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<journal-title><![CDATA[Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi Ciências Humanas]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Ação política e pensamento social em Josué de Castro]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Federal do Rio de Janeiro Instituto de Nutrição Josué de Castro Departamento de Nutrição Social Aplicada]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The paper analyses central points of the social thought and political action of physician Josué de Castro (1908-1973) between 1930 and 1950 decades. It aims to problematize social-cognitive categories present in the construction of his idea of 'hunger', as well as convergences with other thought sets. Analysis of four Castro's publications has been conducted, as well as an analysis of materials published by peer authors, which were supplemented by historiographical reviewing, and examination of key-elements of his career as a deputy and founder of hunger-fighting institutions. Castro's scientific-political-intellectual career has been centered in the idea of 'hunger' as a bio-social phenomenon that identifies the Brazilian condition, is the source of the Brazilian defects, hampers the nationality, and requires modernizing economic-social reforms. Categories detectable in the field of the Brazilian social thought are also present: semi-feudal colonialist latifundiary monoculture, irrational State, and supremacy of the public over the private. Among the ideas in common with international nutrition science, the bio-social concern with public feeding is present. Castro's scientific-intellectual production becomes possible particularly because of the Sate-construction scenery, and is characterized by his relationships with institutions, governing authorities and international organisms. His political and social commitment materializes itself through his scientific ideas, making hunger visible as a scientific-political issue.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4" face="Verdana"><b><a name="topo"></a>A&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e pensamento social em Josu&eacute; de     Castro</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>&nbsp;</b></font></p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Political action and social thought in Josu&eacute; de Castro</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Maria Let&iacute;cia Galluzzi Bizzo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Universidade Federal do Rio de Janeiro. Instituto     de Nutri&ccedil;&atilde;o   Josu&eacute; de Castro. Departamento de Nutri&ccedil;&atilde;o Social Aplicada.   Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil (<a href="mailto:galluzzi@acd.ufrj.br">galluzzi@acd.ufrj.br</a>)</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O estudo analisa elementos centrais do pensamento     social e da a&ccedil;&atilde;o   pol&iacute;tica do m&eacute;dico Josu&eacute; de Castro (1908-1973), entre   os anos 1930 e 1950. Objetiva problematizar, na constru&ccedil;&atilde;o de   sua ideia de 'fome', categorias cognitivo-sociais presentes, bem como converg&ecirc;ncias   com outros ide&aacute;rios. Foram analisadas fontes prim&aacute;rias - quatro   escritos de Castro - e fontes publicadas por autores coet&acirc;neos, complementado   com levantamento historiogr&aacute;fico e exame de aspectos-chave de sua atua&ccedil;&atilde;o   como deputado e fundador de entidades contra a fome. A trajet&oacute;ria cient&iacute;fico-pol&iacute;tico-intelectual   de Castro centrou-se na concep&ccedil;&atilde;o de 'fome' como fen&ocirc;meno   biol&oacute;gico-social identit&aacute;rio do brasileiro, origem dos males   do pa&iacute;s e entrave &agrave; nacionalidade, demandante de reformas econ&ocirc;mico-sociais   modernizantes. Na sua obra, h&aacute; categorias tamb&eacute;m presentes no   conjunto do pensamento social brasileiro, como as de monocultura latifundi&aacute;ria   colonialista semifeudal, de Estado irracional e de defesa do p&uacute;blico   sobre o privado. Entre ideias convergentes com as da nutri&ccedil;&atilde;o   internacional, est&aacute; a preocupa&ccedil;&atilde;o com a alimenta&ccedil;&atilde;o   coletiva sob o aspecto biol&oacute;gico-social. A produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fico-intelectual   de Castro tornou-se poss&iacute;vel especialmente devido ao cen&aacute;rio   de constru&ccedil;&atilde;o do Estado e &eacute; marcada por rela&ccedil;&otilde;es   do cientista com institui&ccedil;&otilde;es, poder p&uacute;blico e organismos   internacionais. Seu engajamento pol&iacute;tico e social manifesta-se por meio   de suas convic&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas, dando visibilidade &agrave; fome   como objeto cient&iacute;fico-pol&iacute;tico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Palavras-chave: </b>Josu&eacute;  de Castro. Pensamento social brasileiro.   Fome. Sa&uacute;de e sociedade. Nutri&ccedil;&atilde;o. Hist&oacute;ria da   nutri&ccedil;&atilde;o.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">The paper analyses central points of the social     thought and political action of physician Josu&eacute; de Castro (1908-1973)     between 1930 and 1950 decades. It aims to problematize social-cognitive categories     present in the construction of his idea of 'hunger', as well as convergences     with other thought sets. Analysis of four Castro's publications has been     conducted, as well as an analysis of materials published by peer authors,     which were supplemented by historiographical reviewing, and examination of     key-elements of his career as a deputy and founder of hunger-fighting institutions.     Castro's scientific-political-intellectual career has been centered in the     idea of 'hunger' as a bio-social phenomenon that identifies the Brazilian     condition, is the source of the Brazilian defects, hampers the nationality,     and requires modernizing economic-social reforms. Categories detectable in     the field of the Brazilian social thought are also present: semi-feudal colonialist     latifundiary monoculture, irrational State, and supremacy of the public over     the private. Among the ideas in common with international nutrition science,     the bio-social concern with public feeding is present. Castro's scientific-intellectual     production becomes possible particularly because of the Sate-construction     scenery, and is characterized by his relationships with institutions, governing     authorities and international organisms. His political and social commitment     materializes itself through his scientific ideas, making hunger visible as   a scientific-political issue.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Keywords: </b>Josu&eacute; de Castro. Brazilian   social thought. Hunger. Health and society. Nutrition. History of nutrition.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Josu&eacute; de Castro (1908-1973), m&eacute;dico pernambucano, se constitui   em um personagem que, ao longo de sua trajet&oacute;ria como cientista, intelectual   e parlamentar, tomou por ponto de partida o saber de sua &aacute;rea de conhecimento   espec&iacute;fica para atuar, junto a grande parte da intelectualidade brasileira   das d&eacute;cadas de 1930 a 1950, na formula&ccedil;&atilde;o de propostas   em torno de um projeto novo de Brasil. Sua obra alcan&ccedil;ou repercuss&atilde;o   tanto no cen&aacute;rio nacional quanto no internacional, contribuindo, ainda,   para a institucionaliza&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e pol&iacute;tica   da nutri&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s. No presente trabalho, optou-se por   associar a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e pensamento social e cient&iacute;fico   na obra de Josu&eacute; de Castro porque o pr&oacute;prio cientista privilegia   essa conjuga&ccedil;&atilde;o ao eleger o problema da fome como um problema   de ci&ecirc;ncia e de pol&iacute;tica. Sua mobiliza&ccedil;&atilde;o intelectual   em torno da fome como a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica est&aacute; caracterizada   na produ&ccedil;&atilde;o escrita e nas a&ccedil;&otilde;es de sua trajet&oacute;ria   como deputado federal e membro de entidades de combate &agrave; fome no mundo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Nascido em Recife, em 1908, Josu&eacute; Apol&ocirc;nio de Castro formou-se   m&eacute;dico em 1929, pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (Nascimento,   2009). Realizou est&aacute;gios na It&aacute;lia, na Argentina e nos Estados   Unidos. Foi fundador e primeiro diretor de todos os  &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos   brasileiros voltados para a quest&atilde;o alimentar: Servi&ccedil;o de Alimenta&ccedil;&atilde;o   da Previd&ecirc;ncia Social (SAPS, criado em 1940), Servi&ccedil;o T&eacute;cnico   de Alimenta&ccedil;&atilde;o Nacional (1942), Instituto de Tecnologia Alimentar   (1944) e Comiss&atilde;o Nacional de Alimenta&ccedil;&atilde;o (1945). Professor   nas &aacute;reas de medicina, geografia humana, antropologia e nutri&ccedil;&atilde;o,   lecionou na Faculdade de Medicina e na Faculdade de Filosofia e Ci&ecirc;ncias   Sociais do Recife, na Universidade do Distrito Federal e na Faculdade de Filosofia   da Universidade do Brasil. Em 1946, criou e dirigiu o Instituto de Nutri&ccedil;&atilde;o   da Universidade do Brasil (INUB), entidade de ensino e pesquisa respons&aacute;vel   pelos &quot;Arquivos Brasileiros de Nutri&ccedil;&atilde;o&quot;, primeiro   peri&oacute;dico cient&iacute;fico nacional da &aacute;rea. No per&iacute;odo   Vargas, foi vice-presidente da Comiss&atilde;o Nacional de Pol&iacute;tica   Agr&aacute;ria. Entre 1954 e 1962, foi deputado federal por Pernambuco, pelo   Partido Trabalhista Brasileiro. Membro, a partir de 1947, da Organiza&ccedil;&atilde;o   das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Agricultura e a Alimenta&ccedil;&atilde;o   (FAO), exerceu, entre 1952 e 1956, a presid&ecirc;ncia do Conselho Executivo   daquele &oacute;rg&atilde;o. Foi embaixador do Brasil na Organiza&ccedil;&atilde;o   das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, em Genebra, de 1962 a 1964. Publicou diversas   obras, contribuiu para jornais cient&iacute;ficos e de divulga&ccedil;&atilde;o   cient&iacute;fica, manteve intensa interlocu&ccedil;&atilde;o com cientistas,   intelectuais e pol&iacute;ticos de diversas partes do mundo e recebeu v&aacute;rios   pr&ecirc;mios de m&eacute;rito liter&aacute;rio, cient&iacute;fico e humanit&aacute;rio.   Cassado pelo regime militar em abril de 1964, passou a residir e lecionar em   Paris, onde faleceu em 1973 (Nascimento, 2009).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Castro exerceu, ao longo de sua trajet&oacute;ria, uma a&ccedil;&atilde;o   pol&iacute;tica de mobiliza&ccedil;&atilde;o intelectual pautada, em seus escritos   e atua&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, pela problematiza&ccedil;&atilde;o   da fome como objeto que explicitava a imbrica&ccedil;&atilde;o ci&ecirc;ncia-pol&iacute;tica   atrav&eacute;s de sua interpreta&ccedil;&atilde;o como uma quest&atilde;o biol&oacute;gica   de causas estruturais. Por meio de uma alentada produ&ccedil;&atilde;o escrita,   de sua atua&ccedil;&atilde;o como cientista e educador, de sua trajet&oacute;ria   como fundador e dirigente de  &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos de nutri&ccedil;&atilde;o,   bem como ao longo dos mandatos parlamentares que exerceu, Castro, a partir   desse n&uacute;cleo discursivo de politiza&ccedil;&atilde;o da fome, defendeu   uma posi&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&atilde;o social pragm&aacute;tica por   parte da <i>Intelligentsia, </i>tendo em vista uma reconstru&ccedil;&atilde;o   nacional que tirasse o Brasil da condi&ccedil;&atilde;o de sub-na&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Exercendo o triplo papel de homem de ci&ecirc;ncia, intelectual e membro da   burocracia estatal, Castro tipifica, em sua trajet&oacute;ria, como as rela&ccedil;&otilde;es   entre o campo intelectual, a academia e as inst&acirc;ncias do poder configuram   a posi&ccedil;&atilde;o que ocupa o cientista na sociedade, e a din&acirc;mica   das singularidades de sua &eacute;poca; &eacute; a partir desse lugar que o   cientista produz uma obra que repercute, sendo considerada por alguns como   o ponto inaugural do discurso sobre fome no Brasil (Coutinho e Lucatelli, 2006).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>ESTUDOS SOBRE A OBRA DE JOSU&Eacute; DE CASTRO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A posi&ccedil;&atilde;o reformista-progressista de Castro &eacute; analisada   por alguns autores. Para Guerreiro Ramos (1983), ele &eacute; um reformista   pragm&aacute;tico-cr&iacute;tico, em virtude de sua identifica&ccedil;&atilde;o   com o elemento nacional e sensibilidade para com o contexto. Segundo Robert   Levine (1978), Castro pertenceria a um grupo de m&eacute;dicos e intelectuais   pernambucanos progressistas que se formara desde a d&eacute;cada de 1920 no   Recife. Levine, assim como Andr&eacute; Vieira de Campos (2006), aponta a posi&ccedil;&atilde;o   de Castro como partid&aacute;rio do sanitarismo desenvolvimentista, corrente   fortemente marcada por um ide&aacute;rio nacionalista e que considerava que   a sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o dependia do n&iacute;vel de desenvolvimento   econ&ocirc;mico, o que requereria transforma&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas   e sociais que solucionariam os problemas econ&ocirc;micos e propiciariam melhor   distribui&ccedil;&atilde;o das riquezas, como pr&eacute;-requisito &agrave; sa&uacute;de   (Campos, 2006, p. 260). Essas caracter&iacute;sticas permeiam um momento cient&iacute;fico   no qual se redefinem ideias que se voltam para a rela&ccedil;&atilde;o homem/meio,   reconfigurando objetos de an&aacute;lise e m&eacute;todos, na dire&ccedil;&atilde;o   da defini&ccedil;&atilde;o de um dom&iacute;nio de racionalidade para a nutri&ccedil;&atilde;o,   expresso na aproxima&ccedil;&atilde;o entre biologia e sociologia. Nesse sentido,   a interlocu&ccedil;&atilde;o entre nutri&ccedil;&atilde;o e reformas guardaria   um paralelismo com tend&ecirc;ncias cient&iacute;ficas e pol&iacute;ticas a   respeito, nacionais e internacionais, que a 'nova ci&ecirc;ncia da nutri&ccedil;&atilde;o'   faria inscrever, no plano interno, na hist&oacute;ria da sa&uacute;de no Brasil,   nelas inclu&iacute;das as ideias de Castro, ao recomendar a&ccedil;&otilde;es   de promo&ccedil;&atilde;o de uma alimenta&ccedil;&atilde;o racional para o   povo como condi&ccedil;&atilde;o vinculada &agrave;  constru&ccedil;&atilde;o   da identidade e do Estado nacionais e da modernidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A obra de Castro j&aacute; foi bastante estudada em trabalhos tanto de cunho   mais memorial&iacute;stico (Batista Filho, 2008) quanto cient&iacute;fico.   Dentre estes, h&aacute; estudos na &aacute;rea de geografia (Carvalho, 2007),   investiga&ccedil;&otilde;es relacionadas com a produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola   (Abramovay, 1996), pesquisas de car&aacute;ter lingu&iacute;stico (Melo Filho,   2003) e estudos hist&oacute;rico-sociol&oacute;gicos do pensamento de Castro   (Cardoso, 2008) - nos quais se incluem, por exemplo, pesquisas oferecendo uma   vis&atilde;o panor&acirc;mica das ideias de Castro, ressaltando seu car&aacute;ter   de cr&iacute;tica social (Nascimento, 2006), e investiga&ccedil;&otilde;es   apontando seu ide&aacute;rio como fundado na transforma&ccedil;&atilde;o da   sociedade pela conjuga&ccedil;&atilde;o de valores moral-humanit&aacute;rios   e diet&eacute;ticos em prol do desenvolvimento econ&ocirc;mico e social, mediante   satisfa&ccedil;&atilde;o de condi&ccedil;&otilde;es alimentares e sociais (Lima,   2009).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na obra de Castro, a fome constitui um recurso     pol&iacute;tico e intelectual   utilizado como ferramenta para compreender uma determinada realidade e intervir   sobre ela. Eronides da Silva Lima (1997), em um estudo cujo objetivo principal   consistiu na investiga&ccedil;&atilde;o da g&ecirc;nese e constitui&ccedil;&atilde;o   do campo da educa&ccedil;&atilde;o alimentar no Brasil, considera que o &quot;surgimento   da ci&ecirc;ncia da nutri&ccedil;&atilde;o&quot; no pa&iacute;s se d&aacute; no   intervalo de 1934-1939, per&iacute;odo no qual estaria se conformando e organizando   o grupo intelectual respons&aacute;vel por sua configura&ccedil;&atilde;o,   no qual Castro j&aacute; apresentava uma produ&ccedil;&atilde;o dentro do escopo   do que seriam as bases de afirma&ccedil;&atilde;o da individualidade dessa   'nova ci&ecirc;ncia'. Ela considera que as ideias desse m&eacute;dico afinavam-se   com as do pensamento do movimento m&eacute;dico-sanit&aacute;rio<sup><a href="#n1">1</a></sup><a name="s1"></a>, e destaca   como pioneira sua elei&ccedil;&atilde;o da fome/sub-alimenta&ccedil;&atilde;o   como problema social significativo e principal objeto dos estudos cient&iacute;ficos   na nutri&ccedil;&atilde;o do per&iacute;odo (Lima, 1997, p. 149). Segundo a   autora, entre os motivos que teriam estimulado a produ&ccedil;&atilde;o inicial   de conhecimento sobre alimenta&ccedil;&atilde;o no Brasil - nela inclu&iacute;da   a de Castro - estaria a marcante influ&ecirc;ncia do pensamento m&eacute;dico   do argentino Pedro Escudero<sup><a href="#n2">2</a><a name="s2"></a></sup>; como esse m&eacute;dico tinha uma vis&atilde;o   econ&ocirc;mico-social da fome, esse tipo de influ&ecirc;ncia teria sido comunicada   para a incipiente nutri&ccedil;&atilde;o brasileira. Embora a fisiologia tivesse   consistido no ponto de partida para a configura&ccedil;&atilde;o da 'ci&ecirc;ncia   da nutri&ccedil;&atilde;o', segundo a autora, nessa fase da produ&ccedil;&atilde;o   cient&iacute;fica as condi&ccedil;&otilde;es sociais teriam tido grande peso   no conhecimento produzido (Lima, 1997, p. 155). No per&iacute;odo de 1940 a   1946, segundo Lima, a produ&ccedil;&atilde;o dos autores brasileiros dedicados &agrave; nutri&ccedil;&atilde;o   teria ganhado maior sistematiza&ccedil;&atilde;o, e Castro manteria as linhas   argumentativas anteriormente eleitas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para Rosana Magalh&atilde;es (1997), que se debru&ccedil;ou sobre o percurso   das ideias de fome na obra de Josu&eacute; de Castro, foi relevante o exerc&iacute;cio   do pensamento social por esse m&eacute;dico, salientando-se que, desde a d&eacute;cada   de 1930, seus trabalhos enfatizavam o tema da identidade nacional, ao mesmo   tempo, defendendo a tese de que o mal do Brasil era o problema alimentar, e   n&atilde;o as quest&otilde;es afeitas ao clima ou &agrave; ra&ccedil;a. Os   efeitos delet&eacute;rios que Castro atribu&iacute;a ao sistema de latif&uacute;ndio   monocultor, segundo a autora, igualmente achavam-se presentes desde ent&atilde;o.   Nas d&eacute;cadas de 1940-1950, a proximidade das inclina&ccedil;&otilde;es   intelectuais de Castro com o sanitarismo desenvolvimentista seria mais evidente.   O aspecto ao qual a autora atribui maior destaque na trajet&oacute;ria das   ideias de Castro, produzidas antes e ao longo de sua atua&ccedil;&atilde;o &agrave; frente   das primeiras inst&acirc;ncias oficiais de nutri&ccedil;&atilde;o criadas no   pa&iacute;s, reside no enfoque biol&oacute;gico-social, multidisciplinar, usado   por ele no processo de constru&ccedil;&atilde;o da ideia de fome. No entanto,   diferentemente de Lima (1997), ela liga essa tend&ecirc;ncia n&atilde;o ao   di&aacute;logo com a obra de Pedro Escudero, mas &agrave; forma&ccedil;&atilde;o   de Castro (m&eacute;dico, ge&oacute;grafo, soci&oacute;logo), a qual teria   propiciado um entrecruzar de saberes e a supera&ccedil;&atilde;o de uma vis&atilde;o   mecanicista.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Francisco de Assis Guedes de Vasconcelos (2001a),     ao estudar a forma&ccedil;&atilde;o   do campo da nutri&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de p&uacute;blica em Pernambuco,   aponta o papel que os m&eacute;dicos nutr&oacute;logos, entre eles Castro,   tiveram nos estudos e debates sobre a fome, na formula&ccedil;&atilde;o das   primeiras interven&ccedil;&otilde;es governamentais no setor alimentar e na   cria&ccedil;&atilde;o dos primeiros cursos de nutri&ccedil;&atilde;o; al&eacute;m   desse   protagonismo institucional, salienta a import&acirc;ncia da pr&aacute;tica   do pensamento social sobre alimenta&ccedil;&atilde;o como quest&atilde;o coletiva   para a conforma&ccedil;&atilde;o do campo da nutri&ccedil;&atilde;o no Brasil.   Em outro trabalho, o mesmo autor defende a posi&ccedil;&atilde;o de que, ao   finalizar sua primeira obra de peso, o inqu&eacute;rito de 1932 sobre as consequ&ecirc;ncias   da insufici&ecirc;ncia energ&eacute;tica da dieta da classe oper&aacute;ria   do Recife, Castro afirma a  &quot;tese do mal de fome e n&atilde;o de ra&ccedil;a&quot; como   uma forma de interlocu&ccedil;&atilde;o com os cientistas de outros campos   disciplinares que se deslocavam do biol&oacute;gico, alguns indo para o cultural,   em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s teses de 'meio' e de 'ra&ccedil;a', sobre   o povo brasileiro (Vasconcelos, 2001b).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">L&uacute;cia Lippi Oliveira (2007) ressalta o empenho de intelectuais brasileiros,   na d&eacute;cada de 1950, na constru&ccedil;&atilde;o de propostas para o Brasil,   que buscavam uma dissocia&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao passado,   e um futuro de supera&ccedil;&atilde;o de estruturas econ&ocirc;micas coloniais   e dependentes, as quais dificultavam o desenvolvimento do pa&iacute;s - entre   elas, o latif&uacute;ndio e o abandono do interior. Nesse escopo, confere papel   de destaque ao livro de Josu&eacute; de Castro, &quot;Geografia da Fome&quot; (1946),   como marco dessa tem&aacute;tica, ao denunciar nas esferas nacional e internacional   o delicado e perigoso fen&ocirc;meno da fome e os males dele decorrentes, e   salienta tamb&eacute;m a import&acirc;ncia de &quot;Geopol&iacute;tica da Fome&quot;,   de 1951. Ao sublinhar a ideia de fome em Castro como uma express&atilde;o biol&oacute;gica   de males sociol&oacute;gicos ligados a distor&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas   - a estrutura agr&aacute;ria feudal, o regime de posse da terra, as in&iacute;quas   rela&ccedil;&otilde;es de trabalho -, que teriam conduzido a um mal aproveitamento   das potencialidades de riqueza de uso do solo, salienta que a  &ecirc;nfase   em tais distor&ccedil;&otilde;es contribui para a conforma&ccedil;&atilde;o   de uma teoria explicativa da pobreza, da mis&eacute;ria e do subdesenvolvimento,   que redundaria na defesa da reforma agr&aacute;ria. As considera&ccedil;&otilde;es   da autora no sentido de caracterizar os fundamentos b&aacute;sicos do pensamento   social de Castro permitem melhor compreens&atilde;o sobre como as ideias do   m&eacute;dico v&atilde;o incorporando uma profunda reflex&atilde;o sobre o   Brasil, sobre as causas do problema alimentar brasileiro, sobre seu futuro   e sobre suas possibilidades de desenvolvimento, assim configurando um projeto   para a na&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Como se v&ecirc;, decorridos mais de 30 anos do falecimento do cientista,   o perfil e as ideias de Castro sob o eixo pol&iacute;tico-social v&ecirc;m   se mantendo como objeto de interesse, sendo ressaltada a relev&acirc;ncia de   sua contribui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o apenas para a &aacute;rea de conhecimento   espec&iacute;fico que integrava, mas para o acervo intelectual dos que se debru&ccedil;aram   sobre a tarefa de analisar o Brasil e propor caminhos para sua melhoria. A   t&ocirc;nica principal desses estudos tem residido no car&aacute;ter reformista   das ideias e da atua&ccedil;&atilde;o de Castro, as quais, em sintonia com   correntes de pensamento que se sucedem no cen&aacute;rio cient&iacute;fico-pol&iacute;tico,   v&atilde;o tecendo intercess&otilde;es com as repercuss&otilde;es do movimento   sanitarista brasileiro, com uma racionalidade nacionalista e com o desenvolvimentismo,   pregando a transforma&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mico-social a partir de uma   interpreta&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gico-social que fundamenta e d&aacute; visibilidade &agrave; politiza&ccedil;&atilde;o   da fome como meio de supera&ccedil;&atilde;o de perman&ecirc;ncias colonialistas   e desigualdades que vitimizam o brasileiro. Ao trazerem ao debate tais ideias,   esses estudos ensejam a oportunidade de se aprofundar determinadas facetas   do pensamento de Castro - seja seu conte&uacute;do em termos de representa&ccedil;&otilde;es   dadas &agrave; fome como um processo que se explica em causas, consequ&ecirc;ncias   e solu&ccedil;&otilde;es para o &acirc;mbito nacional -, seja sua conex&atilde;o   com as pr&aacute;ticas de Castro enquanto homem p&uacute;blico, sejam os pontos   de contato desse ide&aacute;rio com outros.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>PENSAMENTO SOCIAL DE CASTRO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A obra do m&eacute;dico pernambucano principia em 1932 com a publica&ccedil;&atilde;o   de &quot;O Problema da Alimenta&ccedil;&atilde;o no Brasil: seu Estudo Fisiol&oacute;gico&quot;,   derivado da tese de livre-doc&ecirc;ncia em fisiologia que apresentara &agrave; Faculdade   de Medicina do Recife. Livro no qual afirma que &quot;o problema da alimenta&ccedil;&atilde;o &eacute;,   sob qualquer aspecto, um problema de fisiologia aplicada&quot;, sendo &quot;o   conhecimento de seu   mecanismo fisiol&oacute;gico (...) a base indispens&aacute;vel ao m&eacute;dico,   ao higienista e ao soci&oacute;logo, para que procedam com seguran&ccedil;a   e crit&eacute;rio cient&iacute;fico ao aconselhar, prescrever ou criticar as   v&aacute;rias formas de alimenta&ccedil;&atilde;o humana&quot; (Castro, 1939,   p. 145), caracteriza-se por uma &ecirc;nfase fisiol&oacute;gica que ser&aacute; sucedida   por um debate sociol&oacute;gico muito mais acentuado nas obras seguintes.   Quanto &agrave; inclina&ccedil;&atilde;o human&iacute;stica e para o ensa&iacute;smo,   estava, de certa forma, sinalizada desde seu interesse de rec&eacute;m-formado   pela psiquiatria, considerada por ele uma via pela qual poderia reunir medicina   e literatura, interesse logo desviado em virtude da aquisi&ccedil;&atilde;o   de um aparelho de mensura&ccedil;&atilde;o calorim&eacute;trica que permitia   o estudo do metabolismo basal e que, assim, aproxim&aacute;-lo-ia da nutri&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#n3">3</a><a name="s3"></a></sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Tendo em vista a extensa produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fico-intelectual   de Castro e sua trajet&oacute;ria de homem p&uacute;blico, para fins da presente   an&aacute;lise, fez-se necess&aacute;rio estabelecer um recorte que evidenciasse,   de forma representativa, ideias-chave e caracter&iacute;sticas principais dessa   atua&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. Assim, em termos de publica&ccedil;&otilde;es,   s&atilde;o abordadas ideias de duas obras da d&eacute;cada de 1930 -  &quot;Condi&ccedil;&otilde;es   de Vida das Classes Oper&aacute;rias do Recife&quot; e 'Alimenta&ccedil;&atilde;o   e Ra&ccedil;a&quot;, ambas de 1935 - e uma publica&ccedil;&atilde;o da d&eacute;cada   de 1940 - o texto  &quot;O problema da alimenta&ccedil;&atilde;o no Brasil   de ap&oacute;s-guerra&quot;, de 1945 -, que caracterizam sua definitiva incurs&atilde;o   no pensamento social e pol&iacute;tico, at&eacute; a publica&ccedil;&atilde;o,   em 1946, do cl&aacute;ssico &quot;Geografia da Fome&quot;, tamb&eacute;m inclu&iacute;do   na an&aacute;lise. Se livros escritos pelo autor na d&eacute;cada de 1930 exibem   marcos conceituais e te&oacute;ricos que estariam presentes em toda a sua obra   de pensamento social e pol&iacute;tico, &eacute; preciso ressaltar que diversos   dos escritos de Castro n&atilde;o enfocados aqui, em linhas gerais, apresentam   as mesmas principais ideias-for&ccedil;a ora evidenciadas<sup><a href="#n4">4</a><a name="s4"></a></sup>. Al&eacute;m dessa   caracteriza&ccedil;&atilde;o de ideias, alguns aspectos significativos de sua   atua&ccedil;&atilde;o parlamentar e de suas a&ccedil;&otilde;es em iniciativas   pr&oacute;prias de combate &agrave; fome s&atilde;o sublinhadas, tendo em vista   a caracteriza&ccedil;&atilde;o da ponte estabelecida entre seu ide&aacute;rio   e suas a&ccedil;&otilde;es em torno do tema da fome como via de compreens&atilde;o e de proposi&ccedil;&otilde;es de interven&ccedil;&atilde;o no Brasil.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em &quot;As condi&ccedil;&otilde;es de vida das classes oper&aacute;rias no   Recife&quot; (Castro, 1935a), publica&ccedil;&atilde;o que traz os resultados   de inqu&eacute;rito que realizou junto a 500 fam&iacute;lias de trabalhadores,   em 1932, est&atilde;o presentes, em grau diverso, distintas ideias-for&ccedil;a   que mais tarde seriam tomadas para tipificar o pensamento do autor. Nesse livro,   Castro realiza um esfor&ccedil;o interpretativo do Brasil para al&eacute;m   das fronteiras do tema da alimenta&ccedil;&atilde;o, estendendo-se a an&aacute;lises   sociol&oacute;gicas n&atilde;o adstritas &agrave; quest&atilde;o alimentar,   as quais procuram consubstanciar um diagn&oacute;stico da sociedade e do Estado   (p. 10), inclusive estabelecendo alguns pontos de di&aacute;logo com a tradi&ccedil;&atilde;o   do pensamento social e pol&iacute;tico brasileiro. O m&eacute;dico pernambucano   expressa o entendimento de que bases biol&oacute;gicas podem servir como racionalidade   de c&aacute;lculo acerca das potencialidades nacionais - particularmente, caracteres   biol&oacute;gicos gerais e  &iacute;ndices antropom&eacute;tricos e biom&eacute;tricos   -, os quais resultariam do estado de nutri&ccedil;&atilde;o do organismo. A   partir desses dados, poder-se-iam estimar fatores como as possibilidades econ&ocirc;micas   e de evolu&ccedil;&atilde;o social do pa&iacute;s (p. 9). Nesse escopo, entende   que a alimenta&ccedil;&atilde;o insuficiente do brasileiro &eacute; determinada   por causas sociais e econ&ocirc;micas (p. 21), e que a fome no pa&iacute;s &eacute; uma   perman&ecirc;ncia hist&oacute;rica ligada a fatores que exibem uma continuidade   temporal (p. 8). Com uma vis&atilde;o apocal&iacute;ptica do problema, considera   que a persist&ecirc;ncia da m&aacute; alimenta&ccedil;&atilde;o do brasileiro   pode se precipitar na aniquila&ccedil;&atilde;o do povo ou do pa&iacute;s (p.   9). Para ele, a fome &eacute; um fen&ocirc;meno coletivo, o que redundaria   nas seguintes implica&ccedil;&otilde;es: as causas da fome n&atilde;o s&atilde;o   de ordem pontual, mas geral e de ra&iacute;zes estruturais, sendo a pobreza   a principal; por ser a fome coletiva, as consequ&ecirc;ncias que acarreta tamb&eacute;m   o s&atilde;o -por exemplo, a baixa produtividade do faminto ocasiona baixa   produtividade do pa&iacute;s; a esfera de enfrentamento da quest&atilde;o n&atilde;o   deve situar-se no n&iacute;vel individual, mas em preven&ccedil;&atilde;o e   solu&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas que abranjam a coletividade (p. 8).   Nesse sentido, as fragilidades do pa&iacute;s e a baixa vitalidade do povo   seriam explicadas n&atilde;o mais por defeitos raciais e determinismos clim&aacute;ticos,   mas pela m&aacute; alimenta&ccedil;&atilde;o (p. 7). Garantir alimenta&ccedil;&atilde;o   condigna a todos os brasileiros seria uma premissa n&atilde;o apenas biol&oacute;gica,   como moral (p. 9). Nessa linha, al&eacute;m de valorizar o homem, Castro valoriza   os alimentos regionais particularmente nutritivos, especialmente para o combate   a car&ecirc;ncias nutricionais, tanto da regi&atilde;o quanto do pa&iacute;s   (p. 8). A situa&ccedil;&atilde;o de fome na qual o Brasil sempre esteve mergulhado   teria forte conex&atilde;o com uma contumaz omiss&atilde;o ou inc&uacute;ria   do Estado no trato da quest&atilde;o, fosse pela ina&ccedil;&atilde;o no estabelecimento   de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, fosse pela condu&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&otilde;es   apenas parciais ou emergenciais, ou pela prote&ccedil;&atilde;o a interesses   privados que prejudicariam o interesse da alimenta&ccedil;&atilde;o da coletividade   (p. 21), elementos que conduziriam Castro a preconizar mudan&ccedil;as e pragmatismo   nas a&ccedil;&otilde;es de Estado, visando a acelerar e otimizar a solu&ccedil;&atilde;o   do problema (p. 5).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O outro livro do autor, do mesmo ano de 1935, &quot;Alimenta&ccedil;&atilde;o   e Ra&ccedil;a&quot;, al&eacute;m de reproduzir n&atilde;o apenas os resultados   do aludido inqu&eacute;rito entre fam&iacute;lias oper&aacute;rias da cidade   do Recife, como diversas das conclus&otilde;es derivadas do estudo, aprofunda   aspectos da quest&atilde;o da fome como condi&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gico-social.   Est&aacute; presente a explica&ccedil;&atilde;o dos problemas de sa&uacute;de   do pa&iacute;s pela fome (Castro, 1935b, p. 90), como tamb&eacute;m a afirma&ccedil;&atilde;o   das causas sociais e econ&ocirc;micas da m&aacute; alimenta&ccedil;&atilde;o,   localizadas, por exemplo, nos sal&aacute;rios miser&aacute;veis dos trabalhadores,   insuficientes para o consumo alimentar adequado de suas fam&iacute;lias (p.   18). Outra ideia exibida &eacute; a de irracionalidade e falta de impessoalidade   do Estado (p. 23). Um aspecto estrutural abordado, e que se conformaria como   uma ideia constante no discurso do autor, &eacute; o do latif&uacute;ndio monocultor   semifeudal de origem colonial, que, historicamente, dificultaria a produ&ccedil;&atilde;o   e disponibilidade de alimentos a amplas camadas da popula&ccedil;&atilde;o.   Assim, ele explica, por exemplo, a ingest&atilde;o de terra observada na  &eacute;poca   da escravatura: &quot;E, no entanto, esses pobres moleques caluniados, e os   an&ecirc;micos senhorzinhos brancos, quando comiam seus bol&atilde;ozinhos   de barro, estavam apenas a corrigir instintivamente a alimenta&ccedil;&atilde;o   incompleta que a monocultura da cana-de-a&ccedil;&uacute;car impunha &agrave;s   popula&ccedil;&otilde;es dos engenhos&quot; (p. 43). Tamb&eacute;m est&aacute;  presente   a no&ccedil;&atilde;o de que a fome &eacute; o problema n&uacute;mero um, o   mais terr&iacute;vel dos males a flagelar a popula&ccedil;&atilde;o brasileira   (p. 104). O brasileiro &eacute; interpretado como abandonado pelo Estado e   pelos estamentos economicamente superiores. Mencionando as classes oper&aacute;rias   que estudara em 1932, Castro utiliza-se da imagem de que comer t&atilde;o pouco   era o mesmo que morrer de fome (p. 102), e acrescenta que esta seria uma forma   de assassinato &quot;legal&quot; do prolet&aacute;rio (p. 91). Nessa mesma   linha, est&aacute; ainda presente a vis&atilde;o de aniquila&ccedil;&atilde;o   do povo, de que a subalimenta&ccedil;&atilde;o permanente da popula&ccedil;&atilde;o   a estaria destruindo (p. 104). A ideia de aniquila&ccedil;&atilde;o conecta&shy;se &agrave; de   entrave &agrave; forma&ccedil;&atilde;o da nacionalidade, interpreta&ccedil;&atilde;o   aprofundada pelo autor anos ap&oacute;s, na linha da aus&ecirc;ncia de povo,   em sentido pol&iacute;tico, na forma&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica brasileira   e na participa&ccedil;&atilde;o nos destinos da na&ccedil;&atilde;o (Castro,   1965, p. 46).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em 1945, em confer&ecirc;ncia que profere junto ao  &quot;Congresso Brasileiro   dos Problemas M&eacute;dico-Sociais de Ap&oacute;s-Guerra&quot;, intitulada &quot;O   problema da alimenta&ccedil;&atilde;o no Brasil de ap&oacute;s-guerra&quot;,   seu discurso continua claramente conectado a ideias de diagn&oacute;stico e   constru&ccedil;&atilde;o nacional e de prescri&ccedil;&otilde;es ao Estado.   Em sua fala, Castro procura explicitar a premissa de miss&atilde;o intelectual.   Define a &eacute;poca em quest&atilde;o como um momento de desafogo, no qual   a intelectualidade, ap&oacute;s longo per&iacute;odo, estaria livre de amarras   que antes oprimiam sua a&ccedil;&atilde;o social. Estaria nas m&atilde;os das   elites intelectuais a tarefa de interpretar o pa&iacute;s em termos de sua   forma&ccedil;&atilde;o, evolu&ccedil;&atilde;o, potencialidades e defeitos,   nos diferentes setores da vida nacional. Os m&eacute;dicos ali presentes, entendidos   como membros dessa intelectualidade, deveriam contribuir para a reconstru&ccedil;&atilde;o   nacional, que Castro vislumbrava, em fun&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia   de homens de ci&ecirc;ncia e de a&ccedil;&atilde;o social (Castro, 1945, p.   776).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">H&aacute;, ainda, alguns trechos de reda&ccedil;&atilde;o id&ecirc;nticos   aos das conclus&otilde;es de &quot;Geografia da Fome&quot;, livro por ser   lan&ccedil;ado, e Castro apresenta um resumo descritivo do mapa da fome que   constaria no livro. O pernambucano sublinha a import&acirc;ncia de se melhorar   a alimenta&ccedil;&atilde;o coletiva, para se melhorar a nacionalidade e o   pa&iacute;s (p. 807). Em anos posteriores, essa ideia estaria associada, em   sua obra, &agrave; do desenvolvimentismo, sob o signo de ciclo vicioso entre   subnutri&ccedil;&atilde;o e subdesenvolvimento (Castro, 1958). A melhoria das   condi&ccedil;&otilde;es alimentares - e, portanto, do pa&iacute;s - s&oacute; poderia   ocorrer satisfatoriamente, contudo, sob bases racionais, guiadas pela ci&ecirc;ncia   (Castro, 1945, p. 801-802). Quanto a isso, Castro situa a ideia de uma tens&atilde;o   ci&ecirc;ncia-pol&iacute;tica na resolu&ccedil;&atilde;o dos problemas do pa&iacute;s,   segundo a qual a aplica&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia em prol do interesse   coletivo sofreria antagonismo por parte de interesses econ&ocirc;micos de minorias   dominantes (p. 781). A partir desse pressuposto, explica como condi&ccedil;&otilde;es   conjunturais determinadas - no caso, a necessidade de correta alimenta&ccedil;&atilde;o   de tropas e de civis durante a guerra - haviam oferecido um meio no qual se   tornou poss&iacute;vel um espa&ccedil;o para manobras de institucionaliza&ccedil;&atilde;o   cient&iacute;fica para a nutri&ccedil;&atilde;o (p. 783). De fato, &eacute; a   partir do encontro daquelas condi&ccedil;&otilde;es com a moderniza&ccedil;&atilde;o   do Estado brasileiro que a cria&ccedil;&atilde;o de distintos &oacute;rg&atilde;os   brasileiros de nutri&ccedil;&atilde;o tem lugar, todos eles inicialmente dirigidos   por Castro.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">No interior do discurso de Castro est&aacute; a defesa do ensino e da pesquisa   como elementos de institucionaliza&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. O INUB,   que pretendia ver criado, s&oacute; seria fundado no ano seguinte. Assim, Castro   pleiteia que, como requisito para que sejam implementadas pol&iacute;ticas,   s&atilde;o necess&aacute;rios recursos para pesquisa pr&eacute;via (p. 803);   e defende a cria&ccedil;&atilde;o, nas faculdades de medicina, qu&iacute;mica   e engenharia, de cadeiras de nutri&ccedil;&atilde;o, de tecnologia alimentar   e de ind&uacute;strias de alimenta&ccedil;&atilde;o (p. 808). Ainda em sua   fala naquele congresso, ele assinala alguns problemas enfrentados em sua trajet&oacute;ria   de respons&aacute;vel por &oacute;rg&atilde;os de nutri&ccedil;&atilde;o ligados   ao governo, iniciada em 1940. Referindo-se ao Servi&ccedil;o T&eacute;cnico   da Alimenta&ccedil;&atilde;o Nacional, criado em 1942, menciona que diversos   obst&aacute;culos prejudicaram o cumprimento dos objetivos do  &oacute;rg&atilde;o   em termos de mobiliza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica no setor de alimenta&ccedil;&atilde;o,   destacando a falta de integra&ccedil;&atilde;o entre outros &oacute;rg&atilde;os   administrativos; pretendia-se, durante a guerra, segundo ele, a redu&ccedil;&atilde;o   da exporta&ccedil;&atilde;o de certos alimentos, o que n&atilde;o se logrou,   e Castro avalia que faltou ao servi&ccedil;o que dirigia uma autoridade administrativa   muito maior. Acrescenta que havia problemas de alta prem&ecirc;ncia a serem   solucionados, dificultando a efetiva&ccedil;&atilde;o de programas de mais   largo alcance - justamente aqueles em que ele acreditava restar a solu&ccedil;&atilde;o   definitiva. Para o m&eacute;dico pernambucano, n&atilde;o havia clima prop&iacute;cio &agrave; implanta&ccedil;&atilde;o   das medidas mais radicais que solucionariam definitivamente o problema alimentar   (p. 800-801). Na mesma linha, lamenta o rumo tomado por outra institui&ccedil;&atilde;o   por ele idealizada e inicialmente dirigida, o SAPS, agora afastado da &ecirc;nfase   que para ele almejara em termos de ensino/pesquisa e educa&ccedil;&atilde;o   popular, passando a ser, segundo ele, objeto de explora&ccedil;&atilde;o demag&oacute;gica   por parte de pol&iacute;ticos (p. 799).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nas solu&ccedil;&otilde;es que idealizava, Castro entendia caber um papel   ao setor produtivo e &agrave;  ind&uacute;stria ligada &agrave; produ&ccedil;&atilde;o   de alimentos; imaginava incorpor&aacute;-los, pela coopera&ccedil;&atilde;o   - ou, se preciso, pela coer&ccedil;&atilde;o, em determinados aspectos que   entendia de interesse p&uacute;blico - aos planos de corre&ccedil;&atilde;o   da alimenta&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, associando-os aos interesses ligados &agrave; sa&uacute;de   p&uacute;blica (p. 806). A produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola deveria ser   planejada visando, antes de tudo, &agrave;s necessidades alimentares da popula&ccedil;&atilde;o,   e acima dos interesses particulares dos produtores (p. 808).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&quot;Geografia da Fome&quot;, publicado em 1946, lan&ccedil;a a ideia de   que todo o Brasil est&aacute; sob condi&ccedil;&atilde;o de fome, seja ela   aberta (os casos de magreza, de n&iacute;tida desnutri&ccedil;&atilde;o) ou &quot;frustra&quot; (defici&ecirc;ncias   cal&oacute;ricas, vitam&iacute;nicas e minerais, por vezes indetect&aacute;veis   ao exame visual). Variavam, portanto, grau e tipo de fome, mas a incid&ecirc;ncia   seria nacional. &Eacute; reafirmada a identidade de Brasil como pa&iacute;s   faminto, tendo por consequ&ecirc;ncia preju&iacute;zos &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o   social e &agrave; qualidade do povo (Castro, 1946, p. 244). Essa inferioriza&ccedil;&atilde;o   da popula&ccedil;&atilde;o seria culpa exclusiva da estrutura econ&ocirc;mico-social   (p. 254). Na interpreta&ccedil;&atilde;o de Castro, a rea&ccedil;&atilde;o   do povo &agrave; fome poderia se tipificar por dois tipos de comportamento:   um deles, a apatia; o outro, a  &quot;explos&atilde;o desordenada de rebeldias   improdutivas, verdadeiras crises de nervos de popula&ccedil;&otilde;es neurast&ecirc;nicas   e avitaminadas&quot; (p. 250). O autor procura, ainda, salientar a fome como   elemento de entrave &agrave; constru&ccedil;&atilde;o nacional, por dificultar   a integra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica (p. 249), e faz coro com a corrente   que interpreta o brasileiro como solit&aacute;rio e desamparado na imensid&atilde;o   do territ&oacute;rio (p. 254).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Sublinhando uma vez mais a ideia de fome como     express&atilde;o social (p.   245), chama &agrave;  responsabilidade n&atilde;o apenas as classes dirigentes   e produtivas, mas tamb&eacute;m os intelectuais, para que voltem suas aten&ccedil;&otilde;es   para a quest&atilde;o (p. 251). Conjugando a interpreta&ccedil;&atilde;o do   meio f&iacute;sico com as condi&ccedil;&otilde;es hist&oacute;rico-sociais,   elabora uma an&aacute;lise sociol&oacute;gica da fome no Brasil:</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="Verdana">A fome no Brasil &eacute; consequ&ecirc;ncia, antes de tudo,   de seu passado hist&oacute;rico, com os seus grupos humanos sempre em luta   e quase nunca em harmonia com os quadros naturais. Luta, em certos casos, provocada   e por culpa, portanto, da agressividade do meio, que iniciou abertamente as   hostilidades, mas quase sempre por inabilidade do elemento colonizador, indiferente   a tudo que n&atilde;o significasse vantagem direta e imediata para os seus   planos de aventura mercantil. Aventura desdobrada em ciclos sucessivos de economia   destrutiva ou, pelo menos, desequilibrante da sa&uacute;de econ&ocirc;mica   da na&ccedil;&atilde;o: o do pau-brasil, o da cana-de-a&ccedil;&uacute;car,   o da ca&ccedil;a ao &iacute;ndio, o da minera&ccedil;&atilde;o, o da &quot;lavoura   n&ocirc;made&quot;, do caf&eacute;, o da extra&ccedil;&atilde;o da borracha   e, finalmente, o da industrializa&ccedil;&atilde;o artificial baseada no ficcionismo   das barreiras alfandeg&aacute;rias e no regime de infla&ccedil;&atilde;o. &Eacute; sempre   o mesmo esp&iacute;rito aventureiro se iniciando, impulsionando mas, logo a   seguir, corrompendo os processos de cria&ccedil;&atilde;o de riqueza no pa&iacute;s. &Eacute; o &quot;fique   rico&quot; t&atilde;o agudamente estigmatizado por S&eacute;rgio Buarque de   Holanda em Ra&iacute;zes do Brasil, a impaci&ecirc;ncia nacional do lucro turvando   a consci&ecirc;ncia dos empreendedores e levando-os a matar sempre todas as   suas  &quot;galinhas de ovos de ouro&quot;. Todas as possibilidades de riqueza   que a terra trazia em seu bojo (Castro, 1946, p. 245-246).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O Estado como inepto e a sobreposi&ccedil;&atilde;o de interesses privados   aos p&uacute;blicos s&atilde;o ideias mostradas de forma conjugada. Castro   situa o desajustamento econ&ocirc;mico e social como fruto da incapacidade   do Estado para servir de poder equilibrante entre interesses privados e p&uacute;blicos,   desde a coloniza&ccedil;&atilde;o, prejudicando por esse meio a organiza&ccedil;&atilde;o   social da nacionalidade. Denuncia o mau uso da for&ccedil;a pol&iacute;tica   por parte desse Estado, seja em sua fraqueza diante dos senhores de terras,   que n&atilde;o se curvam a regulamentos oficiais, seja, por outro lado, em   excessos do poder central na retirada abusiva de receitas e direitos das unidades   regionais, sem contrapartida (p. 246-247).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Critica a Rep&uacute;blica pela m&aacute; condu&ccedil;&atilde;o do processo   de urbaniza&ccedil;&atilde;o, que teria acentuado o problema de produ&ccedil;&atilde;o   de alimentos por meio da migra&ccedil;&atilde;o populacional e do desequil&iacute;brio   entre apoio &agrave; ind&uacute;stria e &agrave;  agricultura. Acrescenta que,   ap&oacute;s quatro s&eacute;culos de aposto de Brasil como pa&iacute;s agr&iacute;cola,   somente 2% das terras estariam cultivadas de forma &uacute;til, e apenas a   ter&ccedil;a parte destas para produ&ccedil;&atilde;o de alimentos (p. 247).   Avalia nos seguintes termos o pa&iacute;s: &quot;o Brasil, como pa&iacute;s   de tipo semi-colonial, &agrave; base de processos agr&iacute;colas arcaicos   e de manifesta tend&ecirc;ncia &agrave; monocultura latifundi&aacute;ria, apresenta   um coeficiente de produ&ccedil;&atilde;o alimentar muito abaixo das necessidades   biol&oacute;gicas de suas popula&ccedil;&otilde;es&quot; (p. 249). Com base   nessas ideias, Castro defenderia, ao longo de toda a sua trajet&oacute;ria   intelectual, o estabelecimento de pol&iacute;ticas alimentares e de uma reforma   agr&aacute;ria no pa&iacute;s (p. 251).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>ATUA&Ccedil;&Atilde;O PARLAMENTAR</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A partir da publica&ccedil;&atilde;o de &quot;Perfis Parlamentares - Josu&eacute; de   Castro&quot; (Melo e Neves, 2007), editada por iniciativa da C&acirc;mara dos   Deputados, a qual re&uacute;ne n&atilde;o apenas conte&uacute;do descritivo   da atua&ccedil;&atilde;o de Castro, como tamb&eacute;m transcri&ccedil;&otilde;es   de pronunciamentos do autor naquela institui&ccedil;&atilde;o, &eacute; poss&iacute;vel   destacar algumas caracter&iacute;sticas de sua a&ccedil;&atilde;o como parlamentar,   bem como elementos adicionais sobre suas ideias. Josu&eacute; da Castro via-se   como um liberal progressista, parlamentarista, n&atilde;o marxista; e considerava   a direita brasileira interessada na manuten&ccedil;&atilde;o da estrutura,   a esquerda desorganizada e o centro um amorfo que fazia concess&otilde;es aos   dois extremos (p. 60). A convite do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), ele   se candidata a deputado federal, pela primeira vez, em 1950 (Campos, 2004,   p. 251). Apesar dos quase cinco mil votos, n&atilde;o consegue se eleger (Melo   e Neves, 2007, p. 54). Em 1954, novamente se candidata, desta feita estabelecendo   comit&ecirc;s descentralizados de campanha em Recife e no interior, e assumindo   compromisso com as causas oper&aacute;rias. Com apoio un&acirc;nime dos 51   sindicatos pernambucanos de trabalhadores, divide o palanque com Francisco   Juli&atilde;o, advogado e deputado estadual, ativista pela reforma agr&aacute;ria   que lideraria as Ligas Camponesas, associa&ccedil;&atilde;o de trabalhadores   rurais nascida em 1955, em Pernambuco, que al&ccedil;aria amplitude nacional   na defesa da reforma agr&aacute;ria e da posse de terra ao pequeno propriet&aacute;rio   (Melo e Neves, 2007, p. 57). Castro elege-se com 14 mil votos; no segundo mandato   - elei&ccedil;&otilde;es de 1958 -, sob apoio de uma frente que englobava de   empres&aacute;rios a comunistas contra o Partido Social Democr&aacute;tico,   contando, ainda, com o apoio de movimentos oper&aacute;rios, Castro eleger-se-ia   o deputado federal at&eacute; ent&atilde;o mais votado do Nordeste (p. 64).   O cientista marcaria a atua&ccedil;&atilde;o em seus mandatos pela aproxima&ccedil;&atilde;o   aos interesses populares e dos sindicatos oper&aacute;rios, apoiando pol&iacute;ticos   dessa mesma linha, como Pel&oacute;pidas Silveira, que estava &agrave; frente   da prefeitura de Recife. Quando, posteriormente, Cid Sampaio, tendo por vice   Silveira, governava Pernambuco, concretizou-se, ap&oacute;s desapropria&ccedil;&atilde;o   aprovada na Assembleia Legislativa com ativa participa&ccedil;&atilde;o de   Castro, a concess&atilde;o a camponeses da posse da terra do Engenho Galileia;   em 1955, logo ap&oacute;s Castro deixar seu cargo na FAO, esse organismo internacional   patrocinaria o I Congresso de Camponeses de Pernambuco, durante o qual tr&ecirc;s   mil delegados camponeses desfilariam em passeata pelas ruas de Recife (p. 61).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Nota-se que, ao longo de sua atua&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, Castro   mant&eacute;m uma linha de coer&ecirc;ncia com sua obra escrita, inclusive   na den&uacute;ncia de interesses pessoais contr&aacute;rios aos coletivos e   nas propostas de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e de reformas. Al&eacute;m   da atua&ccedil;&atilde;o na C&acirc;mara, participa de com&iacute;cios e passeatas   e realiza confer&ecirc;ncias (p. 63). N&atilde;o obt&eacute;m a aprova&ccedil;&atilde;o   de seus projetos de reforma agr&aacute;ria ampla, de indeniza&ccedil;&atilde;o   pelo valor hist&oacute;rico e n&atilde;o venal de terras desapropriadas, e   de obrigatoriedade de terras para agricultura de subsist&ecirc;ncia, mas manifesta-se   favoravelmente ao intervencionismo estatal em casos de interesse da alimenta&ccedil;&atilde;o   nacional, vota a favor da cria&ccedil;&atilde;o da Comiss&atilde;o Parlamentar   de Inqu&eacute;rito de 1957 sobre o SAPS que ele pr&oacute;prio criara, e condena   manobras contra a posse de Jo&atilde;o Goulart; participa da Frente Parlamentar   Nacionalista e da Frente Parlamentar do Nordeste; em termos de institucionaliza&ccedil;&atilde;o   cient&iacute;fica, apresenta, em 1957, projeto de regulariza&ccedil;&atilde;o   da profiss&atilde;o de nutricionista, n&atilde;o aprovado, e apoia a cria&ccedil;&atilde;o   da Universidade de Bras&iacute;lia (p. 84-175). Em seus discursos, critica   o tipo de desenvolvimento levado a cabo no governo de Juscelino Kubitschek   - limitado ao Sul, ao setor industrial e em detrimento do agr&iacute;cola,   e que agravaria a fome; posiciona-se contra as armas at&ocirc;micas; apoia   a revolu&ccedil;&atilde;o cubana; e critica o &quot;imperialismo norte-americano&quot; e   a Alian&ccedil;a para o Progresso (p. 176).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em 1962, sua trajet&oacute;ria parlamentar &eacute;  interrompida durante   seu segundo mandato, em face da designa&ccedil;&atilde;o recebida para representar   o Brasil junto &agrave; Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es   Unidas. Anos mais tarde, avaliando o per&iacute;odo em que estivera no parlamento,   Castro externa sua decep&ccedil;&atilde;o com a falta de esp&iacute;rito p&uacute;blico   que l&aacute; testemunhara (p. 82).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>A&Ccedil;&Atilde;O INTERNACIONAL CONTRA A FOME</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O cientista viria a aplicar parte do Pr&ecirc;mio Internacional da Paz, que   recebera em 1955 do Conselho Mundial da Paz (institui&ccedil;&atilde;o internacional   dita suprapartid&aacute;ria, criada em 1949 com a miss&atilde;o de lutar pela   paz), para fundar, dois anos ap&oacute;s, a Associa&ccedil;&atilde;o Mundial   de Luta contra a Fome (ASCOFAM), objetivando incentivar, propor e/ou implementar   pesquisas e a&ccedil;&otilde;es contra a fome no mundo (Castro, 1960). A ASCOFAM   contava com uma se&ccedil;&atilde;o coordenada por Henri Antoine Grou&eacute;s   - conhecido como abade Pierre, religioso que durante a II Guerra Mundial ajudara   a transportar refugiados judeus para a Su&iacute;&ccedil;a e, em fins dos anos   1940, fundara a comunidade de Ema&uacute;s, dedicada ao problema da moradia   de desabrigados - e outra coordenada pelo padre Louis Joseph Lebret - que fundara,   em 1941, o movimento &quot;Economia e Humanidade&quot;, preconizando que a   economia deveria estar a servi&ccedil;o do homem e que o desenvolvimento social   deveria ser fomentado sob uma perspectiva human&iacute;stica, o que, inclusive,   inspiraria a enc&iacute;clica papal &quot;Populorum Progressio&quot;, de 1967   (Funda&ccedil;&atilde;o..., 2009). A se&ccedil;&atilde;o conduzida por Pierre   tinha por finalidade criar um movimento por interven&ccedil;&otilde;es de base,   sensibilizar para a causa e obter apoios. A coordenada por Lebret dedicava-se  &agrave; dissemina&ccedil;&atilde;o   de informa&ccedil;&atilde;o e &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de pessoas, sob   um ide&aacute;rio de bem-estar social e aceita&ccedil;&atilde;o de diferen&ccedil;as   culturais, aprendido por meio de forma&ccedil;&atilde;o humana em pesquisa   aplicada e em a&ccedil;&atilde;o; propunha-se ainda a orientar e selecionar   t&eacute;cnicos para pa&iacute;ses carentes de recursos humanos e a efetuar   pesquisas de m&eacute;todos de promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento em   diferentes contextos (Castro, 1960).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A ASCOFAM igualmente produzia publica&ccedil;&otilde;es e document&aacute;rios   sobre fome e organizava cursos em parceria com universidades. Contava com comit&ecirc;s   em diversos pa&iacute;ses. O Comit&ecirc;  Brasileiro, presidido pelo embaixador   Oswaldo Aranha, realizou estudos sobre a estrutura agr&aacute;ria brasileira;   organizou em Garanhuns o Semin&aacute;rio de Desnutri&ccedil;&atilde;o e Endemias   Rurais no Nordeste, em 1958; estudou processos de enriquecimento de farinha   de mandioca no Nordeste; e elaborou uma proposta de plano nacional de complementa&ccedil;&atilde;o   prot&eacute;ica para a popula&ccedil;&atilde;o pobre, compreendendo estudos   para o aproveitamento de fontes brasileiras de prote&iacute;nas vegetais e   animais, projetos para industrializa&ccedil;&atilde;o dessas fontes e fomento &agrave; produ&ccedil;&atilde;o   de ra&ccedil;&otilde;es animais balanceadas (Castro, 1960). A sess&atilde;o   nordestina tinha por membros &Aacute;jax Pereira, Ant&ocirc;nio Balbino, Walter   Santos e Jamesson Ferreira Lima; por iniciativa deste &uacute;ltimo, a entidade   mantinha um programa na &quot;TV Jornal do Com&eacute;rcio de Recife&quot; (Melo   e Neves, 2007, p. 179). A ASCOFAM tamb&eacute;m tinha planos, em n&iacute;vel   internacional, de produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola em zonas des&eacute;rticas   (Castro, 1960).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A cria&ccedil;&atilde;o dessa entidade n&atilde;o foi a &uacute;ltima iniciativa   concreta de Castro no combate &agrave; fome. Entre outras atividades, pode-se   citar que de 1964 (quando tem seus direitos pol&iacute;ticos cassados e &eacute;  destitu&iacute;do   da representa&ccedil;&atilde;o diplom&aacute;tica junto &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es   Unidas, exilando-se em Paris) ao final de sua vida (em 1973, aos 65 anos),   dirige o Centro Internacional para o Desenvolvimento (Melo e Neves,   2007, p. 241).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>CASTRO, UMA N&Atilde;O-UNANIMIDADE</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A reputa&ccedil;&atilde;o positiva das ideias de Castro e seu atribu&iacute;do   pioneirismo, comuns na literatura sobre esse cientista, podem dar a impress&atilde;o   de uma trajet&oacute;ria linear triunfante. N&atilde;o s&oacute; os esfor&ccedil;os   de institucionaliza&ccedil;&atilde;o de uma &aacute;rea de conhecimento e de   pol&iacute;ticas p&uacute;blicas representaram dificuldades importantes, como,   nos espa&ccedil;os por onde Castro transitou, angariou simpatizantes e opositores.   A rela&ccedil;&atilde;o dos primeiros &eacute; vasta e inclui, por exemplo,   diversos nomes de express&atilde;o na nutri&ccedil;&atilde;o, entre os quais   alguns que se uniram em torno de suas propostas, como os m&eacute;dicos Walter   Santos (que viria a coordenar a Campanha de Alimenta&ccedil;&atilde;o Escolar,   em 1955), Rubens de Siqueira (diretor da Faculdade de Medicina da Universidade   Federal Fluminense), Pedro Borges e Joaquim Jos&eacute; Barbosa (do INUB).   Contudo, Castro recebeu oposi&ccedil;&atilde;o tanto no meio acad&ecirc;mico   quanto no cultural e no parlamentar. Isso foi tamb&eacute;m favorecido por   sua condi&ccedil;&atilde;o na burocracia estatal, nela exercendo cargos de   dire&ccedil;&atilde;o, inclusive do &oacute;rg&atilde;o m&aacute;ximo nacional   formulador de pol&iacute;ticas alimentares, a Comiss&atilde;o Nacional de Alimenta&ccedil;&atilde;o   (CNA), que dirigiu de 1945 a 1954; durante sua atua&ccedil;&atilde;o no parlamento,  &eacute; acusado   de apropria&ccedil;&atilde;o ind&eacute;bita de verbas no per&iacute;odo em   que presidira a Comiss&atilde;o Nacional de Bem-Estar Social (Melo e Neves,   2007, p. 95), bem como de ter sido eleito com dinheiro da Merenda Escolar (p.   96), acusa&ccedil;&otilde;es que repulsa veementemente. Castro foi indicado   por Kubitschek para ministro da Agricultura, mas n&atilde;o chegou a assumir   o cargo por press&atilde;o pol&iacute;tica, inclusive de seu pr&oacute;prio   partido (p. 283).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Sendo invi&aacute;vel tratar aqui da totalidade de contraposi&ccedil;&otilde;es  &agrave;s   suas ideias, exemplifica-se com o caso de dois indiv&iacute;duos cuja trajet&oacute;ria   tem alguns pontos de converg&ecirc;ncia com a de Castro, por serem m&eacute;dicos,   envolvi dos no ensino e na pesquisa de nutri&ccedil;&atilde;o, reconhecidos   entre seus pares, exercido uma fun&ccedil;&atilde;o intelectual preocupada   em interpretar e propor solu&ccedil;&otilde;es para o Brasil, e que haviam   interagido com Castro na condi&ccedil;&atilde;o de membros, por algum tempo,   da CNA. S&atilde;o eles Francisco Pompeu do Amaral e Ant&ocirc;nio da Silva   Melo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Pompeu do Amaral, m&eacute;dico paulista, comunista, dirigiu o primeiro curso   de nutricionistas do Brasil, criado em 1939 no Instituto de Higiene; chefiou   a Superintend&ecirc;ncia do Ensino Profissional de S&atilde;o Paulo e foi membro   da Academia de Medicina paulista. Amaral (1963, p. 257) recriminava a aloca&ccedil;&atilde;o   da CNA sob o Conselho Federal do Com&eacute;rcio Exterior, pois isso denotaria   interesse no mercado estrangeiro, enquanto o  &oacute;rg&atilde;o, em sua perspectiva,   agiria demagogicamente quanto &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o popular. Contr&aacute;rio   ao processamento de diversos alimentos - como a pasteuriza&ccedil;&atilde;o   do leite e o uso de aditivos -, refutava as recomenda&ccedil;&otilde;es de   uso de alimentos que n&atilde;o considerava cultural e/ou biologicamente v&aacute;lidos   para a realidade nacional. Para ele, Castro desejava tornar o Brasil um receptor   dos excedentes de produ&ccedil;&atilde;o da soja e do leite em p&oacute; norte-americanos   (p. 482, p. 553). Ele era contra as ideias de Castro de iodeta&ccedil;&atilde;o   do sal (p. 445), dissemina&ccedil;&atilde;o do uso de certas prote&iacute;nas   vegetais, como as da folha de mandioca (p. 498), e a desidrata&ccedil;&atilde;o   de alimentos (p. 438) - esta, porque favoreceria interesses dos industriais   que haviam contribu&iacute;do financeiramente para a cria&ccedil;&atilde;o   do Instituto de Tecnologia Alimentar<sup><a href="#n5">5</a></sup><a name="s5"></a>, e porque a desidrata&ccedil;&atilde;o   de excedentes alimentares para exporta&ccedil;&atilde;o prejudicaria o lavrador   nacional (p. 523). Questionava os estudos de Castro sobre o metabolismo basal   do brasileiro (p. 156, p. 159) e considerava que o consumo alimentar no sert&atilde;o   nordestino n&atilde;o tinha as caracter&iacute;sticas positivas referidas por   Castro (p. 235). Contra a ideia de fome como assunto-tabu enunciada por Castro,   afirmava que, sendo uma preocupa&ccedil;&atilde;o permanente do homem, jamais   a fome fora tema proibido (p. 13). Segundo ele, o tipo de reforma agr&aacute;ria   defendido por Castro visaria o fracionamento da propriedade rural para afastar   o grande propriet&aacute;rio capaz de resistir &agrave;s manobras da CNA (p.   524). O enriquecimento da farinha de mandioca e do a&ccedil;&uacute;car com   minerais, proposto pelo INUB, seria in&uacute;til (p. 559). As pesquisas do   grupo de Castro sobre novos recursos alimentares levariam, segundo ele, a se   dar ao povo alimentos t&oacute;xicos, como a mucun&atilde; (p. 563)<sup><a href="#n6">6</a><a name="s6"></a></sup>. Sua cr&iacute;tica   era sempre expl&iacute;cita: 'At&eacute;  quando, no Brasil e em toda a Am&eacute;rica   Latina, se tolerar&atilde;o sugest&otilde;es como esta dos nutr&oacute;logos   do Instituto de Nutri&ccedil;&atilde;o da Universidade do Brasil?&quot; (p.   553).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">J&aacute; Ant&ocirc;nio da Silva Melo, mineiro, chefe da 8a Enfermaria da   Santa Casa de Miseric&oacute;rdia e professor da Faculdade de Medicina do Rio   de Janeiro, fundador da &quot;Revista Brasileira de Medicina&quot;, membro   da Academia Brasileira de Letras, graduara-se em Berlim. Um dos distintos autores   de nutri&ccedil;&atilde;o citados em &quot;Casa Grande &amp; Senzala&quot;,   Melo considerava como pontuais as propostas de Castro para combate &agrave; fome   e criticava o enriquecimento de alimentos com vitaminas e minerais proposto   pela CNA - &oacute;rg&atilde;o que lhe parecia um entrave ao governo por tomar   medidas falhas e esdr&uacute;xulas que afastavam o poder p&uacute;blico das   solu&ccedil;&otilde;es certas e consistia em uma inst&acirc;ncia de irracional   venera&ccedil;&atilde;o a Castro (Melo, 1961, p. 39). A difus&atilde;o em ampla   escala do uso da soja torna-se seu ponto de honra como uma solu&ccedil;&atilde;o   para a quest&atilde;o alimentar, embora, combatendo a posi&ccedil;&atilde;o   da CNA de que seria preciso eliminar o sabor amargo dessa leguminosa para se   obter a dissemina&ccedil;&atilde;o de seu uso, contradiga suas pr&oacute;prias   teorias sobre os efeitos positivos do instinto do gosto na determina&ccedil;&atilde;o   de h&aacute;bitos alimentares adequados; o gosto do povo, nesse caso, poderia   ser 'ensinado', n&atilde;o se justificando a pretensa afirma&ccedil;&atilde;o   de Castro de que, por ser &quot;comida de chin&ecirc;s&quot;, a soja jamais   seria aceita (p. 124).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Esses dois opositores no campo da nutri&ccedil;&atilde;o exercem uma confronta&ccedil;&atilde;o   que &eacute; cient&iacute;fica e tamb&eacute;m pol&iacute;tica. &Eacute; not&aacute;vel   o fato de que, nas ideias de ambos, subsistem relevantes pontos de concord&acirc;ncia   com outras ideias de Castro - como a de m&aacute; alimenta&ccedil;&atilde;o   como problema nacional de n&uacute;mero um, a de causas sociais e econ&ocirc;micas   como determinantes da fome, o diagn&oacute;stico de Brasil como portador de   uma conforma&ccedil;&atilde;o colonial latifundi&aacute;ria-monocultora de   terr&iacute;veis repercuss&otilde;es em termos alimentares, a absolvi&ccedil;&atilde;o   do homem brasileiro como v&iacute;tima da fome, a ideia de um Estado n&atilde;o-protetor,   a prega&ccedil;&atilde;o de que pol&iacute;ticas p&uacute;blicas deveriam p&ocirc;r   o interesse da alimenta&ccedil;&atilde;o do povo acima de quaisquer outros.   As diferen&ccedil;as de opini&atilde;o, embora n&atilde;o suficientemente aclarados   seus motivos, situam-se em pontos que se distanciam desse n&uacute;cleo principal   de racionalidade sustentado pelos tr&ecirc;s, prendendo-se, em alguns casos,   a diferen&ccedil;as de interpreta&ccedil;&atilde;o acerca das raz&otilde;es   que levariam Castro a defender certas ideias.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O acentuado tom de cr&iacute;tica usado por Pompeu do Amaral e Melo leva a   inferir sobre embates pessoais n&atilde;o-ditos. Como, em suas an&aacute;lises,   os autores acabam por criticar tanto os &oacute;rg&atilde;os presididos por   Castro quanto as posi&ccedil;&otilde;es deste isoladamente, fica evidente que,   em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, o alvo de ataque principal s&atilde;o as   propostas de Castro. No caso da soja, curiosamente, tanto Castro quanto Melo,   e tamb&eacute;m muitos outros nutr&oacute;logos e a pr&oacute;pria CNA, defendiam   e estudavam meios de se generalizar seu consumo, apesar de ser um alimento   que n&atilde;o fazia parte do h&aacute;bito alimentar popular e que apresentava   algumas caracter&iacute;sticas qu&iacute;micas e organol&eacute;ticas que prejudicavam   seu uso culin&aacute;rio e aproveitamento metab&oacute;lico. A pr&oacute;pria   FAO, onde Castro exercera fun&ccedil;&atilde;o de dire&ccedil;&atilde;o, estudava   meios para tal dissemina&ccedil;&atilde;o em pa&iacute;ses pobres. N&atilde;o   seria poss&iacute;vel que a posi&ccedil;&atilde;o de Castro a respeito fosse   ignorada, por exemplo, por Melo. Surpreende, portanto, a posi&ccedil;&atilde;o   deste na aguda elei&ccedil;&atilde;o e extensa defesa da soja como ponto de   disc&oacute;rdia frontal com Castro, e, no caso de ambos os autores, h&aacute; conota&ccedil;&otilde;es   de uma disputa pol&iacute;tica que vai al&eacute;m do explicitado em seus textos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>DISCUSS&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O engajamento pol&iacute;tico e social de Josu&eacute; de Castro manifesta-se   por meio de suas convic&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas, dando lugar &agrave; visibilidade   da fome como objeto privilegiado e, inclusive, interferindo decisivamente na   agenda pol&iacute;tica do Estado. A produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fico-intelectual   de Castro est&aacute; marcada pelas rela&ccedil;&otilde;es com as institui&ccedil;&otilde;es,   com o poder p&uacute;blico e com os organismos internacionais com os quais   atuou e interagiu. Obra altamente informada, nela ideias modernas v&atilde;o   aparecendo, desde o tema da ra&ccedil;a nos prim&oacute;rdios da trajet&oacute;ria   dessa produ&ccedil;&atilde;o, at&eacute; o tema do desenvolvimento nas etapas   mais tardias. Esses elementos s&atilde;o acionados na conex&atilde;o de ideias   e a&ccedil;&otilde;es ao conjunto da modernidade cient&iacute;fico-pol&iacute;tica   para colocar a fome/nutri&ccedil;&atilde;o como objeto leg&iacute;timo da ci&ecirc;ncia   e da pol&iacute;tica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">De modo geral, na obra de Castro identifica-se     forte participa&ccedil;&atilde;o   de categorias j&aacute; presentes de longa data no pensamento social e pol&iacute;tico   brasileiro, em particular: colonialismo; agrarismo; monocultura exportadora;   latif&uacute;ndio; atraso t&eacute;cnico; irracionalidade do Estado; privatismo;   intervencionismo econ&ocirc;mico; abandono da popula&ccedil;&atilde;o; indol&ecirc;ncia   do trabalhador; explora&ccedil;&atilde;o do homem pelo homem; necessidade de   educa&ccedil;&atilde;o. Nesse sentido, na caracteriza&ccedil;&atilde;o do pensamento   social de Josu&eacute; de Castro, pode-se dizer que sua obra perfila-se junto   a ideias de determinadas correntes do ensa&iacute;smo brasileiro. Estas seriam   especialmente as seguintes: a cr&iacute;tica aos erros do privatismo em detrimento   da causa p&uacute;blica; o malef&iacute;cio da heran&ccedil;a colonial; a espolia&ccedil;&atilde;o   imprevidente das riquezas do pa&iacute;s; e a falta de nacionalidade em virtude   do esp&iacute;rito aventureiro, do abandono do homem e da falta de cimento   social em fun&ccedil;&atilde;o do latif&uacute;ndio e da aus&ecirc;ncia de   Estado. Al&eacute;m dessas, de maior relev&acirc;ncia, podem-se citar outras   de relev&acirc;ncia intermedi&aacute;ria, como: o valor positivo dos elementos   nacionais (homem e natureza); a ideia de que o Brasil &eacute; um pa&iacute;s   sem vida pr&oacute;pria, sem autonomia e sem identidade positiva, que n&atilde;o   se volta para si mesmo, mas que vive para o exterior; a condena&ccedil;&atilde;o   do Estado omisso; a defesa do reformismo econ&ocirc;mico-social visando &agrave; modernidade   e ao progresso, em uma proposta de se refazer o Brasil; a percep&ccedil;&atilde;o   dos problemas do Brasil como continuidades hist&oacute;ricas; a compreens&atilde;o   de que falta o elemento organizador, protetor e modernizador que conduza as   a&ccedil;&otilde;es em prol da coletividade; a defesa de mudan&ccedil;as amplas   e n&atilde;o pontuais/emergenciais; a ideia de que o passado nos condena; o   n&atilde;o-edenismo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Castro afirma que, entre 1930 e 1932, por ocasi&atilde;o da reda&ccedil;&atilde;o   do que seria seu primeiro livro, teria se deparado com grande exiguidade de   trabalhos que lhe oferecessem subs&iacute;dios, conjuntura que, segundo ele,   sofreria modifica&ccedil;&atilde;o dali em diante, com o surgimento de diversas   obras que considerava relevantes, n&atilde;o apenas sobre alimenta&ccedil;&atilde;o,   mas de cunho biol&oacute;gico-social ou afeitas &agrave; an&aacute;lise pol&iacute;tico-sociol&oacute;gica   (Castro, 1939). Entre essas &uacute;ltimas, s&atilde;o indicadas &quot;Hist&oacute;ria   Econ&ocirc;mica do Brasil - 1500-1822&quot; (1937), de Roberto Simonsen; &quot;O   outro Nordeste: Forma&ccedil;&atilde;o social do Nordeste&quot; (1937), de   Djacir Lima Menezes; &quot;Clima e sa&uacute;de: Introdu&ccedil;&atilde;o biogeogr&aacute;fica &agrave; civiliza&ccedil;&atilde;o   brasileira&quot; (1938), de Afr&acirc;nio Peixoto; 'Amaz&ocirc;nia, a terra   e o homem - com uma introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; Antropogeografia&quot; (1933),   de Jos&eacute; Francisco de Ara&uacute;jo Lima; &quot;A crian&ccedil;a &eacute; o   melhor imigrante&quot;  (confer&ecirc;ncia proferida no Instituto de Estudos   Brasileiros, em 1938), de Castro Barreto. A d&eacute;cada de 1930, na qual   se inscrevem essas publica&ccedil;&otilde;es, representa um per&iacute;odo   de rica an&aacute;lise e proposi&ccedil;&atilde;o sobre o Brasil. Nas obras   suprarreferidas est&atilde;o presentes, em graus diversificados, distintas   tem&aacute;ticas-chave, tamb&eacute;m identificadas na obra de Castro, entre   as quais a conjuga&ccedil;&atilde;o entre ci&ecirc;ncias do esp&iacute;rito   e ci&ecirc;ncias da natureza e o estudo do homem como unidade biol&oacute;gica   em interdepend&ecirc;ncia com os fatores sociais; a nega&ccedil;&atilde;o do   determinismo racial e clim&aacute;tico na causalidade das doen&ccedil;as; a   alimenta&ccedil;&atilde;o deficiente como inferiorizante do homem, da produtividade   e do pa&iacute;s, e tendo por causa iniquidades econ&ocirc;mico-sociais; o   colonialismo, expresso principalmente no sistema de latif&uacute;ndio monocultor   de exporta&ccedil;&atilde;o, como causa de baixa disponibilidade de alimentos   para a popula&ccedil;&atilde;o; a falta de racionalidade do Estado; a ideia   de que n&atilde;o h&aacute; sub-ra&ccedil;as, mas sim sub-alimenta&ccedil;&atilde;o;   as implica&ccedil;&otilde;es de uma alimenta&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de   deficientes para a evolu&ccedil;&atilde;o do Brasil em termos de civiliza&ccedil;&atilde;o   e da nacionalidade; a cren&ccedil;a na interven&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica   na sociedade; os princ&iacute;pios da geografia m&eacute;dica. No ide&aacute;rio   de Castro, nota-se, ainda, a afirma&ccedil;&atilde;o de que a fome conforma   a identidade do brasileiro e &eacute; o problema n&uacute;mero um do pa&iacute;s.   Essa tend&ecirc;ncia se confunde com a observada em outras &aacute;reas do   conhecimento, como, por exemplo, a elei&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a,   nesses mesmos termos, pelo movimento sanitarista dos anos 1910-1920, tipificada   na afirma&ccedil;&atilde;o de Miguel Pereira de que o Brasil era  &quot;um   imenso hospital&quot; (Pereira, 1922, p. 3).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">O exerc&iacute;cio do pensamento social de Castro situa-se, ainda, na chave   entre tradi&ccedil;&atilde;o nacional e ci&ecirc;ncia internacional. A quest&atilde;o   nacional, por exemplo, que estava na ordem do dia no cen&aacute;rio brasileiro,   ligava-se n&atilde;o s&oacute;  ao momento de forma&ccedil;&atilde;o do Estado,   como ao desejo de inclus&atilde;o da ci&ecirc;ncia no interior desse Estado   e &agrave; import&acirc;ncia da higidez dos pa&iacute;ses para a paz e economia   mundiais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nesse sentido, em termos internacionais, os     elementos de maior conex&atilde;o   com a obra de Castro situaram-se na obra do m&eacute;dico argentino Pedro Escudero   - tamb&eacute;m ele um cientista de nutri&ccedil;&atilde;o voltado para a pr&aacute;tica   do pensamento social - e nas ideias desenvolvidas em organismos internacionais,   nomeadamente a Organiza&ccedil;&atilde;o de Sa&uacute;de da Liga das Na&ccedil;&otilde;es   (d&eacute;cadas de 1920-1930) e a FAO (d&eacute;cadas de 1940-1950). No que   tange a essas &uacute;ltimas, vale considerar que, segundo Martha Finnemore   (1996), regras culturais internacionais criam normas sobre o progresso, influenciando   Estados, organiza&ccedil;&otilde;es e indiv&iacute;duos; &eacute;  nesse sentido   que Andr&eacute; Vieira de Campos (2006) aponta, em estudo de caso sobre o   Servi&ccedil;o Especial de Sa&uacute;de P&uacute;blica, que, j&aacute; no p&oacute;s-II   Guerra, a sa&uacute;de ganha a acep&ccedil;&atilde;o de bem de valor econ&ocirc;mico,   de um investimento no homem em prol do desenvolvimento, do progresso das na&ccedil;&otilde;es   e da reconstru&ccedil;&atilde;o do mundo, tend&ecirc;ncia que pode perfeitamente   ser comparada com a vigente na nutri&ccedil;&atilde;o. Assim, o abismo entre   desenvolvidos e subdesenvolvidos, distanciando sociedades  &quot;avan&ccedil;adas&quot; e &quot;seguidoras&quot; (Bendix,   1996), seria mais f&aacute;cil de ser transposto com a ajuda da ci&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Com efeito, Arturo Escobar argumenta que, durante     a vig&ecirc;ncia da cultura   desenvolvimentista, a realidade social fora  &quot;colonizada&quot; pelo discurso   de ressignifica&ccedil;&atilde;o do mundo que a inven&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento   socioecon&ocirc;mico viera trazer; em um clima de redescoberta da pobreza como   um problema global a ser vencido, o desenvolvimento adquirira um <i>status </i>de   certeza no imagin&aacute;rio social, pois seria alcan&ccedil;ado com o apoio   de uma orquestra&ccedil;&atilde;o cooperativa em torno da sa&uacute;de internacional,   especialmente por meio da ci&ecirc;ncia, da t&eacute;cnica e do planejamento,   e sob a coordena&ccedil;&atilde;o de especialistas no &acirc;mbito de organiza&ccedil;&otilde;es   estatais ou internacionais (Escobar, 1995, p. 6, p. 10). Na nutri&ccedil;&atilde;o   dos anos 1950, os debates em torno das medidas mais indicadas para a corre&ccedil;&atilde;o   dos males alimentares das popula&ccedil;&otilde;es enquadravam-se no que se   pode denominar de um modelo de oscila&ccedil;&atilde;o entre defesa de reformas   amplas e de mudan&ccedil;as pontuais (Farley, 2004, p. 284-5) e, desde a d&eacute;cada   de 1940, o planejamento estrutural j&aacute; se incorporara ao <i>ethos </i>dominante   da comunidade internacional de nutri&ccedil;&atilde;o (Hardy, 1995, p. 62),   fato que, no Brasil, se confirmaria na participa&ccedil;&atilde;o de Josu&eacute; de   Castro na elabora&ccedil;&atilde;o do Plano Sa&uacute;de, Alimenta&ccedil;&atilde;o,   Transporte e Energia (SALTE). Esses fatores estariam imbu&iacute;dos do ide&aacute;rio   desenvolvimentista presente, inclusive, na agenda da FAO (Ruxin, 1996), ajudando   a intensificar o debate da fome como risco pol&iacute;tico e fator do subdesenvolvimento.   Essa compreens&atilde;o de fome como risco pol&iacute;tico, por sua vez, conduziria   ao anseio de se fomentar uma pol&iacute;tica internacional de alimenta&ccedil;&atilde;o   e de melhoria das condi&ccedil;&otilde;es de vida, das quais dependeria a paz   mundial (Os problemas..., 1949, p. 74).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Se essa tem&aacute;tica estava em &ecirc;nfase no plano internacional, por   outro lado, ela se refletia na necessidade, ou conveni&ecirc;ncia, de os pa&iacute;ses   tomarem medidas internas que propiciassem uma alimenta&ccedil;&atilde;o adequada   para seus povos, preocupa&ccedil;&atilde;o evidente na FAO (Preven&ccedil;&atilde;o...,   1953), mas j&aacute; importante desde a Organiza&ccedil;&atilde;o de Sa&uacute;de   da Liga das Na&ccedil;&otilde;es (League of Nations, 1937). &Eacute;  nesse   ponto que a agenda internacional de sa&uacute;de e nutri&ccedil;&atilde;o se   cruza com os problemas e ideais de ordem nacional dos pa&iacute;ses. Um discurso   de recomenda&ccedil;&atilde;o de distintas a&ccedil;&otilde;es - ado&ccedil;&atilde;o   de pol&iacute;ticas nacionais de alimenta&ccedil;&atilde;o, cria&ccedil;&atilde;o   de  &oacute;rg&atilde;os para planejamento alimentar e para combate &agrave; fome,   dissemina&ccedil;&atilde;o do ensino especializado de nutri&ccedil;&atilde;o,   pol&iacute;ticas agr&iacute;colas visando &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o   p&uacute;blica, meios para aumentar o acesso aos alimentos por parte do povo,   educa&ccedil;&atilde;o popular em alimenta&ccedil;&atilde;o - representou uma   t&ocirc;nica em ambos os organismos internacionais, aliado &agrave; preocupa&ccedil;&atilde;o   t&eacute;cnico-cient&iacute;fica desses pr&oacute;prios &oacute;rg&atilde;os   em conduzir, facilitar e estimular o desenvolvimento e a padroniza&ccedil;&atilde;o   de m&eacute;todos de pesquisa e de refer&ecirc;ncias de normalidade afeitos &agrave;s   a&ccedil;&otilde;es recomendadas (Relat&oacute;rio... , 1956). Dessa forma,   quest&otilde;es nacionais eram tratadas nesses organismos internacionais, sendo   algumas recomenda&ccedil;&otilde;es adotadas pelos pa&iacute;ses e, como &eacute; comum   na apropria&ccedil;&atilde;o local de a&ccedil;&otilde;es internacionais (Stern,   1998), sofrendo adapta&ccedil;&otilde;es aos interesses locais. N&atilde;o   se pode olvidar, por outro lado, que a ideia de fome como risco &agrave; paz   e &agrave; estabilidade social tamb&eacute;m esteve presente no cen&aacute;rio   nacional desde d&eacute;cadas anteriores, como na an&aacute;lise do epis&oacute;dio   de Canudos, por Euclides da Cunha (1950), em &quot;Os Sert&otilde;es&quot;,   e na descri&ccedil;&atilde;o das rebeli&otilde;es populares e ondas de crimes   no interior cearense feita por Rodolfo Te&oacute;filo (1922b), em &quot;A Fome&quot;,   - autores que Castro considera &quot;soci&oacute;logos da fome no Brasil&quot; e   a quem dedica seu livro de maior repercuss&atilde;o, &quot;Geografia da Fome&quot; (Castro,   1946, p. 7). No plano de Castro, os escritos e a atua&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica   contra a fome na chave da consecu&ccedil;&atilde;o da paz/dignidade/bem-estar   social sempre congregaram pesquisa e a&ccedil;&atilde;o social.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Parte da explica&ccedil;&atilde;o adicional a respeito reside na ideia de   a&ccedil;&atilde;o social do intelectual. As principais ideias-for&ccedil;a   presentes na obra de Castro - fome como express&atilde;o biol&oacute;gica do   social; subdesenvolvimento como fruto de um neocolonialismo capitalista; estrutura   latifundi&aacute;ria como express&atilde;o semifeudal; Estado como agente modernizador   em potencial; desapropria&ccedil;&atilde;o de terras como instrumento revisor   das rela&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dico-econ&ocirc;micas entre propriet&aacute;rios   e trabalhadores; com&eacute;rcio internacional de alimentos como imperialista   e apartado do enfoque de sa&uacute;de p&uacute;blica -sintetizam uma interpreta&ccedil;&atilde;o   de Brasil regida pela concep&ccedil;&atilde;o de que h&aacute; um papel social   qualificado para o cientista. Esse <i>ethos </i>mission&aacute;rio se aproxima   do praticado por muitos cientistas e intelectuais da &eacute;poca, e &eacute; explicitamente   defendido por Castro (Castro, 1945, p. 776).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em rela&ccedil;&atilde;o ao Estado, Castro tem com ele uma rela&ccedil;&atilde;o   dial&eacute;tica, que vai tomando diferentes conforma&ccedil;&otilde;es ao   longo da trajet&oacute;ria do cientista, as quais principiam com a incorpora&ccedil;&atilde;o   deste ao aparelho de Estado e com a converg&ecirc;ncia de determinados objetivos,   levando &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de cria&ccedil;&atilde;o de &oacute;rg&atilde;os   e pol&iacute;ticas alimentares em uma &eacute;poca em que o pr&oacute;prio   Estado arregimentava esfor&ccedil;os no sentido de seu fortalecimento; e culminam   com a completa dissocia&ccedil;&atilde;o de ambos, quando o discurso cr&iacute;tico-reformista   praticado pelo m&eacute;dico passa a ser considerado amea&ccedil;ador para   o Estado. A posi&ccedil;&atilde;o de Castro no per&iacute;odo em que integrara   a burocracia estatal, se por um lado o legitimava para o debate p&uacute;blico   das ideias que preconizava, por outro correspondia &agrave; de ator inserido   como quadro do Estado que frequentemente criticava. Para al&eacute;m disso,   encontrava-se Castro, como os demais cientistas de nutri&ccedil;&atilde;o da &eacute;poca,   na posi&ccedil;&atilde;o de ter de pedir mais a esse Estado, tendo em vista   as necessidades materiais e simb&oacute;licas da &aacute;rea de conhecimento   e pr&aacute;tica que desejavam ver institucionalizada. O Estado, que &eacute; simultaneamente   cortejado e condenado, acaba por se apropriar de parte dos instrumentais t&eacute;cnicos   produzidos pela nutri&ccedil;&atilde;o, criando algumas pol&iacute;ticas, institui&ccedil;&otilde;es   e programas. Essa relativa permeabilidade se deve aos interesses de forma&ccedil;&atilde;o   do Estado nacional, mais presente e mais racional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">J&aacute; as raz&otilde;es dos intelectuais, entre eles Castro, para se deixarem   manter nesse aparente contrassenso, residem na compreens&atilde;o de que h&aacute; um   papel para o intelectual, na confian&ccedil;a na efic&aacute;cia de suas ideias   e em suas inclina&ccedil;&otilde;es progressistas. As modifica&ccedil;&otilde;es   do Estado e a din&acirc;mica da trajet&oacute;ria do cientista conduzem a transforma&ccedil;&otilde;es   na rela&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica Estado-cientista, que evoluem do   est&aacute;gio de colabora&ccedil;&atilde;o para o de repress&atilde;o. As   pol&iacute;ticas oficiais, por conseguinte, suscitaram impactos em v&aacute;rios   n&iacute;veis, tanto nas pr&aacute;ticas quanto na vida do cientista, tanto   favorecendo elementos de institucionaliza&ccedil;&atilde;o de sua ci&ecirc;ncia   quanto dificultando seu desejo de uma pragm&aacute;tica e premente aplica&ccedil;&atilde;o   do saber racional para expurgar o que considerava o problema n&uacute;mero   um brasileiro, como tamb&eacute;m encerraram as possibilidades de continuidade   da atua&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fico-pol&iacute;tica daquele cientista   em solo brasileiro. Castro, que de 1940 at&eacute; 1964 tivera uma carreira   ininterrupta nessa burocracia, &eacute; por fim dela abruptamente expurgado;   apesar dos incessantes pedidos de familiares, motivados pela profunda melancolia   em que o m&eacute;dico mergulhara no ex&iacute;lio, o governo militar s&oacute; autorizaria   o retorno ao pa&iacute;s quando do falecimento do cientista<sup><a href="#n7">7</a><a name="s7"></a></sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Uma das caracter&iacute;sticas mais ressaltadas da obra de Castro &eacute; a   multidisciplinaridade segundo a qual enfrenta o tema da fome (Nascimento, 2009).   A reuni&atilde;o de biol&oacute;gico e social em sua obra reflete uma cosmovis&atilde;o   na qual a fome &eacute; proposta como uma nova episteme biol&oacute;gica de   explica&ccedil;&atilde;o da fragilidade da condi&ccedil;&atilde;o brasileira,   e, assim, as posi&ccedil;&otilde;es assumidas publicamente por Castro caracterizaram-se   pela interpreta&ccedil;&atilde;o biossocial dos processos de g&ecirc;nese da   fome como resultados de imperfei&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas e morais   hist&oacute;ricas da conjuntura brasileira. Para Charles Rosenberg (1992),   doen&ccedil;as n&atilde;o s&atilde;o realidades dadas na natureza, aguardando   serem 'descobertas' por cientistas; s&atilde;o entidades hist&oacute;rica e   socialmente constru&iacute;das mediante um processo social de enquadramento,   no qual adquirem significados sociais e cognitivo-epistemol&oacute;gicos que   as traduzem como fen&ocirc;menos biol&oacute;gicos qualificados. &Eacute; assim   que elas se tornam reais e espec&iacute;ficas. No caso da ideia de fome como   um problema nacional, foi sendo constru&iacute;da por Josu&eacute; de Castro   por meio de um enquadramento biol&oacute;gico, social, econ&ocirc;mico e agr&iacute;cola,   o qual esteve mergulhado e tamb&eacute;m passou a integrar um repert&oacute;rio   de ideias internacionais e nacionais, no qual os fatores desigualdade social,   guerra, recess&atilde;o econ&ocirc;mica, desenvolvimentismo, sa&uacute;de internacional   e constru&ccedil;&atilde;o da identidade e do Estado nacional foram relevantes.   Se nos anos 1930 a nutri&ccedil;&atilde;o era afirmada por seus praticantes,   tanto no Brasil como no exterior, como sendo uma ci&ecirc;ncia nova, em seu   interior, tanto aqui quanto no estrangeiro, j&aacute; existiam tend&ecirc;ncias   que conjugavam o biol&oacute;gico e o social, em um per&iacute;odo no qual   a associa&ccedil;&atilde;o entre temas da natureza e da sociedade marcava presen&ccedil;a   em diversas &aacute;reas do conhecimento, como na geografia humana (Megale,   1984) e na antropologia (Castro Faria, 1942). &Eacute; tamb&eacute;m nesse   sentido que a ideia de ra&ccedil;a, acionada na obra inicial de Castro, participa   da conex&atilde;o entre biol&oacute;gico e nacional, n&atilde;o pela via da   biologiza&ccedil;&atilde;o de fatores sociais, mas sim da melhoria das caracter&iacute;sticas   nacionais, de uma forma em que valores biol&oacute;gicos, sociais e de dignidade   humana est&atilde;o conjuntamente presentes. Na obra de Castro, tamb&eacute;m   a natureza aparece como cen&aacute;rio modific&aacute;vel pelo homem, e &eacute; nessa   chave que a seca nordestina, a baixa produ&ccedil;&atilde;o de alimentos b&aacute;sicos   e a indol&ecirc;ncia e doen&ccedil;a do brasileiro n&atilde;o est&atilde;o   adstritos a mandamentos mesol&oacute;gicos e clim&aacute;ticos, mas podem ser   superados pela concretiza&ccedil;&atilde;o de medidas oficiais coletivas propostas   pela ci&ecirc;ncia para solucionar um problema biol&oacute;gico de causa social.   Para al&eacute;m disso tudo, &eacute; de se questionar a possibilidade de exist&ecirc;ncia   de um conhecimento biol&oacute;gico epistemologicamente 'puro', tendo em vista   n&atilde;o apenas a din&acirc;mica de intera&ccedil;&otilde;es e a circularidade   de conhecimentos, como as pr&oacute;prias circunst&acirc;ncias de constru&ccedil;&atilde;o   social do conhecimento prevalentes no fazer do cientista.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; imposs&iacute;vel dissociar institucionaliza&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica   e institucionaliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica no caso da nutri&ccedil;&atilde;o.   Ela &eacute; uma &aacute;rea onde as ideias e a&ccedil;&otilde;es praticadas   durante sua institucionaliza&ccedil;&atilde;o, especialmente ao longo das d&eacute;cadas   de 1930 a 1950, reuniram tipicamente ci&ecirc;ncia e pol&iacute;tica, n&atilde;o   s&oacute; devido &agrave; conjuntura que estimulou sua organiza&ccedil;&atilde;o   como &aacute;rea de conhecimento - guerras, recess&atilde;o econ&ocirc;mica,   constru&ccedil;&atilde;o do Estado - como devido &agrave; necessidade de aplica&ccedil;&atilde;o   quase imediata das teorias e dos m&eacute;todos que se iam organizando, aplica&ccedil;&atilde;o   essa localizada em sistemas voltados para a solu&ccedil;&atilde;o de problemas   de fatores estimulantes, como organiza&ccedil;&atilde;o da alimenta&ccedil;&atilde;o   de tropas, suprimento alimentar da popula&ccedil;&atilde;o, estudo da alimenta&ccedil;&atilde;o   dos desnutridos pelas guerras ou pela crise econ&ocirc;mica mundial, c&aacute;lculo   de ra&ccedil;&otilde;es nacionais, alimenta&ccedil;&atilde;o do trabalhador,   fortalecimento das gera&ccedil;&otilde;es futuras (centrando foco da gestante   ao adolescente), cuidado dos hospitalizados, tend&ecirc;ncias na legisla&ccedil;&atilde;o   social e trabalhista mundial. Nutri&ccedil;&atilde;o como ci&ecirc;ncia e nutri&ccedil;&atilde;o   como pol&iacute;tica v&atilde;o crescendo juntas. E se deparam com a oportunidade   conjuntural para tentar espa&ccedil;o na academia, na burocracia e junto &agrave; opini&atilde;o   p&uacute;blica. &Eacute; uma &eacute;poca em que inqu&eacute;ritos e fisiologia   s&atilde;o instrumentos relevantes no cen&aacute;rio mundial, de aproxima&ccedil;&atilde;o   dessa autodenominada 'nova ci&ecirc;ncia' de seu objeto, ajudando a destrinchar   a din&acirc;mica social nele embutida. &Eacute; nesse sentido que tamb&eacute;m   Castro operacionaliza a fisiologia e o inqu&eacute;rito para perscrutar o problema   alimentar e, a partir de ent&atilde;o, passar a perceb&ecirc;-lo como eminentemente   social. Tudo isso se ligava ao fato de que, ao final dos anos 1920 e especialmente   durante os anos 1930, uma &quot;nova cultura da nutri&ccedil;&atilde;o&quot; (Barona,   2008, p. 87) emergia no cen&aacute;rio internacional, com a institui&ccedil;&atilde;o   de um papel cient&iacute;fico e pol&iacute;tico circunstanciado para a nutri&ccedil;&atilde;o,   favorecido por uma nova interpreta&ccedil;&atilde;o da fome e da pobreza a   partir dos anos 1850, como problemas sociais e de sa&uacute;de p&uacute;blica   moralmente inaceit&aacute;veis, al&ccedil;ando a fome &agrave; posi&ccedil;&atilde;o   de <i>&quot;locus </i>central de a&ccedil;&atilde;o para a mudan&ccedil;a social   e a moderniza&ccedil;&atilde;o&quot;; regula&ccedil;&otilde;es sociais mais   expressivas por parte dos Estados, principalmente europeus, a partir da segunda   metade do s&eacute;culo XIX; a ideia de que a alimenta&ccedil;&atilde;o era   essencial para a sa&uacute;de e para a preven&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as   infecciosas, principal problema de sa&uacute;de da &eacute;poca; a instala&ccedil;&atilde;o   de uma crise internacional entre guerras, no s&eacute;culo XX (p. 90). Em fun&ccedil;&atilde;o   desses fatores, um conhecimento especializado foi mais demandado, sobretudo   no intervalo entre as guerras, devido aos problemas alimentares oriundos da   I Guerra, da Grande Depress&atilde;o e de conflitos internacionais. Essa transforma&ccedil;&atilde;o   social e cient&iacute;fica gerou a institui&ccedil;&atilde;o, por parte de   alguns Estados, de programas alimentares, de pol&iacute;ticas agr&iacute;colas   e econ&ocirc;micas e de condi&ccedil;&otilde;es para a pesquisa cient&iacute;fica,   e acabou por configurar especialistas locais e internacionais que seriam importantes   na proposi&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas   p&uacute;blicas (Barona, 2008, p. 103). Assim, eventos hist&oacute;rico-sociais   importantes agem na produ&ccedil;&atilde;o da literatura especializada de nutri&ccedil;&atilde;o   e nas pol&iacute;ticas alimentares das d&eacute;cadas de 1920 e 1930.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No tocante &agrave; obra de Castro, bem como &agrave; produzida em outros   ambientes nos quais o m&eacute;dico transitava e se inseria, as duas guerras   mundiais, a Grande Depress&atilde;o Econ&ocirc;mica de 1929, o ide&aacute;rio   do desenvolvimentismo no p&oacute;s-II Guerra, a preocupa&ccedil;&atilde;o   com a sa&uacute;de e coopera&ccedil;&atilde;o internacional e o processo de   constru&ccedil;&atilde;o da identidade e do Estado nacional brasileiros - a&iacute; inclu&iacute;da,   com  &ecirc;nfase, a era Vargas - s&atilde;o eventos que tamb&eacute;m participam   da formula&ccedil;&atilde;o da ideia de fome como um mal nacional e das solu&ccedil;&otilde;es   pol&iacute;ticas por ele apresentadas a respeito. Na obra e trajet&oacute;ria   do pernambucano, a fome opera como problema a um s&oacute; tempo de ci&ecirc;ncia   e de pol&iacute;tica, e as ideias e a&ccedil;&otilde;es de Castro contribuem   de forma circunstanciada para a profissionaliza&ccedil;&atilde;o e institucionaliza&ccedil;&atilde;o   cient&iacute;fica e pol&iacute;tica da nutri&ccedil;&atilde;o. &Eacute; por   esta via que, nesse caso espec&iacute;fico, tanto a ci&ecirc;ncia se imbrica   na constru&ccedil;&atilde;o do Estado quanto o Estado atua na constru&ccedil;&atilde;o   desta. Em uma simbiose l&oacute;gica, &eacute;  quando o Estado brasileiro   adiciona concretamente a suas atribui&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas o papel   de provedor, e &eacute; quando esse Estado passa a percorrer a trilha da publiciza&ccedil;&atilde;o,   da racionaliza&ccedil;&atilde;o e da burocratiza&ccedil;&atilde;o, que melhor   acolhida encontra nele o ide&aacute;rio da nutri&ccedil;&atilde;o. &Eacute; a   partir da&iacute; que se criam as primeiras (e v&aacute;rias) institui&ccedil;&otilde;es   voltadas para a a&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica em alimenta&ccedil;&atilde;o.   Castro luta por elas e est&aacute; nelas. Isso tamb&eacute;m ajuda a explicar   a coer&ecirc;ncia entre as ideias e as a&ccedil;&otilde;es parlamentares e   contra a fome no percurso do cientista, pois essas a&ccedil;&otilde;es se coadunam   com o objeto, as explica&ccedil;&otilde;es, os mecanismos e as sa&iacute;das   vislumbradas por Castro para a fome em sua produ&ccedil;&atilde;o escrita.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Se a oposi&ccedil;&atilde;o intelectual sofrida por Castro denota que sua   trajet&oacute;ria contou com obst&aacute;culos e inflex&otilde;es que representaram   continuidades e descontinuidades, por outro lado, ela n&atilde;o foi suficiente   para anular a expressiva repercuss&atilde;o de sua obra. Diversos de seus pares   n&atilde;o apenas ganharam um espa&ccedil;o qualificado nos meios cient&iacute;ficos,   como tamb&eacute;m exercitaram o pensamento social e pol&iacute;tico. Qual   era, ent&atilde;o, exatamente, a posi&ccedil;&atilde;o diferenciada de Castro   em rela&ccedil;&atilde;o a seus pares? A de um cientista que, com uma obra   admirada pelo conte&uacute;do e pelo estilo, se mostra plenamente informado,   o que foi potencializado por seus est&aacute;gios no exterior e pelo acesso &agrave; literatura   estrat&eacute;gica; a sua sociabilidade na intelectualidade, na academia e   no c&iacute;rculo dirigente; a legitima&ccedil;&atilde;o conferida por sua   participa&ccedil;&atilde;o em um organismo internacional do porte da FAO; a   divulga&ccedil;&atilde;o de suas ideias junto &agrave; opini&atilde;o p&uacute;blica,   por meio de artigos em jornal; a repercuss&atilde;o de institui&ccedil;&otilde;es   por ele criadas, como os refeit&oacute;rios do SAPS para trabalhadores; e as   suas origens e sensibilidade para com os pobres. Assim, sua obra se mostra   expressiva do ponto de vista quantitativo e sofisticada em termos de teoriza&ccedil;&atilde;o,   e ganha visibilidade tanto no cen&aacute;rio nacional como no mundial - conforme   atesta, por exemplo, a tradu&ccedil;&atilde;o de &quot;Geografia da Fome&quot; para   mais de 25 idiomas. Cabe tamb&eacute;m refletir sobre a carga psicol&oacute;gica   carreada pela fome como tema pol&iacute;tico. Naquela &eacute;poca, houve condi&ccedil;&otilde;es   de possibilidade para se falar em 'drama' da fome. A especificidade cient&iacute;fica   e intelectual daquela conjuntura compartilhou, em todos os sentidos, a autoria   da configura&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica al&ccedil;ada pela fome na obra   de Castro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Reformista, mas n&atilde;o revolucion&aacute;rio, &eacute; na temporalidade   de uma dissocia&ccedil;&atilde;o com o passado e da esperan&ccedil;a de acelera&ccedil;&atilde;o   do futuro que o mundo de ideias de Castro constr&oacute;i seus significados.   As ideias de reformas mais profundas preconizadas pelo cientista -uma reforma   agr&aacute;ria, o aumento do poder aquisitivo do trabalhador, condi&ccedil;&otilde;es   condignas de vida e sa&uacute;de para o brasileiro, uma educa&ccedil;&atilde;o   transformadora, um pa&iacute;s purificado pela moralidade p&uacute;blica -   conservam-se como inteligibilidades de leitura historicamente situadas daquele   Brasil. A serem revisitadas como elemento que se propunha inovador por seu   saber, para tirar o Estado da irracionalidade, orientar as a&ccedil;&otilde;es   oficiais e modernizar o pa&iacute;s, livrando-o da tradicional inferioridade   pela conjuga&ccedil;&atilde;o de ci&ecirc;ncia e pol&iacute;tica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>AGRADECIMENTOS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&Agrave; profa. Dra. N&iacute;sia Trindade Lima, do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o   em Hist&oacute;ria das Ci&ecirc;ncias e da Sa&uacute;de (Casa de Oswaldo Cruz,   Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz), pela orienta&ccedil;&atilde;o da tese   de doutoramento da qual o presente trabalho se origina, bem como pelas inestim&aacute;veis   sugest&otilde;es ao texto. Ao prof. Dr. Jos&eacute; Murilo de Carvalho, do   Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Hist&oacute;ria Social (Instituto   de Filosofia e Ci&ecirc;ncias Sociais, Universidade Federal do Rio de Janeiro),   pela contribui&ccedil;&atilde;o &agrave; forma&ccedil;&atilde;o da autora no &acirc;mbito   da disciplina  &quot;Pensamento Social e Pol&iacute;tico Brasileiro&quot;,   do aludido programa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>&nbsp;</b></font></p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">ABRAMOVAY, R. A atualidade do m&eacute;todo de    Josu&eacute; de Castro e a situa&ccedil;&atilde;o alimentar mundial. <b>Revista    de Economia e Sociologia Rural, </b>v. 3/4, n. 1, p. 81-102, 1996.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">AMARAL, F. P. <b>O problema da alimenta&ccedil;&atilde;o:    </b>aspectos m&eacute;dicos-higi&ecirc;nicos-sociais. Rio de Janeiro: Jos&eacute;    Ol&iacute;mpio, 1963.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BARONA, J. L. Nutrition and health. The international context during the inter-war   crisis. <b>Social History of Medicine, </b>v. 21, n. 1, p. 87-105, 2008.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BATISTA FILHO, M. O centen&aacute;rio de Josu&eacute; de     Castro. <b>Revista     Brasileira de Sa&uacute;de Materno-Infantil, </b>v. 8, n.3, p. 237-238, 2008. </font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BENDIX, R. <b>Constru&ccedil;&atilde;o nacional       e cidadania: </b>estudos     de nossa ordem social em mudan&ccedil;a. S&atilde;o Paulo: Editora da Universidade   de S&atilde;o Paulo, 1996.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CAMPOS, A. V. <b>Pol&iacute;ticas internacionais    de sa&uacute;de na Era Vargas. </b>Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2006.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CAMPOS, R. R. <b>A dimens&atilde;o populacional na obra de Josu&eacute;  de     Castro. </b>2004. Tese (Doutorado em Geografia) - Universidade Estadual Paulista,     S&atilde;o Paulo, 2004.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CARDOSO, Tayguara T. Sert&atilde;o nordestino,    desenvolvimento e popula&ccedil;&atilde;o - Josu&eacute; de Castro, Celso Furtado    e o debate em torno da &quot;Opera&ccedil;&atilde;o Nordeste&quot;. In: ENCONTRO    NACIONAL DE ESTUDOS POPULACIONAIS DA UNICAMP, 16., 2008, Campinas. <b>Anais    eletr&ocirc;nicos... </b>Campinas: UNICAMP, 2008. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.abep.nepo.unicamp.br/encontro2008/docspdf/ABEP2008_1532.pdf" target="_blank">http://www.abep.nepo.unicamp.br/encontro2008/docspdf/    ABEP2008_1532.pdf</a>&gt;. Acesso em: 12 maio 2009.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CARVALHO, A. A. T. <b>O p&atilde;o nosso de cada    dia nos dai hoje... Josu&eacute; de Castro e a inclus&atilde;o da fome nos estudos    geogr&aacute;ficos no Brasil. </b>2007. Tese (Doutorado em Geografia) - Universidade    de S&atilde;o Paulo, S&atilde;o Paulo, 2007.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CASTRO, J. <b>Sete palmos de terra e um caix&atilde;o. </b>S&atilde;o   Paulo: Editora Brasiliense, 1965.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CASTRO, J. Associa&ccedil;&atilde;o Mundial     de Luta Contra a Fome. In: CASTRO, J. <b>O livro negro da fome. </b>S&atilde;o   Paulo: Brasiliense, 1960.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CASTRO, J. Sa&uacute;de e alimenta&ccedil;&atilde;o. <b>Arquivos     Brasileiros de Nutri&ccedil;&atilde;o, </b>v. 14, n. 2, p. 153-162, 1958.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CASTRO, J. <b>Geografia da fome. </b>Rio de Janeiro: Editora O Cruzeiro, 1946.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CASTRO, J. O problema da alimenta&ccedil;&atilde;o no Brasil de ap&oacute;s-guerra.   In: CONGRESSO BRASILEIRO DOS PROBLEMAS M&Eacute;DICO-SOCIAIS DE AP&Oacute;S-GUERRA,   1., 1945, Salvador. <b>Anais... </b>Salvador: Observador Econ&ocirc;mico e   Financeiro, 1945.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CASTRO, J. <b>O problema da alimenta&ccedil;&atilde;o       no Brasil: </b>seu     estudo fisiol&oacute;gico. 3. ed. S&atilde;o Paulo: Editora Nacional, 1939. (Cole&ccedil;&atilde;o   Brasiliana, v. 29).</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CASTRO, J. <b>As condi&ccedil;&otilde;es de vida das classes oper&aacute;rias     no Recife: </b>estudo econ&ocirc;mico de sua alimenta&ccedil;&atilde;o. Rio     de Janeiro: Minist&eacute;rio do Trabalho, Ind&uacute;stria e Com&eacute;rcio,     1935a.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CASTRO, J. <b>Alimenta&ccedil;&atilde;o e ra&ccedil;a. </b>Rio   de Janeiro: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira, 1935b.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CASTRO FARIA, L. A antropologia no Brasil e     na tradi&ccedil;&atilde;o   do Museu Nacional. <b>Revista do Brasil, </b>v. 5, n. 52, p. 84-90, 1942.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CASTRO SANTOS, L. A. O pensamento sanitarista     na Primeira Rep&uacute;blica:   uma ideologia de constru&ccedil;&atilde;o de nacionalidade. <b>Dados-Revista   de Ci&ecirc;ncias Sociais, </b>v. 28, n. 2, p. 193-210, 1985.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">COUTINHO, M.; LUCATELLI, M. Produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica em nutri&ccedil;&atilde;o   e percep&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica da fome e alimenta&ccedil;&atilde;o   no Brasil. <b>Revista de Sa&uacute;de P&uacute;blica, </b>v. 40, p. 86-92,   2006.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CUNHA, E. <b>Os Sert&otilde;es: </b>campanha de Canudos. Rio de Janeiro: Editora   Francisco Alves, 1950.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">ESCOBAR, A. <b>Encountering development: </b>the making and unmaking of the   Third World. Princeton: Princeton University Press, 1995.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FARLEY, J. <b>To cast out disease: </b>a history    of the International Health Division of the Rockefeller Foundation (1913-1951).    Oxford: Oxford University Press, 2004.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FINNEMORE, M. <b>National interests in international    society. </b>Ithaca: Cornell University Press, 1996.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FUNDA&Ccedil;&Atilde;O BANCO DO BRASIL. <b>Projeto    Mem&oacute;ria - Josu&eacute; de Castro, </b>2007. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.projetomemoria.art.br/JosuedeCastro/" target="_blank">http://www.projetomemoria.art.br/JosuedeCastro/</a>&gt;.    Acesso em: 12 maio 2009.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">HARDY, A. Beriberi, vitamin B1 and world food    policy, 1925&shy;1970. <b>Medical History, </b>v. 39, n. 1, p. 61-77, 1995.    Dispon&iacute;vel em: &lt; <a href="http://www.pubmedcentral.nih.gov/pagerender.fcgi?artid=1036938&pageindex=1" target="_blank">http://www.pubmedcentral.nih.gov/pagerender.    fcgi?artid = 1036938&amp;pageindex=1</a> &gt;. Acesso em: 12 maio 2009.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LABBATE, S. As pol&iacute;ticas de alimenta&ccedil;&atilde;o    e nutri&ccedil;&atilde;o no Brasil: I. Per&iacute;odo de 1940 a 1964. <b>Revista    de Nutri&ccedil;&atilde;o, </b>v. 1, n. 2, p. 87-138, 1988.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LEAGUE OF NATIONS. <b>Final report of the Mixed Committee of the League of     Nations on the relation of nutrition to health, agriculture and economic     policy. </b>Genebra: League of Nations, 1937. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.archive.org/details/finalreportofmix00leaguoft" target="_blank">http://www.archive.org/details/finalreportofmix00leaguoft</a>&gt;.     Acesso em: 12 abr. 2009.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LEVINE, R. M. <b>Pernambuco in the Brazilian Federation, 1889-1937. </b>Stanford:   Stanford University Press, 1978.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LIMA, E. S. Quantidade, qualidade, harmonia     e adequa&ccedil;&atilde;o: princ&iacute;pios-guia   da sociedade sem fome em Josu&eacute;  de Castro. <b>Hist&oacute;ria, Ci&ecirc;ncias,   Sa&uacute;de - Manguinhos, </b>v. 16, n. 1, p. 171-194, 2009.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LIMA, E. S. <b>G&ecirc;nese e constitui&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o     alimentar: a instaura&ccedil;&atilde;o da norma. </b>1997. Tese (Doutorado     em Educa&ccedil;&atilde;o: Hist&oacute;ria, Pol&iacute;tica, Sociedade) -     Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de S&atilde;o Paulo, S&atilde;o     Paulo, 1997.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LIMA, N. T; HOCHMAN, G. Condenado pela ra&ccedil;a,    absolvido pela medicina: o Brasil descoberto pelo Movimento Sanitarista da Primeira    Rep&uacute;blica. In: MAIO, M. C.; SANTOS, R. V. (Orgs.). <b>Ra&ccedil;a, ci&ecirc;ncia    e sociedade. </b>Rio de Janeiro: Fiocruz, Centro Cultural Banco do Brasil, 1996.    p. 23-40.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MAGALH&Atilde;ES, R. <b>Fome: uma (re)leitura       de Josu&eacute; de       Castro. </b>Rio   de Janeiro: Editora Fiocruz, 1997.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MEGALE, J. F. A geografia torna-se uma ci&ecirc;ncia    social. In: SORRE, M. <b>Geografia. </b>S&atilde;o Paulo: &Aacute;tica, 1984.    p. 7-29.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MELO, A. S. <b>A alimenta&ccedil;&atilde;o no       Brasil. </b>Rio   de Janeiro: Jos&eacute; Olympio, 1961.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MELO, M. M.; NEVES, T. C. W. (Orgs.). <b>Perfis       Parlamentares 52: Josu&eacute; de     Castro. </b>Bras&iacute;lia: Plenarium, 2007.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MELO FILHO, D. A. Mangue, homens e caranguejos     em Josu&eacute; de Castro:   significados e resson&acirc;ncias. <b>Hist&oacute;ria, Ci&ecirc;ncias, Sa&uacute;de-Manguinhos, </b>v.   10, n. 2, p. 505-524, 2003.</font><p><font size="2" face="Verdana">NASCIMENTO, R. C. <b>Josu&eacute; de Castro:    o soci&oacute;logo da fome, </b>2009. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="https://www.planalto.gov.br/Consea/static/documentos/Outros/Consultoria%20FBB%20Josu%E9%20de%20Castro.pdf" target="_blank">https://www.planalto.gov.br/Consea/static/documentos/Outros/Consultoria%20FBB%20Josu%E9%20de%20Castro.pdf</a>&gt;.    Acesso em: 10 mar. 2009.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">NASCIMENTO, C. L. <b>Entre homens e caranguejos:       o debate em torno da obra de Josu&eacute; de Castro em Pernambuco. </b>2006.       Disserta&ccedil;&atilde;o     (Mestrado em Hist&oacute;ria) - Universidade Federal de Pernambuco, Recife,     2006.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">OLIVEIRA, L&uacute;cia L. A inven&ccedil;&atilde;o    do nordeste e do nordestino. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE SOCIOLOGIA, 13., 2007,    Recife. <b>Anais eletr&ocirc;nicos... </b>Recife: UFPE, 2007. Dispon&iacute;vel    em: &lt;<a href="http://www.sbsociologia.com.br/congresso_v02/papers/GT16%20Pensamento%20Social%20no%20Brasil/A%20inven%C3%A7%C3%A3o%20do%20nordeste%20e%20do%20nordestino.pdf" target="_blank">http://www.sbsociologia.com.br/congresso_v02/papers/GT16%20Pensamento%20Social%20no%20Brasil/A%20inven%C3%A7%C3%A3o%20do%20nordeste%20e%20do%20nordestino.pdf</a>&gt;.    Acesso em: 12 maio 2009.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">OS PROBLEMAS mundiais de alimenta&ccedil;&atilde;o     e a UNESCO &#091;editorial&#093;. <b>Arquivos     Brasileiros de Nutri&ccedil;&atilde;o, </b>v. 6, n. 2, p. 73-74, 1949.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">PEREIRA, M. O Brasil &eacute; ainda um imenso hospital - discurso pronunciado   pelo prof. Miguel Pereira por ocasi&atilde;o do regresso do prof. Aloysio de   Castro, da Rep&uacute;blica Argentina, em outubro de 1916. <b>Revista de Medicina   - &Oacute;rg&atilde;o do Centro Acad&ecirc;mico Oswaldo Cruz/Faculdade de Medicina   e Cirurgia de S&atilde;o Paulo, </b>v. 7, n. 21, p. 3-7, 1922.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">PREVEN&Ccedil;&Atilde;O da desnutri&ccedil;&atilde;o     associada &agrave; defici&ecirc;ncia   proteica-recomenda&ccedil;&otilde;es FAO &#091;editorial&#093;. <b>Arquivos   Brasileiros de Nutri&ccedil;&atilde;o,</b>  v. 9, n. 3, p. 275-288, 1953.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">RAMOS, A. G. <b>Administra&ccedil;&atilde;o       e contexto brasileiro: </b>esbo&ccedil;o   de uma teoria geral da administra&ccedil;&atilde;o. Rio de Janeiro: Funda&ccedil;&atilde;o   Get&uacute;lio   Vargas, 1983.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">RELAT&Oacute;RIO da III Confer&ecirc;ncia sobre Problemas de Nutri&ccedil;&atilde;o   na Am&eacute;rica Latina &#091;transcri&ccedil;&atilde;o&#093;. <b>Arquivos Brasileiros   de Nutri&ccedil;&atilde;o, </b>v.   12, n. 1, p. 81-119, 1956.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">ROSENBERG, C. Framing disease: illness, society and history. In: ROSENBERG,   C.; GOLDEN, J. (Eds.). <b>Framing Disease. </b>Studies in Cultural History.   New Brunswick: Rutgers University Press, 1992.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">RUXIN, J. <b>Hunger, Science, and Politics: FAO,    WHO, and Unicef Nutrition Policies, 1945-1978. </b>Tese (Doutorado em Hist&oacute;ria)    - University College of London, Londres, 1996. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.cf-hst.net/UNICEF-TEMP/Doc-Repository/CF-RAI-USAA-DB01-HS-2006-00086-Hunger-Science-Politics-FAO-WHO-Unicef-Nutrition-Policies-1945-1978.html">http://www.cf-hst.net/UNICEF-TEMP/Doc-Repository/CF-RAI-USAA-DB01-HS-2006-00086-Hunger-Science-Politics-FAO-WHO-Unicef-Nutrition-Policies-1945-1978.html</a>&gt;.    Acesso em: 12 abr. 2009.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">STERN, S. The decentered center and the expansionist periphery: the paradoxes   of foreign-local encounter. In: GILBERT, J.; SALVATORE, R. D.; LE GRAND, C.   (Eds.). <b>Close encounters of empire: </b>writing the cultural history of   U.S. Latin American relations. Londres: Duke University Press, 1998. p. 47-68.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">TE&Oacute;FILO, R. M. <b>Hist&oacute;ria da       Seca no Cear&aacute; (1877-1879). </b>Rio   de Janeiro: Imprensa Inglesa, 1922a.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">TE&Oacute;FILO, R. M. <b>A Fome: Cenas da Seca       do Cear&aacute;. </b>Rio   de Janeiro: Imprensa Inglesa, 1922b.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">VASCONCELOS, F. A. G. O nutricionista no Brasil:    uma an&aacute;lise hist&oacute;rica. <b>Revista de Nutri&ccedil;&atilde;o, </b>v.    15, n. 2, p. 127-138, 2002.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">VASCONCELOS, F. A. G. <b>Como nasceram os meus    anjos brancos: </b>a constru&ccedil;&atilde;o do campo da nutri&ccedil;&atilde;o    em sa&uacute;de p&uacute;blica em Pernambuco. Recife: Edi&ccedil;&otilde;es    Baga&ccedil;o, 2001a.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">VASCONCELOS, F. A. G. Fome, eugenia e constitui&ccedil;&atilde;o    do campo da nutri&ccedil;&atilde;o em Pernambuco: uma an&aacute;lise de Gilberto    Freyre, Josu&eacute; de Castro e Nelson Chaves. <b>Hist&oacute;ria, Ci&ecirc;ncias,    Sa&uacute;de - Manguinhos, </b>v. 8, n. 2, p. 315-39, 2001b.</font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b><a name="endereco"></a><a href="#topo"><img src="img/revistas/bmpegch/v4n3/seta.gif" border="0"></a>Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia:</b>    <br> Museu Paraense Em&iacute;lio Goeldi    <br> Editor do Boletim do Museu Paraense Em&iacute;lio Goeldi. Ci&ecirc;ncias Humanas    <br> Av. Magalh&atilde;es Barata, 376    <br> S&atilde;o Braz - CEP 66040-170    <br> Bel&eacute;m - PA - Brasil    <br> Caixa Postal 399    <br> Telefone/fax: 55-91-3249-1141    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> E-mail: <a href="mailto:boletim@museu-goeldi.br">boletim@museu-goeldi.br</a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Recebido: 30/06/2009    <br>   Aprovado: 23/11/2009</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup><a href="#s1">1</a></sup><a name="n1"></a>Para um aprofundamento sobre o movimento sanit&aacute;rio,   vejam-se Castro Santos (1985); Lima e Hochman (1996).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup><a href="#s2">2</a><a name="n2"></a></sup>Criador dos primeiros cursos de nutr&oacute;logos e nutricionistas da Am&eacute;rica   Latina, Escudero foi o respons&aacute;vel pela forma&ccedil;&atilde;o dos profissionais   iniciais dessas especialidades em todo o continente; alguns autores sustentam   que os formados em sua escola seriam os partid&aacute;rios da corrente 'social'   da nutri&ccedil;&atilde;o brasileira em seus prim&oacute;rdios, em contraposi&ccedil;&atilde;o   com a corrente 't&eacute;cnica' ou 'biol&oacute;gica' dos graduados nos Estados   Unidos. Embora Castro n&atilde;o tenha se formado em nenhum dos dois lugares,   os que ligam a obra dele a uma interlocu&ccedil;&atilde;o forte com a de Escudero   situam o pernambucano tamb&eacute;m nessa perspectiva 'social' (L'Abbate, 1988;   Vasconcelos, 2002).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup><a href="#s3">3</a></sup><a name="n3"></a>&quot;Eu, na realidade queria ser psiquiatra, mas o Ulhoa Cintra (outro m&eacute;dico)   tinha dois aparelhos de metabolismo. Me vendeu um e resolvi fazer nutri&ccedil;&atilde;o&quot; (Funda&ccedil;&atilde;o...,   2007).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup><a href="#s4">4</a></sup><a name="n4"></a>N&atilde;o apenas se nota que diversas das ideias-chave de  &quot;Geografia   da Fome&quot; s&atilde;o claramente identific&aacute;veis em obras anteriores   do autor, como o pr&oacute;prio Castro informa que parte dos conte&uacute;dos   ali constantes j&aacute; fora publicada em 1934, na revista norte-americana &quot;Nutrition   Reviews&quot;, sob o t&iacute;tulo &quot;The food in Brazil&quot; (Castro,   1939).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup><a href="#s5">5</a></sup><a name="n5"></a>Fundado e dirigido por Castro, pela uni&atilde;o de recursos p&uacute;blicos   e da ind&uacute;stria aliment&iacute;cia, seu patrim&ocirc;nio seria depois   doado &agrave;  Universidade do Brasil, originando o Instituto de Nutri&ccedil;&atilde;o. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><sup><a href="#s6">6</a></sup><a name="n6"></a>A mucun&atilde;, leguminosa usada na fome extrema no sert&atilde;o, era estudada   por Castro para ser melhorada, visando ado&ccedil;&atilde;o em escala. Castro   sabia de sua toxicidade, reportada por Rodolfo Te&oacute;filo, que mencionava   que os gr&atilde;os deveriam ser &quot;lavados em nove &aacute;guas&quot;,   mesmo assim ainda podendo oferecer risco: &quot;a mucun&atilde; suja mata e   a lavada aleija&quot;, dizia, segundo ele, o povo (Te&oacute;filo, 1922a, p.   91).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup><a href="#s7">7</a></sup><a name="n7"></a>Castro, Anna Maria. Entrevista concedida a     Maria Let&iacute;cia   Galluzzi Bizzo em 09 de outubro de 2007</font></p>      ]]></body><back>
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