuma&ccedil;&otilde;es   com animais medicinais, como as penas do jacamim (Ciconidae) e o couro do 'tamaquar&eacute;' (esp&eacute;cie   de lagarto do igap&oacute;, n&atilde;o identificado), s&atilde;o importantes coadjuvantes no tratamento das doen&ccedil;as espirituais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O conceito quente-frio, derivado da medicina    hipocr&aacute;tica-gal&ecirc;nica, aparece como um agente causador de convuls&otilde;es    infantis, epilepsia e derrame ("doen&ccedil;a do ar", "doen&ccedil;a de crian&ccedil;a",    "ramo do ar", "doen&ccedil;a do vento", "doen&ccedil;a malvada que d&aacute;    nas crian&ccedil;as"). No tratamento dessas enfermidades s&atilde;o empregados    como defumadores as penas de diversas aves silvestres (<i>Tinamus</i> sp., <i>Psophia</i>    sp., <i>Crax</i> spp.), p&ecirc;los de raposas (Didelphidae) e do tamandu&aacute;    (<i>Myrmecophaga trydactila</i>), o ninho do caurezinho (<i>Falco rufigularis</i>),    o "breu" do sapo cunuaru<sup><a name="s8"></a><a href="#n8">8</a></sup> (<i>Phrynohyas    resinifictrix</i>) e a gordura do boto (<i>Inia geoffrensis</i>).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Observa&ccedil;&otilde;es: as "farm&aacute;cias   caseiras"</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Os ribeirinhos   t&ecirc;m por h&aacute;bito guardar partes de animais, assim como plantas (Silva   <i>et al.</i>, 2007), com fins medicinais em "farm&aacute;cias caseiras",   cujas observa&ccedil;&otilde;es e registros enriqueceram amplamente o conhecimento   sobre a utiliza&ccedil;&atilde;o dos animais na medicina popular. Foram observadas   33 esp&eacute;cies animais, cujas partes corporais s&atilde;o guardadas nas   unidades dom&eacute;sticas observadas, incluindo 17 esp&eacute;cies em Carvoeiro   (n = 23 observa&ccedil;&otilde;es) e 27 esp&eacute;cies em Barcelos (n = 64   observa&ccedil;&otilde;es) (<a href="#t4">Tabela 4</a>). Os rem&eacute;dios caseiros guardados   com maior freq&uuml;&ecirc;ncia s&atilde;o a gordura da sucuriju (<i>E. murinus</i>), do jacar&eacute; (<i>M. niger</i> e <i>C. crocodilus</i>), do boi e da anta (<i>T. terrestris</i>).</font></p>     <p><a name="t4"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><img src="img/revistas/bmpegch/v3n3/3a05t4.gif" border="0"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ademais, foram relatados usos recentes (at&eacute; um ano) de animais medicinais,   incluindo o casco do mata-mat&aacute; (<i>Chelus fimbriatus</i>) para tratar diarr&eacute;ia   de sangue; a gordura da tartaruga (<i>Podocnemis expansa</i>), utilizada como cosm&eacute;tico   (hidratante cut&acirc;neo e protetor solar); a gordura da anta e da sucuriju,   usadas como coadjuvantes de processos inflamat&oacute;rios; o dente da queixada   (<i>T. pecari</i>), empregado para curar doen&ccedil;as respirat&oacute;rias; e o   espor&atilde;o da arraia (<i>Potamotrygon</i> spp.), utilizado para tratar casos de derrame.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os animais dom&eacute;sticos (ex. galinha, cavalo, carneiro e boi) foram esporadicamente   citados nas entrevistas, entretanto, apareceram com maior freq&uuml;&ecirc;ncia   como rem&eacute;dios guardados nas unidades dom&eacute;sticas observadas (<a href="#t4">Tabela   4</a>). Seixas e Begossi (2001, p. 122) observam que o h&aacute;bito de guardar   as partes &uacute;teis de animais com fins medicinais durante longos per&iacute;odos &eacute; comum   tamb&eacute;m entre os 'cai&ccedil;aras' da Mata Atl&acirc;ntica.   Segundo as autoras, entre as partes animais mais comumente empregadas pelos 'cai&ccedil;aras' est&aacute; a   gordura do "lagarto" e da "galinha dom&eacute;stica",   facilmente extra&iacute;da e conservada em temperatura ambiente, utilizada   para diversos prop&oacute;sitos terap&ecirc;uticos. As partes duras (ex. casco,   chifre, dente e outros) s&atilde;o guardadas <i>in natura</i> ou processadas atrav&eacute;s de desidrata&ccedil;&atilde;o e/ou esteriliza&ccedil;&atilde;o (queimadas).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As mulheres t&ecirc;m papel central na extra&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o   das partes de animais guardadas para fins medicinais, bem como no preparo dos   rem&eacute;dios caseiros. As entrevistadas da zona urbana relataram o uso de   animais medicinais com maior freq&uuml;&ecirc;ncia quando residiam na &aacute;rea   rural, os quais foram paulatinamente substitu&iacute;dos por rem&eacute;dios   industrializados na cidade, distribu&iacute;dos gratuitamente pela rede p&uacute;blica   de sa&uacute;de. Entretanto, o uso de recursos medicinais caseiros ainda tem   grande relev&acirc;ncia para a popula&ccedil;&atilde;o local, principalmente   considerando-se o acesso limitado ao atendimento m&eacute;dico na regi&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="Verdana">CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</font></b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A elevada diversidade de animais utilizados   com fins medicinais no rio Negro pode ser comparada &agrave;s outras regi&otilde;es   estudadas no Brasil, como o baixo S&atilde;o Francisco (Marques, 1995), a Mata   Atl&acirc;ntica (Begossi, 1992; Seixas; Begossi, 2001) e outras regi&otilde;es   da Amaz&ocirc;nia (Begossi; Braga, 1992; Begossi <i>et al.</i>, 1999; Begossi <i>et al.</i>, 2006).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os animais medicinais atuam como coadjuvantes     no tratamento de diversas enfermidades e, apesar do uso menos evidente em     rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s plantas   (Silva <i>et al.</i>, 2007), o amplo conhecimento de esp&eacute;cies demonstra a relev&acirc;ncia   da elevada biodiversidade local entre os ribeirinhos do rio Negro. O conhecimento &eacute; bem   distribu&iacute;do entre os sexos (homens e mulheres) e entre localidades (urbano   e rural). Contudo, a intensa migra&ccedil;&atilde;o para os centros urbanos   e o acesso facilitado &agrave; medicina ocidental podem promover a desvaloriza&ccedil;&atilde;o   e a conseq&uuml;ente perda dos saberes tradicionais, o que pode ser mitigado   por meio do est&iacute;mulo &agrave; transmiss&atilde;o desses conhecimentos para as novas gera&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="Verdana">AGRADECIMENTOS</font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Agrade&ccedil;o a todos que, de alguma forma,    colaboraram para a realiza&ccedil;&atilde;o desse trabalho. &Agrave; Funda&ccedil;&atilde;o    de Amparo &agrave; Pesquisa do Estado de S&atilde;o Paulo, atrav&eacute;s dos    projetos de pesquisa financiados (processos n<sup>o</sup> 98/06027-6, 04/06098-0 e 06/50221-0);    aos taxonomistas Janzen A. S. Zuanon, Efrem Ferreira e Marcelo Gordo (Instituto    Nacional de Pesquisas da Amaz&ocirc;nia), Antonio Vanin (Universidade de S&atilde;o    Paulo), Cl&aacute;udia Magalh&atilde;es e Eleonore Z. F. Setz (Universidade    Estadual de Campinas), pela identifica&ccedil;&atilde;o/revis&atilde;o das esp&eacute;cies    animais coletadas; a Miguel Petrere Jr., pelo est&iacute;mulo acad&ecirc;mico    e profissional. Em especial, agrade&ccedil;o aos ribeirinhos do rio Negro, cujos    saberes s&atilde;o a ess&ecirc;ncia desse estudo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="Verdana">REFER&Ecirc;NCIAS</font></b></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">AMOROZO, M. C. M.; G&Eacute;LY, A. Uso de plantas medicinais   por caboclos do Baixo Amazonas, Barcarena, PA. <b>Boletim do Museu Paraense   Em&iacute;lio Goeldi, S&eacute;rie Bot&acirc;nica</b>, v. 4, p. 47-131, 1988.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BEGOSSI, A. Use of ecological methods in ethnobotany: diversity indices. <b>Economic   Botany</b>, v. 50, n. 3, p. 280-289, 1996.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BEGOSSI, A. Food taboos at B&uacute;zios   Island (Brazil): their significance and relation to folk medicine. <b>Journal of Ethnobiology</b>, v. 12, n. 1, p. 117-139, 1992.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BEGOSSI, A.; HANAZAKI, N.; RAMOS, R. M. Healthy fish: medicinal and recommended   species in the Amazon and Atlantic Forest Coast. In: PIERONI, A.; PRICE, L.   L. (Eds.). <b>Eating and Healing</b>: traditional food as medicine. New York: Food Products Press, 2006. p. 237-271.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BEGOSSI, A.; SILVANO, R. A. M.; AMARAL, B.;   OYAKAWA, O. T. Uses of fish and game by inhabitants of an extractive reserve   (upper Juru&aacute;, Acre, Brazil). <b>Environment, Development and Sustainability</b>, v. 1, p. 1-21, 1999.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BEGOSSI, A.; BRAGA, B. Food taboos and folk medicine among   fishermen from the Tocantins River (Brazil). <b>Amazoniana</b>, v. 12, n. 1, p. 101-118,   1992.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BERNARD, H. R. <b>Research Methods in Anthropology</b>: qualitative and quantitative   approaches. Thousand Oaks: Sage Publications, 1994.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BUCHILLET, D. Interpreta&ccedil;&atilde;o   da doen&ccedil;a e simbolismo ecol&oacute;gico entre os &iacute;ndios Des&acirc;na.   <b>Boletim do Museu Paraense Em&iacute;lio Goeldi, S&eacute;rie Antropologia</b>, v. 4, n. 1, p. 27-42, 1988.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CABALZAR, A.; RICARDO, A. (Eds.). <b>Povos ind&iacute;genas   do Alto e M&eacute;dio Rio Negro</b>: uma introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; diversidade   cultural do noroeste da Amaz&ocirc;nia brasileira. S&atilde;o Paulo: Instituto Socioambiental; S&atilde;o Gabriel da Cachoeira: FOIRN, 2002.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">COSTA-NETO, E.; MARQUES, J. G. Faunistic resources used as medicine by artisanal   fishermen from Siribinha beach, State of Bahia, Brazil. <b>Journal of Ethnobiology</b>, v. 20, n. 1, p. 93-109, 2000.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">DIAS, C. J. (Org.). <b>Santa Isabel do Rio Negro     (AM)</b>: situa&ccedil;&atilde;o   socioambiental de uma cidade ribeirinha no noroeste da Amaz&ocirc;nia brasileira. S&atilde;o Paulo: Instituto Socioambiental, 2008.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">DUFOUR, D. L. Insects as food: a case study from the Northwest Amazon. <b>American   Anthropologist</b>, v. 89, p. 383-397, 1987.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">EMMONS, L. H. <b>Neotropical rainforest   mammals</b>: a field guide. 2. ed. Chicago: Chicago University Press, 1997.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">GOULDING, M.; CARVALHO, J. L.; FERREIRA, E. G. <b>Rio       Negro</b>: Rich Life in Poor   Water. Mouton: The Hague, 1988.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica.   <b>Atlas Nacional do Brasil</b>. Rio de Janeiro: IBGE, 2000.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LEONARDI, V. <b>Os historiadores e os rios</b>. Bras&iacute;lia: Editora da Universidade   de Bras&iacute;lia, 1999.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MAGURRAN, A. E. <b>Ecological diversity and       its measurement</b>. London: Croom-Helm   Limited, 1988.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MARQUES, J. G. W. <b>Pescando pescadores</b>: etnoecologia     abrangente no baixo S&atilde;o Francisco Alagoano. S&atilde;o Paulo: Edusp,   1995.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MAU&Eacute;S,   R. H. <b>A Ilha Encantada</b>: medicina e xamanismo numa comunidade de pescadores. Bel&eacute;m: Universidade Federal do Par&aacute;, 1990.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MAU&Eacute;S, R. H.; MOTTA-MAU&Eacute;S, M. A. O modelo da reima: representa&ccedil;&otilde;es   alimentares de uma comida amaz&ocirc;nica. <b>Anu&aacute;rio Antropol&oacute;gico</b>, v. 77, p. 120-147, 1978.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">OLIVEIRA, A. G. <b>O mundo transformado</b>: um estudo     da cultura de fronteira no Alto Rio Negro. Bel&eacute;m: Museu Paraense Em&iacute;lio Goeldi, 1995.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">PERES, S. <b>Cultura, pol&iacute;tica e identidade na Amaz&ocirc;nia</b>:   o associativismo ind&iacute;gena no Baixo Rio Negro, 2003. Tese (Doutorado em Antropologia) - Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2003.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">PEZZUTI, J. C. B. Tabus alimentares. In: BEGOSSI,     A. (Org.). <b>Ecologia de Pescadores da Amaz&ocirc;nia e da Mata Atl&acirc;ntica</b>. S&atilde;o Paulo: Ed. Hucitec, 2004. p. 167-186.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">PEZZUTI, J. C. B. <b>Ecologia e Etnoecologia       de Quel&ocirc;nios   no Parque Nacional do Ja&uacute;, Amazonas, Brasil</b>, 2003. Tese (Doutorado em Ecologia) - Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2003.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">RADAM Brasil.     <b>Levantamento de Recursos Naturais</b>: Geologia, Geomorfologia, Solos, Vegeta&ccedil;&atilde;o,   Uso Potencial da Terra. Rio de Janeiro: Minist&eacute;rio de Minas e Energia, Departamento Nacional de Produ&ccedil;&atilde;o Mineral, 1973-1981. 22 v.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">RIBEIRO, B. G. <b>Os &iacute;ndios das &aacute;guas pretas</b>. S&atilde;o   Paulo: Companhia das Letras, 1995.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">RIBEIRO, B. G. Rainy seasons and constellations:   the Des&acirc;na economic Calendar. <b>Advances in Economic Botany</b>, v. 7, p. 97-114, 1989.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">RODRIGUES, A. C. Buscando ra&iacute;zes. <b>Horizontes       Antropol&oacute;gicos</b>,   v. 16, p. 131-144, 2001.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">ROSSATO, S. C.; LEIT&Atilde;O-FILHO, H. F.; BEGOSSI,     A. Ethnobotany of cai&ccedil;aras   of the Atlantic Forest coast (Brazil). <b>Economic Botany</b>, v. 53, n. 3, p. 377-385, 1999.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SEIXAS, C. S.; BEGOSSI, A. Ethnozoology of fishing communities from Ilha   Grande (Atlantic Forest Coast, Brazil). <b>Journal of Ethnobiology</b>, v. 21, n. 1, p. 107-135, 2001.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SICK, H. <b>Ornitologia brasileira</b>. Bras&iacute;lia: Editora   da Universidade de Bras&iacute;lia, 1985.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SILVA, A. L. Comida de gente: prefer&ecirc;ncias e tabus alimentares entre   os ribeirinhos do M&eacute;dio Rio Negro, Amazonas, Brasil. <b>Revista de Antropologia da USP</b>, v. 50, n. 1, p. 125-180, 2007.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SILVA, A. L. Uso de recursos pesqueiros   no M&eacute;dio Rio Negro. Relat&oacute;rio de P&oacute;s- Doutoramento, Fapesp, Processo n<sup>o</sup> 04/06098-0 (n&atilde;o publicado), 2005.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SILVA, A. L. <b>Uso   de Recursos por Ribeirinhos do M&eacute;dio Rio Negro, Amaz&ocirc;nia</b>, 2003.   Tese (Doutorado em Ecologia) - Universidade de S&atilde;o Paulo, S&atilde;o Paulo, 2003.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SILVA, A. L.; TAMASHIRO, J. Y.; BEGOSSI, A. Ethnobotany of the Riverine Populations   from the Rio Negro, Amazonia (Brazil). <b>Journal of Ethnobiology</b>, v. 27, n. 1, p. 43-72, 2007.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SILVA, A. L.; BEGOSSI, A. Uso de Recursos por     Ribeirinhos do M&eacute;dio   Rio Negro. In: BEGOSSI, A. (Org.). <b>Ecologia de Pescadores da Amaz&ocirc;nia e da Mata Atl&acirc;ntica</b>. S&atilde;o Paulo: Ed. Hucitec, 2004. p. 87-145.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SMITH, N. J. H. <b>Man, fishes and the Amazon</b>. New York: Columbia University   Press, 1981.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">ZAR, J. H. <b>Biostatistical analysis</b>. 3. ed. Londres: Prentice-Hall, 1996.</font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2"><b><font size="2" face="verdana"><a name="endereco"></a><a href="#topo"><img src="img/revistas/bmpegch/v3n3/seta.gif" border="0"></a></font><font face="Verdana">Endere&ccedil;o         para correspond&ecirc;ncia</font></b><font face="Verdana">:    <br> Museu Paraense Em&iacute;lio Goeldi    <br> Editor do Boletim do Museu Paraense Em&iacute;lio Goeldi. Ci&ecirc;ncias Humanas    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> Av. Magalh&atilde;es Barata, 376    <br> S&atilde;o Braz - CEP 66040-170    <br> Caixa Postal 399    <br> Telefone/fax:55-91-3249-1141     <br> E-mail:<a href="mailto:boletim@museu-goeldi.br">boletim@museu-goeldi.br</a></font></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Recebido: 11/09/2008    <br>   Aprovado: 20/12/2008</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup><a name="n1" id="n1"></a><a href="#s1">1</a></sup>A     pajelan&ccedil;a ainda &eacute; um fen&ocirc;meno relativamente comum no     rio Negro, embora o desaparecimento paulatino dos paj&eacute;s pare&ccedil;a ser um fato irrevers&iacute;vel. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><sup><a name="n2" id="n2"></a><a href="#s2">2</a></sup>Deslocamento     da m&atilde;o de obra ind&iacute;gena do alto rio Negro por comerciantes     e mission&aacute;rios para o trabalho escravo durante o per&iacute;odo colonial.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup><a name="n3" id="n3"></a><a href="#s3">3</a></sup>Cr&eacute;dito     informal concedido pelo patr&atilde;o ao extrator, sob a forma de mercadorias     de subsist&ecirc;ncia, em troca do trabalho extrativista (Leonardi, 1999).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup><a name="n4" id="n4"></a><a href="#s4">4</a></sup>O     modelo associativo das organiza&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas adquiriu     representatividade a partir da d&eacute;cada de 1980, quando foram criadas     19 associa&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas no rio Negro, entre as quais     a FOIRN (Federa&ccedil;&atilde;o das Organiza&ccedil;&otilde;es Ind&iacute;genas     do Rio Negro), em 1987, em S&atilde;o Gabriel; a Acimrn (Associa&ccedil;&atilde;o     das Comunidades Ind&iacute;genas do M&eacute;dio Rio Negro), em 1995, em     Santa Isabel; e a Asiba (Associa&ccedil;&atilde;o Ind&iacute;gena de Barcelos),     em 1999, em Barcelos (Peres, 2003).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup><a name="n5" id="n5"></a><a href="#s5">5</a></sup>Ribeiro     (1989) apresenta uma descri&ccedil;&atilde;o detalhada dos invertebrados     comest&iacute;veis entre os Des&acirc;na do rio Tiqui&eacute;, suas t&eacute;cnicas     de captura e o mito de origem desses &iacute;ndios, associado a certas constela&ccedil;&otilde;es     e chuvas ligadas aos ciclos econ&ocirc;micos naturais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup><a name="n6" id="n6"></a><a href="#s6">6</a></sup>Rainha     de uma esp&eacute;cie de cupim amarelo que sai em abund&acirc;ncia do buraco     de algumas &aacute;rvores, depois da chuva, em certas &eacute;pocas do ano,     da fam&iacute;lia Termitidae, g&ecirc;nero <i>Cornitermes</i> (Ribeiro, 1995).     Segundo os ribeirinhos, a 'maniuara' &eacute; alimento do tamandu&aacute; e     do tatu, animais proscritos por causa do forte cheiro de formiga em sua carne.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup><a name="n7" id="n7"></a><a href="#s7">7</a></sup>Os     benzedores possuem dom divino para praticar curas, que pode ser revelado     em diferentes fases da vida.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup><a name="n8" id="n8"></a><a href="#s8">8</a></sup>N&atilde;o     se sabe precisar se o &quot;breu&quot; do cunuaru &eacute; produzido pelo     sapo, como acreditam os ribeirinhos, ou se consiste na resina de plantas     da fam&iacute;lia Burseraceae, onde essa esp&eacute;cie nidifica (M. Gordo,     comunica&ccedil;&atilde;o pessoal).</font></p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[AMOROZO]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. C. M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[GÉLY]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Uso de plantas medicinais por caboclos do Baixo Amazonas, Barcarena, PA]]></article-title>
<source><![CDATA[Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Série Botânica]]></source>
<year>1988</year>
<volume>4</volume>
<page-range>47-131</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BEGOSSI]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Use of ecological methods in ethnobotany: diversity indices]]></article-title>
<source><![CDATA[Economic Botany]]></source>
<year>1996</year>
<volume>50</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>280-289</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BEGOSSI]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Food taboos at Búzios Island (Brazil): their significance and relation to folk medicine]]></article-title>
<source><![CDATA[Journal of Ethnobiology]]></source>
<year>1992</year>
<volume>12</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>117-139</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BEGOSSI]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[HANAZAKI]]></surname>
<given-names><![CDATA[N.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[RAMOS]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. M]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Healthy fish: medicinal and recommended species in the Amazon and Atlantic Forest Coast]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[PIERONI]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[PRICE]]></surname>
<given-names><![CDATA[L. L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Eating and Healing: traditional food as medicine]]></source>
<year>2006</year>
<page-range>237-271</page-range><publisher-loc><![CDATA[New York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Food Products Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BEGOSSI]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[SILVANO]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. A. M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[AMARAL]]></surname>
<given-names><![CDATA[B.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[OYAKAWA]]></surname>
<given-names><![CDATA[O. T]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Uses of fish and game by inhabitants of an extractive reserve (upper Juruá, Acre, Brazil)]]></article-title>
<source><![CDATA[Environment, Development and Sustainability]]></source>
<year>1999</year>
<volume>1</volume>
<page-range>1-21</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BEGOSSI]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[BRAGA]]></surname>
<given-names><![CDATA[B]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Food taboos and folk medicine among fishermen from the Tocantins River (Brazil)]]></article-title>
<source><![CDATA[Amazoniana]]></source>
<year>1992</year>
<volume>12</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>101-118</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BERNARD]]></surname>
<given-names><![CDATA[H. R]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Research Methods in Anthropology: qualitative and quantitative approaches]]></source>
<year>1994</year>
<publisher-loc><![CDATA[Thousand Oaks ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Sage Publications]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BUCHILLET]]></surname>
<given-names><![CDATA[D]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Interpretação da doença e simbolismo ecológico entre os índios Desâna]]></article-title>
<source><![CDATA[Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Série Antropologia]]></source>
<year>1988</year>
<volume>4</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>27-42</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CABALZAR]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[RICARDO]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Povos indígenas do Alto e Médio Rio Negro: uma introdução à diversidade cultural do noroeste da Amazônia brasileira]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Instituto Socioambiental; São Gabriel da Cachoeira: FOIRN]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[COSTA-NETO]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[MARQUES]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. G]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Faunistic resources used as medicine by artisanal fishermen from Siribinha beach, State of Bahia, Brazil]]></article-title>
<source><![CDATA[Journal of Ethnobiology]]></source>
<year>2000</year>
<volume>20</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>93-109</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[DIAS]]></surname>
<given-names><![CDATA[C. J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Santa Isabel do Rio Negro (AM): situação socioambiental de uma cidade ribeirinha no noroeste da Amazônia brasileira]]></source>
<year>2008</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Instituto Socioambiental]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[DUFOUR]]></surname>
<given-names><![CDATA[D. L]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Insects as food: a case study from the Northwest Amazon]]></article-title>
<source><![CDATA[American Anthropologist]]></source>
<year>1987</year>
<volume>89</volume>
<page-range>383-397</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[EMMONS]]></surname>
<given-names><![CDATA[L. H]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Neotropical rainforest mammals: a field guide]]></source>
<year>1997</year>
<edition>2</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Chicago ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Chicago University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GOULDING]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[CARVALHO]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. L.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[FERREIRA]]></surname>
<given-names><![CDATA[E. G]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Rio Negro: Rich Life in Poor Water]]></source>
<year>1988</year>
<publisher-loc><![CDATA[Mouton ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[The Hague]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<nlm-citation citation-type="book">
<collab>IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística</collab>
<source><![CDATA[Atlas Nacional do Brasil]]></source>
<year>2000</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[IBGE]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[LEONARDI]]></surname>
<given-names><![CDATA[V]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Os historiadores e os rios]]></source>
<year>1999</year>
<publisher-loc><![CDATA[Brasília ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editora da Universidade de Brasília]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MAGURRAN]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. E]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Ecological diversity and its measurement]]></source>
<year>1988</year>
<publisher-loc><![CDATA[London ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Croom-Helm Limited]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MARQUES]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. G. W]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Pescando pescadores: etnoecologia abrangente no baixo São Francisco Alagoano]]></source>
<year>1995</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Edusp]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MAUÉS]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. H]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A Ilha Encantada: medicina e xamanismo numa comunidade de pescadores]]></source>
<year>1990</year>
<publisher-loc><![CDATA[Belém ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Universidade Federal do Pará]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B20">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MAUÉS]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. H.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[MOTTA-MAUÉS]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[modelo da reima: representações alimentares de uma comida amazônica]]></article-title>
<source><![CDATA[Anuário Antropológico]]></source>
<year>1978</year>
<volume>77</volume>
<page-range>120-147</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B21">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[OLIVEIRA]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. G]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O mundo transformado: um estudo da cultura de fronteira no Alto Rio Negro]]></source>
<year>1995</year>
<publisher-loc><![CDATA[Belém ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Museu Paraense Emílio Goeldi]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B22">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[PERES]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Cultura, política e identidade na Amazônia: o associativismo indígena no Baixo Rio Negro, 2003]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B23">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[PEZZUTI]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. C. B]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Tabus alimentares]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[BEGOSSI]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Ecologia de Pescadores da Amazônia e da Mata Atlântica]]></source>
<year>2004</year>
<page-range>167-186</page-range><publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Ed. Hucitec]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B24">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[PEZZUTI]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. C. B]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Ecologia e Etnoecologia de Quelônios no Parque Nacional do Jaú, Amazonas, Brasil, 2003]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B25">
<nlm-citation citation-type="book">
<collab>RADAM Brasil</collab>
<source><![CDATA[Levantamento de Recursos Naturais: Geologia, Geomorfologia, Solos, Vegetação, Uso Potencial da Terra]]></source>
<year>1973</year>
<month>19</month>
<day>81</day>
<volume>22</volume>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Ministério de Minas e Energia, Departamento Nacional de Produção Mineral]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B26">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[RIBEIRO]]></surname>
<given-names><![CDATA[B. G]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Os índios das águas pretas]]></source>
<year>1995</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Companhia das Letras]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B27">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[RIBEIRO]]></surname>
<given-names><![CDATA[B. G]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Rainy seasons and constellations: the Desâna economic Calendar]]></article-title>
<source><![CDATA[Advances in Economic Botany]]></source>
<year>1989</year>
<volume>7</volume>
<page-range>97-114</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B28">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[RODRIGUES]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. C]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Buscando raízes]]></article-title>
<source><![CDATA[Horizontes Antropológicos]]></source>
<year>2001</year>
<volume>16</volume>
<page-range>131-144</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B29">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ROSSATO]]></surname>
<given-names><![CDATA[S. C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[LEITÃO-FILHO]]></surname>
<given-names><![CDATA[H. F.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[BEGOSSI]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Ethnobotany of caiçaras of the Atlantic Forest coast (Brazil)]]></article-title>
<source><![CDATA[Economic Botany]]></source>
<year>1999</year>
<volume>53</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>377-385</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B30">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SEIXAS]]></surname>
<given-names><![CDATA[C. S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[BEGOSSI]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Ethnozoology of fishing communities from Ilha Grande (Atlantic Forest Coast, Brazil)]]></article-title>
<source><![CDATA[Journal of Ethnobiology]]></source>
<year>2001</year>
<volume>21</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>107-135</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B31">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SICK]]></surname>
<given-names><![CDATA[H]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Ornitologia brasileira]]></source>
<year>1985</year>
<publisher-loc><![CDATA[Brasília ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editora da Universidade de Brasília]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B32">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SILVA]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. L]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Comida de gente: preferências e tabus alimentares entre os ribeirinhos do Médio Rio Negro, Amazonas, Brasil]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista de Antropologia da USP]]></source>
<year>2007</year>
<volume>50</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>125-180</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B33">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SILVA]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. L]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Uso de recursos pesqueiros no Médio Rio Negro: Relatório de Pós- Doutoramento, Fapesp, Processo nº 04/06098-0 (não publicado)]]></source>
<year>2005</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B34">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SILVA]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. L]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Uso de Recursos por Ribeirinhos do Médio Rio Negro, Amazônia, 2003]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B35">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SILVA]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. L.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[TAMASHIRO]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. Y.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[BEGOSSI]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Ethnobotany of the Riverine Populations from the Rio Negro, Amazonia (Brazil)]]></article-title>
<source><![CDATA[Journal of Ethnobiology]]></source>
<year>2007</year>
<volume>27</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>43-72</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B36">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SILVA]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. L.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[BEGOSSI]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Uso de Recursos por Ribeirinhos do Médio Rio Negro]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[BEGOSSI]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Ecologia de Pescadores da Amazônia e da Mata Atlântica]]></source>
<year>2004</year>
<page-range>87-145</page-range><publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Ed. Hucitec]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B37">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SMITH]]></surname>
<given-names><![CDATA[N. J. H]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Man, fishes and the Amazon]]></source>
<year>1981</year>
<publisher-loc><![CDATA[New York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Columbia University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B38">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ZAR]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. H]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Biostatistical analysis]]></source>
<year>1996</year>
<edition>3</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Prentice-Hall]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
