<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1981-8122</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi Ciências Humanas]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Bol. Mus. Para. Emilio Goeldi Cienc. Hum.]]></abbrev-journal-title>
<issn>1981-8122</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Museu Paraense Emílio Goeldi,Ministério da Ciência e Tecnologia]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1981-81222008000300010</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Jornal Pessoal: o metajornalismo cidadão]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Amorim]]></surname>
<given-names><![CDATA[Célia Trindade]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Jornalista, doutora em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2008</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2008</year>
</pub-date>
<volume>3</volume>
<numero>3</numero>
<fpage>405</fpage>
<lpage>408</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1981-81222008000300010&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1981-81222008000300010&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1981-81222008000300010&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p><font size="4" face="Verdana"><strong><a name="topo"></a>Jornal Pessoal: o    metajornalismo cidad&atilde;o</strong></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"> <strong>Por C&eacute;lia Trindade Amorim</strong></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Jornalista, doutora em Comunica&ccedil;&atilde;o    e Semi&oacute;tica pela Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de S&atilde;o    Paulo (<a href="mailto:silvamor@ig.com.br">silvamor@ig.com.br</a>)</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/bmpegch/v3n3/3a010magem1.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">No seu &uacute;ltimo livro, &quot;Contra o Poder&quot;,    o soci&oacute;logo e jornalista paraense L&uacute;cio Fl&aacute;vio Pinto aborda    o complexo cen&aacute;rio pol&iacute;tico da Amaz&ocirc;nia por meio de um conjunto    significativo de reportagens extra&iacute;do dos dois primeiros anos de exist&ecirc;ncia    do seu &quot;Jornal Pessoal&quot;, uma das mais radicais e longevas publica&ccedil;&otilde;es    alternativas da hist&oacute;ria do jornalismo brasileiro. Por m&iacute;dia radical    alternativa, entende-se &quot;aquela m&iacute;dia &#8211; em geral de pequena    escala e sob muitas formas diferentes &#8211; que expressa uma vis&atilde;o    alternativa &agrave;s pol&iacute;ticas, prioridades e perspectivas hegem&ocirc;nicas&quot;    (Downing, 2002, p. 21).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Apesar do livro n&atilde;o obedecer ao padr&atilde;o    das normas t&eacute;cnicas da academia, a escritura jornal&iacute;stica de L&uacute;cio    Fl&aacute;vio Pinto se assenta na investiga&ccedil;&atilde;o rigorosa dos fatos.    Para tanto, o autor lan&ccedil;a m&atilde;o de forma expl&iacute;cita do metajornalismo,    uma reflex&atilde;o cr&iacute;tica sobre o pr&oacute;prio jornalismo. Ali&aacute;s,    a cr&iacute;tica &quot;&eacute; o m&eacute;todo por excel&ecirc;ncia do fazer    jornalismo de L&uacute;cio Fl&aacute;vio Pinto&quot; (Amorim, 2008, p. 169),    que tem como fio condutor princ&iacute;pios &eacute;ticos de uma imprensa voltada    efetivamente para o social.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O primeiro cap&iacute;tulo come&ccedil;a com    uma indaga&ccedil;&atilde;o: &quot;Por que um Jornal Pessoal?&quot; O autor,    que tem 12 livros publicados sobre a regi&atilde;o, busca com esse texto responder    as raz&otilde;es que o levaram a produzir um jornal eminentemente pessoal. Segundo    L&uacute;cio Fl&aacute;vio (Pinto, 2007, p. 8), &quot;se o JP n&atilde;o existisse    &#91;...&#93; not&iacute;cias relevantes &#91;...&#93; deixariam de adquirir a forma    impressa&quot; na Amaz&ocirc;nia. O modelo alternativo seguido foi o do jornalista    americano Izzy Feinstein Stone, que editou sozinho o seman&aacute;rio &quot;I.    F. Stone's Weekly&quot; por 19 anos, nos Estados Unidos, entre 1952 e 1971.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ainda neste cap&iacute;tulo, L&uacute;cio Fl&aacute;vio    Pinto enfatiza que o objetivo da presente edi&ccedil;&atilde;o, lan&ccedil;ada    no final de 2007 em meio &agrave;s comemora&ccedil;&otilde;es de 20 anos do    alternativo, foi &quot;tentar perenizar o 'Jornal Pessoal'&quot;    (Pinto, 2007, p. 8), agora com 21 anos de exist&ecirc;ncia, idade rara para    jornais desse porte, que, em sua maioria, t&ecirc;m vida ef&ecirc;mera.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&quot;Qual a raz&atilde;o de t&atilde;o extensa    perenidade?&quot;, questiona o jornalista (Pinto, 2007, p. 8), que parece mandar    um recado para seus advers&aacute;rios, a maioria ligada &agrave; elite nortista    brasileira, que faz cr&iacute;ticas a L&uacute;cio Fl&aacute;vio Pinto por manter    o peri&oacute;dico mais por vaidade e capricho do que propriamente por dever    profissional. Decerto n&atilde;o &eacute; por vaidade. Associar o &quot;Jornal    Pessoal&quot; a mero capricho do jornalista, al&eacute;m de ser uma vis&atilde;o    simplista do fen&ocirc;meno alternativo, &eacute; querer escamotear uma voz    que luta em defesa da causa p&uacute;blica na Amaz&ocirc;nia. Talvez esteja    a&iacute; a chave para a compreens&atilde;o da longevidade do &quot;Jornal    Pessoal&quot;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&quot;Contra o Poder&quot; deixa bem claro que    o jornal &eacute; de elite. &quot;N&atilde;o h&aacute; outro destino para um    jornal verdadeiramente independente, que rejeita publicidade desde o primeiro    n&uacute;mero&quot; (Pinto, 2007, p. 9), explica o jornalista, que sentencia:    &quot;Com apenas 12 p&aacute;ginas, &#91;...&#93; sem cor, praticamente sem    fotografia, escrito por um &uacute;nico redator, seu exemplar quinzenal custa    tr&ecirc;s reais. &Eacute; mais caro do que um jornal convencional. &#91;...&#93;    O leitor enfrentar&aacute; textos longos, anal&iacute;ticos, cheios de n&uacute;meros    e estat&iacute;sticas, ironias, ceticismo e indigna&ccedil;&atilde;o&quot; (Pinto,    2007, p. 9).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Talvez o alternativo pudesse atingir as classes    mais populares se aceitasse publicidade. Entretanto, o jornalista sabe que a    entrada de an&uacute;ncios nas p&aacute;ginas do &quot;Jornal Pessoal&quot;    colocar&aacute; em xeque a independ&ecirc;ncia da proposta de m&iacute;dia radical    alternativa. Mas ele pondera: &quot;se a sua difus&atilde;o n&atilde;o pode    ser ampla, o 'Jornal Pessoal' transforma essa limita&ccedil;&atilde;o    em arma de combate, pois seu grande objetivo &eacute; criticar a elite, fustigando-a,    cobrando-lhe os compromissos devidos&quot; (Pinto, 2007, p. 10).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O arcabou&ccedil;o te&oacute;rico &#8211; muni&ccedil;&atilde;o    de L&uacute;cio Fl&aacute;vio Pinto contra a elite amaz&ocirc;nica &#8211; &eacute;    decorrente da partilha de id&eacute;ias com intelectuais como Karl Manheim,    Max Weber, Lucien Goldman, Wright Mills e Sigmund Freud (Pinto, 2007, p. 10).    Se, por um lado, essa veia te&oacute;rica citada pelo soci&oacute;logo n&atilde;o    aparece de forma expl&iacute;cita em &quot;Contra o Poder&quot; no que tange    ao rigoroso padr&atilde;o cient&iacute;fico-acad&ecirc;mico, por outro, pode-se    identificar que a luta do &quot;Jornal Pessoal&quot; se entrela&ccedil;a nas    fontes supracitadas. Wright Mills, por exemplo, autor de &quot;A Elite do Poder&quot;,    afirma: &quot;Se tomarmos os cem homens mais poderosos da Am&eacute;rica, os    cem mais ricos, os cem mais celebrados e os afastarmos das posi&ccedil;&otilde;es    institucionais que hoje ocupam, dos recursos de homens, mulheres e dinheiro,    dos ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o de massa que hoje se voltam    para eles &#8211; seriam ent&atilde;o sem poder, pobres e n&atilde;o celebrados.    Pois o poder n&atilde;o pertence a um homem. &#91;...&#93; Ser c&eacute;lebre, ser    rico, ter poder, exige o acesso &agrave;s principais institui&ccedil;&otilde;es,    pois as posi&ccedil;&otilde;es institucionais determinam em grande parte as    oportunidades de ter e conservar essas experi&ecirc;ncias a que se atribui tanto    valor&quot; (Mills, 1968, p. 19).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Decerto, n&atilde;o &eacute; casual que a elite    amaz&ocirc;nica, de acordo com a an&aacute;lise de L&uacute;cio Fl&aacute;vio    Pinto, trava uma guerra intestina para a ocupa&ccedil;&atilde;o do poder nas    institui&ccedil;&otilde;es. Infelizmente, o fim &uacute;ltimo a ser perseguido    n&atilde;o &eacute; a causa social. O leitor poder&aacute; conferir ao longo    das 288 p&aacute;ginas que esta mesma elite, com seus mandos e desmandos, &eacute;    apontada por ele como a principal respons&aacute;vel pela condi&ccedil;&atilde;o    colonial da regi&atilde;o em pleno s&eacute;culo XXI.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No segundo e terceiro cap&iacute;tulos, o autor    analisa as ra&iacute;zes do assassinato, em junho de 1987, do ex-deputado estadual    pelo PMDB, Paulo Fonteles, advogado de posseiros no violento sul do Par&aacute;.    E enfatiza que o alternativo s&oacute; passou a existir porque o jornal &quot;O    Liberal&quot;, comprometido com empres&aacute;rios-anunciantes, n&atilde;o    p&ocirc;de publicar em suas p&aacute;ginas uma reportagem assinada por ele sobre    a morte de Fonteles. O jornalista sustentava que os empres&aacute;rios Francisco    Joaquim Fonseca, do Grupo JONASA, e Jair Bernardino de Souza, propriet&aacute;rio    da empresa BELAUTO, haviam mentido em seus depoimentos &agrave; pol&iacute;cia,    favorecendo o acobertamento dos autores intelectuais do assassinato, que conheciam    (Pinto, 2007, p. 28). A reportagem foi parar no n&uacute;mero inaugural do &quot;Jornal    Pessoal&quot;, com a impress&atilde;o de gra&ccedil;a sa&iacute;da da rotativa    de &quot;O Liberal&quot;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O quarto cap&iacute;tulo diz respeito ao rombo    de 30 milh&otilde;es de d&oacute;lares dado no Banco da Amaz&ocirc;nia (BASA),    em 1987, comandado por uma quadrilha que agia dentro desta institui&ccedil;&atilde;o    financeira, estando &agrave; frente o ex-diretor de Cr&eacute;dito Geral e presidente    interino, Augusto Barreira Pereira, indicado para o cargo pelo ent&atilde;o    governador do Par&aacute;, Jader Barbalho, hoje deputado federal do PMDB (Pinto,    2007, p. 71).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; assunto tamb&eacute;m recuperado em    &quot;Contra o poder&quot;, no quinto cap&iacute;tulo, a nascente estrutura    de comunica&ccedil;&atilde;o de Jader Barbalho como parte vital de seu esquema    de poder, come&ccedil;ando com o jornal &quot;Di&aacute;rio do Par&aacute;&quot;,    em 1982, que o ajudou a ser eleito governador do Par&aacute; no ano seguinte;    e a tumultuada trajet&oacute;ria empresarial do goiano Jair Bernardino, acusado    por L&uacute;cio Fl&aacute;vio Pinto de ser &quot;testa-de-ferro&quot; de    Jader Barbalho na &aacute;rea da comunica&ccedil;&atilde;o. Pelas m&atilde;os    do empres&aacute;rio, as r&aacute;dios Clube (AM), Caraj&aacute;s (FM) e a TV    RBA passaram a compor o que o jornalista chama de imp&eacute;rio de comunica&ccedil;&atilde;o    do ex-governador do PMDB (Pinto, 2007, p. 77-78).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Esse cap&iacute;tulo ainda &eacute; composto    por reportagens referentes &agrave;s alian&ccedil;as que se formaram no estado    entre partidos pol&iacute;ticos e imprensa em per&iacute;odos de campanhas eleitorais,    bem como &agrave; luta declarada pelo monop&oacute;lio da informa&ccedil;&atilde;o,    deixando de lado todo e qualquer princ&iacute;pio &eacute;tico jornal&iacute;stico.    A an&aacute;lise de L&uacute;cio Fl&aacute;vio Pinto recai no quadro pol&iacute;tico    das elei&ccedil;&otilde;es municipais da capital em 1988, envolvendo os ve&iacute;culos    de comunica&ccedil;&atilde;o de Jader e os da fam&iacute;lia Maiorana (Pinto,    2007, p. 102-114).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Em tr&ecirc;s longos cap&iacute;tulos, o sexto,    s&eacute;timo e oitavo, o leitor ter&aacute; de ser resistente para acompanhar    o jornalista em suas an&aacute;lises pol&iacute;ticas do governo conturbado    de Jader Barbalho (1983-1987) e parte do de H&eacute;lio Gueiros (1988-1991),    ambos marcados pela promiscuidade no trato da coisa p&uacute;blica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os exemplos s&atilde;o fartos, como as mat&eacute;rias    referentes ao Banco do Estado do Par&aacute; (BANPAR&Aacute;), intitulado no    livro como &quot;O banco do Estado &#8211; e dos amigos&quot; (Pinto, 2007,    p. 132-137); ao Tribunal de Contas dos Munic&iacute;pios, caracterizado como    &quot;Um tribunal pessoal&quot;, criado sem obedecer ao crit&eacute;rio constitucional    de que cargo p&uacute;blico s&oacute; pode ser preenchido via concurso p&uacute;blico    (Pinto, 2007, p. 138-139); ao empreguismo sem paralelo no Par&aacute;, marcado    pela entrada de quase 20 mil novos servidores no governo sem concurso p&uacute;blico    durante a primeira gest&atilde;o de Jader, pr&aacute;tica seguida pelo seu sucessor,    H&eacute;lio Gueiros (Pinto, 2007, p. 183-208); ao poder paralelo dos banqueiros    do jogo do bicho, uma contraven&ccedil;&atilde;o penal em permanente rela&ccedil;&atilde;o    de promiscuidade com o poder oficial (Pinto, 2007, p. 153-173); e ao tr&aacute;fico    de influ&ecirc;ncia dos filhos de Gueiros, que se aproveitaram do poder do pai    para fazer neg&oacute;cios e ganhar dinheiro por meio da empresa Estaleiros    da Bacia Amaz&ocirc;nica (EBAL), amparada pelo sistema de incentivos fiscais    da Superintend&ecirc;ncia do Desenvolvimento da Amaz&ocirc;nia (SUDAM) (Pinto,    2007, p. 174-178). H&aacute;, tamb&eacute;m, entre outros artigos, uma releitura    cr&iacute;tica do prontu&aacute;rio do Servi&ccedil;o Nacional de Informa&ccedil;&atilde;o    (SNI) contra Jader Barbalho, ent&atilde;o ministro da Reforma e do Desenvolvimento    Agr&aacute;rio no governo de Jos&eacute; Sarney, em 1988, tendo como cerne da    quest&atilde;o o r&aacute;pido enriquecimento do pol&iacute;tico do PMDB (Pinto,    2007, p. 128-132).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Os cap&iacute;tulos finais s&atilde;o mais curtos    e comp&otilde;em mat&eacute;rias sobre a atua&ccedil;&atilde;o dos grandes projetos    de explora&ccedil;&atilde;o de recursos naturais na Amaz&ocirc;nia, que chegaram    &agrave; regi&atilde;o com a proposta de desenvolv&ecirc;-la, mas que se revelaram    estar baseados em um modelo econ&ocirc;mico que associa elevad&iacute;ssimos    n&iacute;veis de explora&ccedil;&atilde;o de recursos naturais, grande volume    de capital e um saldo perversamente negativo na &aacute;rea da responsabilidade    social. N&atilde;o obstante, s&atilde;o merecedores do aval de sucessivos governos,    que isentam as empresas do pagamento de tributos. O resultado desta rela&ccedil;&atilde;o    &eacute; o que o autor de &quot;Contra o poder&quot; chama de &quot;Amaz&ocirc;nia    medieval&quot;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Entre os exemplos, L&uacute;cio Fl&aacute;vio    Pinto cita a explora&ccedil;&atilde;o da bauxita no vale do rio Trombetas, no    munic&iacute;pio paraense de Oriximin&aacute;, pela empresa Minera&ccedil;&atilde;o    Rio do Norte (MRN), e os impactos s&oacute;cio-ambientais causados pela implanta&ccedil;&atilde;o    desse projeto. O jornalista narra o surto de gastrenterite que matou 12 pessoas    em 1989, al&eacute;m de registros de doen&ccedil;as como leishmaniose, mal&aacute;ria,    hepatites, doen&ccedil;a de chagas e esquistossomose, pois Oriximin&aacute;    n&atilde;o contava com servi&ccedil;os b&aacute;sicos como &aacute;gua tratada    e esgoto. Esses servi&ccedil;os s&oacute; existiam em Porto Trombetas, o n&uacute;cleo    residencial dos funcion&aacute;rios da mineradora (Pinto, 2007, p. 224-229).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Outro tema da presente edi&ccedil;&atilde;o &eacute;    Caraj&aacute;s, uma das mais importantes prov&iacute;ncias minerais do planeta,    em solo paraense, cuja explora&ccedil;&atilde;o est&aacute; por conta da Vale.    Em reportagem datada de 1988, L&uacute;cio Fl&aacute;vio Pinto j&aacute; anunciava    as sementes que levariam &agrave; privatiza&ccedil;&atilde;o da empresa nove    anos depois e dizia que o Par&aacute; n&atilde;o passava de mero acidente geogr&aacute;fico,    pois n&atilde;o conseguia usufruir dos tesouros guardados nas entranhas da serra    (Pinto, 2007, p. 236-242).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; destaque, ainda, as mortes de garimpeiros    em Serra Pelada, no sul do Par&aacute;, em dezembro de 1987. O texto traz os    bastidores da chamada &quot;febre do ouro&quot; no garimpo, criado por lei    e mantido &agrave; custa do contribuinte brasileiro (Pinto, 2007, p. 243-266);    al&eacute;m de an&aacute;lises referentes a um dos maiores &iacute;ndices de    desmatamento na Amaz&ocirc;nia, datado de 1987, em tr&ecirc;s estados: Par&aacute;,    Rond&ocirc;nia e Mato Grosso. Juntos, queimaram 80 mil quil&ocirc;metros quadrados    de floresta nativa, sem qualquer rela&ccedil;&atilde;o com um processo produtivo    em bases racionais (Pinto, 2007, p. 267-272).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Essa &eacute; a hist&oacute;ria narrada nas    p&aacute;ginas do &quot;Jornal Pessoal&quot;, muito longe da hist&oacute;ria    oficial midi&aacute;tica da nossa contemporaneidade. Por isso, L&uacute;cio    Fl&aacute;vio Pinto convida a elite amaz&ocirc;nica a &quot;descer &agrave;    rinha&quot; para &quot;ajustar o tempo da consci&ecirc;ncia ao da hist&oacute;ria&quot;    (Pinto, 2007, p. 10) na regi&atilde;o impregnada no manto do colonialismo. Ademais,    o livro &#8211; que encerra com 16 charges do artista gr&aacute;fico Luiz Pinto,    publicadas nas capas do peri&oacute;dico &#8211; &eacute; leitura obrigat&oacute;ria    para a compreens&atilde;o da hist&oacute;ria recente da Amaz&ocirc;nia. Em especial,    para os que se interessam pela &aacute;rea da comunica&ccedil;&atilde;o, pela    for&ccedil;a metajornal&iacute;stica que ensina os valores &eacute;ticos de    uma imprensa voltada para o cidad&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana"> <strong>REFER&Ecirc;NCIAS</strong></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> AMORIM, C&eacute;lia Regina Trindade Chagas.    <strong>Jornal Pessoal</strong>: Uma metalinguagem jornal&iacute;stica na Amaz&ocirc;nia,    2008. 282 f. Tese (Doutorado em Comunica&ccedil;&atilde;o e Semi&oacute;tica)    - Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de S&atilde;o Paulo, S&atilde;o    Paulo, 2008.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> DOWNING, John. <strong>M&iacute;dia Radical:    rebeldia nas comunica&ccedil;&otilde;es e movimentos sociais</strong>. S&atilde;o    Paulo: SENAC, 2002.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> MILLS, C. Wright. <strong>A elite do poder</strong>.    2<sup>a</sup>. ed. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1968.</font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b><a name="endereco"></a><a href="#topo"><img src="/img/revistas/bmpegcn/v1n1/seta.gif" border="0"></a></b></font><font size="2" face="verdana"><b>Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia:</b>    <br>   Museu Paraense Em&iacute;lio Goeldi    <br>   Editor do Boletim do Museu Paraense Em&iacute;lio Goeldi. Ci&ecirc;ncias Humanas    <br>   Av. Magalh&atilde;es Barata, 376     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   S&atilde;o Braz - CEP 66040-170    <br>   Caixa Postal 399    <br>   </font><font size="2" face="verdana">Telefone/fax: 55-91-3219-1141    <br>   E-mail:<a href="mailto:boletim@museu-goeldi.br">boletim@museu-goeldi.br</a></font></p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[AMORIM]]></surname>
<given-names><![CDATA[Célia Regina Trindade Chagas]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Jornal Pessoal: Uma metalinguagem jornalística na Amazônia, 2008. 282 f]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[DOWNING]]></surname>
<given-names><![CDATA[John]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Mídia Radical: rebeldia nas comunicações e movimentos sociais]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[SENAC]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MILLS]]></surname>
<given-names><![CDATA[C. Wright]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A elite do poder]]></source>
<year>1968</year>
<edition>2</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Zahar Editores]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
